Os obstáculos à paz na Europa não são aqueles que se julga

(Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 26/05/2026)


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O compromisso concluído entre os Presidentes Donald Trump e Vladimir Putin, em 15 de Agosto último, continua sem ser concretizado na Ucrânia. É que os obstáculos não são os que os Estados Unidos julgavam. A Ucrânia não controla o jogo, enquanto a Alemanha e Reino Unido querem a guerra.


O Presidente Donald Trump reconheceu perante o seu homólogo Xi Jinping que era um igual. Desde a Segunda Guerra Mundial, todos os Presidentes norte-americanos se julgavam superiores aos demais, porque eram os mais poderosos e os mais ricos.

Ao contrário, do ponto de vista chinês, Xi Jinping considera-se igual, não apenas a Donald Trump, mas a todos os seus homólogos. Um chinês não pensa que dispor de meios mais importantes vos torna uma pessoa superior.
Esta concepção de uma hierarquia entre as nações é puramente ocidental. Portanto, não se deve interpretar a evolução do Presidente dos EUA sem deixar de considerar a cultura daquele que a observa.

Por sua vez, na semana seguinte o Presidente russo, Vladimir Putin, visitou Pequim. Os comentadores ocidentais garantiram que o Russo era um refém dos Chineses. Aqui de novo, isto é nada compreender da sua relação. Esta não é fruto dos seus respectivos interesses, mas da sua história. Desde o momento do saque ao Palácio de Verão até à tentativa de extermínio dos eslavos pelos nazis, cada um deles experimentou o modo como os Ocidentais se comportam. Daí, eles extraíram a conclusão que só poderão resistir-lhes permanecendo unidos.

É, pois, absurdo, considerar em reproduzir o que Richard Nixon e Henry Kissinger fizeram em 1972 : separar os dois Estados.

Durante a Cimeira de Anchorage, em 15 de Agosto de 2025, Donald Trump e Vladimir Putin puseram a hipótese de realizar negócios entre os dois países e concluir a paz na Ucrânia. Apesar das várias tentativas, Washington não conseguiu porque queria primeiro vender armas aos Europeus. Hoje, parece que isso será muito mais difícil e que os Europeus começam eles próprios a fabricá-las.

O Presidente Trump começou, pois, a retirar as suas tropas da Europa e a abandonar a guerra que o Pentágono previa estender à Transnístria e à Bósnia-Herzegovina. Ele anunciou que retiraria pelo menos 5. 000 homens da Alemanha. Vladimir Putin, por sua vez, decretou que daria a nacionalidade russa a todo o Transnistriano adulto que a solicitasse. Finalmente, Donald Trump retirou o seu apoio ao Alto-Comissário da União Europeia que administrava a Bósnia-Herzegovina, em violação do Acordo de Dayton (1995). Simultaneamente, o seu antigo Secretário de Segurança Nacional, o General Michael Flynn, organiza investimentos dos EUA na zona sérvia da Bósnia-Herzegovina.

Estes acontecimentos levam a considerar que os Estados Unidos são a favor de uma paz na Ucrânia que reconheça toda a Novorossia como russa. Isto é histórica e culturalmente justificado, mas só será possível organizando um referendo de autodeterminação. De momento, as Forças russas não têm qualquer ambição de libertar Odessa. Mas, o tratado de paz poderia, entretanto, reconhecê-lo.

Também aqui, contrariamente ao que se pensa, as dificuldades não estão onde julgamos estarem.

De momento, as três principais dificuldades são :
1) o reconhecimento do carácter ideológico nazi do actual governo de Kiev e a desnazificação da Ucrânia ;
2) o reconhecimento do carácter antidemocrático da unificação alemã e da independência da Alemanha de Leste ;
3) o reconhecimento da obsessão anti-russa do Reino Unido e o desmembramento da União Europeia da Defesa antes que ela seja definitivamente fixada.

Exéquias do Coronel Andriy Melnyk (1890-1964) e da sua mulher, em 25 de Maio de 2026, na presença do Presidente não-eleito Zelensky, de deputados e do governo.

A Ucrânia

Mesmo que os Ocidentais continuem a crer que a intervenção russa na Ucrânia é uma tentativa de anexação e o início do alargamento da Rússia a Ocidente, Moscovo nunca invadiu o seu vizinho, apenas aplicou a Resolução 2202, de que se tinha constituído garante perante o Conselho de Segurança.

Afirmar que a Rússia invadiu a Ucrânia é tão estúpido como dizer que a França invadiu o Ruanda. Sabemos que ela interveio para pôr fim a um genocídio (pelo qual era parcialmente responsável), em aplicação de uma Resolução do Conselho de Segurança.

O actual governo ucraniano é ilegítimo. O mandato do Presidente Volodymyr Zelensky expirou há muito. A cada três meses, ele prolonga a lei marcial, que não tem outro propósito senão impedir a realização de novas eleições. No entanto, o seu último decreto sobre a matéria prolonga a lei marcial de 2 de Maio a 4 de Agosto. Seria possível organizar uma campanha eleitoral e um escrutínio nesse momento. No entanto, será preciso limpar as listas eleitorais porque continuam a constar nelas os soldados mortos no campo de batalha e os civis que fugiram. Ninguém faz ideia do seu número, mas poderiam representar entre um e dois terços dos inscritos.

A Verkhovna Rada (Parlamento) é igualmente problemática. Só um terço dos parlamentares participa nela. As leis que adopta são, portanto, de uma legitimidade duvidosa. Ela aprovou, por exemplo, a destruição de cem milhões de livros – com a desculpa que foram assinados por autores russos, ou impressos na Rússia, sem distinguir entre os títulos contemporâneos e os clássicos da literatura. Da mesma forma, este Parlamento proibiu a principal Igreja do país e todos os Partidos da Oposição. Além disso, existe dentro da própria Rada um gabinete da CIA que prepara todas as leis. Os deputados presentes limitam-se a adoptá-las.

A primeira exigência da Rússia é a de desnazificar a Ucrânia. Foi isto que o Presidente Putin declarou aquando do lançamento da sua “operação militar especial”. Do ponto de vista russo, isto não é negociável. Com efeito, o que constitui a identidade da Federação da Rússia, não é a memória de Catarina, a Grande, mas a da luta dos Soviéticos contra o nazismo. Esta ideologia previa aniquilar toda a população eslava (mas não a população judaica, nem a população cigana), tal como é explicado no Mein Kampf. Mesmo que não tenhamos consciência disso no Ocidente, a Segunda Guerra Mundial não foi lançada para levar a cabo a Shoah, mas sim para assassinar a população eslava.

Ora, a administração ilegítima do Presidente não-eleito Zelensky recusa qualquer medida de desnazificação. Existem actualmente muitos monumentos à glória dos nazis e seus colaboradores, os «nacionalistas integralistas». A história da Ucrânia foi inteiramente reescrita por eles, com a ajuda do MI6 britânico e da CIA norte-americana, após a Segunda Guerra Mundial. Esta propaganda visa fazer crer que os «banderistas» combateram os nazis, o que é absolutamente falso. Não : os «banderistas» eram nazis !

Convencidos de que jamais haverá desnazificação, os «nacionalistas integralistas» estão em vias de planear a construção de um Panteão em sua glória. O General Kyrylo Boudanov, Director da administração presidencial, organizou, no dia 28 de Março, o repatriamento dos restos mortais de criminosos contra a humanidade, inumados pelo mundo durante a Guerra Fria. Desde logo, Rob Jetten e Luc Frieden, os Primeiros-Ministros holandês e luxemburguês, aceitaram a transferência dos corpos do fascista Yevhen Konovalets e do nazi Andriy Melnyk.

O Chanceler Friedrich Merz propôs, em 22 de Maio de 2026, criar um estatuto de membro associado da União Europeia para a Ucrânia.

A Alemanha

Acreditamos que a Alemanha é um Estado democrático que conseguiu reunificar-se em 1990. Ora, como acaba de publicar Dmitry Medvedev, Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Federação da Rússia, a reunificação não passa de uma ilusão. Os Alemães Ocidentais nunca pediram a opinião aos Alemães do Leste. Pelo Direito Internacional, a reunificação não é válida.

As eleições legislativas de 2025 revelaram resultados diferentes e antagónicos nas antigas RFA e RDA. Os Alemães Ocidentais votaram CDU ou SPD, enquanto os Alemães Orientais votaram na AfD. Esta é, aliás, a única razão pela qual se classifica os dois primeiros Partidos como «democráticos» e o terceiro como de «extrema-direita».

Ora, o Chanceler Friedrich Merz (um democrata-cristão) lançou uma vasta repressão contra todos os que contestam o seu poder, qualificando-os como «conspiracionistas». Apoiando-se no Gabinete de Proteção da Constituição, de Munique (ramo do órgão federal que abrigou muitos oficiais da polícia do Reich no pós-guerra), ele baniu vários média (mídia-br) e prendeu vários jornalistas.

Simultaneamente, a Alemanha reconstitui, pouco a pouco, o seu exército apoiando-se na ajuda financeira do Reino Unido, exactamente como o seu predecessor, o Chanceler Adolf Hitler, reconstituiu o Exército alemão com a ajuda do governador do Banco de Inglaterra, Lord Montagu Norman. Ele restabeleceu o serviço militar masculino e pediu a cada voluntário para avisar Berlim antes de partir de férias para o estrangeiro.

A Alemanha reconstitui igualmente o seu lóbi militar-industrial, com fundos europeus desta vez. Ela prepara-se para uma guerra como a da Ucrânia, embora, se houver uma guerra contra a Rússia, esta seria de uma natureza completamente diferente. Pouco importa, toda a indústria alemã produz agora drones ucranianos e vende-os no Golfo contra o Irão. Dentro desta lógica, Berlim deseja fazer entrar a Ucrânia para a União Europeia, mesmo que ela não cumpra os critérios de adesão fixados pelos tratados : apenas seria necessário criar um novo estatuto, o de «membro associado», e estava feito. Quando se fingiu ignorar os resultados negativos dos referendos francês e holandês de 2005, isto não passaria de mais uma decisão a ser tomada contra os povos.

Friedrich Merz, neto de um dignitário nazi, não é capaz de imaginar que o seu país não deva fazer de aliado dos «nacionalistas integralistas» ucranianos, nem que possa pedir contas aqueles que sabotaram o gasoduto Nord Stream e provocaram a queda da indústria alemã.

Sir Gwyn Jenkins, «Primeiro Lord do Mar», anunciou, em 29 de Abril de 2026, a criação de uma nova aliança militar : os “Marines” do Norte.

O Reino Unido

Desde o século XIX, o Reino Unido encara a Rússia como sendo seu único rival, não apenas na Europa, mas no mundo. Lord Curzon, Vice-rei da Índia, havia elaborado o «Grande Jogo», a colonização da Ásia Central, a fim de neutralizar o Império Russo. Hoje em dia, a estratégia britânica continua a mesma.

Londres continua a tentar retratar Moscovo como uma potência obscurantista. Já não se trata de inventar o falso telegrama Zinoviev (que permitiu atribuir aos Soviéticos o desejo de intervir nas eleições no Reino Unido), mas de fazer crer que o residente do Kremlin é um louco que mandou abater um avião comercial na Ucrânia e envenenar Serguei e Yulia Skripal, ou Alexei Navalny.

A sua última invenção, foi o ataque a aeroportos europeus com drones não- identificados. Pouco lhe importa a verdade. Londres aproveita para convencer os Países do Mar do Norte a juntar-se à sua Força Expedicionária Conjunta (Joint Expeditionary Force), que acaba de transformar numa aliança militar, os «Fuzileiros Navais do Norte», sob o seu comando. Espera juntar aí todos os Estados da União Europeia e a Turquia.

E, é por isso que os Lordes hereditários — ainda os há — fazem todo o possível para manter Keir Starmer em Downing Street. O Primeiro-Ministro é, com efeito, um Trabalhista (ou seja, Socialista-ndT) que, em segredo, é um agente do grande capital : à revelia do próprio Partido e dos média, ele participou em reuniões da Comissão Trilateral dos Rockefellers. Ainda à revelia de todos, nomeou Peter Mandelson — um cúmplice do criminoso Jeffrey Epstein — como embaixador de Sua Majestade em Washington.

O importante é fazer crer que o Reino Unido não tem qualquer relação, nem com o Estado de Israel, nem com o Hamas ; continuar a esconder o facto que os Chefes do Estado-Maior israelitas não pararam de vir, secretamente, a Whitehall durante o genocídio de Gaza, no qual o Exército britânico participou activamente. É melhor fingir, tal como Christian Turner, o sucessor de Peter Mendelson, que há um Estado que tem uma «relação especial» apenas com Washington, e que esse é Israel.

Fonte aqui.

Nota:

Se não conseguirem aceder à fonte acima indicada é devido ao bloqueio da UE a sites que considera “indesejáveis”. É esta a liberdade de expressão e informação na UE. Eu acedi à fonte via VPN, ligado a um servidor russo, com o browser Firefox, porque o Chrome se recusava a aceder ao site. Também por isso publiquei o texto na íntegra, apesar de ser longo.

Viva a “democracia” europeia… 🙂

Os obstáculos à paz na Europa não são aqueles que se julga

(Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 26/05/2026)


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O compromisso concluído entre os Presidentes Donald Trump e Vladimir Putin, em 15 de Agosto último, continua sem ser concretizado na Ucrânia. É que os obstáculos não são os que os Estados Unidos julgavam. A Ucrânia não controla o jogo, enquanto a Alemanha e Reino Unido querem a guerra.


O Presidente Donald Trump reconheceu perante o seu homólogo Xi Jinping que era um igual. Desde a Segunda Guerra Mundial, todos os Presidentes norte-americanos se julgavam superiores aos demais, porque eram os mais poderosos e os mais ricos.

Ao contrário, do ponto de vista chinês, Xi Jinping considera-se igual, não apenas a Donald Trump, mas a todos os seus homólogos. Um chinês não pensa que dispor de meios mais importantes vos torna uma pessoa superior.
Esta concepção de uma hierarquia entre as nações é puramente ocidental. Portanto, não se deve interpretar a evolução do Presidente dos EUA sem deixar de considerar a cultura daquele que a observa.

Por sua vez, na semana seguinte o Presidente russo, Vladimir Putin, visitou Pequim. Os comentadores ocidentais garantiram que o Russo era um refém dos Chineses. Aqui de novo, isto é nada compreender da sua relação. Esta não é fruto dos seus respectivos interesses, mas da sua história. Desde o momento do saque ao Palácio de Verão até à tentativa de extermínio dos eslavos pelos nazis, cada um deles experimentou o modo como os Ocidentais se comportam. Daí, eles extraíram a conclusão que só poderão resistir-lhes permanecendo unidos.

É, pois, absurdo, considerar em reproduzir o que Richard Nixon e Henry Kissinger fizeram em 1972 : separar os dois Estados.

Durante a Cimeira de Anchorage, em 15 de Agosto de 2025, Donald Trump e Vladimir Putin puseram a hipótese de realizar negócios entre os dois países e concluir a paz na Ucrânia. Apesar das várias tentativas, Washington não conseguiu porque queria primeiro vender armas aos Europeus. Hoje, parece que isso será muito mais difícil e que os Europeus começam eles próprios a fabricá-las.

O Presidente Trump começou, pois, a retirar as suas tropas da Europa e a abandonar a guerra que o Pentágono previa estender à Transnístria e à Bósnia-Herzegovina. Ele anunciou que retiraria pelo menos 5. 000 homens da Alemanha. Vladimir Putin, por sua vez, decretou que daria a nacionalidade russa a todo o Transnistriano adulto que a solicitasse. Finalmente, Donald Trump retirou o seu apoio ao Alto-Comissário da União Europeia que administrava a Bósnia-Herzegovina, em violação do Acordo de Dayton (1995). Simultaneamente, o seu antigo Secretário de Segurança Nacional, o General Michael Flynn, organiza investimentos dos EUA na zona sérvia da Bósnia-Herzegovina.

Estes acontecimentos levam a considerar que os Estados Unidos são a favor de uma paz na Ucrânia que reconheça toda a Novorossia como russa. Isto é histórica e culturalmente justificado, mas só será possível organizando um referendo de autodeterminação. De momento, as Forças russas não têm qualquer ambição de libertar Odessa. Mas, o tratado de paz poderia, entretanto, reconhecê-lo.

Também aqui, contrariamente ao que se pensa, as dificuldades não estão onde julgamos estarem.

De momento, as três principais dificuldades são :
1) o reconhecimento do carácter ideológico nazi do actual governo de Kiev e a desnazificação da Ucrânia ;
2) o reconhecimento do carácter antidemocrático da unificação alemã e da independência da Alemanha de Leste ;
3) o reconhecimento da obsessão anti-russa do Reino Unido e o desmembramento da União Europeia da Defesa antes que ela seja definitivamente fixada.

Exéquias do Coronel Andriy Melnyk (1890-1964) e da sua mulher, em 25 de Maio de 2026, na presença do Presidente não-eleito Zelensky, de deputados e do governo.

A Ucrânia

Mesmo que os Ocidentais continuem a crer que a intervenção russa na Ucrânia é uma tentativa de anexação e o início do alargamento da Rússia a Ocidente, Moscovo nunca invadiu o seu vizinho, apenas aplicou a Resolução 2202, de que se tinha constituído garante perante o Conselho de Segurança.

Afirmar que a Rússia invadiu a Ucrânia é tão estúpido como dizer que a França invadiu o Ruanda. Sabemos que ela interveio para pôr fim a um genocídio (pelo qual era parcialmente responsável), em aplicação de uma Resolução do Conselho de Segurança.

O actual governo ucraniano é ilegítimo. O mandato do Presidente Volodymyr Zelensky expirou há muito. A cada três meses, ele prolonga a lei marcial, que não tem outro propósito senão impedir a realização de novas eleições. No entanto, o seu último decreto sobre a matéria prolonga a lei marcial de 2 de Maio a 4 de Agosto. Seria possível organizar uma campanha eleitoral e um escrutínio nesse momento. No entanto, será preciso limpar as listas eleitorais porque continuam a constar nelas os soldados mortos no campo de batalha e os civis que fugiram. Ninguém faz ideia do seu número, mas poderiam representar entre um e dois terços dos inscritos.

A Verkhovna Rada (Parlamento) é igualmente problemática. Só um terço dos parlamentares participa nela. As leis que adopta são, portanto, de uma legitimidade duvidosa. Ela aprovou, por exemplo, a destruição de cem milhões de livros – com a desculpa que foram assinados por autores russos, ou impressos na Rússia, sem distinguir entre os títulos contemporâneos e os clássicos da literatura. Da mesma forma, este Parlamento proibiu a principal Igreja do país e todos os Partidos da Oposição. Além disso, existe dentro da própria Rada um gabinete da CIA que prepara todas as leis. Os deputados presentes limitam-se a adoptá-las.

A primeira exigência da Rússia é a de desnazificar a Ucrânia. Foi isto que o Presidente Putin declarou aquando do lançamento da sua “operação militar especial”. Do ponto de vista russo, isto não é negociável. Com efeito, o que constitui a identidade da Federação da Rússia, não é a memória de Catarina, a Grande, mas a da luta dos Soviéticos contra o nazismo. Esta ideologia previa aniquilar toda a população eslava (mas não a população judaica, nem a população cigana), tal como é explicado no Mein Kampf. Mesmo que não tenhamos consciência disso no Ocidente, a Segunda Guerra Mundial não foi lançada para levar a cabo a Shoah, mas sim para assassinar a população eslava.

Ora, a administração ilegítima do Presidente não-eleito Zelensky recusa qualquer medida de desnazificação. Existem actualmente muitos monumentos à glória dos nazis e seus colaboradores, os «nacionalistas integralistas». A história da Ucrânia foi inteiramente reescrita por eles, com a ajuda do MI6 britânico e da CIA norte-americana, após a Segunda Guerra Mundial. Esta propaganda visa fazer crer que os «banderistas» combateram os nazis, o que é absolutamente falso. Não : os «banderistas» eram nazis !

Convencidos de que jamais haverá desnazificação, os «nacionalistas integralistas» estão em vias de planear a construção de um Panteão em sua glória. O General Kyrylo Boudanov, Director da administração presidencial, organizou, no dia 28 de Março, o repatriamento dos restos mortais de criminosos contra a humanidade, inumados pelo mundo durante a Guerra Fria. Desde logo, Rob Jetten e Luc Frieden, os Primeiros-Ministros holandês e luxemburguês, aceitaram a transferência dos corpos do fascista Yevhen Konovalets e do nazi Andriy Melnyk.

O Chanceler Friedrich Merz propôs, em 22 de Maio de 2026, criar um estatuto de membro associado da União Europeia para a Ucrânia.

A Alemanha

Acreditamos que a Alemanha é um Estado democrático que conseguiu reunificar-se em 1990. Ora, como acaba de publicar Dmitry Medvedev, Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Federação da Rússia, a reunificação não passa de uma ilusão. Os Alemães Ocidentais nunca pediram a opinião aos Alemães do Leste. Pelo Direito Internacional, a reunificação não é válida.

As eleições legislativas de 2025 revelaram resultados diferentes e antagónicos nas antigas RFA e RDA. Os Alemães Ocidentais votaram CDU ou SPD, enquanto os Alemães Orientais votaram na AfD. Esta é, aliás, a única razão pela qual se classifica os dois primeiros Partidos como «democráticos» e o terceiro como de «extrema-direita».

Ora, o Chanceler Friedrich Merz (um democrata-cristão) lançou uma vasta repressão contra todos os que contestam o seu poder, qualificando-os como «conspiracionistas». Apoiando-se no Gabinete de Proteção da Constituição, de Munique (ramo do órgão federal que abrigou muitos oficiais da polícia do Reich no pós-guerra), ele baniu vários média (mídia-br) e prendeu vários jornalistas.

Simultaneamente, a Alemanha reconstitui, pouco a pouco, o seu exército apoiando-se na ajuda financeira do Reino Unido, exactamente como o seu predecessor, o Chanceler Adolf Hitler, reconstituiu o Exército alemão com a ajuda do governador do Banco de Inglaterra, Lord Montagu Norman. Ele restabeleceu o serviço militar masculino e pediu a cada voluntário para avisar Berlim antes de partir de férias para o estrangeiro.

A Alemanha reconstitui igualmente o seu lóbi militar-industrial, com fundos europeus desta vez. Ela prepara-se para uma guerra como a da Ucrânia, embora, se houver uma guerra contra a Rússia, esta seria de uma natureza completamente diferente. Pouco importa, toda a indústria alemã produz agora drones ucranianos e vende-os no Golfo contra o Irão. Dentro desta lógica, Berlim deseja fazer entrar a Ucrânia para a União Europeia, mesmo que ela não cumpra os critérios de adesão fixados pelos tratados : apenas seria necessário criar um novo estatuto, o de «membro associado», e estava feito. Quando se fingiu ignorar os resultados negativos dos referendos francês e holandês de 2005, isto não passaria de mais uma decisão a ser tomada contra os povos.

Friedrich Merz, neto de um dignitário nazi, não é capaz de imaginar que o seu país não deva fazer de aliado dos «nacionalistas integralistas» ucranianos, nem que possa pedir contas aqueles que sabotaram o gasoduto Nord Stream e provocaram a queda da indústria alemã.

Sir Gwyn Jenkins, «Primeiro Lord do Mar», anunciou, em 29 de Abril de 2026, a criação de uma nova aliança militar : os “Marines” do Norte.

O Reino Unido

Desde o século XIX, o Reino Unido encara a Rússia como sendo seu único rival, não apenas na Europa, mas no mundo. Lord Curzon, Vice-rei da Índia, havia elaborado o «Grande Jogo», a colonização da Ásia Central, a fim de neutralizar o Império Russo. Hoje em dia, a estratégia britânica continua a mesma.

Londres continua a tentar retratar Moscovo como uma potência obscurantista. Já não se trata de inventar o falso telegrama Zinoviev (que permitiu atribuir aos Soviéticos o desejo de intervir nas eleições no Reino Unido), mas de fazer crer que o residente do Kremlin é um louco que mandou abater um avião comercial na Ucrânia e envenenar Serguei e Yulia Skripal, ou Alexei Navalny.

A sua última invenção, foi o ataque a aeroportos europeus com drones não- identificados. Pouco lhe importa a verdade. Londres aproveita para convencer os Países do Mar do Norte a juntar-se à sua Força Expedicionária Conjunta (Joint Expeditionary Force), que acaba de transformar numa aliança militar, os «Fuzileiros Navais do Norte», sob o seu comando. Espera juntar aí todos os Estados da União Europeia e a Turquia.

E, é por isso que os Lordes hereditários — ainda os há — fazem todo o possível para manter Keir Starmer em Downing Street. O Primeiro-Ministro é, com efeito, um Trabalhista (ou seja, Socialista-ndT) que, em segredo, é um agente do grande capital : à revelia do próprio Partido e dos média, ele participou em reuniões da Comissão Trilateral dos Rockefellers. Ainda à revelia de todos, nomeou Peter Mandelson — um cúmplice do criminoso Jeffrey Epstein — como embaixador de Sua Majestade em Washington.

O importante é fazer crer que o Reino Unido não tem qualquer relação, nem com o Estado de Israel, nem com o Hamas ; continuar a esconder o facto que os Chefes do Estado-Maior israelitas não pararam de vir, secretamente, a Whitehall durante o genocídio de Gaza, no qual o Exército britânico participou activamente. É melhor fingir, tal como Christian Turner, o sucessor de Peter Mendelson, que há um Estado que tem uma «relação especial» apenas com Washington, e que esse é Israel.

Fonte aqui.

Nota:

Se não conseguirem aceder à fonte acima indicada é devido ao bloqueio da UE a sites que considera “indesejáveis”. É esta a liberdade de expressão e informação na UE. Eu acedi à fonte via VPN, ligado a um servidor russo, com o browser Firefox, porque o Chrome se recusava a aceder ao site. Também por isso publiquei o texto na íntegra, apesar de ser longo.

Viva a “democracia” europeia… 🙂

Passos Coelho e o mito sebastiânico

(Carlos Esperança, in Facebook, 27/05/2026, Revisão da Estátua)

Por mais inexplicável que seja a sedução sebastiânica, não há dúvida de que o fanatismo e o comportamento severo do rei, que tinha aversão ao casamento e obsessão demencial pela dilatação da fé católica, se impregnaram no inconsciente português.

Surpreende ver em Passos Coelho um salvador da Pátria, mais capaz de se precipitar em qualquer Alcácer Quibir onde desbarate o resto do património que não pôde privatizar do que ter uma única ideia sobre os desafios económicos, políticos e ambientais que nos esperam.

Ontem, o medíocre cidadão e péssimo governante saído da madraça da JSD, produto de Miguel Relvas e Marco António, emergiu de Massamá e do mundo académico para apresentar um livro, onde se encontrou com a mais mediática das suas crias, o inefável André Ventura.

Os média foram ouvi-lo com a ansiedade e desvelo com que outrora as meninas de Vila Real, por entre suspiros, anunciavam o presidente da JSD, está cá o Pedro!

Do livro e da exegese do conteúdo não há notícias, apenas o fino recorte da linguagem do apresentador e a ansiedade pelo regresso ao poder em parcas palavras para os média.

Quando o Professor Passos Coelho se referiu aos «políticos postiços que ficam como prostitutos» quem o ouvia julgou que se referia a André Ventura, e quem viu com quem estava acompanhado, ficou sem dúvidas de que chamou prostituto a Luís Montenegro.

Ora, sendo o Luís, o líder parlamentar do PSD que defendeu as decisões trágicas do seu governo, o Pedro designou retroativamente como bordel o antigo grupo parlamentar e confessou que foi ele o proxeneta que lançou o Luís na prostituição e o manteve até que Cavaco foi coagido a retirar-lhe o alvará, impotente face à imposição da geringonça.

Prostitutos sem carácter! Estamos perante um empate a três.

E quanto a populistas postiços (Luís) e populistas naturais (André), o Pedro prefere o segundo. Quanto ao carácter dos três, venha o Diabo e escolha.

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