Agora já é tarde demais para voltar atrás

(Por Will Schryver in Twitter/X, 04/05/2026, Trad. da Estátua)


Eles, os EUA, vão gastar tudo numa última tentativa de reverter a situação.


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Creio que há uma fação a consolidar-se em Washington que está a pressionar para sair desta guerra sem mais delongas.

Militarmente, é uma causa perdida. Sim, compreendo que muitas pessoas pensem que sou louco por dizer isto, mas esta realidade está a tornar-se mais evidente para mais pessoas, dia após dia.

Mesmo assim, estou inclinado a concluir que o Império já se envolveu demasiado nesta manobra para voltar atrás agora. Negociar um acordo a partir da sua posição atual é impensável. O Irão está a ditar as regras.

O bloqueio dos EUA tem sido uma farsa até agora. Intercetaram alguns navios para inglês ver. Muitos outros seguiram o seu caminho tranquilamente.

O facto é que a Marinha dos EUA não pode executar um bloqueio taticamente significativo. Têm, no máximo, 17 contratorpedeiros da classe Arleigh Burke no Mar Arábico. Certamente sentir-se-ão compelidos a manter pelo menos uma dúzia deles para fornecer proteção aos dois porta-aviões. Restam cinco contratorpedeiros para impor um bloqueio que abrange mais de 4.800 quilómetros de águas predominantemente soberanas (Paquistão e Índia), desde a costa iraniana do Golfo de Omã até ao Estreito de Malaca. Boa sorte com isso — sobretudo se os chineses decidirem começar a escoltar frotas com navios de guerra.

E assim, voltamos ao dilema do Império: mesmo que saibam que não podem sustentar mais do que, talvez, mais duas semanas de ataques aéreos de alta intensidade, quase de certeza que utilizarão essa carta na esperança de melhorar a sua posição negocial.

É claro que muitas pessoas veem as manchetes sobre “três grupos de ataque de porta-aviões” prontos para semear a morte e a destruição sobre os presunçosos iranianos e, compreensivelmente, presumem que é verdade.

Não compreendem que o USS Poopy Gerry (CVN-78) é um navio que precisa urgentemente de dois anos em doca seca; Um navio que está escondido nas regiões mais a norte do Mar Vermelho, com três contratorpedeiros destacados para o proteger até que possa regressar sorrateiramente pelo Canal do Suez a meio da noite e regressar a Norfolk.

Não compreendem que a Marinha dos EUA já tem tido dificuldades em manter o USS Fraidy Abe (CVN-72) enquanto este faz manobras em forma de oito nas águas seguras e profundas do Mar Arábico — sem bases para descansar, recuperar mantimentos e reabastecer. Nada além das despensas, frigoríficos e congeladores cada vez mais escassos de um navio que precisa de alimentar 5.000 pessoas com três refeições por dia.

E agora, uma marinha que já lutava para manter um único grupo de ataque no Mar Arábico terá de manter DOIS deles. O USS Bush League (CVN-77) chegou à sua posição, presumivelmente a não menos de 800 km da costa iraniana.

Esta é uma frota cuja capacidade de combate tem uma vida útil extremamente curta. A componente de ataque aéreo na região não foi reforçada de forma significativa durante este recente “cessar-fogo”. Na verdade, foi consideravelmente enfraquecida desde o seu auge, no final de Fevereiro.

Mas um fluxo constante de C-17 tem entregado diversos tipos de mantimentos ao teatro de operações, presumivelmente mais sistemas de defesa aérea, intercetores, mísseis de cruzeiro e bombas.

A componente terrestre permanece totalmente insuficiente para fazer qualquer coisa de significativo. Uma única Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais no USS Tripoli, uma Brigada de Combate da 82ª Divisão Aerotransportada e várias unidades de forças especiais. Talvez totalize 5.000 combatentes efetivos, mas duvido.

Além disso, não acredito que conseguissem introduzir sequer 3.000 combatentes efetivos sem que acontecesse algum tipo de desastre.

Peço desculpa pela minha certeza neste ponto, mas, na minha opinião, qualquer pessoa que acredite que os EUA podem introduzir uma força terrestre no Irão — seja ela de 1.000, 10.000 ou 100.000 soldados — está completamente louca. Simplesmente não será possível.

Isto deixa-os com uma tentativa de repetir as primeiras semanas desta guerra: ataques aéreos e navais com mísseis à distância. Vão gastá-los todos numa última tentativa de reverter o rumo da situação.

Mas não vão desarmar o Irão. E o Irão, então, contra-atacará com salvas de mísseis sem precedentes, dos seus consideráveis ​​stocks.

E a situação do Império irá de mal a pior, com consequências ainda imprevisíveis.

Fonte aqui

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