Perigosidades

(Virgínia da Silva Veiga, 25/06/2019)

A TVI resolveu trazer a lume alegadas declarações de fonte da Polícia Judiciária através das quais afirma ter tido acesso a peças de um processo em segredo de justiça, incluindo a dados relativos a escutas telefónicas de um autarca constituído arguido. No telejornal das 20 horas do dia 24 de Junho, entrevistado o autor da peça, afirmou este que a estação televisiva tem mais elementos de processos em curso contra autarcas e prometeu trazê-los à ribalta com dados fornecidos, não se sabe se por fontes de processos judiciais.

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De permeio, acusou publicamente um procurador de se ter pautado por decisões de natureza política e de ter sido obstáculo activo à aplicação de medida de coacção que, segundo a tal fonte da polícia judiciária, seria aconselhável ter sido a de prisão preventiva. 

Perante isto, muitas pessoas, nas redes sociais, apressaram-se a julgar os três visados directos – o tal autarca, o tal procurador e a Justiça em Portugal – ignorando por completo o crime que perpassa pela actuação da TVI e, quiçá, sendo verdade, assustadoramente praticado por agente ou agentes da Polícia Judiciária.

Pergunto-me se está tudo doido neste país, se a PGR está conivente com isto, se o governo se admite continuar a fazer de conta que não vê. 

Ao que interessa: o visado directo é Álvaro Amaro. Dele se veio dizer haver provas que sustentam uma condenação por crime de corrupção, alicerçadas documentalmente e em escutas telefónicas. Pois, sendo assim, seja acusado, julgado e condenado e cá estamos para aplaudir o caso. Já se percebeu que quem mais aplaudirá será o sector do PSD que embirra com ele e com Rio, alguns dizem por aí que o caso Amaro terá sido empolado pela TVI precisamente por visar um opositor de Montenegro. Mas isso são as más-línguas. 


No cômputo geral, Portugal não pode deixar de se regozijar com o crescimento de investigações onde sempre se disse que a corrupção é mais activa: as autarquias. 

Os exemplos que nos surgem vêm quase todos eles do truque ancestral de adjudicar obras a empresas lá da terra. Anda-se ali, por contratos que não atinjam os 70 000 euros – creio ser o limite -, escolhem-se empresas e empresários próximos nem que, para isso, familiares do mesmo empresário tenham que abrir várias. 

Tardava que os casos fossem investigados. Esses, dos que envolvem transportes e pequenas obras, às adjudicações a sociedades de advogados, e sempre verificando se não vieram de retorno luvas aos decisores. Muito bem!

O problema, o gravíssimo problema, é que, em muitos casos, os MP pode confundir decisões políticas lícitas, ainda que de efeitos pouco recomendáveis, com corrupção, tudo porque os casos lhe chegam, por não haver nos serviços públicos inspecções administrativas, são muitas vezes tratados a descontexto da intencionalidade e sem as vantagens que eventualmente possam também ter trazido. 

O Direito Administrativo – o que pode levar também a perdas de mandado, aposentações compulsivas e acções de indemnização – está a ser relegado para um estado de polícia criminal.

Nada disto assustava não fora o mesmo MP estar hoje a pretender um Estatuto sem controle de terceiros, permitir-se assistir indiferente a crimes públicos em notícias como a que aqui deu mote, e a dar outros sinais de excesso de pretensão de activismo político e ligação directa à comunicação social.

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público anuncia para amanhã, dia 26 de Junho, um debate em que a escolha dos oradores devia alertar para a linha de orientação que está a pretender-se seja seguida por estes funcionários do Estado: José Gomes Ferreira, Eduardo Dâmaso, João Miguel Tavares, Joana Marques Vidal, Albano Pinto e o próprio António Ventinhas.

Verdadeiramente preocupante se, voltando ao tema, se associar a fugas de informações em processos que lhes estão entregues como o é ver a Polícia Judiciária ser anunciada num canal televisivo como fonte de acesso a escutas telefónicas sem que ninguém se preocupe com o assunto e sobre ele abra imediata investigação.

Até dói ver a nossa polícia de elite ser assim difamada em praça pública!
A par um magistrado do MP que foi acusado de ter tomado decisões favoráveis a um arguido por este ser do PSD, por ser irmão de quem é.
Tinha João Marques Vidal – o tal procurador, o tal irmão – que nos lembrar Rosário Teixeira e prender para investigar? Não, não tinha. A própria “notícia” diz que o caso estava investigado, não mostra como Amaro podia alterar provas já recolhidas, e, evidentemente, a prova de que não havia perigo de fuga está aí: não fugiu.

Todos nos alegramos com o facto de nenhuma investigação estar a ser impedida por este governo, ao contrário do que se alardeou. 
Nunca houve tantos casos de políticos constituídos arguidos, como se pode ver. A nossa judiciária, agora difamada, investigou livremente. 
Mas há um diabo de duas coincidências que não podem deixar de interrogar os cidadãos: o “timming” para trazer a lume a avalanche de casos, em plena proximidade de eleições, num país onde se pretende convencer os portugueses que Portugal é um país de corruptos e não um país que finalmente combate a corrupção. 

É também por isso que os portugueses devem fazer o que a comunicação social não faz: defender a nossa Constituição, a nossa Democracia, as nossas boas leis penais, denunciar ao Governo, à PGR, também à ERC e à CNE estes atentados ao Estado de Direito, abtendo-se de os cultivar e apoiar sejam lá quem forem os visados de hoje, pelo futuro dos de um amanhã.


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Constâncio, a imprensa e a velha rábula da “história mal contada”

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 24/06/2019)

Daniel Oliveira

Nas últimas semanas, assistimos a uma daquelas novelas mediáticas onde o telespectador pára de acompanhar onde lhe dá mais jeito para ter o final que lhe interessa. Alguns jornais, sobretudo o “Público”, fizeram manchetes bombásticas sobre Constâncio, o ex-governador desmentiu-as com novos factos, eles passaram para os factos seguintes, eles foram parcialmente desmentidos por factos novos e chega-se ao fim com aquela expressão mortífera: é uma história mal contada. Pois se está mal contada, os jornais que a contem como deve ser, que é para isso mesmo que servem. Porque, a dada altura, no jogo do gato e do rato, parece que a verdade deixou de ser relevante, já só interessando quem não tem de dar o braço a torcer.

Estavam, se bem lembro, três coisas em causa quando Vítor Constâncio foi chamado ao Parlamento: como é que o Banco de Portugal permitiu um empréstimo da CGD de 350 milhões a Berardo que tinha como única garantia as ações que ele ia comprar; se Constâncio fazia parte de um conluio para tomar conta do BCP em que a própria Caixa participara; e qual o nível de conhecimento que o governador tinha de todo este processo. Recordo que o objeto da comissão era a Caixa Geral de Depósitos e os seus empréstimos. Por isso, o que queríamos saber de Constâncio relaciona-se com a Caixa e o empréstimo que deu a Berardo. Isso pode implicar ter um retrato mais geral, em que a guerra dentro do BCP tem importância. Mas não pode ignorar, a dada altura, o ponto de partida que é suposto ser também o ponto de chegada.

Talvez por arrogância, Vítor Constâncio não se preparou convenientemente na primeira ida ao Parlamento. Ao contrário de imensa gente, acho normalíssimo que alguém não se lembre de pormenores de coisas que aconteceram na sua vida profissional há 15 anos. Mas, como se viu na segunda vez que lá foi, podia levar a sério uma comissão de inquérito e, sabendo, como sabia, qual seria o tema das inquirições, pedir a documentação que precisava. Constâncio nunca iria daquela forma para um tribunal, não se percebe porque foi para a Assembleia da República. Às vezes, parece que os políticos são os que menos levam a sério a casa que os fez nascer para a vida pública.

Ainda assim, feito o balanço das três dúvidas, concluímos que o Banco de Portugal não tinha nenhum instrumento legal para impedir o tal empréstimo, que afinal não é exato as ações do BCP fossem a única garantia, que não há nenhuma evidência ou indício de que Constâncio tenha participado em qualquer conluio e que, sendo possível que o seu conhecimento sobre o negócio fosse maior do que nos fez crer, isso não tem grande relevância para o que poderia ter feito. Do ponto de vista mais concreto, no que estava em causa naquela Comissão de Inquérito, que era a Caixa Geral de Depósitos, não me parece que tenha restado nada de substancial contra Constâncio. E, no entanto, os jornais que fizeram disto tema durante várias semanas, alguns deles com erros factuais indesmentivelmente comprovados, ou não corrigiram com o devido destaque ou não corrigiram de todo. E já todos têm o contrato em causa.

Não só o contrato de empréstimo da Caixa dizia não necessitar de mais nenhuma autorização interna ou externa, como permitia o uso do dinheiro para adquirir ações de mais empresas. Formalismos, já que Constâncio sabia o dinheiro era para o BCP? É isso mesmo que os contratos são: formalismos. E com base neles, o Banco de Portugal não podia impedir aquele empréstimo

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Parece-me muito pouco credível que Constâncio tenha participado, com Sócrates, numa tomada de poder do BCP pelo PS. Também me parece, perante o alarme que se instalou em torno da situação no banco, provável que visse com bons olhos uma mudança de poder. Com os dados da altura, tinha boas razões para isso, mas esse é outro debate que talvez alguém um dia queira fazer. E até estou disponível para acreditar que Constâncio podia ter travado o reforço de poder de Berardo no BCP. Seria apenas importante saber com que argumento. Mas o que fiquei a saber é que não podia, pelo menos de forma legal, impedir o empréstimo que foi dado pela Caixa. E era este o assunto (e não sobre o BCP ou o Banco de Portugal) que a comissão de Inquérito sobre a CGD tratava.

Recordo a acusação, em manchete do “Público”: “Constâncio autorizou Berardo a ir levantar 350 milhões à Caixa”. O grande argumento, para atalhar pormenores, é que o Banco de Portugal poderia ter impedido o empréstimo se não aprovasse a operação de Berardo no BCP. Impedindo o negócio impedia o financiamento para o negócio. Acontece que, ao tornar público o contrato de empréstimo da Caixa, Constâncio desmentiu esta afirmação: não só o contrato de empréstimo não dependia de qualquer autorização do uso desse dinheiro na aquisição do BCP, como dizia expressamente não necessitar de qualquer autorização interna ou externa que não tivesse sido devidamente obtida. E permitia o uso do dinheiro para mais nove empresas do PSI 20. Formalismos, já que Constâncio sabia o dinheiro era para o BCP? É isso mesmo que os contratos são: formalismos. E com base neles, o Banco de Portugal não podia impedir aquele empréstimo. E nenhuma razão, para além do próprio empréstimo, podia ser usada para impedir a compra das ações do BCP. Um regulador não toma decisões porque sim.

Só posso ter uma opinião sobre um caso destes com base na informação que me dão os jornais. Infelizmente, tive de esperar várias semanas para perceber onde estava pelo menos parte da verdade.

Que Constâncio, Pinhal e Berardo não me digam tudo, é o que se espera. São parte neste processo. Que o jornalismo se torne, por dependência em relação a fontes interessadas ou apenas teimosia, ele próprio parte interessada, já é um pouco mais aborrecido. É com ele que conto para, no meio das guerras entre atores políticos, empresariais ou institucionais, me digam, com base em factos rigorosos, o que realmente aconteceu.


A vaga conservadora contra as mulheres

(Francisco Louçã, in Expresso, 22/06/2019)

Um velho aforismo dizia que se mede o progresso de uma sociedade pela forma como esta respeita as mulheres e os seus direitos. Mesmo que essa sabedoria possa ser estendida para considerar outras partes da população (as crianças, os refugiados e tanta gente), continua a haver um nó simbólico que diz respeito às mulheres, nesta espécie de disputa perpétua de poderes das profundezas. Como que a confirmá-lo, a nova direita radicaliza as ideias da velha direita contra as mulheres.

Em Espanha com o Vox, agora aliado do Ciudadanos e do PP, no Brasil com Bolsonaro, nos Estados Unidos, esta violência ancestral tem um discurso (o direito da mulher é “ideologia de género”), tem protagonistas (o marialvismo renascido que vai de Berlusconi a Trump) e exibe um poder (as leis que perseguem as mulheres). A agenda conservadora é agora um programa.

NO CENTRO DO MUNDO

Nos tempos modernos, tudo começa nos Estados Unidos. E a vaga é poderosa: só durante estes meses de 2019 já foram aprovadas proibições de atos médicos relacionados com aborto em doze dos estados dos EUA. No Alabama, foi aprovada a criminalização de quem realize abortos; no Missouri, proibido qualquer aborto depois das oito semanas de gestação; no estado de Luisiana, o limite passou a ser de seis semanas; Arkansas e Utah também impuseram limites mais apertados; Georgia, Kentucky, Mississípi, North Dakota e Ohio seguiram os mesmos passos. Na maior parte dos casos foram maiorias republicanas, mas houve também votos de deputados do partido democrata para estas mudanças legislativas.

Todas acabarão por ser analisadas pelo Supremo Tribunal, cuja doutrina é, desde 1973 com o julgamento do caso Roe vs. Wade, que o aborto é praticado legalmente. Mas o tribunal tem a maioria mais reacionária das últimas décadas e é pressionado pela radicalização da direita trumpista. Este movimento tem também uma dimensão internacional, sobretudo na América Latina.

PRENDAM ESSAS MULHERES

Quando na Nicarágua foi aprovada a lei que pune com 10 a 30 anos de prisão as mulheres que interrompem a gravidez, passaram a ser seis os países que proíbem o aborto em todas as circunstâncias. Chile, Salvador, República Dominicana e Malta já o faziam, além do Vaticano. O tema tinha sido discutido apaixonadamente no país, depois de uma criança de nove anos, que tinha sido violada, ter sido autorizada a interromper a gravidez à luz da lei então vigente. A resposta do bispo de Manágua foi excomungar os pais e o médico que tinha realizado o aborto, enquanto os legisladores se dedicaram a tornar impossível a repetição desse ato a partir de 2006.

Em El Salvador, talvez o país que aplica com maior dureza a proibição, o aborto era legal em três casos: se tivesse havido violação, se houvesse perigo de vida para a mulher ou inviabilidade do feto. Essas três exceções foram anuladas em 1998 e há hoje 17 mulheres no cárcere, condenadas a entre 30 e 50 anos de prisão. A ONU alertou para que “o Código Penal de El Salvador afeta desproporcionadamente as mulheres pobres” e o Parlamento Europeu pediu a libertação destas mulheres, mas não obteve resposta.

Em todos estes casos, as proibições e a decisão de julgar e condenar as mulheres que abortam resultam da pressão da extrema-direita cristã, que ganhou corpo na América Latina depois da repressão que se abateu sobre a Teologia da Libertação, culminando com a ação do Papa Bento XVI. Esse integralismo tem crescido também em França e Itália.

Mas, tanto nas Américas quanto na Europa, o movimento teve a cooperação de políticos que se declaram progressistas: Daniel Ortega, hoje Presidente da Nicarágua, apoiou a lei restritiva no seu país, e a proibicionista Malta tem sido governada por um partido social-democrata desde há muito parceiro do nosso PS em organizações internacionais. A regressão de uma sociedade mede-se pela forma como pisa as mulheres.


O arrependido

Olivier Blanchard (na foto) foi o economista-chefe do FMI nos tempos da troika. Era um talibã. Agora é um arrependido. Promoveu um plano de ajustamento que dilacerou a sociedade portuguesa, mesmo que depois tenha reconhecido que os seus “multiplicadores” estavam errados, ou seja, descobriu que a política destrutiva destruía mesmo. Veio agora a Portugal explicar que, com juros tão baixos, “se houver uma recessão, a economia monetária não vai chegar, será precisa também a política orçamental”. Ou seja, mesmo que “a dívida ainda seja alta, o serviço da dívida não é, em termos históricos” e “não há uma crise da dívida”. Portanto, “os défices são necessários”, devendo “ser usados, o máximo que for possível, para investir no futuro, seja através de investimento público seja suportando os custos de reformas estruturais”. O máximo que possível, leu bem?


O ataque do Governo contra o PCP

O argumento mais hábil dos advogados do Governo na Lei de Bases da Saúde é que a questão das PPP é insignificante e, portanto, a esquerda devia ceder para se alcançar a substituição da lei anterior, de Cavaco Silva. Parece inteligente e tem uma conveniente declamação dramática. O problema é que não pode ser enunciado o que, em alternativa, seria tão prioritário: mais anestesistas ou obstetras para evitar a degradação dos serviços incomodaria Centeno e esse crime de lesa-majestade não é admissível, muito menos no Governo. Depois, a própria ideia da urgência socialista em substituir a lei Cavaco é uma bizarria histórica, pois o PS esteve doze anos no poder desde 1990 até à presente legislatura, alguns deles com maioria absoluta, e nunca esboçou um gesto para melhorar a lei, como Arnaut lembrava frequentemente. Mas o problema mais espinhoso da narrativa sobre a irrelevância é ainda outro, é que funciona para os dois lados: se é tão menor a questão, porque é que o PS não procura um acordo e, pelo contrário, usa a cavalaria prussiana para preservar a todo o custo essas insignificantes PPP e lhes garante dois mil milhões de euros no Orçamento por legislatura? Porque é que aplaude a lei Arnaut-Semedo e cria imediatamente uma comissão Maria de Belém para a sabotar? Porque anuncia no Parlamento acordos com a esquerda sobre o assunto e logo os rompe à primeira vociferação da ala direita do Governo? Porque é que torna as PPP a condição fatal para a lei, a ponto de se virar para o PSD, o que tinha jurado pelas alminhas que era manobra interdita?

Creio que o faz por frio calculismo político: ao recusar qualquer base de acordo com a esquerda, o que não parecia ser a intenção original de António Costa, o PS está a escrever o manifesto eleitoral. A estratégia é evidente. Com o PSD fraco, o PS quer ocupar o seu lugar. Para mais, com o PSD manejável na gestão da saúde, o PS oferece uma solução de direita para ser o líder desse espaço. Pela maioria absoluta vale tudo.

E isto implica atacar impiedosamente a esquerda. Contra o Bloco é tudo normal, há mais de um ano que o PS prossegue esta senda, recusando negociar por princípio. Isso cria uma vulnerabilidade, como enunciar que a questão das PPP é insignificante e portanto motivo para rutura, ao passo que a esquerda, sensatamente, alega que é fundamental e portanto motivo para negociação. Certo é que o risco de revelar arrogância não incomoda em demasia o Governo.

No entanto, o ataque mais perverso é contra o PCP e ganhou contornos novos. O PCP teve uma posição ambígua, sugerindo Jerónimo que as PPP “não são o alfa e ómega da lei”, mas suponho que não permitiu que o Governo anunciasse que tinha o seu voto garantido. Terá sido abuso do PS. Por isso, Jorge Pires, em conferência de imprensa, reafirmou o seu partido na oposição à gestão privada dos hospitais públicos. Mesmo assim, Costa usou o último debate para humilhar o PCP: ao acusar o Bloco de ser o obstáculo “exclusivo” à aprovação das PPP, aponta o outro partido como seu cúmplice nesta escolha. Esta forma de condescendência é um truque que pretende menorizar o PCP, tratando-o como irrelevante ou, pior, como uma espécie de MDP dos socialistas. É ofensivo e falso. Despreza a realidade e tem um objetivo eleitoral, tendo esta estratégia sido acentuada pelos resultado das europeias. Nada acontece por acaso e esta é só mais uma forma de reclamar a maioria absoluta.