(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 28/09/2026, Revisão da Estátua)

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Em Bruxelas, elaboram-se discursos. Em Moscovo, constrói-se um exército.
Putin acaba de emitir um decreto que fixa o efetivo autorizado das forças armadas russas em mais de 2,44 milhões de pessoas, incluindo 1,55 milhões de militares. O número não significa que 1,55 milhões de homens estejam imediatamente disponíveis para combate, mas, politicamente, o sinal é inequívoco: Moscovo está a preparar-se para um confronto prolongado e trata agora a hostilidade europeia como um fator estratégico duradouro.
Entretanto, a Europa encena a sua tradicional competição de posturas desafiantes.
Fala-se de “guerra de alta intensidade“, “ameaça existencial“, rearmamento em massa e confronto prolongado. Os líderes que, até ontem, explicavam a necessidade de cortes nas despesas militares descobrem, de repente, um Napoleão interior entre uma reunião e outra em Bruxelas.
O espetáculo seria quase cómico se as potenciais consequências não fossem nucleares. Pois, por detrás da postura marcial, esconde-se uma questão crua: vão lutar com quê?
Os europeus falam, por vezes, como se já possuíssem a autonomia militar que dizem querer construir em dez anos. Exibem os seus futuros mísseis, as suas futuras fábricas, os seus futuros stocks e as suas futuras divisões. Uma potência militar no tempo futuro a ameaçar uma potência nuclear no presente. Audacioso.
Felizmente, ainda existe o grande cobertor de segurança estratégica: os Estados Unidos. Washington virá inevitavelmente em socorro da Europa. Isto está gravado no imaginário coletivo, algures entre o Capitão América e o Artigo 5º. Como se uma aliança pudesse, milagrosamente, sobrepor-se aos interesses nacionais dos EUA.
Como se Washington fosse necessariamente empenhar as suas forças sem limites numa escalada direta com uma potência nuclear, simplesmente porque alguns líderes europeus confundiram uma conferência de imprensa com uma sala de operações de guerra.
A história das alianças americanas deveria, no entanto, ensinar uma regra básica: os Estados Unidos defendem os Estados Unidos em primeiro lugar. O restante depende das circunstâncias, dos custos e dos seus interesses.
Mas Bruxelas prefere acreditar nos contos de fadas. Sai mais barato do que um exército. Lavrov, aliás, reagiu a esta agitação com o habitual tato da diplomacia russa, afirmando que um ataque europeu à Rússia levaria a um conflito muito breve. Trata-se de uma ameaça política russa, não de uma profecia militar.
E é precisamente isso que deve ser motivo de preocupação. Pois agora temos dois campos a afirmar que se estão a preparar porque o outro lado também está. Moscovo alarga as suas capacidades porque a Europa se torna hostil; a Europa rearma-se porque Moscovo amplia as suas capacidades. Um ciclo perfeito. Cada lado deita gasolina para a fogueira para impedir que esta queime.
Surgem, então, os nossos “Churchills de poltrona” para explicar, com ar solene, que tudo isto é necessário para preservar a paz. Simplesmente esqueceram-se de um pormenor: ao brincar constantemente à guerra com o exército de amanhã e a suposta coragem dos americanos, podemos acabar por enfrentar a guerra hoje.

