A Igreja Universal do Reino dos Mirdia e a sua influência na sociedade

(João Ferreira, in Facebook, 31/05/2026)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Há muito que deixei de chamar jornalismo ao que se pratica nos grandes grupos mediáticos do Ocidente coletivo. Para mim, e esta é a minha leitura pessoal dos factos, o que existe hoje é outra coisa: uma instituição dogmática, ritualizada e obediente que decidi batizar, com toda a irreverência que o tema merece, como Igreja Universal do Reino dos Mirdia.

Não é uma acusação leviana. É uma observação construída ao longo de anos de assistir, com crescente perplexidade, à forma como a chamada comunicação social europeia — e ocidental em geral — opera. A questão central não é a qualidade do jornalismo. É a sua independência. Ou antes, a ausência dela.

A maior parte dos grandes grupos mediáticos não sobrevive exclusivamente das receitas de publicidade. Sobrevive de participações económicas — estatais e corporativas — que criam, por definição, uma cadeia de dependências. Quando o Estado financia, o Estado espera retorno. Quando grandes fundos de investimento como a Vanguard ou a BlackRock detêm participações em grupos de comunicação, a narrativa tende, curiosamente, a alinhar-se com os interesses de quem paga. Não por acaso, o Sr. Friedrich Merz, que hoje governa a Alemanha, foi anteriormente presidente do conselho de supervisão da BlackRock em território alemão. São coincidências que prefiro não ignorar.

A este quadro económico de captura mediática, some-se o quadro político. A senhora Ursula von der Leyen, em nome da União Europeia, proibiu canais e meios de comunicação que não seguiam a narrativa dominante. O critério não foi a desinformação provada — foi o desvio doutrinário. Canais foram encerrados não por mentirem, mas por divergirem. Numa democracia saudável, isso chama-se censura. No léxico da Igreja dos Mirdia, chama-se “proteção do espaço de informação”.

E é precisamente aqui que a analogia religiosa se torna mais pertinente. Aquilo a que assisto diariamente nos grandes canais e estações não são debates — são missas. Não são entrevistas — são homilias. Os jornalistas foram substituídos por ativistas com credenciais de imprensa.

Os analistas independentes foram substituídos por especialistas de serviço, comentadores que circulam entre redações com a mesma mensagem pré-fabricada, artistas da propaganda que António Gramsci teorizou com precisão cirúrgica e que Joseph Goebbels ensaiou com eficiência brutal.

O resultado está à vista. Décadas de injeção sistemática da cultura woke — uma anestesia cultural sofisticada — produziram uma audiência que perdeu, em grande medida, a capacidade crítica. Não pensar tornou-se confortável. É mais fácil absorver uma mentira bem repetida do que investigar fontes independentes, comparar versões e procurar, no espaço entre narrativas, onde mora a verdade. A preguiça intelectual não é um acidente — é um produto cultivado.

E tudo isto tem, naturalmente, um objetivo. Um cidadão domesticado, bem nutrido de indignações selecionadas e certezas pré-digeridas, paga os seus impostos satisfeito e convicto de que o dinheiro está em boas mãos. Mesmo quando esse dinheiro segue diretamente para o financiamento da guerra.

Esta é a minha leitura. Posso estar errado em alguns detalhes. Mas a arquitetura do sistema que descrevo — a captura económica dos média, a dependência política, o ativismo disfarçado de jornalismo, o cidadão infantilizado — não é uma teoria da conspiração. É observável. É verificável. E é, para mim, inaceitável chamar-lhe democracia sem corar.

Fonte aqui

Apresentado o novo livro de Carlos Branco

(In AbrilAbril, 30/05/2026)


«Ucrânia-variações de uma guerra inacabada» é o título do novo livro do major-general Carlos Branco, apresentado esta sexta-feira em Lisboa.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Este novo livro editado pela Colibri foi apresentado pelo jornalista Miguel Szymanski, perante uma plateia que esgotou a sala de um hotel no centro da capital, e onde eram visíveis diversas personalidades civis e militares.

No prefácio, o major-general Raul Cunha sublinha que «esta obra do major-general Carlos Branco sobre o conflito da Ucrânia é um contributo para se encontrar respostas às múltiplas interrogações que nos têm assaltado a mente nos últimos quatro anos sobre a sua resolução, para quem, como eu, tem procurado entender os acontecimentos, fintando a corrente (des)informativa baseada na propaganda e na mentira com que nos confrontamos diariamente».


Fala quem lá esteve

A Estátua não esteve lá, mas dá a palavra a três dos seus ilustres comentadores que lá estiveram, e que sublinham a ausência da comunicação social no evento. Nada que não fosse expectável.

Luis Manata: Miguel Szymanski no dia 29 Maio fez a apresentação do livro : “Ucrânia- variações de uma guerra inacabada”, do Major-general Carlos Branco. É incompreensível que nenhum (nenhum) orgão de comunicação social tenha comparecido. Forma de censura?

Joaquim Camacho: Também lá estive. Quanto a órgãos de “comunicação”, melhor dizendo, de reverência, manipulação e aldrabilhação, também não vi. Mas vi uma sala cheia, a deitar por fora, de homens e mulheres livres. Vi uma vontade serena, mas imparável, de desmascarar e combater a sacanagem. E ouvi, do Miguel Szymanski e, principalmente, de Carlos Branco, a lucidez do raciocínio na exposição dos factos e a promessa clara de que assim continuarão enquanto respirarem.

José Catarino Soares: Também lá estive e corroboro o comentário de Joaquim Camacho (JC). A sala, que era bem grande, estava à pinha e não cabia lá mais ninguém. Os órgãos da comunicação social de “reverência, manipulação e aldrabilhação” (na feliz expressão de JC) mantiveram-se à distância máxima, como é seu costume e dever de ofício. Não seriam o que são se agissem de outra forma.

Golpes de estado das magistraturas e das polícias

(Francisco Fortunato, in Facebook, 28/05/2026)


Já deve haver algum comando ibérico de polícias. Ontem a polícia de Madrid andou a vasculhar os socialistas do PSOE, hoje, é a polícia de Lisboa que anda a vasculhar freguesias socialistas. Ao que parece as sondagens, por cá, estão pela hora da morte para o PPD/PSD e simpáticas para o PS, enquanto, por lá, em Madrid, o PP e o Vox, querem eleições gerais antecipadas. Quando é assim a “justiça” intervém de imediato…

Era previsível há muito. As magistraturas e as polícias, dão no presente os golpes de estado que, no passado, eram feitos por militares fascistas com grande panóplia de equipamentos repressivos nas ruas.

Hoje tudo é feito no conforto dos gabinetes. Obviamente, em nome da luta contra a corrupção e com o conveniente apoio da comunicação social e seus comentadores amestrados.

Há 100 anos, o golpe militar que deu lugar à mais longa ditadura europeia, 48 anos, foi feito por militares.

Em 07 de Novembro de 2023 houve novo golpe direitista, feito pela PGR com a bênção do presidente Marcelo, o seu arquiteto, que nos trouxe o governo Spinumviva, 60 deputados fascistas e 8 ultra liberais que em nada ficam atrás dos do partido fascista.

Tudo feito em gabinetes e convenientemente tratado pela comunicação social amestrada.

Fonte aqui

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.