Sete potências e um destino

(Por José Luís Fiori, in Outras Palavras, 24/06/2021)

Ativistas do movimento socioambientalistas Extinction Rebellion encentam em 13/6, na Cornuária (Reino Unido), uma sátira fotográfica do G7.
Denominaram-na “Muita garganta e calças na mão” [All mouth and no throusrs]

Tudo, na reunião do G7, sugeria uma resposta à China. Mas tudo tinha ar de velho. Não só por parecer impossível deter Pequim, mas em especial porque sua civilização nem planeja a catequese, nem crê em supremacia moral do Ocidente.


O espetáculo foi montado de forma meticulosa, em cenários magníficos, e com uma coreografia tecnicamente perfeita. Primeiro foi o encontro bilateral entre Joe Biden e Boris Johnson, os líderes das duas grandes potências que estiveram no centro do poder mundial nos últimos 300 anos. A assinatura de uma nova Carta Atlântica foi a forma simbólica de reafirmar a prioridade da aliança anglo-americana frente aos demais membros do G7 e seus quatro convidados, que se reuniram nos dias 11 e 12 de junho numa praia da Cornuália, sul da Inglaterra, como um ritual de retorno dos Estados Unidos à liderança da “comunidade ocidental”, depois dos anos isolacionistas de Donald Trump. Em seguida, os sete governantes voltaram a se encontrar em Bruxelas, na reunião de cúpula da OTAN encarregada de redefinir a estratégia da organização militar euro-americana para as próximas décadas do século XXI. E ali mesmo, na capital da Bélgica, o presidente americano reuniu-se com os 27 membros da União Europeia pela primeira vez desde o Brexit e, portanto, sem a presença da Grã-Bretanha. Por fim, para coroar esse verdadeiro tour de force de Joe Biden em território europeu, o novo presidente dos Estados Unidos teve um encontro cinematográfico com Vladimir Putin num palácio do século XVIII, no meio de um bosque de pinheiros, às margens do Lago Leman, em Genebra, Suíça.

A reunião do G7 discutiu três temas fundamentais: a pandemia, o clima e a retomada da economia mundial. Com relação à pandemia, as sete potências anunciaram a doação coletiva de um bilhão de vacinas para os países mais pobres; com relação ao clima, reafirmaram sua decisão coletiva de cumprir com os objetivos do Acordo de Paris; e com relação à reativação da economia global, anunciaram um projeto de investimentos em infraestrutura, nos países pobres e emergentes, sobretudo no entorno da China, no valor de 40 trilhões de dólares, em clara competição com o projeto chinês do Belt and Road, lançado em 2013, e que já incorporou mais de 60 países, inclusive na Europa. Na reunião da OTAN, com a presença de Joe Biden, pela primeira vez na sua história, a organização militar liderada pelos Estados Unidos declarou que seu novo e grande “desafio sistêmico” vem da Ásia, e responde pelo nome de China. Este se transformou no estribilho de todos os demais discursos e pronunciamentos do presidente americano: de que o mundo vive uma disputa fundamental entre países democráticos e países autoritários, destacando-se, neste segundo grupo, uma vez mais, a China. Por fim, na reunião de cúpula entre Biden e Putin, que foi sobretudo um espetáculo, os dois interpretaram papéis rigorosamente programados, reafirmando suas divergências e concordando apenas no seu desejo de preservar e administrar em comum seu duopólio atômico mundial.

O problema desse espetáculo programado com tamanho esmero é que seu enredo e sua coreografia já estão ultrapassados. Em certos momentos, inclusive, um observador desatento poderia imaginar que tivesse voltado aos anos 1940-50 do século passado, quando foi assinada a primeira Carta Atlântica (em 1941), começou a Guerra Fria (em 1946), foi criada a OTAN (em 1949), e a atual União Europeia deu seus primeiros passos (em 1957). Para não falar também do lançamento pelos Estados Unidos – ainda nos anos 40 – do seu Plano Marshall de investimentos na reconstrução da Europa e o Projeto Desenvolvimentista de mobilização de capitais privados para investimento no “Terceiro Mundo”, em competição direta com a atração exercida pelo modelo econômico soviético que havia saído vitorioso na sua guerra contra o nazismo.

A diferença é que, no revival atual, a promessa de vacinas do G7 está muito aquém dos 11 bilhões solicitados pela OMS; da mesma forma, as novas metas climáticas das sete potências não inovaram em praticamente nada com relação ao que elas já haviam decidido previamente; e por fim, o novo “projeto desenvolvimentista” proposto pelos Estados Unidos e apoiado pelo G7 envolve recursos e contribuições que não foram definidos, empresas privadas que não foram consultadas, e projetos de investimento que não têm nenhum tipo de detalhamento. Além disso, a Grã-Bretanha e os demais países europeus estão divididos e mantêm relações separadas com a Rússia e com a China; são governos fracos em muitos casos, porque estão em fins de mandato como na Alemanha e na França, ou com eleições parlamentares marcadas para 2022, como no caso dos Estados Unidos, quando os democratas poderão perder sua estreita maioria congressual, paralisando o governo Biden.

Mais importante do que tudo isto, entretanto, é que a nova política externa americana e a estratégia que propôs aos seus principais aliados ocidentais estão ultrapassadas e são inadequadas para enfrentar o “desafio sistêmico chinês”. A elite política e militar americana e europeia segue prisioneira do seu sucesso e de sua vitória na Guerra Fria, e não consegue perceber as diferenças essenciais que distinguem a China da antiga União Soviética. Não apenas porque a China é hoje um sucesso econômico indispensável para a economia capitalista internacional, mas também porque a China já foi a economia mais dinâmica do mundo ao longo dos últimos vinte séculos. Basta dizer que em “dezoito dos últimos vinte séculos, a China produziu uma parcela maior do PIB mundial total do que qualquer sociedade ocidental. E ainda, em 1820, ela produzia mais de 30% do PIB mundial – quantidade que ultrapassava o PIB da Europa Ocidental, da Europa Oriental e dos Estados Unidos combinados”1.

Além do sucesso econômico, o que realmente distingue a China da antiga URSS, e a situação atual da antiga Guerra Fria, é o fato de a China ser uma “civilização milenar” muito mais do que um Estado nacional. E uma civilização que nasceu e se desenvolveu de forma inteiramente independente da civilização ocidental, com seus próprios valores e objetivos que não foram alterados por seu novo sucesso econômico.


Por isso, soa absurdo aos ouvidos chineses quando os governantes ocidentais falam de uma luta que os separa da China, entre a democracia e o autoritarismo, sem que os ocidentais consigam se dar conta de que esta polaridade é inteiramente ocidental. E que, na verdade, trata-se de uma disputa que está sendo travada neste momento dentro das próprias sociedades ocidentais, sobretudo nos Estados Unidos, mas também em alguns países europeus, onde a democracia vem sendo ameaçada pelo avanço de forças autoritárias e fascistas. A civilização chinesa não tem nada a ver com isso, nem pretende se envolver com essa briga interna do Ocidente. Sua história e seus princípios éticos e políticos nasceram e se consolidaram há três mil anos, muito antes das civilizações greco-romana e cristã do Ocidente. Até hoje, os chineses não tiveram nenhum tipo de religião oficial, nem jamais compartilharam seu poder imperial com nenhum tipo de instituição religiosa, nobreza hereditária ou “burguesia” econômica, como aconteceu no Império Romano e em todas as sociedades europeias. Durante suas sucessivas dinastias, o império chinês foi governado por um mandarinato meritocrático que pautou sua conduta pelos princípios da filosofia moral confuciana, laica e extremamente hierárquica e conservadora, que foi adotada como doutrina oficial pelo Império Han (206 a.C.-221 d.C.), e depois se manteve como a bússola ética do povo e da elite governante chinesa até os dias de hoje. Uma visão absolutamente rigorosa e hierárquica do que seja um “bom governo”, e do que sejam suas obrigações com o povo e a civilização chinesa.

Foi o Império Han que construiu a “Rota da Seda” e começou a instituir o sistema de relações “hierárquico-tributárias” da China com seus povos vizinhos. Depois a China dividiu-se várias vezes, mas sempre voltou a reunificar-se, mantendo sua fidelidade à sua civilização e à sua moral confuciana. Isto aconteceu no século IX, com a Dinastia Song (960-1279), e voltou a ocorrer com a Dinastia Ming (1368-1644), que reorganizou o Estado chines e liderou uma nova “época de ouro” da civilização chinesa, de grande criatividade e conquistas territoriais. E o mesmo voltaria a ocorrer, finalmente, durante a Dinastia Qing, entre 1644 e 1912, quando a China duplicou seu território. Depois, entretanto, foi derrotada pela Grã-Bretanha e pela França, nas duas Guerras do Ópio, em 1839-1842 e 1856-1860, e submetida a um século de assédio e humilhação por parte das potências ocidentais, até os chineses reassumirem seu próprio comando após a sua revolução republicana de 1911, e a vitoriosa revolução comunista de 1949.

A história recente é mais conhecida de todos: nos últimos 30 anos, a economia chinesa foi a que mais cresceu, e hoje é a segunda maior economia do mundo, devendo superar a norte-americana até o final da terceira década do século XXI. Nos últimos cinco anos, a China logrou erradicar de seu território a pobreza absoluta, venceu a luta contra a pandemia, vacinou mais de um bilhão de chineses e já exportou ou doou cerca de 600 milhões de vacinas para os países mais pobres do sistema mundial. Ao mesmo tempo, nos primeiros meses de 2021, a China pousou o seu robô Zhu Ronc na superfície do planeta Marte; iniciou a montagem e colocou em funcionamento sua própria estação espacial ao redor da Terra – Tiangong; enviou com sucesso a nave Shezhou 12, com três taikonautas para permanecerem três meses na nova estação; anunciou para 2024 a colocação em órbita de um telescópio 300 vezes mais potente do que o Hubble, dos norte-americanos2; tornou público o roadmap feito junto com os russos para a criação de um laboratório e experimentação lunar, com instalações colocadas na superfície e na órbita da Lua; concluiu a construção do protótipo de computador quântico – batizado como Jihuzang – capaz de executar certos tipos de cálculo 100 trilhões de vezes mais rápido que o atual supercomputador mais potente do mundo; avançou na construção do seu reator de fusão nuclear (o Toka Mak Experimental Super Conductor), o “sol artificial” que já atingiu uma temperatura de 160 milhões de graus centígrados. Por outro lado, com os pés na terra, a China já é hoje, depois de apenas vinte anos do começo do seu programa de trens de alta velocidade, o país com a maior rede de trens-bala, e acabou de apresentar o protótipo de seu novo trem com levitação magnética que poderá alcançar até 800 km por hora.3

Apesar de todo o estrondoso sucesso social, econômico e tecnológico, a China não está se propondo ao mundo como um modelo de validade universal, nem está se propondo substituir os Estados Unidos como centro articulador do “poder global”. Não há dúvida de que seu sucesso já a transformou numa vitrine extremamente atrativa para o mundo. Mesmo assim, o que mais aflige os governantes ocidentais é o sucesso de uma civilização diferente da sua e que não mostra o menor interesse em disputar ou substituir a tábua de valores da Cornuália. O que parece que as potências ocidentais não conseguem perceber inteiramente é que está instalada no mundo uma nova espécie de “equipotência civilizatória” que já rompeu com o monopólio ético do Ocidente, tornando público um dos segredos mais bem guardados pelas grandes potências vitoriosas de todos os tempos: o fato de que só elas definem os valores e a regras do sistema mundial, porque só elas fazem parte do que o historiador e teórico inglês Edward Carr chamou de “círculo privilegiado dos criadores da moral internacional”.4

Hoje parece rigorosamente impossível reverter a expansão social, econômica e tecnológica chinesa. E seria uma “temeridade global” tentar bloqueá-la através da guerra convencional. Assim mesmo, se prevalecerem a onipotência e a insensatez das “potências catequéticas”, o “acerto de contas” do Ocidente com a China já está agendado e tem lugar e hora marcados: será na Ilha de Taiwan. Mas não é impossível imaginar um futuro em que o hiperpoder econômico e militar dessas grandes civilizações que dominarão o mundo no século XXI impeça uma guerra frontal e possibilite um longo período de “armistício imperial” em que se possa testar a proposta chinesa de um mundo em que todos ganhem, como vem defendendo o presidente chinês Xi Jinping, ou mesmo a proposta alemã de uma “parceria competitiva” com a China, como propõe Armin Laschet, provável sucessor de Angela Merkel. O problema é que um “armistício imperial” desse tipo requer que as “sete potências da Cornuália” abram mão de sua “compulsão catequética” e do seu desejo de converter o resto do mundo aos seus próprios valores civilizatórios.


1Kissinger, Henry. Sobre a China. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2011, p. 28. p:29

2Para efeito de comparação, o Programa Espacial Chines foi criado em 1991, três anos apenas antes da criação da Agencia Espacial Brasileira, em 1994.

3Ainda para efeito de comparação, o Brasil havia planejado há uma década atrás, inaugurar seu primeiro trem-bala importado no dia 30 de junho de 2020.

4Carr, E. H., The Twenty Years’ Crisis, 1919-1939. New York: Perennial, 2001, p. 80.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

G7: Uma procura desesperada por relevância

(Por Pepe Escobar, in Resistir, 09/06/2021)

O próximo G7 na Cornualha à primeira vista pode ser encarado como o estranho encontro da “América está de volta” (“America is Back”) com a “Global Britain”.

Contudo, o grande quadro é muito mais delicado. Três cimeiras seguidas – G7, NATO e EUA-UE – estarão a abrir caminho para um muito aguardado drama de suspense: a cimeira Putin-Biden em Genebra – a qual certamente não será uma reinicialização.

Os interesses que controlam por trás o holograma que dá pelo nome de “Joe Biden” têm uma agenda claramente abrangente: arregimentar democracias industrializadas – especialmente as da Europa – e mantê-las coesas a fim de combater ameaças “autoritárias” à segurança nacional dos EUA, a “maligna” Rússia e a China.

É como um regresso àqueles dias tão estáveis da Guerra Fria dos anos 70, completos com James Bond a combater demónios estrangeiros e a subversão comunista do Deep Purple. Bem, os tempos em estão mudados. A China está consciente de que agora o Sul Global “representa quase dois terços da economia global a comparação com um terço do Ocidente: na década de 1970, era exactamente o oposto”.

Para o Sul Global – ou seja, a esmagadora maioria do planeta – o G7 é em grande medida irrelevante. O que importa é o G20. A China, a superpotência económica em ascensão, provém do Sul Global e é líder no G20. Por todos os seus problemas internos, os actores da UE no G7 – Alemanha, França e Itália – não podem dar-se ao luxo de antagonizar Pequim em termos económicos, comerciais e de investimento.


Um G7 reinicializado como uma cruzada sinofóbica não terá compradores. Incluindo o Japão e convidados especiais na Cornualha: a potência tecnológica da Coreia do Sul, a Índia e a África do Sul (ambos membros dos BRICS), apresentaram a cenoura suspensa de uma possível adesão ampliada.

A ofensiva de relações públicas de Washington resume-se a vender-se como o primus inter pares do Ocidente, como um líder global revitalizado. A razão pela qual o Sul Global não compra isso pode ser observada, graficamente, pelo que aconteceu durante os últimos oito anos. O G7 – e especialmente os americanos – simplesmente não conseguiu responder à ampla estratégia de comércio/desenvolvimento pan-euro-asiático da China, a Belt and Road Initiative (BRI).

A “estratégia” americana até agora – demonização constante do BRI como uma “armadilha da dívida” e uma máquina de “trabalho forçado” – não teve êxito. Agora, demasiado pouco e demasiado tarde, surge um esquema do G7, envolvendo “parceiros” como a Índia, para “apoiar”, pelo menos em teoria, vagos “projectos de alta qualidade” por todo o Sul Global: é a Iniciativa Verde Limpo (Clean Green Initiative), centrada no desenvolvimento sustentável e na transição verde, a ser discutida tanto nas cimeiras do G7 como nas cimeiras EUA-UE.

Em comparação com a BRI, a Clean Green Initiative dificilmente se qualifica como uma estratégia geopolítica e geoeconómica coerente. A BRI foi endossada e participada por mais de 150 estados-nação e organismos internacionais – e isso inclui mais da metade dos 27 membros da UE.

Os factos no terreno contam a história. A China e a ASEAN estão prestes a fechar um acordo de “parceria estratégica abrangente”. O comércio entre a China e os países europeus do centro e do leste (CCEC), também conhecidos como o grupo 17+1, incluindo 12 países da UE, continua a aumentar . A Estrada da Seda Digital, a Estrada da Sede da Saúde e a Estrada da Seda Polar continuam a avançar.

Assim, o que resta é um estridente ronco ocidental sobre vagos investimentos em tecnologia digital – talvez financiados pelo Banco Europeu de Investimento, sediado no Luxemburgo – a fim de extirpar o “alcance autoritário” da China por todo o Sul Global.

A cimeira UE-EUA pode estar a lançar um “Conselho de Comércio e Tecnologia” para coordenar políticas sobre 5G, semicondutores, cadeias de fornecimento, controlos de exportação e regras e normas tecnológicas. Um lembrete gentil: a UE e os EUA simplesmente não controlam este ambiente complexo. Eles precisam muito da Coreia do Sul, de Formosa e do Japão.

Espere um minuto, Sr. Cobrador de impostos

Para ser justo, o G7 pode ter prestado um serviço público a todo o mundo quando os seus ministros das Finanças fizeram um alegado acordo “histórico” no sábado passado em Londres sobre um imposto global mínimo de 15% [NR] sobre as empresas multinacionais (MNCs).

triunfalismo estava a funcionar – com infindáveis elogios à “justiça” e à “solidariedade fiscal” aliados a notícias realmente más para variados paraísos fiscais.

Bem, isso é ligeiramente mais complicado.

Este imposto foi discutido aos mais altos níveis da OCDE, em Paris, durante mais de uma década – especialmente porque estados-nação estão a perder pelo menos US$427 mil milhões por ano em evasões fiscais das multinacionais e multi-milionários variados. Em termos do cenário europeu isso nem mesmo chega à perda de IVA por fraude – algo alegremente praticado pela Amazon, dentre outros.

Por isso, não é de admirar que os ministros das Finanças do G7 tivessem os US$1,6 milhão de milhões (trillion) da Amazon quase na sua mira . A divisão de computação em nuvem da Amazon deveria ser tratada como uma entidade separada. Neste caso, o grupo mega-tecnologia terá de pagar mais impostos corporativos em alguns dos seus maiores mercados europeus – Alemanha, França, Itália, Reino Unido – se o imposto global de 15% for ratificado.

Portanto, sim, trata-se sobretudo da Big Tech – peritos em fraude fiscal e em lucrar com paraísos fiscais localizados mesmo dentro da Europa, tais como a Irlanda e o Luxemburgo. A forma como a UE foi construída permitiu que a concorrência fiscal entre os estados-nação se instalasse. Discutir isto abertamente em Bruxelas continua a ser um tabu virtual. Na lista oficial da UE de paraísos fiscais, não se encontra o Luxemburgo, os Países Baixos ou Malta.

Poderia tudo isto ser apenas um golpe de RP? É possível. O grande problema é que no Conselho Europeu – onde governos dos estados-membro da UE discutem as suas questões – eles têm estado a arrastar os pés durante um longo tempo e o destino delegou tudo isso para a OCDE.

Tal como estão as coisas, pormenores sobre o imposto de 15% ainda são vagos – mesmo que o governo dos EUA se prepara para tornar-se o grande vencedor, porque as suas MNCs deslocaram lucros maciços por todo o planeta a fim de evitar os impostos corporativos dos EUA.

Sem mencionar que ninguém sabe se, quando e como o acordo será globalmente aceite e implementado: isso será uma tarefa de Sísifo. Pelo menos será discutido, novamente, no G20 em Veneza, em Julho.

O que quer a Alemanha

Sem a Alemanha não haveria qualquer avanço real no Acordo de Investimento UE-China do fim do ano passado. Com uma nova administração nos EUA, o acordo está outra vez num impasse. A chanceler Merkel, que está de saída, é contra a desconexão económica China-UE – assim como os industriais alemães. Será um grande prazer assistir a esta subtrama no G7.

Em suma: A Alemanha quer continuar a expandir-se como uma potência comercial global utilizando a sua grande base industrial, ao passo que os anglo-saxões abandonaram completamente a sua base industrial para abraçar a financeirização não produtiva. E a China, por seu lado, quer comerciar com todo o planeta. Adivinhe quem é o jogador bizarro.

Considerando o G7 como um encontro de facto da potência hegemónica com as suas hienas, chacais e chihuahuas, será também um grande prazer observar a semântica. Que grau de “ameaça existencial” será atribuído a Pequim – especialmente porque para os interesses por trás do holograma “Biden” a verdadeira prioridade é o Indo-Pacífico?

Estes interesses não se poderiam importar com um anseio da UE por uma autonomia mais estratégica. Washington anuncia sempre os seus ditames sem sequer se preocupar em consultar Bruxelas previamente.

Portanto, é disto que trata este Triplo X de cimeiras – G7, NATO e UE-EUA: a potência hegemónica a fazer tudo para conter/fustigar a emergência de um poder em ascensão, alistando as suas satrápias para “combater” e assim preservar a “ordem internacional baseada em regras” que concebeu há mais de sete décadas.

A história nos ensina que isto não funcionará. Apenas dois exemplos: os impérios britânico e francês não poderiam travar a ascensão dos EUA no século XIX. E, ainda melhor, o eixo anglo-americano só travou a ascensão simultânea da Alemanha e do Japão pagando o preço de duas guerras mundiais, com o império britânico destruído e a Alemanha outra vez como potência líder na Europa.

Isso deveria dar à reunião da “América está de volta” (“America is Back”) e da “Global Britain” na Cornualha o estatuto de uma mera nota de rodapé histórica.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Europa – um continente que se transforma em península

(Vítor Lima, in Blog Grazia Tanta, 02/06/2021)

Habituámo-nos a considerar a Europa como um continente. E se a realidade política e económica a transformarem de dependência norte-americana em península asiática?


1 – A União Europeia das desigualdades

No capitalismo avançado, de perfil neoliberal, as fronteiras são tomadas como estorvos que podem dificultar a tramitação de mercadorias. E a internet veio facilitar de modo exponencial os contactos em geral, as operações de capitais e a demência especulativa, em particular. Quanto aos seres humanos as coisas são algo diferentes; são necessários cartões de cidadão, passaportes, vistos, títulos de residência e … em curso, um certificado sobre a situação face à covid-19.

A UE pretendeu ser um factor de homogeneidade quanto a direitos e usufrutos no sentido da facilitação das trocas entre os países membros, como resposta à grande rivalidade saída da II Guerra, entre norte-americanos e soviéticos. Inicialmente, as diferenças políticas e económicas entre os seus membros não eram muitas até à integração da Grécia (1981) e dos países ibéricos (1986), com graus de desenvolvimento económico claramente inferiores aos fundadores. Posteriormente, com a inclusão dos países saídos do Comecon e do sangrento desmembramento da Jugoslávia, as desigualdades no seio da UE alargada cresceram substancialmente, apresentando enormes bolsas de potenciais emigrantes destinados a trabalhar nos países mais ricos, desertificando e envelhecendo os seus países de origem, tomados como exportadores de mão-de-obra. Como os níveis de formação desses países são dos mais elevados da Europa (mormente a Leste) e, essa formação sendo paga pelas famílias dos países das suas origens, logo se vê que quem vai beneficiar da qualificação desses trabalhadores emigrados são os países ricos, com dinheiro suficiente para pagar salários que nos países de origem não são praticados. Como essas desigualdades interessam aos contratantes (países ricos) e aos contratados (trabalhadores dos países pobres), falar de coesão social e territorial no seio da UE é uma mentira consolidada com a passagem do tempo.

O piedoso objetivo de unificação e solidariedade não se cumpriu. São perfeitamente visíveis os países ou regiões em processo de regressão populacional e aquelas que atraem população, embora na UE não haja apenas migrações entre os estados-membros mas também de gente vinda do exterior. Por exemplo, os turcos dirigem-se para a Alemanha, os marroquinos para Espanha, indianos e paquistaneses para a Grã-Bretanha, brasileiros para Portugal…

Os países mais ricos viram nos países mais pobres integrados na UE destinos interessantes para investimentos, com aproveitamento dos baixos níveis salariais locais e, em muitos casos, ligados a níveis educativos elevados (sobretudo nos antigos países do Comecon); nesses territórios encontrava-se gente ávida de consumo e bem-estar, pronta para trabalhar e obter melhorias nas suas vidas[1]. Por outro lado, a integração desses países funcionaria como um modelo de consolidação de centros e periferias, com estas a orbitarem os países com maior pujança económica, demográfica ou financeira; um modelo de reorganização espacial e económica, geradora de desigualdades que interessam ser permanentes nomeadamente no capítulo do preço do trabalho. Tudo porém, bem camuflado numa linguagem de igualitarismo que a realidade demonstra ser falsa; registando-se entre as periferias casos de algum sucesso, como de total insucesso.

Toda essa arquitetura está bem embrulhada em textos legais, extensos e detalhados onde claramente se evidenciam as dificuldades para os países que queiram voltar atrás, saindo da União; sem prejuízo de ser evidente o desastre de uma saída para qualquer estado-membro de menor gabarito, sobretudo se incluído na área do euro[2]. A Grã-Bretanha conseguiu sair mas levou consigo problemas que põem em causa a continuidade das suas parcelas periféricas – Escócia e Ulster – deixando à realeza a Grande Londres como poderosa praça financeira ligada aos numerosos pontos offshore espalhados pelo planeta. É duvidosa a viabilidade da saída de países desestruturados, pobres, com comércio em grande parte efetuado no seio da UE e dependente de apoios comunitários. A UE replica no seu seio as desigualdades típicas dos estados federados; nos EUA as diferenças entre a Florida e a Virgínia Ocidental são gritantes; no Brasil, o estado de S. Paulo tem uma capitação de rendimento três vezes superior ao do Ceará; em Espanha, o rendimento na Comunidade de Madrid é duplo da autonomia mais pobre (Extremadura); e em Portugal a região Norte apresenta um rendimento pouco superior a 2/3 do registado em Lisboa e Vale do Tejo. Em suma, a UE replica as desigualdades sociais e económicas vigentes em todos os estados-nação e estas jamais desaparecerão num quadro de competição capitalista; a gestão global da pandemia atual revela à saciedade as diferenças que o capitalismo gera e sustenta. Cooperação e entreajuda dão melhores resultados do que a tara da acumulação de capital até ao infinito.

Se inicialmente, os países da CEE tinham níveis de rendimento e estruturas produtivas aproximadas, a partir da entrada da Grécia na então CEE as coisas modificaram-se com a inclusão daquele país pobre, com estruturas produtivas e rendimentos muito diferentes; e a que se seguiram os países ibéricos, etc. Como é evidente, as classes políticas dos países menos desenvolvidos, sedentos de se tornarem os elos de ligação e protagonistas de uma corrupta absorção dos fundos comunitários, não se preocuparam em consultar as populações sobre a aceitação ou não, de tal alteração geopolítica. Pelo contrário, locupletaram-se ao que puderam e alguns tornaram-se “empresários” beneficiando das boas ligações no âmbito do partido-estado PS/PSD, no caso português. Os chamados investidores internacionais sabem que têm de pagar um fee específico para qualquer negócio com um paísonde a corrupção faz parte da naturalidade e, tratam de contratar intermediários abalizados – os escritórios de advogados.

Onde se afirmava um plano político de coesão territorial, política e de bem-estar, manteve-se, na realidade, apenas uma hierarquia de países com diversos níveis de poder político, comercial e tecnológico, concorrendo uns com os outros, para o aproveitamento dos fundos comunitários que possibilitassem o investimento dos capitalistas dos países mais ricos nos menos ricos, de mais baixos níveis salariais, dando ainda margem para a aplicação desses fundos de acordo com os interesses das mafias partidárias, nacionais ou autárquicas. Europa das Regiões, alguém se lembra?

Na realidade, os países mais pobres continuam a estar na parte baixa da hierarquia, mantendo-se a UE como uma união de desiguais.

Nesse contexto, há uma “especialização”. Os países da UE com estruturas económicas mais potentes e especializações produtivas de maior conteúdo tecnológico tendem a focar-se nas relações comerciais com um vasto leque de países, mormente na exportação – é o caso evidente da Alemanha. Os países com padrões de especialização menos avançados tendem a focar-se na produção de bens de menor conteúdo tecnológico, como produtos agrícolas ou turísticos, tendo como compradores os países mais ricos da União. E, no caso de produtos agrícolas de exportação, não faltam mafiosos locais para a integração de imigrantes não comunitários em condições e salários substandard.

2 – A UE no plano global

No final da II Guerra, a Europa tornou-se uma área política e militarmente partilhada. Na parte ocidental, a presença de tropas norte-americanas visaria a defesa face a qualquer avanço soviético; e, para tal foi instituída em 1949, a NATO, a que se juntaram a Grécia e a Turquia em 1952. Como resposta, em 1955, surgiu o Pacto de Varsóvia, abrangendo os países de modelo soviético, liderados pela URSS. Uma Europa segmentada, bipartida e,  obrigada a aceitar o fim de séculos de colonização, apresentou-se ainda mais frágil perante os dois colossos do momento – EUA e URSS.

Com o final da chamada guerra fria, a NATO manteve a sua existência, alargou o seu âmbito geográfico com a integração dos países do extinto Pacto de Varsóvia e, com intervenções militares nos Balcãs e, fora do âmbito europeu, na Líbia, no Sahel e no Afeganistão. O domínio militar e político dos EUA no cenário europeu representa também a garantia de um mercado cativo para a enorme produção norte-americana de armamento; mantém a influência política dos EUA a ocidente da fronteira russa e no Mediterrâneo; e, pretende ainda a contenção da penetração da influência comercial e política da China em todos os cantos do planeta (ver o mapa no final do texto) .

O gasto militar conjunto dos EUA, da França, da Grã-Bretanha e da Alemanha em 2020 foi de $ 942,7 mil milhões dos quais $ 778 mil milhões cabem aos EUA e, sabendo-se que a utilização de tais recursos está espalhada por várias partes do planeta e não apenas na Europa. O gasto militar da Rússia foi de $ 61.7 mil milhões, certamente não apenas centrados no cenário europeu. E a China, por seu turno, gastou $ 252 mil milhões, concentrados, no Extremo Oriente.

Outros factores desenham a menoridade europeia. O euro não conseguiu suplantar o dólar como moeda global, o renminbi chinês também não e, a libra é uma sombra do seu passado. Não é estranho que a Europa se mostre como uma potência exportadora (a despeito das suas gritantes desigualdades internas) mas com uma capacidade de intervenção reduzida no xadrez político global. Mantém-se, portanto, a situação de uma Europa como uma base norte-americana para o domínio estratégico do Atlântico Norte e do Mediterrâneo, contando ainda os EUA com a desestruturação política e económica do espaço que se estende do Líbano à Mesopotâmia e ao mar de Oman, englobando-se aí, obviamente o Golfo Pérsico[3]; e, sobretudo com o apoio da fiel entidade sionista. Em resumo, os EUA mantêm o seu controlo estratégico sobre a Europa; e esta evidencia a sua menoridade política focando-se nas minudências burocráticas, deixando ao longe a liderança global marcada em Lepanto (1571) e, consolidada no segundo cerco de Viena (1683).

Está em curso uma grande alteração vinda do Leste asiático, depois de uma primeira fase protagonizada pelo desempenho económico do Japão e da Coreia do Sul, países que continuam desde os finais da II Guerra sob protetorado dos EUA (como na Europa com a presença da NATO) embora não se dispensando de elevados custos militares; aqueles dois países em 2020 gastavam com as forças armadas pouco menos de $ 50000 M cada um.

Essa tara militarista que carateriza os EUA, com bases e frotas em todo o mundo, com o envolvimento em guerras e destruições assombrosas tornou os EUA totalmente distanciados da criação, em 2014 doAsian Infrastructure Investment Bank (AIIB); ou, em 2020, do Regional Comprehensive Economic Partnership (RCEP) que inclui países tutelados militarmente pelos EUA (Coreia do Sul e Japão) ou, sob a sua influência política (Austrália e Nova Zelândia) e no qual a Índia não quis participar… por enquanto, durante o consulado do fanático hinduísta, Modi. A História regista que o comércio, as trocas, aproximam os povos, promovem interações culturais e constituem um enorme instrumento de desenvolvimento económico, ao contrário do militarismo; como se pode observar no quadro seguinte.Percentagem do PIB mundial (em termos de paridade de poder de compra)

 198019902000201020152020  (est)
UE30.227.623.719.016.915.6
EUA21.922.120.716.815.814.7
China2.34.17.513.917.319.0

                                                     Fonte: FMI – Economic Outlook 2016

Em 2020, a pujança económica chinesa conduziu a que a UE tenha tornado a China como o seu primeiro parceiro comercial, remetendo os EUA para um segundo posto; a forma como ambos os países enfrentaram o surto do coronavírus releva a decadência dos EUA e a sua substituição pela China como principal economia mundial.

A relação que se estará a firmar na Euro-Ásia, envolve várias vertentes. Uma, é o reforço da Rússia como elo essencial de ligação entre a Ásia Oriental e a Europa; ligação essa que pode vir a ser praticada através do Ártico. Outra, é um desenvolvimento do abastecimento de gás russo à Alemanha, através do Báltico, perante o azedume dos EUA.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Uma terceira vertente é o estabelecimento de vários troços da Rota da Seda, integrando os países da Ásia Central e os países muçulmanos do Próximo e do Médio Oriente, através de vias ferroviários de elevada velocidade, uma área em que a China tem um elevado desempenho, como se releva adiante. Segundo Keith Bradsher, do New York Times, em 2012, a China inaugurou uma linha férrea de alta velocidade que percorre 2298 km entre Pequim e Guangzou, com 35 paragens, em dez horas; transposta para a Europa, essa infraestrutura faria um percurso Londres-Belgrado em… oito horas. A distância acima referida equivale à distância entre New York e Key West, no sul da Florida; no entanto, um percurso ferroviário atual, um pouco menor (New York/Miami) é, hoje efetuado em… 30 horas de viagem. Tais desenvolvimentos na China como na Europa poderão oferecer percursos diversificados para as transações entre a Europa e o Oriente e incluir os países da referida ASEAN e da costa oriental de África.

Tendo em consideração a população da “Península Europeia” a integração euro-asiática (de momento, excluindo a Índia) vai para além dos 2500 M de pessoas ligadas por uma massa continental contínua e diversificada, culturalmente e quanto aos níveis de vida ou criação de riqueza.

Não é expectável uma guerra na Europa com uma dimensão global. A presença militar dos EUA foi justificada durante quase meio século com a existência da URSS e do Pacto de Varsóvia. A extinção destes últimos teria sido uma boa oportunidade para o enterro das alianças militares; no entanto, a NATO continua a existir, feliz por ter englobado os países balcânicos; e esperando, depois da inclusão dos países do extinto Comecon, cercar as fronteiras russas na Ucrânia e no Cáucaso.

Depois do final da Guerra Fria, os EUA, com ou sem a máscara NATO, promoveu guerras no território da antiga Jugoslávia, invadiu a Líbia e o Afeganistão, armou o ISIS para desestabilizar a Síria e o Iraque, com o reforço da ligação às monarquias do Golfo para isolar o Irão e, desenvolver o cancro sionista na exata medida do esmagamento do povo palestiniano. Os EUA continuam a estar presentes nos conflitos africanos, mantendo a sede do seu Africom localizada em Estugarda (!), numa situação reveladora do seu papel de entidade estranha aos povos do continente; e enquadrando, entre outros auxiliares, também em África, mercenários portugueses.

A aposta militarizada dos EUA é uma verdadeira demência, sobretudo quando se toma conta do grau de pobreza de grande parte da sua população e as suas deficiências quanto a infraestruturas, como atrás exemplificámos. A sua presença militar na Europa continua a utilizar e reproduzir o cenário da Guerra Fria, imputando à Rússia um poder económico e militar que esta não tem. A Rússia tem apenas 150 milhões de habitantes e o seu gasto militar é mais de doze vezes inferior ao dos EUA.

Onde parece haver bastante homogeneidade entre os membros da UE é na subserviência estratégica perante a NATO, com a aceitação da liderança dos EUA[4]. Na UE parece que se quer manter os EUA com um pé na Europa, para evitar uma imersão total da Península Europeia nas infraestruturas da Rota da Seda, cuja concretização manterá bem longe as esquadras norte-americanas no Índico e no Pacífico, tendencialmente obsoletas do ponto de vista estratégico, com o aumento da relevância de vias terrestres na ligação entre o Oriente, a Ásia Central e a Europa. A pujança económica da China, aliada à sua força demográfica (mais que dupla que a dos países da UE) promete secundarizar a Europa. Essa secundarização, no passado, mostrou-se bem evidente em Bretton Woods, com a segmentação da Europa em ocidente e oriente, com a presença de bases militares de potências ocupantes e, com sangrentas descolonizações (Argélia, Vietnam e colónias portuguesas).

Que papel caberá à Europa, a médio ou longo prazo?

·        Potência económica regional sem um papel relevante na política internacional inserida, sem protagonismo, no confronto estratégico China/EUA?

·        Quanto à China, a Europa procurará uma relação de vantagens económicas mútuas integrando-se nos corredores logísticos previstos e para cuja construção a maioria dos países europeus se ligou (o AIIB acima referido);

·        Manutenção das atuais e gritantes desigualdades regionais no seio da UE susceptíveis de posições políticas desviantes, como o que a GB decidiu, com o seu Brexit? E potenciadores de diversificadas clivagens, facilitadas pela grande diversidade de culturas e enquadramentos históricos recentes?

·        Uma preferência como aliado subalterno dos EUA cuja decadência relativa é evidente, como se observou na gestão da pandemia, nas enormes bolsas de pobreza, pelos problemas políticos e sociais resultantes de um relevo ancestral dado à “raça”? Um país que gasta em armamento tanto como os restantes e que força os seus aliados a comprar o necessário à manutenção do seu enorme e influente complexo militar-industrial?


Fonte aqui