A propaganda da comunicação social

(Rui Lima, in Facebook, 30/04/2026, Revisão da Estátua)


A cronologia

Fim de semana de 25-26 de abril de 2026: Surge o suposto “Alarme lançado por diretores de escolas, professores e associações de pais”.

Não existe qualquer declaração pública, comunicado de imprensa, conferência ou documento oficial identificável que tenha sido emitido coletivamente por estas entidades. Os media limitam-se a referir genericamente este “alarme” como facto consumado, sem citar nomes concretos de diretores, associações ou datas exatas de reuniões.

25-26 de abril de 2026 (dia anterior aos artigos principais): Uma apresentadora de televisão da RTP aborda o tema em direto ou segmento noticioso. Este segmento foi um “gatilho” inicial, repetindo uma narrativa antes de qualquer artigo escrito ser publicado. Ver aqui.

26 de abril de 2026 (08:28): o Jornal de Notícias publica “Professores alarmados com o discurso de ódio: ‘O ar que se respira está mais pesado’”. É o primeiro grande artigo do dia. Ver aqui.

26 de abril de 2026: a SIC Notícias publica o vídeo/artigo “Aumento do discurso de ódio nas escolas preocupa comunidade escolar”. Usa exatamente a mesma frase de abertura: “O ministro da Educação, Fernando Alexandre, não quer, para já, pronunciar-se sobre o alarme lançado este fim de semana por diretores de escolas, professores e associações de pais”. Ver aqui.

27 de abril de 2026 (10:02): Expresso publica “Diretores alertam: raparigas e imigrantes alvo de ódio crescente nas escolas”. Repete a mesma frase sobre o “alarme lançado este fim de semana” e inclui o mesmo exemplo de “namorados a exigirem a localização das raparigas”. O artigo reforça a narrativa com declarações “à la carte” da comunidade escolar, sem novas fontes nominais. Ver aqui.

27 de abril de 2026 (mesmo dia): Correio da Manhã / CMTV difundem vídeos idênticos com o título “Diretores e professores alertam para o aumento do discurso de ódio nas escolas”, reproduzindo os mesmos exemplos e culpas. Ver aqui.

A Falta Total de Dados e a Coordenação Evidente

  • Frases copiadas e coladas

Todos os artigos usam a expressão exata: “alarme lançado este fim de semana por diretores de escolas, professores e associações de pais”. Não se trata de coincidência jornalística – é linguagem idêntica, como se partissem de um briefing ou nota interna comum.

  • Exemplos repetidos

“Namorados exigem a localização das raparigas para controlarem todos os passos.” “Troca de insultos racistas que acaba em rixas.”

Estes dois casos aparecem em SIC, Expresso, JN e CMTV sem qualquer variação ou testemunho concreto (sem nomes de escolas, alunos ou datas).

  • Culpa atribuída sem prova!

Todos os órgãos apontam os mesmos responsáveis: redes sociais, influenciadores e o partido Chega. A comunidade escolar “concluiu” isto, segundo os artigos, sem citar qualquer estudo, inquérito ou relatório que sustente a ligação direta.

Única “evidência” mencionada e é irrelevante: Todos citam o mesmo estudo de literacia digital da UE (4 em 5 adolescentes portugueses expostos a conteúdo prejudicial). Este estudo é antigo, genérico e não mede incidentes de ódio nas escolas portuguesas em 2026. Não existe qualquer dado oficial (relatórios do Ministério da Educação, APAV, PSP ou IAVE) sobre aumento real de queixas ou incidentes no ano letivo em curso.

  • Ausência absoluta de números

Zero estatísticas: quantos casos? Comparação com 2025 ou 2024? Zero. Apenas impressões subjetivas de “diretores” anónimos. O ministro Fernando Alexandre recusa-se a comentar o que os media transformam em mais “prova” da gravidade, sem exigir dados ao próprio Governo.

  • O objetivo subjacente

A narrativa serve claramente para legitimar maior regulação das redes sociais (como já defendido por vários partidos e eurodeputados).

Isto não é jornalismo independente e é grave. É uma campanha, com timing preciso, linguagem uniforme e zero de substância empírica. A apresentadora, os comentadores e os jornais atuaram em uníssono, transformando “impressões” em “alarme nacional” sem um único estudo ou dado oficial.

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A verdade sobre o salão de baile de Trump revelada

(Por Sam Parker in Twitter/X, 27/04/2026, Trad. da Estátua.)


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O salão de baile e as operações psicológicas do tipo “esquerdista radical” são fachada para a construção um centro de dados subterrâneo do “comando Stargate” e um estado de vigilância massiva ao estilo Palantir.

O salão de baile

Trump está a construir um salão de baile de 8.361 metros quadrados com capacidade para mil pessoas. Inadequado para o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, que contou com a presença de 2.600 pessoas. Mas dizem-nos que precisamos do salão para acolher eventos como o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca no futuro. Bobagem.

Custo e localização

O custo disparou para mais de 300 a 400 milhões de dólares. Dizem que está a ser financiado com recursos privados e estão a vendê-lo como algo bom que não terá custos para os contribuintes. Eis a realidade: financiamento privado significa ausência de supervisão ou apropriação por parte do Congresso, nenhuma audição orçamental, nenhum escrutínio público.

Além disso, quando a infraestrutura faz parte do Gabinete Executivo do Presidente, sito no 1600 da Avenida da Pensilvânia, (Casa Branca), pode ser classificada sob “privilégio executivo”. Todo o Poder Executivo poderá administrar este centro de dados sem supervisão ou mecanismos de controlo.

Projeto Stargate

A 21 de janeiro de 2025, logo após a tomada de posse, Trump esteve ao lado de Larry Ellison e Sam Altman para anunciar o Projeto Stargate. Uma iniciativa de 500 mil milhões de dólares para construir centros de dados e infraestruturas de IA.

Voltando ao “Salão de Baile”: porque custaria 300 milhões de dólares, valor que agora atinge mais de 400 milhões de dólares? Por nenhum motivo. Mas, um centro de dados subterrâneo num bunker custaria. Que tipo de instalação subterrânea custa tanto?

Para referência, em 2021, a Oracle, de Larry Ellison, construiu um centro de dados de 150 mil pés quadrados (aproximadamente 14 mil metros quadrados) e 319 milhões de dólares para a inteligência militar israelita, vários andares abaixo do solo. O mesmo Larry Ellison do Projecto Stargate que disse que os americanos têm de se habituar a um estado de vigilância total. O mesmo Larry Ellison que acabou de comprar o TikTok para censurar conteúdos anti Israel e promover mensagens pró-Israel. O mesmo Larry Ellison cujo filho, David, acaba de adquirir a Paramount-CBS e a Warner Bros. Discovery. O mesmo Larry Ellison que é o maior doador privado para as Forças de Defesa de Israel. O mesmo Larry Ellison que é amigo próximo de Benjamin Netanyahu e apoiante da oitava frente da guerra de informação de Netanyahu contra os americanos. Isto leva-nos ao arquiteto principal:

O arquiteto principal

Shalom Baranes, um imigrante judeu nos EUA através da Hebrew Immigrant Aid Society (HIAS), foi nomeado arquiteto. Anteriormente, Baranes foi o arquiteto responsável pelo reforço e reconstrução pós-11 de setembro de um pequeno edifício chamado Pentágono. Instalações de segurança reforçadas (SCIFs), blindagem, compartimentação, etc. — tudo o que se possa imaginar. Não encontrei nenhuma informação sobre Baranes ter experiência em desenhar salões de baile. Mas ajudou a renovar um na sede nacional da Cruz Vermelha. Além da renovação dos blocos 2 a 5 do Pentágono, também concebeu a modernização do edifício do Tesouro dos EUA e as renovações da sede do Departamento do Interior e da sede nacional da Administração de Serviços Gerais (GSA). Parece que os seus talentos se concentram na construção de infraestruturas federais seguras, e não em salões de eventos.

Vendendo ao público

Sob o pretexto de um salão de baile, tentaram construir isto mesmo debaixo dos nossos narizes. Mas adotaram ainda outra abordagem: “terrorismo radical de esquerda”. Precisamos de fazer algo a respeito do terrorismo radical de esquerda. Esta foi a mensagem após o assassinato de Iryna Zarutska, o ataque a tiro contra a transgénero numa escola católica e, nomeadamente, o assassinato de Charlie Kirk. Numa questão de minutos ou horas, a “Esquerda Radical” foi culpada pela morte de Charlie. Lembrem-se da enorme campanha de relações públicas lançada após o assassinato de Charlie, promovendo a vigilância ao estilo Palantir para resolver o problema da “Esquerda Radical”.

Agora, após este último ataque na Casa Branca, estão a reafirmar esta narrativa de terrorismo da Esquerda Radical e, mais uma vez, a utilizar este evento violento para promover o salão de baile. É isto que os militares querem mesmo, pessoal. Precisamos realmente deste salão de baile que proporcionará proteção contra novas ameaças à segurança.

Eis a pista: Lembram-se de quando Trump foi questionado sobre Charlie Kirk, a 11 de setembro de 2025 — um dia depois do assassinato de Charlie? E Trump começou a divagar sobre o salão de baile? Acabara de culpar a “Esquerda Radical” pelo assassinato de Charlie, mesmo que Tyler Robinson ainda não estivesse sob custódia e não houvesse qualquer motivo conhecido. Mas, na sua mente, já estava claramente a ligar Charlie ao salão de baile. Porquê? Por causa da narrativa pré-fabricada de que a morte de Charlie seria explorada para promover o estado de vigilância nacional.

O salão de baile enfrentou oposição e está atualmente a ser travado pelo sistema judicial. Mas desde quando é que os nossos senhores sionistas da tecnologia aceitaram um “não” como resposta?

A FISA e o estado de vigilância

A Secção 702 da Lei de Vigilância de Informações Estrangeiras (FISA) autoriza a espionagem sem mandado judicial contra estrangeiros. Mas capturam-se frequentemente dados e mensagens de americanos. É essencialmente uma porta das traseiras para nos espiar, e é assim que tem sido utilizada. A Secção 702 expiraria literalmente a 20 de abril passado, mas recebeu uma prorrogação de emergência até 30 de abril. A coincidência entre o tiroteio na Casa Branca e a promoção imediata do salão de baile é algo que levanta suspeitas.

Fonte aqui

Do atentado ao mal tratado

(João Gomes, in Facebook, 26/04/2026, Revisão da Estátua.)


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Há uma estranha regularidade na política contemporânea: quando a realidade começa a tornar-se incómoda – sondagens em queda, desgaste de imagem, críticas internas e externas – surge, quase sempre, um “acontecimento”. Não necessariamente criado, note-se, mas rapidamente moldado, amplificado, reinterpretado até adquirir uma utilidade que, curiosamente, parecia estar em falta dias antes.

É um fenómeno antigo, embora hoje mais visível. A política deixou há muito de ser apenas gestão do real; tornou-se, em larga medida, gestão da perceção. E nesse campo, os factos não precisam de ser fabricados – basta que sejam enquadrados com precisão cirúrgica.

Um incidente de segurança, por exemplo, é antes de mais isso mesmo: um incidente. Mas, num ambiente mediático saturado e polarizado, pode transformar-se em símbolo, narrativa, prova indireta de algo maior. De repente, o protagonista político deixa de ser apenas um líder sob pressão para passar a ser alguém “sob ataque”, “no centro de forças adversas”, “incomodando interesses poderosos”. A transição é subtil – e altamente eficaz.

Não é preciso recuar muito na história para encontrar padrões semelhantes. Crises externas que consolidam lideranças frágeis. Ameaças difusas que reforçam discursos de ordem. Episódios isolados elevados à categoria de tendência. Sempre com o mesmo resultado: reorganizar o campo político sem alterar necessariamente a realidade subjacente.

E depois há a ironia maior: quanto mais contestado é um líder, maior é a probabilidade de qualquer evento ser reinterpretado como validação da sua relevância. Afinal, só se ataca – ou se diz que se ataca – quem “incomoda”. É uma lógica circular, quase perfeita. E perigosamente sedutora.

Nada disto implica, necessariamente, conspiração. Implica algo mais simples e, talvez por isso, mais inquietante: o oportunismo estrutural da política moderna. A capacidade de absorver o acaso e devolvê-lo como estratégia. De transformar o imprevisto em argumento. De converter fragilidade em força aparente.

O problema não está apenas nos protagonistas. Está também na mecânica que permite – e recompensa – este tipo de operação. Um ecossistema mediático que privilegia o impacto sobre a verificação. Um público cansado, mas permeável a narrativas fortes. E uma cultura política onde a urgência de vencer se sobrepõe, demasiadas vezes, à necessidade de compreender.

No fim, ficamos com uma sucessão de episódios que parecem extraordinários, mas obedecem a uma lógica previsível. Do atentado ao “mal tratado”, o percurso faz-se em poucas horas – às vezes minutos. E o que começou como um facto torna-se, rapidamente, ferramenta.

Talvez a questão não seja se estes momentos são aproveitados. Isso é quase inevitável. A questão é outra: até que ponto já deixámos de distinguir claramente entre o que acontece e o que é feito acontecer – não nos factos, mas na forma como os entendemos. E essa, mais do que qualquer incidente isolado, é uma transformação profunda – e duradoura – da própria política.