Da série: “o país está melhor, os portugueses estão pior”

(Estátua de Sal, 25/07/2025)

Portuguese sign stating the necessity of people for governance and democracy

O video que podem ver abaixo já tem um ano, perfeito na última quinta-feira. Porque, então, o publico? Porque já na altura ele desmistificava as patranhas do Montenegro, ufanando-se do estado de um país que só ele conseguia vislumbrar. E hoje, um ano transcorrido, todas as nuvens negras que pairavam sobre a economia portuguesa, têm tintas ainda mais carregadas.

A alimentação, as casas, os combustíveis e tudo o mais que é essencial a uma vida digna, afasta-se cada vez mais da bolsa do cidadão comum. Enquanto isso, Montenegro vai dizendo que o país “está na maior”. Sim, Luís, na maior estás tu, refastelado no estádio nos EUA a ver o Mundial à pala do Orçamento. Mas tu não és “o país”, a não ser que a megalomania e a alucinação te tenham “desaparafusado” de vez.

E parabéns à Davim pela sua intervenção neste vídeo. No meio de tanto lixo que desagua na esterqueira da CNN, a prestação desta rapariga destoa pela positiva nos seus comentários sobre a política nacional. Mas ela que não abuse. Senão ainda vai ter o mesmo destino que outros, como o Carlos Branco, ou talvez o Agostnho Costa que já não aparece há quase 15 dias. O que lhe terá acontecido? Saneado também?! A ver vamos.

Margarida Davim, in CNN, 23/07/2025

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O que esconde o caso dos exames

(Miguel Carvalho, in TSF.pt, 20/07/2026)

Public Education Minister speaking at a podium to applauding students and staff in a school lobby
Afinal o Ministro do ensino público, Fernando Alexandre, tem claras ligações ao ensino privado. Imagem gerada por IA.

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A polémica dos exames escolares não decorre apenas do caótico processo de transição digital que destapou uma empresa a tresandar de ligações ao PSD.

Nos bastidores do caos do outsourcing tecnológico o que está em causa é a fragilização do ensino público em benefício dos negócios privados e das lógicas empresariais.

Por este andar, as administrações escolares arriscam-se a ser meras gestoras de novas fornadas de recursos humanos destinadas a servir o apetite de clientes externos.

Fernando Alexandre, ministro da Educação, sabe bem do que falo. Ainda há poucos anos era dirigente e membro do conselho consultivo do Instituto Mais Liberdade, um dos braços estratégicos da poderosa Rede Atlas em Portugal. E o que pretende a Atlas? Simples: estigmatizar a escola pública com a falsa retórica dos custos fiscais, falar das vantagens da liberdade individual contra a alegada doutrinação ideológica do Estado e promover capital humano com mentalidade capitalista para as exigências do mundo laboral.

Como se sabe, esta narrativa é muito praticada no ginásio televisivo por políticos, académicos e comentadores. Alguns deles, nascidos de geração espontânea, adoram encher boca de liberdade, sobretudo quando ela serve o garimpo sem escrúpulos dos recursos públicos. As carreiras docentes podem esperar, as melhorias nos serviços internos do Ministério da Educação também. E lá vamos cantando e rindo.

Este movimento ultraliberal na Educação acabará por corroer ainda mais uma democracia já de si vulnerável e frágil. O individualismo consumista e competitivo, praticado por professores e alunos, está na moda, enquanto educar para os direitos humanos, a justiça social, a igualdade e a inclusão ainda parece ser uma fragilidade.

Sucesso e egoísmo estão a fazer o seu caminho.

Com o tempo, ganhou a intolerância em relação aos que fracassam e o menor compromisso com o bem comum. Satisfeitos com a suposta autossuficiência, não teremos respostas para os pobres nem para os imigrantes, até porque constituem uma ameaça percecionada. Tudo isso poderia e deveria ser o combate deste tempo em casa e na escola. Mas é aí que, para já, estamos a perdê-lo.

Pode ouvir o artigo, lido pelo autor, aqui

APJD denuncia vice-presidente da Cruz Vermelha por apologia a armas nucleares

(In AbrilAbril, 23/07/2026)


(Este sevandija, Marco Serronha, tem um nome em consonância com aquilo que lhe falta: Serronha rima com vergonha. Ele, lá ser Serronha, ele é. Mas vergonha na cara não tem nenhuma!

Estátua de Sal, 24/07/2026)


A Associação Portuguesa dos Juristas Democratas (APJD) apresentou denúncia formal ao Comité Internacional da Cruz Vermelha contra o tenente-general Marco Serronha por «violação grave» dos princípios do movimento e do direito internacional.


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Em causa estão comentários proferidos por Marco Serronha enquanto comentador militar da CNN Portugal, nos quais o responsável propôs o uso de armas nucleares contra o Irão. De acordo com a denúncia, a que o AbrilAbril teve acesso, Serronha afirmou que «mandar três bombas atómicas no sítio certo e a guerra acaba de um dia para o outro» e que o procedimento deveria ser repetido «a cada cinco anos», tendo ainda qualificado como «positivos para os EUA» os ataques deliberados contra civis iranianos, «porque mostram que o regime não consegue defender os seus cidadãos».

A APJD considera que estas declarações configuram uma violação «flagrante e simultânea» dos princípios fundamentais da Cruz Vermelha, «nomeadamente os princípios da Humanidade, Imparcialidade, Neutralidade e Independência», e constituem uma apologia de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, «incompatível com o exercício de funções numa organização humanitária de referência mundial».

Segundo a associação, a questão já havia sido denunciada à Cruz Vermelha Portuguesa, mas a instituição «nada fez, limitando-se a desvalorizar o comportamento do seu vice-presidente», que tutela a área da Emergência, «optando pelo silêncio institucional». Apesar disso, reconhece, as afirmações foram proferidas na CNN Portugal «sem qualquer distinção entre a sua função de comentador militar e a sua função de dirigente de uma organização humanitária».

Considerando que o «silêncio e a inacção da Cruz Vermelha Portuguesa são inadmissíveis», a APJD entendeu submeter a denúncia ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR, no original), solicitando a abertura de um processo de averiguação sobre o comportamento público do tenente-general Marco Serronha. A associação reclama ainda que o CICR determine a incompatibilidade da manutenção do tenente-general nos quadros da organização e exija à Cruz Vermelha Portuguesa, liderada por António Saraiva, «uma posição pública de demarcação e a adopção de medidas disciplinares».

A APJD recorda que a proposta de uso de armas nucleares «constitui uma apologia de crimes de guerra e crimes contra a humanidade», e viola o artigo 6.º do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Admite, ao mesmo tempo, que a «ausência de qualquer ressalva ética ou humanitária» nas declarações de Marco Serronha «demonstra uma desconexão total com a missão da Cruz Vermelha».

Neste sentido, insiste que «a presença de uma figura belicista e sectária na direcção de uma organização humanitária como a Cruz Vermelha compromete a confiança de todas as partes em conflito», salientando que «a inacção institucional não é neutralidade, mas cumplicidade com a violência e o horror».


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