Mandem mais dinheiro para a Ucrânia…

(Francisco Fortunato in Facebook, 09/04/2026, Revisão Estátua)


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Ora aqui está uma fatura que devia ser paga exclusivamente pelos gajos e gajas das bandeirinhas da Ucrânia que achavam que o Putin queria conquistar a Europa e só parava em Lisboa, no Estádio da Luz. Que a Europa devia reforçar a sua defesa (leia-se dar dinheiro para a NATO) para travar os instintos de malvadez do maquiavélico senhor de Moscovo.

Os que avisavam para tamanha estupidez eram logo acusados de agentes moscovitas e até ameaças de morte recebiam. Eu recebi duas pelo Messenger e até políticos do PS destrataram publicamente os poucos socialistas que ousaram levantar a voz contra a narrativa da UE e da NATO/EUA do Biden. Hoje vemos bem quem é o maior perigo para a Paz Mundial.

Esses idiotas úteis não vão pedir desculpa pela contribuição que tiveram para termos chegado ao ponto que refere o aviso do FMI, vão hipocritamente derramar lágrimas de crocodilo pelos cortes no Estado Social. A estupidez paga-se caro, muito caro, e por isso, os que mandam querem, cada vez mais, gente estúpida que se julgue muito inteligente.


(Diogo Sousa in Facebook, 10/04/2026, Revisão Estátua)

O título do relatório do FMI deveria ser outro: “O Grande Assalto”. 𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐨 𝐅𝐌𝐈 𝐚𝐝𝐦𝐢𝐭𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐫𝐢𝐝𝐚 𝐚𝐨 𝐚𝐫𝐦𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐨𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐫𝐚́ 𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝟐𝟓% 𝐧𝐚 𝐒𝐞𝐠𝐮𝐫𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐞 𝟐𝟔% 𝐧𝐚 𝐒𝐚𝐮́𝐝𝐞, está a confirmar que o bem-estar dos cidadãos europeus foi oferecido em sacrifício no altar do Complexo Militar-Industrial americano.

Para que as ações da Lockheed Martin, da RTX e da Boeing subam, e para que os dividendos fluam para a BlackRock e a Vanguard, é necessário que o mundo esteja a arder. 𝐀 𝐞𝐥𝐢𝐭𝐞 𝐟𝐢𝐧𝐚𝐧𝐜𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐚𝐦𝐞𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚 𝐚𝐩𝐞𝐫𝐟𝐞𝐢𝐜̧𝐨𝐨𝐮 𝐚 𝐚𝐫𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐜𝐫𝐢𝐚𝐫 “𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐏��́𝐫𝐢𝐚𝐬” 𝐞 “𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐓𝐞𝐫𝐫𝐨𝐫𝐢𝐬𝐭𝐚𝐬”.

Financiam-se fações, desestabilizam-se regiões e, subitamente, as fronteiras da NATO são declaradas em perigo. Esta insegurança fabricada não visa a “liberdade”; visa o contrato. É uma estratégia de marketing onde o produto é o míssil e o anúncio é a guerra.

A estratégia é brilhante na sua perversidade. Ao forçar os países europeus a cumprir as metas de gasto militar da NATO, 𝐖𝐚𝐥𝐥 𝐒𝐭𝐫𝐞𝐞𝐭 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐝𝐞𝐬𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐥𝐚𝐫 𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐨𝐫𝐫𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚.

Uma Europa que gasta o seu PIB em caças F-35 (comprados aos EUA) é uma Europa que não investe em tecnologia, infraestrutura ou na saúde do seu povo. Ao “terraplanar” economias através da dívida militar, os EUA garantem que a Europa deixe de ser um rival económico para passar a ser 𝐮𝐦 𝐦𝐞𝐫𝐜𝐚𝐝𝐨 𝐜𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨 𝐞 𝐝𝐞𝐩𝐞𝐧𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞.

A História, como diz o FMI, mostra que o dinheiro nunca chega para os dois. Mas não há “escolha” democrática aqui. Quando as grandes gestoras de ativos controlam tanto os bancos que emprestam dinheiro aos governos europeus como as fábricas que vendem as armas, o jogo está viciado.

A Europa está a ser obrigada a importar o modelo americano de “𝐂𝐚𝐩𝐢𝐭𝐚𝐥𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐢𝐥𝐡𝐚𝐠𝐞𝐦”: hospitais degradados, escolas subfinanciadas e uma classe média asfixiada pela dívida, tudo para que o balanço financeiro de meia dúzia de instituições em Manhattan continue a bater records.

Os “Estados Falhados” que os EUA deixam para trás no Médio Oriente e no Leste Europeu não são erros de cálculo — são externalidades lucrativas. Criam ondas de refugiados que pressionam ainda mais os orçamentos sociais europeus, forçando mais cortes, mais dívida e mais dependência do sistema financeiro controlado por Washington.

𝐂𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬𝐚̃𝐨: 𝐎 𝐃𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐭𝐚𝐫 𝐨𝐮 𝐚 𝐅𝐚𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚

A elite financeira que é dona do complexo militar-industrial não tem bandeira nem lealdade a cidadãos. Para eles, a NATO é apenas um sindicato de vendas armado. 𝐄𝐧𝐪𝐮𝐚𝐧𝐭𝐨 𝐨𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐮𝐬 𝐧𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐫𝐞𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐞𝐮𝐫𝐨 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐨 𝐞𝐦 𝐦𝐮𝐧𝐢𝐜̧ões 𝐞́ 𝐮𝐦 𝐞𝐮𝐫𝐨 𝐫𝐨𝐮𝐛𝐚𝐝𝐨 𝐚𝐨 𝐬𝐞𝐮 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐨, continuarão a ser os figurantes pagantes num filme de terror realizado em Wall Street.

O aviso do FMI é o sino de recolher: 𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐜𝐚𝐧𝐢𝐛𝐚𝐥𝐢𝐳𝐚𝐝𝐚 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐩𝐫𝐨́𝐩𝐫𝐢𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚.

Entre o cancro e a indiferença do Estado

(António Lacerda Sales, in Facebook, 14/03/2026, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

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O Parlamento rejeitou esta sexta-feira projetos de lei de partidos da oposição que pretendiam garantir o pagamento do subsídio de doença a 100% para os doentes com cancro e reforçar os seus direitos laborais.

Quem recebe um diagnóstico de cancro já vê a vida abalada no corpo, na alma, na família e no trabalho. O que não pode ver abalado também é o rendimento com que paga a casa, a comida, os medicamentos e a dignidade.

Por isso, não compreendo e digo-o com frontalidade, o voto contra de PSD e CDS, nem a abstenção do PS, perante uma proposta que pretendia garantir a doentes oncológicos um subsídio de doença a 100%.

Estamos a falar de pessoas que enfrentam tratamentos agressivos, incerteza, medo, fadiga extrema e uma quebra profunda na sua capacidade de trabalhar. Não estamos a falar de uma questão lateral. Estamos a falar de humanidade, de decência e de sentido de Estado.

É precisamente nestes momentos que se vê a verdade de cada um sobre o Estado social. E o que se viu no Parlamento foi profundamente dececionante. Sobretudo em partidos que tantas vezes invocam a sensibilidade social e a defesa do Estado social, mas que, quando chega a hora da decisão concreta, falham no essencial.

Um Estado digno desse nome não pode pedir a um doente com cancro que trave ao mesmo tempo a batalha pela vida e a batalha pela sobrevivência económica.

Mais ainda, quando vivemos num tempo em que se anunciam, com aparente normalidade, milhares de milhões para a guerra, para o armamento e para a escalada militar. Se há margem para gastar 6000 milhões nesse contexto, como é possível dizer que não há margem para proteger plenamente quem enfrenta uma das fases mais duras da sua existência?

Isto não é apenas uma opção orçamental. É uma escolha moral. É uma escolha política. E é uma escolha civilizacional.

Eu sei de que lado estou. Estou do lado de quem, perante o sofrimento, não hesita. Do lado de quem entende que o cancro não pode significar, além de dor e medo, uma penalização salarial. Do lado de um Estado social que protege a sério, quando a vida mais vacila.

Porque há matérias em que não basta ter discurso. É preciso ter coragem. E hoje, infelizmente, faltou coragem a demasiados.

A Ministra da Saúde

(José Manuel Correia Pinto, in Facebook, 31/10/2024)

Chovem de todo o lado as críticas à Ministra da Saúde. Até o “cordato” Rebelo de Sousa na sua interrompida função de comentador quebrou o silêncio para fazer as críticas que julga adequadas sem se esquecer de apresentar a proposta para as superar, assente, como sempre, na substituição do Serviço Nacional de Saúde por um “sistema de saúde público, privado e social” devidamente alimentado pelo Estado em todas as suas componentes. E também o cauteloso SG do PS interrompe a sua atitude contemplativa de “abstencionista exigente” para dizer que algo vai mal no domínio da saúde.

Eu tenho uma opinião diametralmente oposta. Acho que a Ministra, que já vem do anterior Governo, está a desempenhar razoavelmente bem e sem desânimos a função para que foi “contratada”.

O objetivo de quem lhe encomendou o serviço é fácil de compreender. O Governo não quer um “serviço nacional de saúde” público e gratuito. O Governo quer montar em Portugal um “sistema” de saúde muito diferente do atual SNS. E mais: quer que seja o “grande público” a pedir essa mudança, acentuando a ineficiência do atual serviço, mediante cortes abruptos de financiamento, encerramento de serviços, temporária ou definitivamente, e tudo o mais que influenciar um irreversível desejo de mudança.

Aceite como uma evidência nacional essa incapacidade, o Governo fará passar para o domínio privado (ou seja, para os grandes grupos já instalados no sector da saúde) uma parte muito considerável das receitas que hoje estão afetadas ao SNS, mediante a multiplicação das parcerias público-privadas ou outras formas de “colaboração” rentista. Seguidamente ou simultaneamente injetará também algum dinheiro no chamado sector social, para impedir que a dúvida se instale nas boas almas que frequentam as IPSS. O que sobrar, que já será bem pouco, será afetado ao “serviço público de saúde”, cuja esfera de competência será a seu tempo delimitada, mas sempre circunscrita ao dinheiro que sobrar. Quem estiver doente e a sua “doença cair fora” do âmbito destas atribuições vai de ter pagar os seus cuidados de saúde, seja por intermédio de seguros ou outra qualquer via, na qual o pagamento estará sempre à frente do tratamento.   

Portanto, se alguém quer protestar a sério terá de o fazer atacando e impedindo o objetivo que o Governo tem em vista e que visa pôr em prática, logo que o contexto político o permita, a grande reforma da saúde, ou não fosse este Governo um “governo reformista”!

Mas terá de fazer mais: terá de atacar frontalmente os cortes no domínio da saúde, contestando e opondo-se frontalmente ao desvio dessas verbas para compra de armamento bem como as dádivas escandalosamente feitas ao governo corrupto da Ucrânia para alimentar uma guerra que nada nos diz e na qual não temos nenhum, absolutamente nenhum, interesse a defender.

É escandaloso e inacreditável que uma instituição criada para impedir a guerra na Europa – a Comunidade Europeia – seja hoje a grande promotora da guerra e pressione criminosamente os seus Estados membros a financiarem essa guerra com base em decisões ilegítimas de órgãos incompetentes para o efeito.

E mais escandaloso é ainda que um país como Portugal a quem a sua História impõe responsabilidades mundiais tenha quase completamente abdicado dessa responsabilidade relativamente a Estados com os quais deveríamos manter estreitas relações de cooperação e amizade para dar à Ucrânia, que nada nos diz e com a qual nada temos em comum, o que deveríamos utilizar para fomentar relações duradoiras de cooperação mutuamente vantajosas.


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