(Raquel Varela, in Blog raquelcardeiravarela.wordpress.com, 12/06/2026, Revisão da Estátua)

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Creio que posso explicar num segundo o que significa a prestação social única deste Governo, e como ela pode fazer ajudar a garantir os juros dos investimentos de alguém como Palma Ramalho, Ministra do Trabalho, ou da venda e compra de imobiliário de Montenegro, sem que ambos tenham de trabalhar um único dia da vida deles.
Nas sociedades saudáveis só os velhos, crianças, e doentes não trabalham. Porque o trabalho deve ser dividido por todos. Era assim, mais ou menos, até ao capitalismo, quando surgiu a figura do “desempregado”, esse desconhecido até ao século XIX. O desempregado é aquele que garante que o empregado tem medo de perder o emprego, e por isso aceita piores salários. Também, nas nalgumas sociedades, antes do capitalismo, havia o cuidado com os doentes, idosos. Quanto mais idoso mais bem tratado era. No capitalismo quando mais doente ou idoso – já não é “produtivo” – mais abandonado deve ficar, se for das classes trabalhadoras. Os idosos ricos têm trabalho social especializado.
Ora, aqui vai telegraficamente:
1 – se há trabalho social a fazer, como diz o Governo, contratam-se pessoas e paga-se bem. Se se pagar mal, apenss o salário mínimo, são 1600 euros (dos quais 800 líquidos vão para o trabalhador directamente e o resto para a sua reforma, doença, etc).
2 – A proposta da AD, Chega, IL – e da UE – é que se contrate quem tem um subsídio, de 300, 400 ou 600 euros, ou seja, cortar para menos de metade o salário mínimo nacional. O lar privado ou do Estado passa agora a ter empregados por 400 euros. O que sobra deste corte de mais de metade do salário pode ser investido em guerra, ou a remunerar os investidores em juros da dívida pública.
3 – As prestações sociais não são, na sua maioria, “não contributivas”, mentem-nos com todos os dentes – são desempregados que ficaram doentes aos 50 anos, que contribuíram 20 ou 30 anos, gente que ficou sem casa, desmoralizados, ou pessoas que sempre foram doentes. Não são preguiçosos ou arrivistas, como por norma são os filhos de accionistas, netos de banqueiros, especuladores ou políticos profissionais.
4 – O trabalho social não é desqualificado. Algo que qualquer um pode fazer. São terapeutas ocupacionais, psicólogos, terapeutas da fala, assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas – tudo isto, altamente qualificado para cuidar de idosos acamados, esquizofrénicos, gente que não pode andar por maleitas do trabalho, bebés que nasceram com paralisia cerebral.
O que a AD-Chega propõe, é que desempregados pagos abaixo do salário mínimo sem qualificações passam a cuidar de idosos e doentes. É repugnante.
A proposta vem de Palma Ramalho e de Montenegro, Ramalho tem um património de 5 milhões de euros. Que, se estiverem todos no banco, sem ela fazer nada – zero, nestum – recebe no final do ano 75 mil euros em juros! Ou seja, 6 250 euros por mês. Leram bem, mais de 6 mil euros por mês sem nunca trabalhar!
Como, no capitalismo, só o trabalho real produz valor, alguém vai ter de produzir 75 mil euros para os entregar a pessoas como Ramalho. E pode ser uma operária por turnos, despedida com hérnias discais, obesa da má alimentação, deprimida, por ter perdido a casa, aos 50 anos de idade. Esta operária é tratada como parasita na lei da AD e do Chega. Palma Ramalho como uma Sraª Ministra digna.
5 – Acresce algo ainda mais grave – doentes e idosos são os mais vulneráveis a abusos sexuais e maus tratos. Com o trabalho ocasional, degradado, pode haver uma tendência para os tratar mal, e ninguém dá por isso.
6 – Em suma, isto significa: cortes de salário, trabalho forçado (por todas as definições legais e históricas), e abandono de idosos e doentes, com acréscimo de maus tratos. Eis a lei da Prestação Social Única.
Devia responder-se a isto com uma greve conjunta do sector social. Que há muito se deviam unificar numa única organização sindical – façam um grande encontro nacional, unifiquem-se – que questione esta medida de barbárie, mas também as condições de trabalho nas misericórdias, os esquemas de instituições religiosas nos cuidados, que ocuparam o lugar abandonado pela segurança social, e que distribuem tachos aos partidos de direita e extrema direita, que sempre adoraram um pobrezinho, doente, de mão estendida. É a caridade. Afinal, como podia haver alguém com 5 milhões de património se não existissem muitos pobres a pagar a conta?
PS: às maquinas/bots do Chega que aqui vêm sem dar a cara insultar-me perguntando “se se permite uma professora marxista paga por uma Universidade pública” eu escrevi este artigo gratuitamente, como os que aqui escrevo diariamente, em geral às 6 da manhã; a investigação que faço na Universidade devolvo-a em conhecimento a toda a sociedade, é isso que faz um intelectual público, oferece ideias e conhecimento, de rosto à vista; e ainda pago e com alegria, mensalmente, uma quota para o Jornal MaioMaio e outra anual para a Associação Científica que ajudei a fundar, o Observatório para as Condições de Vida – OCV. E sempre que os trabalhadores me pedem ajuda a organizar uma greve eu ajudo, pro bono, com todo o saber que estudei de greves passadas. Contam comigo, trabalhadores e desempregados, idosos e doentes. É a solidariedade. Bem unidos, façamos.
E pode ver também o artigo abaixo sobre o mesmo tema no jornal Maio.
Na natureza, os predadores adaptam-se às cadeias alimentares, aos comportamentos das presas, de forma a conseguirem sobreviver e até prosperar… mas no “ecossistema” digital, financeiro, corporativo, organizacional, os predadores (na verdade parasitas) tudo fazem para controlar a sua sustentação vital, um pouco como na metáfora do filme “matrix”, em que as máquinas precisam da energia fornecida pelos humanos, da sua biologia, da sua mente, para poderem operar o seu sistema de dominação totalitária.
O fascismo contemporâneo adaptou-se e usa a IA, a computação, a informação genética, metadados, etc e manipula-as para controlar e impôr o sistema mais adequado para a sustentação desses sistemas, funcionando em prol das várias cabeças da Hidra, ou pólos de controlo, organização e imposição de poder, seja na forma de políticas centralizadas, estabelecidas em cúpulas de poder, areópagos selectos onde se constituem verdadeiras “comissões” ao estilo da Máfia, onde os representantes das corporações, das organizações secretas de influência, e outros círculos privilegiados da finança e da aristocracia têm presença perene.
Na verdade, assiste-se a uma “artificialização ultra-processada” e generalizada dos sistemas naturais da vida biológica, da existência dos seres vivos, em ordem à sua dominação, controlo e exploração…
Hoje, o poder é perseguido não apenas pelos cartéis das armas (o 1.º negócio no mercado negro mundial), das drogas (o 2.º) e do tráfico humano, contrabando e de valores de mercado negociados em offshores ou nos bastidores e atrás das cortinas, mas também por quem pode “adquirir”, “prever”, “antecipar”, “processar” fluxos de informação que podem ser fulcrais, determinantes ou importantes analiticamente para conseguir vantagens cruciais em contextos competitivos, quer entre países, quer entre blocos continentais e/ou internacionais.
Para tal, as máquinas despojam os seres humanos da sua vontade própria, da sua identidade enquanto entidades biológicas com vida própria, da sua auto-determinação, criando ilusões (programas mentais) que implantam e correm na mente das “células” (cada um dos indivíduos humanos) para assim alimentar o “sistema” (a “matriz”), dominada por Agentes, Keymakers (encriptadores/desencriptadores), Arquitectos (controladores, programadores), e que só alguns conseguem contrariar ou furar (Oráculos, Mestres, Companheiros de viagem, amigos, amantes), para lá de todos os falsos amigos, traidores, fracos elementos ou desistente, e outros anónimos e alienados em geral…
Portanto, nunca poderá ser por falta de metáforas literárias, cinematográficas, artísticas ou exemplos históricos mais que batidos que os descerebrados/mentecaptos irão reinar sobre os sãos…
Os mentecaptos têm esperança que o Transumanismo os poupe ao destino de todos seres vivos que antes e depois deles vieram ao Mundo… que as máquinas, os chips, os discos, a Realidade Virtual e a IA os torne Imortais, e isso na cabeça deles fá-los valorizar tecnologia informática e física-mecânica acima de qualquer criatura biológica, porque as criaturas biológicas morrem um dia (até descobrirem, se tal for possível, como rejuvenescer geneticamente, a eterna busca pelo elixir da juventude)… mas eles acreditam que a tecno-mecânica, a RV, a IA, a computação os vai tornar eternos.
Tem tudo a ver com a visão dos gnósticos, a sua referência ao demiurgo, aos arcontes, à FiloSofia, à mundivisão do mundo terreno e dos outros… eles expõem desde XX séculos atrás (pelo menos) como funcionam os sistemas de dominação do mundo, o que está por trás deles, como podemos libertar-nos deles… por isso ficaram inquietos e foram atrás dos cátaros e os chacinaram, por isso fizeram o que fizeram para espalhar a fé na “Expansão”, nos “Descobrimentos”, na colonização e na globalização, desde o século XV a nível intercontinental (na verdade, uns séculos antes, mas vamos aceitar que tudo começou com os portugueses a descobrir a Madeira ou a entrar pelo Norte de África).
O grande problema nisto é que a base de sustentação, da cadeia alimentar que suporta esta rede organizada de predadores/parasitas de todos os sistemas naturais (humanos, agrícolas, pecuários, florestais, selvagens, aquíferos, terrestres, marítimos, etc), o “krill” que serve de pasto ao sistema corrupto instituido mundial, constituído pelas várias organizações, institutos, corporações, fraternidades, oligarquias, famílias e cartéis são os povos do mundo, na sua vasta e esmagadora maioria, retirando as elites, sectos, serventuários e matilhas de sabujos associadas.
“Eles estarem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia”
*Na verdade, assiste-se a uma “artificialização ultra-processada” e generalizada dos sistemas naturais da vida biológica, da existência dos seres vivos, em ordem à sua dominação, controlo e exploração…
Língua (a nossa tem o Celta, o Latim, as Germânicas, o Árabe, o Galaico-Português, o Mirandês, senhores doutores), Cultura (tão variada num pequeno país como Portugal), Independência (política, alimentar, económica, energética, civilizacional), Auto-determinação, etc…
Mas ultimamente, vá-se lá saber porquê, os “Grandes Líderes” têm todos o mesmo discurso… e nenhum irá “pagar” por isso, quando chegar a hora da verdade a culpa foi sempre do antecessor ou do sucessor, mesmo que todos tenham dito e feito a mesmíssima coisa, mesmo que por outras palavras…
E o português tem também a influência e o vocabulário das línguas índigenas de África (norte de África e depois com a colonização da Guiné, Angola, Moçambique, etc), do Brasil, do sub-continente indiano (na origem do indo-europeu, incluindo o Sânscrito, e depois da colonização de Goa, etc) e do Sudeste Asiático, incluindo Timor-Leste… mas agora querem é Business Schools da Lusofonia… e depois choram que a Guiné quer ser francófona e Moçambique ia aderir à Commonwealth…
Estas carolas direitolas não páram… sempre nas suas caixinha de fósforos e de carrinhos de brincar às corridas…