Rir, Sorrir ou Chorar?

 

.(Joaquim Vassalo Abreu, 21/02/2017)

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Embora eu nunca deixe de algo escrever, mesmo aos fins de semana, normalmente não publico nestes dias. Porquê? Porque saem os Semanários e há aqueles programas todos em que um número infindável de avençados se dedicam a escrever e a falar, tentando “ensinar-nos”, com os seus profundos dotes de oratória, dialética e profundeza de pensamento, o que deve ser a forma politicamente correcta de ver a vida e os tempos. E a sua espuma…

Dos jornais só leio as primeiras páginas, como muitas vezes já disse, e se algo houver de mais proeminente aparece depois no Facebook ou nos Blogs, e desses ditos programas ainda vou vendo o “Eixo do Mal”, mas não deixo de ficar cada vez mais perplexo e com vontade de parar de ver e ouvir.

Que se discute aí, afinal? O nada! A espuma e o ridículo. Mas para o ridículo estamos cá nós, não precisamos deles e as espumas, como as da cerveja e outras, são excrescências! Precisávamos da sua opinião, se o conseguissem, era para coisas mais sérias, mais directas, mais redundantes, sem medos…Assim, para quê os ouvir se aquilo que desejam, e apenas desejam, é ficar bem na fotografia? Na fotografia do politicamente correcto? Uma pobreza, é o que é…

Mas há uma coisa que há muitos anos aprendi: Nunca nos devemos rir dos pobres de espírito! E acrescento: nem tão pouco sorrir.

E o que a grande maioria deles fazem, continuando a falar da espuma, como se da espuma se pudesse aferir a boa cerveja, é um grandessíssimo frete à Direita que, à falta de mais, também só se dedica à espuma. Um até chamou “nabo”,” nabo” e morto, ao Ministro das Finanças, mas a esse já aqui respondi! E assim os ajudam, solidariamente, tal qual a restante imprensa, mas essa nitidamente comprometida, a procurarem os “milagres” de que necessitam para a sua sobrevivência. Nos milagres e na efemeridade das questões, que não na “EPHEMERA”, pois esta trata de salvaguardar a recordação e a História, das quais e dos que as promovem nunca rezará a História.

Mas depois disto dito, não fazendo alarde da minha verdade, que ao contrário da deles nunca é absoluta, vou explicar, se tiverem paciência para me ler, o porquê do título dado a esta crónica: RIR, SORRIR ou CHORAR?

Um destes dias Fernando Medina, actual Presidente da Câmara de Lisboa, recebeu em audiência a líder do CDS Maria de Assunção Cristas, sua concorrente também às próximas eleições, e ela foi lá fazer o quê? Ouvir, “in loco”, de Fernando Medina, que as contas da Câmara estão bem e que se recomendam.

Isto é, o que os seus ouvem e lêem nas sessões camarárias, nas assembleias municipais e outros relatórios que são emitidos, só podem ser do domínio da ficção. Resultado e conclusão da candidata Maria de Assunção: Então se há dinheiro, que tal reduzir impostos, acabar com taxas e gastar à tripa forra? É o que ela tem para oferecer, ao ver que não foi “milagre” dela! É para rir, para sorrir ou para chorar?

O candidato do PSD ainda não perguntou nada mas, seja ele quem for, também não deixará de perguntar: Então se há dinheiro porque razão não fez mais? Ele faria mais, muito mais e mesmo não sabendo que “milagre” terá acontecido, porque nem ele sabe ainda se o será, nem sei se hei-de apenas sorrir, para não chorar!

O candidato do PSD à Câmara do Porto, que não sei o nome nem isso importa, deu uma entrevista a um jornal e, pelo que dela li, tentou dar um ar de comicidade à coisa. E diz ele então que Rui Moreira, um liberal travestido de esquerdista, está rodeado de “esquerdalhos” ex-comunistas por todo o lado, menos por um e só por isso não é uma ilha, e que só realizou um quarto daquilo que prometeu! Eu não voto no Porto, mas havendo aqui um insofismável “milagre” de percepção, se ali votasse, aí ria-me a bom rir e não pensava sequer em sorrir ou chorar…

Mas a nossa direita é assim: acredita em “milagres”. Sempre acreditou e tal qual Portas, no anterior regime, achava um milagre o crescimento do turismo, Pires de Lima elevava para o domínio do “milagre” o aumento das exportações. E Passos dizia o mesmo em relação ao “aguenta, aguenta” dos portugueses. Mas também quer fazer agora da questão dos SMS um novo “milagre”: o da ressurreição de um assunto para todos já encerrado. Até para o Presidente!

E não é por eles o desejarem que me sinto angustiado, não de raiva pois esse sentimento eu não consigo ter, mas de pena e comiseração por toda essa imprensa comprometida, que já não admira, mas por todos esses pensadores que insistimos em ler e ouvir e que lhes dão acolhimento e troco. E aqui sim, aqui não me dá nem vontade de rir, nem de sorrir tão pouco, mas apenas de chorar ao ver gente tão liberal (como quase todos agora se definem, pois é mais abrangente) e tão inteligente a caírem na armadilha de considerarem real um fogo fátuo. E choro de tristeza…

Mas Passos Coelho, este sim, é o único deles todos verdadeiramente habilitado em assegurar a verdade e autenticidade de um “milagre”. Pois senão recordem aquela célebre entrevista que ele deu à TV, ainda nos prolegómenos desta nova maioria. Quando perguntado se a nova estratégia económica, sustentada nas devoluções de rendimentos, reversões e aumento do consumo privado, por essa via, era viável, ele respondeu: Impossível!

Mas imaginemos, insistiu o perguntador, que de facto essa estratégia corre bem e… Impossível, voltou a responder. E explicou: Para se poder devolver num ano, e sem dinheiro, aquilo que nós nos propúnhamos fazer em quatro, só com uma coisa que não é comum: com um “Milagre”! E tirará consequências? Claro, disse ele convictamente: se isso se concretizar eu passarei a defender o PS, o BE e o PCP! Mas aqui, confesso, só me deu para sorrir…

Não falo da Marilú pois essa só dizia “impossível” mas nunca falou em “milagres”. Mas a Passos Coelho sim e, assim sendo, é de lhe propor duas coisas. Uma simples pergunta, derivada do seu compromisso, e que é: Então, como é? E a outra é propô-lo para aquela comissão do Vaticano, como leigo está claro, de verificação de milagres e atribuição daqueles graus todos até se chegar a Santo.

Mas um conselho amigo, Passos Coelho: Vá antes para esta que nós a defender-nos não o queremos! É santidade a mais…


Fonte aqui

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Paulo Núncio não explica por que não publicou estatísticas das offshores

(Pedro Crisóstomo, in Público, 21/02/2017)

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Núncio, o grande privatizador….

É mais um esqueleto a sair do armário pafioso. Era um fartar vilanagem. Era obrigatório divulgar as transferências para offshores. Núncio cancelou a informação para que não se soubesse que os milhões das negociatas voavam a correr para fora. Claro que o país ficava sem dinheiro… Nem o dinheiro que fugia nem os impostos a pagar sobre a sua proveniência. Era esta a política: pau para os pobres e tapetes rolantes para os milionários. 

Estátua de Sal, 21/02/2017


O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais durante o Governo de coligação de Pedro Passos Coelho, Paulo Núncio, não explica por que razão o fisco não publicou, durante todo o tempo em que foi governante e tutelou a administração tributária, as estatísticas das transferências de dinheiro para contas offshores feitas a partir de Portugal. E garante que nunca soube que havia declarações (comunicadas pelos bancos ao fisco) que não tinham sido objecto de controlo pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

Questionado por email se, enquanto secretário de Estado, teve conhecimento de que não foram tratadas pelo fisco de 2011 a 2014 as declarações entretanto identificadas, Paulo Núncio respondeu ao PÚBLICO: “Não, nunca tive. E acho muito bem que, caso tenha havido parte da informação fornecida à AT através do Modelo 38 que não foi devidamente analisada, que a IGF [Inspecção Geral de Finanças, a quem o actual Governo pediu uma auditoria] apure o porquê de tal facto”.

As primeiras estatísticas divulgadas no Portal das Finanças sobre fundos enviados para offshores, relativas a 2009, foram conhecidas depois de Sérgio Vasques, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais no último Governo de José Sócrates, ter vertido em lei esta obrigação em 2010. Mas depois disso, as novas estatísticas ficaram na gaveta durante vários anos, não sendo divulgadas em nenhum momento durante o primeiro e o breve segundo Governo de Passos Coelho, de 2011 a 2015, em que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais era Paulo Núncio (CDS).

Só em Abril de 2016 é que as estatísticas dos anos em falta voltam a ser publicadas. E no final do ano, a 30 de Dezembro, a AT volta a actualizar os dados. Nos números entretanto publicados, a AT apresenta pela primeira vez os números de 2015 e é nessa altura que revê dados dos quatro anos anteriores, sendo a diferença próxima dos 10 mil milhões de euros. Uma diferença detectada nas estatísticas.

Ao confrontar as últimas estatísticas da AT, o PÚBLICO detectou uma discrepância muito significativa – de 9800 milhões de euros – em relação aos valores conhecidos anteriormente. E ao questionar as Finanças sobre essa diferença, o ministério liderado por Mário Centeno confirmou que foram detectadas divergências ao ser “apurada a existência de 20 declarações apresentadas por instituições financeiras que não foram objecto de qualquer tratamento pela AT” de 2011 a 2014.

Falhas de controlo

Confrontado pelo PÚBLICO sobre a razão de não terem sido publicados os dados enquanto foi governante, o ex-secretário de Estado Paulo Núncio não apresenta uma justificação e remete para um conjunto de dados sobre medidas tomadas no combate à fraude, garantindo ainda que “os dados conhecidos” foram foram “cruzados e tratados pela inspecção tributária da AT”.

“A publicação das estatísticas é uma matéria relevante. Sem prejuízo da sua publicação atrasada [por iniciativa do seu sucessor] (até porque existem outras entidades, nomeadamente o Banco de Portugal, que publicam regularmente estatísticas sobre operações financeiras de residentes em Portugal com centros financeiros offshores) o importante é olhar à substância: a divulgação das estatísticas nada tem a ver com o tratamento e a utilização efectiva da informação sobre transferências para paraísos fiscais por parte da inspecção da Autoridade Tributária”, responde o ex-governante por escrito.

No entanto, não está em causa a mera divulgação das estatísticas. É o próprio Ministério das Finanças que, em resposta oficial enviada ao PÚBLICO pelo gabinete de imprensa, não se limita a referir a omissão desses números das estatísticas. Refere explicitamente que houve transferências “que não foram “objecto de controlo e contabilização estatísticas”. E deixa claro: “As 20 declarações apresentadas por instituições financeiras que não haviam sido objecto de tratamento pela AT respeitam a transferências que ascendem a quase 10 mil milhões de euros, que estão agora a ser objecto de controlo pela inspecção tributária”.

 

O sequestro da Conferência sobre Segurança de Munique

(Thierry Meyssan, in Red Voltaire, 21/02/2017)

A História atesta-o : cada vez que um Sistema se afunda, os seus dirigentes só se dão conta quando são arrastados pela tempestade. Assim, os responsáveis políticos da União Europeia, reunidos anualmente como é habitual, em Munique, para a sua conferência sobre Segurança, ficaram chocados por ouvir Sergey Lavrov evocar uma ordem mundial post-Ocidental. Ora, o mundo desmorona-se sob os seus pés : os Povos árabes resistem desesperadamente às guerras e às falsas revoluções, enquanto o Povo norte-americano elegeu um anti-imperialista para a Casa Branca. Mas, os organizadores não têm cura : eles defenderam os interesses do Estado Profundo USA contra a Administração Trump.

Ler Resto do artigo aqui..: O sequestro da Conferência sobre Segurança de Munique, Thierry Meyssan