O sequestro da Conferência sobre Segurança de Munique

(Thierry Meyssan, in Red Voltaire, 21/02/2017)

A História atesta-o : cada vez que um Sistema se afunda, os seus dirigentes só se dão conta quando são arrastados pela tempestade. Assim, os responsáveis políticos da União Europeia, reunidos anualmente como é habitual, em Munique, para a sua conferência sobre Segurança, ficaram chocados por ouvir Sergey Lavrov evocar uma ordem mundial post-Ocidental. Ora, o mundo desmorona-se sob os seus pés : os Povos árabes resistem desesperadamente às guerras e às falsas revoluções, enquanto o Povo norte-americano elegeu um anti-imperialista para a Casa Branca. Mas, os organizadores não têm cura : eles defenderam os interesses do Estado Profundo USA contra a Administração Trump.

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Máscaras

(José Pacheco Pereira, in Sábado, 17/02/2017)

Autor

                  Pacheco Pereira

Nem o Bloco de Esquerda e muito menos o PCP são partidos populistas. Não há em Portugal um populismo de esquerda e nenhum dos temas desses dois partidos em matérias como a emigração, os estrangeiros ou as fronteiras, pode ser comparado, nem de perto nem de longe, com as posições de Trump.


Os artigos que escrevi no Público e na Sábado sobre Trump suscitaram uma discussão que ainda está em curso. Nela discute-se aquilo a que tenho chamado o “trumpismo” português. Nessa discussão falta o último artigo da Sábado, em que me refiro em particular, para o caso europeu, do papel, que penso ser crucial, do modo como se reagiu à crise financeira, com as teorias do “ajustamento”, no crescimento do populismo. A vulgata do “não há alternativa”, a definição do alvo da austeridade e o menosprezo, e nalguns casos a intencionalidade, pelo aumento da desigualdade e da exclusão, como dano colateral, criou um caldo de cultura muito favorável ao ascenso do populismo e da demagogia. No caso europeu é igualmente relevante a usura da democracia no contexto das soberanias nacionais, substituindo os parlamentos nacionais por entidades transnacionais e burocracias que usurparam poderes, desertificando as democracias.
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Voltaremos a todos estes temas, mas fiquemos para já com uma tentação que tem havido à direita, incomodada com Trump, mas ainda mais incomodada com as críticas a Trump, que é atacar Trump por ser de… esquerda. Um argumento recorrente, que, por exemplo, se encontra no artigo do Público de Paulo Rangel, mas que também habita no Observador e nos blogues ideológicos da direita, é que a proximidade maior das ideias de Trump é com aquilo que agora se chama “populismo de esquerda” e não com a direita. Aliás repete-se cada vez mais uma equivalência entre Frente Nacional, Orban, o UKIP, e Trump e outros da mesma amálgama, com o Podemos, o Syriza e, no caso nacional, com o BE e o PCP. Com toda a franqueza, acho que esta comparação não tem pés nem cabeça.

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É verdade que em toda a história do populismo moderno existe uma mistura de temas que podemos reconhecer ser da tradição de esquerda e de direita. É o caso típico do peronismo argentino, enquanto movimento, ou da acção de Huey P. Long, como político do Louisiana. Como já dissera Evita Perón, o que lhes importa não é que haja pobres, mas sim que haja ricos, e um discurso violento contra os abusos dos patrões, dos financeiros, dos poderosos de Wall Street, dos exploradores é um padrão, a que Trump não foge, mesmo sendo quem é. O problema é quando o “sistema”, o “pântano”, “eles”, são as ideias redentoras antipartidos e que põem em causa num impulso autoritário o primado da lei e os procedimentos da democracia. Já para não falar do papel de retórica desse discurso.

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Agora, nem o Bloco de Esquerda e muito menos o PCP são partidos populistas. Não há em Portugal um populismo de esquerda e nenhum dos temas desses dois partidos em matérias como a emigração, os estrangeiros ou as fronteiras, pode ser comparado, nem de perto nem de longe, com as posições de Trump. O BE é europeísta, numa versão até mais transnacional do que os nossos europeístas, ligando de facto muito pouco às fronteiras, e o soberanismo do PCP nada tem a ver com o nacionalismo de um “Portugal melhor”, mas com a hegemonia, imposta pela perda de poderes nacionais, de uma política que contestam, a do euro e da UE. Nem o BE, nem o PCP têm qualquer impulso autoritário. Mesmo no caso do PCP, onde há uma real indiferença quanto aos valores da democracia quando se fala de Coreia ou de Cuba, as razões têm muito mais a ver com a história do comunismo, do que com um papel nacional anti-“sistémico”, que colocasse em causa os procedimentos da democracia no Portugal de 2016.

O Rangel range e demite toda a gente

(Por Estátua de Sal, 16/02/2017)

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Estive a ver o inenarrável Rangel na Prova dos Nove, da TVI24. O maior trauliteiro do ano, pese a gravata.

Rangel, surge de varapau em riste armado em campeão da verdade e da democracia. O ministro Centeno, mentiu e pronto. Deve demitir-se. O secretário das finanças, Marinho Félix, já há muito que se devia ter demitido. O Galamba disse que o Marcelo errou tanto quanto o Centeno, deve demitir-se. O Costa não se deve demitir, apenas, por enquanto. 

Entretanto o Domingues já se demitiu, uma injustiça, ele que tão bons ofícios iria aportar à coisa pública. O Matos Correia, esse, já se demitiu, vítima de um gravíssimo atentado contra a democracia perpetrado pelos partidos de esquerda.

Ou seja, por vontade da direita o governo, com tanta demissão, qual doente de pernas amputadas, iria a seguir para consumar a chusma de demissões.

Tão democratas que se babam ser e parece que querem chegar a poder a todo o custo, recorrendo a telenovelas de mau gosto, a golpes baixos de intriga, à iniquidade da trafulhice, em vez de discutirem o país, as necessidades dos portugueses e o futuro dos cidadãos.

Estamos cansados, ó Rangel. Queremos discutir coisas sérias. Estamos fartos dos teus uivos. O último deles, que me deu vontade de rir em grandes gargalhadas, é que o Bloco de Esquerda está muito próximo do Trump, esta mais uma pérola do Rangel, porque votou contra o requerimento da direita para levar os SMS do Centeno à Comissão de Inquérito à CGD!

O Trump é aquilo que se sabe. Mas olha que tu, ó Rangel, quando vociferas também levantas muito o dedinho, como se vê na imagem.. E nesse aspecto não ficas a dever nada ao personagem Trump.