MARIELLE VIVE! LULA LIVRE! E OS AVANÇOS DA BESTA FASCISTA NO BRASIL.

(In Manifesto dos 74, 19/04/2018)

Marielle

Em que difere a morte de Marielle Franco de todas as outras mortes de dirigentes de esquerda este ano e em anos passados?

No ano de 2017 foram assassinados66 activistas no Brasil (por exemplo, lideranças de movimentos sociais, dirigentes políticos de esquerda,ambientalistas, pessoas do movimento indígena e quilombola, enfim, exemplos não faltam).

O Brasil nunca ultrapassou esta característica de assassinar aquele, que de alguma forma, luta pela transformação social deste imenso país. E uma importante nota, os assassinos muitas vezes são bem premiados pela sua capacidade de exterminar as formigas que vêm em sentido contrário, e, claro, aos assassinos há uma clara impunidade dos seus actos.

Indo ao passado até ao presente, muitos exemplos ilustram esta prática bárbara. Começando pela revolta conhecida por Balaiada de 1838-1841, liderada por Manuel Balaio. Começo por Balaio por ser um exemplo de quem tenha sofrido de violência policial e também por isto tenha iniciado uma revolta.  Saltando uns anos à frente, veja-se o extermínio dos cangaceiros no Nordeste do Brasil, que tem na morte de Lampião e Maria Bonita, no ano de 1938, o exemplo máximo. Após executar o bando do Lampião, a polícia decapitou a cabeça dos mesmos e exibiram-nas em cidades nordestinas, com o objectivo de inibir novas resistências semelhantes. Relembramos a morte de Marighela, em 1969, pela polícia da Ditadura de 64, tendo muitos outros opositores desta ditadura sido assassinados ou torturados. O pós-ditadura e o processo de democratização do Brasil não ultrapassou a questão das execuções sumárias daqueles que lutam. Por exemplo, veja-se o famoso Massacre do Eldorado do Carajás no ano de 1996, onde foram assassinados dezanove sem terras que lutavam pela reforma agrária no Brasil. Por fim, Marielle era para ser mais uma na estatística, que sobe ano-após-ano. O que diferencia o caso dela dos 66 que morreram no ano passado e dos tantos outros que morreram este ano?

A ousadia dos assassinos.

Rapidamente, surgiu um discurso à esquerda de que a morte de Marielle deveu-se ao facto de ela levantar algumas bandeiras de lutas: feminismo; anti-racismo; direitos LGBT. Independentemente da justeza destas bandeiras e da sua relação com a morte de Marielle, penso que houve um aproveitamento leviano da luta de Marielle e, em simultâneo, um branqueamento político de sua luta. Se, por um lado, a questão mediática associada à sua morte apresentava um discurso manifesto que tal se deveu por ela ser mulher, negra, favelada e lésbica, ignorando os tantos outros que morreram no combate político à esquerda que tinha todas estas características. Por outro lado, o que torna a Marielle um símbolo político deveu-se ao facto de ela ser vereadora da cidade do Rio de Janeiro e nesta condição ter batido de frente com a Polícia Militar do Rio de Janeiro. O Rio é um centro mediático muito forte, para muitos é erradamente a capital do Brasil, não tendo este estatuto actualmente, esta cidade nunca perdeu a sua característica de centro político, cultural e económico do Brasil (estatuto muito semelhante à cidade de São Paulo). Matar uma pessoa de relevo político nesta cidade terá maior projecção mediática e política do que a morte de todos os outros menos conhecidos ou em qualquer cidade periférica do Brasil. Quer isto dizer, que a morte da Marielle representa muito mais do que uma simples morte de uma combatente de esquerda, representa um sinal da besta fascista a dizer que ninguém lhes pode parar, aqui demarca-se a ousadia dos assassinos. Um outro exemplo da ousadia desta besta é o ataque a tiros contra a caravana de apoio ao Lula no dia 27 de Março passado.

Em ano de eleições presidenciais, começam a surgir dúvidas se realmente teremos eleições, por exemplo, o comandante do exército brasileiro, o General Villas Boas, que twitou pressões ao Supremo Tribunal Federal, caso este cedesse o habeas corpus a Lula, sendo que rapidamente outros militares se juntaram ao coro.  Por outro lado, o segundo candidato mais bem colocado nas sondagens é um fascista evangélico, quando as sondagens colocam o Lula como candidato. Foi há pouco mais de um mês a morte de Marielle e parece que com todos os últimos acontecimentos já tenha uma eternidade. Devemos lutar pela memória de Marielle, não deixar que o seu nome e de todos os outros que morreram na luta não sejam esquecidos. Do mesmo modo, temos de lutar pela liberdade de Lula, detido sem provas contra si. E lutar pela democracia brasileira, com Lula com direito a ser candidato e que os assassinos de Marielle e tantos outros sejam presos.

Marielle vive! Lula livre!


Fonte aqui

Anúncios

Outrora, faz muito tempo, a verdade era algo importante

(Paul Craig Roberts, 16/04/2018, In resistir.info)

Ministério do Estado Profundo.Pergunto-me quantas pessoas, não apenas americanos mas aqueles em outros países, chegaram à conclusão de que hoje os Estados Unidos são menos livres e menos conscientes do que as sociedades em romances distópicos do século XX, ou de filmes como The Matrix e V for Vendetta . Assim como os personagens de romances distópicos não têm ideia da sua situação real, poucos americanos a tem.

O que devemos fazer quanto aos extraordinários crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no século XXI que destruíram no todo ou em parte sete países, resultando em milhões de mortos, mutilados, órfãos e deslocados? Considere, por exemplo, o último crime de guerra em Washington, o ataque ilegal à Síria. Ao invés de protestar contra essa ilegalidade, os media americanos incitaram-no, aplaudindo a morte e a destruição iminente.

Durante a totalidade do século XXI, Israel, o único aliado de Washington – em contraste com os europeus, canadianos, australianos e japoneses que não passam de vassalos do império de Washington – com o apoio, protecção e encorajamento de Washington continuou o genocídio do povo palestino. Basicamente, tudo o que resta da Palestina é um campo de concentração gueto conhecido como Gaza, o qual é rotineiramente bombardeado por Israel utilizando armas e dinheiro fornecido por Washington. Quando o bombardeamento de Gaza é anunciado, o Povo Escolhido por Deus leva suas cadeiras de descanso e farnéis de piquenique a uma colina com vista para Gaza e aplaude quando militares israelenses assassinam mulheres e crianças. Este é o único aliado da América.

Os crimes cometidos pelos EUA e Israel são horrendos, mas encontram pouca oposição. Em contraste, um suposto ataque no qual se alega terem morrido 70 sírios põe em andamento os carros da guerra. Não faz qualquer sentido que seja. Israel rotineiramente bombardeia alvos sírios, mata sírios e os EUA armam e apoiam os “rebeldes” que o regime Obama enviou para derrubar Assad, resultando em grande número de mortes sírias. Por que subitamente 70 sírios importam para Washington?

Segundo as autoridades de Washington, ou as reportagens presstitutas das suas declarações, duas ou três alegadas instalações sírias de armas químicas foram destruídas pelo ataque com mísseis de Washington. Pense nisso por um minuto. Se Washington bombardeasse ou enviasse mísseis para instalações de armas químicas, uma vasta nuvem de gás letal teria sido libertada. As baixas civis seriam muitas vezes mais elevadas do que as afirmadas 70 vítimas do alegado e não comprovado ataque químico de Assad utilizado como pretexto para o crime de guerra do regime Trump contra a Síria. Não há qualquer evidência que seja destas baixas.

Se houvesse vítimas, o ataque de Washington seria obviamente um crime muito maior do que o ataque químico que ela utilizou como encobrimento para o seu próprio crime. No entanto, os presstitutos americanos estão a cacarejar a lição de que os EUA deram uma lição à Síria e à Rússia. Aparentemente, os media americanos são constituídos por assalariados tão imorais ou imbecis que os presstitutos são incapazes de compreender que um ataque de Washington a instalações sírias de armas químicas, se realmente houvesse existido, é o equivalente a um ataque à Síria com armas químicas.

Como escrevi ontem, quando era editor do Wall Street Journal, se Washington anunciasse que havia bombardeado instalações de armas químicas de outro país como punição pela alegada utilização de armas químicas por parte desse país, os repórteres do WSJ eram suficientemente inteligentes para perguntar: onde estão as vítimas do ataque químico de Washington àquele país? Terá havido milhares de mortos com os gases químicos libertados pelo ataque de Washington? Estarão os hospitais do país super-cheios com os afectados e moribundos?

Se um repórter nos trouxesse uma peça que não fosse nada mais senão um comunicado de imprensa de Washington a afirmar acontecimentos obviamente impossíveis, nós lhe teríamos dito para voltar lá outra vez e perguntar as questões óbvias. Hoje o NY Times e o Washington Post colocam reportagens não comprovadas na primeira página.

Os repórteres de hoje já não verificam mais as fontes, porque já não há mais jornalismo na América. Quando o regime Clinton em acordo com o Estado Profundo que tornou o Clintons super-ricos permitiu que 90% dos media diversos e independentes dos EUA se concentrassem nas mãos de seis companhias políticas, isso foi o fim do jornalismo na América.

Tudo o que temos agora é um ministério da propaganda que mente para viver. Qualquer um no jornalismo americano que conte a verdade ou é imediatamente despedido ou, como no caso de Tucker Carlson da Fox News, é atacado por presstitutos de fora num esforço para obrigar a Fox a substituí-lo. Pergunto-me quanto tempo haverá até que alguma mulher irrompa a afirmar que Tucker Carlson a assediou sexualmente.

Tanto quanto posso dizer, os Estados Unidos são agora um estado policial no qual toda informação é controlada e a população é treinada para acreditar na propaganda ou ser acusada de falta de patriotismo e conluio com terroristas e russos.


Fonte aqui

Les animaux de la Macronésie

(César Príncipe, in Resistir, 13/04/2018) 

macron5

Um tal Emmanuel Macron, o pauvre diable que se senta com ar de monarca no Eliseu, declarou ao Mundo e a Marte que tem provas do emprego de armas químicas pelo regime sírio. O garçon de bureau Rothschild dispõe de fontes autorizadas: os Capacetes Brancos, bandidos angélicos e evangélicos, que actuam como encenadores e delegados de propaganda médica no terreno dos terroristas; o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sedenatural em Londres, donde jorram informações diárias para o planeta e – claro – possui os seus serviços de intelligence à la carte, aptos a fabricar evidências à medida de Colin Powell e em tempo oportuno. Macron finge que acredita em si mesmo e inventou a Macronésie, a fim de assegurar um lugar que se veja e uma voz que se ouça à superfície do globo. O pauvre, abarrotado de problemas sociais em casa, oferece-se ao rambo Trump para ir à caça ao leão pelas estradas e sobretudo pelos céus de Damasco. E Theresa May, a inventora do fármaco Skripal, disponibilizou-se como enfermeira de drones.

É esta a parelha que tenta pregar um susto à Rússia: a ex-Grande França e a ex-Grã-Bretanha. A França, com o pigmeu de tacão alto Sarkozy, foi até à Líbia assassinar o financiador; a Inglaterra, com a dama de ferro Thatcher, foi até às Malvinas e obteve meia vitória militar. E não poderão ir muito mais além. Em termos de definição global de forças, a França e a Inglaterra esgotaram o potencial hegemónico no séc. XIX. Mas parece não haver maneira de se capacitarem da sua condição: não passam de duas fantasias pós-imperiais. Chegaram ao séc. XXI com um superego que não corresponde às circunstâncias. Não são as exibições de circo mediático que repõem a paridade geo-estratégica. Por isso, tementes de uma dura ensinadela (quem vai à guerra, dá e leva) prontificam-se a servir os USA e deita-fora. Pouco ou nada arriscam sozinhos. Não vá o diable tecê-las.

A guerra, em 2018, não se ganha com fanfarronadas do roy-soleil de la Macronésie nem bestialidades do hooliganBoris Foreign Office. Ou será que ninguém os detém até que os seus países se evaporem num sopro? Poupem o Musée du Louvre e o National Theatre, meus senhores! Segundo os experts do royal power, em caso de conflito nuclear, mesmo selectivo, estas duas ufanas e medianas nações gozam de dez minutos para se benzerem e encomendarem a alma a Joana d’Arc e a São Jorge. Compete aos franceses e aos ingleses com mens sana exigir, com carácter de urgência, o desterro do casal Macron-May. Merkel afastou-se da armada do bidão de cloro . Um ex-presidente, Hollande, acaba de lembrar ao sucessor que os franceses costumam decapitar os monarcas. O próprio Pentágono reconhece que não tem provas credíveis da pulverização. Anda no seu encalço. Só conhece o caso doanimal Assad pela Imprensa e pelas ditas redes sociais. Mas Macron está na posse da verdade revelada. Mas May convoca o Conselho de Guerra. Mas multiplicam-se os avisos, os agoiros, as reticências. Se os USA acabarem por dispensar os guerreiros franco-britânicos, será que estes avançarão de peito feito às balas, aos mísseis, aos gases, à hecatombe, à capitulação?

De qualquer modo, devido ao perigo que representam para a humanidade, embarquemos Macron para os cascalhos da Córsega e May para os rochedos de Gibraltar. Estão carecidos de descanso e algum estudo. Um dos manuais poderá ser de etiqueta. Por exemplo, Como Deverá Comportar-se uma Fera sem Garras ante um Predador de Grande Porte. La Fontaine, se fosse nosso contemporâneo, editaria uma fábula à propos: Les Animaux de la Macronésie. 

Nota, 13/Abr/18/10h10: O facto do texto ter sido redigido na véspera dos bombardeamentos da Síria, não invalida nem uma letra da denúncia e do alcance da fábula Les Animaux de la Macronésie.   Primeiro: as forças franco-britânicas não passam de chiens de guerre dos USA.   Segundo: a operação de terrorismo aéreo do triunvirato não se aventurou ao ponto de uma contra-resposta da Rússia.   Terceiro: a tríade não esperou pela chegada a Duma dos especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas/OPAQ, que conta com o sufrágio de 190 países (incluindo os atacantes), e estava prevista para o dia 14 do corrente.   Os amigos da verdade adiantaram-se às conclusões.   Já assim foi no Iraque: mandaram retirar do terreno os inspectores que procuravam e não encontravam as armas de destruição maciça que existiam nas irrefutáveis provas de Bush, Blair, Aznar e Barroso e nas ilustres cabecinhas do império mediático.


Fonte aqui