Irão-EUA: O colapso do impasse estratégico

(Pepe Escobar in SakerLatam.org, 25/04/2026)


Da forma como as coisas estão, fica claro que Teerão nunca aceitará um bloqueio naval permanente. Portanto, haverá retaliação. Aconteça o que acontecer a seguir, o petróleo Brent ultrapassará certamente os US$ 120 por barril. O abastecimento de combustível de aviação ficará bastante restrito a partir do final da próxima semana. Os preços do diesel e da gasolina seguirão o mesmo caminho em duas semanas.

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Nenhuma análise séria pode considerar o blá-blá-blá mentalmente retardado do Sindicato Epstein sobre o que rola nos corredores do poder em Teerão.

Como se eles tivessem alguma pista fundamentada.

Nada está “fraturado” (exceto a psique do Babuíno da Bárbaria). É claro que existem diferentes abordagens conceituais e um animado debate público nacional. Mas, no alto nível de decisão, todo o sistema está fortemente unificado.

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Netanyahu toca, Trump dança e o Ocidente desaba

(Por José Goulão, in AbrilAbril, 25/04/2026, revisão da Estátua)


Ansioso por declarar vitória numa guerra que se apressou a dar como concluída com a entrada em vigor do cessar-fogo, Trump recebeu estas condições iranianas de ânimo leve, se calhar nem as leu.


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Como seria de esperar, o cessar-fogo na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão não passa de uma miragem. Apesar do ruído provocado por supostas cedências do Irão aos inimigos agressores e por enxurradas de declarações e as suas contrárias produzidas pelo transtornado Donald Trump, desmontar esta confusão levantada para consumo mediático é, afinal, muito simples. Washington está a tentar recompôr-se do fracasso de todos os objectivos políticos e militares da guerra, de modo a poder voltar a atacar; ou então busca uma saída airosa que, em termos de propaganda, possa transformar a derrota em vitória. Como, por exemplo, as tropas imperiais atlantistas fizeram no Afeganistão.

A mais recente decisão do presidente norte-americano (a prorrogação unilateral do cessar-fogo) não introduz qualquer alteração no status quo. É, afinal, uma declaração de derrota, disfarçada através de um gesto de suposta boa vontade que traz a contradição dentro dele. Para haver um autêntico cessar-fogo é necessário que os Estados Unidos abandonem a estratégia de bloqueio contra os portos iranianos, que o Irão considera um acto de guerra e desrespeita a cessação de hostilidades declarada há cerca de 20 dias. Mais uma canhestra jogada de propagada à medida da imbecilidade do seu autor, uma vez que a intenção de manter as tentativas de bloqueio persiste. Não deixemos, porém, de interpretar o gesto unilateral como uma manifestação norte-americana de pouca vontade para combater, como quem busca uma maneira de declarar vitória no meio do imbróglio a que aderiu por pressão sionista.

Por muitas estratégias vencedoras que o presidente dos Estados Unidos deseje exibir-nos, desmultiplicando-se em mentiras e contradições, no fim tudo se resume a uma única linha de conduta: Trump dança a música que Netanyahu toca.

No que diz respeito a esta nova fase da guerra contra o Irão isso acontece, pelo menos, desde a primeira quinzena de Fevereiro último. No dia 11 desse mês, o chefe do regime sionista fez uma extensa apresentação na Sala da Situação na Casa Branca – onde raramente têm assento estadistas estrangeiros – perante Trump e um núcleo restrito dos seus assessores.

Os pressupostos para uma bem-sucedida agressão contra o Irão apresentados por Benjamin Netanyahu, com toda a convicção, partiram dos princípios de que Teerão estaria maduro para uma mudança de regime; a vitória numa acção militar seria quase certa; o programa iraniano de mísseis balísticos poderia ser destruído em poucas semanas; o poder “dos ayatollahs” estaria tão enfraquecido que seria incapaz de bloquear o Estreito de Ormuz; o aparelho militar iraniano não tinha capacidade para atacar os aliados dos Estados Unidos e de Israel no Golfo. Além disso, apoiado em pareceres seguros do Mossad, o chefe sionista garantiu que, logo aos primeiros bombardeamentos, as populações agredidas iriam sublevar-se contra o regime, promovendo tumultos e rebeliões; e que os curdos do Iraque não hesitariam em invadir território iraniano, dispensando os militares norte-americanos de «pôr os pés em terra», e assim acelerariam a queda do regime. 

Netanyahu apresentou também uma lista dos dirigentes seculares que poderiam encabeçar um novo regime iraniano, nomeadamente Reza Palhevi, o herdeiro do antigo Xá, residente nos Estados Unidos, que assim iria repôr a monarquia fiel a Washington.

«Parece óptimo», declarou Trump aos presentes quando Netanyahu acabou a exposição. Pelo menos é o que revela o relato da reunião publicado pelo New York Times.

Nem todos os assessores emitiram pareceres tão optimistas. Por exemplo, o general Dan Caine, chefe das Forças Armadas, expressou reservas em relação ao plano mas declarou, desde logo, que se submeteria à vontade presencial. «Os israelitas precisam de nós, por isso sabem ser muito persuasivos», atreveu-se a dizer o general, mas o presidente estava surdo aos pareceres dos assessores. O vice-presidente Vance, que viajava pelo estrangeiro, expressou depois uma posição idêntica, como quem adverte «não digam que não vos avisei», mas também não foi escutado.

De acordo com dados publicados pela mais destacada comunicação social norte-americana, ainda não confirmados por via oficial, as reservas do general Caine acabaram por ser parcialmente úteis em fase posterior, ao dissuadirem o presidente de usar uma bomba nuclear contra o Irão. A par do principal chefe militar, todos os outros assessores presidenciais directos, com excepção do psicopata Peter Hegseth, ministro da Guerra, manifestaram idêntica opinião em relação à intenção presidencial, qualificando-a como uma tragédia suicida sem retorno e, potencialmente, de âmbito global. Trump não premiu o botão mas nada nos garante, na convulsão dos seus distúrbios mentais, que a ideia tenha sido posta de lado.

No dia seguinte ao da reunião na Sala da Situação, em 12 de Fevereiro, oficiais norte-americanos de inteligência “especialistas em Irão” apresentaram a Trump um relatório simples, na esperança de que este compreendesse o essencial. O documento dividia-se em quatro cenários de análise quanto aos possíveis resultados de uma eventual operação militar baseada nos pressupostos de Netanyahu: “Decapitação” do regime com o assassínio do chefe religioso Ali Khamenei; a fraqueza do Irão para conseguir atacar países árabes do Golfo; as eventuais revoltas populares contra o aparelho de poder que explodiriam logo aos primeiros bombardeamentos; e a mudança de regime para um outro de características seculares.

De acordo com a opinião dos analistas, os dois primeiros pontos eram exequíveis; os dois últimos, incluindo o papel dos curdos numa invasão terrestre, significavam que o chefe sionista “estava desligado da realidade”. 

Não se sabe se Trump passou os olhos pelo relatório dos peritos de inteligência, mas a sua decisão, alinhada com a vontade de Netanyahu, estava tomada desde a véspera.

Ao cabo de 40 dias de ataques cerrados e destrutivos dos Estados Unidos e Israel contra o território e o povo iranianos, privilegiando infraestruturas e comunidades de civis, e das respectivas respostas de Teerão, que provocaram sérias devastações de estruturas em nove países árabes do Golfo e em Israel, verifica-se que Trump e Netanyahu não atingiram nenhum dos objectivos delineados na reunião de 11 de Fevereiro.

De facto, os bombardeamentos não geraram tumultos e levantamentos, mas sim impressionantes manifestações de apoio à República Islâmica; o programa de mísseis balísticos continua activo e não tem poupado alvos estratégicos dos agressores; a vitória militar das forças imperial-sionistas continua distante; e as forças militares do regime de Teerão, afinal, tinham capacidade para bloquear o Estreito de Ormuz e atingir, provocando danos enormes, tanto os países árabes do Golfo como Israel.

Houve apenas a tal excepção que confirma a regra: o ayatollah Khamenei foi assassinado, mas a sua substituição pelo filho mais velho ocorreu logo de seguida, o que reforçou a solidez do regime, embora Trump queira fazer crer o contrário.

Dezenas de milhares de pessoas morreram nesta guerra, sobretudo iranianos, até à declaração de um cessar-fogo pelo qual os Estados Unidos afinal já ansiavam, porque a brutalidade criminosa dos ataques não conseguiu vergar o Irão. Pelo contrário, as bases militares norte-americanas e respectivos radares de milhares de milhões de dólares, instaladas nos países do Golfo, ficaram impraticáveis devido às saraivadas de mísseis balísticos e aos enxames de drones lançados pelo Irão. Por causa disso, a vida nos países do Golfo degradou-se a níveis que forçaram os mais poderosos a fugir nos seus jactos privados. Quanto a arsenais e munições disponíveis, consta que o Irão está em melhores condições de prosseguir uma guerra de desgaste, se a isso for obrigado; enquanto as carências e as limitações de armamento dos Estados Unidos, depois de anos de franca generosidade com a Ucrânia, Israel e países da NATO “ameaçados”, estão a refrear o voluntarismo militarista imperial-sionista. Uma realidade que se percebe pela declaração unilateral de prorrogação do cessar-fogo por tempo indeterminado

Uma declaração de vitória

Um dos mais significativos exemplos do fracasso dos pressupostos em que se baseou a agressão ilegal contra o Irão foi o que dava como certa a incapacidade de Teerão para bloquear o Estreito de Ormuz. O Irão não apenas concretizou o bloqueio, como o interrompeu num gesto de boa vontade para dar força ao processo negocial lançado no Paquistão; mas logo o restabeleceu, sem demora, na sequência de sucessivos delírios de Trump, principalmente quando garantiu que a República Islâmica cedera nas suas exigências para fazer a vontade aos Estados Unidos, a Israel e “à paz”.

Teerão definiu as condições para o movimento de navios, em especial petroleiros, através do Estreito de Ormuz: a passagem será exclusiva para navios comerciais – nunca de guerra – e desde que não tenham ligação «a países hostis»; a rota será estabelecida pelo Irão e a deslocação terá de processar-se sob a coordenação de forças iranianas.

Além disso, as autoridades de Teerão recusaram-se a participar numa segunda ronda de negociações no Paquistão porque os Estados Unidos mantêm a obsessão de bloquear portos iranianos, acto que o Irão considera uma violação do cessar-fogo.

Oásis artificiais sem viço

Trump envolveu-se no cessar-fogo, como um náufrago que se agarra a destroços de um navio, porque os objectivos da guerra estão a fracassar, um após o outro, devido ao facto de a capacidade de resistência e de resposta iraniana superar, em muito, as elucubrações do sionismo. A paragem temporária da agressão foi também do interesse de Israel, e não apenas por estar a sofrer as consequências – as mais graves de sempre – dos seus actos terroristas, o que evidencia, finalmente, que a impunidade tem limites.

A suspensão do envolvimento na frente iraniana permitiu a Israel investir com maiores capacidades na guerra permanente contra o Líbano. Segundo o Irão, e também os mediadores paquistaneses, o cessar-fogo era extensivo ao território libanês, mas o sionismo comportou-se como sempre e ignorou toda e qualquer decisão que tenha a ver com o pequeno país, reclamado pelos chefes do “povo eleito” como parte do ambicionado Grande Israel.

O Hezbollah, porém, continua a não estar de acordo com os anseios dos terroristas que governam Israel e responde-lhes à letra, contando com a solidariedade iraniana. O que acontece com bastante eficácia, e nem poupa, sequer, a cidade de Telavive, apesar de o governo colaboracionista de Beirute insistir na exigência de desarmar o grupo islâmico – por sinal o único que defende o país, porque ao exército regular libanês falta, desde sempre, coragem, patriotismo e vontade para se opôr aos agressores.

Outro factor determinante que forçou Trump a aceitar o cessar-fogo com ambas as mãos foi a pressão exercida pelos aliados do Golfo, que estão a contas com uma factura tão pesada que pode transformar-se em existencial.

Catar, Emirados Árabes Unidos – sobretudo o Dubai – Bahrein, Koweit, a própria Arábia Saudita tornaram-se alvos legítimos do Irão por albergarem bases militares norte-americanas usadas como áreas de agressão. E uma vez que os próprios países do Golfo se tornaram participantes directos na guerra, Teerão trata-os da mesma maneira que aos Estados Unidos e Israel. Por consequência, grandes áreas de produção e refinação de petróleo e gás natural desses territórios, sobretudo do Catar, sofreram danos que reduzem quase a zero as capacidades de exportação de tais produtos estratégicos, sendo que o remanescente não pode passar pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. 

Ora os paraísos artificiais do Golfo, ditaduras que alimentam as suas megalomanias com as exportações de combustíveis fósseis, necessitam de importar quase tudo o que lhes permita fazer funcionar o dia-a-dia e sustentar a insultuosa ostentação, que afinal tem alicerces de areias movediças. Agora, ao cabo de mês e meio de guerra, as ditaduras “nossas aliadas” da Península Arábica deixaram de exportar petróleo e gás e as imensas receitas da afluência de turismo endinheirado caíram para zero. Esses países não conseguem importar alimentos e outros bens essenciais de consumo; além disso, os bombardeamentos iranianos poderão deixá-los sem energia e água potável, produzida em sistemas de dessalinização que se tornaram alvos das operações iranianas.

Em pouco tempo, no caso de a guerra continuar, esses oásis artificiais que jorravam dinheiro e combustíveis para quase todo o mundo transformar-se-ão no inferno dos desertos que sempre foram – sem ar condicionado, água e alimentos quando o tórrido Verão se aproxima. O êxodo das classes possidentes e das próprias famílias reais em jactos privados testemunha o pânico que já começou a atingir esses territórios. Cheiks, emires, reis e os parasitas que deles se alimentam podem agradecer a situação aos amigos e aliados Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Aí está o efeito de boomerang

O Irão fez acompanhar o processo de cessar-fogo e o início das efémeras “negociações de paz” no Paquistão por um conjunto de dez exigências cuja aceitação é considerada essencial para que possa chegar-se a um acordo entre agredido e agressores.

Entre esses pontos estão a eliminação de todas as sanções económicas primárias e secundárias; o compromisso norte-americano e israelita de que não voltarão a atacar o Irão; o direito de Teerão a manter o programa de enriquecimento de urânio para fins civis; a aceitação do controlo da navegação no Estreito de Ormuz pelo Irão e Omã; a revogação de todas as resoluções e decisões do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atómica contra o Irão; a libertação de todos os activos iranianos congelados nos bancos ocidentais; e a proibição  de ataques dos Estados Unidos, de Israel e outros países do Médio Oriente contra os aliados do Irão.

Ansioso por declarar vitória numa guerra que se apressou a dar como concluída com a entrada em vigor do cessar-fogo, Trump recebeu estas condições iranianas de ânimo leve, se calhar nem as leu. Só assim se percebe a inicial disponibilidade do presidente dos Estados Unidos para aceitar os termos iranianos.

O conteúdo do documento iraniano, ponto por ponto, é a posição de um vencedor; ou, pelo menos, representa a confiança e a capacidade de quem continua pronto a responder a novas ofensivas que os Estados Unidos e Israel realizem. 

Num gesto de boa vontade a seguir à primeira reunião de negociações em Islamabad, o Irão decidiu desbloquear o Estreito de Ormuz, desde que os Estados Unidos levantassem o assédio aos movimentos de navios de e para os portos iranianos.

Como era de esperar, o caldo entornou-se de imediato e o Irão decidiu não comparecer à segunda reunião de negociações. Os Estados Unidos não só não levantaram as ameaças contra os portos iranianos como regressaram às atitudes de mentira e hostilidade em relação a todas as posições de Teerão.

Afinal, declarou Trump, era o Irão que aceitava as condições de “paz” norte-americanas. «O Irão concordou com tudo e trabalhará com os Estados Unidos para remover todo o seu urânio enriquecido», declarou Trump. Esse processo decorrerá sem utilização de tropas terrestres, segundo o presidente norte-americano. «Iremos descer e tomar conta do urânio enriquecido, com a ajuda da parte iraniana, e trazê-lo para os Estados Unidos», acrescentou Trump. «Óptimo, não é? Até lá teremos um acordo, e não haverá necessidade de combater quando existe um acordo. Assim é melhor; podíamos fazê-lo de outra maneira se fosse preciso», ameaçou.

O Irão, seguindo a ordem natural das coisas, voltou a fechar o Estreito de Ormuz; e o Ocidente que se prepare para as nefastas consequências: uma imensa e profunda crise económica e social gerada pela irresponsabilidade e o expansionismo imperial-sionista de Trump e Netanyahu.

O bloqueio do Estreito de Ormuz e os graves danos já provocados pela guerra nos maiores centros industriais de gás natural do Golfo, sobretudo no Catar e em numerosas instalações petrolíferas, tornarão cada vez mais difícil o abastecimento do Ocidente. As perturbações na indústria do gás natural liquefeito prejudicam também o aproveitamento de subprodutos como o hélio, a ureia e amónia. O primeiro é fundamental em áreas tecnológicas de ponta, como a produção de semicondutores utilizados em todos os artefactos electrónicos de maior consumo, incluindo os mais essenciais meios de diagnóstico na saúde. Ureia e amónia são indispensáveis para a produção de fertilizantes: a carência destes produtos terá efeitos trágicos nas necessidades e nos preços dos alimentos em vastas regiões do planeta.

Os Estados Unidos e Israel estão a perceber que o Irão não é o Iraque, a Líbia, o Afeganistão, ou mesmo a Síria de Assad. O Irão, por sinal o único país do mundo que está activamente solidário com o povo palestiniano – tem os seus trunfos e já demonstrou que poderá jogá-los e atingir os pontos fracos dos agressores. E também de outros países que, por cobardia ou cumplicidade, não tentam travá-los com os meios que o Direito Internacional – que ainda existe, sabiam? – coloca ao seu dispôr, assim eles o queiram.

Enquanto isso, as rotas de navegação estão bloqueadas entre os Estreitos de Bab el Mandeb – sob vigilância dos iemenitas aliados de Teerão – e de Ormuz, isolando o Golfo do Mar Vermelho e respectivo acesso ao Canal de Suez. Os navios comerciais seguem longas e dispendiosas rotas contornando África, até porque os prémios dos seguros por riscos de guerra subiram em flecha, para níveis incomportáveis.

Tudo isso se reflectirá nos nossos bolsos, agravando a miséria social, moral e económica do Ocidente, entregue a dirigentes medíocres, cobardes, sem humanismo, dignidade e coluna vertebral; uma casta apodrecida propícia a que dela emerjam aberrações intrinsecamente malévolas e sem limites como Donald Trump e Benjamin Netanyahu. 

Israel controla o Pentágono – Trump, “furioso”, nega

(Por Kevin Barrett, in Substack.com, 24/04/2026, Trad. Estátua)


Assim que o meu novo artigo para a American Free Press estava a ir para a gráfica, Donald Trump negou histericamente que Israel o “convenceu a entrar em guerra com o Irão”. Claro, Don. Eles não te convenceram. Eles ordenaram-te que o fizesses. – Kevin Barret


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Logo após assumir o cargo em 1961, o então presidente John F. Kennedy aprovou a invasão de Cuba. O subsequente desastre da Baía dos Porcos, durante o qual quase todas as forças americanas envolvidas foram mortas ou capturadas, ainda é considerado uma das piores derrotas militares dos Estados Unidos.

Após o desastre, Kennedy ordenou a construção da Sala de Situação da Casa Branca, um complexo de inteligência e comunicações seguro, com 465 metros quadrados, que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, no subsolo da Ala Oeste. Dedicada à gestão de crises e a reuniões de alto nível sobre segurança nacional, ela permite que o presidente monitorize eventos com segurança, comunique com líderes mundiais e comande as forças americanas em todo o mundo.

Em 11 de fevereiro de 2026, às 11h, o presidente Donald J. Trump convocou os seus principais assessores para a Sala de Situação. Essa reunião resultou na fatídica decisão de atacar o Irão.

Mas a decisão não foi tomada por Trump, nem por nenhum dos seus assessores americanos. Segundo o relato do New York Times, baseado em fontes internas presentes, o chefe na Sala de Situação da Casa Branca naquele dia não era outro, senão, o Primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

“O Sr. Trump sentou-se, mas não na sua posição habitual, na cabeceira da mesa de mogno de conferência da sala. Em vez disso, o presidente sentou-se de um lado, de frente para os grandes écrans instalados ao longo da parede. O Sr. Netanyahu sentou-se do outro lado, diretamente em frente ao presidente. No écran atrás do Primeiro-ministro, apareciam David Barnea, diretor do Mossad, a agência de inteligência estrangeira de Israel, bem como oficiais militares israelitas. Dispostos visualmente atrás do Sr. Netanyahu, eles criavam a imagem de um líder em tempo de guerra cercado pela sua equipa.”

Netanyahu fez um discurso agressivo exigindo que os EUA atacassem o Irão. Ele afirmou, de forma absurda, que os iranianos adorariam ser atacados pelos EUA. Ainda mais bizarro, Netanyahu insistiu que o filho do deposto Xá, fantoche dos EUA — que na realidade é desprezado por praticamente todos os iranianos — seria aclamado como o novo líder do Irão, apoiado pelos EUA e aliado de Israel.

O discurso de Netanyahu estava completamente dissociado da realidade. Mas Trump sabe pouco sobre o Irão, e o pouco que sabe está errado, porque vem de Netanyahu. Aliás, Trump decidiu candidatar-se à presidência em 2016 principalmente porque os amigos bilionários de Netanyahu o incitaram contra o acordo nuclear de Obama com o Irão, prometendo-lhe financiamento generoso em troca de apoio à Iranofobia de Israel.

Em 11 de fevereiro de 2026, na Sala de Situação, Trump engoliu as patranhas Netanyahu sem questionar. O resultado – uma guerra imoral, impossível de vencer, economicamente e estrategicamente desastrosa, travada pelos EUA contra o Irão — pode entrar para a história como a pior decisão já tomada por um presidente americano… exceto que, na verdade, não foi tomada por um presidente americano, mas sim por um Primeiro-ministro israelita.

A Sala de Situação da Casa Branca não é a única instituição de segurança nacional americana dominada por Israel. Os israelitas aparentemente também têm carta branca no Pentágono. Tucker Carlson , que tem fontes de alto nível na administração Trump, disse ao economista Jeffrey Sachs que, durante a guerra dos 12 dias contra o Irão, em junho de 2025, “Pergunte a qualquer pessoa que trabalhou no Pentágono. Eles provocaram a fúria  da equipa americana do Pentágono invadindo reuniões, dando ordens, fazendo exigências, e ninguém fez nada contra isso.”

É extraordinário que um regime estrangeiro hostil, que atacou repetidamente os Estados Unidos (nomeadamente no Caso Lavon de 1954 no ataque ao USS Liberty em 1967 ) e é suspeito de assassinar uma longa lista de líderes americanos, incluindo os Kennedys Charlie Kirk — e que, segundo uma fonte da revista New Yorker , é considerado pela maioria dos assessores republicanos do Congresso como responsável pelos ataques de 11 de setembro — possa simplesmente entrar e assumir o controle do aparelho de segurança nacional americano. Há quanto tempo os israelitas desfrutam de tais privilégios?

Segundo o Coronel Lawrence Wilkerson , antigo braço direito de Colin Powell, o Mossad israelita assumiu o controlo do Pentágono após os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington. Wilkerson descreveu a situação após o 11 de setembro da seguinte forma:

 “Eu vi a Mossad assumir o controlo do Pentágono em 2002. O Pentágono estava infiltrado por eles. E eles não precisavam de nenhuma identificação para entrar no prédio pelo rio. Subiram até Douglas Feith, o Subsecretário de Defesa para Políticas, o terceiro homem mais poderoso do Departamento de Defesa. Ocasionalmente, iam até ao segundo homem mais poderoso, Paul Wolfowitz, o Secretário Adjunto de Defesa, e tinham livre acesso ao Pentágono. Donald Rumsfeld, o Secretário de Defesa, disse certa vez ao meu chefe: ‘Ora, eu não comando o meu prédio, quem comanda é a Mossad!’ E é inquestionável que o caso Epstein foi… ‘fortemente influenciado’ — digamos assim — pela Mossad.”

Será que o caso Epstein explica o acesso privilegiado de Netanyahu à Sala de Situação — e a sua usurpação dos poderes de declaração de guerra que a Constituição delega ao Congresso? Terão os israelitas chantageados tantos líderes americanos que praticamente controlam o Pentágono?

Ao que tudo indica, Washington, D.C. e Arlington, Virgínia, são territórios ocupados por Israel.

Fonte aqui