Que belos cromos à pala do orçamento

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 23/02/2026, Revisão da Estátua)


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O Governo contrata por 11 mil euros, em ajuste direto, maquilhadores e cabeleireiros para embelezar a imagem do Governo. (é mesmo verdade, não é sátira, ver notícia aqui).

Porque quando a substância falha, entra a maquilhagem. Quando a política rebenta tudo, entra o styling. Quando a governação é incompetente, entra o verniz.

Este executivo especializou-se nisso: Cosmética Política.

Pegou no que estava a funcionar e implodiu. Pegou no que já estava frágil e deixou degradar.

E, no meio disto tudo, investe na única área onde tem mostrado verdadeira consistência: gestão de imagem e PowerPoints.

Tal como a Spinumviva operava na lógica do balcão de interesses, este Governo move-se com a mesma fluidez entre o público e o privado — sempre com uma bússola muito clara: quem ganha com isto no topo da pirâmide?

Enquanto isso:

— a saúde pública ficou muito pior.

— as negociatas e transferência de dinheiro da classe média para os mais ricos está nos máximos.

— os pacotes laborais para esmagar quem trabalha em nome dos lucros de quem manda são desenhados às escondidas.

— a habitação transforma-se num parque de extração para especuladores e bilionários.

Mas calma — a franja está impecável para a conferência de imprensa.

Isto não é governar…tal como a chuva falsa nos vídeos do CHEGA, isto é performance para enganar patetas.

Muito ruído. Muito enquadramento. Muito spin. Muito “a culpa era dos outros” E cada vez menos Estado a funcionar.

No fim do dia, a mensagem implícita é simples: não te veem como cidadão — veem-te como dador de votos que precisa de uma boa imagem no ecrã para não olhar demasiado para os números.

É o CHEGA 2.0, com menos tom de taberna, mais bem barbeado e com melhor maquilhagem.

Foi tudo um desastre – a tempestade e o Governo

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 31/01/2026, Revisão da Estátua)


Num país às escuras, com telhados no chão e pessoas desesperadas a pedir ajuda, o Governo de Luís Montenegro escolheu a invisibilidade. A ministra da Administração Interna desapareceu. O ministro da Defesa, Nuno Melo, simula trabalho.

E enquanto em Lisboa se simula, no terreno morre-se. Um homem de 73 anos morreu hoje ao cair de um telhado que tentava reparar no concelho da Batalha, distrito de Leiria, depois de ter ficado sem telhas. Esta morte foi ausência do Estado aliada ao desespero.

Em 2018, com o furacão Leslie, de menor intensidade do que aquele que vivemos agora, o Exército colocou a funcionar 18 geradores em apenas três dias. Hoje, segundo a informação pública disponível, há muitos geradores em “prontidão”… mas apenas três a funcionar (segundo o Jornal Observador, 31 de Janeiro, 16h). Três. Enquanto o Governo recusa geradores da União Europeia e mantém os do Exército parados, os autarcas imploram por geradores nas redes sociais.

Na tragédia de Pedrógão, os militares estiveram presentes. 641 militares, 150 viaturas e mais 250 militares da Marinha na distribuição de água e alimentos. Agora, numa catástrofe com milhares de ocorrências, o que temos? Oficialmente, três destacamentos de engenharia: um na Marinha Grande, dois em Ferreira do Zêzere. Cada destacamento com operadores de maquinaria e um sargento. Quatro máquinas por destacamento. A Marinha informou que tem 11 viaturas no terreno e disponibilizou cinco geradores. (54 militares). Nuno Melo diz que há 200 militares no total, mas não contabiliza, não diz onde, nem a fazer o quê, mesmo depois de pedido diretamente pelo Observador e pelo Expresso. Silêncio. E é isto.

O Exército admite ainda ter cinco destacamentos iguais em “prontidão”. Em prontidão para quê? Para assistir? Para montarem um cenário para a fotografia, com os militares alinhados, e no segundo em que o Nuno Melo vira costas desmobilizam tudo — deixando a população a olhar, abismada, para mais uma performance de teatro barato, ao nível do outro que “apagava” fogachos com raminhos (a sério, isto aconteceu mesmo). É ação que se exige. Não ilusionismo e simulação.

Dizem que a decisão de chamar mais militares e meios não cabe apenas ao ministro da Defesa ou ao primeiro-ministro. Invocam o artigo 53.º da Lei de Bases da Proteção Civil: o pedido às Forças Armadas parte da ANEPC, a solicitação do comandante operacional nacional. Mas estão a brincar com quem? O presidente da ANEPC, José Manuel Moura, que substituiu Duarte Costa, foi nomeado por este Governo. O mesmo Governo que afastou Duarte Costa, alguém que tinha feito um trabalho amplamente reconhecido na ANEPC. Agora fingem que a cadeia de comando é um labirinto burocrático intransponível?

As pessoas precisam é de telhados, de estruturas provisórias, de salvaguardar os seus bens das chuvas que se avizinham, de ter geradores nas aldeias a funcionar, de meios de comunicação nas juntas de freguesia, de engenharia militar para estabilizar casas, proteger edifícios, salvar bens, permitir regressos seguros.

Em vez disso, vemos idosos em aldeias isoladas, sem água, sem eletricidade, sem comunicações, sem acesso a medicamentos, a subir a telhados. Onde está o comando político? Já sei. Está em “prontidão”. Vão mas é passear!!!

O Observador tentou contactar o Estado-Maior-General das Forças Armadas para obter explicações sobre a gestão miserável dos meios militares após a tempestade Kristin. Não obteve qualquer resposta até às 16 horas. Tudo invisível. Tudo “existe”, mas não se contabiliza. Tudo “está a ser feito”, mas não se diz o quê.

Foi tudo um desastre. A tempestade e o Governo. A prontidão máxima chegou tarde demais. Não houve comando político claro, nem coordenação séria a nível central. Multiplicaram-se sinais de improviso. Não existiu reunião atempada da Comissão Nacional de Proteção Civil e não houve ativação dos instrumentos de emergência quando já se percebia a dimensão do impacto. A comunicação de risco resumiu-se ao mínimo burocrático: um SMS… para fazermos download de um PDF. A sério?

Neste momento, o Governo governa através da sua agência de comunicação. A estratégia é conhecida: desviar culpas. Dizer que a culpa é dos ladrões que roubam geradores e gasolina. Que a culpa é das pessoas que não fizeram seguros ou que não leram as letras pequenas dos contratos. Que estão a fazer tudo o que é possível (sem dizer o quê). Que ninguém podia parar a tempestade (sem explicar que essa não é a questão). Que não é altura para criticar nem fazer aproveitamento político (quando é? quando as pessoas perderem tudo?) É sempre o mesmo guião desta gente…esperar que a tempestade passe e, pelo caminho, esperar que a indignação também passe.

Mexam-se…Quando Passos Coelho precisou de reunir o Conselho de Ministros para privatizar a TAP após a entrada em gestão, fê-lo em dois dias. Para ajudar a população, este Governo demorou 4 dias. Rápidos para interesses económicos. Lentidão para proteger pessoas. Há uma altura em que deixamos de cair nestes truques.

Aposto que o Conselho de Ministros vai aparecer com o “plano” do costume…muitas linhas de empréstimo para a banca lucrar e as pessoas se enterrarem em dívidas. O Estado é o nosso seguro maior — aquele que, quando tudo falha, devia assumir o custo e proteger as pessoas. Mas não. A solução deles é privatizar até o azar.

Este é, sem exagero, um dos piores governos que Portugal já teve. Depois de Passos Coelho, parecia impossível descer tanto. Desceram. Um Governo que não existe para governar, mas para pagar favores à sua clientela e simular ação com vídeos, frases feitas e fugas à responsabilidade.

Quem hoje segura as populações são as estruturas locais, os autarcas, os muitos voluntários, a proteção civil no terreno – muitos deles herança de ciclos anteriores. Ao nível central, há desnorte, incapacidade e uma verdade incómoda; Esta gente nunca pensou que, ao chegar ao governo, teria mesmo que governar.

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Os neo-Abranhos

(Por José Gabriel, in Facebook, 06/09/2025, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

Por estes dias, salvo honrosas exceções, é insuportável ouvir o coro dos comentadores televisivos por conta. Cumprindo, certamente, ordens do alto, vão repetindo os mantras encomendados.

É extraordinário que a mesma corja que anda, há décadas, a estiolar as funções e orgânica do Estado – dispensando muitos dos melhores para que não incomodassem os políticos de aviário com os seus critérios de competência e exigência; enchendo o aparelho de Estado de clientela ignara e pouco alfabetizada; externalizando serviços fundamentais, desmantelados e substituídos por empresas de clientelas e patrocinadores; desresponsabilizando a esfera governativa aos seus vários níveis -, venha agora queixar-se da ineficácia dos serviços do Estado. Na CNN, agora mesmo, o ex-dirigente do CDS e seu parceiro do PS, qual painel de comentadores desportivos adeptos de clubes, dançam esta música alegremente.

A fraqueza do Estado!  A falta de qualidade dos serviços do Estado! Quer dizer: os tipos, neste caso sobretudo a direita política que, antigamente, simulava preocupações sociais e, agora, deixando-se de social-democracia e democracia-cristã, coisas antigas, mergulham avidamente no pântano liberal,  – eles que andaram décadas a cantar a patranha, em que eles próprios nunca acreditaram, “menos Estado, melhor Estado” -, queixam-se da ineficiência do Estado como se com ele nunca tivessem nada a ver.

De caminho, vão elogiando o comportamento dos elementos do SNS – contra o qual, no caso da direita, sempre votaram – como se o que resta dessa magnífica instituição não seja vítima recorrente dos desmandos dos governos de direita que nunca se conformaram com a sua existência e com a sua natureza democrática.

O segundo mantra é o de interditar o debate político, com a treta de que toda a abordagem política, por oportuna e nobre que seja, ser um “aproveitamento”. Os ditos comentadores, hoje, chamavam “abutres” aos que abordam a dimensão política dos acontecimentos ocorridos em Lisboa.

Um tipo da falecida União Nacional ficaria feliz com esta perspetiva. Não se metam em política, diziam eles, não se metam nos que vos diz respeito, queriam eles dizer.

Chegamos a esta apagada e vil tristeza. Devia criar-se uma especialidade de neurocirurgia política. Tal o ponto a que chegaram tantas colunas vertebrais.

Entretanto, os que deviam tomar o assunto em mãos, fazem-se de vítimas, escondem-se atrás de reuniões governamentais cosméticas, promovem missas “de Estado”. Talvez para lembrar as responsabilidades de Deus nos nefastos acontecimentos, promovendo uma espécie de externalização das responsabilidades da esfera política para a esfera divina.

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