O BERNARDITO e o RICARDITO!

(Joaquim Vassalo Abreu, 23/01/2017)

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Parece dupla de palhaços, mas não é, descansem. São jornalistas e foram engravatados, entrevistar o Sr. Presidente.

Era a sua coroa de glória: Iam entrevistar o mestre dos baralhos, um sábio prestidigitador, o cenografista maior do reino, três estrelas Michelin em vichyssoises, nadador emérito, beijoqueiro empedernido, mais tudo o que à cabeça agora não me vem, mas Sr. Professor Doutor e Sr. Presidente da República, até agora isento e sem mácula.

Tarefa árdua para qualquer um, que não para eles. Um, o Ricardinho, jornalista encadernado e experiente, mais timorato e prudente. O outro, o Bernardito, tendo Ferrão no nome, pensou ser uma serpente e, num assomo de sedução e enleio, como se na sua frente uma Cleópatra estivesse, tentou com veneno atingi-lo.

Mas o Bernardito, coitadito, pensando que sendo um Ferrão, podia ser também galifão, para tal só possuía um ferrãozito…coitadito.

É que o Bernardinho, coitadinho, que mesmo sendo Ferrão não tem mais que um ferrãozinho, não passa, afinal, de um pintinho…coitadinho.

E foi mandado, ele mais o Costa, mas o outro, para entrevistar o Marcelo. Que bom, era o seu dia de glória. Mas diante de um inteligente, superinteligente aliás, e com as características todas acima enunciadas, mais ainda outras tantas que todos sabemos e conhecemos, o normal seria, indo às mais profundezas do seu ser, buscar toda a inteligência que por lá pudesse encontrar. E, convencido essa inteligência toda ter encontrado ela, afinal, não passava de esperteza. Mas da saloia, como o povo diz. Coitado, coitadinho, do Bernardo, do Bernardinho.

E a sua espertezazinha, diante de um inteligente, superinteligente, mais uma vez corrijo, calejado e avisado, instruído e informado, perspicaz e arguto oponente, transformou-se e transformou-o em coisinha…coitadinha. Até dava peninha…

Ter-lhe-á passado, pela sua cabeça de periquito, enrascar o Marcelo? Deu-se mal, como seria óbvio para todos, menos para o Bernardinho, coitadinho…Que irá dizer, depois, ao seu “chefezinho”? Mas ele estava ali ao lado, caladinho, resguardadinho, e deixou-o queimar-se em fogo lento, lentinho, ouvindo o contrário do que queria ouvir, insistindo em perguntar o queria perguntar para o tentar enrascar, mas sendo repetidamente atropelado, mesmo que serenamente, por um inteligente, um superinteligente, reafirmo, que não apenas esperto.

E saiu de lá feito num coitadinho. Imagino que vociferando contra o colegazinha, mas também chefezinho, por não o ter escudado, o tadinho. Tadinho do Bernardinho. Que mesmo sendo Ferrão, deve-o ter bem pequeninho, que pensando veneno expelir, este não passava de vinho. Mas água pé, que só se bebe com castanhas…castanhinhas e quentinhas.

Que o tempo tinha passado depressa…pois tinha! Não tinha era mais perguntas, daquelas de fel tornado mel, pelo Marcelo !

O Ricardito, o Costa, mas o outro, deveria estar farto de se rir por dentro. Não com as respostas do Marcelo, mas com a figura do Bernardito, tão pequenito, coitadito.

Ó Marcelo, assim também não vale! Desculpe, Sr. Presidente, assim não vale! Estava V. Exª nos seus aposentos, rodeado de quadros e de artes várias, de livros e carpetes, de flores e jardins, de malmequeres e querubins e vão-lhe perguntar “se não se sentia só”? Eu até enfatizo, para destacar o topete. Se não tinha vida e coisas assim? Coisas assim tão transcendentes, assim como se pensassem que na sua frente estava um “Trump” qualquer…eu, que estava a ver a coisa com um cunhado, olhei de soslaio para ele, e desatamos numa gargalhada tal, que só visto. Coitadinhos…

Pois, mas…e a Dívida, Sr. Presidente? E os Juros, Sr. Presidente. Apanhámo-lo, devem ter pensado, assim como quem pergunta: este governo, que tanto apoia, resolveu? Deviam ter imaginado com quem se iriam meter. E o que lhes disse o Marcelo? Que queria um governo forte, mas também uma oposição forte. Eles não entenderam…

Eu se fosse ao Marcelo, tinha era pegado num chinelo…


Fonte aqui

GO ON PEDRO, GO ON…

(Joaquim Vassalo Abreu, 18/01/2017)

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Zeca Mendonça

Já não é a primeira vez que lhe escrevo, e todas elas foram para lhe incutir força, ou melhor, para o estimular. Uma vez rogando-lhe para continuar, outra para não desistir, outra para lhe ensinar como se mudava Portugal até mas, desta vez, troquei de título para não pensarem ser isto uma novela mexicana ou um romance de cordel. Não, cada uma tem o seu objectivo e conteúdo.

Há bocado olhei assim de soslaio para a TV e assisti a parte do seu duelo com o “Babusha” e tirei-lhe o chapéu. Bem, tirar-lhe o chapéu é uma forma de dizer porque mais dia menos dia terá mesmo que andar com ele enterrado, tal a calvície que já ostenta e careca de saber que como o “Babusha” tem o cabelo todo, não é tarefa fácil ir-lhe à cabeça e vai ter mesmo que andar com ele enfiado.

Mas eu, em vez do título acima, enquadrado sempre no espírito inicial, até estive para inovar e recorrer ao célebre “ We Never Walk Alone” mas, exceptuando a escolha de candidato à Câmara de Lisboa, noto que tem os brasonados do partido todos consigo na questão da TSU, a improvável aliança sua com a extrema esquerda radical, que tanto os excita nela vislumbrado a sua ressurreição, e não o aconselho a que meta o futebol nisto tudo e verá porquê.

Apesar de se dizer para aí que é dos carecas que elas gostam mais, eu sei que a calvície o vai atormentando, e aí nada tenho a aconselhar-lhe mas, naqueles momentos entre a fala e o riso, notei o seu semblante carregado, assim como quando a gente anda com uma coisa na cabeça e ela não nos abandona, está a ver? Não é a TSU porque, está visto, parece que é para o lado que melhor dorme, mas é a Câmara de Lisboa, não é? É que não há meio de desancar com um nome.

Até aquele seu suposto amigo, aquele que teve a distinta lata de lhe chamar “cata-vento”, ele que a isso nunca chegará pois se apanha uma rabanada mais forte vai é ladeira abaixo, anda a mandar nomes para o ar, e só pode ser para os queimar e lhe, a si, lixar a vida.

Ele anunciou que você contactou, e repare que ele não disse terá contactado, um tal de Moniz, mas eu aconselho-o a que desconfie. É que esse Mendinhos, seu suposto amigo, também é benfiquista e quer é ir ocupar o lugar do outro, o tal de Moniz. Portanto, o melhor é não lhe dar bola, nem tão pouco ir à bola com ele. Sinal insofismável de como o Futebol nada une e tudo separa.

Repare só naqueles painéis das TV´s sobre futebol, tanto no dia como no dia seguinte: Na RTP3 são todos das esquerdas. Excluídos, sem mais. Naquele da SIC Notícias ao domingo também são todos do futebol e, portanto, são também para esquecer. Naquele da TVI24, às segundas, o do “Ó Sousa Martins, ó Sousa Martins”, são todos direitolas, mas o Serrão é do Porto e os outros devem ser mais Cristas. E são muito, para não dizer muitíssimo, destravados! Para olvidar também.

Que resta então? Exactamente: o “Dia Seguinte”, também na SIC Notícias e também às segundas. São todos do seu partido, sendo que um deles é do Porto, de Matosinhos e de Gaia, pelo menos, e só vai a Lisboa para a “peia”. Restam, portanto, o Rui Gomes da Silva e o Rogério Alves, ambos Advogados, mas Lisboetas.

Ora no Rui Gomes da Silva nem os benfiquistas votam. E como também não votam no Rogério…está visto, é tudo para esquecer. Você ouça-me: se quer ganhar faça como o Rio fez no Porto e não se meta com o futebol. Hostilize mesmo, se preciso for. Percebeu agora?

Eu sei que isto que lhe vou dizer, o nome que lhe vou indicar melhor dito, é assim como um coelho tirado da cartola e, por isso, desculpe lá a imagem, mas você tem aí dentro, dentro da sede, um autêntico dinossauro, um tipo que do seu partido sabe tudo, conhece todos os seus amigos e inimigos, e também de todos os seus antecessores, tem-nos todos na mão e que, mesmo sem nunca o ter ouvido falar, é o eterno e reservado adido de imprensa do PSD. Esse mesmo: o Zeca Mendonça!

Eu sei que ao fim destes anos todos, o que mais nos ficou na retina foi aquela cena da rasteira que pregou a um repórter de imagem, talvez porque lhe estivesse a interromper o seu apressado passo. Nunca se soube ao certo. Eu escrevi na altura que aquilo tinha mão, ou pé, do Relvas mas, visto melhor, isso até será um trunfo, pois é um tipo que a gente vê sempre à frente do chefe, a desimpedir a passagem e sempre a abrir e a fechar portas, seja dos carros seja dos gabinetes. Quer melhor?

A este ninguém o pode acusar de falta de “PSDismo”, de falta de lealdade, nem sequer de não saber “rasteirar”. Ele rasteira com souplesse, corpo hirto e olhar em frente. É a solução, Pedro!

Vai perder? Que importa? Não é apenas um “adido”? Você sai vivo da coisa, ninguém se machuca, o Zeca Mendonça volta ao seu posto e a vida continua, não será?

Portanto, Go on, Pedro, sem medos!

Yours Sincerely, que em Português quer dizer: não tem nada a pagar!


Fonte do artigo aqui

A tia Assunção a fazer um número. Saiu-lhe tão mal

(Por Penélope, in Blog Aspirina B, 17/01/2017)

Um autêntico número de circo

Um autêntico número de circo

 

O senhor mentiu! O senhor mentiu perante este Parlamento” – vociferava há pouco Assunção Cristas na AR, dirigindo-se a um impávido António Costa. Dizia ela que o acordo de concertação social não tinha ainda sido assinado, que tinha fontes seguras, seguríssimas e fresquíssimas segundo as quais não, não tinha sido assinado por todos. O senhor mentiu! Costa não se descompôs e respondeu-lhe que, embora não houvesse cerimónia oficial de assinatura, as assinaturas lá estariam (como já estavam, de facto, em curso).

Bom, para até o José Gomes Ferreira vir dizer depois, na SIC N, que a tia dramatizou (calma, a «tia» não é dele e, além disso, começou vergonhosamente por corroborar Cristas), que era evidente que o acordo estava firme e que a assinatura era uma mera formalidade, o excesso de calor acusatório e de drama correu mesmo muito mal à líder do CDS. Quanto ao Ferreira, o texto em rodapé na televisão confirmando a assinatura não lhe deu outra hipótese que não fosse reconhecer o óbvio, caso contrário estaria a pedir, por detrás da autoridade dos seus óculos, a demissão de António Costa.

Mas, para além deste número patético de agressividade com tiros de pólvora seca, Cristas ainda se atreveu a dizer que o Governo PS era minoritário e que buscava acordos para poder governar, pelo que, atenção, Costa não devia estar ali. Este lembrou-lhe que o seu governo não era de coligação, como o anterior, uma espécie de fusão, e fez-lhe um breve resumo do acordo específico estabelecido com os restantes partidos à sua esquerda e o que isso implica. Infelizmente, esqueceu-se de lhe lembrar que, se o PSD tivesse podido governar, uma aspiração chumbada por uma maioria na Assembleia mas que Passos continua a considerar viável, só poderia fazê-lo precisamente buscando acordos a toda a hora, numa base muito mais instável do que aquela em que o governo assenta. Há uma razão para estar na oposição.

Não tenho por hábito acompanhar, nem sequer ver mais tarde, os debates quinzenais na Assembleia, mas hoje deu-me para ir ver o que se tinha por lá passado. Diria que ninguém tem juízo e sentido de responsabilidade a não ser o governo. Consigo perceber a estratégia dos elogios de Costa ao PCP e ao Bloco e respectiva coerência, mas o que dizem e o que pretendem,  benza-os deus, é totalmente irrealista e o desprezo pelos chamados “patrões” é inaceitável, mesmo que Costa tenha repetido ad nauseam que 56% das empresas abrangidas pela baixa (transitória) da TSU têm menos de 10 trabalhadores e 80% menos de 50. Não interessa. Para esses partidos, ser patrão é uma espécie de crime e o seu mero estatuto faz deles uns malfeitores. Idem para os banqueiros. Obviamente, para eles, só o Estado pode ser patrão e banqueiro. Há pachorra para esta conversa? Não há.

O PSD parece que fez triste figura, como seria de esperar, mas confesso que não vi. Apenas as acusações de António Costa, que me pareceram suficientes para os arrumar.


Fonte: A tia Assunção a fazer um número. Saiu-lhe tão mal | Aspirina B