Da negociação à detonação

(Michael Hudson in Resistir, 03/03/2026)


– O ataque aos negociadores (a segunda vez que os Estados Unidos fazem isso ao Irão) é uma perfídia que ficará na história.
– Podemos considerar o ataque de sábado, 28 de fevereiro, ao Irão como o verdadeiro gatilho da Terceira Guerra Mundial.
– O ataque dos EUA pôs fim à ordem unipolar dos EUA – e, com ela, ao sistema financeiro internacional dolarizado.
– Momento propício para a transferir a sede da ONU para fora dos próprios Estados Unidos.
– Não pode haver Estado de direito enquanto o controlo sobre a ONU e as suas agências permanecer nas mãos dos EUA e dos seus satélites europeus.


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Na última sexta-feira, o mediador das negociações nucleares entre os EUA e o Irão em Omã, o ministro das Relações Exteriores daquele país, Badr Albusaidi, desmascarou a pretensão enganosa do presidente Trump de ameaçar uma guerra com o Irão. Porquê? Porque este país havia recusado as suas exigências de desistir do que ele alegava ser a sua própria bomba atómica. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã explicou no programa Face the Nation da CBS que a equipa iraniana concordou em não acumular urânio enriquecido e ofereceu “uma verificação completa e abrangente pela AIEA”. Esta nova concessão foi um “avanço nunca antes alcançado. E acho que, se conseguirmos aproveitar isso e construir sobre essa base, acho que um acordo está ao nosso alcance“ para alcançar ”um acordo de que o Irão nunca, jamais terá material nuclear que possa ser usado para fabricar uma bomba. Acho que isso é uma grande conquista”.

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A ONU e o Direito Internacional

(Carlos Esperança, in Facebook, 03/02/2026)


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O direito internacional e o multilateralismo foram, durante muitos anos, a garantia de um módico de previsibilidade e segurança nas relações internacionais, razão por que a ONU, a mais prestigiada das organizações internacionais, seja agora desprezada por quem pretende sobrepor a força ao direito e resolver pela guerra litígios entre nações.

A força moral da ONU e a capacidade de evitar conflitos estão hoje muito debilitadas por falta de financiamento e desprezo deliberado a que a votam líderes irresponsáveis e autocratas de pendor populista.

A extrema-direita internacional e aventureiros de vários matizes esforçam-se a destruir a sua autoridade e a impedir os seus esforços na defesa da paz. Não tarda que lamentemos a perda de poder e influência que deliberadamente lhe foram retirados.

Em termos simbólicos constituiu desprestígio a presidência que ontem lhe foi imposta, a da primeira-dama dos EUA, Melania Trump. Enquanto escalava o conflito que o marido e Netanyahu levaram ao Irão, Melania presidia à reunião onde se discutiram os impactos das guerras sobre crianças, tecnologia e educação em zonas de conflito. Terrível ironia!

Não se discute a qualificação da primeira-dama dos EUA para representar o país a quem coube a presidência, embora nenhum português imaginasse a D. Gertrudes Tomás em tão elevado cargo, o que podia ter sucedido quando o almirante Tomás era o homem de mão de Salazar, se acaso o regime permitisse então às mulheres serem diplomatas e Portugal a designasse como sua embaixadora.

Melania Trump pode ser uma personalidade com talento e qualificação para o cargo, mas a maioria das pessoas não lhe conhece outra formação fora da Academia Epstein.

É por isso que a sua presidência foi um ultraje à ONU, apesar da presença agradável à vista. Mas o mundo já não é o que era!

A culpa continua a ser do PCP

(Tiago Franco, in Facebook, 03/03/2026, Revisão da Estátua)


Num painel onde estavam Martim Silva (na imagem) e Nuno Ramos de Almeida, discutia-se o tema do momento (guerra no Médio Oriente), quando o zapping me deixou ali (ontem).

Não sei por onde andava o debate, mas no momento em que os comecei a ouvir, dizia o Martim, muitíssimo indignado, que as declarações oficiais do PCP – Partido Comunista Português e do BE não tinham uma, uma só palavra, contra o regime tenebroso do Irão.

Transportei-me de imediato para o início da invasão russa em 2022 onde, o grande tema em debate, para lá dos mortos e coisas menores do género, era se o PCP condenava, ou não, a invasão.

Acho sempre extraordinário que um partido moribundo em Portugal (há pelo menos 15 anos que ouço isso), que é absolutamente ignorado nas suas propostas parlamentares (com consequências para o país como se viu, por exemplo, nas cheias do Mondego), de repente tenha uma importância extrema na análise de conflitos internacionais.

Notem, Portugal não tem política externa. Ninguém, neste planeta, com responsabilidades e peso de decisão, quer saber o que Portugal tem para dizer. Mas em Portugal, aparentemente, não há analista de direita para quem as preocupações do PCP com o mundo não sejam uma arreliação. O mesmo se aplica ao BE mas em menor escala, especialmente desde a saída de Mariana Mortágua.

O que é que (mais) um ataque ilegal, com mortes de civis, tem que ver com o regime em causa? Como é que fazemos sequer essa análise? Se for um regime bárbaro pode ser bombardeado porque não simpatizamos com os seus líderes? E quem é que decide o nível de brutalidade de um regime a partir do qual o ataque passa a ser aceitável? Sou eu? És tu? É o Martim?

É que, segundo a HRF (Human Rights Foundation), 54 a 72% da população mundial não vive em regimes democráticos. Estamos a falar de 5 mil milhões de habitantes espalhados por 95 países. Há bombas para esta gente toda? Imagino que não.

Assim sendo, resta-nos ir massacrando quem não alinha connosco, preferencialmente entre os que tenham petróleo para a viagem ficar mais barata, e olhando para o lado sempre que um aliado (Arábia Saudita, essa democracia livre) esquartejar um jornalista qualquer.

Na dúvida seguimos a tabela de “terrorista”, ou “combatente da liberdade”, fornecida pela CIA. Tem resultado muitíssimo bem ao longo dos anos e trouxe-nos até aqui. O ponto na História em que Trump, um cobarde que fugiu ao serviço militar cinco vezes, bate no peito com um exército formado pelos filhos dos outros e Melania, uma eslovena acompanhante de luxo, preside a sessões nas Nações Unidas. A verdadeira terra das oportunidades, dizem-me.

Nada disto importa, nada disto muda o mundo em que nos obrigam a viver. O que realmente importa é, com urgência, pedir ao PCP que valide o sétimo bombardeamento de um país soberano, no espaço de um ano, por parte dos autodenominados policias do mundo.

Martim e amigos, tenham juízo.

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