Dentro do pandemónio

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 01/10/2022)

A sabotagem dos pipelines Nordstream 1 e 2 cortou brutalmente o cordão umbilical energético da Alemanha com a Rússia. Parece óbvio para todos de que se trata de terrorismo com origem num “ator estatal”, como disseram de imediato os responsáveis dinamarqueses e suecos. Inevitavelmente, Zelensky acusou a Rússia. Mas esse reflexo de Pavlov carece de justificação.

Seria totalmente irracional que Moscovo destruísse não apenas uma copropriedade onde investiu 475 mil milhões de rublos, mas, sobretudo, seria absurdo que anulasse o seu instrumento principal de pressão contra as sanções da UE. Sem pipelines, Moscovo e Berlim ficam em mundos paralelos.

O jornal ECO noticiava que num tweet, Radoslaw Sikorski – ex-Ministro da Defesa e ex-MNE polaco, eurodeputado do PPE, e um peso pesado na política global -, agradeceu aos EUA os danos causados aos pipelines russos. Noutro tweet, Sikorski explicava que os “danos no Nordstream reduzem o espaço de manobra de Putin. Se quiser retomar o fornecimento de gás à Europa, terá de conversar com os países que controlam os gasodutos Brotherhood [Ucrânia] e Yamal [Polónia]”.

O “agradecimento”, gravemente acusatório a Washington, vindo de um seu fã incondicional, apenas o compromete a ele. Contudo, revela também como os demónios europeus estão à solta. O ódio à Alemanha, e não apenas à Rússia, faz hoje parte integrante da política oficial em Varsóvia, como ficou demonstrado no renovado pedido a Berlim por indemnizações pelas perdas da II Guerra Mundial.

A UE, que alguns adeptos do Dr. Pangloss consideram mais forte e unida do que nunca, recebe hoje sinais de menosprezo das chancelarias por esse mundo fora. Com a CE de Von der Leyen, a “Europa Alemã”, que segundo o malogrado Ulrich Beck resultou da gestão da crise do euro por Angela Merkel, está febril. Para merecer respeito em política é preciso conhecer os seus interesses cruciais. E saber defendê-los. A resposta europeia à invasão russa da Ucrânia foi desmesurada, ignorou completamente interesses e fragilidades, curvando-se num servilismo acrítico perante Biden. A coligação de Berlim destruiu, de um golpe, os alicerces de uma UE liderada pela Alemanha: segurança de abastecimento energético; estabilidade do euro; alguma (frágil) capacidade de manobra dentro da NATO. Sem estratégia e à deriva, os próximos meses dirão até que ponto é que a estrada de autoflagelação europeia terá alguma margem de mitigação.

A política em Portugal isolou-se numa exígua redoma de minudências. Os assuntos na agenda política minguaram. Para além de aceitarmos incondicionalmente a política monetária do BCE, já desistimos também de ponderar nas políticas externa e de defesa.

Estamos a caminhar para uma situação em que a possibilidade de uma guerra nuclear limitada na Europa vai em crescendo. E perante tal enormidade, escutamos o PM e o MNE a repetirem, mecanicamente, os mantras de Josep Borrell e de Jens Stoltenberg. Nem uma hesitação. Nem uma dúvida. Fica-nos como magna questão nacional, a eterna localização do novel aeroporto de Lisboa.

Mesmo sem devastação bélica, a Europa empobrecida talvez acabe até por tornar excessiva a atual capacidade da Portela. As torneiras que a Espanha fechou no Douro, congelando, com aviso prévio, a Convenção de Albufeira, dão-nos uma amostra da abundante solidariedade que nos aguarda num futuro cada vez mais fustigado pela crise ambiental e climática.

Portugal foge da realidade, mas esta nunca se esquecerá de nós.

Professor universitário


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A desmontar os “comentadeiros” – Episódio I

(Nuno Ramos de Almeida, e Pedro Tadeu, in Youtube, 30/09/2022)

(Vou passar a publicar estes vídeos. Os autores tentam ser minimamente equilibrados. As aldrabices e o coro de vozes dos “comentadeiros” sincronizados pela cartilha dos departamentos de comunicação da inteligência ocidental, já enojam qualquer mortal com dois dedos de testa. Divirtam-se. É uma lufada de ar fresco.

Estátua de Sal, 01/10/2022)


O perigo extremo de se continuar a esconder a psicopatia do Governo dos EUA

(Por Eric Zuesse, in South Front, 01/10/2022, Trad. Estátua de Sal)

Todo psicopata está bem treinado para mentir; qualquer um que tolere as mentiras dessa pessoa não está apenas a encorajar a psicopatia, mas também está psicopaticamente despreocupado com o bem-estar da comunidade, porque tal incentivo, por si só, facilitará a  disseminação  de mentiras e o engano do público. 

É assim que a psicopatia, que é uma doença meramente pessoal, se torna disseminada e pandémica, produzindo assim uma sociedade disfuncional, uma fraude generalizada. Isso acontece não só pela presença de psicopatas, mas também pela existência dos seus colaboradores passivos, que não denunciam a mentira e os mentirosos expondo-os publicamente para ajudarem à sua penalização, mas, ao invés, auxiliam os mentirosos a prosperarem espalhando as suas mentiras.

Ser membro de uma sociedade é ter direitos e obrigações. O silêncio diante de mentiras que se sabe serem falsas é uma falha nas nossas obrigações: a obrigação de evitar voluntariamente espalhar uma doença social – a doença de espalhar essas mentiras e essa falsidade, para um público desenfreado e cada vez mais contaminado.

Foi assim que em 2003 os governos dos EUA e do Reino Unido prenderam e neutralizaram a ONU invadindo e ocupando  o Iraque apenas com base em mentiras , e nunca foram processados ​​por isso. Nem os governos (nem os seus líderes) foram processados ​​por isso, nem os meios de comunicação (ou os seus proprietários) que eram controlados pelo mesmo grupo de bilionários (os bilionários da América, de ambos os partidos políticos), foram processados ​​por esses crimes de guerra internacional. Nenhum desses líderes e suas organizações de propaganda (ou média de notícias – seus proprietários) foram processados ​​por terem feito ou ajudado a fazer isso. 

Esse facto claro estabeleceu um precedente que foi seguido, desde então, por constantes mentiras internacionais desses mesmos dois  regimes psicopáticos, que agora estão a caminho de engendrar uma Terceira Guerra Mundial, de novo com base em constantes mentiras governamentais e da média jornalística disseminadas em larga escala. Hoje a ladainha é por “uma mudança de regime na Rússia” em vez de “uma mudança de regime no Iraque”, mas, hoje como antes, os regimes que PRECISAM desesperadamente de ser “mudados” são os responsáveis por  essa enorme fraude , a saber, os Estados Unidos e o Reino Unido. As Nações Unidas são infelizmente incapazes de fazer tal mudança – já que foi virtualmente anulada desde 2003 – mas a mudança deve ocorrer, antes que  o resultado final nos aniquile a todos .

A  psicopatia da liderança dos Estados Unidos  representa um perigo mortal não apenas para os residentes de uma qualquer nação (Iraque; ou, digamos, a  Síria  – e há tantos outros exemplos), mas para os residentes de  todas as nações (III Guerra Mundial); e, se não for parada agora, o mundo será aniquilado, e em breve. Este seria o fim extremo da pandemia de mentiras que ficam não apenas impunes, mas escondidas do público, em vez de expostas ao público (como estamos a fazer aqui). Se esta pandemia – que é muito pior até do que a doença de covid-19 ou qualquer outra pandemia meramente física em toda a história humana – não for exposta agora à luz da divulgação pública honesta (presumivelmente através de meios de comunicação que NÃO são propriedade de bilionários americanos e aliados), então que esperança haverá para os nossos filhos e netos (se essa pandemia do mal não tiver já destruído o mundo antes disso)? 

É uma obrigação não APENAS para com o público em geral, mas até para com os nossos próprios descendentes (se os tivermos), porque é uma obrigação de – e em nome de –  todos. Essa ocultação da culpa precisa de parar agora, porque mais tarde pode ser tarde demais. Então: por favor, envie o link deste artigo para todos que você conhece, e para o maior número possível de pessoas que você não conhece, porque ele a todos diz respeito.

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O novo livro do historiador investigativo Eric Zuesse,  AMERICA’S EMPIRE OF EVIL: Hitler’s Posthumous Victory, and Why the Social Sciences Need to Change , é sobre como os Estados Unidos conquistaram o mundo após a Segunda Guerra Mundial para escravizá-lo aos bilionários americanos e aliados. Seus cartéis extraem a riqueza do mundo controlando não apenas sua mídia de ‘notícias’, mas também as ‘ciências’ sociais – enganando o público.


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