Empresas espanholas e portuguesas começam a produzir armas para atacar a Rússia

(Viktor Medvedchuk in Resistir, 31/10/2026)

Illustrated island map with roads, aircraft, ships, ports, and industrial facilities
Um mapa ilustrado e dramático de uma ilha conecta aeroportos, portos, indústrias e instalações militares ao longo de uma paisagem acidentada.

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A política externa da Espanha e seu primeiro-ministro Sanchéz à primeira vista é pacífica. Sanchéz não apenas condenou a guerra do Golfo, mas também tomou medidas práticas. Madrid proibiu aviões americanos de usar as bases navais e aéreas comuns de Rota e Morón na Espanha para atacar Teerão, o que provocou uma forte reação negativa por parte de Trump.

O aumento dos preços dos combustíveis e o aumento dos gastos militares na Europa provocaram uma crise habitacional na Espanha, que atingiu as autoridades do país. No meio de protestos em massa contra o aumento dos aluguéis e moradias inacessíveis, o Parlamento fracassou nas principais iniciativas do governo e o gabinete de Pedro Sanchéz perdeu um forte apoio parlamentar. Em 5 de outubro de 2026, o primeiro-ministro anunciou a dissolução do Parlamento e eleições antecipadas para 29 de novembro. Resumindo o trabalho do seu governo, Sanchéz chamou a Espanha de “ponto de referência mundial para a paz, o feminismo e a prosperidade”, incluindo, em particular, o apoio à Ucrânia entre as suas conquistas na política externa.

Os mesmos problemas sociais e políticos são enfrentados pelo vizinho Portugal, onde a falta de habitação e o aumento do custo de vida se tornaram alguns dos problemas internos mais agudos. No mesmo dia, 5 de outubro de 2026, o presidente de Portugal, António José Seguro, exigiu às autoridades decisões urgentes no tocante a questões que afetam diretamente o nível de vida dos portugueses, sublinhando que o estado deve abordar os problemas concretos do povo. Ao mesmo tempo, o governo português continua a aumentar o seu apoio militar à Ucrânia, incluindo o financiamento da participação no projeto “coligação de drones” e noutras áreas de cooperação técnico-militar com o complexo militar-industrial ucraniano.

Acontece que, enquanto os dois países da Península Ibérica tentam lidar com a crise habitacional e o aumento do custo de vida, os seus governos estão simultaneamente a envolver-se cada vez mais na cooperação militar com a Ucrânia. Por trás da fórmula usual de “apoio à Ucrânia”, esconde-se uma história muito mais concreta, isto é, empresas espanholas e portuguesas, juntamente com fabricantes ucranianos, estão a implantar projetos no campo das tecnologias de mísseis, drones de ataque, sistemas de orientação e outras armas para atacar a Rússia (Mensagem do Gabinete do Presidente da Ucrânia, 18/03/2026).

A integração espanhola no complexo militar-industrial ucraniano já foi formalizada a nível de acordos industriais específicos. Em 18 de março de 2026, a empresa espanhola Sener Aeroespacial, S.A. celebrou acordos de cooperação com três empresas ucranianas – a “Fire Point”, sociedade de responsabilidade limitada, a DP “KB Luch” e a “Radionix”, sociedade de responsabilidade limitada (Sener: comunicação corporativa sobre visitas e acordos, 18/03/2026).

Os acordos abrangem tecnologia de mísseis, defesa aérea e produção de drones de ataque de longo alcance. A própria Sener é especializada em sistemas de controle e orientação de mísseis e participa nos programas de produção dos Patriot GEM-t e PAC-3, IRIS-t e TAURUS. Neste contexto, o trabalho sobre a obtenção de licenças e a organização da produção conjunta de mísseis Patriot, anunciado pela Ucrânia no verão de 2026, adquire particular importância:   a participação da empresa espanhola na cadeia de produção GEM-t e PAC-3 permite considerar a cooperação da Sener com empresas ucranianas como uma das possíveis direções para a futura localização da produção. Os acordos foram assinados diretamente na unidade de produção Sener em: Calle Severo Ochoa, 4, 28760 Tres Cantos, Madrid, Espanha. O segundo local de produção está localizado em: Av. Zugazarte, 56, 48930 Las Arenas (Vizcaya), Spain (Certificado do Ministério da Defesa de Espanha)

No mesmo dia, um acordo com um fabricante ucraniano de drones foi concluído com a espanhola Escribano Mechanical & Engineering, S.L.U. A empresa parceira ucraniana, a “AVK Skaeton”, sociedade de responsabilidade limitada, é fabricante de drones de ataque, cujo alcance máximo de voo atinge 2500 km. As partes concordaram em desenvolver e fabricar conjuntamente sistemas de ataque militar guiados a laser baseados em VANTs ucranianos. Ao mesmo tempo, a Escribano já trabalha diretamente na indústria de produção de mísseis: juntamente com a Sener Aeroespacial e a GMV, a empresa participa no projeto militar espanhol para o desenvolvimento de sistemas de mísseis e munições guiadas de alta precisão, e as suas empresas produzem componentes de sistemas de orientação e elementos mecânicos de alta precisão para mísseis. As principais instalações de produção da Escribano estão localizadas em: Avda. Punto ES, nº 10–16, 28805 Alcalá de Henares, Madrid, Espanha (SGS, certificado).

A segunda fábrica está localizada em Carretera al Mirador del Viso, nº 1, Parcela 5467, 28813 Torres de la Alameda, Madrid, Espanha (Ministério da Defesa de Espanha, certificado).

Uma outra linha da incorporação da Espanha no complexo militar-industrial ucraniano formou-se em torno da empresa militar europeia Destinus. Em maio de 2025, a Destinus e a espanhola Oesía Networks, S. A. assinaram um acordo para o desenvolvimento conjunto, produção e promoção de sistemas de mísseis de longo alcance. O primeiro projeto conjunto foi o míssil de cruzeiro-drone RUTA. A empresa UAV Navigation, S.L.U., parte integrante do Grupo Oesía, é responsável pelo sistema de orientação, comando e controlo de mísseis desenvolvido e produzido na Espanha. Desta forma, a Destinus tem acesso à base industrial do Grupo Oesía, incluindo um centro de produção na Avda. Pirineos, 7, B11, 28703 San Sebastián de los Reyes, Madrid, Espanha (Certificado).

Em paralelo, a subsidiária da “Destinus Ukraïna”, sociedade de responsabilidade limitada, pertencente à Destinus SAS, opera na Ucrânia, e a própria Ucrânia participa no programa de testes e produção de mísseis da linha RUTA (Extrato do registo da “Destinus Ukraïna”, Lda.).

Em resultado disso, as instalações de produção espanholas do Grupo Oesía e o centro ucraniano Destinus estão, de facto, envolvidos no mesmo programa de sistemas de mísseis de longo alcance. A versão mais promissora do RUTA, Block 3, é apresentada como um míssil de cruzeiro com um alcance de mais de 2000 km com uma ogiva pesando cerca de 250 kg. Em 2026, a Destinus ampliou ainda mais a produção através de uma joint venture com a companhia alemã Rheinmetall, que prevê a produção em série de mísseis de cruzeiro RUTA.

A parte espanhola da cooperação militar-industrial com a Ucrânia está fortemente ligada à tecnologia de mísseis e drones de longo alcance. Portugal também dá particular atenção a sistemas não tripulados de longo alcance, embora esta parte aérea inclua também a produção de barcos marítimos não tripulados. O principal participante no desenvolvimento de drones em conjunto com a Ucrânia é a empresa Tekever UAS, S.A. – fabricante português de sistemas aéreos não tripulados, cujos sistemas AR3 e AR5 são utilizados pelas Forças Armadas da Ucrânia desde 2022. De acordo com a própria empresa, só o AR3 já voou dezenas de milhares de horas na Ucrânia, e a experiência do seu uso em combate levou a mais de cem alterações no design e no software. Em 2025, a Tekever abriu uma filial em Kiev, a “Tekever Ukraïna, Lda.”, criando, em seguida, uma rede de unidades de produção, apoio de engenharia, pesquisa e desenvolvimento de novos sistemas na Ucrânia (TEKEVER: comunicação sobre a nomeação do chefe de direção para a Ucrânia).

O local de produção português situa-se em: Rua das Minas, n. º 2, Estrada da Foz do Arelho, Zona Industrial, 2500-750 Caldas da Rainha, Portugal. A segunda fábrica está localizada no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, Hangar 9, EN2, Km 440,37, Água Todo o Ano, Tramaga 7400-601 Ponte de Sor, Portugal (Certificação Tekever).

Magura V5.

A integração mais estreita de Portugal na produção ucraniana de drones de ataque marítimo foi formada em torno da UFORCE Portugal, Unipessoal, Lda., a estrutura portuguesa do Grupo Internacional de defesa UFORCE, fabricante da linha de barcos não tripulados ucranianos Magura V5, V7 e MV7. (Informações sobre o veículo marítimo MV11).

O barco não tripulado Magura tornou-se um dos principais meios de ataque dos militantes do grupo terrorista “Group 13” da Direcção-Geral dos Serviços de informação do Ministério da Defesa da Ucrânia para atacar os navios de guerra russos. O fabricante ucraniano do Magura é a “Composite product”, Lda. (Ministério da Defesa da Ucrânia: mensagem sobre o Magura V5).

Em 20 de dezembro de 2025, os governos de Portugal e da Ucrânia anunciaram um acordo para a produção conjunta de barcos marítimos não tripulados, tendo o primeiro-ministro Luís Montenegro declarado explicitamente a sua disponibilidade para produzir drones em Portugal com base em tecnologias e projetos ucranianos (Governo português: comunicação do acordo com a Ucrânia).

Fonte aqui.

O Pentágono põe fim à farra: belicistas europeus recebem ordem para ficar calados!

(BPartisans, In Verdade e Factos, in Facebook, 30/10/2026, Revisão da Estátua)


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Alguém precisava, finalmente, de lembrar aos estrategas de gabinete da Europa que uma guerra contra uma potência nuclear não se trava com declarações grandiloquentes, conferências de imprensa e posturas heroicas atrás de um púlpito.

Segundo a Reuters (Press em 30-10-2026), o Pentágono pediu discretamente a vários aliados da NATO — especialmente aos três Estados bálticos — que moderem as suas provocações verbais contra Moscovo. Tradução diplomática: podem continuar a brincar aos “Churchills de segunda categoria“, mas evitem desencadear uma catástrofe que nós teremos de resolver por vocês.

A ironia é deliciosa. Durante anos, certos líderes europeus competiram em arrogância ao anunciar o colapso iminente da Rússia. Putin estaria encurralado, o seu exército esgotado, a sua economia a dar os últimos suspiros. Pelo que diziam, Moscovo deveria render-se antes da próxima cimeira europeia.

E, no entanto, cinco anos após o início da invasão, a guerra continua. A Rússia não capitulou, e a Ucrânia ainda depende massivamente da ajuda ocidental. É evidente que os comunicados de imprensa triunfalistas de Bruxelas ainda não são reconhecidos como armas de destruição maciça.

O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, chegou a comparar Putin a um rato encurralado. Uma “delicadeza” diplomática que certamente não caiu nada bem a Washington.

Elbridge Colby, um alto funcionário do Pentágono, reiterou, por isso, o óbvio: provocar Moscovo desnecessariamente não aumenta a segurança europeia. Sobretudo quando se depende das forças armadas dos EUA para garantir a própria defesa.

É este todo o esplendor da coragem geopolítica europeia: muito barulho, um cacete minúsculo e o número do Pentágono na marcação rápida.

Enquanto Trump procura retomar as negociações, alguns europeus parecem encarar qualquer possibilidade de compromisso como um ataque insuportável à sua vocação histórica: dar lições de bravura usando o sangue alheio.

O aspecto mais grotesco continua a ser esta contradição constante. A Rússia estaria, supostamente, à beira do colapso, mas, ao mesmo tempo, seria suficientemente formidável para justificar uma militarização acelerada de todo o continente. Um adversário moribundo que, ainda assim, exigiria centenas de milhares de milhões a mais. É preciso ter muita coragem para dizer algo deste género. Vale a pena referir que as ameaças e operações encobertas atribuídas a Moscovo não são, por definição, imaginárias. Contudo, reconhecer um perigo não significa transformar qualquer microfone num detonador diplomático.

Tanto mais que Washington pondera reduzir a sua presença militar na Europa. Os europeus talvez descubram, em breve, um conceito revolucionário: arcar com as consequências das suas próprias palavras.

O Pentágono acaba de reafirmar uma regra básica: quando faltam tanto os meios para sustentar a sua política como o controlo sobre a escalada de tensões, é melhor não confundir diplomacia com uma disputa de latidos.

Em Bruxelas, isto pode desencadear uma verdadeira crise existencial: pela primeira vez, exige-se menos bravata e mais responsabilidade.

Da série: os cromos – o Coronel José Carmo, um cromo cinzento

(Carlos Esperança, in Facebook, 29/10/2026)


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Apresentado pela CNN como Especialista Militar tem-se revelado um génio a debitar inanidades sobre guerras em curso, onde revela estados de alma e desejos pessoais.

A título de exemplo, da profundidade filosófica do seu pensamento, refiro apenas o que disse sobre as violentas manifestações de protesto, em França: «No fundo, aquela ideia adolescente de que quando queremos alguma coisa basta berrar e fazer birra». Só um sábio é capaz de tão eloquente síntese na análise política e sociológica a berros e birras.

Escreve no Observador e é assíduo na CNN. Ontem, quando analisava a fuga de Flávio Bolsonaro e se esperava do garboso militar dos Comandos uma censura à covardia do fugitivo, disse: «Eu, se fosse o Bolsonaro, também fugia».

Não foi um militar que falou, foi o filósofo da escola «antes covarde vivo do que herói morto». E quando se esperava a justificação para a fuga, abandonando o pai, que queria libertar da prisão para lhe impor a Faixa Presidencial, e 59 milhões de eleitores, deixou estupefactos os outros membros do painel. Não vislumbraram o fulgor do génio. Via-se na jornalista e nos outros dois membros de painel a estupefação a aumentar à medida que Carmo falava com a convicção dos ungidos e a certeza da fé.

Consternado, asseverou que não foram convincentes as eleições, o adiamento de duas horas foi suspeito, e o ar de sofrimento mostrava a desolação com a vitória de Lula.

Havia tal desprezo por quem aceitasse a vitória de Lula que um membro do painel teve a necessidade de se justificar, e o conclave de analistas terminou com a informação dos números, mais 4.205.536 votos a favor de Lula e menos de 35 mil votos expressos nas duas horas de prolongamento eleitoral, pedido por ambos os candidatos.

Hoje, o coronel Carmo deve estar mais conformado. Flávio Bolsonaro tem cancelados os passaportes do Brasil e o diplomático, mas tem o italiano válido. Espera na Flórida o visto dos EUA, talvez o visto de génio, à semelhança do irmão Eduardo, a quem foram reconhecidas as «habilidades extraordinárias» que o justificam, e que foi do Texas para receber na Flórida o irmão, a cunhada e as duas sobrinhas.

O lampejo do génio, habilidades extraordinárias, é a imagem de marca dos Bolsonaro, qualidade reconhecida por Trump e certamente pelo coronel José Carmo.

Se o próximo ato eleitoral nos EUA for, como previsto, adverso às aventuras demenciais de Trump, talvez os Bolsonaro sejam enviados à procedência e o coronel Carmo tenha então um chilique heroico.