Trump, Putin e o diesel

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 09/10/2026, Revisão da Estátua)


Zelensky descobre que os EUA não têm amigos, apenas interesses.


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Você devia ter visto a expressão no rosto de Zelensky. Após quatro anos a desempenhar o papel de herói da democracia ocidental, o seu principal patrocinador negoceia agora diretamente com o inimigo declarado. E não é para garantir uma rendição russa. È para comprar gasóleo! A geopolítica acaba de redescobrir o seu combustível favorito: o interesse nacional.

Segundo o Axios, Trump fechou um acordo com Putin permitindo a venda de milhões de toneladas métricas de gasóleo russo, acompanhado por um alívio temporário das sanções dos EUA. Zelensky engasga-se com as palavras: é “injusto e desonesto”. Que revelação chocante! Estaria Washington a dar prioridade aos seus próprios interesses em detrimento dos de Kiev? Só se pode imaginar o trauma.

O detalhe mais revelador é o momento escolhido. Enquanto os negociadores ucranianos e europeus aguardam os representantes dos EUA em Miami, Trump liga diretamente a Putin. Os atores secundários discutem o guião enquanto os produtores negoceiam o lucro.

Pois, por detrás dos grandes discursos sobre a liberdade, esconde-se uma realidade muito menos romântica: os Estados Unidos precisam de gasóleo, os preços estão a disparar e as eleições intercalares aproximam-se.

A guerra contra o Irão contribuiu para a perturbação dos mercados energéticos. Como resultado, a administração norte-americana está a descobrir, de repente, as virtudes comerciais da mesma Rússia que afirmava estar a estrangular economicamente.

Ontem, a compra de produtos russos financiava a guerra. Hoje, comprar produtos russos pode salvar os preços nas bombas de combustível. A moral ocidental possui, certamente, uma notável flexibilidade mecânica.

E Zelensky? Ele protesta, condena e dá lições. Explica que este acordo permitirá a Moscovo continuar a guerra. O argumento merece consideração. Mas, sobretudo, revela uma contradição que se tornou grotesca: Kiev exige que Washington sacrifique os seus interesses económicos em prol de uma estratégia cujos resultados militares e diplomáticos permanecem desesperadamente incertos.

Quanto aos europeus, resta-lhes assistir ao espetáculo com a sua habitual mistura de servilismo e espanto. Depois de abdicar de parte dos seus fornecimentos russos em nome da solidariedade atlântica, estão a descobrir que o seu grande protector pode reabrir a torneira assim que os seus eleitores começarem a sofrer.

Bruxelas chama-lhe “coerência estratégica”. Nessa altura, já não é cegueira; é uma vocação.

Trump, no entanto, não inventou nada. Está a aplicar de forma brutal uma regra básica: as alianças são úteis enquanto servem os interesses de quem as financia. Zelensky achava que tinha um compromisso eterno. Está a descobrir um contrato comercial que pode ser rescindido a cada eleição.

A tragédia ucraniana continua. Mas, nos bastidores, as prioridades estão a mudar. Washington quer gasóleo, Moscovo quer vender, Bruxelas quer obedecer e Zelensky ainda quer acreditar que é ele quem dá cartas. O pano está a cair sobre os grandes princípios. Na bomba de combustível, já são aceites rublos.

Da plataforma à plataformização do real

(Hugo Dionísio, in Denorteasul.eu., 08/10/2026)


Um espectro ronda o mundo – o espectro da “Inteligência Artificial”


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Um espectro tomou o mundo civilizado. Pretensamente civilizado, digo eu! Pouco a pouco, esse espectro foi-se instalando nos telemóveis, computadores e tablets, não necessariamente por essa ordem. De forma gradual fomos absorvidos como parte de um mundo onde tudo é medido, parametrizado, vigiado, programado, reprogramado, num ciclo interminável de aperfeiçoamento que visa tornar-te cada vez mais parte de um todo que te é mentalmente inalcançável ou escrutinável. A desigualdade de circunstâncias constitui a pedra angular que sustenta o sistema que o promove. Esse espectro é o que convencionámos designar de «Inteligência Artificial».

Sob uma capa de personalização, segurança e protecção da privacidade, o espectro aprimora continuamente os seus instrumentos, fornecendo-nos precisamente o contrário: despersonalização, precariedade e supervigilância. Ninguém o elegeu, negociou a sua velocidade e extensão de implantação. Chegou aclamado por quem o declarou como disruptor e aterrador. Contudo, não obstante o carácter destrutivo com que o apresentam, também o assumem como inevitável.

O conhecimento que tem do nosso mundo é inversamente proporcional ao que temos dele. Anunciando focar-se em nós, adaptar-se à nossa pessoa e connosco “aprender”, lá vamos percebendo que faz precisamente o contrário! Para ele, não passamos de uma mera conexão, interface ou terminal – consoante o nosso posicionamento na sua «rede neural». Independentemente desse posicionamento, todos não somos mais do que meros sensores vivos, cujo papel é fornecer a um qualquer processador central a informação captada com os nossos sentidos e tratada pela nossa psique. Somos assim reduzidos aos sentidos da coisa: tal como o nosso cérebro usa o olfacto, visão e tacto para analisar o mundo exterior e nos orientarmos nele, a rede neural da Inteligência Artificial usa-nos a nós todos, como instrumentos da sua acção no mundo físico.

Trabalho pouco inteligente com inteligência artificial

Como não poderia deixar de ser, é precisamente no trabalho que a contradição entre o nosso uso da coisa, o uso que a coisa faz de nós e o resultado desse uso é maior. Ser maior não significa que seja mais perceptível. Ao contrário, quanto mais nos relacionamos com o sistema, mais percebemos a nossa insignificância, a sua monumentalidade, bem como a nossa impotência perante as suas determinações. O desnivelamento entre o que lhe damos e o que de nós retira, é o alimento da sua constituição.

Diferentemente de qualquer trabalho «tradicional», no sector que representa a forma mais avançada de actividade com Inteligência Artificial – a actividade das plataformas informáticas –, o que sabemos de nós próprios, relativamente à actividade que desempenhamos, é infinitamente menos do que o que o sistema, sobre nós sabe. Quem decide, em cada momento, os recursos à disposição, não somos nós, mas sim o próprio sistema, que de nós requer o que necessita em cada momento, por si próprio determinado.

A primeira derrota que sofremos perante o mesmo reside na perda da soberania cognitiva. A necessidade coloca-nos inteiramente ao serviço do sistema, sob formas impensáveis em sociedades anteriores. Sob uma capa formada por aplicações, semicondutores, redes neurais, Inteligência Artificial, «Uberização», o próprio sistema convence-nos de que chegámos a um mundo novo, tão apartado do mundo antes conhecido, como dele se alimenta e inexoravelmente o transforma.

O que antes era inaceitável num trabalho, é tratado como «normal»: um emprego sem salário certo; sem um «empregador» conhecido ou uma chefia; uma actividade sem local de trabalho ou sede social, onde nos possamos dirigir em caso de conflito; um serviço onde todas as variáveis são continuamente e unilateralmente alteradas, sem negociação, audição prévia, nada! Apenas a ameaça do cancelamento do acesso e sem que consigamos, ao menos, chegar à fala com um ser humano!

A desumanização da despersonalização

Neste processo de autêntica desumanização das relações sociais, em que um algoritmo usa os dados que recolhe para aprimorar, infinitesimalmente, o montante retributivo que se situa entre o que nos mobiliza e nos demove, independentemente das necessidades materiais que tenhamos, apenas nos dá uma garantia: de que estamos sozinhos, isolados, cada um com a sua remuneração, calculada à medida do nosso perfil de aceitações passadas.

Se tivemos de aceitar trabalhos de baixo valor, porque necessitávamos de alavancar o score, subir no ranking e obter melhores tarefas, essa situação marcará o nosso rendimento futuro, pois a plataforma usá-la-á para calcular o valor a partir do qual aceitamos trabalhar, não nos pagando mais do que isso! Se, por outro lado, perante melhores condições de partida, aceitarmos apenas trabalhos de maior valor, tendencialmente receberemos mais do que o outro. Trata-se de um sistema concebido para individualizar, fracturar, discriminar.

A subversão dos valores é de tal forma eficaz, que assistimos a trabalhadores absolutamente pobres e necessitados dizendo, com orgulho, quererem ser “o seu próprio patrão”; pretendendo ter a «liberdade» para prescindirem de “horários, salários e um posto de trabalho fixo”; porque não querem a «chatice», sem igual, que consiste em estarem protegidos contra o despedimento sem justa causa ou terem de dar um período de aviso prévio, antes de poderem sair.

A relação de exploração na economia de partilha

A relação que o mundo digital, dos semicondutores, plataformas, algoritmos, centros de dados, tem com o mundo físico é parecida à relação que os racistas têm com as vítimas das suas acções: a menorização do trabalhador “tradicional” visa amplificar, facilitar e intensificar a sua exploração e «libertá-lo» das amarras do direito do trabalho.

Não é possível quantificar os que são desmobilizados por tal mecanismo pretensamente “emancipatório”, ou os que são forçados a aceitar este trabalho estruturalmente anacrónico, em função da realidade vivida. Mas que os primeiros têm um papel de desmobilização dos segundos, isso é facto assente.

Também é facto assente que todos fazemos parte da «sharing economy» (a economia de partilha). E para que possam «partilhar» essa economia e assim dar uma «dentadinha» em tudo o que se venda ou produza, estas plataformas tiveram de criar todo um ambiente de impunidade, desresponsabilização e libertinagem, tudo bem embrulhado num sofisticado embrulho com o nome de «liberdade» para se ser o que se quiser.

A relação que se estabelece com a plataforma não é vista, então, como uma relação de trabalho, mas como uma relação de partilha em que cada elo tem o seu papel. À plataforma cabe juntar, organizar, optimizar, regular e disciplinar; ao estafeta cabe transportar; ao consumidor cabe comprar e avaliar (de preferência nunca esquecendo esta). Assim, simples, sem prisões.

Tudo poderia estar muito certo se, a determinado momento, o estafeta não sentisse que, por mais horas que pedale, que o motorista, por mais gente que transporte, no final ganham mais ou menos o mesmo e que os dois, ao longo do tempo, assistem a este “mais ou menos o mesmo” diminuir de forma inexorável, por mais horas que trabalhem. Com o tempo, um e outro lá vão adiando projectos pessoais, em nome do presente, das despesas que lhes chegam, enquanto o tempo lhes foge. Para muitos fica a «partilha» e para a plataforma a «economia».

Nas discussões com os colegas, com quem estamos cada vez menos tempo, lá nos damos conta de que a todos falta tudo, de que são «livres» de tudo. Não têm casa, filhos, automóvel; a maioria é imigrante e a maioria sente-se à parte; tudo isto quando era suposto pertencer-se a uma suposta “economia partilhada”.

A consciência da insignificância

Ganhar consciência da sua impotência e insignificância é um passo monumental para quem, no auge da sua desgraça, do desemprego e abandono, foi convencido de que poderia ser “o seu próprio patrão” e que isso era muito melhor que “um emprego tradicional”. Pode ser como passar de patrão a trabalhador subordinado, mas sem o privilégio de ter sido, de facto, patrão. A mudança nunca operada, mas idealizada, pode doer mais do que a perda real.

Quanto mais ouvimos os oligarcas do digital ridicularizarem o mundo “tradicional”, implantando a ideia de que o mundo que propõem, o globalismo digital, é um mundo mais livre, sofisticado e moderno, cheio de promessas libertadoras, mais devemos ler nessas afirmações uma só intenção: explorar o mundo físico, o mundo onde se produz, de facto, a riqueza, o mundo onde, por acção humana, as coisas ganham, de facto, o seu real valor. Tal como com a água, energia e terra arável que gastam, os enormes subsídios estatais de que beneficiam e as benesses legais que obtêm, não têm correspondente justo em emprego e qualidade de vida ou de trabalho, também no mundo virtual que propõem a relação é também absolutamente desigual.

Cortar os trabalhadores às fatias

Entretanto, tudo ganha ainda maior expressão se pensarmos que, ao contrário de um trabalhador “tradicional”, o resultado que o “empregador” retira do servidor da plataforma informática da mediação produtiva pela inteligência artificial vai muito para além do que produzimos no mundo físico.

Como se não bastasse todo o controlo algorítmico presente em cookies e apps que medem o ritmo físico; a medição do movimento do telemóvel e a proximidade com redes WiFi; a identificação das aplicações que temos no telemóvel, não vamos ter a tentação de usar VPN e emuladores para “enganar” as métricas e parâmetros que o disciplinam, medem, conformam, estudam, dissecam a nossa vida e comportamento; a instalação de comandos de gravação que ouvem tudo o que dizemos, quando e como, mas também o que nos dizem e como o dizem; as fotos que nos tiram, com a própria câmera, a qualquer hora e momento, não vá ser outro o que se faz passa por nós, para que possamos descansar, satisfazer necessidades fisiológicas, sem penalizações no ranking, ratings, scores… Como se tudo isso não fosse suficiente, e já de si extremamente intrusivo, eis que os dados produzidos por estes mecanismos de supervigilância, são também monetizados. É como se fossemos sendo retalhados em fatias.

Se um trabalhador “tradicional” já tem dificuldade, ante o fenómeno da financeirização, de identificar, quanto mais quantificar, a dimensão exacta da exploração, ou seja, a diferença entre o que ganha e o que é retirado ao que produz; quando contratados por estes mastodontes digitais longínquos, mesmo a dormir produzimos retorno. É caso para dizer que até mesmo mortos, produziremos mais-valia!

Os parâmetros do nosso controlo

Trabalhar num sistema movido a inteligência artificial significa, assim, trabalhar num sistema absolutamente parametrizado, a ponto de nos tornar uma extensão do mesmo. Tal parametrização, para que nada falhe, implica a recolha de uma imensidão de dados pessoais, como já constatámos. Contudo, o seu uso não se fica pela organização da prestação de trabalho. Os dados pessoais recolhidos são posteriormente vendidos para estudos de mercado, análise preditiva de segurança, serviços de vigilância e treino de algoritmos, para seguradoras e empresas de análise de risco, empresas militares como a Palantir, para afinarem os seus desígnios da morte.

Poder-se-ia dizer que tal só é exigido aos trabalhadores, mas não. Todos os elos da cadeia, do programador ao consumidor, todos alimentam um sistema que tudo sabe de nós e nós muito pouco dele. É como sermos apanhados numa armadilha, a qual não conseguimos identificar como funcionou.

Transformar essa desigualdade económica, social, organizacional em poder político é depois muito simples. Leis de dados inexistentes ou à medida, sistemas judiciais domesticados, soberanias desconsideradas, muitos dirigentes políticos amestrados. Todo um exército arregimentado para promover uma desigualdade sem fim, comandado a partir de milhares de quilômetros de distância por uma entidade cuja dimensão é tão supranacional quanto virtual, quanto estrutural, central e descentralizada. Uma rede neural mastodôntica que se espalha pelo mundo. Começou pelas plataformas informáticas e agora chegámos à plataformização da economia.

Cabe a cada um de nós que a Inteligência Artificial seja um instrumento ao nosso serviço e não o contrário, tornando-nos meros serviçais ao serviço de quem a domina e detém!


Fonte aqui

O espectro da juventude assola a Europa

(Raquel Varela, in jornalmaio.org, 07/10/2026)


Primeiro foram os estudantes a manifestar-se como há muito se não via. A extrema-direita disse que eram os islâmicos a tomar a França. Depois vieram milhares de pais e avós para as ruas, a classe trabalhadora francesa “média”, muita dela loura e de olho azul, ao lado dos jovens liceais.


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Liguei à minha amiga Anne, delicada e elegante, chegada ao topo da carreira de professora numa escola secundária de Paris. Respondeu-me: “Estou feliz, finalmente faz-se algo, os jovens estão a lutar contra a degradação do ensino, e a classe média está ao lado deles.” 

Tudo começou na semana passada, com bloqueios nos liceus contra os cortes na educação, por bons professores, não professores exaustos, e por mais tempo livre, não horários tão pesados. 

Nem programa digital, nem funis de acesso à universidade. 

Macron, o presidente que é banqueiro de profissão, mandou-lhes o corpo de intervenção e deteve seis mil. Enquanto prepara um orçamento com a maior despesa militar da história e cortes de 57 mil milhões de euros no ensino, nos salários, na saúde.

A extrema-direita propagou desinformação: que eram os islâmicos a tomar a França. 

A reação não foi, talvez, a esperada.

Milhares de pais e avós nas ruas, a classe trabalhadora francesa “média”, muita dela loura e de olho azul, ao lado dos jovens liceais. 

Desesperado, Macron decretou ensino online para dia 5, tentando parar o bloqueio de mil liceus. Mas eles resistiram. Mesmo com ensino online, mais de 600 liceus estiveram em luta. 

No dia seguinte, chegaram os sindicatos. 

Estou feliz, finalmente faz-se algo, os jovens estão a lutar contra a degradação do ensino, e a classe média está ao lado deles.

Um sindicalista ferroviário, maquinista, declara-se (CNN) ao lado dos estudantes: “Não é só contra o colapso do sistema educativo público, mas contra o colapso geral dos serviços públicos (…) a perda de poder de compra, a exploração e o aumento do dinheiro para o sector militar e a polícia (…) agora, em cada fábrica, cada empresa, cada trabalhador pergunta se não é tempo de uma greve, uma frente única para lutarmos juntos, todos juntos.”

Os avós que fizeram o Maio de 68 aplaudiram da varanda, os professores, com os ferroviários, fizeram cordões a proteger os estudantes da polícia. Os sindicatos juntaram-se a apoiar. No dia 6, uma jornada histórica juntou lado a lado estudantes, professores e outros trabalhadores. 

Macron, que mandara a polícia, libertou uma verba histórica para as escolas. Aceitou acabar com as barreiras de acesso à universidade e até uma hora e meia de almoço, em vez de uma hora. Uma primeira vitória dos estudantes. As escolas não são fábricas! 

Ontem diziam-nos jovens manipulados pela extrema-direita nas redes sociais  — não que muitos assim não se sentissem —, sem relações reais, deprimidos. Hoje estes jovens vivem o que para sempre ficará como uma das maiores experiências de transformação e de crescimento das suas vidas. 

Largadas as vestes de meninos mal-educados a pedir coisas aos papás, passam a sujeitos da história. Perceberam que ninguém vai a lado nenhum sozinho. Lutam juntos, discutem cara a cara em plenário, reúnem-se e responsabilizam-se pelas suas ações.

Percebem, na forma da força brutal da polícia, o que é o Estado. Chegam, assim, à vida política. Para trás fica o show de manipulação televisiva, uma “modernidade” em que uma classe parasitária que acumula as maiores riquezas da história distribui mais e mais sacrifícios a todos os outros. 

A juventude mais jovem respondeu que “não queremos brioches, não queremos guerra, não queremos degradação”.

A França de 15 e 16 anos dá o mote. Começaram nos bairros mais pobres, chegaram à classe trabalhadora “média”, que os apoia em massa, tal como os sindicatos e os professores. 

Os crápulas que acumulam milhões, destroem os serviços públicos e querem levar a juventude para a guerra veem-se agora a braços com a resistência, que — tudo o indica — apenas começa. 

A extrema-direita, que tentou pôr todos contra todos, vê-se agora não a preparar uma eleição desenhada para tudo ficar na mesma, mas contra jovens e trabalhadores, a lutar, organizados, com jornais, partidos, associações. 

Dos estudantes em luta à greve geral, não vai, em França, mais do que o percurso de um boulevard. 

É isso que eles, Macron, Lecornu, Le Pen, sabem. É isso que eles, todos, temem.

Fonte aqui