Iuliia Mendel, Zelensky e a verdadeira face da UE

(João J. H. Nobre, in Blog Análise Geopolítica, 17/09/2026)


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A jornalista ucraniana Iuliia Mendel, que ocupou o cargo de Secretária de Imprensa de Volodomyr Zelensky entre 2019 e 2021, foi ontem banida de entrar no Parlamento Europeu, onde era suposto a mesma dar um discurso, num evento que tinha sido organizado pela Alternative für Deutschland (AFD). Felizmente, foi tudo gravado em video, para que todos possam ver a cobardia, falta de vergonha e verdadeira javardice imoral, a que chegou a UE de Ursula von der Leyen, António Costa e Kaja Kallas…

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Vai ser mesmo até ao último ucraniano?

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 16/09/2026)


A complexidade da resposta aumenta quando se insere na equação aquilo que na resolução de conflitos se designa por “momento maduro”, ou seja, o momento em que o conflito está pronto para ser negociado e em que a probabilidade de sucesso de um processo diplomático aumenta significativamente.


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Mais de quatro anos passados e a guerra na Ucrânia continua sem fim à vista. Se os EUA não conseguiram atingir os seus desígnios estratégicos – o poder no Kremlin não claudicou, a economia russa não soçobrou, as elites não se mobilizaram para derrubar Putin e, pelo contrário, este reforçou o seu poder, – também as forças russas não foram capazes de infligir uma derrota estratégica a Kiev.

A Rússia interveio na Ucrânia, em 2022, inicialmente para impedir que a população russa do Donbass fosse vítima de um desfecho dramático que se encontrava iminente, tendo desse modo ficado gorado o seu objetivo de manter o Donbass na Ucrânia e conseguir assim garantir um número de votantes que permitisse eleger um “novo Yanukovych”. Putin esteve quase a consegui-lo em Istambul (abril de 2022). A Ucrânia teria mantido a sua integridade territorial, amputada da Crimeia, e o Donbass teria adquirido um estatuto de autodeterminação, no seio da Ucrânia; a guerra não teria passado de uma “escaramuça”.

Isso não aconteceu porque vários responsáveis políticos ocidentais, nomeadamente o então primeiro-ministro inglês Boris Johnson, convenceram Zelensky a prosseguir com os combates. Passados dois meses de guerra, a Rússia não se encontrava ainda suficientemente exausta, sendo preciso prolongar a guerra para o conseguir, ou seja, Washington atingir os seus objetivos e impor uma derrota estratégica a Moscovo.

Afinal, para os cidadãos europeus e americanos mais desinformados, a Rússia não passava de uma estação de serviço com armas nucleares, como era frequente ler-se e ouvir-se. Não foi, portanto, de estranhar que a guerra de informação do ocidente se centrasse em propalar a incapacidade militar russa, a falta de meios, o definhamento da sua economia e a precariedade política de Putin, algo que até ao momento em que este texto foi escrito não aconteceu e está longe de acontecer.

Nem a Rússia nem o Ocidente, em especial os EUA, se tinham preparado convenientemente para uma guerra prolongada. Mas havia a convicção em alguns círculos de Washington, que a reconhecida falta de preparação russa iria ser determinante e acabaria por produzir os efeitos pretendidos; mais tarde ou mais cedo a Rússia claudicaria. Esse erro de cálculo estratégico está a ser fatal para Washington.

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A guerra vai continuar porque tanto a Rússia como a Ucrânia estão convictas de que, apesar de tudo, poderão atingir militarmente os seus objetivos estratégicos. Por isso, enquanto não for atingido um impasse doloroso em que nenhuma das partes acredite que possa sair vencedora, e em que a continuação do conflito acarrete custos elevados sem benefício, qualquer iniciativa diplomática está condenada ao fracasso.

Em 25 de junho, apenas 10 dias após Putin ter anunciado (16 de junho) a realização de eleições a 20 de setembro, os ucranianos, patrocinados pelos EUA e europeus, desencadearam uma intensa campanha de ataques com drones – a campanha dos 40 dias – na profundidade estratégica russa, tendo como alvo refinarias e infraestruturas civis, convictos de que isso iria levar Putin à mesa das negociações, mas isso não funcionou.

Vários fatores contribuem para que a guerra continue a sobrepor-se à diplomacia. Em primeiro lugar, o facto da sobrevivência política do presidente Volodymyr Zelensky e da elite política ucraniana que o apoia, depender da continuação da guerra. Qualquer tentativa de negociar a paz ou a rendição às exigências russas implicaria a sua eliminação política, provocada pelas potências ocidentais que o apoiam, muito em particular as europeias, e muito provavelmente a física executada pelos grupos ultranacionalistas, cada vez mais fortes no establishment militar ucraniano, ferozes opositores de quaisquer acordos políticos. Zelensky encontra-se, assim, entre a espada e a parede.

Em segundo lugar, a guerra proporciona: às forças armadas europeias uma oportunidade única de treinarem e adquirirem experiência de combate em situações não reproduzíveis em exercícios ou simulações, contra um adversário sofisticado que poderão ter de defrontar no futuro; e às empresas de armamento ocidentais um laboratório para testar os seus equipamentos, bem como obterem chorudos proveitos.

Em terceiro lugar, não há estímulos do lado russo para Moscovo se envolver numa solução política. Como na segunda guerra mundial, em que a impreparada União Soviética precisou de tempo para se equipar e responder de forma decisiva às forças nazis, derrotando-as, também agora a Rússia utilizou estes quatro anos que nos separam de fevereiro de 2022 para melhor se preparar. Os resultados dessa evolução começam a ser agora evidentes.

A Rússia tem vindo a atingir paulatinamente os seus objetivos, entre eles a «desmilitarização e a desnazificação» da Ucrânia, contando para isso com a ajuda involuntária da liderança ucraniana. O prolongamento da guerra numa situação de desvantagem está a levar ao progressivo desmantelamento do Estado ucraniano. A retaliação russa à campanha dos 40 dias, que não causa dor e sofrimento aos seus patrocinadores e que, por isso, não se sentem inclinados a fazerem concessões, está a agravar diariamente a situação no país.

O tecido económico e industrial da Ucrânia encontra-se em acelerada e sistemática destruição e a enorme redução demográfica em curso corre o risco de se tornar irreversível, ao que se associa a destruição sistemática de infraestruturas críticas. A fuga de largos milhões de cidadãos que não voltarão, ao que se adiciona cerca de dois milhões de mortos e mutilados de guerra, e o nascimento de uma criança por cada quatro mortos terão já, no curto prazo, consequências estruturais na sociedade, não escamoteáveis. Em 1991, começaram o ano escolar 650 mil alunos, em 2026 apenas 250 mil.

Estes e outros desenvolvimentos com um impacto estrutural na sociedade e de efeito acumulado ao longo do tempo, alinham-se com os objetivos russos de longo prazo, isto é, contribuem para neutralizar a Ucrânia enquanto ameaça viável e independente na sua fronteira. Não existem, portanto, no Kremlin, incentivos estratégicos para terminar a guerra enquanto se encontra em curso o desmantelamento sistemático do Estado ucraniano. Estima-se que seriam necessários nesta altura mais de $600 mil milhões para reparar os danos causados pela guerra.

Particularmente perturbador é a inexistência no espectro político ucraniano de grupos políticos, alternativos ao poder vigente, disponíveis para abraçar estratégias mais realistas e evitar o descalabro para que o país caminha. Esses grupos foram sendo progressivamente eliminados desde 2014. Em 20 de março de 2022, Zelensky suspendeu e posteriormente proibiu 11 partidos políticos conseguindo criar assim um vazio político e inviabilizar alternativas.

Presos numa «psicose de guerra» infantil e sem um pensamento estratégico ganhador consistente, os dirigentes europeus ainda não perceberam que não a vão conseguir ganhar. Este autismo masoquista joga a favor do Kremlin, contribui para que a Ucrânia se continue a esvair em sangue e inviabiliza, simultaneamente, o caminho da diplomacia. É importante salientar, que não nos encontramos no caminho de um impasse doloroso mútuo, mas sim unilateral.

A complexidade da resposta aumenta quando se insere na equação aquilo que na resolução de conflitos se designa por “momento maduro” (ripe moment), ou seja, o momento em que o conflito está pronto para ser negociado e em que a probabilidade de sucesso de um processo diplomático aumenta significativamente. Para isso acontecer é necessário que se reúnam simultaneamente duas condições: a presença de um impasse doloroso e a perceção de uma saída negociada, acreditar que existe uma alternativa pacífica e viável acessível.

Sem impasse doloroso não há maturação, mas este sozinho (sem uma saída imaginável) não constitui um momento plenamente maduro para a via diplomática. Como nenhuma destas condições se encontram reunidas, não se vislumbra, neste momento, nenhuma solução política para o conflito. A guerra vai continuar, na pior das hipóteses até ao último ucraniano.

Operação Libertem Jacques Baud

(Por Scott Ritter, in Substack, 16/09/2026, Trad. Estátua de Sal)

Jacques Baud

Jacques Baud foi sancionado pela União Europeia por dizer a verdade ao poder. Ele merece o apoio de todas as pessoas que amam a liberdade em todo o mundo.


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Passaram nove meses desde que a União Europeia (UE) implementou um pacote de sanções concebido para impor “medidas restritivas face às atividades desestabilizadoras da Rússia”. Estas sanções entraram em vigor em dezembro de 2025.

Entre as pessoas afetadas por estas sanções da UE está Jacques Baud, coronel reformado do exército suíço, antigo analista estratégico e especialista em inteligência e terrorismo.

Jacques Baud está a ser punido porque a sua posição e análise da guerra na Ucrânia divergem da posição da União Europeia, que o acusa de ser “um convidado frequente em programas de televisão e rádio pró-Rússia”, de ser um “porta-voz da propaganda pró-Rússia” e de “criar teorias da conspiração, por exemplo, acusando a Ucrânia de orquestrar a sua própria invasão para se juntar à NATO”.

A UE acusa ainda Baud de ser “responsável pela implementação ou apoio a ações ou políticas atribuíveis ao Governo da Federação Russa que prejudicam ou ameaçam a estabilidade ou a segurança de um terceiro país (Ucrânia) através da manipulação e interferência da informação”.

As sanções contra Baud “preveem o congelamento dos bens das pessoas sancionadas, a proibição de entrada na UE e a proibição de lhes disponibilizar fundos”.

Em suma, a UE prendeu Jacques Baud, cidadão suíço, contra a sua vontade, obrigando-o a permanecer numa situação que, na prática, equivalia a prisão domiciliária em Bruxelas, na Bélgica, negando-lhe o acesso aos meios de subsistência para si e para a sua família. É isto que hoje em dia se considera democracia na Europa.

Jacques Baud nega as acusações, declarando aos jornalistas logo após a imposição das sanções que “nunca utilizei material russo nos meus livros, mas exclusivamente informação ucraniana e ocidental, e que, consequentemente, recusei convites dos meios de comunicação russos”.

Ofende-se particularmente com a alegação de que promoveu uma teoria da conspiração de que a Ucrânia teria orquestrado a sua própria invasão, referindo que, em vez disso, citou uma declaração de Oleksiy Arestovych , feita em 2019, quando atuava como conselheiro sénior do presidente Zelensky, na qual este alertava que as ambições da Ucrânia de aderir à NATO poderiam desencadear uma guerra com a Rússia.

O caso de Jacques Baud será analisado pela UE, e, neste contexto, é crucial que o maior número possível de americanos compreenda o que se passa na Europa hoje, e que as pessoas e instituições que nós, americanos, consideramos defensoras de valores partilhados estejam, na verdade, envolvidas em ações que são descaradamente antiamericanas em todos os sentidos da palavra.

Viajarei para a Europa em Outubro para esclarecer o caso de Jacques.

O objectivo da minha visita é conhecer e entrevistar Jacques Baud (ele concordou de bom grado com esta empreitada).

Planeio uma série de entrevistas que apresentarão Jacques Baud a um público americano mais vasto, explorando o seu percurso profissional, as suas avaliações sobre o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, os detalhes do processo da UE contra ele, como é a vida sob as sanções da UE e a importância da neutralidade suíça para a paz e a segurança internacionais.

Como jornalista independente, o meu trabalho só é possível graças às generosas doações de apoiantes e seguidores.

Agradeço desde já o seu apoio a esta importante obra. A liberdade de expressão é um direito humano, não apenas um valor americano, e aqueles que dizem a verdade ao poder, como Jacques Baud, devem ter o apoio de todas as pessoas que amam a liberdade em todo o mundo.

Fonte aqui.


Sobre as sanções aplicadas a Jacques Baud

(Compilação da Estátua com base em fontes abertas, via Google)

A expressão “Operation Free Jacques Baud” refere-se à inclusão de Jacques Baud na lista de sanções da União Europeia (UE).

Esta decisão gerou grande debate jurídico e político internacional, sendo vista por apoiantes como uma violação da liberdade de expressão e pelas autoridades europeias como uma medida de segurança contra a desinformação.

1. Por que razão foi ele sancionado?

A União Europeia incluiu o ex-coronel suíço na sua lista de sanções sob a acusação de atuar como porta-voz da propaganda pró-russa e difundir teorias da conspiração sobre a guerra na Ucrânia.

  • A posição da UE: As autoridades europeias argumentam que as suas análises estratégicas e intervenções em canais como a RT France constituem manipulação de informação e interferência híbrida, ameaçando a estabilidade e a segurança da Ucrânia.

2. Quais são as penalidades aplicadas?

Como Jacques Baud residia em Bruxelas (Bélgica) quando a decisão foi tomada, o impacto das sanções da UE foi imediato e severo:

  • Congelamento de bens: Todas as suas contas bancárias e ativos financeiros na Zona Euro foram bloqueados, impedindo-o temporariamente de aceder ao seu próprio dinheiro.
  • Restrição de movimentos: Ficou impedido de viajar ou transitar por países da União Europeia, o que criou um impasse jurídico sobre a sua capacidade de regressar à Suíça.
  • Bloqueio económico: Cidadãos e empresas da UE ficaram proibidos de lhe transferir fundos ou conceder recursos económicos (como o pagamento de direitos de autor pelos seus livros).

3. A reação e a “Operation Free Jacques Baud”

Jacques Baud e os seus advogados contestaram fortemente as medidas, classificando-as como uma punição extrajudicial tomada de forma burocrática, sem direito a julgamento prévio.

  • Ação Judicial: A equipa de defesa recorreu ao Tribunal Geral da União Europeia (TGUE) para tentar anular as sanções, alegando que estas violam a Carta dos Direitos Fundamentais da UE e constituem uma perigosa censura ao debate académico e jornalístico.
  • Isenção Humanitária: Devido ao bloqueio total, o Ministério das Finanças da Bélgica acabou por conceder-lhe uma isenção humanitária, permitindo-lhe aceder a uma fração das suas contas para cobrir despesas básicas de subsistência, como alimentação.
  • A posição da Suíça: O governo suíço declarou que não adotará as sanções da UE contra Jacques Baud, uma vez que a Suíça não replica de forma automática as medidas da UE focadas em ameaças híbridas e desinformação.