A Ucrânia atacou a Roménia – e o artigo 5º da NATO não é ativado?

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 09/06/2026, Revisão da Estátua)


A Ucrânia, com a habitual cumplicidade e apoio do SBS (Special Boat Service: Força de operações especiais de elite da Marinha Real Britânica), quis provocar a morte de dezenas, ou mesmo centenas, de romenos, e culpar a Rússia dessa ação.

Se esta operação ucraniana tivesse tido o desejado sucesso, os drones ucranianos ter-se-iam feito explodir junto dos seus objetivos (um deles um depósito de nitratos cuja explosão seria mil vezes superior à do próprio drone – veja-se o que aconteceu em 2020 em Beirute no Líbano -, causando assim muitas dezenas de mortes.

Em seguida, os líderes e a média internacional, ao serviço destes criminosos, seriam ativados para atribuir este atentado terrorista aos russos e assim poder ser invocado o artigo 5º da NATO, passando a Roménia a ser parte beligerante do conflito, sem para isso ser tida nem achada.

Vimos como, mesmo sabendo que os drones eram ucranianos, logo os execráveis e nojentos líderes europeus – Van der Leyen, Kallas e Costa – se  apressaram a culpar a Rússia e houve mesmo quem alvitrasse uma interferência de guerra eletrónica por parte desta.

Para azar destes facínoras todos, devido à Providência e a um pequeno erro do sinal GPS, a tramóia falhou e, nesta altura, até as próprias autoridades romenas já se aperceberam do nível criminoso a que os fascistas ucranianos e britânicos podem chegar e que a imprensa e políticos locais já estão a denunciar.

A verdadeira história sobre o que realmente aconteceu no porto de Constanța e nas suas águas próximas é a seguinte:

Na madrugada de 5 de junho de 2026, por volta das 05:00, hora local, entrou furtivamente no porto de Constanța um drone marítimo da classe Sea Baby, na versão de comando e reconhecimento, controlado por operadores da marinha ucraniana com apoio técnico do SBS britânico, equipado com Starlink e dispositivos de boa qualidade para registo de imagens.

A tarefa do operador ucraniano, que controlava o drone, era chegar diretamente ao armazém de fertilizantes nitrogenados situado no terminal Chimpex desse porto. Perto desse mesmo porto de Constanța, já aguardavam três outros drones ucranianos do tipo Sea Baby, na versão de combate, equipados com cerca de 100 kg de explosivos, cada.

Por volta das 5:30 – 5:50, hora local, o drone ucraniano enredou-se num sistema flutuante de contenção de fugas de hidrocarbonetos. Este incidente provavelmente ocorreu devido a um erro no sinal GPS. Por causa disso mesmo, o operador do drone virou à esquerda em direção ao terminal, 2 a 3 segundos antes da hora, a 30 metros do final do quebra-ondas – o que é um erro possível aquando de uma comunicação por satélite – resultando assim em ter ficado enganchado acidentalmente na tal barreira flutuante de proteção contra fugas de petróleo, localizada a 3 metros da costa.

Vale notar que, se o drone no porto tivesse chegado diretamente ao armazém de fertilizantes nitrogenados, poderia ter causado uma explosão mil vezes mais forte que a do próprio drone.

Devido à imobilização deste drone de reconhecimento e comando da equipa de ataque ucraniana, a operação marítima da marinha ucraniana teve de ser terminada. Os drones de combate ucranianos, posicionados perto da entrada do porto, não puderam continuar o seu ataque, pois provavelmente ficaram sem o drone de observação, que também servia como estação retransmissora.

Por volta das 10:30, o comando da marinha ucraniana tomou a decisão de autodestruir o drone enredado na barreira de contenção de fugas de petróleo. Isso foi feito para destruir as evidências de ter havido uma violação intencional das águas territoriais romenas, a qual ficaria exposta se o drone fosse analisado por técnicos romenos.

 Várias dezenas de minutos antes dessa autodestruição, as autoridades romenas foram notificadas pelo lado ucraniano sobre a necessidade de evacuação da área. Mais de mil pessoas foram evacuadas dessa zona da costa do distrito de Constanța. O funcionamento do porto e da própria cidade também foram gravemente perturbados. Por volta das 11:00, os restantes três drones de ataque ucranianos perto do porto de Constanța – incluindo um que estava nas suas águas territoriais – também foram destruídos remotamente pelos operadores ucranianos. Terminou, dessa forma, a operação da marinha ucraniana na região de Constanța.

Esta criminosa operação de “falsa bandeira”, dos fascistas ucranianos, com o apoio e a cumplicidade dos britânicos (que, como é sabido, são especialistas neste tipo de operações), tem e deve ser amplamente denunciada.

 Foi mais um dos muitos crimes contra a Humanidade que os hediondos nazis instalados em Kiev não hesitam em cometer para satisfazer as suas ambições e o seu ódio a todos os que não pactuam com os seus nefandos comportamentos.

Para estes miseráveis e todos os que os apoiam, não há qualquer medida de decência e de humanidade que respeitem e são capazes de assassinar os seus próprios aliados, só para tentar obter mais uma das suas pírricas vitórias mediáticas.

Notável é também a pusilanimidade dos líderes europeus e da NATO, pois apesar de saberem muito bem os contornos do que sucedeu, nem sequer alvitraram a possibilidade de um inquérito mais aprofundado e consultas para equacionar a aplicação do artigo 5º – ao contrário do histerismo e gritaria mediática quando se colocou a hipótese de drones russos terem entrado na Polónia e na Roménia.

Não passam de uns execráveis hipócritas.

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Trump não é uma doença, é um sintoma

(Whale Project, in Estátua de Sal, 22/05/2026, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Miguel Sousa Tavares, versando, entre outros tópicos, a atuação de Trump na condução da política externa dos EUA, (ver aqui). Pelas ideias manifestadas e pela acutilância indiscutível, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 22/05/2026)


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Lá temos o nosso querido Miguel Sousa Tavares (MST) a personalizar a coisa como se Trump fosse uma anomalia e os Estados Unidos fossem muito bonzinhos e respeitadores dos outros povos, se não fosse o “louco”.

Trump é apenas mais pornográfico e, numa coisa, poderá o MST ter razão. Ele é efetivamente alguém de uma crueldade extrema. Talvez nenhum presidente estado-unidense tenha sido tão cruel e tenha mostrado tanto desrespeito pelas vidas humanas.

Mas não é “louco” sozinho. Há militares, juízes, procuradores a seguir as suas ordens.

A troco de quê, uma infame múmia de Nova Iorque aceitou julgar Maduro? Foi Trump quem redigiu a infame acusação lançada contra Raul Castro e que pretende ser o pretexto e justificação para uma invasão de Cuba?

Foi Trump que bombardeou escolas e hospitais no Irão? É Trump que pilota os barcos que destroem embarcações no Atlântico matando as tripulações? É Trump que está no ICE? Trump é fruto de uma sociedade que nunca foi melhor que isso.

E, traidores locais que entregam cidadãos sem passar pelos tribunais, também sempre os houve. Delcy Rodríguez é uma víbora em forma de mulher mas não inaugurou nada.

Corria o ano de 2001 quando os Estados Unidos e a Europa Ocidental condicionaram o apoio para a reconstrução da Servia e Montenegro, territórios arrasados por meses de bombardeamentos da NATO, à entrega de Milosevic nas masmorras de Haia. O homem foi preso, logo que foi derrotado nas eleições e foi levado da cela diretamente para o avião sem tribunal nenhum. Voltou à sua terra num caixão. O primeiro-ministro traidor que o vendeu foi abatido cerca de quatro meses depois da venda; bom seria que o fim da traidora venezuelana fosse o mesmo.

Trump é um porco mas nada do que faz é novo. Acreditará o MST que Obama estava a pensar na liberdade do povo líbio quando, juntamente com os vassalos europeus, destruiu a Líbia? E quem é que começou a armar os nazis ucranianos?

A diferença é que dantes os europeus, que acabavam a ter de gerir crises de refugiados provocados pelas guerras americanas à sua porta, eram enrabados com vaselina, agora é à bruta.

Trump diz claramente quem manda. Porque, ao contrário dos outros, Trump diz claramente ao que vem. Mas ele não é uma anomalia nem é o único culpado. É fruto de uma atuação de sempre. O bloqueio a Cuba dura desde que os cubanos acharam merecer mais que ser o casino e a casa de putas dos Estados Unidos.

Trump pode querer carregar no acelerador, ficar na história como o destruidor da revolução cubana mas nada disto começou com ele.

Trump não é uma doença, é um sintoma mais intenso de uma doença que os Estados Unidos sempre tiveram: a ansia de dominar o mundo e a nefasta doutrina do destino manifesto. Tudo o resto é conversa.

A Irlanda conhece as dores do medo

(João Gomes, in Facebook, 19/05/2026)


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A Irlanda olha para Gaza com uma memória que muitos preferem esquecer. Não se trata apenas de solidariedade ideológica, nem de um impulso romântico de apoio aos mais fracos. Trata-se de reconhecimento histórico. Os irlandeses sabem o que significa viver décadas sob pressão política, militar e psicológica de uma potência muito mais forte. Sabem o que é crescer entre muros invisíveis de medo, repressão, vigilância e humilhação. Sabem o que significa ver a própria identidade transformada num problema geopolítico.

Durante grande parte da sua história moderna, a Irlanda viveu sob o peso do domínio britânico. E mesmo depois da independência, a ferida permaneceu aberta na Irlanda do Norte: bairros militarizados, detenções sem julgamento, violência sectária, operações militares, atentados, medo constante. Londres justificava muitas dessas medidas em nome da segurança e do combate ao terrorismo. A população irlandesa, sobretudo a católica no Norte, ouvia repetidamente que as restrições às suas liberdades eram necessárias para garantir estabilidade.

É precisamente por conhecer esse discurso que muitos irlandeses olham hoje para os palestinianos com inquietação moral. Reconhecem padrões familiares: ocupação prolongada, controlo de território, postos de controlo, punições colectivas, deslocamentos forçados, linguagem securitária usada para justificar sofrimento humano contínuo. Não significa ignorar os ataques terroristas do Hamas nem negar o direito de Israel à segurança. Significa apenas compreender que o medo não pode servir eternamente como licença para a desumanização.

Talvez por isso a Irlanda tenha assumido, nos últimos anos, uma posição mais incómoda dentro da Europa. Uma posição que muitos governos europeus evitam adoptar por cálculo político, interesses estratégicos ou receio diplomático. Dublin tem insistido na necessidade de respeitar o direito internacional, condenando excessos militares e defendendo o reconhecimento efectivo dos direitos palestinianos. E isso irrita sectores que preferem uma Europa silenciosa ou cuidadosamente ambígua.

O problema é que a Europa fala constantemente de “ordem internacional baseada em regras”, mas parece aplicar essas regras de forma selectiva. Quando se trata de Israel, as grandes potências europeias recuam, hesitam ou escondem-se atrás de fórmulas diplomáticas vazias.

A Alemanha, marcada pelo peso histórico do Holocausto, transformou muitas vezes o apoio ao Estado israelita numa espécie de dogma político quase intocável. Mas a memória do horror nazi não deveria impedir a crítica legítima a decisões políticas e militares contemporâneas. Pelo contrário: deveria tornar a defesa do direito internacional ainda mais intransigente.

O Reino Unido continua preso à sua relação estratégica com Washington e à lógica tradicional da sua política externa no Médio Oriente. Há uma ironia nisto tudo: o país que durante décadas combateu violentamente movimentos irlandeses em nome da segurança mostra hoje enorme complacência perante políticas que muitos observadores internacionais consideram incompatíveis com os princípios humanitários que o próprio Ocidente diz defender.

E a França, apesar da retórica humanista, oscila entre declarações de preocupação e prudência diplomática, evitando quase sempre medidas políticas concretas que possam exercer verdadeira pressão sobre Israel.

No fundo, a Europa exige ao mundo respeito pelas resoluções internacionais, mas revela uma estranha timidez quando chega o momento de exigir que Israel cumpra decisões das Nações Unidas, respeite os limites impostos pelo direito humanitário ou aceite mecanismos internacionais de responsabilização. Condena violações noutros continentes com firmeza moral, mas torna-se cautelosa quando o custo político aumenta.

Essa duplicidade destrói credibilidade. E destrói também a ideia de que os direitos humanos são universais.

A Irlanda, precisamente porque conhece as dores do medo, compreende algo essencial: nenhuma segurança construída sobre humilhação permanente produzirá paz duradoura. Povos que vivem sem horizonte político acabam por transmitir o desespero de geração em geração. Foi assim na Irlanda durante décadas. E é isso que muitos receiam hoje na Palestina.

Talvez seja por isso que a voz irlandesa incomoda tanto. Porque recorda à Europa aquilo que ela própria prefere esquecer: que a paz não nasce apenas da força militar, mas da coragem política para aplicar os mesmos princípios a todos – aliados incluídos.