Proposta cultural – Pimbemos!

(Por José Gabriel, in Facebook, 08/06/2025, Revisão da Estátua)

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Exma. Senhora Ministra da Cultura e Assuntos Correlativos

Excelência

Olhando a composição de governo a que V. Exa. pertence, bem como a alvissareira nomeação de V. Exa. para o alto cargo que merecidamente lhe coube, concluo que chegou, após tantos anos de espera, a oportunidade de valorizar e patrimonializar elementos da cultura-pátria até agora diminuídos pela arrogância e elitismo serôdio dos governos e gerações que agora se vão finando.

A ascensão de V. Exa. à condição de Ministra da Cultura é um grito de libertação daqueles que, fugindo ao pedantismo até agora reinante, se sentem encorajados a levantar a voz em defesa de valores que o povo ama e tem no coração. Quais? – perguntará V. Exa. em estado de compreensível expectativa. Inúmeras que são as subidas prendas da cultura que, desde o povo mais ignaro à ilustrada juventude universitária, merecem o mais extremoso amor luso.

Veja-se, por exemplo, a música. Não, não, não me refiro àquelas obras que soam nas salas de concertos e nos teatros – com nomes de santos – e deles não saem, onde, a par de estrangeiros de outros tempos – Mozart, Beethoven, Bach, Debussy, Stravinsky, Verdi, Wagner e muitos outros…- e portugueses dados a vanguardices e/ou classicismos que o povo não ama, se vai esvaindo o erário público.

Entretanto, só nos programas culturais das tardes dos canais de televisão generalistas e em algumas festas estudantis se vai vendo e ouvindo o incompreendido tesouro musical e poético que dá pelo nome torpe de “música pimba”, nome criado por elitistas que nem sonham as subtilezas que se ocultam nos entrefolhos – por assim dizer – dessas obras imorredouras. Na verdade, não nos deixemos enganar pela aparente simplicidade das melodias. Tal simplicidade está ao serviço da evidência da riqueza poética que, digamos assim, a recheia. A elegante e complexa polissemia abunda. Basta ouvirmos uma peça como aquela em que Rosinha canta:

“Eu levo no pacote

Ai eu levo sim senhor

Eu levo no pacote

P’ra  gosto do meu amor”

Não podemos deixar de admirar o uso ambíguo do “pacote”, aproveitando a riqueza polissémica da palavra. Joga-se assim na complexidade da proposta poética, deixando ao ouvinte a interpretação sobre se se está a fazer uma subtil insinuação libidinosa envolvendo a intimidade posterior – como lhe chamou Fellini – ou a falar num simples contentor onde a jovem leva a refeição do seu amor.

Também outro génio incompreendido, Quim Barreiros, não para de nos fascinar com as suas volutas – chamemos-lhe assim – semânticas. Quando canta a sua vontade de cheirar o bacalhau da Maria, está a falar do saboroso gadídeo ou a referir-se à região vulvar da cozinheira?

Quando diz ser o mestre da culinária que quer comprar uma panela de pressão a ver se “cuzinha mais depressa”, quem não vê a subtileza daquela vogal que só os distraídos entenderão como erro ortográfico? E a garagem da vizinha em que o trovador diz meter e tirar o carro à hora que quiser? E onde, até, muda o óleo? Quem não se fascina com a elegância destas ambiguidades poéticas, estes complexos jogos de sentido?

E até Emanuel, de cuja erudita obra musical deriva a designação deste tipo de trova, a palavra “pimba”, quando nos canta

“E se elas querem um

Abraço ou um beijinho

Nós pimba, nós pimba

E se elas querem muito

Amor, muito carinho

Nós pimba, nós pimba”

deixa à imaginação do ouvinte o significado deste imperativo ato. Pimba significa um firme e empenhada ação de cariz sexual que responda às ânsias das ”elas” de que fala o poema, ou um gesto, comportamento, atitude que decorra do livre-arbítrio do sujeito a que se dirige o apelo? “Nós pimba” pode significar nós fugimos, nós tomamos um café, nós desmaiamos, enfim, as possibilidades são tão infinitas como o talento do autor.

Outros exemplos poderiam ser chamados à liça. Mas, penso, Exma. Sra. Ministra, que estes são mais que suficientes. De resto, V. Exa. não ignorará o modo como estes artistas são aplaudidos e idolatrados em festas universitárias, por públicos da geração de V. Exa. que, como é consabidamente repetido, é a geração mais preparada de sempre. Logo, não pode estar enganada.

Do exposto, rogo a V. Exa., Senhora Ministra, que diligencie a proposta de classificação desta tão nossa forma de arte a Património Imaterial da Humanidade. O povo vos agradecerá e não deixará de exaltar o nome de V. Exa. e alcandorá-lo a par dos grandes da cóltura, perdão, cultura, de Portugal.

A bem da Nação

Nós, Pimba!

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O cúmulo do ridículo

(In Blog Um Jeito Manso, 09/11/2024)

(Interlúdio de Domingo para a política nacional. Parece que tem sido asneiras, umas atrás das outras. Estátua de Sal, 10/11/2024).


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A falta de noção do Governo MenteNegro seria de gargalhada se não fosse trágica. E isto verifica-se a todos os níveis. Só não se vê no caso dos ministérios em que não têm sequer capacidade para mexer um dedo (Economia, Cultura, etc).

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O Mendes e o genuflexório

(Por José Gabriel, in Facebook, 09/09/2024)


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Marques Mendes tomou sobre os seus ombros a defesa do Governo e dos governantes um a um, asneira a asneira, erro a erro, golpe a golpe. Todos estamos errados. Os nossos governantes são um ínclito escol de perfeição. A malta, cá fora, é que, sem dúvida obnubilada pela grandeza dos altíssimos, não entende. E, em vez de agradecer estes presentes do Alto, mostra vontade de lhes enviar presentes idos de baixo.

Marques Mendes, não. Por ele, os ministros laranja são infalíveis – como o Papa. Mais infalível que eles, portanto, mais que o Papa, só o Presidente Marcelo.

Ontem, na sua prédica dominical, Mendes informou o povo em geral da sua presença numa reunião dos jovens “liberais” onde, segundo nos contou, aprendeu uma palavra nova: “genuflexório”.

Ficámos espantados. Tal significa que as fotos tiradas a Mendes e a outros líderes da direita assistindo, circunspectos, à missa em… genuflexórios, são uma patranha para impressionar o beatério – eu não disse os católicos.

Por outro lado, fico ainda mais espantado pelo facto de Marques Mendes, cuja especialidade é ajoelhar face a todos os interesses que o possam servir, não conhecer tão útil e adequado acessório. Ele devia ter um genuflexório portátil.