Vexames Nacionais​

(Raquel Varela, in Jornal Maio, 09/07/2026)


Partiu das redes sociais e de professores e intelectuais públicos – e não dos media do Estado ou empresariais – a avalanche de testemunhos de professores, com o ministro a negar os erros clamorosos dos exames.  Quando a situação se tornou impossível de esconder, a comunicação política encontrou o seu spin: o “problema foi ser feito à pressa”, “não testaram antes”, é preciso apurar “responsabilidades”, “comissões de inquérito”. Estas declarações demonstram a distância com a realidade das escolas. Para milhares de professores, que tornaram pública a sua opinião, não se trata de fazer bem a digitalização, mas de parar este delírio, não se trata de fazer exames, mas de reconstruir o sentido da educação. A crise da IA desvelou a crise sistémica da escola, esmagada entre as pedagogias pós-modernas e o neoliberalismo tecnocrático.

Raquel Varela


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O cenário é surreal. Caixotes de papel amontoam-se na periferia da solarenga Lisboa. Lá dentro, 300 mil exames para serem digitalizados, numa plataforma que não acerta a primeira página com a segunda, convoca matemáticos para corrigir exames de línguas, e apaga respostas, fazendo aparecer ao lado dezenas de novas, mal o professor-classificador desliga o ecrã. O Governo diz não tornar pública toda a cadeia de lucro, dos bancos de investimento, das big techs, detentoras da memória destes dados, às empresas executoras, mas afirma, à luz do dia, estar a “monitorizar a velocidade” dos classificadores. 

Nem os Monty Python conseguiriam inventar uma palhaçada idêntica. A credibilidade está ferida, é irreversível. Não se questiona – nem da parte da maioria dos sindicatos e partidos – o sentido de fazer um exame, a metrificação da avaliação, a (pasme-se) divisão da classificação do exame em itens (um professor não classifica todo o exame, mas cada professor classifica partes, para assim monitorizar a velocidade e dividir parcelas entre os mais rápidos); nem o facto de o professor não corrigir, apenas classificar (como pode um aluno aceitar ter uma nota sem que lhe expliquem os erros?) e claro, a  monitorização, uma forma de controlo digital sobre o próprio corpo – literalmente, o corpo docente. Quanto tempo, onde e como ficou cada docente em cada resposta, para assim a IA calcular quanto tempo a máquina em breve precisará para fazer o mesmo. O Governo e a UE fizeram dos nossos professores e filhos – com o dinheiro que destinamos a educação coletiva de qualidade – ratos de laboratório do lucro dos acionistas da IA. 

Desvela-se a realidade crua das classes dirigentes – as mesmas que colocam os filhos em colégios suíços, onde esta tecnologia é proibida e a manhã começa com trinta minutos de silêncio, meditação, seguida da leitura de obras filosóficas clássicas e termina com uma subida à montanha para conhecer a natureza. Uma aparência de algo semelhante, mais mixuruca, já existe hoje em alguns colégios de elite em Portugal, uma vez que a maioria do privado aderiu também à digitalização.

A IA, nem inteligente nem artificial, tem trabalho humano massivo por detrás (na entrega de dados na forma de respostas a exames, na classificação dos mesmos, e na digitalização braçal destes). Tudo pago pelos trabalhadores portugueses na forma de impostos que deveriam ser destinados a educar os filhos. Educá-los no melhor conhecimento histórico e filosófico, matemática, física, línguas e literatura, artes. 

Nada disso: apenas testes de cruzes, simplificados, para a IA compreender o comando e a resposta, que é uma resposta padrão para ser processada por algoritmos. Alunos a ser treinados para a automação, uma nova era de “desantropormofização”, ou seja, desumanização em massa – a máquina engole o homem. 

Portugal, é preciso dizê-lo sem meias palavras, foi o rato de laboratório da IA europeia ao abrigo do PRR, um empréstimo pago pelos Portugueses, anunciado como uma dádiva para combater a crise da Covid, mas de facto empréstimo, com juros, para a transição verde – que o digam em Boticas ou no Fundão –, transição digital dos serviços públicos e investimento em “segurança e defesa”, ou seja, guerra.

Em resposta à concorrência e guerras de Trump e ao enfrentamento mundial com outras potências, como a China e a Rússia, a UE delimitou, no mesmo discurso de Von der Leyen, a guerra e a educação digital. Como um campo único. De aposta do dinheiro público, ao lado do mega-financiamento a projetos de painéis solares e eólicas, que destroem campos agrícolas e o acesso a uma alimentação de qualidade. 

A pandemia de Covid não serviu para propor o regresso a uma saúde pública coletiva, com gestão democrática e quebra de patentes e investigação – em segurança –, sujeita a critérios científicos e clínicos transparentes. A crise foi usada não para parar e pensar, mas para avançar com o manicómio digital.

O avanço delirante do “ensino” online, da “saúde” online, dos contratos obscuros com farmacêuticas, e do Estado de exceção, da supressão de direitos. O super-homem deus da máquina, precisa de um super-Estado de exceção – até o Papa o percebeu, preocupado com que a religião cristã seja suprimida pela nova religião, a IA. 

Da crise da Covid a burguesia europeia fez uma oportunidade: impor a IA, que todos odeiam e ninguém quer (segundo todas as sondagens realizadas, mais de 60 a 70% da população questiona a IA, os serviços online, a perda de sentido do trabalho, repetitivo). Os estudos da neurobiologia e da psicologia (mesmo da que é dominante, a comportamental) e até os inquéritos da OCDE confirmam: quem mais usa a IA usa menos o cérebro, é mais infeliz, tem mais problemas de saúde. Um desastre, um abismo. 

Um abandono das crianças e jovens, pelos quais somos responsáveis como adultos, foi feito com o cumprimento escrupuloso da digitalização – agora os alunos são obrigados a produzir lucro, trabalho infantil, no lugar que um dia sonhou tirá-los do trabalho infantil, a escola. Fazem produção de dados e são dadores involuntários de corpo e alma (o seu cérebro) à experimentação tecnológica do desemprego, da guerra e da vigilância.

Quando os meus alunos sabem mais, eu aprendi mais, e a humanidade aprendeu mais, quando os meus alunos usam a IA e deixam o cérebro em ponto morto, cada um de nós fez o conjunto da humanidade retroceder. 

A ligação entre guerra, vigilância e educação é central, disse a líder da UE. É natural, a precisão da geolocalização, a eficácia dos pompts, tudo isto é fulcral para criar códigos de programação – para a qual são necessários milhões de dados, cujo fornecimento vem da educação e dos serviços que preenchemos online, de sumários a relatórios clínicos. 

Há uma nuvem, assente em gigantescos centros de dados, que une o like viciante do FB ou do Tiktok (que com esse like criam perfis, influem nos circuitos neurais), unem o like à resposta de pintar bolinhas na resposta a uma pergunta de um teste, à classificação digital num exame, à explosão de doenças ditas mentais, e à exatidão de um drone a implodir uma criança em Gaza. 

Vivemos uma fase nova no capitalismo mundial. Não podemos pensar isto como inovação ou tecnologia, é terror, desagregação, não é inteligente, não é artificial, é material e concreto, somos milhões arrastados para a barbárie. Nunca desde a II Guerra Mundial a resistência política anticapitalista foi tão urgente. 

Sabendo de antemão que a IA erra, que os erros são inevitáveis e que todos os estudos publicados demonstram que diminui a capacidade cerebral dos utilizadores. A UE parece ter escolhido um país periférico para o mega-ensaio de digitalização de 300 mil exames. Partiu das redes sociais e de professores e intelectuais públicos – e não dos media do Estado ou empresariais – a avalanche de testemunhos de professores, com o ministro a negar os erros clamorosos dos exames.  Quando a situação se tornou impossível de esconder, a comunicação política encontrou o seu spin: o “problema foi ser feito à pressa”, “não testaram antes”, é preciso apurar “responsabilidades”, “comissões de inquérito”. Estas declarações demonstram a distância com a realidade das escolas. Para milhares de professores, que tornaram pública a sua opinião, não se trata de fazer bem a digitalização, mas de parar este delírio, não se trata de fazer exames, mas de reconstruir o sentido da educação. A crise da IA desvelou a crise sistémica da escola, esmagada entre as pedagogias pós-modernas e o neoliberalismo tecnocrático.

“Fazer depressa é fazer pior”, “não vamos outra vez falar de burocracia e técnica, escondendo a questão de fundo – descritores simples, comandos de resposta padronizados”, que medem o hiperfoco e não o desenvolvimento do cérebro e do conhecimento, “PIDE digital”, “inacreditável”, “temos de fazer greve”, “não somos entregadores”, “as perguntas eram tão imbecis que continham a resposta”, “os exames não avaliam”, “estou exausta”. Eis alguns dos comentários.

O que é a escola? O lugar coletivo de ensino-aprendizagem do melhor conhecimento produzido pelo conjunto da humanidade, sintetizado num currículo. Há algo nosso, que junta mortos e vivos, e que Marx denominava “intelecto geral”. Quando os meus alunos sabem mais, eu aprendi mais, e a humanidade aprendeu mais, quando os meus alunos usam a IA e deixam o cérebro em ponto morto, cada um de nós fez o conjunto da humanidade retroceder. 

A educação não é um ato de entrega de um produto de ou a um jovem ou criança, é uma transformação interna, um desenvolvimento do cérebro (das funções psíquicas superiores). Por isso o lugar central da escola não é ocupar o tempo das crianças e jovens enquanto os pais estão a trabalhar. É, sim, o espaço do ensino dos conceitos teóricos de cada currículo (os fundamentos do conhecimento). A IA generativa é uma recombinação estatística de palavras com um código, que ao mesmo tempo é feita de expropriação do saber acumulado (milhões de dados, textos, respostas) e simultaneamente expropria o saber possível, ao substituir o processo lento, esforçado, reflexivo de conhecimento e de desenvolvimento do cérebro por comandos mecânicos e desprovidos de complexidade. É uma máquina que expropria continuamente o ensino-aprendizagem. 

A IA não é “mais uma ferramenta” que nós “podemos usar como queremos”. Mesmo que fosse pública, com um código aberto – que deve ser –, nunca deveria ser usada em momento algum na educação, na escola, na universidade, mas apenas, por exemplo, para limpar sanitários ou salvar alguém no mar. A escola e a universidade são um ateliê de ensino, não uma fábrica de comandos.

Fonte aqui

Como o último ato de Khamenei está a derrotar o NATOstão

(Pepe Escobar in Resistir, 10/07/2026)


Interrompemos este programa para anunciar que o “gato” do Memorando de Entendimento saiu do coma – e está praticamente sem sinais vitais.


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Era totalmente previsível.

O Babuíno da Bárbaria e os seus lacaios quebraram a promessa de suspender as sanções petrolíferas contra o Irão. O compromisso foi revogado pelo Departamento do Tesouro.

Quebraram o frágil cessar-fogo – com ataques aos postos litoraneos do sul do Irão; o Irão respondeu; os EUA intensificaram a resposta; e a escalada voltou a ganhar força.

Quebraram o acordo sobre a navegação no Estreito de Ormuz com provocações sucessivas contra petroleiros:   a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) respondeu na mesma moeda.

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Konstyantynivka – uma cidade, duas histórias

(Por G. Gagliano, In Fórum da Escolha, in Facebook, 09/07/2026, Revisão da Estátua)


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A batalha de Konstyantynivka marca um daqueles pontos de viragem em que a guerra deixa de ser apenas uma sucessão de quilómetros conquistados ou perdidos e se torna um teste de resiliência política, militar e psicológica. Moscovo anuncia a captura da cidade, Kiev nega, os centros de análise ocidentais minimizam o acontecimento e os mapas oscilam entre confirmações parciais e cautela. Mas o facto essencial permanece: a posição ucraniana naquele que é conhecido como o “cinturão de fortalezas” do Donbass parece agora seriamente comprometida.

Konstyantynivka não é uma cidade qualquer. Durante anos, foi um centro logístico, industrial e defensivo para a região de Donetsk, integrada neste sistema urbano fortificado que inclui Druzhkivka, Sloviansk e Kramatorsk. Desde 2014, a Ucrânia transformou estes centros numa barreira defensiva de betão, trincheiras, posições fortificadas, depósitos, caminho-de-ferro e entroncamentos rodoviários. Se Konstyantynivka caiu realmente, ou se a sua queda é agora apenas uma questão de horas, não estamos a assistir a um incidente menor, mas sim à erosão gradual do último grande cinturão defensivo da Ucrânia no Donbass.

A guerra das percepções

Tal como já ocorreu em Bakhmut, Avdiivka e Pokrovsk, a primeira batalha gira em torno da palavra “queda”. Para Moscovo, a cidade está libertada. Para Kiev, continua em disputa. Para muitos observadores ocidentais, a presença russa consiste em pequenos grupos infiltrados, e não no controlo total do território. Mas esta distinção, útil do ponto de vista técnico, corre o risco de se tornar operacionalmente frágil: se uma guarnição deixa de receber mantimentos, deixa de conseguir revezar as suas unidades, perde as suas rotas de fuga e permanece confinada a alguns núcleos urbanos, então a cidade já está perdida na prática, mesmo que ainda não conste da narrativa oficial.

A guerra moderna prospera com isto: imagens, mapas, declarações, negações. Moscovo quer mostrar que a sua ofensiva está a progredir precisamente no momento em que a Aliança Atlântica discute um novo apoio a Kiev. A Ucrânia precisa de evitar que uma derrota local se transforme numa crise de confiança entre os seus aliados. A Europa, dividida entre o cansaço económico e a obrigação política de apoiar Kiev, tende a interpretar cada revés militar como um problema de comunicação antes mesmo de o considerar um fator estratégico.

Avaliação militar: a lógica do atrito

A situação militar é clara. A Rússia continua a aplicar uma estratégia de pressão lenta, dispendiosa, mas consistente: drones, artilharia, bombas guiadas, ataques graduais e manobras de flanqueamento. Não se trata necessariamente de procurar uma vitória espetacular, mas sim a destruição metódica das brigadas ucranianas forçadas a defender os centros populacionais transformados em fortalezas.

Para Kiev, o dilema continua a ser o mesmo: recuar para poupar homens e recursos, ou resistir para abrandar o avanço russo e preservar o valor político. Até agora, a segunda opção tem prevalecido com frequência. Abrandou Moscovo, mas consumiu unidades treinadas, munições, oficiais, veículos e reservas. A defesa urbana, quando não é acompanhada de capacidade de contra-ataque, torna-se uma armadilha. O terreno é defendido, mas o exército é dizimado.

Se o cenário já observado noutros locais se repetiu em Konstyantynivka, então o problema não é simplesmente a perda da cidade. O problema é que cada cidade defendida até ao último momento reduz a capacidade da Ucrânia de construir uma nova linha estável mais a oeste. E quando a defesa se transforma numa série de resistências locais sem reservas móveis suficientes, a iniciativa passa definitivamente para o adversário.

Lyman e a ameaça a todo o sector

A possível queda de Lyman agravaria ainda mais a situação. Lyman é importante porque se encontra a leste de Sloviansk e representa mais um elemento de pressão russa sobre a conurbação Sloviansk-Kramatorsk. Enquanto Konstyantynivka abre o eixo em direção a Druzhkivka e Kramatorsk, Lyman exerce uma forte pressão sobre o eixo em direção a Sloviansk. Duas retiradas em rápida sucessão produziriam não só um efeito tático, mas também psicológico: a impressão de que a defesa ucraniana no Donbass está a perder a sua profundidade.

Numa perspetiva estritamente militar, a questão crucial não é se os russos entrarão hoje ou amanhã num distrito, mas se Kiev ainda possui reservas suficientes para fechar as brechas, reorganizar a frente, conter infiltrações e manter os elos logísticos. A guerra está a ser decidida cada vez menos nos centros das cidades destruídas e cada vez mais nas estradas que trazem munições, evacuam os feridos e impedem que as unidades fiquem isoladas.

Cenários económicos: o custo de uma guerra prolongada

A dimensão económica é igualmente importante. Cada recuo ucraniano aumenta a procura de mais ajuda ocidental, mas isto acontece numa altura em que a Europa já está sob pressão: finanças públicas sobrecarregadas, indústria em dificuldades, gastos militares crescentes e uma opinião pública menos disposta a financiar uma guerra sem fim à vista.

Para os Estados Unidos, a guerra continua também a ser um importante mercado estratégico: armamento, munições, reconstrução dos arsenais europeus e dependência tecnológica e militar dos aliados. Para a Europa, por outro lado, apoiar Kiev está a tornar-se cada vez mais dispendioso. Quanto mais a frente ucraniana recuar, maior será o custo político da continuidade da ajuda; mas também maior será o custo político de admitir que esta ajuda não alterou o equilíbrio de poder.

A Rússia, por seu lado, está a pagar um elevado preço humano e industrial, mas converteu uma parcela significativa da sua capacidade produtiva numa economia de guerra. A sua aposta é simples: resistir mais tempo do que a Ucrânia e mais tempo do que a paciência do Ocidente. É uma aposta brutal, mas até agora coerente com a natureza do conflito.

Análise geopolítica e geoeconómica

Do ponto de vista geopolítico, a queda de Konstyantynivka, a confirmar-se na sua totalidade, fortaleceria a posição negocial de Moscovo. Vladimir Putin pode apresentar o avanço no Donbass como prova de que o tempo está a favor da Rússia. Volodymyr Zelensky, por outro lado, precisa de demonstrar que cada perda territorial não compromete a capacidade de resistência da Ucrânia e que mais ajuda ocidental pode ainda alterar o equilíbrio de poder.

Do ponto de vista geoeconómico, a guerra confirma a transformação da Europa numa base de apoio financeiro, industrial e logístico para o conflito. A União Europeia está a aumentar as suas despesas militares, a adquirir sistemas de armas e a apoiar Kiev, mas ainda não conseguiu transformar esta mobilização numa autonomia estratégica. A dependência dos Estados Unidos continua forte, enquanto a Rússia consolida as suas rotas alternativas com a Ásia, o Médio Oriente e o Sul Global.

A verdadeira questão, portanto, não é simplesmente se Konstyantynivka caiu. A questão é se a queda desta cidade assinala o início da crise final da linha ucraniana no Donbass ou um novo capítulo na mesma guerra de desgaste. No primeiro caso, Moscovo teria alcançado um ponto de viragem operacional. No segundo, teria, no entanto, imposto a Kiev e ao Ocidente o problema mais difícil: continuar a pagar uma guerra que, na prática, parece recompensar quem tem mais homens, mais munições e mais tempo.