Netanyahu toca, Trump dança e o Ocidente desaba

(Por José Goulão, in AbrilAbril, 25/04/2026, revisão da Estátua)


Ansioso por declarar vitória numa guerra que se apressou a dar como concluída com a entrada em vigor do cessar-fogo, Trump recebeu estas condições iranianas de ânimo leve, se calhar nem as leu.


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Como seria de esperar, o cessar-fogo na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão não passa de uma miragem. Apesar do ruído provocado por supostas cedências do Irão aos inimigos agressores e por enxurradas de declarações e as suas contrárias produzidas pelo transtornado Donald Trump, desmontar esta confusão levantada para consumo mediático é, afinal, muito simples. Washington está a tentar recompôr-se do fracasso de todos os objectivos políticos e militares da guerra, de modo a poder voltar a atacar; ou então busca uma saída airosa que, em termos de propaganda, possa transformar a derrota em vitória. Como, por exemplo, as tropas imperiais atlantistas fizeram no Afeganistão.

A mais recente decisão do presidente norte-americano (a prorrogação unilateral do cessar-fogo) não introduz qualquer alteração no status quo. É, afinal, uma declaração de derrota, disfarçada através de um gesto de suposta boa vontade que traz a contradição dentro dele. Para haver um autêntico cessar-fogo é necessário que os Estados Unidos abandonem a estratégia de bloqueio contra os portos iranianos, que o Irão considera um acto de guerra e desrespeita a cessação de hostilidades declarada há cerca de 20 dias. Mais uma canhestra jogada de propagada à medida da imbecilidade do seu autor, uma vez que a intenção de manter as tentativas de bloqueio persiste. Não deixemos, porém, de interpretar o gesto unilateral como uma manifestação norte-americana de pouca vontade para combater, como quem busca uma maneira de declarar vitória no meio do imbróglio a que aderiu por pressão sionista.

Por muitas estratégias vencedoras que o presidente dos Estados Unidos deseje exibir-nos, desmultiplicando-se em mentiras e contradições, no fim tudo se resume a uma única linha de conduta: Trump dança a música que Netanyahu toca.

No que diz respeito a esta nova fase da guerra contra o Irão isso acontece, pelo menos, desde a primeira quinzena de Fevereiro último. No dia 11 desse mês, o chefe do regime sionista fez uma extensa apresentação na Sala da Situação na Casa Branca – onde raramente têm assento estadistas estrangeiros – perante Trump e um núcleo restrito dos seus assessores.

Os pressupostos para uma bem-sucedida agressão contra o Irão apresentados por Benjamin Netanyahu, com toda a convicção, partiram dos princípios de que Teerão estaria maduro para uma mudança de regime; a vitória numa acção militar seria quase certa; o programa iraniano de mísseis balísticos poderia ser destruído em poucas semanas; o poder “dos ayatollahs” estaria tão enfraquecido que seria incapaz de bloquear o Estreito de Ormuz; o aparelho militar iraniano não tinha capacidade para atacar os aliados dos Estados Unidos e de Israel no Golfo. Além disso, apoiado em pareceres seguros do Mossad, o chefe sionista garantiu que, logo aos primeiros bombardeamentos, as populações agredidas iriam sublevar-se contra o regime, promovendo tumultos e rebeliões; e que os curdos do Iraque não hesitariam em invadir território iraniano, dispensando os militares norte-americanos de «pôr os pés em terra», e assim acelerariam a queda do regime. 

Netanyahu apresentou também uma lista dos dirigentes seculares que poderiam encabeçar um novo regime iraniano, nomeadamente Reza Palhevi, o herdeiro do antigo Xá, residente nos Estados Unidos, que assim iria repôr a monarquia fiel a Washington.

«Parece óptimo», declarou Trump aos presentes quando Netanyahu acabou a exposição. Pelo menos é o que revela o relato da reunião publicado pelo New York Times.

Nem todos os assessores emitiram pareceres tão optimistas. Por exemplo, o general Dan Caine, chefe das Forças Armadas, expressou reservas em relação ao plano mas declarou, desde logo, que se submeteria à vontade presencial. «Os israelitas precisam de nós, por isso sabem ser muito persuasivos», atreveu-se a dizer o general, mas o presidente estava surdo aos pareceres dos assessores. O vice-presidente Vance, que viajava pelo estrangeiro, expressou depois uma posição idêntica, como quem adverte «não digam que não vos avisei», mas também não foi escutado.

De acordo com dados publicados pela mais destacada comunicação social norte-americana, ainda não confirmados por via oficial, as reservas do general Caine acabaram por ser parcialmente úteis em fase posterior, ao dissuadirem o presidente de usar uma bomba nuclear contra o Irão. A par do principal chefe militar, todos os outros assessores presidenciais directos, com excepção do psicopata Peter Hegseth, ministro da Guerra, manifestaram idêntica opinião em relação à intenção presidencial, qualificando-a como uma tragédia suicida sem retorno e, potencialmente, de âmbito global. Trump não premiu o botão mas nada nos garante, na convulsão dos seus distúrbios mentais, que a ideia tenha sido posta de lado.

No dia seguinte ao da reunião na Sala da Situação, em 12 de Fevereiro, oficiais norte-americanos de inteligência “especialistas em Irão” apresentaram a Trump um relatório simples, na esperança de que este compreendesse o essencial. O documento dividia-se em quatro cenários de análise quanto aos possíveis resultados de uma eventual operação militar baseada nos pressupostos de Netanyahu: “Decapitação” do regime com o assassínio do chefe religioso Ali Khamenei; a fraqueza do Irão para conseguir atacar países árabes do Golfo; as eventuais revoltas populares contra o aparelho de poder que explodiriam logo aos primeiros bombardeamentos; e a mudança de regime para um outro de características seculares.

De acordo com a opinião dos analistas, os dois primeiros pontos eram exequíveis; os dois últimos, incluindo o papel dos curdos numa invasão terrestre, significavam que o chefe sionista “estava desligado da realidade”. 

Não se sabe se Trump passou os olhos pelo relatório dos peritos de inteligência, mas a sua decisão, alinhada com a vontade de Netanyahu, estava tomada desde a véspera.

Ao cabo de 40 dias de ataques cerrados e destrutivos dos Estados Unidos e Israel contra o território e o povo iranianos, privilegiando infraestruturas e comunidades de civis, e das respectivas respostas de Teerão, que provocaram sérias devastações de estruturas em nove países árabes do Golfo e em Israel, verifica-se que Trump e Netanyahu não atingiram nenhum dos objectivos delineados na reunião de 11 de Fevereiro.

De facto, os bombardeamentos não geraram tumultos e levantamentos, mas sim impressionantes manifestações de apoio à República Islâmica; o programa de mísseis balísticos continua activo e não tem poupado alvos estratégicos dos agressores; a vitória militar das forças imperial-sionistas continua distante; e as forças militares do regime de Teerão, afinal, tinham capacidade para bloquear o Estreito de Ormuz e atingir, provocando danos enormes, tanto os países árabes do Golfo como Israel.

Houve apenas a tal excepção que confirma a regra: o ayatollah Khamenei foi assassinado, mas a sua substituição pelo filho mais velho ocorreu logo de seguida, o que reforçou a solidez do regime, embora Trump queira fazer crer o contrário.

Dezenas de milhares de pessoas morreram nesta guerra, sobretudo iranianos, até à declaração de um cessar-fogo pelo qual os Estados Unidos afinal já ansiavam, porque a brutalidade criminosa dos ataques não conseguiu vergar o Irão. Pelo contrário, as bases militares norte-americanas e respectivos radares de milhares de milhões de dólares, instaladas nos países do Golfo, ficaram impraticáveis devido às saraivadas de mísseis balísticos e aos enxames de drones lançados pelo Irão. Por causa disso, a vida nos países do Golfo degradou-se a níveis que forçaram os mais poderosos a fugir nos seus jactos privados. Quanto a arsenais e munições disponíveis, consta que o Irão está em melhores condições de prosseguir uma guerra de desgaste, se a isso for obrigado; enquanto as carências e as limitações de armamento dos Estados Unidos, depois de anos de franca generosidade com a Ucrânia, Israel e países da NATO “ameaçados”, estão a refrear o voluntarismo militarista imperial-sionista. Uma realidade que se percebe pela declaração unilateral de prorrogação do cessar-fogo por tempo indeterminado

Uma declaração de vitória

Um dos mais significativos exemplos do fracasso dos pressupostos em que se baseou a agressão ilegal contra o Irão foi o que dava como certa a incapacidade de Teerão para bloquear o Estreito de Ormuz. O Irão não apenas concretizou o bloqueio, como o interrompeu num gesto de boa vontade para dar força ao processo negocial lançado no Paquistão; mas logo o restabeleceu, sem demora, na sequência de sucessivos delírios de Trump, principalmente quando garantiu que a República Islâmica cedera nas suas exigências para fazer a vontade aos Estados Unidos, a Israel e “à paz”.

Teerão definiu as condições para o movimento de navios, em especial petroleiros, através do Estreito de Ormuz: a passagem será exclusiva para navios comerciais – nunca de guerra – e desde que não tenham ligação «a países hostis»; a rota será estabelecida pelo Irão e a deslocação terá de processar-se sob a coordenação de forças iranianas.

Além disso, as autoridades de Teerão recusaram-se a participar numa segunda ronda de negociações no Paquistão porque os Estados Unidos mantêm a obsessão de bloquear portos iranianos, acto que o Irão considera uma violação do cessar-fogo.

Oásis artificiais sem viço

Trump envolveu-se no cessar-fogo, como um náufrago que se agarra a destroços de um navio, porque os objectivos da guerra estão a fracassar, um após o outro, devido ao facto de a capacidade de resistência e de resposta iraniana superar, em muito, as elucubrações do sionismo. A paragem temporária da agressão foi também do interesse de Israel, e não apenas por estar a sofrer as consequências – as mais graves de sempre – dos seus actos terroristas, o que evidencia, finalmente, que a impunidade tem limites.

A suspensão do envolvimento na frente iraniana permitiu a Israel investir com maiores capacidades na guerra permanente contra o Líbano. Segundo o Irão, e também os mediadores paquistaneses, o cessar-fogo era extensivo ao território libanês, mas o sionismo comportou-se como sempre e ignorou toda e qualquer decisão que tenha a ver com o pequeno país, reclamado pelos chefes do “povo eleito” como parte do ambicionado Grande Israel.

O Hezbollah, porém, continua a não estar de acordo com os anseios dos terroristas que governam Israel e responde-lhes à letra, contando com a solidariedade iraniana. O que acontece com bastante eficácia, e nem poupa, sequer, a cidade de Telavive, apesar de o governo colaboracionista de Beirute insistir na exigência de desarmar o grupo islâmico – por sinal o único que defende o país, porque ao exército regular libanês falta, desde sempre, coragem, patriotismo e vontade para se opôr aos agressores.

Outro factor determinante que forçou Trump a aceitar o cessar-fogo com ambas as mãos foi a pressão exercida pelos aliados do Golfo, que estão a contas com uma factura tão pesada que pode transformar-se em existencial.

Catar, Emirados Árabes Unidos – sobretudo o Dubai – Bahrein, Koweit, a própria Arábia Saudita tornaram-se alvos legítimos do Irão por albergarem bases militares norte-americanas usadas como áreas de agressão. E uma vez que os próprios países do Golfo se tornaram participantes directos na guerra, Teerão trata-os da mesma maneira que aos Estados Unidos e Israel. Por consequência, grandes áreas de produção e refinação de petróleo e gás natural desses territórios, sobretudo do Catar, sofreram danos que reduzem quase a zero as capacidades de exportação de tais produtos estratégicos, sendo que o remanescente não pode passar pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. 

Ora os paraísos artificiais do Golfo, ditaduras que alimentam as suas megalomanias com as exportações de combustíveis fósseis, necessitam de importar quase tudo o que lhes permita fazer funcionar o dia-a-dia e sustentar a insultuosa ostentação, que afinal tem alicerces de areias movediças. Agora, ao cabo de mês e meio de guerra, as ditaduras “nossas aliadas” da Península Arábica deixaram de exportar petróleo e gás e as imensas receitas da afluência de turismo endinheirado caíram para zero. Esses países não conseguem importar alimentos e outros bens essenciais de consumo; além disso, os bombardeamentos iranianos poderão deixá-los sem energia e água potável, produzida em sistemas de dessalinização que se tornaram alvos das operações iranianas.

Em pouco tempo, no caso de a guerra continuar, esses oásis artificiais que jorravam dinheiro e combustíveis para quase todo o mundo transformar-se-ão no inferno dos desertos que sempre foram – sem ar condicionado, água e alimentos quando o tórrido Verão se aproxima. O êxodo das classes possidentes e das próprias famílias reais em jactos privados testemunha o pânico que já começou a atingir esses territórios. Cheiks, emires, reis e os parasitas que deles se alimentam podem agradecer a situação aos amigos e aliados Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Aí está o efeito de boomerang

O Irão fez acompanhar o processo de cessar-fogo e o início das efémeras “negociações de paz” no Paquistão por um conjunto de dez exigências cuja aceitação é considerada essencial para que possa chegar-se a um acordo entre agredido e agressores.

Entre esses pontos estão a eliminação de todas as sanções económicas primárias e secundárias; o compromisso norte-americano e israelita de que não voltarão a atacar o Irão; o direito de Teerão a manter o programa de enriquecimento de urânio para fins civis; a aceitação do controlo da navegação no Estreito de Ormuz pelo Irão e Omã; a revogação de todas as resoluções e decisões do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atómica contra o Irão; a libertação de todos os activos iranianos congelados nos bancos ocidentais; e a proibição  de ataques dos Estados Unidos, de Israel e outros países do Médio Oriente contra os aliados do Irão.

Ansioso por declarar vitória numa guerra que se apressou a dar como concluída com a entrada em vigor do cessar-fogo, Trump recebeu estas condições iranianas de ânimo leve, se calhar nem as leu. Só assim se percebe a inicial disponibilidade do presidente dos Estados Unidos para aceitar os termos iranianos.

O conteúdo do documento iraniano, ponto por ponto, é a posição de um vencedor; ou, pelo menos, representa a confiança e a capacidade de quem continua pronto a responder a novas ofensivas que os Estados Unidos e Israel realizem. 

Num gesto de boa vontade a seguir à primeira reunião de negociações em Islamabad, o Irão decidiu desbloquear o Estreito de Ormuz, desde que os Estados Unidos levantassem o assédio aos movimentos de navios de e para os portos iranianos.

Como era de esperar, o caldo entornou-se de imediato e o Irão decidiu não comparecer à segunda reunião de negociações. Os Estados Unidos não só não levantaram as ameaças contra os portos iranianos como regressaram às atitudes de mentira e hostilidade em relação a todas as posições de Teerão.

Afinal, declarou Trump, era o Irão que aceitava as condições de “paz” norte-americanas. «O Irão concordou com tudo e trabalhará com os Estados Unidos para remover todo o seu urânio enriquecido», declarou Trump. Esse processo decorrerá sem utilização de tropas terrestres, segundo o presidente norte-americano. «Iremos descer e tomar conta do urânio enriquecido, com a ajuda da parte iraniana, e trazê-lo para os Estados Unidos», acrescentou Trump. «Óptimo, não é? Até lá teremos um acordo, e não haverá necessidade de combater quando existe um acordo. Assim é melhor; podíamos fazê-lo de outra maneira se fosse preciso», ameaçou.

O Irão, seguindo a ordem natural das coisas, voltou a fechar o Estreito de Ormuz; e o Ocidente que se prepare para as nefastas consequências: uma imensa e profunda crise económica e social gerada pela irresponsabilidade e o expansionismo imperial-sionista de Trump e Netanyahu.

O bloqueio do Estreito de Ormuz e os graves danos já provocados pela guerra nos maiores centros industriais de gás natural do Golfo, sobretudo no Catar e em numerosas instalações petrolíferas, tornarão cada vez mais difícil o abastecimento do Ocidente. As perturbações na indústria do gás natural liquefeito prejudicam também o aproveitamento de subprodutos como o hélio, a ureia e amónia. O primeiro é fundamental em áreas tecnológicas de ponta, como a produção de semicondutores utilizados em todos os artefactos electrónicos de maior consumo, incluindo os mais essenciais meios de diagnóstico na saúde. Ureia e amónia são indispensáveis para a produção de fertilizantes: a carência destes produtos terá efeitos trágicos nas necessidades e nos preços dos alimentos em vastas regiões do planeta.

Os Estados Unidos e Israel estão a perceber que o Irão não é o Iraque, a Líbia, o Afeganistão, ou mesmo a Síria de Assad. O Irão, por sinal o único país do mundo que está activamente solidário com o povo palestiniano – tem os seus trunfos e já demonstrou que poderá jogá-los e atingir os pontos fracos dos agressores. E também de outros países que, por cobardia ou cumplicidade, não tentam travá-los com os meios que o Direito Internacional – que ainda existe, sabiam? – coloca ao seu dispôr, assim eles o queiram.

Enquanto isso, as rotas de navegação estão bloqueadas entre os Estreitos de Bab el Mandeb – sob vigilância dos iemenitas aliados de Teerão – e de Ormuz, isolando o Golfo do Mar Vermelho e respectivo acesso ao Canal de Suez. Os navios comerciais seguem longas e dispendiosas rotas contornando África, até porque os prémios dos seguros por riscos de guerra subiram em flecha, para níveis incomportáveis.

Tudo isso se reflectirá nos nossos bolsos, agravando a miséria social, moral e económica do Ocidente, entregue a dirigentes medíocres, cobardes, sem humanismo, dignidade e coluna vertebral; uma casta apodrecida propícia a que dela emerjam aberrações intrinsecamente malévolas e sem limites como Donald Trump e Benjamin Netanyahu. 

O ataque ao Irão e o Grande Israel

(Por José Goulão, in SCF, 18/04/2026, revisão da Estátua)


Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.


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Não é novidade: os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão porque Israel iria começá-la de qualquer maneira.

Eliminar o Irão é uma obsessão sionista e também a condição que falta cumprir para desenhar “um novo Médio Oriente”.

Existem dois grandes interesses convergentes para liquidar o Irão independente. Washington pretende “terminar o trabalho” de conquista estratégica da Ásia Ocidental iniciado com a destruição do Iraque, em 1991, e continuado em 2003. O sionismo quer dar um grande e decisivo passo para a criação do Grande Israel, um velho sonho colonial.

A conquista sionista do território do “Nilo ao Eufrates” pouco tem a ver com a ambição do “regresso do povo eleito à terra prometida”.

Israel é um Estado colonial habitado por estrangeiros, maioritariamente oriundos de comunidades de judeus convertidos da Europa e dos Estados Unidos, populações que nada têm a ver etnica e culturalmente com os palestinianos praticantes da religião judaica.

O Grande Israel seria um imenso território geoestratégico, decisivo para assegurar o domínio sionista sobre toda a região, a rogo do imperialismo de matriz ocidental.

Para isso é necessário um novo “desenho” do Médio Oriente, só possível com a liquidação dos regimes nacionalistas e independentes ali existentes. O imperial-sionismo começou por destruir o Iraque, seguiu para a Líbia e para a Síria, neutralizou o Egipto, massacra o Líbano e continua a exterminar o povo palestiniano.

Para concluir o “trabalho” falta eliminar o Irão. Por isso, o cessar-fogo não tem qualquer solidez. O Irão sabe que Israel tomará a iniciativa – o que já está a acontecer no Líbano – e, mais uma vez, forçará Trump a seguir a sua estratégia. Entretanto, o presidente dos Estados Unidos multiplica provocações, com a tentativa de bloqueio aos portos iraniano, para obrigar Teerão a atacar a sua marinha e ter um alegado pretexto para romper o cessar-fogo.

Israel investiu forte nesse objectivo de tirar o Irão independente de cena. O Mossad conseguiu mesmo recrutar  o comandante supremo da Guarda Revolucionária, general Ismail Qaani. A Guarda Revolucionária é o corpo militar de elite da República Islâmica e o fulcro do “Eixo de Resistência” – formado por Teerão, o Hezbollah libanês e o derrotado regime nacionalista sírio – ainda a única resistência ao imperialismo na região.

O general Qaani foi o sucessor do mítico general Qassem Suleimani e chegou ao cargo depois de este ser abatido por ordem de Trump num atentado milimétrico no aeroporto de Bagdade, em Janeiro de 2020.

A traição de Qaani acabou por ser exposta devido aos sucessivos “milagres” que acompanharam a sua vida  recente:

em Setembro de 2024 abandonou uma reunião num incógnito bunker no sul de Beirute minutos antes do brutal bombardeamento israelita que matou o chefe do Hezbollah, Hassan Nasralah, e a cúpula do partido;

em Julho do mesmo ano, o chefe do Bureau Político do Hamas, Ismail Hanieh, foi assassinado pelo Mossad quando se encontrava sob protecção de Qaani em instalações de alta segurança da Guarda Revolucionária, em Teerão;

ainda em 2024, em Teerão, o general Qaani escapou de um bombardeamento preciso e letal a um edifício que abandonara pouco antes de ser bombardeado pelos Estados Unidos;

em 28 de Fevereiro último, o chefe da Guarda Revolucionária esteve na reunião com o ayatollah Khamenei e a maioria dos altos dirigentes iranianos, mas saiu do edifício oito a 15 minutos antes do bombardeamento que liquidou o líder espiritual;

nesse mesmo dia, os bombardeamentos da aviação norte-americana e israelita foram de uma enorme exactidão contra muitas das mais sensíveis instalações de defesa da República Islâmica.

Apesar da traição e das consequências desastrosas da agressão, o Irão está a recompor-se, resiste, contra-ataca e forçou um cessar-fogo humilhante para o imperial-sionismo. As ditaduras do Golfo, Israel e as bases militares norte-americanas na região acumulam danos e não tiveram um dia de descanso sob os mísseis e drones iranianos. Teerão fechou o estratégico Estreito de Ormuz e mantém a economia mundial sob crescente pressão, de tal modo que Trump chegou a pedir auxílio aos países europeus da NATO e, imagine-se, à China Popular para quebrar o bloqueio. A tentativa de bloqueio dos portos iranianos tem igualmente como objectivo fazer represálias à China, devido à oposição deste país à agressão ao Irão.

Os povos que habitaram e habitam o planalto iraniano ao longo de milénios aprenderam que a defesa contra inimigos tecnologicamente superiores se faz com resistência, organização e paciência. E que a guerra de atrito se trava à distância, por pressão indirecta e prolongada no tempo. O imperialismo, por seu lado, começa a dar sinais de que o tempo não joga a seu favor.

A resistência do Irão independente é fulcral. A sua derrota representaria um enorme reforço do domínio estratégico do imperialismo sobre a fundamental Eurásia. Seria ainda como uma larga porta aberta para a construção do Grande Israel e um passo de gigante para a imposição do desumano regime globalista neoliberal. Os povos do mundo ficariam então numa situação aterradora.

Fonte aqui

Quando os depravados se tornam heróis

(Por José Goulão, in AbrilAbril, 30/03/2026, revisão da Estátua)


Enquanto os degenerados heróis se dedicam ao que melhor sabem fazer – a guerra, o desprezo e o assassínio de pessoas inocentes – o Ocidente, hipócrita e com duas caras, vai culpando Trump pela situação, enquanto continua a apoiá-lo como se o Irão fosse o inimigo que não é.


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E de súbito saiu de cena a podridão trazida parcialmente à superfície pelo muito pouco que ainda se conhece sobre os chamados «documentos Epstein». Os depravados, corruptos e predadores sexuais que neles constam assumiram agora a sua faceta de heróis salvadores da humanidade numa nova cruzada para tentar erradicar os hereges do planeta e fazer valer os inquestionáveis «valores ocidentais». Se possível, sobretudo, para tentar garantir a posse eterna e plena das terras e das riquezas mundiais que nos foram ofertadas por mandato divino. 

A trama criada por um obscuro professor do ensino médio pedófilo, não muito inteligente mas com uma esperteza imensa e o dom inato da chantagem, é algo de tenebroso muito diferente do que já se conhecia. Não é uma sociedade secreta, uma máfia organizada, um culto, uma clique em busca de poder, uma fraternidade, uma entidade conspirativa ou golpista guiada por padrões comuns.

Tal como é possível apurar até agora, momento em que as malhas censórias tecidas pelo capitalismo clandestino dominante apertam cada vez mais a divulgação substancial da teia, os documentos Epstein põem a nu as alienações entranhadas na superestrutura globalista do sistema transnacional da «democracia liberal». Revelam os desvios comportamentais e a insensibilidade da elite mundial governante, corrupta, sem princípios e que abusa, sem pudor nem limites, sexual e socialmente, dos mais fracos, discordantes e indefesos. Os factos conhecidos demonstram que as âncoras deste sistema de poder absoluto, desde os regimes políticos, militares e financeiros dos Estados Unidos, Reino Unido e Israel a extractos das cliques governantes e diplomáticas de países da União Europeia e da NATO, se alimentam da guerra, do roubo indiscriminado de fundos nacionais, depósitos bancários e matérias-primas, do terrorismo, das mega fraudes fiscais, com desprezo absoluto pela vida humana, a lei e as instâncias internacionais. Façamos uma excepção para a Espanha de Pedro Sánchez, que dá uma lição de independência a todas as marionetas de Washington e Telavive.

Epstein tinha um enorme talento, neste ambiente marcado pelos atropelos neoliberais, para trabalhar os egos imensos, a gula, a ganância e a amoralidade das minorias influentes e determinantes, para quem o dinheiro e o poder valem tudo, sob a cobertura do conceito aberrante de mercado livre. E para manipular e tirar proveito desta ambição desmedida, organizava convívios de conluio e decisão nos quais os ilustres convidados podiam também refastelar-se em orgias sexuais, sobretudo de carácter pedófilo, que lhes permitiam dar largas às depravações e à impunidade de cada um e cada uma.

Neste quadro, as agências de inteligência faziam os seus jogos recorrendo aos eficazes instrumentos de que dispõem, desde escutas, filmagens, espionagem directa, criando um acervo de material de chantagem para que o sistema se alimentasse a si mesmo num doentio ciclo vicioso. Aliás, alguns dos documentos e o «Livro Negro» agora expostos, contra a vontade de Trump, estavam em poder do FBI há oito anos.

Epstein funcionava assim como um mestre de cerimónias de um convívio global onde se cruzavam os altos e poderosos de todas as áreas de actuação – políticos, banqueiros, banksters, os ricos dos ricos, de Musk, Branson ao «benfeitor» Gates; congressistas, senadores, deputados, reitores de universidades da Ivy League, presidentes, ministros, príncipes, princesas, sheiks e emires; velhas famílias do establishment, CEO’s, administradores, escritores, pivots de TV, comentadores, ideólogos, directores de jornais e jornalistas afamados; donos dos principais fundos abutres, celebridades do jet set, finórios da moda, vedetas de Hollywood, sem esquecer os gangues Rothschild, Rockefeller e Maxwell; e ainda os serviços secretos e dirigentes de Israel, até ao cargo de primeiro-ministro. Enfim, a nata da governação, da comunicação e da «cultura» do Ocidente. 

Ehud Barak, o último chefe do sionismo trabalhista, um dos exterminadores do «processo de paz» e carrasco de Gaza, tinha «escritório» numa mansão de Epstein em Manhattan, Nova York. Barak solicitou ao anfitrião que lhe desse pareceres sobre os seus escritos públicos, incluindo o livro de memórias intitulado Meu País, Minha Vida: Lutando por Israel, Buscando a Paz. A «paz» que está à vista de todos.

Quanto a Robert Maxwell, imperador da imprensa/propaganda anglo-saxónica, tinha laços directos a Epstein através de uma filha, Ghislaine Maxwel, alcoviteira de luxo associada a este obscuro ex-professor. Está detida e viva, por enquanto. Maxwell era também um financiador directo do regime sionista; morreu prematuramente, e em condições misteriosas, em consequência do suspeito naufrágio do seu iate. No funeral, realizado em Jerusalém Ocidental, compareceram Shimon Peres, que foi primeiro-ministro e presidente de Israel, e dois ex-directores da Mossad.

Uma das figuras centrais dos documentos divulgados até ao momento é Peter Mandelson, também conhecido como «príncipe das trevas», por ter sido o principal conselheiro do vigarista e criminoso de guerra Anthony Blair na transformação do Partido Trabalhista britânico no novo «Partido Trabalhista» neoliberal. Mandelson idealizou e montou a campanha de calúnias contra o dirigente trabalhista de esquerda Jeremy Corbyn, que o forçou a abandonar a direcção do partido e o próprio partido.

No quadro da ligação íntima e directa que cultivavam, Mandelson informou Epstein cinco horas antes de a União Europeia anunciar, em plena crise de 2010, que iria desbloquear 500 mil milhões de euros para «salvar» a Zona Euro, mergulhada em crise existencial. Foi o maior delito de iniciados de que há memória.

Victoria Harvey, companheira nestas andanças de André, irmão do rei de Inglaterra, declarou um dia: «Quem não estiver nos documentos Epstein é porque é um looser» (fraco, incapaz, perdedor).

Epstein não era um frequentador entusiasta do Fórum de Davos, o cenáculo neoliberal globalista, onde «se perde muito tempo» mas, no entanto, «se encontram pessoas fascinantes».

Entre essas pessoas «fascinantes» e frequentadoras do Fórum Económico Mundial estavam o diplomata norueguês Roed-Larsen, um dos mediadores iniciais do Acordo de Oslo entre israelitas e palestinianos, e Børge Brend, que em Fevereiro renunciou ao cargo de presidente daquela instituição. Em tais ocasiões, de acordo com documentos tornados públicos, os convivas concluíram que «a ONU não serve para nada» e o direito internacional é «um entrave». O Fórum de Davos deve substituí-la e permitir que a elite mundial dite a sua lei, uma espécie de privatização dos mecanismos de gestão da legalidade internacional.

O primeiro ensaio desta «solução» é o chamado «Conselho de Paz» para Gaza, inventado por Trump e no qual os países que pretendam aderir serão obrigados a pagar mil milhões de dólares.

Trump e os outros

A divulgação dos documentos Epstein incidiu, sobretudo, no facto de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ser um dos participantes nos eventos proporcionados pelo «doutor financeiro para os ricos», como se intitulava o facilitador, na sua ilha privada de Little Saint-James. Nada que surpreenda: Trump tem o perfil ideal dos amigos e convivas depravados de Epstein.

Trump ficou colocado, deste modo, no epicentro do escândalo, apontado a dedo por adversários políticos que pouco ou nada diferem dele.

Vejamos o caso do casal Clinton. Ele, William, o carniceiro dos Balcãs que pulverizou a Jugoslávia a ferro, fogo e sangue, era uma espécie de convidado de honra e prestigiador dos saraus de Epstein na sua ilha, aos quais se seguiam voos em jactos privados para outros jardins de delícias. O ex-presidente democrata norte-americano era mesmo um dos amigos que sugeria nomes a convidar para os festins na ilha ou outros paradeiros. Ela, Hillary, esquartejadora da Líbia e da Síria, pertencia também ao círculo de amigos do mestre pedófilo, o qual, segundo a versão oficial, se suicidou na prisão em 10 de Agosto de 2019. Um suicídio muito conveniente.

Os Clinton continuam no escalão mais elevado da hierarquia do Partido Democrata, que agora reclama a sua superioridade moral para atacar Trump. Por muito que se esforce, esta outra face do partido Estado norte-americano nada tem de santidade em tão repelente evangelho.

Num email a Peter Thiel, chefe da empresa de corrupção e conspiração Palantir, financiada pela CIA, Epstein elogiou a «confusão no Médio Oriente», por ser tudo o que Obama queria. Por isso, acrescentou em relação ao processo sangrento que culminou com a entrega da capital da Síria à al-Qaida, «teremos de admitir que foi uma estratégia executada com brilhantismo» – obra lançada e chefiada no terreno por Hillary Clinton. Antes disso, a secretária de Estado de Obama tinha conduzido pessoalmente a criminosa implantação da anarquia terrorista na Líbia – transformado num país falhado.

Parece agora, no entanto, que ninguém se dava com Epstein, a não ser em encontros esporádicos, fugidios, mesmo fortuitos; ou, pelo menos, os seus amigos simulam que desconheciam as actividades de pedófilo e de proxeneta de luxo para as elites. 

No entanto, é difícil acreditar que um qualquer frequentador das actividades deste facilitador das elites, que na sua ilha ajudava os ricos e os advogados de grandes fortunas a manter milhões e milhões de dólares à margem das leis fiscais, não conhecesse o seu comportamento pedófilo. Não era possível que ignorasse o facto de Epstein ter cumprido pena de prisão por abuso sexual de crianças e pornografia infantil entre 2009 e 2010.

«Como vai a tua vida afortunada e dissoluta?», perguntou-lhe, em 2017, o democrata e antigo secretário do Tesouro da Administração Clinton, Larry Summers. Ao que Epstein respondeu: «Quando nos encontrarmos vou esforçar-me por te fascinar com histórias loucas de Washington».

Ariane de Rothschild, chefe do grupo bancário francês Edmond de Rothschild, mantinha amigáveis conversas com Epstein. «A turbulência na Ucrânia deve proporcionar-nos muitas oportunidades», dizia. E, por outro lado, depois do golpe em Tripoli, quando «os líbios passaram a ser “legítimos”», haveria de ter atenção especial aos milhões dos seus activos congelados. Epstein confessou-lhe então que «estava a trabalhar» com o MID, a direcção de inteligência militar de Israel, e também com a Mossad, para «identificar activos roubados e recuperá-los». Os serviços secretos israelitas, claro, negam que tivessem qualquer relação com Epstein. Sem dúvida um credível desmentido. Tudo isto se passava durante a administração democrata de Barak Obama.

É muito improvável que o conteúdo de milhões e milhões de documentos espalhados pelos armazéns e residências de Epstein venha a ser conhecido na sua plenitude e gere quaisquer medidas contra os predadores identificados. Os indícios de censura à documentação surgiram logo no início da divulgação, e de uma maneira que revelou o espírito doentio das próprias autoridades judiciais: muitos dos arquivos foram expostos de maneira a que seja possível identificar algumas vítimas, enquanto rostos e nomes de predadores são ocultados. Os abusadores não manifestaram qualquer piedade pelo sofrimento das crianças, ou mesmo adultos, que torturavam, meros objectos para satisfação de depravações humanas, o que corresponde à recrudescência do desprezo pelas pessoas nas deformadas sociedades modernas, como é próprio do sistema capitalista. «Sobretudo nunca peçam desculpa», era o conselho habitual de Epstein aos seus ilustres clientes.

A nova hora dos heróis

Toda esta cáfila de delinquentes que sofrem de comportamentos desviantes saltaram, num ápice, da secção de escândalos da comunicação social globalista para a dos heróis. Bastou-lhes seguir o criminoso Benjamin Netanyahu, também relacionado com Epstein e a contas com um mandado do Tribunal Penal Internacional, na injustificada e ilegal guerra contra o Irão.

Nesta transição temática existe, em comum, o desrespeito pela lei e pelo Direito Internacional – uma recomendação de Epstein aos seus ilustres hóspedes, de modo a entregar ao Fórum Económico Mundial (de Davos) a gestão dos assuntos mundiais.

Caprichando nas sevícias contra civis, entre os quais centenas de crianças, os heróis que fossavam em orgias pedófilas estão, no entanto, a sentir mais dificuldades na guerra do que aquelas a que o estatuto de impunidade os habituou.

Pela primeira vez, o Estado sionista prova a sério do veneno letal que durante quase 80 anos tem forçado outros a ingerir, sobretudo os palestinianos. O Irão independente dá sinais fortes de continuar a resistir, como conclui a própria imprensa de «referência» do regime norte-americano ao reconhecer que nenhuma das bases militares dos Estados Unidos em países do Golfo Árabe-Pérsico está habitável e funcional.

Trump, sem rumo e continuando a crer no realismo das suas próprias e voláteis ilusões, anda numa dobadoira prometendo o ataque final contra Teerão enquanto, juntamente com o aparelho sionista de agressão, vai falando em negociações e ficando com escassez de munições numa guerra de desgaste que parece não ser-lhes favorável.

Aos heróis directamente envolvidos nos ataques juntam-se os outros de sempre, com maior ou menor discrição, no apoio ao crime sangrento. Entre eles, o Governo de Portugal, cúmplice da agressão ao disponibilizar a Base das Lajes como plataforma de guerra. A vida dos portugueses corre sérios riscos em consequência da cegueira dos seus governantes, do seguidismo e do papel de capacho dos Estados Unidos e do selvático sionismo. Culpemos apenas Montenegro e os seus asseclas do «arco da governação» pelo drama que é o facto de o território português estar sob mira do Irão – por muito que tentem fazer-nos crer que isso não acontece.

Enquanto os degenerados heróis se dedicam ao que melhor sabem fazer – a guerra, o desprezo e o assassínio de pessoas inocentes – o Ocidente, hipócrita e com duas caras, vai culpando Trump pela situação, enquanto continua a apoiá-lo como se o Irão fosse o inimigo que não é. Teerão apenas tem apoiado os massacrados palestinianos e outros povos desprotegidos da região, numa estratégia que manteve Israel em respeito. 

Se levarmos Jeffrey Epstein a sério, amanhã não será a véspera do dia em que o assassino Donald Trump cai do trono, apesar das ameaças que surgem de vários azimutes e que não passam disso: ameaças verbais. Nas conversas íntimas que tinha com o confidente Peter Mandelson, o pedófilo e proxeneta de luxo gabava-se do poder que tinha sobre Trump: «sou o único que pode fazê-lo cair».

Verdade, soberba, farronca ou confiança de chantagista emérito, Epstein já cá não está; mais do que suicídio, talvez alguém o tenha «suicidado». São coisas que acontecem nos meandros da «democracia liberal».

Além disso, mesmo que Trump perca o pé, não estamos seguros de que não seja substituído por outro ou outra da mesma laia.

Em boa verdade, apesar dos que gostam de espalhar ilusões para aparentar uma absurda superioridade moral e política, Trump não é apenas a pessoa de um sociopata, é o próprio sistema. O sistema de «democracia liberal» aparentada com o fascismo no qual os Epsteins desta vida podem ser mestres ou, em português anglo-saxónico, superdotados influencers globais.