Os neo-Abranhos

(Por José Gabriel, in Facebook, 06/09/2025, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

Por estes dias, salvo honrosas exceções, é insuportável ouvir o coro dos comentadores televisivos por conta. Cumprindo, certamente, ordens do alto, vão repetindo os mantras encomendados.

É extraordinário que a mesma corja que anda, há décadas, a estiolar as funções e orgânica do Estado – dispensando muitos dos melhores para que não incomodassem os políticos de aviário com os seus critérios de competência e exigência; enchendo o aparelho de Estado de clientela ignara e pouco alfabetizada; externalizando serviços fundamentais, desmantelados e substituídos por empresas de clientelas e patrocinadores; desresponsabilizando a esfera governativa aos seus vários níveis -, venha agora queixar-se da ineficácia dos serviços do Estado. Na CNN, agora mesmo, o ex-dirigente do CDS e seu parceiro do PS, qual painel de comentadores desportivos adeptos de clubes, dançam esta música alegremente.

A fraqueza do Estado!  A falta de qualidade dos serviços do Estado! Quer dizer: os tipos, neste caso sobretudo a direita política que, antigamente, simulava preocupações sociais e, agora, deixando-se de social-democracia e democracia-cristã, coisas antigas, mergulham avidamente no pântano liberal,  – eles que andaram décadas a cantar a patranha, em que eles próprios nunca acreditaram, “menos Estado, melhor Estado” -, queixam-se da ineficiência do Estado como se com ele nunca tivessem nada a ver.

De caminho, vão elogiando o comportamento dos elementos do SNS – contra o qual, no caso da direita, sempre votaram – como se o que resta dessa magnífica instituição não seja vítima recorrente dos desmandos dos governos de direita que nunca se conformaram com a sua existência e com a sua natureza democrática.

O segundo mantra é o de interditar o debate político, com a treta de que toda a abordagem política, por oportuna e nobre que seja, ser um “aproveitamento”. Os ditos comentadores, hoje, chamavam “abutres” aos que abordam a dimensão política dos acontecimentos ocorridos em Lisboa.

Um tipo da falecida União Nacional ficaria feliz com esta perspetiva. Não se metam em política, diziam eles, não se metam nos que vos diz respeito, queriam eles dizer.

Chegamos a esta apagada e vil tristeza. Devia criar-se uma especialidade de neurocirurgia política. Tal o ponto a que chegaram tantas colunas vertebrais.

Entretanto, os que deviam tomar o assunto em mãos, fazem-se de vítimas, escondem-se atrás de reuniões governamentais cosméticas, promovem missas “de Estado”. Talvez para lembrar as responsabilidades de Deus nos nefastos acontecimentos, promovendo uma espécie de externalização das responsabilidades da esfera política para a esfera divina.

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Obrigado, Excelência. Eu não esqueço.

(Carlos Esperança, in Facebook, 22/08/2025)


Obrigado, Excelência, por tudo o que tem feito por nós. Eu sou dos portugueses de bem, não sou ingrato. Por isso lhe agradeço. Num país em que temos pudor de manifestar os nossos sentimentos, quero dizer-lhe que gosto de si, Excelência.

Não esqueço a generosidade de quem abdicou da lucrativa empresa de avenças para nos dirigir, ajudado por 16 abnegados ministros e 43 ajudantes, e, muito menos, a ingratidão dos que o censuram, porque só sabem dizer mal.

Obrigado, Excelência, por ter roubado uma semana às férias para nos aturar, sim, para nos aturar, a nós, ingratos, que até de um refrescante gin com o seu grande esteio, Leitão Amaro, o queríamos privar. Não eu, Excelência, que lhe agradeço e não esqueço o que lhe devo, mas todos esses ingratos que o esgotaram em dois dias, depois de ter voltado.

Obrigado por nos poupar nos incêndios a fastidiosas informações como aquelas com que a ministra Temido e a Dr.ª Graça Freitas nos massacravam no período da Covid-19. Uns fazem, como V. Ex.ª, outros falam e perdem tempo a responder a jornalistas.

Ouvi-o, por devoção e dever, toda aquela hora em que falou do muito que lhe devemos e da sorte que nos coube por estarmos agora livres dos governos extremistas de António Costa. E quanto sofri, Excelência, ao vê-lo empolgado e empolgante a falar dos êxitos e a anunciar o regresso da Fórmula 1 ao Algarve, enquanto as televisões perfidamente nos incomodavam com o ecrã dividido entre V. Ex.ª e os fogos! Mesmo assim, ainda gastou 7 minutos com os fogos que ofuscaram a presença dos nossos melhores, do Dr. Hugo Soares e do Dr. Marques Mendes, a este nem o vi, e que vai ser o nosso próximo PR.

Excelência, quem julga que não é sensível não viu a cara de sofrimento quando falou ao País das 45 medidas, incluindo o fim de taxas moderadoras na Saúde, com gravata preta pelo luto de bombeiros, depois da exaustiva viagem a Viseu onde foi mostrar o Dr. Ruas aos ministros. Quarenta e cinco medidas, Excelência, bastavam duas para eu o idolatrar.

Excelência, agora que tem a oportunidade histórica de erradicar o PS não o poupe. E, quanto ao PR, esse socialista dissimulado, que andou com o PS ao colo durante 8 anos, que até aceitou que o PCP e o BE lhe dessem apoio parlamentar, anseio por vê-lo curvar-se a dependurar as insígnias de PR no peito ilustre do Dr. Marques Mendes.

O PSD, que foi uma vergonha com Rui Rio, é agora a referência dos que veem em V. Ex.ª o timoneiro, o grande líder, que será reconduzido com maioria absoluta enquanto a porcaria das eleições servir para gastar tempo, dinheiro e para dividir os portugueses.

Não há fogo que lhe resista, Excelência.

Obrigado, Excelência, por dar o máximo!

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Deixem o Luís e o André trabalharem

(Por José Teófilo Duarte, in Blog blogoperatorio, 04/07/2025)


Ninguém há mais ‘vivinho da costa’ do que o patrão da ‘Spinumviva’! O Luís (PPD-PSD) e o André (Chega) estão «chegando» cada vez mais a acordo, e o José Luís (PS), feito «pau de cabeleira», a «benzê-los», com o Assis e o Sérgio radiantes à ilharga.

É o que escreve Alfredo Barroso no seu mural do Facebook, a propósito desta publicação.


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Isto tinha que acontecer. Montenegro das avenças e Ventura dos chiliques ornamentados a baba e ranho entendem-se bem e depressa. São feitos da mesma massa. Saíram os dois do partido fundado por sociais-democratas — apesar de uma social-democracia estranha, sempre a pender para a direita —, que depois Cavaco e Passos estragaram tornando o partido qualquer coisa parecida com um “albergue espanhol”. 

O partido foi sendo purgado. Os fascistas saíram como ratos para o novo partido fascista. Gente altamente avaliada em trafulhices inunda a bancada lamacenta instalada no lado mais à direita do parlamento. Agora dizem as notícias que o Luís e o André andam a concordar com muita coisa pouco apreciável. Os idiotas que neles votaram apreciam e vão continuar a votar neles. Neles, os seguidores de Ventura. Ou o Luís acha que os grunhos eleitores acham que é ele que está a trabalhar?

Com isto tudo fica esclarecida uma coisa: Ventura não é líder da oposição, como se chegou a reclamar. Ventura e mais os sessenta cretinos e cretinas que povoam a bancada dos javardolas estão empenhados em fazer sobreviver o sistema, como sempre o fizeram. Um sistema anti-democrático e protector das grandes fortunas de que tanto se orgulham. Têm também com eles a outra extrema-direita dos liberais sem iniciativa. 

Concluindo e andando: os líderes da oposição são os líderes das oposições a esta gente manhosa e sem brilho. Uns toscos inenarráveis. A direita está cada vez mais extrema. Já dizem as maiores enormidades sem freio nem vergonha. Todo o cuidado é pouco. Deixar o Luís e o André trabalharem? Nunca. O que faz falta é resistir. Sempre.

Fonte aqui