O lobby israelita vangloria-se do seu domínio sobre os EUA

(Paul Craig Roberts, in PaulCraigRoberts.org, 26/09/2026, Trad. Estátua de Sal)


Os Estados Unidos não são verdadeiramente um país. São uma província de Israel.


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Elliot Brandt, CEO da AIPAC – o lobby israelita – que tem o privilégio de não ter de se registar como lobby estrangeiro, foi apanhado numa gravação a gabar-se de como é fácil para ele controlar o presidente dos Estados Unidos e os funcionários de segurança nacional de Trump – o conselheiro de segurança nacional e secretário de Estado Marco Rubio, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca para a política Stephen Miller, o diretor da CIA John Ratcliffe e outros.

Numa surpreendente gravação que foi divulgada, ouve-se o CEO da AIPAC, Elliot Brandt, a gabar-se abertamente de como o poderoso lobby pró-Israel manipula figuras-chave do círculo íntimo de segurança nacional de Donald Trump, pressionando-as a apoiar outra guerra custosa e impopular no Médio Oriente em nome de Israel.

O áudio – que pode ouvir-se aqui -, gerou indignação online, alimentando acusações de que a política externa dos EUA está a ser ditada não por interesses americanos, mas por uma máquina de lobby alinhada com interesses estrangeiros com influência irrestrita. Os críticos afirmam que a fuga é mais uma prova de que os Estados Unidos não estão apenas empenhados — estão ocupados.

O coronel norte-americano Lawrence Wilkerson, antigo chefe de gabinete do general de quatro estrelas Colin Powell, secretário de Estado durante a administração de George W. Bush, afirmou:

“Vi a Mossad assumir o controlo do Pentágono em 2002. Não precisaram de qualquer identificação para entrar no edifício através do rio. Subiram até Douglas Feith, o Subsecretário de Defesa para as Políticas — o terceiro homem mais poderoso do Departamento de Defesa. Ocasionalmente, iam ter com Paul Wolfowitz, o Secretário Adjunto da Defesa.” 

Tanto o segundo como o terceiro cargos mais poderosos do Pentágono eram ocupados por judeus sionistas que apoiavam a hegemonia do Grande Israel no Médio Oriente.   Conseguiram levar os Estados Unidos à guerra no Médio Oriente em prol da agenda sionista do Grande Israel – do Nilo ao Eufrates, e hoje do Nilo ao Paquistão.   O 11 de Setembro foi o seu “Pearl Harbor” orquestrado, que lhes permitiu lançar a sua “guerra contra o terror”, que na realidade foi a destruição do Iraque, da Líbia e da Síria pelos Estados Unidos, países que representavam obstáculos à expansão de Israel.   Atualmente, o lobby israelita mantém os americanos em guerra com o Irão, uma guerra que até hoje deixou o Irão como vencedor. 

Trump está ressentido com a derrota militar que trouxe aos Estados Unidos.   Ele tentou esconder isso no meio das suas bravatas. 

Netanyahu, sabendo que Trump não aceita a derrota, preparou o terreno para que Trump escapasse à derrota salvando as aparências com um ataque nuclear ao Irão.  Assim, a ameaça de Trump na terça-feira, 22 de Setembro, perante o mundo inteiro na Assembleia Geral da ONU, deu ao Irão até depois das eleições intercalares nos EUA, a 3 de Novembro, para se render ou ser aniquilado. A aniquilação do Irão exige o uso de armas nucleares por Trump ou por Israel.

O que o mundo testemunhou na passada terça-feira foi o poder absoluto de Israel sobre a política externa norte-americana.   A administração Trump não serve os Estados Unidos.   Não serve os seus aliados da NATO.   Não serve a paz nem a justiça.   A administração Trump serve Israel em detrimento não só de todos os americanos, mas também do mundo inteiro.

No dia 3 de novembro, saberemos qual a percentagem de americanos, se é que existe alguma, que compreende isto.

Fonte aqui.


Donald Trump e a era do Mal

(Chris Hedges, In The Chris Hedges Report, 26/09/2025, Trad. Estátua de Sal)

O Grande Ditador – por Mr. Fish

Sob qualquer perspectiva moral, Trump é depravado. Mas, investido do poder do Estado, desce a outro patamar — o patamar do Mal.


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Donald Trump exibe as características clássicas dos psicopatas: charme superficial, grandiosidade e arrogância, necessidade de estímulo constante, propensão para mentir, enganar e manipular, e incapacidade de sentir remorso ou culpa.

Mas será ele mau?

Se, como escreve a filósofa Susan Nieman , o mal não é simplesmente o oposto do bem, mas antes algo que lhe é hostil, se o objetivo do mal é destruir todas as distinções morais, então Trump qualifica-se como o mal. Para Trump, a moralidade é para os perdedores. Toda a vida é transaccional. O interesse próprio e o enriquecimento pessoal suplantam todas as outras considerações. Ninguém mais importa.

No seu novo livro , “Call It Evil: Understanding the Trump Era” (Chamem-lhe Mal: ​​​​Entendendo a Era Trump), Neiman defende que o mal “não é crueldade, mas algo muito pior: as ideias que permitem que a crueldade se torne comum“.

E ela continua:

Há uma diferença entre chamar má a uma ação e chamar crime a outra. Os crimes são coisas para as quais temos procedimentos — pelo menos para punir, senão para prevenir. Isto significa que um crime pode ser encaixado de alguma forma no resto da nossa experiência. Chamar má a uma ação é sugerir que ela não pode ocorrer — e que, por isso, ameaça a nossa confian,ça no mundo, confiança que necessitamos para o navegar. Não existe uma linha divisória clara entre o mal e o terrível. “Má” é o que se diz quando o queixo nos começa a cair, ao percebermos que uma linha foi ultrapassada.

Trump ultrapassa todos os limites. Declara guerras por capricho. Enriquece-se a si e à sua família com esquemas de criptomoedas, dos quais já lucrou mais de mil milhões de dólares. Ordena assassinatos e o rapto de chefes de Estado. Utiliza milhares de milhões de dólares dos contribuintes para sustentar o genocídio na Palestina e, desde Janeiro de 2025, já vendeu mais de 20 mil milhões de dólares em novas armas a Israel. Desmantela departamentos governamentais criados para apoiar os mais vulneráveis ​​e inflaciona o orçamento de guerra. Cria forças paramilitares desonestas para aterrorizar os cidadãos e os imigrantes. Ataca e tenta censurar a imprensa.

Em suma, ele faz o que todos aqueles que cometem o mal fazem. Fomenta um mundo onde nada é sagrado e onde a democracia e as virtudes cívicas não existem.

Os conceitos de equidade, decoro, justiça e empatia são implodidos pela administração Trump. A sua ameaça de aniquilar o Irão – isto é, cometer genocídio – anunciada, por todo o lado, nas Nações Unidas, é recebida com indiferença por um público anestesiado pela sua vacuidade moral.

“Uma vez que a supremacia do interesse próprio é consagrada como realismo de senso comum em vez de uma ideia filosófica, capacidades morais como a empatia e a vergonha tornam-se não apenas ingénuas, mas suspeitas”, escreve Neiman. E continua: “Os sádicos existem e causam sofrimento interminável. Mas as formas mais comuns de maldade surgem da visão de que apenas os tolos acreditam em algo para além da sua própria vantagem.”

As instituições criadas para proteger a democracia, salvaguardar as virtudes cívicas e promover a igualdade — incluindo os tribunais, os escritórios de advogados, as universidades e os meios de comunicação social, todas capturadas pela classe dos bilionários — rapidamente se curvaram para bajular a Casa Branca de Trump. Os magnatas de Silicon Valley inundaram-no, a ele e à sua campanha, com milhões de dólares. As alegadas virtudes que estas instituições e indivíduos afirmavam defender foram descartadas. Essas virtudes, demonstrou-se, não passavam de marketing, de performance artística, de uma farsa.

Para um público enraivecido, a ganância e a crueldade transparentes de Trump são preferíveis à hipocrisia dissimulada dos políticos, republicanos e democratas, que o antecederam. Ele não se envolve na falsa empatia deles. Na verdade, parece incapaz de empatia.

Quando a moral se torna coisa de tolos, a virtude perde o seu sentido. Quando acreditamos que devemos agarrar o que podemos, mesmo à custa dos que nos rodeiam, sucumbimos ao Mal.

“Ao contrário de nós, exibe permanentemente a combinação de motivações que nos dizem ser as verdadeiras forças motrizes do comportamento humano”, escreve ainda Neiman sobre Trump:

Também não parece entender ninguém. Embora reconheça que as outras pessoas, também conhecidas como perdedoras, têm normas, não faz ideia de como essas normas funcionam, levando as pessoas a sobreporem-se aos seus próprios interesses para as honrar. Agindo no palco internacional à imagem dos genes implacáveis ​​de Richard Dawkins, atraiu milhões de seguidores que dizem admirar a sua autenticidade. Isto não significa que os seus seguidores sejam deploráveis. Podem não ser maus, mas num mundo onde o interesse próprio implacável geralmente se camufla sob cores suaves, consideram a sua franqueza refrescante. Já ouviram tantas vezes que as pessoas escondem o interesse próprio genuíno que realmente move as coisas, que se sentem aliviadas por ver um homem que nunca o esconde.

O pior mal, defende Neiman, “pode ser a negação do mal – tal como o desprezo por qualquer bondade que se lhe possa opor. Quando o interesse próprio se torna a base da razão, o mal já não tem de se justificar. Já foi confundido com racionalidade”.

Este mal conduz-nos pelo caminho já conhecido do fascismo. Foi Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto durante o primeiro mandato de Trump, que nos alertou, chamando a Trump “fascista até à medula“.

Os media — sem coragem suficiente para rotular Trump de fascista — preferem a palavra “autoritário“, que, como observa Neiman, pode ser mais tolerável, mas “não tornará o fascismo mais tolerável“.

Autoritarismo, observa ela:

[É] uma palavra que pode ser útil para descrever certos professores alemães e o tipo mais brando de regime militar latino-americano. Mas um país onde homens mascarados deportam pessoas para desertos que nunca viram? As tropas de combate ocupam as grandes cidades e disparam sobre os cidadãos que protestam pacificamente? Um governo que coage os media, as universidades e outros países a atenderem à sua vontade? Um exército que faz explodir pescadores em pedaços com as mais insignificantes justificações e depois inicia o tipo de guerras que o Tribunal Militar Internacional de Nuremberga condenou? Como foi escrit em 1946: “Iniciar uma guerra de agressão não é apenas um crime internacional, é o supremo crime internacional, diferindo dos outros crimes de guerra apenas por conter em si o mal acumulado de todos eles.” Seria fácil continuar, mas enumerar crimes é inútil. Antes destas palavras serem impressas, o governo já terá encontrado inúmeras novas formas de desrespeitar o Estado de Direito.

Estamos em apuros.

A decadência moral na nossa sociedade precedeu Trump. Ele é a sua conclusão lógica. Ele é a apoteose de uma cultura onde a ganância, a exploração e o interesse próprio, os princípios fundamentais do neoliberalismo, são apresentados como as forças definidoras da existência humana.

Devemos lutar enquanto podemos. Mas para isso precisamos de resgatar a linguagem do bem e do mal. Precisamos de fazer escolhas morais e aceitar o sacrifício pessoal. Precisamos de reconhecer a desolação que se apresenta diante de nós, sem desviar o olhar do monólito fascista que se consolida.

Negar estas verdades e recusar-se a desafiar o mal garantirá a nossa escravidão.

Pronunciar estas verdades e estar ao lado dos oprimidos e marginalizados, mesmo que isso implique sacrificar a nossa própria segurança financeira e física, libertar-nos-á.

Fonte aqui


A privatização das praias

(Andreia Pinto Ferreira, in Facebook, 24/09/2026, Revisão da Estátua)


Já vendemos os anéis. Estamos agora a vender os dedos.


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Figuras como os Duques de Sussex, George Clooney ou Cindy Crawford são os Ed Sheerans e as Pinks do imobiliário de luxo em Portugal, são a fachada glamorosa que valida um ecossistema predatório.

Para compreender o tamanho da hipocrisia, é preciso rasgar o véu do “investimento estrangeiro” e nomear com rigor a origem do dinheiro que está a soterrar a costa alentejana. O betão que bloqueia o acesso dos portugueses ao mar é financiado por impérios erguidos sobre exploração humana, opacidade fiscal e destruição ambiental noutras partes do globo:

Sandra Ortega, dona do projeto Na Praia em Troia, herdou a sua fortuna do império Inditex (Zara). Trata-se de uma indústria historicamente associada à pegada de carbono massiva, ao desperdício têxtil global e a denúncias crónicas de condições de trabalho precárias em países em desenvolvimento. Esse mesmo capital, gerado na engrenagem do consumo descartável, é agora reinvestido para privatizar dunas protegidas em Portugal;

Claude Berda, a força por detrás da Vanguard Properties, construiu o seu império multimilionário no setor dos média e do imobiliário, na Suíça e na França. Especializou-se em captar capitais voláteis através de esquemas de otimização fiscal e na transformação de solo natural em ativos financeiros de alto rendimento para a elite global;

O projeto Costa Terra Golf & Ocean Club, em Melides, controlado pela tecnológica imobiliária americana Discovery Land Company, conta com o envolvimento de fortunas mexicanas sob escrutínio. São capitais que muitas vezes operam através de paraísos fiscais e fundos de investimento cuja origem real das mais-valias permanece oculta por engenharia financeira, longe dos olhos dos reguladores ambientais portugueses.

No xadrez do marketing do ultra luxo, a presença de um príncipe Harry, de uma Meghan Markle ou de um George Clooney vale muito mais do que o valor nominal de um lote de terreno. Por isso é altamente provável que muitas destas celebridades não tenham pago um único cêntimo pelas suas propriedades. Estes famosos não são clientes, eles são o produto.

O modelo de negócio assenta em contratos de endosso disfarçados: O promotor imobiliário oferece a moradia (ou vende-a por um valor simbólico) em troca do compromisso implícito de a celebridade ser fotografada na zona. Quando a notícia “Harry e Meghan compram casa em Melides” corre o mundo, o valor de todos os outros lotes ao redor duplica instantaneamente. O milionário anónimo de Wall Street ou de Frankfurt pagará alegremente 10 ou 15 milhões de euros por uma casa, apenas pelo privilégio de ser vizinho de um membro da realeza.

Ao aceitarem esta borla dourada, os famosos tornam-se cúmplices e escudos éticos. Se o resort estivesse apenas associado ao magnata mexicano ou à herdeira da Zara, o público veria ali apenas especulação mas, com Clooney ou Crawford na fotografia, a destruição das dunas passa a ser “um estilo de vida aspiracional“.

Mas esta máquina de esquecimento não opera sozinha. Para que o crime ambiental e social funcione sem revolta popular, é necessário um exército de relações públicas: os promotores imobiliários, a imprensa cor-de-rosa, os programas de crónica social e as “Cristinas Ferreiras” deste país. Ao bajularem as ditas figuras públicas e ao tentarem, elas próprias, fazer parte desse mesmo círculo social elitista, as figuras da televisão nacional normalizam o bloqueio dos acessos públicos às praias, criando uma narrativa onde criticar o resort é visto como “inveja“, porque, afinal, “as estrelas precisam de privacidade“.

O paralelismo com o mundo da música é total. Assim como criticamos os artistas que vendem os seus valores ao melhor licitante, torna-se urgente apontar o dedo às celebridades que aceitam ser testa-de-ferro da privatização da costa atlântica.

Enquanto a Passadeira Vermelha aplaude o luxo silencioso, o país perde a sua terra, o seu mar e a sua dignidade ao sabor da tradicional passividade portuguesa.