(A verdade vem sempre ao de cima – pode é vir tarde -, pelo que esta notícia merece destaque, e é uma prenda das antigas para os Isidros, Milhazes, Rogeiros e comandita limitada. A propósito, transcrevo o comentário no Facebook “do Major-general Carlos Branco sobre a temática:
“Afinal havia outra. Onde estão os que desafiando a lógica e a racionalidade diziam que tinham sido os russos a destruir o Nordstream? Quem punha em causa algo incontornavelmente lógico era imediatamente apelidado de putinista. Como classificam agora um tribunal alemão que veio dar-lhes razão?”
Resposta da Estátua ao Major-general Carlos Branco: – Claro que o Putin comprou os juízes do tribunal alemão… 🙂
Ninguém convence um burro a não zurrar…
Estátua de Sal, 03/07/2026)
O Ministério Público alemão acusou esta quinta-feira as autoridades ucranianas de terem ordenado a sabotagem dos gasodutos russo-alemães Nord Stream em 2022, pouco depois da invasão russa da Ucrânia.
Segundo Berlim, o principal suspeito, identificado como Serhii K., e outros militares “elaboraram, a pedido das autoridades ucranianas, um plano destinado a destruir os gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2”, indicou o Ministério Público da Alemanha em comunicado.
O cidadão ucraniano Serhii K. é acusado de cumplicidade em crime de guerra, perturbação de serviços públicos, destruição de infraestruturas e de ter provocado uma explosão. Os gasodutos foram sabotados com explosivos em setembro de 2022.
Segundo os procuradores federais alemães, o objetivo era interromper definitivamente o fornecimento de gás através dos gasodutos e impedir que a Rússia utilizasse as receitas do comércio de gás natural para financiar os seus esforços de guerra.
A acusação explica que Serhii K. entrou na Alemanha com um passaporte ucraniano falsificado em setembro de 2022, liderando uma equipa de mergulhadores e um especialista em explosivos, embarcando num iate alugado.
O grupo de homens terá então transportado, através de águas internacionais, grandes quantidades de explosivos adequados para uso militar até um local próximo da ilha dinamarquesa de Bornholm, onde os fixaram aos gasodutos submarinos.
Serhii K. foi detido em Itália em agosto do ano passado e transferido para a Alemanha em novembro, tendo sempre negado qualquer envolvimento.
Os tribunais alemães consideram que o caso se enquadra na jurisdição do país, uma vez que os gasodutos danificados terminam em Lubmin, no Estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, e que os danos causados afetaram a segurança energética e a segurança interna da Alemanha.
E isto não é teoria da conspiração. Não é preciso ir buscar um senhor de chapéu de alumínio fechado na cave. Basta ler os relatórios e contas.
A Volkswagen não está em dificuldades, (ver aqui), porque os alemães desaprenderam a fazer carros. Não está a cortar dezenas de milhares de postos de trabalho porque, de repente, em Wolfsburg se descobriu que afinal o segredo da prosperidade era produzir menos, despedir mais e rezar por dias melhores.
A própria Volkswagen escreve, preto no branco, que o ano foi marcado por tarifas, tensões geopolíticas, pressão concorrencial intensa, custos de reestruturação, transição eléctrica e regulação de CO₂. Traduzindo para português: meteram uma das maiores empresas do mundo dentro de uma máquina burocrática, ambientalista e ideológica, ligaram a centrifugação, e agora saiu de lá uma empresa esmagada.
O resultado operacional caiu brutalmente. As receitas ficaram praticamente paradas. A margem operacional ficou miserável para uma empresa daquela dimensão. E, como cereja em cima do bolo, a empresa reconhece centenas de milhões em custos ligados à regulação europeia de CO₂. Isto não é uma opinião. Isto está nos documentos da empresa.
A UE decidiu que o futuro automóvel europeu tinha de ser decidido por burocratas que nunca fabricaram uma dobradiça, nunca venderam um carro, nunca pagaram salários com dinheiro próprio e nunca tiveram de competir com a China ou com os EUA.
Resultado: os EUA inovam, a China fabrica, a Europa regula, e a Alemanha despede. É esta a nova cadeia de produção do planeta, sendo que a Europa está a conseguir ser mais produtiva a despedir do que os EUA a inovar ou a China a fabricar.
A Volkswagen junta-se assim a uma longa lista de cadáveres, semi-cadáveres e marcas transformadas em fantasmas.
Lembram-se da Nokia? A Europa tinha a rainha mundial dos telemóveis. Agora andamos todos com IOS e Android.
Lembram-se da Siemens Mobile? Evaporou-se. Lembram-se da Ericsson? Toda a gente conhece aquele gajo que tinha um Ericsson! Hoje, faz parte dos museus.
Lembram-se da Alcatel? Da Grundig? Da AEG? Da Thomson? Da Olivetti? Da Philips? Lembram-se da Saab? Da Rover? Da Volvo, que acabou nas mãos da chinesa Geely?
E agora seguem-se Volkswagen, Mercedes e o coração industrial alemão. Quem conhece as histórias passadas, consegue perceber o desenlace destes novos dramas. Já vimos este filme.
A Europa está a ser assassinada pela União Europeia e pelos seus governos. A “transição” fez gigantes transitar para o estado de falidos. A “neutralidade carbónica” traduziu-se na transferência de indústria para países que continuam a produzir com carvão.
“Soberania estratégica” agora, é depender da China para baterias, minerais, painéis solares e componentes. A “competitividade” é meter mais custos, mais regras, mais impostos, mais certificados, mais proibições e fazer dos subsidios uma das principais fontes de receita de empresas escolhidas a dedo por burocratas.
É o tipo de génio administrativo que só podia nascer num continente onde um burocrata olha para uma fábrica e não vê trabalhadores nem empresários a precisar de ajuda. Vê “emissões”, “metas”, “conformidade” e “alinhamento regulatório”. Parece uma anedota.
A Europa comporta-se como o maior serial killer empresarial do pós revolução industrial. Mata com a arrogância moral de quem acha que o mundo inteiro imitará a Europa se a Europa se imolar primeiro. Só que o mundo não imita. O mundo vende-nos os produtos que deixámos de conseguir produzir. A China agradece. Os EUA abriram os olhos. A Europa faz palestras.
E depois, claro, aparecem os mesmos iluminados a perguntar porque é que a revolta cresce, porque é que os trabalhadores deixam de confiar no sistema, porque é que a classe média desapareceu, porque é que a Alemanha estagnou, porque é que a França arde, e porque é que os portugueses votam como quem votaria num país em colapso, apesar de nos inundarem de estatísticas a dizer que está tudo bem.
A resposta está em Wolfsburg. Está nas fábricas paradas. Está nos despedimentos. Está na Autoeuropa em pausa. Está na Mercedes a cortar custos. Está nos fornecedores alemães a tremer. Está nos nomes que já foram orgulho europeu e hoje são epitáfios industriais. Está na miséria que se vive em Setúbal, no Vale do Ave, em Aveiro, e no Porto, que vivia de serviços que prestava às indústrias.
A Volkswagen não é apenas uma empresa em crise. É só mais uma. Quando se entrega a economia real a burocratas, a indústria não se adapta. Morre. E quando a indústria morre, não morre sozinha. Leva consigo salários, a classe média, o conhecimento técnico, a soberania, o poder político e o futuro.
Vamos ficar reduzidos a funcionários públicos, a dívida, a subsídios, a imigrantes baratos, a pobres subsidiados, a ricos exilados e classe média inexistente. Caminhamos alegremente para sermos o terceiro mundo. E não é só por causa da cultura que milhões de imigrantes trazem. É também pela cultura de auto extinção que por aqui continua a vencer nas urnas. E isso não é culpa de quem vem de fora.
(Jeffrey Sachs, In Jeffrey Sachs.org, 27/05/2026, Tradução da Estátua)
Jeffrey Sachs
O economista e diplomata Jeffrey Sachs apela ao ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Merz, para que inicie imediatamente conversações com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a paz na Europa.
Quando lhe escrevi uma carta aberta há seis meses, instei a Alemanha a procurar a diplomacia com a Rússia em vez da normalização da guerra. Seis meses depois, a situação na Europa agravou-se drasticamente. A Europa e a Rússia caminham para uma guerra aberta. E nesta deriva, Chanceler, a sua responsabilidade é singular. Nenhum líder europeu — nem em Paris, nem em Varsóvia, nem em Roma — ocupa a posição que a Alemanha ocupa, nem tem o poder que o senhor detém, para travar esta catástrofe. O senhor tentará a paz?
O senhor, juntamente com a Primeira-ministra Meloni e o presidente Macron, defenderam em janeiro de 2026 o reatamento das relações entre a Europa e a Rússia, descrevendo-a como “um país europeu”. No entanto, o senhor não procurou a diplomacia. Com o futuro da Europa em jogo, esta é uma extraordinária abdicação de liderança. Durante os seus meses como chanceler, tentou pelo menos um diálogo substancial com o presidente Putin? O seu ministro dos Negócios Estrangeiros tentou pelo menos um diálogo substancial com o ministro dos Negócios Estrangeiros Lavrov? Conversas reais, do tipo da que pôs fim à Guerra Fria. A resposta, ao que se sabe publicamente, é não. Nem uma vez. E não foi por falta de reconhecimento da urgência.
Os últimos dias trouxeram uma aceleração perigosa que deveria concentrar a atenção de todos os europeus. Ambas as capitais estão agora sob ataque contínuo: drones ucranianos de longo alcance atingiram áreas profundas de Moscovo, incluindo locais civis; os ataques russos com mísseis e drones contra Kiev intensificaram-se consideravelmente. Os drones ucranianos atravessaram o espaço aéreo dos Estados Bálticos, aumentando a possibilidade iminente de um incidente que poderá arrastar a Europa diretamente para a guerra. Um brutal ataque ucraniano contra uma escola para rapazes em Lugansk corroeu ainda mais a pouca contenção que restava. E no dia 25 de Maio, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, agindo sob instruções do Presidente Putin, notificou formalmente o Secretário de Estado dos Estados Unidos de que as Forças Armadas Russas estão a lançar “ataques sistemáticos e contínuos” contra instalações e centros de decisão em Kiev, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo aconselhou que os Estados Unidos e outros países “garantam a evacuação do seu pessoal diplomático e outros cidadãos da capital da Ucrânia”. Esta mensagem é o prólogo de uma escalada significativa. A diplomacia é mais urgente do que nunca.
A forma de defender a Ucrânia não é através de massacres contínuos, mas sim da paz em termos aceitáveis para todas as partes. Em vez disso, enfrentamos uma escalada, com mais mortes, mais destruição e a perspectiva real de uma guerra que se expanda para além da Ucrânia. Ao exigirem cada vez mais armamento, uma capacidade de combate cada vez maior e demonstrações cada vez mais ruidosas de “resolução”, e ao sinalizarem que a Alemanha se está a preparar para a guerra em vez de trabalhar para lhe pôr fim, permitiram que Berlim se tornasse um acelerador, em vez de um travão, de uma guerra em toda a Europa.
Responsabilidade da Alemanha: Seis Detalhes
A Alemanha tem uma profunda responsabilidade pela situação que actualmente enfrenta. Antes que a política alemã possa ser reorientada para a paz, o historial da Alemanha precisa de ser analisado com honestidade. Apresento, de seguida, seis graves fracassos da política externa alemã em relação à Rússia desde a reunificação alemã em 1990.
Primeiro — o Tratado 2+4 e a expansão da NATO para leste. A 12 de setembro de 1990, em Moscovo, a Alemanha assinou o Tratado sobre a Solução Final em Relação à Alemanha — o “Tratado 2+4” — que completou a reunificação alemã. Este tratado foi garantido porque Mikhail Gorbachev recebeu garantias solenes de Hans-Dietrich Genscher, Helmut Kohl, James Baker e outros líderes ocidentais de que a NATO não se expandiria para leste. Os documentos desclassificados — incluindo os memorandos agora públicos reunidos pelo Arquivo de Segurança Nacional da Universidade George Washington — são inequívocos: estas garantias foram dadas e, na altura, tinham a clara intenção de se aplicarem para além do território da antiga RDA, abrangendo também a Europa de Leste. Estas garantias foram reafirmadas ao longo de 1990 e 1991.
O Tratado 2+4 restringe a presença de tropas da NATO no território da antiga RDA e relembra os princípios da Acta Final de Helsínquia, que sublinha que a segurança de qualquer nação não deve ser obtida à custa da segurança de outra. Alguém no seu perfeito juízo acredita que a União Soviética se preocupava com as tropas ocidentais no território da antiga RDA, mas era indiferente aos exércitos da NATO em Varsóvia, Vilnius ou Kiev? Claro que não.
A questão da expansão da NATO foi discutida em detalhe e a Alemanha deu garantias explícitas de não expansão para Leste aos dirigentes soviéticos — garantias essas que foram posteriormente quebradas. A Alemanha foi a principal beneficiária destas garantias, que constituíam a contrapartida para a reunificação alemã. Contudo, já em 1993, os líderes alemães começaram a promover a violação dessas garantias.
Segundo — o próprio testemunho da Chanceler Merkel. Nas suas memórias, Angela Merkel escreve com notável franqueza que, na altura da Cimeira de Bucareste de 2008, compreendia que convidar a Ucrânia e a Geórgia para a NATO equivaleria a uma declaração de guerra contra a Rússia. Ela conhecia a linha vermelha da Rússia. Ainda assim, cedeu à pressão americana, aceitando o comunicado de compromisso de que a Ucrânia e a Geórgia “se tornariam” membros da NATO. Esta única frase desencadeou as catástrofes de 2014 e 2022. A franqueza posterior de Merkel é um presente para os seus sucessores: ela disse-lhes, de forma clara e com as suas próprias palavras, o que era compreendido na altura. A Alemanha não deve agora pretender o contrário.
Terceiro — a traição do acordo de 21 de Fevereiro de 2014. A 21 de Fevereiro de 2014, em Kiev, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, juntamente com os seus homólogos polaco e francês, intermediaram um acordo entre o Presidente Yanukovych e a oposição. O acordo previa o regresso à Constituição de 2004, a formação de um governo de unidade nacional e eleições presidenciais antecipadas. O Presidente Putin foi consultado; o acordo foi confirmado. Foi uma conquista diplomática importante num contexto de intensa violência. No entanto, em menos de 24 horas, Yanukovych foi deposto à força por um violento golpe. A Alemanha não insistiu no acordo que acabara de garantir. Em vez disso, seguindo o exemplo dos EUA, a Alemanha apoiou o novo governo, como se não houvesse acordo nenhum. Esta decisão convenceu Moscovo de que as assinaturas ocidentais não eram fiáveis.
Quarto — Minsk II. Em fevereiro de 2015, a Chanceler Merkel negociou pessoalmente o Minsk II no Formato Normandy e prometeu o apoio político da Alemanha através da Declaração de Apoio adotada em Minsk a 12 de fevereiro de 2015. Durante sete anos, a principal disposição política — a autonomia para as regiões do Donbass dentro de uma Ucrânia soberana — nunca foi implementada por Kiev. A Alemanha não pressionou Kiev para implementar a disposição de autonomia que tinha defendido — e Merkel reconheceu mais tarde que o acordo tinha sido utilizado como uma manobra para permitir à Ucrânia rearmar-se. O Presidente Hollande afirmou o mesmo. A garantia, por outras palavras, não era garantia nenhuma. Era uma estratégia — mais uma vez a mando de Washington. Mais uma vez, a mensagem para Moscovo era que as assinaturas ocidentais não eram fiáveis.
Quinto — Nord Stream. A 7 de fevereiro de 2022, no Salão Leste da Casa Branca, o Presidente Biden anunciou — com o então Chanceler Olaf Scholz ao seu lado — que “se a Rússia invadir… então não haverá mais um Nord Stream 2. Acabaremos com ele”. Questionado sobre como, respondeu: “Prometo, seremos capazes de o fazer”. Os gasodutos foram destruídos sete meses depois, num acto de sabotagem no Mar Báltico. As provas disponíveis — reportagens de investigação nos Estados Unidos e na Alemanha, o rasto seguido pelo procurador federal alemão e as declarações públicas de antigos funcionários — apontam, de forma esmagadora, para uma operação conjunta ucraniano-americana. O governo alemão sabe disso há muito tempo. Ainda assim, a Alemanha permitiu que a culpa pública recaísse sobre a Rússia, contrariando as provas directas, enquanto um acto de sabotagem industrial contra a economia alemã permanece impune e sem resposta.
Sexto — o acordo de Istambul de abril de 2022, que estava ao alcance. Poucas semanas após a invasão russa em Fevereiro de 2022, negociadores russos e ucranianos reuniram-se em Istambul para definir os termos de um acordo de paz: neutralidade da Ucrânia fora da NATO, garantias multilaterais de segurança, limites de tropas acordados e a resolução política das questões do Donbass e da Crimeia ao longo do tempo. O acordo estava a poucos dias da assinatura. O ex-primeiro-ministro israelita Naftali Bennett, um dos mediadores, confirmou publicamente que o acordo estava próximo e que o Ocidente — em particular os Estados Unidos e o Reino Unido — agiu para o bloquear. A missão do primeiro-ministro Boris Johnson a Kiev, em abril de 2022, para instruir a Ucrânia a não assinar o acordo, é do conhecimento público. Centenas de milhares de vidas ucranianas e russas, e a ordem europeia em geral, pagaram o preço desta intervenção EUA-Reino Unido. A Alemanha não se pronunciou sobre isso — embora a Alemanha, mais do que qualquer outro Estado europeu, tenha suportado as consequências económicas.
A Segunda Catástrofe: A Autodestruição Económica da Alemanha
A sua primeira preocupação deve ser a paz. A mensagem de ontem de Moscovo mostra-nos o quão tarde estamos. Mas há uma segunda catástrofe a desenrolar-se paralelamente à primeira: a destruição deliberada da economia alemã, com Berlim como autora e vítima.
A economia industrial da Alemanha foi construída com base no comércio com a Rússia. A destruição do Nord Stream e a consequente rutura das relações comerciais da Alemanha com a Rússia fizeram com que o país começasse a comprar gás natural aos Estados Unidos a preços várias vezes superiores aos do gás russo que era fornecido pelos gasodutos. Isto é um suicídio industrial. O sector químico alemão, o sector siderúrgico, a indústria vidreira, as indústrias de grande consumo energético — os próprios alicerces do Mittelstand (pequenas e médias empresas) — estão a perder competitividade internacional de dia para dia. Os empregos qualificados estão a desaparecer da economia alemã. E o contribuinte e o consumidor alemães estão a transferir riqueza nacional da Alemanha para os produtores de gás americanos numa escala sem precedentes na Europa do pós-guerra.
Além disso, o governo alemão está agora a prometer um enorme aumento das despesas com a defesa — centenas de milhares de milhões de euros na próxima década — para se armar para uma guerra que a diplomacia pode facilmente evitar. Trata-se de uma profunda má alocação de recursos nacionais. O desafio fundamental que a Alemanha enfrenta nesta década é a competitividade na era digital. Cada euro gasto em tanques, mísseis e projécteis de artilharia é menos um euro investido na capacidade da Alemanha em inteligência artificial, na sua capacidade de concepção e fabrico de chips, na sua infra-estrutura energética e nas redes digitais de alta velocidade de que a Alemanha necessita para se manter como uma das principais economias globais.
A dura realidade, Sr. Chanceler, é que não há segurança que se possa comprar com estas armas que a diplomacia não possa comprar por uma ínfima fracção do custo, e não há prosperidade a alcançar sem os investimentos em tecnologia digital e energia que esta acumulação de armamento irá sufocar.
O meu apelo
Chanceler Merz, mais do que de qualquer outro líder europeu, a questão de saber se a Europa mergulhará numa guerra generalizada ou se regressará à negociação e à sanidade económica depende de si. A hora é muito tardia. A mensagem formal de ontem de Moscovo para Washington afirma-o explicitamente. Por favor, inicie um diálogo com o Presidente Putin. Por favor, envie o seu ministro dos Negócios Estrangeiros a Moscovo ou convide o ministro dos Negócios Estrangeiros russo a ir a Berlim. Por favor, reabra os canais da OSCE que a Alemanha deixou atrofiar. Por favor, diga a Kiev para cessar os seus ataques contra alvos civis.
Mais importante ainda, por favor, digam a verdade ao público alemão: que uma paz negociada baseada na neutralidade da Ucrânia é o caminho realista para sair da catástrofe, e que restaurar uma relação económica normal com a Rússia é o caminho realista para superar o declínio industrial da Alemanha.
Os termos de um acordo aceitável que a Alemanha poderia propor são claros. Os combates cessariam na linha de armistício. Todas as partes renunciariam a qualquer recurso futuro à violência em matéria de fronteira. A Ucrânia restauraria a sua neutralidade e a NATO renunciaria definitivamente a qualquer expansão para leste.
A Europa e a Rússia restabeleceriam as relações económicas e cessariam os belicismos. A OSCE voltaria a ser o fórum central para a segurança europeia, com o princípio fundamental de que a segurança europeia é indivisível, não assente em blocos militares que dividem a Europa. Paralelamente a esta paz, a Alemanha redireccionaria os seus recursos nacionais para investimentos em áreas como o digital, a inteligência artificial, os semicondutores e a energia, que o futuro económico alemão exige.
A história registará o que o senhor fizer nas próximas semanas, e o que deixar de fazer. O mesmo acontecerá com o público alemão. O mesmo acontecerá com os povos da Rússia, da Ucrânia e da Europa em geral. É tempo de diplomacia, Sr. Chanceler. A escolha é sua.