A posição da Alemanha na Nova Ordem Mundial dos EUA

(Michael Hudson, in Resistir, 05/11/2022)

A Alemanha tornou-se um satélite económico da Nova Guerra Fria dos Estados Unidos com a Rússia, a China e o resto da Eurásia. A Alemanha e outros países da NATO foram instruídos a impor sanções comerciais e de investimento sobre si mesmos que durarão mais que a guerra por procuração de hoje na Ucrânia. 


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A guerra, a propaganda, e a cegueira

(Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 25/10/2022)

O memorial de Babi Yar em Kiev. Cerca de 33. 771 Ucranianos judeus foram ali fuzilados em dois dias, em 29 e 30 de Setembro de 1941 pelas Waffen SS ucranianas e pelos Einsatzgruppen de Reinhard Heydrich. Este massacre foi celebrado como uma vitória pelos nacionalistas integralistas. Actualmente, o governo ucraniano nomeou com o nome do nacionalista integralista Stepan Bandera a grande avenida que ai leva, « em honra » do maior criminoso da sua história.

A propaganda estupidifica. Sabemos que os nacionalistas integralistas ucranianos cometeram abomináveis massacres, particularmente durante a Segunda Guerra mundial. Mas esquecemos o que fazem às nossas portas desde há trinta anos, nomeadamente a guerra civil que levam a cabo desde há oito anos. A nossa estupidez permite apoiar os gritos de guerra dos nossos responsáveis políticos ao lado destes criminosos.


Quando irrompe uma guerra, os governos creem sempre dever reforçar o moral da sua população enchendo-a de propaganda. A parada é tal, vida ou morte, que os debates se agudizam e as posições extremistas ganham terreno. É isto exactamente que estamos testemunhando, ou talvez mais, a maneira pela qual nos transformamos. Neste jogo, as ideias defendidas por uns e por outros não têm qualquer relação com os seus pressupostos ideológicos, mas apenas com a sua proximidade ao Poder.

Em sentido etimológico, a propaganda, é apenas a arte de convencer, de propagar ideias. Mas na época moderna, é uma arte que visa reconstruir a realidade para denegrir o adversário e engrandecer as suas próprias tropas.

Contrariamente a uma ideia feita no Ocidente, não foram os nazis, nem os soviéticos que a inventaram, mas os Britânicos e os Norte-Americanos durante a Primeira Guerra Mundial [1].

Hoje em dia, a OTAN coordena os esforços na matéria a partir de seu Centro de Comunicações Estratégicas em Riga (Letónia) [2]. Este identifica os pontos sobre os quais quer agir e monta programas internacionais para os concretizar.

Por exemplo, a OTAN identificou Israel como um ponto fraco: enquanto o antigo Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu era amigo pessoal do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o seu sucessor, Naftali Bennett, reconheceu o fundamento da política russa. Ele aconselhou-o mesmo a devolver a Crimeia e o Donbass e, acima de tudo, a desnazificar a Ucrânia. O actual Primeiro-Ministro, Yaïr Lapid, é mais hesitante. Não quer apoiar os nacionalistas integralistas que massacraram um milhão de judeus pouco antes e durante a Segunda Guerra mundial.Mas também deseja ficar às boas com os Ocidentais.

Slava Stetsko, a viúva do Primeiro-Ministro nazi Yaroslav Stetko, abriu as sessões de 1998 e de 2002 da Verkhovna Rada.

Para trazer Israel de volta ao “bom caminho”, a OTAN tenta persuadir Telavive que, em caso de vitória russa, Israel perderia a sua posição no Médio-Oriente [3]. Para isso, difunde o mais amplamente possível a mentira de que o Irão seria aliado militar da Rússia. A imprensa internacional não para de afirmar que, no campo de batalha, os drones russos são iranianos e em breve os mísseis de médio alcance também o serão. Ora, Moscovo (Moscou-br) sabe muito bem como fabricar essas armas e jamais as encomendou a Teerão. A Rússia e o Irão (Irã-br) desmentem repetidamente estas alegações. Mas os responsáveis políticos ocidentais, apoiando-se na imprensa e não sobre uma simples reflexão, impuseram já sanções aos comerciantes de armas iranianos. Em breve, Yair Lapid, filho do presidente do memorial Yad Vashem, será pressionado e forçado a alinhar ao lado dos criminosos.

Os Britânicos, esses, destacam-se tradicionalmente na activação dos média (mídia-br) em rede e na utilização de artistas.

O MI6 apoia-se num grupo de 150 agências de notícias que trabalham na PR Network [4]. Eles convencem todas estas empresas a retomar as suas imputações e os seus slogans (eslogans-br).

O fundador do nacionalismo integralista ucraniano, Dmytro Dontsov, mostrava um ódio obsessivo contra os judeus e os ciganos. Durante a Guerra mundial, ele deixou a Ucrânia para se tornar administrador do Instituto Reinhard Heydrich. Foi esta instituição, sediada na Checoslováquia, que foi encarregada de planear o extermínio de todos os judeus e de todos os ciganos durante a Conferência de Wannsee. Ele acabou os seus dias pacificamente nos Estados Unidos.

Foram eles que sucessivamente os convenceram que o Presidente Vladimir Putin estava a morrer, depois que tinha ficado louco, ou ainda que enfrentava uma forte oposição e que ia ser derrubado por um Golpe de Estado. O seu trabalho prossegue hoje com entrevistas cruzadas de soldados na Ucrânia. Vocês ouvem os soldados ucranianos dizer que são nacionalistas e os soldados russos que têm medo, mas devem defender a Rússia. Vocês ouvem que os Ucranianos não são nazis e que os Russos, vivendo sob uma ditadura, são forçados a combater. Na realidade, a maior parte dos soldados ucranianos não são « nacionalistas » no sentido de defensores da pátria, mas « nacionalistas integralistas » no sentido dos dois poetas, Charles Maurras e Dmytro Dontsov [5]. O que não é de forma alguma a mesma coisa.

Só em 1925 é que o Papa Pio XI condenou o « nacionalismo integralista ». Nessa altura, Dontsov tinha já escrito o seu Націоналізм (Nacionalismo) (1921). Maurras e Dontsov definem a nação como uma tradição e idealizam o seu nacionalismo contra os outros (Maurras contra os Alemães e Dontsov contra os Russos). Ambos abominam a Revolução Francesa, os princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade e denunciam sem descanso os judeus e os mações. Consideram a religião como sendo útil à organização da sociedade, mas parecem agnósticos. Estas posições levaram Maurras a tornar-se petainista e Dontsov hitleriano. Este último mergulhará num delírio místico Varangiano (vikings suecos). O Papa seguinte, Pio XII, revoga a condenação do seu predecessor, pouco antes da guerra rebentar. Com a libertação, Maurras será condenado por convénio com o inimigo (ele que era germanófobo), mas Dontsov acabou recuperado pelos Serviços Secretos anglo-saxões e exilou-se no Canadá e mais tarde nos EUA.

Quanto aos soldados russos que vemos entrevistados durante os nossos jornais televisivos, não nos dizem que são obrigados a combater, mas que, ao contrário dos nacionalistas integralistas, eles não são fanáticos. Para eles, a guerra, mesmo quando se defende os seus, é sempre um horror. É por nos repetirem até à exaustão que a Rússia é uma ditadura que entendemos outra coisa. Não aceitamos que a Rússia seja uma democracia porque, para nós, uma democracia não pode ser um regime autoritário. No entanto, por exemplo, a Segunda República Francesa (1848-1852) era ao mesmo tempo uma democracia e um regime autoritário.

Somos fáceis de convencer porque ignoramos tudo da história e da cultura ucraniana. No máximo sabemos que a Novorossia foi governada por um aristocrata francês, Armand-Emmanuel du Plessis de Richelieu, amigo pessoal do Czar Alexandre Iº. Ele prosseguiu a obra do Príncipe Grigori Potemkin que queria edificar esta região no modelo de Atenas e de Roma, o que explica que ainda hoje em dia a Novorossia é de cultura russa (e não ucraniana), e sem nunca ter conhecido a servidão.

Alguns meses após a sua eleição, em 6 de Maio de 1995, Leonid Kuchma, o segundo presidente da nova Ucrânia, dirigiu-se a Munique para se encontrar com Slava Stetsko, a viúva do Primeiro-Ministro nazi ucraniano. Ele aceitou a introdução na nova Constituição de uma referência explicita ao nazismo : « preservar o património genético do povo ucraniano é uma responsabilidade do Estado » (sic).

A propósito da Ucrânia, ignoram-se as atrocidades do período entre guerras e da Segunda Guerra Mundial, e tem-se uma vaga ideia das violências da URSS. Ignora-se que o teórico Dontsov e o seu discípulo Stepan Bandera não hesitaram em massacrar todos aqueles que não correspondiam ao seu « nacionalismo integralista », os Judeus em primeiro lugar, neste país khazar, depois os Russos e os Comunistas, os Anarquistas de Nestor Makhno, e ainda muitos outros. Os «nacionalistas integralistas», que se tornaram admiradores do Führer e profundamente racistas, voltaram ao primeiro plano com a dissolução da URSS [6]. Em 6 de Maio de 1995, o Presidente Leonid Kuchma viajou para Munique (para as instalações da CIA) para se encontrar com a Chefe dos nacionalistas integralistas, Steva Stesko, a viúva do Primeiro-Ministro nazi. Ela tinha acabado de ser eleita para a Verkhovna Rada (Parlamento), mas não tinha podido aí tomar assento porque fora destituída da nacionalidade ucraniana. Um mês depois, a Ucrânia adoptou a sua actual Constituição, a qual dispõe no seu Artigo 16 que: « preservar o património genético do povo ucraniano é da responsabilidade do Estado » (sic). Posteriormente, a mesma Steva Stetsko inaugurou por duas vezes a sessão da Rada, concluindo as suas intervenções com o grito de guerra dos nacionalistas integralistas: « Glória à Ucrânia! ».

A Ucrânia moderna construiu pacientemente o seu regime nazi. Depois de ter proclamado o « património genético do povo ucraniano », ela promulgou diversas leis. A primeira concede o benefício de Direitos do Homem pelo Estado apenas aos Ucranianos, não aos estrangeiros. A segunda define o que constitui a maioria dos Ucranianos e a terceira (promulgada pelo Presidente Zelensky) quem faz parte das minorias. O truque é que nenhuma lei fala de russófonos. Por rotina, os tribunais não lhes reconhecem pois o benefício dos Direitos do Homem.

Desde 2014, uma guerra civil opõe os nacionalistas integralistas às populações russófonas, principalmente as da Crimeia e do Donbass. Cerca de 20. 000 mortos depois, a Federação da Rússia, aplicando a sua « responsabilidade para proteger », lançou uma Operação Militar Especial para aplicar a Resolução 2202 do Conselho de Segurança (Acordos de Minsk) e pôr fim ao martírio dos russófonos.

O Presidente Zelensky e o seu amigo, Benjamin Netanyahu. Este faz hoje em dia do apoio à Ucrânia o seu principal tema de campanha eleitoral. Netanyahu é o filho do secretário particular de Zeev Jabotinsky ; uma personalidade ucraniana que fez aliança com os nacionalistas integralistas contra os bolcheviques. Ele tentou por a comunidade judia ucraniana ao serviço destes anti-semitas, mas foi unanimemente denunciado no seio da Organização sionista mundial do qual se tornara administrador.

A propaganda da OTAN enche-nos com os reais sofrimentos dos Ucranianos, mas ela ignora os oito anos de torturas, assassínios e massacres que a precederam. Fala-nos dos «nossos valores comuns com a democracia ucraniana», mas que valores partilhamos nós com os nacionalistas integralistas e onde está a democracia na Ucrânia?

Nós não temos que escolher entre uns e outros, mas apenas devemos defender a paz e, portanto, os Acordos de Minsk e a Resolução 2202.

A guerra enlouquece. Dá-se então uma inversão de valores. Os mais extremistas acabam triunfando. Alguns dos nossos ministros falam em « sufocar a Rússia » (sic). Não se quer ver que estamos a apoiar as ideias que dizemos combater.


[1] “As Técnicas da moderna propaganda militar”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 17 de Maio de 2016.

[2] “A campanha da Otan contra a liberdade de expressão”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 5 de Dezembro de 2016.

[3] «Irán, Israel y Rusia», Voltaire, Actualidad Internacional – N°11 – 21 de octubre de 2022.

[4] “A Rede de Propaganda de Guerra anti-Rússia”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 31 de Março de 2022.

[5] “A ideologia dos banderistas”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Junho de 2022.

[6] “Ucrânia : a Segunda Guerra mundial continua”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 26 de Abril de 2022.


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A NATO não se pode dar ao luxo de perder Cabul e Kiev

(Por Pepe Escobar, in oxisdaquestao, 14/10/2022)

Não resisti em ilustrar este excecional texto com um cartoon também ele excecional

Vamos começar com o Pipelinistão. Quase sete anos atrás, mostrei como a Síria foi a guerra final do Pipelinistão .

Damasco havia rejeitado o plano – americano – de um gasoduto Qatar-Turquia, em benefício do Irã-Iraque-Síria (para o qual foi assinado um memorando de entendimento).

O que se seguiu foi uma campanha viciosa e concertada de “Assad deve ir-se”: a guerra por procuração como o caminho para a mudança de regime. O botão (dial) tóxico subiu exponencialmente com a instrumentalização do ISIS – mais um capítulo da guerra do terror (itálico meu). A Rússia bloqueou o ISIS, impedindo assim a mudança de regime em Damasco. O oleoduto favorecido pelo Império do Caos mordeu a poeira.

Agora, o Império finalmente exigiu a desforra (o retorno), explodindo os oleodutos existentes – Nord Stream (NS) e Nord Steam 2 (NS2) – transportando ou prestes a transportar gás russo para um importante concorrente econômico imperial: a UE.

Todos nós sabemos agora que a Linha B do NS2 não foi bombardeada, ou mesmo perfurada, e está pronta para ser lançada. Consertar as outras três linhas – furadas – não seria problema: uma questão de dois meses, segundo os engenheiros navais. O aço nos Nord Streams é mais espesso do que nos navios modernos. A Gazprom se ofereceu para repará-los – desde que os europeus se comportem como adultos e aceitem condições de segurança rígidas.

Todos sabemos que isso não vai acontecer. Nenhum dos itens acima é discutido na mídia da OTAN. Isso significa que o Plano A dos suspeitos de sempre permanece em vigor: criando uma escassez artificial de gás natural, levando à desindustrialização da Europa, tudo parte da Grande Reinicialização, renomeada “A Grande Narrativa”.

Enquanto isso, o Muppet Show da UE está discutindo o nono pacote de sanções contra a Rússia. A Suécia se recusa a compartilhar com a Rússia os resultados da desonesta “investigação” intra-OTAN sobre quem explodiu os Nord Streams.

Na Semana da Energia Russa, o presidente Putin resumiu os fatos.

A Europa culpa a Rússia pela confiabilidade de seu fornecimento de energia, embora estivesse recebendo todo o volume que comprou sob contratos fixos.

Os “orquestradores dos ataques terroristas do Nord Stream são os que lucram com eles”.

Reparar as condutas (strings) Nord Stream “só faria sentido em caso de operação e segurança contínuas”.

A compra de gás no mercado spot causará uma perda de € 300 bilhões para a Europa.

O aumento dos preços da energia não se deve à Operação Militar Especial (SMO), mas às próprias políticas do Ocidente.

No entanto, o show Dead Can Dance deve continuar. Como a UE se proíbe de comprar energia russa, a Eurocracia de Bruxelas dispara sua dívida com o casino financeiro. Os mestres imperiais riem até o banco com essa forma de coletivismo – enquanto continuam a lucrar usando os mercados financeiros para pilhar e saquear nações inteiras.

O que nos leva ao argumento decisivo: os psicopatas straussianos/neoconservadores que controlam a política externa de Washington podem eventualmente – e a palavra-chave é “poder” – parar de armar Kiev e iniciar negociações com Moscou somente depois que seus principais concorrentes industriais na Europa falirem.

Mas mesmo isso não seria suficiente – porque um dos principais mandatos “invisíveis” da OTAN é capitalizar, quaisquer que sejam os meios necessários, os recursos alimentares na estepe Pontic-Caspian: estamos a falar de 1 milhão de km2 de produção alimentar da Bulgária durante todo o caminho para a Rússia.

Judo em Kharkov

O SMO rapidamente fez a transição para um CTO “soft” (Operação Contra-Terrorista), mesmo sem um anúncio oficial. A abordagem sensata do novo comandante geral com carta branca completa do Kremlin, General Surovikin, também conhecido como “Armagedom”, fala por si.

Não há absolutamente nenhum indicador que aponte para uma derrota russa em qualquer lugar ao longo da linha de frente de mais de 1.000 km de extensão. A retirada forçada de Kharkov pode ter sido um golpe de mestre: o primeiro estágio de um movimento de judô que, envolto em legalidade, foi totalmente desenvolvido após o bombardeio terrorista de Krymskiy Most – a Ponte da Crimeia.

Vejamos a retirada de Kharkov como uma armadilha – como Moscou demonstrando graficamente a “fraqueza”. Isso levou as forças de Kiev – na verdade, seus manipuladores da OTAN – a se vangloriar da Rússia “fugindo”, abandonar toda cautela e ir para a falência, mesmo embarcando em uma espiral de terror, desde o assassinato de Darya Dugina até a tentativa de destruição de Krymskiy Most (ponte da Crimeia).

Em termos de opinião pública do Sul Global, já está estabelecido que o Daily Morning Missile Show do General Armageddon é uma resposta legal (itálico meu) a um estado terrorista. Putin pode ter sacrificado, por um tempo, uma peça do tabuleiro – Kharkov: afinal, o mandato da SMO não é manter o terreno, mas desmilitarizar a Ucrânia.

Moscou até ganhou depois de Kharkov: todo o equipamento militar ucraniano acumulado na área foi lançado em ofensivas, apenas para que o exército russo se envolvesse alegremente em tiroteio ininterrupto.

E então há o verdadeiro argumento decisivo: Kharkov colocou em movimento uma série de movimentos que permitiram a Putin eventualmente dar o xeque-mate, através do CTO “soft” pesado de mísseis, reduzindo o Ocidente coletivo a um bando de galinhas sem cabeça.

Paralelamente, os suspeitos de sempre continuam a girar incansavelmente sua nova “narrativa” nuclear. O ministro das Relações Exteriores Lavrov foi forçado a repetir ad nauseam que, de acordo com a doutrina nuclear russa, um ataque só pode acontecer em resposta a outro (um) ataque “que ponha em perigo toda a existência da Federação Russa”.

O objetivo dos assassinos psicopatas da DC – em seus sonhos molhados – é provocar Moscou a usar armas nucleares táticas no campo de batalha. Esse foi outro vetor para apressar o momento do ataque terrorista na Ponte da Crimeia: depois que todos os planos de inteligência britânicos estavam rodando há meses. Isso tudo deu em nada.

A histérica máquina de propaganda straussiana/neocon está freneticamente, preventivamente, culpando Putin: ele está “encurralado”, está “perdendo”, está “ficando desesperado” para lançar um ataque nuclear.

Não é de admirar que o Relógio do Juízo Final criado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos em 1947 esteja agora a apenas 100 segundos da meia-noite. À direita na “porta de Doom”.

É aqui que um bando de psicopatas americanos está nos levando.

A vida à porta de Doom

À medida que o Império do Caos, Mentiras e Pilhagem está petrificado pelo surpreendente Double Fail de um ataque econômico/militar maciço, Moscou está se preparando sistematicamente para a próxima ofensiva militar. 

Do jeito que está, é (está) claro que o eixo anglo-americano não vai negociar. Ele nem tentou nos últimos 8 anos, e não está prestes a mudar de rumo, mesmo incitado por um coro angelical que vai de Elon Musk ao Papa Francisco.

Em vez de ir a Full Timur, acumulando uma pirâmide de crânios ucranianos, Putin convocou eras de paciência taoísta para evitar soluções militares. O terror na Ponte da Crimeia pode ter mudado o jogo. Mas as luvas de veludo não estão totalmente fora: a rotina aérea diária do General Armageddon ainda pode ser vista como um – relativamente educado – aviso. Mesmo em seu último discurso marcante, que continha uma acusação selvagem ao Ocidente, Putin deixou claro que está sempre aberto a negociações.

Mas agora, Putin e o Conselho de Segurança sabem por que os americanos simplesmente não conseguem negociar. A Ucrânia pode ser apenas um peão em seu jogo, mas ainda é um dos principais nós geopolíticos da Eurásia: quem a controla, desfruta de uma profundidade estratégica extra.

Os russos estão muito cientes de que os suspeitos de sempre estão obcecados em explodir o complexo processo de integração da Eurásia – começando com a BRI da China. Não é de admirar que instâncias importantes de poder em Pequim estejam “inquietas” com a guerra. Porque isso é muito ruim para os negócios entre a China e a Europa através de vários corredores transeurásicos.

Putin e o Conselho de Segurança da Rússia também sabem que a OTAN abandonou o Afeganistão – um fracasso absolutamente miserável – para colocar todas as suas fichas na Ucrânia. Portanto, perder tanto Cabul quanto Kiev será o golpe mortal final: isso significa abandonar o século 21 da Eurásia para a parceria estratégica Rússia-China-Irão.

As sabotagens – de Nord Streams e da Ponte da Crimeia (Krymskiy Most) – entregam o jogo do desespero. Os arsenais da OTAN estão praticamente vazios. O que resta é uma guerra de terror : a sirização, na verdade o ISIS-zation do campo de batalha. Gerenciado pela OTAN sem cérebro, atuou no terreno por uma horda de bucha de canhão polvilhada com mercenários de pelo menos 34 nações.

Portanto, Moscou pode ser forçada a ir até o fim – como o Totally Unplugged Dmitry Medvedev revelou: agora trata-se de eliminar um regime terrorista, desmantelar totalmente seu aparato de segurança política e facilitar o surgimento de uma entidade diferente. E se a OTAN ainda o bloquear, o confronto direto será inevitável.

A tênue linha vermelha da OTAN é que eles não podem se dar ao luxo de perder tanto Cabul quanto Kiev. No entanto, foram necessários dois atos de terror – no Pipelinistão e na Crimeia – para imprimir uma linha vermelha muito mais dura e ardente: a Rússia não permitirá que o Império controle a Ucrânia, custe o que custar. Isso está intrinsecamente ligado ao futuro da Parceria da Grande Eurásia. Bem-vindo à vida à porta de Doom.


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