Os EUA vão abandonar a NATO?

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 06/11/2026)


A tentativa de lançar o debate sobre a possibilidade de a NATO existir sem os americanos não passa de um exercício fútil e absurdo. Os EUA pretendem reduzir os seus gastos com a NATO, mas não o seu poder na Aliança.


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Poucos entenderam Donald Trump quando ele disse que a NATO se encontrava obsoleta. O que ele afirmou, de forma sintética, foi que a Aliança deixou de servir os interesses da política externa norte-americana do modo que teve na Guerra Fria e no período que se seguiu, nomeadamente no Afeganistão. Além de não ser verdade, Trump estava a ser injusto e ingrato, uma vez que a NATO continuava a ser extremamente útil na confrontação que os EUA travavam com a Rússia na Ucrânia.

Mas havia que saber ler nas entrelinhas. Trump estava implicitamente a dizer que a NATO era inapropriada para o embate que os EUA pretendiam travar com a China no Índico-Pacífico. Era preciso uma nova NATO que continuasse a servir os interesses norte-americanos noutras áreas do globo onde os EUA pretendiam intervir. Os factos vieram dar-lhe razão, Trump não esquecerá a indisponibilidade dos aliados para o socorrerem, quando precisou deles, em fevereiro de 2026, para superar o desaire militar do ataque norte-americano ao Irão, que levou ao fecho do estreito de Ormuz.

Uma narrativa agressiva e ameaçadora da NATO relativamente à China podia agradar a Trump, mas era insuficiente. Com base nesta reação europeia, não será difícil extrapolar o que farão os aliados europeus num putativo confronto dos EUA com a China, em que a possibilidade de virem a prevalecer é cada vez mais remota. Os EUA não podiam contar com a Aliança. Era a isto que Trump se referia quando considerava a NATO obsoleta.

O facto de a NATO ter deixado de ter a importância que já teve no cálculo estratégico norte-americano reforçou os argumentos dos que, nos EUA, pugnavam pela redução das despesas com a Aliança, transferindo esse ónus para os restantes Estados-membros.

Uma leitura errada

A redução dos gastos com a defesa europeia declarada por Washington, impondo uma divisão dos encargos, foi recebida com muita ansiedade e desconforto pelas chancelarias europeias, que interpretaram isso como um abandono da defesa da Europa. O sentimento de insegurança gerado levou alguns aliados europeus, como a França e a Polónia, a assinarem em maio de 2026 um tratado bilateral de defesa mútua. A Alemanha e a Grã-Bretanha estão a seguir o mesmo caminho, preparando também o seu próprio acordo de defesa mútua.

A assinatura de tratados de defesa mútua entre membros da Aliança denota desconfiança na eficácia da NATO e descrédito na sua capacidade de honrar o seu compromisso fundamental: o Art.º V e a defesa coletiva, o leitmotiv primordial que justifica a sua existência.

Tudo indica que os aliados europeus estão a fazer uma leitura errada dos propósitos declarados da Administração Trump. A exigência de Trump para os aliados aumentarem, até 2035, as suas despesas com defesa para 5%, sendo 3,5% delas destinadas às designadas despesas essenciais de defesa, e o anúncio da redução da presença de forças norte-americanas na Europa, inserem-se numa divisão de tarefas que Trump quer implementar e não numa estratégia de abandono da defesa da Europa.

Uma leitura atenta da NSS (Estratégia de Segurança Nacional), publicada em novembro de 2025, e da NDS (Estratégia de Defesa Nacional) publicada em janeiro de 2026, devia sossegá-los. Em nenhum momento é dito naqueles dois documentos que os EUA vão abandonar a defesa da Europa.

Pelo contrário, é claramente dito nesses documentos que os EUA não sairão do continente europeu: “O Departamento [da guerra] continuará também a desempenhar um papel fundamental na própria NATO, mesmo enquanto ajustamos a postura e as atividades das forças norte-americanas no teatro de operações europeu, de modo a ter em melhor conta a ameaça russa aos interesses norte-americanos, bem como as próprias capacidades dos nossos aliados”. O compromisso norte-americano com a defesa da Europa permanece inalterado, mas a Europa deve assumir a responsabilidade principal pela sua própria defesa convencional.

Este pensamento baseia-se em duas premissas fundamentais: (1) “Moscovo não está em posição de reivindicar a hegemonia europeia”; (2) “a “NATO europeia” “supera a Rússia em termos económicos, população e, por conseguinte, em poder militar latente”. Trump considera que a Europa deixou de ter capacidade de vir a ser um polo estratégico competidor dos EUA – seguramente que a destruição do Nord Stream e a dependência energética europeia dos EUA que se seguiu, muito contribuiu para isso -, e que a Rússia não atacará a Europa.

A leitura da ameaça russa feita por Washington diverge claramente daquela feita pelos dirigentes europeus, por sinal subscrita por largos setores do partido democrata. A concretizar-se essa possibilidade remota, Washington reserva-se a prerrogativa de intervir.

Uma «NATO 3.0»

Trump sabe que os europeus meteram na gaveta a ideia de uma Europa estrategicamente autónoma, apesar dos arrufos frequentes de Bruxelas nesse sentido. A não ser assim, a visão de Trump para a NATO e para a defesa europeia representaria uma oportunidade histórica para a Europa concretizar as aspirações de autonomia estratégica articuladas pelos seus fundadores e reiteradas em vários documentos estratégicos associados ao projeto europeu.

Recorrendo ao que se encontra previsto na NSS, e na então recentemente aprovada NDS, o subsecretário da guerra Elbridge Colby informou os europeus, na ministerial de defesa da NATO, em fevereiro de 2026, sobre algumas ideias fundamentais do que irá ser a política externa norte-americana. “Os Estados Unidos estão a dar prioridade às ameaças aos interesses norte-americanos mais importantes, especialmente no que respeita à defesa do território nacional e aos seus interesses no Hemisfério Ocidental, bem como ao reforço da dissuasão por meio da negação no Pacífico Ocidental.” Acrescentando, que “esta abordagem da «NATO 2.0» já não serve o seu propósito – certamente não para os Estados Unidos”.

Nesta nova NATO que Colby apelidou de “NATO 3.0”, “o que é necessário é… algo muito mais próximo da «NATO 1.0» do que a abordagem dos últimos trinta e cinco anos. Esta «NATO 3.0» exige esforços muito maiores por parte dos nossos aliados para que estes assumam a responsabilidade principal pela defesa convencional da Europa.” “Nós, no Departamento da Guerra, continuaremos a preparar as nossas forças para cumprir a nossa parte nos termos do Art.º V, com a Europa a assumir a liderança na sua defesa convencional”. “Queremos parcerias, não dependências.”

Noutros tempos, estas declarações teriam sido interpretadas pelos europeus como uma oportunidade e não como um perigo.

Curiosamente, já em 1997 Brzezinski dizia algo muito parecido: “A unidade europeia exigirá que essa estrutura se adapte à nova realidade de uma aliança baseada em dois parceiros mais ou menos iguais, em vez de uma aliança que, para utilizar a terminologia tradicional, envolva essencialmente um hegemónico e os seus vassalos.”

“Olhando para o futuro, a promessa para 2026 e os anos seguintes é esta: uma NATO em que a Europa seja o principal defensor convencional do teatro de operações europeu, apoiada pelo poder estratégico e pelo alcance global dos Estados Unidos”.

Portanto, os EUA continuarão a desempenhar um papel vital na aliança, mas ajustando a distribuição de forças e a sua atividade no teatro europeu tendo os europeus de assumir custos que não assumiam do antecedente. “A Europa aumentará o seu contributo para a Aliança que continuará a ser liderada pelos EUA.”

Trump “apenas” pretende reduzir os custos com uma Organização que perdeu a utilidade do passado, transferindo esses custos para os europeus, mas sem prescindir da posição de liderança que os EUA sempre dispuseram. Trump nunca manifestou interesse em retirar o chapéu nuclear à Europa, como também não ameaçou retirar os meios de comando e controlo que disponibiliza para a NATO e que os europeus não dispõem.

A intervenção de Colby foi omissa relativamente a um possível emprego da NATO no Indo-Pacífico. A “NATO 3.0” que ele propõe assemelha-se mais à “NATO 1.0” do que à “NATO 2.0”, que ele refuta. Embora seja prematuro prospetivar o papel da NATO no Indo-pacífico, no momento em que este artigo foi escrito, parece que a Administração Trump não alimenta grandes ilusões sobre a sua utilidade nesse potencial teatro de operações. O que não significa que os EUA não possam vir a beneficiar da colaboração de alguns Aliados e parceiros da Aliança.

Apesar da exagerada ansiedade de alguns líderes europeus, tudo indica que os EUA não abandonarão a Europa. A defesa europeia continuará a efetuar-se no quadro da NATO e não em nenhuma instituição europeia alternativa. A tentativa de lançar o debate sobre a possibilidade de a NATO existir sem os americanos não passa de um exercício fútil e absurdo. Os EUA pretendem reduzir os seus gastos com a NATO, mas não pretendem reduzir o seu poder na Aliança, tencionando continuar a definir a sua agenda.

A prova do empenho norte-americano na defesa europeia é evidente. Na recente redistribuição de comandos da Aliança, os EUA cederam aos aliados europeus dois comandos de Forças Conjuntas, mas não prescindiram do SACEUR, o comando militar mais importante da NATO, o único de escalão estratégico militar e dos três comandos de componente.

Foi durante as Administrações Trump que foram desenvolvidos e consolidados dois conceitos fundamentais de atuação da Aliança, erigidos sob a supervisão de generais norte-americanos: em junho de 2020, o DDA (Deterrence and Defence of the Euro-Atlantic Area), com o objetivo de reformular a estratégia da Aliança após as alterações de segurança iniciadas com a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014; e a EFDI (Iniciativa de Dissuasão do Flanco Oriental), iniciada pelo comandante do Exército dos EUA na Europa e em África e do Comando Terrestre Aliado da NATO, que consiste em restabelecer a dissuasão por negação, através do reforço da defesa e da prontidão em todo o flanco oriental da NATO.

A peugada norte-americana na definição do futuro da Aliança, em particular no domínio militar, é demasiadamente forte para se poder alegar com credibilidade o seu abandono da Aliança. Não é verosímil aceitar que os EUA alguma vez fossem abrir mão de um ativo tão importante como a Europa, na prossecução do seu projeto de primazia global facilitando a intrusão de um rival, sabendo-se ser a geoestratégia o principal racional inspirador da sua ação externa.


A NATO e a China

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 03/11/2026)


Esperamos que as flagrantes insuficiências militares demonstradas pelos EUA no ataque ao Irão, em fevereiro de 2026, resfriem o ímpeto de Washington se envolver numa operação contra Pequim, até porque Pequim não é Teerão.


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

As relações entre a NATO e a China foram praticamente inexistentes durante a década de noventa do século passado e atingiram um ponto baixo quando a NATO bombardeou a embaixada chinesa em Belgrado (maio 1999). As conversações de alto nível entre a NATO e a China iniciaram-se em 2002, por iniciativa de Pequim, após uma visita surpresa do embaixador chinês em Bruxelas ao secretário-geral da Aliança. Essa iniciativa abriu as portas a um diálogo que se manteve até aos dias de hoje, não só ao nível político como militar.

Os encontros entre as duas partes tornaram-se frequentes, tanto em Bruxelas como em Pequim, normalmente ao nível de Secretário-Geral Adjunto, do lado da NATO, e de vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, do lado da China. O ponto alto desses encontros teve lugar em 2009 quando o Vice-Secretário-Geral NATO visitou Pequim. O diálogo a nível militar iniciou-se em 2010, quando uma delegação militar chinesa visitou o quartel-general da NATO, em Bruxelas, mantendo-se a partir daí contactos regulares até aos dias de hoje, embora de alcance muito limitado.

A China participou nalgumas atividades promovidas pela NATO. Em 2002, tornou-se um observador permanente do Submarine Escape and Rescue Working Group (SMERWG), e participou no exercício Sorbet Royal, um importante exercício militar conjunto da NATO focado na fuga e salvamento de submarinos; também participou anualmente em atividades promovidas pela NATO Scientific and Environmental Affairs Division; desde 1999, em programas patrocinado pelo Science Prgrame’s Cooperative and Techology. Para além disso, oficiais chineses participaram em seminários anuais organizados pela NATO sobre desarmamento e não-proliferação.

Entre 2010 e 2014, militares e diplomatas chineses participaram em cursos organizados pela NATO School, em Oberammergau (Alemanha), a principal instituição de formação individual da NATO, ao nível operacional. A NATO manteve também contactos com a China, em Cabul, entre a embaixada chinesa e a missão da Aliança, no Afeganistão. Este relacionamento ocorria no âmbito de um diálogo militar pragmático focado na transparência, segurança marítima (incluindo antipirataria) e questões globais, sem ter a China o estatuto de parceiro.

Este relacionamento já limitado, resfriou-se a partir da Cimeira de Londres (2019), quando a NATO passou a considerar a China um desafio sistémico aos interesses, à segurança e aos valores dos países aliados. Essa linguagem passou a ser a norma nos documentos estratégicos da Aliança como, por exemplo, o Conceito Estratégico da NATO, em 2022.

Segundo o Comunicado final da Cimeira de Haia (2022) “as ambições declaradas e as políticas coercivas da República Popular da China (RPC) desafiam os nossos interesses, a nossa segurança e os nossos valores… as operações híbridas e cibernéticas maliciosas da RPC, bem como a sua retórica de confronto e desinformação, têm como alvo os Aliados e prejudicam a segurança da Aliança… e esforça-se por subverter a ordem internacional baseada em regras, nomeadamente nos domínios espacial, cibernético e marítimo. O aprofundamento da parceria estratégica entre a República Popular da China e a Federação Russa e as suas tentativas, que se reforçam mutuamente, de minar a ordem internacional baseada em regras vão contra os nossos valores e interesses.”

O endurecimento da linguagem por parte da Aliança, tinha a ver fundamentalmente com dois temas: a guerra na Ucrânia e o papel da China no Indico-Pacífico, em ambos os casos alinhada com o discurso de Washington.

No primeiro caso, a NATO acusa Pequim de ser um facilitador da invasão da Ucrânia pela Rússia. Para além de não condenar aberta e publicamente Moscovo, fornece componentes eletrónicos e apoio económico fundamental para sustentar a base industrial militar russa; omitindo, convenientemente, o facto de empresas chinesas venderem às empresas europeias os componentes eletrónicos que estas fornecem à Ucrânia. No segundo caso, os altos dignitários da NATO, em particular, o secretário-geral da NATO Mark Rute, numa linguagem tremendamente hostil, apresentam a China como “uma ameaça direta ao Ocidente, especialmente em relação a Taiwan.”

As declarações dos altos dignitários da NATO e a leitura dos documentos estratégicos da Aliança deixam os dirigentes chineses muito preocupados sobre uma possível intervenção da NATO no índico-Pacífico ao lado das forças americanas, talvez excessivamente preocupados.

Se a “NATO 3.0” que os EUA vieram propor aos aliados se concretizar, será uma NATO mais próxima da “NATO 1.0”, dos tempos da Guerra Fria, centrada na defesa coletiva e no Art.º V, e menos da “NATO 2.0”, do pós-guerra-fria e da gestão de crises da segurança cooperativa, então Washington não contará com ela no Índico-Pacífico. Embora fique a dúvida: para quê exigir 3.5% do PIB com despesas em defesa (a menos que seja “apenas” para apoiar o complexo militar industrial norte-americano) se, simultaneamente, Washington afirma que a Europa chega militarmente para a Rússia e que a Rússia não tenciona atacar a Europa? Não se pode excluir que a contradição não passe de “gato escondido com o rabo de fora.”

Na ausência de uma NATO no Pacífico ocidental para cercar a China, tal como existe na Europa para bloquear a Rússia, os EUA contam com o equipamento preposicionado na região, com uma enorme rede de bases e instalações militares, e com acordos estabelecidos com países da região para aceder ao seu território, aquilo que é a maior concentração de forças americanas no exterior do seu país (80 – 90 mil militares permanentemente destacados na região); e com os seus parceiros da região que integram a parceria da NATO “Parceiros à Volta do Globo”, mas não só.

O reforço da presença norte-americana nos últimos anos nessa região, o desenvolvimento de conceitos como o Agile Combat Employment, e o debate sobre a eventual realocação de parte dessas forças para regiões mais afastadas da costa chinesa, não levam em consideração o envolvimento e participação da NATO. Por isso, é com Washington que Pequim deve concentrar os seus esforços e atenção e não com Bruxelas. A hipotética participação de países da NATO numa aventura militar norte-americana na região será sempre marginal ao esforço de guerra que os EUA necessitam empreender. Esperamos que as flagrantes insuficiências militares demonstradas pelos EUA no ataque ao Irão, em fevereiro de 2026, resfriem o ímpeto de Washington se envolver numa operação contra Pequim, até porque Pequim não é Teerão.

As masmorras: a rede de câmaras de tortura de Zelensky à vista de todos

(Tim Kirby in S C F, 03/11/2026, Trad. Estátua)


Devemos esperar ver cada vez mais levantamentos populares, pois as autoridades podem não ser capazes de os impedir.


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Neste momento, estão a ocorrer revoltas bizarras por todo o continente europeu, com exceção da Rússia; a França está em chamas, os jovens alemães recusam-se violentamente a cumprir o serviço militar e o Tribunal Constitucional da Polónia está a ser alvo de ataques.

Agora, na frente oriental da «civilização», as palavras da figura obscura Kirill Budanov(1) não conseguiram desviar a atenção dos meios de comunicação ucranianos e mundiais para uma rede secreta de prisões utilizada contra os seus próprios cidadãos. As suas tentativas de acalmar uma população enfurecida não pareceram correr muito bem, uma vez que terá sido atingido por um spray de gás pimenta ou algum tipo de gás antes do fim da noite.

Kirill Budanov é o chefe do gabinete presidencial ucraniano e o mais jovem chefe dos serviços de informação militar ucranianos, que obviamente têm laços muito próximos com Zelensky. É oficialmente considerado um terrorista pela Rússia e um inimigo declarado extraoficialmente. Nas ruas escuras de Kiev, falando sob os holofotes das câmaras, relatou ao público ucraniano a situação em torno de uma prisão não oficial (possivelmente do Exército de Azov) perto de Kiev, chamada “O Poço”, onde prisioneiros com ligações militares, ou seja, recrutados à força, estão a ser mantidos ilegalmente, seguindo as mais nobres tradições do Ocidente iluminado.

A New Resistance apresentou o seguinte resumo da história, que explica tudo de forma concisa:

“Várias pessoas foram espancadas até à morte numa cave utilizada como câmara de tortura perto de Kiev, onde dezenas de homens estavam a ser mantidos em cárcere privado – esta informação foi divulgada no Parlamento ucraniano (Verkhovna Rada).

Os falecidos estão a ser registados como “desaparecidos”. Isto está a acontecer em mais de cem outras câmaras de tortura semelhantes em toda a Ucrânia, salientou o deputado Dmytruk.

As pessoas estão a ser sequestradas e torturadas. Algumas são vendidas às unidades militares, outras aos seus familiares. As mais fracas simplesmente morrem devido à tortura e às condições de confinamento. É assim que funciona atualmente todo o sistema de “mobilização”…

Budanov afirma que a descoberta de uma câmara de tortura em Kiev “prejudica a unidade dos ucranianos” e que é necessário “dar prioridade aos interesses da nação”.

A abordagem de Budanov, que enquadra a exposição da violência como uma ameaça à unidade em vez de abordar o abuso em si, reflete a dinâmica clássica dos Estados fascistas, onde os perpetradores consideram a responsabilização pública, e não a crueldade em si, como a verdadeira ofensa.”

Esta história não deve surpreender ninguém que acompanhe a política russa, uma vez que uma das muitas justificações para o início da Operação Militar Especial foi o facto de o lado de Kiev ter utilizado prisões secretas para fazer “desaparecer” os habitantes locais no Donbass durante anos. Também usavam tortura e humilhações brutais nestas instalações, o que se presume estar a acontecer em “O Poço”, nos arredores da capital ucraniana. Aliás, se tiver curiosidade sobre estas prisões secretas, pode consultar esta análise extremamente detalhada da RIA Novosti sobre a utilização destes locais no Donbass durante o período de 2014 a 2022 pelas Forças Armadas Ucranianas e pelo Batalhão Azov, considerados terroristas na Rússia.

O importante a compreender é que o Poço de Kiev não é um incidente isolado, mas sim parte de uma rede de instalações semelhantes que tem vindo a ser utilizada desde o Maidan. Não se trata de especulação, mas de um facto. O Poço não é uma exceção, mas uma prática comum quando um governo assume o poder considerando a maioria dos seus cidadãos como sub-humanos e sendo financiado por elites que também consideram todos os ucranianos sub-humanos. Tudo isto faz parte do extermínio da Ucrânia moderna e transporta todas as características da metodologia globalista.

Imagem acima: Este jovem, ao abandonar a instituição física e mentalmente debilitado, tornou-se o símbolo desta rede secreta de prisões.

Então, a questão é: porque é que isto está a acontecer agora? Porque é que as prisões secretas que existem desde o Maidan, que já foram expostas várias vezes, são agora motivo de indignação pública e de levantamentos? A resposta pode ser simples: o regime de Zelensky está a perder o controlo da sociedade. Se um Estado poderoso te conseguir fazer desaparecer numa rede de prisões secretas com um estalar de dedos, ninguém dirá uma palavra, mas se um regime fraco tentar fazer o mesmo, a resistência deixa de ser fútil ou suicida e torna-se quase obrigatória.

Podemos ver em vários vídeos a indignação em frente ao The Pit que o regime está a perder o controlo, mesmo perante os seus próprios jornalistas, que comprou e pagou. A maior mudança tática em toda a guerra foi o “40 dias de terror” de Zelensky durante o verão de 2026, que atacou todos os tipos de infraestruturas civis na Rússia. Esta acção obrigou o Kremlin a responder na mesma moeda, intensificando radicalmente os seus esforços e levando a Rússia a destruir praticamente todos os centros de dados, postos de abastecimento de combustível, fábricas, locomotivas e armazéns na Ucrânia.

A situação é agora tão desesperada que Kiev, outrora o epicentro seguro do regime de Zelensky, viu o seu nível de vida, para muitos, reduzidos aos do século XIX. O presidente da Câmara de Kiev chegou a declarar publicamente que era tempo de fugir da capital. Até aos 40 Dias de Terror, tentar resgatar um ente querido detido num centro secreto de detenção significaria certamente ser o próximo alvo. Talvez agora a realidade tenha mudado a tal ponto que seja possível até utilizar algum tipo de gás contra Kirill Budanov sem ser punido.

É claro que, mesmo que o público ucraniano já esteja plenamente consciente de algo, os grandes meios de comunicação ocidentais encarregar-se-ão de encobrir a situação. O professor e escritor norueguês Glenn Diesen comentou o seguinte sobre o assunto:

“O establishment político-mediático tem um dia agitado pela frente: encobrir as câmaras de tortura de Zelensky, minimizar as revelações e garantir que a história desaparece da vista do público.”

Estas palavras são absolutamente verdadeiras. No entanto, nenhuma campanha de relações públicas será capaz de esconder a iminente queda de Kiev do público mundial. Mesmo aqueles que estão “por dentro” reconhecem que a capital está, metaforicamente, com a cabeça a postos. Os preços dos imóveis estão a cair a pique e as vendas atingiram níveis recorde de baixa, enquanto a cidade se esvazia e poderá tornar-se inabitável em breve. Os “orcs” estão no horizonte e não se sabe quem manterá o controlo da cidade quando toda esta terrível guerra chegar ao seu fim definitivo.

À medida que as forças russas se aproximam e continuam a destruir as infraestruturas do regime de Kiev, devemos esperar ver cada vez mais levantamentos, uma vez que as autoridades podem não conseguir detê-los. Embora Zelensky provavelmente ainda tenha muita resistência graças aos drones baratos em grande número, não pode manter-se no poder para sempre, nem Kiev pode sustentar-se como cidade sem eletricidade, água e saneamento básico. A Morte observa toda a capital, afiando a sua foice enquanto aguarda.

Para concluir, é importante notar que Budanov teve de falar em russo muitas vezes para se dirigir adequadamente à multidão enfurecida. Há algo de bastante apropriado neste facto.

(1) Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.

Fonte aqui