Proibir, punir e fazer dinheiro

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 23/09/2026, Revisão da Estátua)


A respeito da repressão da palavra, importa ter presente que as chamadas redes sociais ocupam o lugar que outrora coube aos cafés e, antes destes, à praça pública. Nas sociedades antigas ou, se preferirmos, pré-modernas (e pré-industriais), a palavra era, apenas ou quase apenas, a palavra falada; daí a importância que o género político discursivo ocupou na literatura clássica (i.e. na Grécia e em Roma) e a parenética (semões) na literatura sagrada medieval, proferida dos púlpitos ou nas pregações públicas. A opinião pública era não mais que o burburinho que ocorria na praça (ágora ou no forum e, depois, na feira), nos recintos sagrados e nas disputas que se produziam nas assembleias comunais e municipais, ou no adro e recintos fronteiros dos templos.

Como o Estado quase mal intervinha na educação, nem perseguia qualquer esforço pedagógico, a liberdade da palavra era um risco ou uma arriscada liberdade pessoal, como a seu tempo demonstrou com brilhantismo Moses Finley no seu Política no Mundo Antigo. Contudo, para o poder, era difícil controlar a espontaneidade da palavra, da conversa pintalgada de desabafos, intrigas e anedotas maliciosas. A repressão era individualizada e caía sob a forma de prisão e exílio sobre o indesejado propalador de ideias subversivas, chegando mesmo à morte em situações extremas, tal como a imputada «corrupção moral da juventude» que causou a perdição de Sócrates. No que à esfera religiosa respeita, recorria-se a penas espirituais que a Igreja aplicava, as quais, por vezes, acabavam em excomunhão e entrega e condenação ao braço secular da justiça.

Depois, a «opinião pública» passou em crescendo a dominar a leitura e a escrita, pelo que o centro de gravidade das relações entre o Estado e os cidadãos, ou entre os cidadãos entre si, transitou para os jornais-gazetas e os livros. Por mais que o poder quisesse exercer vigilância e aplicar punições, as censuras viam-se a braços com grandes dificuldades, pois o exame prévio ou o nihil obstat eram mil vezes violados pela edição clandestina que não parava de crescer e corria de mão em mão. A censura e as penas aplicadas eram, assim, quase ineficazes.

Hoje, com a transição das galáxias de Gutenberg e de Marconi para a presente galáxia do algoritmo, a opinião pública não é mais a «opinião que se publica» nos jornais, nas rádios e nas TV’s, mas um direito ao alcance de todos. Cada um é um jornal, uma rádio ou uma TV.

Os jornalistas, agentes do poder ou dos poderes em conflito pelo poder, têm sido os mais encarniçados inimigos das redes sociais. Perderam o monopólio da palavra, deixaram de exercer o domínio do discurso, pelo que se compreende a raiva repressora e censória que sistematicamente exibem.

Ora, como a comunicação dita social não é o tão gabado 4º poder, mas a emanação do principal poder que se entranhou e confundiu com o Estado, ou seja, o 4º poder (o poder da Finança), não é de estranhar que esta, detentora da Big Tech, arrepie caminho e queira estrangular a verdadeira opinião pública que lhe fugiu ao controlo.

Estou certo que na actual deriva autoritária, censória e estranguladora da palavra que tomou o liberalismo, as redes sociais serão eliminadas ou postas a render por pagamento de perfil, por forma a que a máquina de fazer dinheiro do capitalismo não só domine, mas ganhe com o negócio da palavra algemada.

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Iuliia Mendel, Zelensky e a verdadeira face da UE

(João J. H. Nobre, in Blog Análise Geopolítica, 17/09/2026)


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A jornalista ucraniana Iuliia Mendel, que ocupou o cargo de Secretária de Imprensa de Volodomyr Zelensky entre 2019 e 2021, foi ontem banida de entrar no Parlamento Europeu, onde era suposto a mesma dar um discurso, num evento que tinha sido organizado pela Alternative für Deutschland (AFD). Felizmente, foi tudo gravado em video, para que todos possam ver a cobardia, falta de vergonha e verdadeira javardice imoral, a que chegou a UE de Ursula von der Leyen, António Costa e Kaja Kallas…

Ver o vídeo e continuar a ler o artigo completo aqui.

Operação Libertem Jacques Baud

(Por Scott Ritter, in Substack, 16/09/2026, Trad. Estátua de Sal)

Jacques Baud

Jacques Baud foi sancionado pela União Europeia por dizer a verdade ao poder. Ele merece o apoio de todas as pessoas que amam a liberdade em todo o mundo.


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Passaram nove meses desde que a União Europeia (UE) implementou um pacote de sanções concebido para impor “medidas restritivas face às atividades desestabilizadoras da Rússia”. Estas sanções entraram em vigor em dezembro de 2025.

Entre as pessoas afetadas por estas sanções da UE está Jacques Baud, coronel reformado do exército suíço, antigo analista estratégico e especialista em inteligência e terrorismo.

Jacques Baud está a ser punido porque a sua posição e análise da guerra na Ucrânia divergem da posição da União Europeia, que o acusa de ser “um convidado frequente em programas de televisão e rádio pró-Rússia”, de ser um “porta-voz da propaganda pró-Rússia” e de “criar teorias da conspiração, por exemplo, acusando a Ucrânia de orquestrar a sua própria invasão para se juntar à NATO”.

A UE acusa ainda Baud de ser “responsável pela implementação ou apoio a ações ou políticas atribuíveis ao Governo da Federação Russa que prejudicam ou ameaçam a estabilidade ou a segurança de um terceiro país (Ucrânia) através da manipulação e interferência da informação”.

As sanções contra Baud “preveem o congelamento dos bens das pessoas sancionadas, a proibição de entrada na UE e a proibição de lhes disponibilizar fundos”.

Em suma, a UE prendeu Jacques Baud, cidadão suíço, contra a sua vontade, obrigando-o a permanecer numa situação que, na prática, equivalia a prisão domiciliária em Bruxelas, na Bélgica, negando-lhe o acesso aos meios de subsistência para si e para a sua família. É isto que hoje em dia se considera democracia na Europa.

Jacques Baud nega as acusações, declarando aos jornalistas logo após a imposição das sanções que “nunca utilizei material russo nos meus livros, mas exclusivamente informação ucraniana e ocidental, e que, consequentemente, recusei convites dos meios de comunicação russos”.

Ofende-se particularmente com a alegação de que promoveu uma teoria da conspiração de que a Ucrânia teria orquestrado a sua própria invasão, referindo que, em vez disso, citou uma declaração de Oleksiy Arestovych , feita em 2019, quando atuava como conselheiro sénior do presidente Zelensky, na qual este alertava que as ambições da Ucrânia de aderir à NATO poderiam desencadear uma guerra com a Rússia.

O caso de Jacques Baud será analisado pela UE, e, neste contexto, é crucial que o maior número possível de americanos compreenda o que se passa na Europa hoje, e que as pessoas e instituições que nós, americanos, consideramos defensoras de valores partilhados estejam, na verdade, envolvidas em ações que são descaradamente antiamericanas em todos os sentidos da palavra.

Viajarei para a Europa em Outubro para esclarecer o caso de Jacques.

O objectivo da minha visita é conhecer e entrevistar Jacques Baud (ele concordou de bom grado com esta empreitada).

Planeio uma série de entrevistas que apresentarão Jacques Baud a um público americano mais vasto, explorando o seu percurso profissional, as suas avaliações sobre o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, os detalhes do processo da UE contra ele, como é a vida sob as sanções da UE e a importância da neutralidade suíça para a paz e a segurança internacionais.

Como jornalista independente, o meu trabalho só é possível graças às generosas doações de apoiantes e seguidores.

Agradeço desde já o seu apoio a esta importante obra. A liberdade de expressão é um direito humano, não apenas um valor americano, e aqueles que dizem a verdade ao poder, como Jacques Baud, devem ter o apoio de todas as pessoas que amam a liberdade em todo o mundo.

Fonte aqui.


Sobre as sanções aplicadas a Jacques Baud

(Compilação da Estátua com base em fontes abertas, via Google)

A expressão “Operation Free Jacques Baud” refere-se à inclusão de Jacques Baud na lista de sanções da União Europeia (UE).

Esta decisão gerou grande debate jurídico e político internacional, sendo vista por apoiantes como uma violação da liberdade de expressão e pelas autoridades europeias como uma medida de segurança contra a desinformação.

1. Por que razão foi ele sancionado?

A União Europeia incluiu o ex-coronel suíço na sua lista de sanções sob a acusação de atuar como porta-voz da propaganda pró-russa e difundir teorias da conspiração sobre a guerra na Ucrânia.

  • A posição da UE: As autoridades europeias argumentam que as suas análises estratégicas e intervenções em canais como a RT France constituem manipulação de informação e interferência híbrida, ameaçando a estabilidade e a segurança da Ucrânia.

2. Quais são as penalidades aplicadas?

Como Jacques Baud residia em Bruxelas (Bélgica) quando a decisão foi tomada, o impacto das sanções da UE foi imediato e severo:

  • Congelamento de bens: Todas as suas contas bancárias e ativos financeiros na Zona Euro foram bloqueados, impedindo-o temporariamente de aceder ao seu próprio dinheiro.
  • Restrição de movimentos: Ficou impedido de viajar ou transitar por países da União Europeia, o que criou um impasse jurídico sobre a sua capacidade de regressar à Suíça.
  • Bloqueio económico: Cidadãos e empresas da UE ficaram proibidos de lhe transferir fundos ou conceder recursos económicos (como o pagamento de direitos de autor pelos seus livros).

3. A reação e a “Operation Free Jacques Baud”

Jacques Baud e os seus advogados contestaram fortemente as medidas, classificando-as como uma punição extrajudicial tomada de forma burocrática, sem direito a julgamento prévio.

  • Ação Judicial: A equipa de defesa recorreu ao Tribunal Geral da União Europeia (TGUE) para tentar anular as sanções, alegando que estas violam a Carta dos Direitos Fundamentais da UE e constituem uma perigosa censura ao debate académico e jornalístico.
  • Isenção Humanitária: Devido ao bloqueio total, o Ministério das Finanças da Bélgica acabou por conceder-lhe uma isenção humanitária, permitindo-lhe aceder a uma fração das suas contas para cobrir despesas básicas de subsistência, como alimentação.
  • A posição da Suíça: O governo suíço declarou que não adotará as sanções da UE contra Jacques Baud, uma vez que a Suíça não replica de forma automática as medidas da UE focadas em ameaças híbridas e desinformação.