Mais reflexões sobre a Declaração de Guerra de Trump ao Irão e à Coreia do Norte

(Paul Craig Roberts, 19/09/2017, Tradução Estátua de Sal)

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O discurso de Trump na ONU deixou claro que a agenda que prometeu na sua campanha eleitoral – retirar Washington do papel do “policial do mundo”, sair do Médio Oriente e reparar as relações danificadas com a Rússia -, acabou. A CIA e o complexo militar/securitário tem o controlo total do governo dos EUA. Trump aceitou ser um cativo na presidência, tendo-lhe sido atribuído o papel de executor da hegemonia de Washington sobre todos os outros países. Washington uber alles é a única política externa que Washington persegue.

Na ONU, Trump realmente ameaçou eliminar a Coreia do Norte da face da terra. Alargou as suas ameaças contra a Venezuela e o Irão (ver aqui) os “estados desonestos”, mas é Washington que está desempenhando esse papel. Washington destruiu ao todo ou em parte oito países no jovem século 21 e tem mais 3 a 5 na mira.

Uma pergunta surge: porquê o auditório da ONU não gritou abaixo Trump, um homem de pé diante deles contando mentiras óbvias? A resposta, claro, é o dinheiro. Os contribuintes dos EUA pagam cerca de um quarto do orçamento anual da ONU, deixando os outros 130 países com uma carga mais leve. Washington está a conseguir levar o mundo para o Armagedão, porque os líderes mundiais preferem o dinheiro à verdade, à justiça, e à sobrevivência. Os diplomatas da ONU veem na sua cooperação com Washington a oportunidade de ganhar dinheiro partilhando a exploração que Ocidente exerce sobre os seus próprios países.

Washington, absorvida pelo seu esforço de destruir a Síria, deixou que o seu fantoche da Arábia Saudita destruísse o Iémen. A autocracia saudita, principal patrocinadora do terrorismo ao lado dos EUA, fez lá um bom trabalho, graças aos EUA que lhe fornecem as armas e lhe reabastecem os aviões de ataque. Esta guerra totalmente gratuita ajudou a maximizar os lucros do complexo militar/securitário norte-americano, uma colecção de personagens demoníacos nunca antes vistos à face da Terra. A UNICEF informa que um milhão de crianças iemenitas serão vítimas da “compaixão americana”, da qual Trump se gabou no seu discurso made in CIA na ONU.

Pergunta-se se os dirigentes russos e chineses estarão tão absorvidos em enriquecer, para chegarem ao nível dos “um por cento americanos, que não saibam que estão na lista dos países a ser eliminados por não aceitarem a hegemonia de Washington. Realmente, onde estava o governo russo quando Washington derrubou o governo ucraniano? Estava concentrado num evento desportivo. Os americanos são por norma indiferentes e distraídos. Mas onde estava o governo russo? Como poderia não saber?

Para ser franco. O ponto é este. A menos que a Rússia e a China possam levar os EUA ao tapete, os EUA levarão a Rússia e a China ao tapete. A única pergunta é quem ataca primeiro. A única maneira de evitar isso é que a Rússia e a China se rendam e aceitem a hegemonia de Washington. Este é o caminho firme, e do qual não se querem desviar, que os neoconservadores, a CIA e o complexo militar/securitário estabeleceram para os Estados Unidos. O verdadeiro objetivo dos ataques à Coreia do Norte é colocar mísseis nucleares americanos na fronteira com a China. O verdadeiro objetivo dos ataques ao Irão é colocar mísseis nucleares americanos na fronteira com a Rússia.

Tanto quanto eu posso constatar, quase ninguém está ciente de que o Armagedão está ao virar da esquina. Não há protesto dos presstitutos ocidentais, uma cambada de putas. Nos Estados Unidos, os únicos protestos são contra as antigas estátuas da “guerra civil”, que a gente ignorante diz serem símbolos da escravidão negra. Não há movimentos pela paz nem marchas pela paz. Em Londres, as feministas transsexuais e as feministas radicais estão a digladiar-se, e envolvem-se em lutas no Hyde Park (ver aqui). Ninguém parece ter qualquer consciência dos perigos da situação.

Nos sites de propaganda on-line dos EUA, como no dos Americanos para o Governo Limitado, financiados por quem? servindo a quem? – aprova-se o discurso desestabilizador de Trump na ONU, declarando-o como uma não ameaça à paz mundial:

“O presidente Trump fez uma defesa convincente e inspiradora da América e do sistema constitucional americano de governação para o mundo, não como uma imposição, mas como um exemplo a seguir, ao mesmo tempo que respeita a soberania de outras nações. No entanto, o Presidente também deixou claro para as nações que ameaçam a humanidade com a destruição nuclear (o que Washington está fazer relativamente à Coreia do Norte e ao Irão) que os Estados Unidos não serão refém, e que se continuarem o seu percurso atual, tal irá conduzir à sua aniquilação. Enquanto muitos darão enfâse à ameaça de Trump à Coreia e ao Irão, o foco real de seu discurso é um apelo a todas as nações para abraçarem a sua própria soberania sem ameaçarem a paz mundial “.

Nunca na minha longa vida li uma tão falsa análise de um discurso. Os Estados Unidos tornaram-se o Estado da propaganda. Nenhuma verdade jamais emerge.

Só o governo dos EUA, que não é um governo do povo, é que ameaçou outro país com a destruição total, como Trump fez com a Coreia do Norte no seu discurso made in CIA na ONU. Este é primeiro. Está ao nível de Adolf Hitler. Os EUA tornaram-se o 4º Reich. É duvidoso que o mundo sobreviva à política externa dos Estados Unidos da América.


Fonte aqui

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O Império estrebucha

(Por Jorge Bravo, in Facebook, 23/08/2017)

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Com a eleição de Trump a América tentou prolongar o uso do petróleo, fazer um retorno a casa e dar tempo ao renascer do músculo tecnológico!
Com o discurso à Nação de 21 de Agosto de 2017 Trump anuncia uma volta de 180° uma “nova política para o Afeganistão”, que é um aguenta aguenta não saimos de lá, até que certas condições sejam satisfeitas pelo Afeganistão.
Isto depois de ceder terreno no seu gabinete aos generais da Old School, e de afastar um a um os seus teóricos, aqueles que o apoiaram na eleição.
Naquilo que aparenta ser uma manobra para ganhar tempo, e acalmar a frente interna, “fazendo a politica externa de Hillary” e voltar à estrada para ganhar lugares nas próximas eleições internas, promete mais uma nova politica para o Médio Oriente, e mais qualquer coisa para o Oriente e talvez Europa.
Enquanto isso há 4 acidentes navais em tempo de não guerra, um deles com um rombo num destroyer e 10 desaparecidos, mais a demissão do Almirante das Operações no Oriente… E a suspensão das operações por lá… até…
Espera-se, que este à que sim de agora aos militares, seja transitório, porque entre os EUA terem sarilhos com a Rússia aqui na Europa central, onde sobra sempre para nós, e os EUA terem sarilhos com a China e eventualmente a Rússia no Extremo Oriente, venha o diabo e escolha!
Mas pensando em termos da Europa, é para nós pior aqui, se forem sarilhos com a Rússia!
Resta saber se alguém vai impor sanções, como os EUA querem, pelos vistos até agora, não parece que seja nada muito efectivo, a EU já está escaldada das anteriores, e deve dizer que sim, e fazer que faz e não faz.

Trata-se dos estertores finais de um Império, que só durou 127 anos, desde que os Marines entraram a reprimir uma rebelião de trabalhadores de uma plantação numa Agro-multinacional Americana na América do Sul em 1890, naquilo que ficou conhecida pela Guerra das Bananas, até hoje.

Um rosário de operação de regime change na ponta das baionetas, sempre que as hoje chamadas primaveras não funcionem.
Só que fruto de um rosário, também extenso, e sucessivo de erros de estratégia desde a 2 GG, foram de vitória em vitória ao ponto onde estamos, nem que essas vitórias tenham sido mais na máquina big pretender que é Hollywood, do que na realidade. É em que primeiro era a Rádio Voz da América a fazer a propaganda dos feitos gloriosos, no durante e pós 2 GG, até que isso passou para as mãos da CNN, quando foi necessário minimizar a derrota do Vietnam, usando esta CNN uma linguagem e estilo de esquerda, enganadora mas na linha do movimento make love not war, enquanto a política externa continuava tão desastrada e agressiva como dantes, debaixo de uma retórica de defesa da democracia formal e do mercado livre, mas sem nunca referir que seria livre primeiro para o mercado das suas corporações.
E é uma parte do estado profundo ( Oligarcas, Corporações, Complexo Militar Industrial, Financeiros & Banqueiros, e sua Media) que fez eleger este pé de microfone de turno, tal como outras partes desse mesmo estado profundo, fizeram eleger os outros pés de microfone de turno que surgiram desde Novembro de 63, por forma a que mudando, se mantivesse no essencial tudo na mesma, e que depois da queda do muro, se mantivesse a continuidade do seu mundo monopolar, em que querem continuar a mandar exclusivamente protegendo a sua querida New World Order.

Hoje com o surgimento dos BRICs, e com o reforço da sua componente R C actual, e com as novas rotas da seda, é o mundo monopolar da NWO que morre, e o mundo multipolar que está a nascer.

É este Império do mundo monopolar que hoje estiola. Tudo por uma questão de Abacaxis!


(Ver os seguintes textos relacionados nos links abaixo)

Uma questão de abacaxis

Aconteceu, E… Só Não Viu Quem Não Quis! 

América, América Quo Vadis!?

QATAR – A geopolítica e o negócio Neymar

(Margarida Mota, In Expresso, 19/08/2017)

NEYMAR

Alvo de um bloqueio político, o Qatar contra-ataca com o futebolista mais caro de sempre.


O Qatar é um caso de persistência nas manchetes internacionais. Em inícios de junho, o pequeno emirado ribeirinho ao Golfo Pérsico foi notícia dias a fio após ser alvo de um bloqueio diplomático e comercial — que ainda dura — decretado por quatro ‘irmãos’ árabes (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Egito). Há poucas semanas, arrebatou noticiários nos quatro cantos do mundo ao estar por detrás da contratação mais cara da história do futebol — a do brasileiro Neymar, comprado ao Barcelona pelo Paris Saint-Germain (PSG), propriedade de um fundo soberano do Qatar, por 220 milhões de euros.

“Nem tudo o que está relacionado com o Qatar está relacionado com política. Mas penso que, neste caso, é justo estabelecermos uma ligação dessa natureza”, diz ao Expresso David B. Roberts, investigador no King’s College, de Londres. “Neste contexto, em que o Qatar é alvo de um bloqueio pouco usual e bastante difícil e a imprensa dos países que se opõem ao Qatar tem promovido uma imagem muito negativa do emirado, dizendo, por exemplo, que apoia terroristas, é perfeitamente plausível que os qataris estivessem interessados em promover esta transferência, para beneficiar de dias, semanas a fio de manchetes demonstrativas de uma mentalidade muito mais positiva.”

O PSG está nas mãos do Qatar desde 2011, quando a Qatar Sports Investments adquiriu 70% do clube francês. Nasser Al-Khelaifi, membro da família real do Qatar, subiu à presidência, contratou o sueco Zlatan Ibrahimovic ao Milan e logo o seu reinado começou a dar frutos: o PSG foi tetracampeão da Ligue 1 entre 2012 e 2016. O ‘penta’ foi-lhe roubado na época passada pelo Mónaco, treinado por Leonardo Jardim.

“O PSG é apenas uma peça de uma campanha mais abrangente de soft power”, diz o professor Roberts, referindo-se à capacidade de influência de um Estado através da ideologia ou da cultura (e não das armas). “Quanto dinheiro é gasto, todos os anos, pela Coca-Cola e pela Pepsi em publicidade em todo o lado? Às vezes não percebemos porque patrocinam determinado torneio de futebol ou até um jogador e o que ganham com isso. Mas toda a grande empresa no mundo gasta milhões em publicidade por alguma razão. É isso que o Qatar está a fazer também.”

Do boxeur Ali ao FIFA 2022

Esta estratégia de afirmação fora de portas através do desporto é, aliás, tão antiga quanto o próprio país. Em 1971, ano em que se tornou independente do Reino Unido, o Qatar recebeu o mediático pugilista Muhammad Ali, que realizou um combate de exibição ao ar livre no Estádio de Doha. Desde então, o país já acolheu quase de tudo, desde torneios de topo de ténis e golfe a competições de desportos motorizados e meetings de atletismo. Em 2006, a capital, Doha, recebeu os Jogos Asiáticos, uma versão regional dos Jogos Olímpicos.

Mas é o futebol, o desporto mais popular no país, que tem justificado grandes eventos. Em 1988, o Qatar organizou a Taça Asiática, o correspondente regional do Campeonato Europeu, que repetiu em 2011. Em 1995, acolheu o Campeonato do Mundo de Sub-20 (em que Portugal foi terceiro). Em 2014, o Estádio Jassim Bin Hamad, em Doha, foi palco da… Supertaça italiana, entre a Juventus e o Nápoles. Em 2022 será colocada a cereja no topo do bolo, com a realização do Mundial da FIFA.

De permeio, por intermédio da Qatar Sports Investments — a mesma que comprou o PSG —, passou a patrocinar o FC Barcelona, um dos clubes mais mediáticos do mundo, primeiro através da Qatar Foundation (2011-2013) e depois da Qatar Airways (2013-2017). Curiosamente, desde 2013 que o patrocinador principal do grande rival do Barça, o Real Madrid, é a companhia aérea Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, um dos protagonistas do bloqueio em curso ao Qatar.

Gastar quantias avultadas no desporto não é, pois, algo de novo para o emirado. “O Qatar tem muito dinheiro. É o país mais rico do mundo em termos per capita”, diz David B. Roberts, recordando que o país tem pouco petróleo mas partilha com o Irão o maior campo de gás do mundo. “Um Estado aplica aquilo que tem. O que é que a Coreia do Norte tem? Tem ambição nuclear e armas de longo alcance. O Qatar tem essencialmente instrumentos financeiros, e está a aplica-los.”

Muito dinheiro para gastar

Obrigado a acatar 13 exigências para ver o bloqueio por terra, mar e ar levantado — entre as quais o corte de relações com o Irão (“O Qatar não pode ter uma má relação com o Irão. Têm uma relação pragmática”, defende Roberts) —, o negócio Neymar é uma jogada de contra-ataque. “O Qatar é muito resiliente, tem aliados internacionais importantes e muito dinheiro para gastar”, diz o autor do livro “Qatar: Securing the Global Ambitions of a City-state” (2017). “Mas esta crise vai-lhe sair extremamente cara, porque vai ter de reformular a origem da grande maioria das importações. Sim, podem vir do Irão ou, provavelmente, da Turquia, isso já está a acontecer, mas vai-lhe sair muito caro. É um preço que o Qatar está disposto a pagar. Eles dizem: ‘A soberania não tem preço. Para fazermos o que queremos, temos de pagar por isso.’”

No domingo passado, a Qatar Ports Management Co. anunciou a abertura de uma nova rota de navegação entre o seu porto de Hamad e o porto paquistanês de Karachi, visando contornar dificuldades impostas pelo bloqueio. Para David B. Roberts, o desfecho desta crise demorará anos, não meses.

Até lá, em campo, Neymar provará (ou não) se a fortuna que custou teve retorno. Para já, o Qatar não podia estar mais satisfeito. O brasileiro estreou-se pelo PSG no passado domingo, à segunda jornada da Ligue 1, no campo do Guingamp. Marcou um golo, participou nos outros com que o PSG venceu e foi considerado “o homem do jogo”. No final, afirmou: “As pessoas pensam que deixar o Barça é morrer, mas é o contrário, estou mais vivo do que nunca.” E com os bolsos incomparavelmente mais cheios também.