A guerra do Covid-19

(Joaquim Vassalo Abreu, 31/03/2020)

Neste já fastidioso  ping pong entre EUA e CHINA sobre quem desenvolveu ou produziu o vírus, ou propositadamente o instalou, circulam várias teorias, teorias essas que muitos afirmam serem de conspiração!

Não sei se sim se não, mas a mais recente a que tive acesso, atribuída a NOAM CHOMSKY, reputado e lendário Filósofo, Ensaísta , Linguista e Activista Americano, personagem assumidamente de Esquerda que nunca regateou críticas ao sistema vigente na sua nação e anti Trumpiano assumido, é digna de análise, por de tão elaborada!

Convém dizer que eu, tendo em conta a obra e pensamentos de CHOMSKY, não acredito ser dele a autoria mas, quanto à sua fiabilidade, eu estou como o ditado Espanhol acerca da existência das Bruxas: “ pero que las hay, hay”!

A verdade é que eu já elaborei os princípios deste texto há uns largos dias mas, para fundamentar melhor a minha tese, tenho vindo a esperar o desenvolvimento da crise dos dias para melhor me sustentar.

Diz a referida teoria que Trump, tendo em conta a crescente supremacia da China no mundo, principalmente através da pujança da sua Indústria ( por alguma razão muitos países a apelidam como a fábrica do Mundo, porque capaz de tudo produzir mais rápido e a muito melhor preço final), ordenou a produção laboratial deste vírus e o colocou precisamente em YHUAM, pois existindo aqui um grande Laboratório Bacteriológico Chinês, fácilmente seria aceite e entendida a tese da fuga acidental.

E propagando-se o vírus na extensa  China ele traria consigo,  e de uma forma inexorável, o declínio da sua economia. E começando pela China necessário era seguir de imediato para uma Europa quase na sua totalidade hostil a Trump e não havia melhor lugar para começar do que a rica e industrial Lombardia comandada por um aliado de Putin, o fascista Salvini da Liga Norte. E aí começaria a inevitável derrocada da economia Europeia…

Ressurgiria então a supremacia dos “States” no mundo, tanto ao nível económico como militar, e descoberta intra-muros a vacina ela seria uma acrescida arma de arremesso e de chantagem, podendo os EUA escolher os amigos a quem ceder patentes…

Maquiavélica que chegue esta teoria sofreu um duro inicial revez por parte de Trump e o seu sósia Boris Johnson ao desvalorizarem o impacto da Covid 19 nos seus países, talvez por admitirem que a distância e os mares a impediriam de lá chegar e foram erráticos na  sua abordagem.

Na sua postura inicial arrogante Trump não cuidou de saber, nem soube ouvir, que perante um vírus desta natureza os EUA estariam tão frágeis como quaisquer outros países, mas mais frágil ficou quando subestimando a sua propagação foi tardio a tomar medidas.

E, posto isto, tendo em consideração os seus precários Sistemas de Saúde, onde prevalecem os Seguros (quase um terço da população ou não têm qualquer Seguro ou tem apenas o mais básico) e de Assistência Social, muito se teme que possa vir a acontecer uma autêntica desgraça humanitária naquele que dizem ser o país mais rico do mundo…

A extraordinária declaração de Trump de que cem mil, vá lá duzentos mil (!) mortos já seria para ele uma grande vitória (!) atesta à saciedade não só o desconhecimento que tem da realidade demográfica da sua nação, a quantidade de pobres e excluídos do sistema que possui e basta ver o que são os túneis de Nova York pejados de sem abrigo à noite e as imensas caravanas espalhadas pelas bermas das estradas estaduais onde vivem milhões de americanos em condições periclitantes, mas também do seu estado de sanidade mental.

E não serão os biliões ou triliões de dólares que diz ir injectar na economia que essa iminente tragédia podem evitar…

Entretanto a China já da crise está a sair e, de certo modo, a ajudar o resto do mundo. E os EUA e os seus triliões de dólares servem para quê?


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O coronavirus e a provável mão oculta dos Estados Unidos

(Arthur González, in Resistir, 09/02/2020)

Para quem conhece a história terrorífica da CIA, pejada de planos de acções encobertas para assassinar personalidades, espiar partidos políticos e seus dirigentes, executar golpes de Estado, desenvolver experimentos para manipular a mente de seres humanos e trabalhar com agentes biológicos a fim de transmitir vírus contra pessoas, animais e plantas, não é inverosímil supor que também pode estar por trás do perigoso Coronavirus, o Pneumonia de Wuhan, detectado na China.

É notória a guerra suja que os Estados Unidos executam contra a China, por considerá-la um perigo para a economia ianque. Daí o presidente Trump aplicar medidas inéditas para afogar a China e evitar que avance como a maior potência económica mundial.

Os ianques desesperados procuram modificar a correlação de forças em escala mundial. Por isso pressionaram o Reino Unido a sair da União Europeia para debilitá-la, além de converter a China no seu novo inimigo estratégico no cenário mundial.

Por isso não é de estranhar que possam estar por trás do surgimento do Coronavirus em Wuhan, obrigando os chineses a paralisar uma das suas regiões de maior desenvolvimento económico e uma população de mais de 11 milhões de habitantes, sendo a sua sétima cidade mais povoada e uma das nove cidades centrais da China com conexões para todo o território nacional.

Wuhan é qualificada como o centro político, económico, financeiro, comercial, cultural e educativo da China central, além de ser um centro principal de transportes, com dezenas de ferrovias, estradas e auto-estradas que cruzam essa cidade, conectando-a com outras importantes.

Essa localização permite a rápida disseminação da epidemia em todo o país, o que obriga a perguntar: será por acaso que o vírus tenha surgido ali? Ou por essas razões foi seleccionada para introduzi-lo entre os seus habitantes?

Afirma-se que o vírus é uma mutação, algo em que cientistas ianques trabalham historicamente nos seus laboratórios militares de guerra biológica.

O pânico criado a nível mundial obriga a não visitar a China, o que afecta sua indústria turística, os investimentos estrangeiros e os intercâmbios comerciais, perante a possibilidade de contágio.

Cuba tem sofrido múltiplos ataques biológicos desde há 60 anos. O primeiro contemplado é a conhecida Operação Mangosta, aprovada em 18 de Janeiro de 1962 pelo presidente J.F. Kennedy, que na sua tarefa número 21 diz textualmente:

“A CIA proporá um plano até 15 de Fevereiro para provocar o fracasso das colheitas de alimentos em Cuba…” As linhas seguintes não foram desclassificadas.

Em Junho de 1971 comprovou-se a presença na Ilha do vírus que causa a Febre Porcina Africana, o qual jamais havia sido reportado em Cuba. Foi preciso sacrificar centenas de milhares de porcos para evitar sua disseminação por todo o território nacional, com uma perda económica e alimentar de grande envergadura.

Em Abril de 1981 foram detectados em Havana vários casos de febre hemorrágica, provocando a morte de quatro crianças. Foi possível comprovar que se tratava de uma estirpe nova do vírus “Nova Guiné 1924”, serotipo 02, única no mundo naquela época, sendo uma estirpe elaborada em laboratório.

Em Agosto de 1981 detectou-se em Sancti Spiritus, província central de Cuba, o herpes vírus BHV2, endémico em África e isolado no laboratório de doenças exóticas em Plum Island , Estados Unidos. Esse agente viral é o causador da Pseudodermatose Nodular Bovina e afectou a produção de leite.

Em 1983 Eduardo Arocena declarou no tribunal de Nova York – que o julgava por assassinar um diplomata cubano acreditado na ONU – que, como agente da CIA, cumpriu a missão de introduzir germes patogénicos em Cuba, quando na Ilha enfrentava-se a epidemia do Dengue Hemorrágico.

A lista de semelhantes acções é ampla. Por isso não é de estranhar que a China agora seja alvo desse trabalho sujo que os ianques costumam executar [1] . Isto se deve à potência económica desse gigante asiático e em particular Wuhan, território de amplas transformações industriais que possui três zonas de desenvolvimento nacional, quatro parques de desenvolvimento científico e tecnológico, mais de 350 institutos de investigação, 1.656 empresas de alta tecnologia, numerosas empresas e investimentos de 230 empresas listadas na Fortune Global 500.

Ali tem sede a mega empresa Dongfeng Motor Corporatiion, complexo industrial que fabrica automóveis, unido a dezenas de institutos de educação superior, inclusive a Universidade de Wuhan que em 2017 ocupou o terceiro lugar a nível nacional, mais a Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong.

Nesse ano a UNESCO declarou Wuhan “Cidade Criativa” no campo do design e hoje está classificada pela Globalization and World Cities Research Network, como uma cidade beta mundial.

Os EUA já emitiram um aviso de viagem de nível 4, depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter declarado a eclosão como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional, em que exorta seus cidadãos e residente a não viajar à China.

O Departamento de Segurança Nacional informou que há 11 aeroportos designados, inclusive os Aeroporto Internacional John F. Kennedy, o Aeroporto Internacional de Los Angeles e o Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta, pelos quais os viajantes procedentes da China podem entrar nos EUA.

Por sua vez, o Departamento da Saúde declarou que “se os passageiros forem examinados e não mostrarem sintomas, serão relocalizados no seu destino final e se lhes solicitará que se ponham em quarentena dentro da sua casa”.

Para semear mais terror disseminaram a notícia de que “o coronavirus pode contagiar ainda sem sintomas”, segundo critérios do principal médico de infecções dos EUA. E em Hong Kong trabalhadores da saúde declararam-se em greve para exigir ao governo que encerre a fronteira com a China.

Há ou não há razões para suspeitar que a mão dos Estados Unidos está por trás da epidemia, com todos os antecedentes que a CIA tem em guerra biológica?
A China faz todo o possível para enfrentar a epidemia e constrói dois hospitais em tempo recorde, demonstrando ao mundo a vontade resolver o problema. Ao mesmo tempo, exibe a sua potencialidade económica, algo que enfurece os ianques que não seriam capazes de fazer algo semelhante.

Algum dia se saberá a verdade, mas enquanto isso a China seguirá seu passo firme para sair vitoriosa deste mal. Como disse José Martí:

“Não é possível que passem inúteis pelo mundo a piedade incansável do coração e a limpeza absoluta da vontade”.


[1] O governo dos EUA fez experimentos de guerra bacteriológica contra Coreia e a China na década de 1950.   Este facto está comprovado no Report of the International Scientific Commission for the Investigation of the Facts Concerning Bacterial Warfare in Korea and China (764 páginas, 235 MB).

Ver também:
China recibe medicamento cubano para enfrentar el coronavirusAcerca da guerra bacteriológica durante a Guerra da CoreiaBioarmas: Um crime do governo americano digno de NurembergExército dos EUA patenteia granada para lançar armas biológicas, violando a Convenção internacionalPreparação para guerra biológica?   Vacina contra o antrax para os soldados no Iraque, Afeganistão e Coreia do Sul

[*] Jornalista, cubano.


Estão na Lua

(Daniel Oliveira, in Expresso, 08/02/2020)

Daniel Oliveira

A Amazon cortou os planos de saúde para todos os trabalhadores com horário inferior a 30 horas semanais, tem números impressionantes de acidentes de trabalho, e, apesar de Jeff Bezos ser o homem mais rico do mundo, paga mal aos funcionários. Mas quando lhe perguntaram porque gastava mil milhões por ano para uma delirante corrida à Lua, que quer colonizar, respondeu que era a única forma de aplicar tantos recursos. Dar condições decentes a quem trabalha nas suas empresas seria um desperdício. Não é por acaso que Bezos e o “Washington Post”, que é propriedade sua, são dos mais virulentos inimigos de Bernie Sanders, que tem denunciado o que se passa naquela empresa e quer que uma pequena parte do dinheiro que está a ir para a Lua regresse à Terra através de um aumento do salário mínimo. E não é por acaso que os trabalhadores da Amazon são, no seu conjunto, os maiores contribuintes para a campanha de Bernie.

Para nos entendermos quanto ao rigor da expressão “antissistémico” temos de nos entender sobre o que é o “sistema”. Para alguns, é a democracia com os seus políticos eleitos, o Estado de Direito com os seus limites e o respeito por direitos humanos que protege minorias do ódio da turba. Neste caso, Donald Trump é antissistémico. Para outros, é a “situação”, com as suas contradições: a democracia e o capitalismo sem freio que a corrói, os direitos humanos e a perda de garantias laborais que os contraria, o Estado de Direito e os offshores que o enganam. Neste caso, Bernie Sanders e Donald Trump estão, por razões opostas, num mesmo saco de “extremistas” e “populistas”. Porque tudo o que esteja fora do que já existia é perigoso. É esta a convicção da CNN, que tem desenvolvido uma campanha contra Sanders ainda mais violenta do que há quatro anos, quando Donna Brazile entregou a Hillary Clinton perguntas que seriam feitas num debate com Sanders. No último debate democrata antes da balbúrdia do caucus do Iowa, a descarada falta de isenção do jornalista Wolf Blitzer fez da CNN a derrotada da noite. Por fim, há aqueles que, como eu, acham que o “sistema” é Jeff Bezos. O “sistema” é aquilo que nos faz acreditar que só o milionário Bloomberg poderia vencer o milionário Trump, mostrando que a democracia tem um preço que poucos podem pagar. Trump é uma versão musculada do “sistema”.

É por Trump e Bernie não serem duas faces da mesma moeda que toda a elite republicana se vergou perante um, a ponto de o deixar violar descaradamente a Constituição, enquanto a elite democrata fará tudo para impedir que outro seja o seu candidato. Como fez há quatro anos. É por isso que Hillary se recusa a dizer que apoiará Sanders se ele for o nomeado, enquanto Lloyd Blankfein, CEO da Goldman Sachs quando Trump foi eleito, escreveu que a sua vitória não era necessariamente má.

O “sistema”, nas suas várias componentes, não os vê da mesma forma. E se chegar a existir a possibilidade de Bernie Sanders ser Presidente, a campanha será impiedosa. Já começou, aliás. Bernie, o único que arregimenta para primárias eleitores que nunca lá tinham ido e que não votam nele apenas para derrotar Trump, só depende dos 18 dólares que recebeu, em média, de pessoas como as que trabalham na Amazon. E não há nada mais perigoso para um sistema que prefere ir à Lua a tratar com decência quem lhe garante o lucro do que esta liberdade.