A propaganda da moralidade

(Tiago Franco, in Facebook, 05/05/2026, Revisão da Estátua)


Não gosto de dias seguidos bons e, portanto, salto da alegria de um dia bom para a entrada numa oficina na madrugada seguinte.

A propósito, muitíssimo obrigado pela vossa simpatia nas mensagens que me enviaram. Como se costuma dizer, aqueceram o coração de um pré-velho.

Tudo me irrita em oficinas da marca. Tudo. Mas quando vejo uma máquina de check-in e pequeno-almoço “grátis”, começo logo a fazer contas ao estrago que me vão infligir. É a fatura de fazer por estrada o que devia fazer pelo ar. Vou acabar de discutir com a senhora da receção (sim, há receção) o preço do “update do software“, como se ela pudesse mudar alguma coisa, sacar mais uma sandocha e a irritação logo passará, mais perto do almoço.

Li por aqui umas declarações, do Montenegro, dizendo que estaria na altura de se trocar dois dedos de conversa com a Rússia do Vladimir. Aparentemente esta opinião gerou desconforto nos parceiros europeus. Ora, eu ainda sou do tempo em que pedir conversa, em vez de mais dinheiro para a guerra, era ser putinista.

Era também o tempo em que mais uma bateria de “Patriots” seria o “Game changer” (Isidro, táz aonde?) e o décimo sétimo pacote de sanções ia colapsar a economia russa. Que estava a 6 meses de rebentar. Em 2023, 2024, 2025 e agora é que é mesmo a sério.

Entretanto passámos por uma escalada nos juros que nos foram rebentando a vida e, como explica ali aquele gráfico, não mais voltámos ao ponto de partida. A energia, que a Europa não tem, passou a custar mais, mesmo quando vinha da Rússia via outro entreposto qualquer.

Montenegro foi pragmático e chegou a uma conclusão brilhante. Não dá para dobrar os russos e já chega de empobrecer a população com esta merda. De modo que é preciso fazer qualquer coisa diferente. Outros líderes europeus já assumiram que a Ucrânia vai ter que ceder território.

E aqui, repito o que já escrevo desde 2023… não se trata de justiça mas sim de encontrar a melhor entre várias soluções más. Da mesma maneira que ninguém se atreve a atacar os americanos pelo caos em que estão a colocar a economia mundial, não haverá quem tenha coragem de enfrentar, no campo de batalha, os russos.

É esse o efeito dos Impérios sobre os países mais fracos. Lá está…é uma merda mas, a não ser que tenham filhos para mandar para lá, não há grande moral em estar no sofá, a pagar e a aliviar a consciência, enquanto os filhos dos outros morrem.

Ao contrário do que o PSD de Montenegro disse, quando o PCP defendeu esta mesma solução, há quatro anos atrás, eu não acredito que o Luís seja putinista (embora faça alianças com os amigos do Putin em Portugal). Acho é que, provavelmente, já alguém lhe explicou que a UE precisa de energia que vem de fora, que Portugal é afetado por qualquer constipação da UE e que ele, com um governo que vive essencialmente de propaganda, cedo ou tarde vai no arrasto do aumento do custo de vida que tanto a invasão russa, como agora a americana no Irão, vão provocando.

Há duas coisas a reter aqui.

A primeira é que, para a elite dirigente, não se diferencia o bem do mal nas invasões. Não há moral ou justiça. Há interesses, negócios e narrativas variantes consoante a necessidade de cada momento. Não há vergonha. Há dinheiro.

A segunda é a constatação da regularidade com que o PCP apresenta, mais cedo, as soluções onde todos acabam por chegar. E isso não acontece por acaso. Acontece porque, por lá, passa-se mais tempo a ler livros de história do que a absorver segundos do TikTok.

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Um pensamento sobre “A propaganda da moralidade

  1. Quem será o primeiro grunho a dizer que o homem deve ser deportado para a Rússia e ser obrigado a pagar o bilhete?
    Claro que os raivosos polacos e bálticos, os alemães herdeiros do nazismo, os ingleses que gostariam de ter combatido os russos ao lado de Hitler e os franceses que deviam ter vergonha no focinho são certamente aqueles a quem a coisa causou o tal mal estar.
    Porque a verdade e que os países do Sul da Europa são quem mais tem sofrido com isto tudo, por isso nada mais normal que seja no Sul da Europa que a frente unida contra a Rússia começa a rachar.
    Como nalguns países do Leste europeu.
    Hoje caiu o governo pro União Europeia da Romênia.
    Depois de embandeirarem em arco com a vitória na Hungria talvez os mercadores da norte tenham na Roménia outro bico de obra a aviar.
    Nos e que estamos todos metidos num bom bico de obra, há mais de quatro anos a financiar a camarilha de Herr Zelensky.
    Que no próximo dia 20 cumpre dois anos em que e ditador de facto da Ucrânia a pretexto da guerra.
    Mas estes trastes continuam a vencer nos a treta de que o traste que ilegalizou 12 partidos políticos, prendeu, matou e entregou opositores a Rússia está a defender a democracia.
    Tenham vergonha no focinho.

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