Quanto menos Estado, mais fogos a alastrar

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 28/07/2026)


A sensação de desamparo ante a amplitude dos incêndios que lavram no sul da Europa Ocidental, sobretudo em Espanha e em França, leva-nos a questionar a capacidade de resposta e a eficácia das instituições. Com um milhão de pessoas evacuadas das suas casas, cenários de devastação e fogos incontroláveis, é de todo evidente que a Europa não se deve aventurar num conflito que os seus dirigentes entusiasticamente defendem contra a Rússia.

​Isto decorre de décadas de demolição sistemática e intencional das estruturas do Estado, demência ideológica que se converteu no desastre presente. ​Se no plano económico, o abandono do Estado enquanto estratega e guia do desenvolvimento e reforço da soberania e segurança dos povos se revelou um desastre, como há anos foi notório durante os confinamentos COVID, assistimos pela segunda vez nesta década às consequências do desinvestimento e da destruição das estruturas que protegiam as populações.

​Toda a arrogância dos liberais que ao longo dos últimos 40 anos nos acenaram com a utopia globalista e a repetir que o Estado era inútil, pesado e dispendioso, desaba perante nós neste furacão de fogo que nos entra casa adentro através dos noticiários.

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O Irão não é o Iraque: Quando Washington descobre os limites do seu próprio poder

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 28/07/2026, Revisão da Estátua)


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Durante décadas, Washington habituou-se a vender cada guerra como um passeio militar: alguns ataques “cirúrgicos”, uma chuva de mísseis de cruzeiro, uma conferência de imprensa triunfante… e fim. Só que desta vez, o argumento de Hollywood está a chocar com uma realidade bem menos fotogénica.

O Irão não é o Iraque de 2003 nem a Líbia de 2011. É um vasto território montanhoso onde as infraestruturas militares são dispersas, subterrâneas e concebidas para resistir a bombardeamentos. Enquanto alguns comentadores ocidentais já declaram a vitória dos seus sofás, os estrategas americanos sabem que alcançar a verdadeira superioridade aérea será muito mais complicado do que exibir uma animação em 3D na CNN.

Sem esta superioridade, as forças armadas dos EUA estão condenadas a gastar mísseis de precisão que custam milhões de dólares cada. Armas produzidas lentamente, em quantidades limitadas, e cujos stocks já foram seriamente reduzidos pela Ucrânia. Na sua busca para ser o bombeiro de todas as guerras, Washington está a descobrir que até o maior arsenal do mundo tem um limite.

Entretanto, Teerão está a seguir uma estratégia completamente diferente. A Guarda Revolucionária segue uma doutrina simples: atacar, desaparecer, repetir. Cada confronto permitiu-lhes refinar as suas redes, preencher as suas lacunas de inteligência e reforçar a sua produção de mísseis e drones. Por outras palavras, cada ataque ocidental transforma gradualmente o adversário numa versão melhorada de si mesmo. Uma estratégia brilhante… se o objetivo fosse precisamente tornar o Irão mais resiliente.

A parte mais interessante, no entanto, é o balanço geopolítico. Quanto mais recursos os Estados Unidos investem no Médio Oriente, mais Pequim observa silenciosamente o seu principal rival a desgastar-se. Moscovo, por seu lado, beneficia de uma NATO fragilizada, da atenção americana desviada e dos preços mais elevados da energia. Uma guerra destinada a enfraquecer os adversários de Washington acaba por lhes valer uma inesperada vantagem estratégica. É preciso reconhecer-lhes a perspicácia.

O erro fundamental reside em acreditar que a tecnologia pode substituir a geografia, a indústria e o tempo. Os Estados Unidos destacam-se em campanhas aéreas de curta duração contra inimigos isolados. Uma guerra de desgaste contra um vasto Estado preparado, capaz de reconstruir as suas capacidades, é um jogo completamente diferente.

O Pentágono não carece nem de aviões nem de generais. O que está a tornar-se escasso são os mísseis, o tempo… e a ilusão de que uma guerra ainda pode ser ganha apenas com diapositivos em PowerPoint.

Enquanto os painéis de TV prometem uma vitória relâmpago, a realidade recorda-nos uma regra tão antiga como a própria guerra: é muito mais fácil começar um conflito do que escrever o seu fim.

Luís Neves, o coveiro do XXV Governo Constitucional

(Carlos Esperança, in Facebook, 27/07/2026)

Luís Neves é um caso de estudo, um polícia competente, cidadão suspeito e político não recomendável que, contra todas as acusações, prolonga a agonia.

As suspeitas sobre o PM não impediram o regozijo com a sua aceitação do convite, para ministro da Administração Interna, depois de dois casos clamorosos de inaptidão para as funções.

Nem pensei que investigara o caso Spinumviva e no interesse do PM em tê-lo amarrado ao seu Governo, depois de ter um PGR da sua confiança. Tão desejoso de ver sobraçar a pasta alguém competente, não refleti na insólita transferência do líder da PJ para chefiar todas as outras forças policiais e de segurança.

Era estimulante ver alguém que preferia basear-se em factos em vez de perceções e num governo enredado no abraço do Chega, quem fosse determinado a combater a violência policial e o terrorismo de extrema-direita, o único de que há conhecimento. Nem pensei no perigo da confusão de funções e acumulação de tamanho poder por um só homem.

Mas, há sempre um mas, depois de conhecidos factos tão graves, política e eticamente, a permanência em funções, agravada com a falta de explicações, não põe apenas em causa o governo, que persiste em usar os padrões éticos de Luís Montenegro, arrasta consigo a dignidade das instituições.

Passados tantos dias, é legítimo supor que o ministro permanece para se proteger e que o PM, a quem já falta um mínimo de autoridade moral, é refém do que o ministro sabe a seu respeito.

O silêncio do Presidente da República não pode manter-se. Sabe-se que não tem poder para o demitir nem as condições políticas permitem que dissolva a AR, mas não pode esquecer que é o último responsável pelo normal funcionamento das instituições e, neste momento, é já o risco da dissolução do regime que se a vizinha.

O País exige explicações ao Presidente da República. Foi para isso que dois terços dos eleitores o sufragaram, com a animosidade da extrema-direita e a ambiguidade do PM.

A semana que hoje começa é demasiado longa para tanto silêncio. Não há uma segunda oportunidade para uma primeira e audível intervenção política.

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