Fecha as janelas, tranca o portão, esconde o ouro, Maria…

(Eduardo Maltez Silva, in Facebook, 02/08/2026, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

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Acabaram de aparecer na televisão e no TikTok imagens de milhares de pobres a correr em Ceuta — que, convém recordar, continua a ficar no continente africano.

Segundo a doutrina Chegana, é apenas uma questão de horas até atravessarem Espanha, passarem Badajoz, tomarem Elvas e chegarem a Santarém para se apoderarem dos nossos trabalhos sazonais a apanhar hortaliças, dos quartos sem contrato e dos salários abaixo do mínimo.

É uma logística admirável para pessoas que, segundo a mesma narrativa, são tão selvagens que nem GPS devem saber utilizar.

Entretanto, Marrocos continua “neutro”: compra armas a Israel, coopera com os seus serviços de informações, agradece a Trump o reconhecimento do Saara Ocidental e quase só falta inaugurar uma rotunda com o nome da Mossad.

Espanha, pelo contrário, reaproxima-se da Argélia, denuncia o que acontece em Gaza e consegue irritar, ao mesmo tempo, Rabat, Telavive e o trumpismo.

Isso é inadmissível…

Por uma coincidência com pontualidade suíça, dezenas de milhares de pessoas interpretam da mesma maneira uma decisão judicial espanhola, escolhem o mesmo destino, partem na mesma janela temporal e convergem de várias cidades marroquinas em carros, táxis e transportes coletivos.

Tudo espontâneo, evidentemente…

A polícia marroquina, presente no local com veículos, barreiras e meios antimotim, descobriu nesse dia os benefícios do mindfulness… respirou fundo, contemplou e, segundo alguns relatos, até indicou o caminho mais rápido para Ceuta.

Curiosamente, quando Rabat decidiu que o espetáculo já tinha duração suficiente, reapareceram os controlos, os reforços e a capacidade policial.

A fronteira que parecia impossível controlar voltou rapidamente a ser controlável… Já tinham produzido conteúdo suficiente para os tik toks.

Se isto fosse uma operação híbrida, provavelmente seria exatamente assim — com a CIA a jurar que estava apenas a apanhar praia em Rabat, a Mossad a garantir que tinha ido passar o fim de semana a Casablanca e toda a gente muito surpreendida por o caos ter beneficiado precisamente quem tinha interesse em o provocar.

Produzido o filme, entram os figurantes habituais. Porque o circo não se faz só de malabaristas; também precisa de palhaços.

Trump grita “invasão”. A extrema-direita europeia carrega no TikTok.O gabinete do Ventura fica desarrumado. O Ventura berra. Os algoritmos repetem as imagens.

E governos assustados reforçam fronteiras contra pessoas que nem sequer saíram de África. Portugal, naturalmente, também reforça a fronteira com Espanha. Nunca se sabe quando uma pessoa retida em Ceuta, sem passagem livre para a Península, decide atravessar espontaneamente 800 quilómetros e aparecer em Vilar Formoso.

Multidões, corpos na água, militares, confrontos e a palavra INVASÃO escrita em letras suficientemente grandes para dispensar qualquer explicação.

Rabat pressiona Espanha. Israel castiga politicamente quem denuncia Gaza. Trump alimenta os seus populistas.

A extrema-direita recebe imagens novas. Meloni, no país por onde entram mais imigrantes clandestinos do que por Espanha, quer fechar as fronteiras. E os algoritmos fazem o resto.

Entretanto, dezenas de milhares regressam rapidamente a Marrocos. O perigo desaparece quase tão depressa como apareceu, mas o filme já está montado, legendado e distribuído.

No fim, uns são enganados para avançar. Outros são enganados para terem medo de quem avançou. E os verdadeiros beneficiários ficam confortavelmente sentados, a transformar desespero em imagens, imagens em medo e medo em votos.

Fecha bem a porta, Maria…

Quando os valores passam a medir-se em sangue

(Adriano Pires, in Facebook, 15/07/2026)


As palavras de Emmanuel Macron, proferidas em França no Dia da Bastilha, merecem ser refletidas com serenidade, precisamente por terem sido pronunciadas por um Presidente da República, Comandante Supremo das Forças Armadas de uma potência nuclear e um dos protagonistas principais da política europeia, partindo do pressuposto de que estava plenamente consciente do alcance das suas declarações.

Afirmar que a Europa está preparada para defender a liberdade, o Estado de Direito e os seus valores «mesmo que seja necessário derramar sangue» levanta uma questão de natureza ética e política: até que ponto a defesa dos valores democráticos pode assentar numa retórica que normaliza a guerra e o derramamento de sangue como instrumentos privilegiados da ação política?

A História da Europa deveria aconselhar maior prudência. O continente conheceu duas guerras mundiais, dezenas de milhões de mortos e uma devastação sem precedentes. Dificilmente se poderá acreditar que os franceses guardem saudades da humilhação sofrida durante a Segunda Guerra Mundial.

Aliás, foi precisamente desse trauma que nasceu o projeto europeu, concebido para substituir a lógica da força pela força do direito, da diplomacia e da cooperação entre os povos.

É, por isso, paradoxal que a Europa, criada como um projeto de paz, passe hoje a construir uma parte significativa da sua identidade política em torno do rearmamento, do aumento contínuo das despesas militares e da preparação psicológica das populações para a eventualidade de novos conflitos.

Não se trata de negar o direito dos Estados à legítima defesa, nem de ignorar as ameaças existentes. Trata-se, isso sim, de questionar se uma liderança política deve privilegiar uma linguagem que parece colocar a guerra no centro da estratégia europeia, alimentando o receio entre os cidadãos, em vez de insistir na negociação, na diplomacia e na prevenção dos conflitos.

Ao apresentar a Ucrânia como uma «lição espetacular» para a Europa, Macron parece esquecer que essa «lição» representa igualmente centenas de milhares de mortos e feridos, milhões de refugiados, cidades destruídas e uma geração inteira marcada pela violência. Uma guerra nunca deveria constituir um modelo inspirador, mas antes um fracasso coletivo da política internacional.

Também merece reflexão a insistência no aumento dos orçamentos militares. A segurança de uma nação não depende exclusivamente do número de tanques, mísseis ou aviões de combate. Depende igualmente da sua coesão social, da solidez das suas instituições, da qualidade da educação, da estabilidade económica e da sua capacidade diplomática. Uma Europa verdadeiramente forte não se mede apenas pelo poder das armas, mas também pela autoridade moral das suas decisões.

Existe ainda uma evidente contradição. Enquanto os líderes europeus afirmam defender a paz, o discurso público vai sendo progressivamente dominado por conceitos de confronto, preparação militar e inevitabilidade da guerra. Não será, porventura, alheia a este tipo de discurso a reduzida popularidade de Emmanuel Macron em França e a deterioração da imagem da França em muitas das antigas colónias francesas em África.

A paz e a cooperação deixam de surgir como prioridades políticas para passarem a ser apresentadas como consequência da força armada.

Ora, quando a paz passa a depender apenas da capacidade de fazer a guerra, corre-se o risco de transformar o conflito numa profecia autorrealizável.

As democracias distinguem-se precisamente por atribuírem à vida humana um valor absoluto. Por isso, qualquer referência ao derramamento de sangue deveria ser acompanhada da mesma determinação em evitar que esse sangue venha a ser derramado.

 Quando um líder político recorre com aparente naturalidade a este tipo de linguagem, é legítimo questionar o sentido, a prudência e a responsabilidade política das suas palavras.

A verdadeira grandeza da Europa nunca residirá na sua capacidade para mobilizar exércitos, mas na sua capacidade para evitar guerras.

Defender os valores europeus significa, antes de mais, defender uma civilização que aprendeu, à custa de um sofrimento incomensurável, que nenhuma vitória militar compensa plenamente a derrota da paz.

Tenho dito.

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Retrato a preto e branco da “terra da liberdade”

(In Facebook de Manuel Barreira, 14/07/2026, Revisão da Estátua)


A resposta de um cidadão australiano às baboseiras de Trump sobre a “NATO não estar ao lado da América” ​​é perfeita, letal e uma descrição do modo de vida cruel de milhões de americanos. Mas claro, como diz o Albarda-mos: “eles estarem a defenderem os nossos valores“… 🙂

Estátua de Sal, 15/07/2026


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Ó meu, tu governas um país com 600.000 pessoas sem-abrigo que estão a dormir nas ruas esta noite. Um país onde 40% dos adultos não conseguem pagar uma emergência de 400 dólares, sem pedir dinheiro emprestado.

Um país onde a insulina custa mais do que a prestação de um carro e por isso as pessoas têm que a racionar para sobreviver.

Um país onde as dívidas médicas são a principal causa do número elevado de falências pessoais.

Um país onde muitas mulheres morrem, nos parques de estacionamento dos hospitais, porque os médicos têm muito medo das leis sobre o aborto, evitando tratar um aborto espontâneo.

Tu prendes mais cidadãos do teu próprio país do que qualquer nação da Terra. Mais do que a China. Mais do que a Rússia. Mais do que a Coreia do Norte. A ‘terra da liberdade‘ tem 2 milhões de pessoas atrás das grades sendo que, um quarto das mesmas, nem sequer foi condenado por nada. São simplesmente demasiado pobres para pagar a fiança que lhes é exigida.

A vossa esperança de vida está a regredir. Vocês são a única nação desenvolvida onde isso está a acontecer. A taxa de mortalidade infantil também está a diminuir e é pior do que a de Cuba. As vossas crianças fazem simulações de ataques a tiro, entre as aulas de matemática e de inglês, enquanto tu vendes ações de fabricantes de armas aos teus amigalhaços.

O vosso salário mínimo não varia há 15 anos. Há professores a trabalhar em dois empregos e veteranos a dormir debaixo das pontes, mas acabaste de gastar um trilião de dólares para arrasar um país que não te atacou.

Um país onde um insurrecionista condenado pela justiça, declarado culpado de violação, protetor de pedófilos e que se envolve com estrelas porno, lidera a campanha de guerra mais caótica e desastrosa desde que os talibãs te agradeceram muito por perderes de novo.

E és tu que ainda dizes que a Gronelândia é mal administrada?!

A Gronelândia tem saúde pública universal. Educação gratuita. Uma das taxas de encarceramento mais baixas do mundo. E ninguém vai à falência na Gronelândia por ficar doente.

Ninguém morre numa sala de espera porque o plano de saúde lhe negou o atendimento.

A NATO não estava lá quando precisávamos deles’ – dizes tu. Mas quando é que exatamente aconteceu isso, campeão? No 11 de setembro? Sim, porque aí a NATO invocou o Artigo 5º pela primeira e única vez na história, POR Vós. Soldados de dezenas de países foram mobilizados, lutaram, sangraram e morreram no Afeganistão POR Vós. A Austrália nem fazia parte da NATO e nós comparecemos mesmo assim.

E tu, desta vez, recolheste às duas da manhã sem dizer nada a ninguém e deixaste-os a lidar com a asneirada.

Por isso, talvez antes de começares a dizer que os outros países são mal geridos, devesses olhar para o teu próprio quintal, seu vendedor de revestimentos de alumínio com bronzeado de spray. A única coisa mal gerida nesta imagem é a puta da tua boca.