António Costa tornou-se um populista!

(João Gomes, in Facebook, 25/08/2026)


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Há frases políticas que são apenas frases. Há outras que, pela responsabilidade de quem as pronuncia, obrigam a perguntar o que existe por detrás delas.

Quando António Costa, presidente do Conselho Europeu, afirma que “a paz só é possível com a vitória da Ucrânia e a derrota da Rússia”, não está SÓ a manifestar solidariedade com a Ucrânia. Está a formular a sua tese política e estratégica: a paz, segundo ele, dependeria necessariamente da derrota de uma potência nuclear.

É precisamente aí que começa a minha perplexidade. Porque uma coisa é “defender a Ucrânia”. Outra, completamente diferente, é acreditar que a paz só poderá nascer da derrota da Rússia.

E a pergunta que eu faria a António Costa é muito simples: E depois da derrota da Rússia, António Costa? O que acontece no dia seguinte? Por que é esta pergunta que parece desaparecer do discurso político europeu.

Nenhuma paz começa no dia de uma vitória e há uma tendência perigosa na política contemporânea para imaginar a guerra como uma equação simples: há um agressor, há uma vítima, derrota-se o agressor e aparece a paz. Ora a História não funciona assim. Uma guerra pode terminar militarmente e continuar politicamente durante décadas. Uma potência pode perder uma batalha e tornar-se mais perigosa depois dela. Um regime pode cair e ser substituído por outro ainda mais radical. E uma derrota pode criar condições para uma nova guerra, em vez de impedir uma nova guerra.

No caso da Rússia, esta questão não é académica. Estamos a falar de uma potência nuclear, com um enorme território, vastos recursos naturais, capacidade militar, indústria de defesa, uma população de dezenas de milhões de pessoas e uma posição geográfica que liga Europa e Ásia. Ora a Rússia não desapareceria depois de perder a guerra. Continuaria ali. E seria precisamente nesse momento que começaria uma nova incógnita: que Rússia resultaria da derrota?

Uma Rússia derrotada seria necessariamente uma Rússia pacificada? É esta a primeira grande fragilidade da frase de António Costa. Partir do princípio de que uma derrota militar russa produziria automaticamente uma Rússia disposta à paz é uma hipótese, não uma certeza. Poderia acontecer. Mas também poderia acontecer o contrário. Uma derrota poderia provocar uma luta pelo poder em Moscovo. Poderia desencadear uma disputa entre diferentes sectores políticos, militares e nacionalistas. Poderia produzir uma reação de humilhação perante aquilo que uma parte da sociedade russa interpretasse como uma derrota imposta pelo Ocidente.

E nesse cenário surgiria uma pergunta ainda mais inquietante: quem sucederia ao poder russo? Um dirigente mais moderado? Talvez. Mas também poderia surgir alguém que considerasse Putin excessivamente conciliador e entendesse que a Rússia tinha sido derrotada precisamente porque não tinha ido suficientemente longe.

A História está cheia de exemplos em que a humilhação de uma potência não produziu necessariamente moderação. Por isso, a afirmação de que a derrota da Rússia é condição necessária para a paz contém uma contradição elementar: para obter a paz, poderíamos estar a criar as condições para uma Rússia politicamente mais instável e potencialmente mais radical.

Mas, para que essa afirmação seja uma análise política e não apenas uma convicção, falta responder à pergunta decisiva: como se garante que a derrota da Rússia não seja precisamente o acontecimento que desencadeia os conflitos que hoje ainda conseguimos evitar? É aqui que, do meu ponto de vista, a personalidade política de António Costa desaparece por detrás do slogan.

António Costa tornou-se um populista! Não temos pena, por que já tínhamos desconfiado.

A máquina de inventar videojogos

(Rui Pereira, in Facebook, 07/08/2026)

(Foto: em Público 5.8.2026)

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Quase poderia subtitular-se assim a propaganda de guerra ucraniana que, nos últimos dias, apresentou um novo videojogo: – os russos estão a usar drones para caçar civis ao longo da Ucrânia.

As peças “jornalísticas” mostram bizarríssimas imagens, em que um drone supostamente russo, supostamente persegue um suposto vendedor ucraniano de legumes. Como duas crianças jogando às apanhadas em torno de uma mesa, o drone-criança rodopia em volta de uma mesa-carrinha, atrás de um vendedor de legumes-criança que procura não ser apanhado, correndo também em volta da mesa-carrinha.

Finalmente, o drone apanha-o, explode-lhe em cima e a peça “jornalística” passa para uma entrevista com o atingido que, com o rosto ruborescido, volta a descrever a cena, agora por palavras, esquecendo-se, porém, de explicar como pode estar vivo, vídeo aqui.

O vídeo, divulgado “pela Ucrânia” segundo a CNN, passa então por verdade bíblica. Ficamos a saber que o Financial Times explica o que a suposta vítima se esqueceu de explicar (como sobreviveu?), mas esse pormenor é deixado em claro também pela “reportagem” televisiva.

Em vez disso, outra peça da CNN internacional passa para o enquadramento geral, sobre a inumanidade dos russos, que estariam agora a dedicar-se a matar os civis ucranianos, um por um, num macabro videojogo criado nas profundezas da bárbara Moscóvia para diversão dos seus jovens aprendizes de Rasputine, ver vídeo aqui.

Por seu lado, o jornal Público cita Zelensky tematizando agora o até aqui relatado e enquadrado. Segundo o matutino português, o tema é “denunciado” (sic) por Zelensky, sob a fórmula “safari” de drones russos contra populares na Ucrânia, ver aqui.

Tudo isto, Agendamento (agenda-setting) de um assunto, o seu Enquadramento (Framing) e por fim a sua constituição enquanto tema partilhado no discurso público (Tematização, script, schematta) está mais do que estudado e é sobejamente conhecido pelas ciências da comunicação, como estratégias de manipulação das perceções a que se dá o nome outrora bem reputado de “propaganda”.

O pré-construído cultural em que assenta é o da barbaridade russa, um bordão da russofobia que atravessou os tempos de Ivan o Terrível a Vladimir Putin sem qualquer solavanco: – bárbaros comunistas, bárbaros não-comunistas, bárbaros autocratas, bárbaros plutocratas, numa palavra: – bárbaros.

A tematização só cumpre, porém, a sua missão, se for capaz de se tornar invisível aos olhos dos seus destinatários, invisibilizando outros temas seus concorrentes. Para isso, precisamos portanto de nos interrogar a que outros temas poderíamos estar a assistir em vez deste? Percebemos então que os ataques, esses, sim, reais, de drones ucranianos contra infraestruturas logísticas de distribuição civil russas (armazéns Wildberries – a Amazon russa), que nada têm de militar, são um deles. Que outro é a tragédia dos bombardeamentos sobre as infraestruturas portuárias, energéticas e de logística bélica ucraniana pelos drones e mísseis da Rússia, cuja Força Aérea voa em céus ucranianos como se estivesse em sua própria casa.

O que se oculta, em suma, é o sacrifício de milhares de vidas de um par de gerações do povo ucraniano em nome do delírio ocidental de “desgastar a Rússia” como enunciaram Biden e o seu séquito. E este massacre, engendrando uma guerra de desgaste contra a Rússia que dura desde 2014, mata ucranianos, sim, mas não perseguindo-os um por um com malabarismos propagandísticos. Mata-os em massa, fardados aos milhares em nome de coisa nenhuma que possa interessar a qualquer um deles.

A União Europeia proibe a utilização de helicópteros russos para extinguir os incêndios

(In Mpr21.info, 29/07/2026, Tradução da Estátua)


(Este texto revela quão alucinadas andam as lideranças europeias. Preferem a morte e a destruição em casa própria, o sacrificio e o sofrimento dos seus cidadãos, para poderem continuar a manter a russofobia punitiva das sanções, que causam mais mossa a quem as inflige do que a quem são, supostamente, dirigidas.

Será masoquismo? Será o cumprimento de um guião que lhes foi umposto para marcharem a cantar para a autodestruição? Seja o que for, é tempo dos cidadãos acordarem, livrando-se de vez dessa corja de dementes que governa a Europa.

Estátua de Sal, 31/07/2026)


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Grandes incêndios florestais estão a devastar Espanha e França, obrigando milhares de pessoas a evacuar as suas casas. O fogo está a chegar perto de grandes áreas residenciais, mas, apesar do risco, os países afetados recusam-se a usar os equipamentos russos que estão parados nos hangares.

Devido às sanções, a União Europeia proíbe a utilização de equipamentos de combate a incêndios florestais de fabrico russo localizados no seu território. Os helicópteros russos estão parados nos hangares, mas não podem operar por falta de manutenção. Por exemplo, em França, restam apenas cinco a sete aeronaves disponíveis para combater incêndios em todo o país. A mesma situação ocorre em Espanha.

Os helicópteros russos Kamov Ka-32 são considerados particularmente eficazes em missões de combate a incêndios florestais: elevada capacidade de carga (de 4,5 a mais de 5 toneladas de água), rápida implantação, boa manobrabilidade e desempenho a altas temperaturas e altitudes elevadas. No entanto, as sanções da União Europeia contra a Rússia impediram a utilização da frota de helicópteros em Espanha para o combate aos incêndios florestais devido à falta de peças de substituição e de técnicos russos.

Os helicópteros russos eram operados por empresas privadas ao abrigo de contratos com o Ministério da Transição Ecológica ou com os governos regionais, principalmente na Andaluzia, Aragão, Extremadura e Guadalajara. Existem aproximadamente 10 aeronaves, mas desde o início da guerra na Ucrânia, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) proibiu os voos de helicópteros russos. Em 2024, as sanções, dirigidas particularmente à empresa Kamov, bloquearam o fornecimento de peças de substituição e o destacamento de técnicos e mecânicos russos necessários para a manutenção das aeronaves.

Em 2024, numa resposta parlamentar, o governo espanhol reconheceu oficialmente que a disponibilidade dos helicópteros Kamov tinha sido afetada pela guerra na Ucrânia e pelas sanções da União Europeia, impossibilitando a compra de peças de substituição e a chegada de técnicos russos. Em 2023, apenas uma parte da frota permanecia disponível; em 2024, nenhum estava em funcionamento em campanhas de combate a incêndios. Desde então, os operadores retiraram estas aeronaves da frota espanhola.

Obviamente, as sanções não são um problema para a Rússia, mas sim para os países europeus. “O governo perdeu a capacidade de mobilizar os helicópteros Kamov Ka-32 11BC, aeronaves que protegeram as montanhas do país durante décadas. A paralisia operacional não se deve a cortes orçamentais, mas às severas sanções impostas pela União Europeia à Rússia após o início da invasão da Ucrânia”, observa o jornal La Razón. “As sanções emitidas por Bruxelas impedem a chegada de técnicos especializados de Moscovo para realizar a manutenção obrigatória”, acrescenta o jornal (ver aqui).

A isto acresce a impossibilidade de receber as peças de substituição necessárias para garantir a segurança de voo. Sem apoio logístico, a aeronave não pode operar legalmente no espaço aéreo europeu, deixando uma enorme lacuna nas equipas de emergência que combatem incêndios na linha da frente”, destaca o jornal La Razón. “Estas máquinas impressionantes são capazes de lançar mais de 5.000 litros de água em apenas alguns segundos. Os próprios profissionais da área florestal confirmam que a precisão e a potência destes dispositivos de rotor duplo são cruciais em terra para extinguir as chamas.”

Em França, o exército recusa-se a utilizar tecnologia russa para combater os incêndios. “O que aconteceria se a Rússia enviasse os seus Be-200 para ajudar a França no combate aos incêndios?”, questiona a ActuFutur (ver aqui). “Com os incêndios florestais a mobilizarem intensamente os serviços de emergência franceses, surge uma questão recorrente: poderá a cooperação internacional reforçar temporariamente a nossa frota aérea?”  É que o avião cisterna russo Beriev Be-200 pode transportar até 12.000 litros de água, que enche em cerca de quinze segundos planando sobre uma superfície adequada. O seu emprego em França continua a ser hipotético, mas reacende o debate sobre a cooperação entre Estados quando os incêndios sobrecarregam os recursos disponíveis. Perante as chamas, a cooperação deve prevalecer sobre as tensões políticas?”, questiona a publicação.

A pergunta é retórica: a Europa está mais preocupada com a Rússia do que com os incêndios.

Fonte aqui