O Ocidente está agora a combater contra um exército imaginário

(Marat Khairullin, in Substack, 2312/2024, Trad. General Raúl Cunha in Facebook)


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Neste terceiro ano de guerra, começou a ficar perfeitamente claro que a Rússia está a combater contra um sistema repleto de gente francamente doente mental. Podem chamar-lhe o que quiserem – uma doença cerebral, com graves danos cerebrais causados por vermes, com parasitas cerebrais, com lepra cerebral e assim por diante.

Seja o que for, não andará muito longe disso. Mesmo a comparação mais trocista e cáustica e que denote uma rotura completa com a realidade, será adequada para os líderes das Forças Armadas Ucranianas e para os seus mestres ocidentais. Por exemplo, se percorrermos os meios de comunicação ocidentais mais populares durante o último mês, teremos uma imagem absoluta de que as Forças Armadas Ucranianas estão a combater exclusivamente com a Coreia do Norte. E, curiosamente, estão a ganhar. E não estou a brincar!

Os detalhes são simplesmente espantosos: os efetivos dos soldados norte-coreanos que já têm sido mencionados, numa especulação sem qualquer vergonha, foram sendo 3.000, 9.000, 11.000, 80.000, 100.000, etc. e como estes militares têm uma fraca escolaridade e não sabem como se esconder dos drones ucranianos, sofrem, por isso, enormes perdas. E, na passada semana, os soldados coreanos confundiram a linha da frente devido às suas limitações linguísticas e atacaram as próprias tropas russas.

Ou ainda, noutra menção: – “As forças norte-coreanas sofreram pesadas perdas enquanto avançavam em direção às tropas ucranianas.” Os mal-intencionados russos, aproveitando a inexperiência dos soldados coreanos, lançaram-nos para o combate sem lhes explicar as complexidades da guerra moderna – o artigo intitulava-se “Muito cedo, muito inexperientes”. E isto está a ser discutido com toda a seriedade pelas Associated Press, Reuters, Bloomberg, e assim por diante.

Aqui em Portugal, os ressabiados e facciosos comentadores do costume fizeram eco destas alarvidades… e, infelizmente, mesmo alguns militares que obviamente preferiram ignorar, ou então já esqueceram, o que aprenderam na técnica de estado-maior sobre como fazer uma correta avaliação das notícias quanto às suas fontes e verosimilhança, acabaram por debitar sem quaisquer escrúpulos uma notícia oriunda de uma fonte pouquíssimo credível (o SBU ucraniano) e sem qualquer grau de verosimilhança (basta raciocinar sobre a necessidade de mais essa tropa para a máquina militar russa).

Algures no meio, como que de passagem, foi por vezes referido que se tratava da região de Kursk, mas também já houve uma menção da cidade de Mariupol. Mas, com todo este seu frenesim comunicativo, os media fizeram parecer como se os norte-coreanos estivessem a avançar ao longo de toda a frente e por toda a Ucrânia. E quanto ao facto de ainda ninguém ter mostrado um único verdadeiro combatente norte-coreano nas florestas de Kursk, esse tem sido mantido em completo silêncio. O que é surpreendente nem sequer é a forma como os media ocidentais dominantes “defecam” diretamente para dentro das cabeças das suas populações, mas sim em que escala! E isto é especialmente verdade quando se refere a real situação no terreno.

De acordo com relatos fidedignos de 23 de dezembro, só na região de Kursk, as forças ucranianas sofreram 300 baixas num só dia. Além disso, dois carros de combate (um deles um Abrams), três viaturas de combate de infantaria (VCI) – uma Bradley americana, uma Marder alemã e uma sueca CV-90 – foram destruídos. Três viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) – uma Stryker e duas M113, um obus de artilharia, um veículo de reparação e recuperação M-88 (EUA) e mais oito viaturas, também foram destruídas.

Se considerarmos os preços médios, então, num só dia e em apenas uma região (Kursk), a Rússia destruiu equipamento da NATO no valor de quase 30-40 milhões de dólares. Isto, claro, não inclui o custo dos combatentes ucranianos – os quais, para o Ocidente, não valem nada. Mas não aparece uma palavra sobre isso nos grandes meios de comunicação ocidentais. O exército russo é geralmente apenas mencionado no contexto da sua “fuga da Síria” – e esta constitui outra “narrativa de propaganda”.

Neste final de 2024, o Ocidente alargado subitamente enlouqueceu em massa, inventou um inimigo imaginário e começou a combatê-lo intensamente nas estepes da Ucrânia. É tudo uma questão de “soft power”, que é muito forte no Ocidente e dado que este não pode admitir a sua vergonhosa derrota no campo de batalha. Assim, as barreiras de propaganda designadas por “soft power” foram concebidas para esconder a situação real. E, portanto, no Ocidente não somos apenas fracos, estamos também a ficar podres até à medula.

É evidente que os nossos líderes, além de incompetentes, estão extremamente “stressados”, isto porque os povos que oprimiram e humilharam durante séculos, finalmente deixaram de ter receio deles e passaram a exigir tudo. É por isso que o Ocidente incha como um sapo para parecer maior e mais assustador do que realmente é. É por isso que continua a criar uma realidade virtual paralela. É a sua última e única defesa. A história das inexistentes tropas norte-coreanas é a sua mais recente tentativa de se apresentarem como fortes. Mas, na verdade, estão “borrados” de medo.

Basta ter presente o seguinte: A Rússia já destruiu 650 aeronaves na Ucrânia. Em toda a NATO (incluindo os EUA), provavelmente existem menos de mil aeronaves multifunções utilizáveis. A Rússia destruiu cerca de 19 mil carros de combate e outras viaturas blindadas. Em toda a NATO, existem provavelmente menos de mil carros de combate em condições de serem utilizados.

O Ocidente alargado ficou tão entusiasmado com a realidade virtual que já nem sequer sabe as quantidades do que tem e, desses meios, quais os que estão em condições de funcionamento. A sua aventura na Frente Leste revelou impressionantes falsificações e muita corrupção no âmbito da manutenção da prontidão para o combate. Isto ficou evidente quando, por exemplo, a Espanha relatou que tinha mais de trezentos carros de combate nas suas forças mas, na realidade e face a um pedido urgente, não conseguiu enviar nem cinco para a Ucrânia. Só depois de uma grande e longa reparação. Mesmo assim, enviou apenas 20 carros no total. Imaginemos só se a Rússia passasse um ano a reparar 20 das suas viaturas para depois poder ir para a Ucrânia combater com elas.

A história das fantasmagóricas tropas norte-coreanas mostrou que o todo-poderoso “soft power” do Ocidente não é assim tão ilimitado. A Rússia tem vindo a esbofetear de tal modo o orgulho do Ocidente, que este, de tão amarfanhado, deixou de poder continuar a travar com êxito uma guerra de informação.

E por isso mesmo, houve que inventar um outro e novo exército para poder combater com esse, o que, de algum modo, até é mais seguro, pois tropas imaginárias não conseguem destruir tantos meios de combate, como as forças russas reais conseguem.

Certo é que estas manigâncias e contos da carochinha podem levar a que o Ocidente e a Ucrânia percam definitivamente a guerra da informação. Ambos começaram simplesmente a sua fuga desta frente. Só falta acabar por acontecer o mesmo no terreno.

Fonte aqui

Ucrânia – Ameaça de soldados norte-coreanos é baseada em campanha de desinformação dos EUA

(Por Bernhard, in Blog Moon of Alabama, Trad. SakerLatam,19/10/2024)

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No início desta semana, mencionei uma campanha de propaganda ucraniana (sul-coreana, norte-americana) que afirma que milhares de soldados norte-coreanos lutarão em breve ao lado dos russos contra a Ucrânia….

Ler artigo completo aqui para se perceber a catrefada de mentiras de que são capazes os mais “respeitáveis” meios de comunicação social do Ocidente…

O Escudo Europeu da Democracia protege quem?

(Pedro Tadeu, in Diário de Notícias, 17/07/2024)

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Na campanha de recandidatura à Comissão Europeia, Ursula von der Leyen prometeu criar o Escudo Europeu da Democracia para “lutar contra a desinformação e a influência estrangeira”. Ela adiantou que este escudo funcionará como uma vacina, que procurará “inocular” nos europeus uma defesa contra o “vírus” das notícias falsas.

Suponho que quando Ursula fala de desinformação se esteja a referir a notícias que ela própria classifica como falsas e perigosas, já que não conheço nenhuma instituição com legitimidade democrática e com critérios coerentes que possa classificar, consensualmente, em todo o espaço da União Europeia, o que é ou não é “desinformação” – acho mesmo impossível criar algo como isso.

Suponho que quando Ursula fala de influência estrangeira nefasta esteja a pensar em conteúdos favoráveis à Rússia, à China ou desagradáveis para Israel. Suponho que a influência senhorial e dominadora dos Estados Unidos ou da NATO nas políticas europeias esteja fora das preocupações da senhora… E a Hungria? Como será?

Suponho que Ursula pensa ser correto mandar um dos seus comissários dizer às grandes companhias da internet (Google, Meta, X/Twitter, TikTok, etc.) que, se contratarem secretamente umas centenas de funcionários para apagarem todas as publicações inconvenientes, a Comissão, também secretamente, ignorará as suas próprias diretivas e não aplicará as multas (que podem ir até 6% das receitas anuais de cada uma destas companhias) previstas para violações da Diretiva dos Serviços Digitais. Elon Musk, o dono do X/Twitter, denunciou isto na sexta-feira passada, disse que as outras companhias aceitaram essa proposta e, até agora, não foi desmentido.

Suponho que quando Ursula se oferece para nos inocular uma vacina contra “o caos” provocado pelas deep fakes se esteja a referir à generalização das experiências que, desde há um ano e meio, a UE, a Google e a Jigsaw estão a fazer com o que chamam de prebunking, que mais não é do que lançar conteúdos multimédia na internet que parecem iguaizinhos às fake news. A ideia é dizer às pessoas que uma informação falsa como aquela pode vir a aparecer. “Ainda não aconteceu, mas pode vir a acontecer” é o lema deste prebunking, a tal “vacina das ideias”, uma das ideias de propaganda e de manipulação da opinião pública pelo Estado mais ridículas e perigosas que já vi.

Eu posso supor tudo o que Ursula pensa, mas isso não interessa para nada, pois ela faz o que quer com a sua fúria controladora e ainda recebe o beija-mão de dois terços da classe política europeia – sem que as populações sejam tidas ou achadas no assunto.

O “Escudo Europeu da Democracia”, que Von der Leyen anunciou, não protege os europeus dos ataques contra a democracia, protege quem manda na União Europeia do ricochete dos tiros que eles próprios dão à democracia. Alguém tem dúvidas?