Jeffrey Sachs: O Irão é o cemitério da hegemonia americana

(Jeffrey Sachs, in canal do Youtube de Glenn Diesen, 25/03/2026)


O Prof. Jeffrey Sachs argumenta que Trump está se tornando cada vez mais irracional e que os erros de cálculo na guerra contra o Irão revelam os problemas de uma hegemonia decadente. É ver o vídeo abaixo, em português, no canal do Youtube do Prof. Glenn Diesen.


O virtuoso André Ventura e as desventuras do Chega

(Carlos Esperança, in Facebook, 25/03/2026, Revisão da Estátua)

O padre Poças e o André.

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Cresce a surpresa e incredulidade dos portugueses, à medida que aumenta o número de militantes suspeitos de pedofilia, sendo o Chega o partido que mais defende a família, a moral e os bons costumes. Já lhe bastava a delinquência de tantos em tão diversificados crimes!

Crimes tão escabrosos não podem deixar de chocar quem, de boa fé, esperava do Chega a defesa das virtudes cristãs, sabendo que o líder anda sempre com o rosário no bolso, um artefacto precioso para prevenir tentações e, quiçá, maus-olhados.

Talvez seja desígnio da Providência sujeitar a tão rude provação o bem-aventurado líder do Chega – o Senhor castiga os que mais ama -, e nem assim ele renegará o chamamento da fé e a mensagem que recebeu do Divino para salvar Portugal.

Não é a primeira vez que o 4.º Pastorinho é posto à prova. Quando vários padres foram acusados de pedofilia, Mário Rui Pedras, virtuoso pároco da igreja de São Nicolau, na Baixa de Lisboa, confessor e diretor espiritual de André Ventura, foi suspenso do múnus por suspeitas de pedofilia; mera suspeita, mas calcula-se o que terá sofrido o confessado com a suspeita sobre o confessor que o iniciou no serviço do Divino!

A presunção de inocência manteve-se para o padre Mário Pedras e não faltou aconchego pio ao confessado. Há de ter surgido outro padre para o confessar, absolver e ministrar-lhe a eucaristia, mas nunca mais revelou o nome do novo diretor espiritual.

Encharcado em sacramentos, com batismo, confirmação, eucaristia e penitência, André rumou ao Seminário de Penafirme aos 14 anos. Que manhãs submersas o terão aflito ali para que em 6 de dezembro de 2019, apresentasse na AR o projeto de lei para a agravação de penas em crimes de abuso sexual de menores, incluindo a implementação da castração química? Mário Rui Pedras foi o padre que o aliciou aos 14 anos, e, ao que se sabe, só para os sacramentos e para o seminário.

A devoção do pio da madraça de Passos Coelho não ficou sem direção espiritual e, na sua idade, já não corre perigo de ser importunado por abusadores de crianças.

Há, na foto acima, o êxtase de quem pensa na Senhora de Fátima e não na fruição da mão que lhe aconchega o braço.

O acordo impossível

(João Gomes, in Facebook, 25/03/2026)


Há propostas que nascem para ser assinadas. E há propostas que nascem para ser recusadas. O chamado “plano de 15 pontos” apresentado por Trump ao Irão pertence à segunda categoria.

À superfície, parece diplomacia: uma lista ordenada, numerada, racional de exigências e concessões. Um exercício de engenharia política com aparência de equilíbrio. Mas basta um olhar minimamente atento para perceber que não se trata de um acordo. Trata-se de um ultimato disfarçado de negociação.

O núcleo da proposta é simples: o Irão deve abdicar de tudo o que constitui a sua capacidade de dissuasão – nuclear, militar e regional – em troca de promessas económicas cuja solidez já foi anteriormente testada… e falhou. Desmantelar instalações, entregar stock, aceitar inspeções totais, limitar mísseis, abandonar aliados, abrir mão da sua influência geopolítica e ainda permitir mecanismos automáticos de punição futura. Tudo isto em troca de sanções que podem regressar ao sabor de um ciclo político em Washington. Não é um acordo. É uma reconfiguração forçada.

Ora, a teoria clássica dos conflitos ensina-nos algo elementar: negocia-se quando não se pode vencer – ou quando o custo de vencer é demasiado elevado. Mas aqui começa o verdadeiro paradoxo. Se é Trump a apresentar este plano, não é ilegítimo perguntar: o que estão, de facto, a reconhecer?

Não uma incapacidade militar – essa continua a ser enorme. Mas algo mais subtil e mais relevante: a impossibilidade de controlar as consequências de uma escalada. Uma guerra com o Irão não é apenas um teatro militar. É um evento sistémico. Energia, comércio global, estabilidade regional – tudo entra em colapso por arrasto. Não há vitória limpa num tabuleiro onde cada movimento provoca ondas de choque globais.

E é precisamente por isso que este “acordo impossível” levanta outra leitura, mais cínica – e talvez mais realista. E se isto não for para ser aceite? E se for, simplesmente, uma manobra dilatória? Ganhar tempo. Testar intenções. Criar narrativa. Posicionar forças. Preparar o terreno – político, mediático e militar – para um cenário alternativo. Porque, historicamente, negociar e preparar conflito nunca foram caminhos opostos. Pelo contrário: são frequentemente paralelos.

A hipótese de uma operação militar mais agressiva não pode ser descartada. Um ataque aéreo massivo, concentrado em infraestruturas críticas, centros urbanos costeiros, sistemas de defesa e logística. Uma tentativa de controlo de pontos estratégicos – ilhas, corredores marítimos, zonas costeiras. Um choque rápido, de alta intensidade, desenhado para desorganizar antes de consolidar.

Mas aqui entra o detalhe que raramente cabe nos planos: o “depois”. Desembarcar tropa é uma coisa. Sustentar é outra. Controlar território hostil, com profundidade estratégica, redes locais e capacidade assimétrica, é um problema de outra ordem. E é nesse momento que o custo humano deixa de ser abstração e passa a contabilidade política. Quantos homens são necessários para transformar um mapa em realidade? E quantos regressam? A história recente oferece respostas pouco animadoras.

É neste ponto que a ironia se torna inevitável. Um plano apresentado como alternativa à guerra pode, na verdade, ser o seu prólogo. Uma proposta impossível pode ser apenas o argumento necessário para justificar o inevitável: “tentámos a diplomacia”. E, no entanto, há um elemento que não pode ser ignorado: o outro lado também lê o jogo.

O Irão não é um ator passivo. Sabe que aceitar este plano seria abdicar da sua própria lógica de sobrevivência. Mas rejeitá-lo implica navegar um espaço perigoso, onde cada recusa pode ser reinterpretada como provocação. A margem de erro é mínima.

O “acordo impossível” cumpre assim a sua função essencial: não resolver, mas enquadrar. Não pacificar, mas preparar. Não construir confiança, mas gerir perceções. E talvez seja essa a sua maior eficácia. Porque, no fim, não se trata de chegar a um entendimento.

Trata-se de definir quem será responsabilizado pela sua ausência ou quem reconhecerá primeiro que não tem hipótese de continuar.

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