A guerra contra os Eslavos na Ucrânia chega ao fim

(Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 27/10/2026)

Steve Witkoff com Vladimir Putin, em 21 de Outubro de 2026

Aproxima-se o momento em que terá que se aceitar a derrota ocidental na Ucrânia. O Presidente Trump está decidido a substituir Volodymyr Zelensky, que fez aliança com organizações criminosas que lutam contra os Estados Unidos. O Exército russo continua a avançar. Musk, que proíbe o uso da rede Starlink para atacar e matar civis, acaba de abrandar o seu ritmo na Ucrânia. A Rússia está a ponto de atingir o seu objectivo militar. Resta saber: o que vão fazer os Europeus para mascarar o seu fracasso?


A Rússia levou muito tempo cumprir o papel que a Resolução 2202 do Conselho de Segurança  [1] lhe havia fixado e a desencadear a sua “operação militar especial” na Ucrânia.

É verdade que os seus parceiros alemães e franceses, igualmente designados como potências garantes dos Acordos de Minsk nada fizeram a propósito.

O Presidente Vladimir Putin até repreendera o oligarca Konstantin Malofeïev que, em nome da Santa Rússia, havia recrutado cossacos para vir em ajuda dos habitantes de Donbass, massacrados pelos «nacionalistas integralistas» com o assentimento do Presidente Petro Poroschenko. É verdade que Malofeïev, proprietário do grupo de comunicação Tsargrad, e de uma parte do das telecomunicações Rostelecom, é um monárquico e que agia em favor de um Grão-Duque. O Presidente lembrou-lhe que, hoje em dia, o facto de dispor de grandes meios não permite que se substitua o Estado.

Vladimir Putin só interveio quando os «nacionalistas integralistas» planearam uma operação militar de envergadura, não só no Donbass, mas também contra a Crimeia, que tinha aderido à Federação da Rússia [2]. Acabou por fazê-lo a correr, reconhecendo as repúblicas do Donbass como Estados soberanos, em 21 de Fevereiro de 2022, antes mesmo do Kremlin ter conseguido arranjar as bandeiras das Repúblicas Populares de Donetsk e de Lugansk para o acto.

O objetivo militar que então ele se havia fixado era o de libertar todas estas regiões; uma meta que deverá alcançar nas próximas semanas. Apenas porque os ocidentais forneceram armas aos ucranianos e a guerra escalou é que Vladimir Putin considerou libertar também a Novorossia; novo objetivo que deverá também alcançar nos próximos meses.

Seja como for, Donald Trump sucedeu a Joe Biden. Ao contrário deste, não tinha nenhum interesse privado neste conflito. Portanto, ele tentou pôr-lhe fim, advertindo publicamente Volodymyr Zelensky na Casa Branca, em 28 de Fevereiro de 2025. Mas este, sendo amplamente apoiado pela imprensa internacional, conseguiu fazer esquecer durante nove meses que já não passava de um impostor, ou seja, desde o fim do seu mandato, em Maio de 2024, e tratou de virar as opiniões públicas ocidentais a seu favor.

Donald Trump propôs várias rondas de negociações, nenhuma das quais teve sucesso. Zelensky foi apanhado com as mãos na massa, mas descartou-se sucessivamente sobre o director da sua administração, Andriy Yermak, depois sobre a sua substituta, Mariia Vitushok. Conseguiu encobrir os escândalos de corrupção da sua equipa, principalmente o caso Midas, e até mesmo o papel do seu sócio comercial, Timur Minditch, no escândalo de Jeffrey Epstein.

No entanto, graças a uma total impunidade, Volodymyr Zelensky acabou a formar aliança com os cartéis da droga mexicanos, que o Presidente Trump havia designado como «organizações terroristas estrangeiras» e aos quais dedicava uma guerra sem quartel  [3].

Em poucas semanas, na América Latina, narcotraficantes atacaram as forças da polícia e os agentes da Drug Enforcement Agency-DEA (Agência de Combate às Drogas) . Eles conseguiram monitorizar as transferências de droga através da fronteira méxico-americana e assassinaram funcionários ​​norte-americanos. Entretanto, as suas drogas estão disponíveis gratuitamente na UE, onde penetram sem risco através da fronteira ucraniana.

Assim sendo, o Presidente Trump decidiu sinalizar o fim da paródia. Ele enviou o seu representante especial, Steve Witkoff, à Ucrânia, depois à Noruega junto dos europeus, e finalmente à Rússia. O seu acólito, Jared Kushner, seguiu os contactos por teleconferência. O jovem estava a fazer negócios algures e viu-se surpreendido pela publicação de um livro denunciando os seus próprios esquemas [4].

Simultaneamente, Elon Musk, constatando que o Exército ucraniano utilizava o seu acesso Starlink, violando o contrato, para acções contra civis, restringiu o fluxo na Ucrânia. Atacado por esta decisão, ele republicou um post de Vladimir Zelensky gabando-se de utilizar esta rede para atacar a profundidade da Rússia [5].

Dmitri Medvedev, o antigo presidente russo e actual Secretário do Conselho de Segurança do país, divulgou uma lista dos problemas criados a Trump pelo «toxicómano de Kiev» [6]. Assim:

“1. Ele apoiou sempre abertamente, e em todo o lado, o velho Biden.

2. Ele recusou transmitir a Trump reais elementos comprometedores sobre o rival aquando das precedentes eleições.

3. Com uma insistência importuna — tal como uma grande mosca verde caída no pote de mel — e num tom grosseiro, ele exigiu a Trump dinheiro e armamento para levar a cabo a guerra contra a Rússia.

4. Ele manipulou os dirigentes europeus, empurrando-os quotidianamente contra Trump e a sua equipa

5. Em muitas ocasiões, ele ignorou Trump e seus colaboradores quando lhe apresentavam diferentes propostas tendo em vista negociações sobre o conflito.

6. Ele desprezou os Estados Unidos, recusando cessar os ataques contra as refinarias russas, ignorando os argumentos de Trump sobre o impacto destas acções nos preços mundiais dos produtos petrolíferos, bem como sobre a situação nos Estados Unidos na véspera das eleições.

7. Com o seu comportamento irrefletido, ele levou os Estados Unidos e a OTAN ao limiar de um conflito nuclear mundial com a Rússia.

8. Ele desviou, sem vergonha — junto com seus acólitos, tais como o foragido Minditch ou Yermak (agora caído em desgraça) — os fundos dos EUA que o velho Biden lhe entregava generosamente para a guerra ; ele continuou a meter a mão no que restava destas somas mesmo já com a Administração Trump.

9. Ele teceu laços com os cartéis mexicanos — que Trump abomina —; estes últimos enviam os seus homens de mão à Ucrânia para aí aprender a usar drones, pagando ao «toxicómano de Kiev» com dinheiro proveniente da venda de substâncias ilícitas nos Estados Unidos.

10. Em vez de ter em conta a posição de Washington, ele exerceu chantagem sobre os Estados Unidos, brandindo a ameaça de uma derrota na Ucrânia e agitando o espectro de consequências desastrosas para todo o Ocidente.”

Está claro que desta vez não haverá escapatória.

Yuri Ushakov, antigo embaixador russo em Washington e actual Conselheiro de Vladimir Putin, indicou que negociações trilaterais Rússia /Ucrânia /EUA poderiam se realizar no Abu Dhabi depois de 4 de Novembro. Ele lembrou entretanto que a oferta anterior de Moscovo, de 18 a 20 de Setembro, tinha sido recusada pela parte ucraniana  [7].

Dmitry Preskov, porta-voz do Kremlin, comentou a procura da UE por um negociador, mas sem nada fazer a respeito. «Eles discutem ainda e não tomam qualquer decisão». A propósito de uma eventual nomeação de Alexander Stubb, Presidente finlandês, ele declarou : «Se houver um negociador, muito bem. Se for um negociador que sinceramente se esforce para contribuir para uma solução pacífica, será ainda melhor.» O Kremlin não esconde a sua preferência por Gerhard Schröder, antigo Chanceler alemão e actual administrador da Gazprom.

O deputado Leonid Slutsky, presidente do Partido Liberal Democrata (fundado por Vladimir Zhirinowski), declarou : «Kyiv não busca negociações de paz. Zelensky já bloqueou uma grande cimeira trilateral na diáspora ucraniana com raides brutais às assembleias de voto durante as eleições para a Duma. Ele decidiu repetir esta acção antes de preparar a reunião em Abu Dhabi. A parte norte-americana deveria igualmente tirar conclusões e «não congelar», mas sim parar completamente toda a ajuda militar à Ucrânia. Isso é que seria uma contribuição real para o processo de paz». Geralmente, este Partido é utilizado pelo Kremlin para dizer bem alto o que a etiqueta força a não expressar.

O Kremlin rejeita, sem cerimónia, todos aqueles que propõem timidamente um simples cessar-fogo. Fala agora de um verdadeiro tratado de paz, no pleno sentido do termo, com a desnazificação do país.

O conjunto das potências membros da «Coligação dos Dispostos» enfrenta hoje as consequências de tudo isto.

• Como se vai reconhecer que, sim, havia «nacionalistas integralistas», «banderistas», no seio do governo ucraniano?

• Como se vai reconhecer que eles não se consideravam Eslavos, mas antes pretendiam erradicar todos os Eslavos, Ucranianos e Russos, até ao último descendente?

• Como se vai aceitar que foi esta gente que foi apoiada sem reservas às custas de grandes aumentos de impostos na União Europeia e no Canadá?

É provável que depois desta carnificina, que custou a vida a mais de um milhão de pessoas, não seja apenas Volodymyr Zelensky a pôr-se na alheta rapidamente, mas também dirigentes políticos da União Europeia e do Canadá.

No entanto, a Alemanha, a França, a Itália, a Polónia e o Reino Unido assinaram, em 26 de Outubro, uma declaração comum sublinhando o seu compromisso sem falhas ao lado da Ucrânia e anunciando que se comprometiam a reforçar o seu papel no seio da OTAN [8].

NOTAS

1] «Résolution 2202 du Conseil de sécurité», dite S/RES/2202 (2015), adoptée le 17 février 2015.

[2] «Plan d’attaque ukrainien», Révélé par l’Agence Tass, 9 mars 2022.

[3] “A aliança de V. Zelensky com cartéis latino-americanos põe em perigo estratégia antidroga da Casa Branca”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 9 de Outubro de 2026.

[4] Princes and Thieves: Jared Kushner and Mohamed bin Zayed’s Secret Plot to Remake the Middle East, Matthew Cole, Atria/One Signal Publishers.

[5] «@elonmusk», Elon Musk, X, October 25, 2026.

[6] Dmitri Medvedev, VK, 24 октября 2026 года.

[7] «Commentary by Presidential Aide Yury Ushakov following Vladimir Putin’s meeting with US President’s Special Envoy Steve Witkoff», Kremlin, October 21, 2026.

[8] «Déclaration conjointes des ministres de la défense du E5», Ministère français de la Défense, 26 octobre 2026.

Fonte aqui

A guerra, a verdade e o silêncio

(José Sócrates, in ICL Notícias, 12/10/2026)


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Há qualquer coisa de estranho e de extraordinário na maneira como a Europa fala da guerra da Ucrânia. Uma guerra que dura há mais de quatro anos, que destruiu cidades, devastou uma economia e sacrificou incontáveis vidas humanas parece ter produzido no espaço público ocidental uma unanimidade quase perfeita.

Da esquerda à direita, dos governos às redações dos jornais, dos comentadores militares aos especialistas em geopolítica, repetem-se as mesmas certezas, os mesmos juízos morais, as mesmas fórmulas. Como se a complexidade da história tivesse sido abolida pela evidência do agressor. Como se condenar uma invasão dispensasse a obrigação de pensar.

Pequeno exemplo. Iulia Mendel, antiga porta-voz do presidente Zelensky, escreveu recentemente um artigo na revista britânica Spectator com o seguinte título: “A estratégia de Zelensky é um suicídio nacional”. O diagnóstico é devastador e os números assustam.  A Ucrânia tem hoje cerca de 20 a 25 milhões de habitantes (tinha 43,8 antes da guerra). Em cada dia, em média, morrem quatro pessoas por cada uma que nasce (números do próprio Ministério da Justiça ucraniano). Segundo a autora, metade da população que permanece na Ucrânia está já na idade de reforma. Com estes números, a sobrevivência demográfica e económica do país está ameaçada. E, no entanto, o silêncio sobre o artigo foi total – como se não existisse. Nenhuma reflexão, nenhuma controvérsia, nenhum debate.  O mais perturbador não são os números, mas a dificuldade em discuti-los.

A guerra parece ter criado na Europa uma nova ortodoxia. Uma convergência extraordinária de pressupostos, vocabulário e conclusões que é absolutamente estranha ao costume e à tradição política pluralista europeia. Quem pergunta pelo objetivo político da guerra arrisca-se a ser confundido com quem justifica a invasão. Quem fala de negociações é suspeito de defender a capitulação. Quem recorda que a Rússia continuará a existir aconteça o que acontecer na guerra parece estar a desculpar Putin. Sim, é certo que a Rússia invadiu a Ucrânia e essa responsabilidade não deve ser relativizada. Mas reconhecer a responsabilidade pela guerra não resolve, por si só, o problema de saber como terminá-la. A condenação moral identifica uma injustiça; não substitui uma estratégia diplomática.

Mas talvez o mais odioso no comportamento europeu seja a nacionalização da culpa. Talvez o fenómeno mais inquietante não seja a hostilidade política contra o Kremlin, mas a facilidade com que essa hostilidade se estendeu à própria ideia de Rússia. O país foi impedido de competir nos Mundiais de Futebol e nos Jogos Olímpicos. Os atletas russos passaram a ser suspeitos pela sua nacionalidade. As relações culturais tornaram-se politicamente embaraçosas. Em Amsterdam, uma instituição museológica rompeu a colaboração com o Hermitage de São Petersburgo e acabou por abandonar o próprio nome Hermitage. Ainda não se proibiu a arte russa, é certo, mas dizem-me que os maestros russos deixaram de ser contratados para dirigir orquestras na Europa. O canal Russia Today foi proibido de transmitir no espaço europeu – com a aquiescência dos tribunais europeus. Este é o risco por detrás de uma russofobia que ultrapassa a crítica legítima ao poder russo: a política cedeu o lugar à condenação moral da nação inimiga.

Na verdade, o problema dos dirigentes europeus talvez não seja a guerra. Será a paz. Nessa altura serão chamados a prestar contas do que aconteceu. Enquanto a guerra durar, haverá sempre uma explicação para tudo. Há a urgência, há a necessidade, há a solidariedade, há a defesa dos valores, há a obrigação de resistir.

Mas a paz chegará. Não sabemos quando, nem em que condições, nem sequer se será uma paz duradoura. Sabemos apenas que nenhuma guerra dura eternamente. Mas, quando chegar, começará uma outra história, a história do que ficou. Ficarão as cidades destruídas, os mortos que não regressam, os mutilados, os órfãos, os milhões de refugiados. E ficará a Europa. Uma Europa em transformação histórica e mergulhada numa cega corrida aos armamentos. A Alemanha prepara-se para dispor, ainda antes de 2030, de um orçamento de defesa muito superior – quase o dobro – ao da França ou ao Reino Unido. Quando a paz chegar, esta nova distribuição do poder militar não desaparecerá e cada um começará a olhar por cima do ombro. Esta será uma das heranças políticas mais duradouras da guerra.

Fonte aqui

A guerra do subcontratado – a Ucrânia

(Marco, analista, In Fórum da Escolha, in Facebook, 15/10/2026, Revisão da Estátua)


Musk diz que Zelensky tem de sair. A rede Starlink está limitada a 160 km/h. A UE pode enviar todo o dinheiro que quiser — sem a supervisão americana, esse dinheiro não compra nada.


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A Europa financia a guerra. Os Estados Unidos definem a guerra. A Ucrânia faz a guerra. E nenhum deles controla o interruptor.

1.º A DECLARAÇÃO DE MUSK — 14 DE OUTUBRO

Musk, no X, a responder a uma publicação sobre o porquê de Zelensky não acabar com a guerra: “E assim o massacre continua. Está na hora de Zelensky sair”. Não é um comentário aleatório. É um apelo público a uma mudança de regime, feito pelo homem que controla as comunicações no campo de batalha da Ucrânia. O momento: após o acordo de Trump com a Rússia envolvendo o diesel, após a imposição de limites à Starlink e após o congelamento da partilha de informações.

2.º A ADMISSÃO SOBRE A STARSHIELD

Musk, no mesmo dia: “A Starshield pertence ao governo dos EUA e é controlada por este. Quaisquer limites de velocidade ou de utilização são decididos pelos militares americanos e, em última instância, pelo Presidente dos EUA.”

▸ Starshield = pacote militar. Starlink = uso civil.

▸ A Ucrânia utiliza a Starshield para drones e comunicações no campo de batalha.

▸ O limite: 160 km/h. Na prática, as restrições foram “significativamente mais rigorosas” ao longo do dia.

▸ Por outras palavras: o interruptor pertence a Trump. Musk é o proprietário do imóvel; acaba de nos revelar quem assina o contrato de arrendamento.

3.º OS 300 MIL MILHÕES DE EUROS

▸ Proposta dos EUA: descongelar parte dos 300 mil milhões de euros em activos soberanos russos e transferi-los para um mecanismo sob supervisão americana.

▸ Objetivo: retomar as negociações de paz antes das eleições intercalares (midterms) de 3 de Novembro.

▸ A Europa rejeitou a proposta. A UE utiliza os rendimentos (8 mil milhões de euros) para apoiar a Ucrânia; os EUA querem aceder ao capital principal.

▸ O paradoxo: os EUA tentam pagar à Rússia para pôr fim a uma guerra que a Europa financia para que esta continue.

4.º O COLAPSO EUROPEU — O CENÁRIO REAL

▸ Há 10 anos: 40% dos governos da UE eram de orientação de esquerda. Hoje: ~20%.

▸ Roménia (maio de 2026): o governo caiu após um voto de desconfiança.

▸ Macron: 15% de aprovação — a taxa mais baixa do seu mandato.

▸ Alemanha: 15 mil empregos industriais perdidos por mês. Volkswagen: 100 mil cortes de empregos previstos.

▸ A UE corre o risco de perder 560 mil empregos industriais. Preço do gás: de 100€/1.000 m³ para 230 dólares.

▸ Os governos que necessitariam de aprovar a transferência de activos estão a cair, um a um.

5.º VON DER LEYEN — O CERCO

Le Pen, Financial Times, 14/10: a autoridade de von der Leyen está “gravemente abalada” aos olhos dos governos da UE. Há dúvidas se ela conseguirá concluir o seu mandato.

Kallas (chefe da política externa da UE), em discussões informais, chama “ditadora” a von der Leyen.

O grupo S&D não descarta apoiar, ou até propor, uma moção de desconfiança contra a mesma.

▸ Ela sobreviveu a quatro votações. A última: 165 votos a favor, 390 contra. O número necessário para a derrubar: 361.

▸ A votação em si não é a ameaça; a deslegitimação, sim.

6.º O PARADOXO DA AJUDA — PORQUE É QUE O DINHEIRO EUROPEU NÃO COMPRA NADA.

▸ A UE pode transferir 90 mil milhões de euros, 27 mil milhões de euros ou 300 mil milhões de euros.

▸ Sem a inteligência americana, a Ucrânia não consegue detetar mísseis que se aproximam.

▸ Sem o Starshield, a Ucrânia não consegue guiar os seus drones ou mísseis.

▸ Sem o “interruptor” americano, o dinheiro não passa de uma promessa de pagamento a um exército cego.

▸ “Se os ataques continuarem e a Starlink não funcionar, as pessoas morrerão.” — Zelensky, 14/10.

▸ E a resposta de Musk: “Os limites são definidos pelos militares dos EUA e, em última instância, pelo Presidente dos Estados Unidos.”

CONCLUSÃO

A Europa está a financiar uma guerra que não pode travar, não consegue ver e não consegue controlar.

Ela envia dinheiro. A América envia condições. A Rússia envia mísseis.

E Musk acabou de mostrar a todos onde está presa a coleira.

Os 300 mil milhões de euros não são o prémio. São o suborno. E esse suborno está a ser rejeitado — por ambos os lados.

Se a sua guerra depende de olhos estrangeiros e de um interruptor que não está sob o seu controlo — será que a está a travar, ou apenas a alugar o direito de o fazer?