Netanyahu toca, Trump dança e o Ocidente desaba

(Por José Goulão, in AbrilAbril, 25/04/2026, revisão da Estátua)


Ansioso por declarar vitória numa guerra que se apressou a dar como concluída com a entrada em vigor do cessar-fogo, Trump recebeu estas condições iranianas de ânimo leve, se calhar nem as leu.


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Como seria de esperar, o cessar-fogo na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão não passa de uma miragem. Apesar do ruído provocado por supostas cedências do Irão aos inimigos agressores e por enxurradas de declarações e as suas contrárias produzidas pelo transtornado Donald Trump, desmontar esta confusão levantada para consumo mediático é, afinal, muito simples. Washington está a tentar recompôr-se do fracasso de todos os objectivos políticos e militares da guerra, de modo a poder voltar a atacar; ou então busca uma saída airosa que, em termos de propaganda, possa transformar a derrota em vitória. Como, por exemplo, as tropas imperiais atlantistas fizeram no Afeganistão.

A mais recente decisão do presidente norte-americano (a prorrogação unilateral do cessar-fogo) não introduz qualquer alteração no status quo. É, afinal, uma declaração de derrota, disfarçada através de um gesto de suposta boa vontade que traz a contradição dentro dele. Para haver um autêntico cessar-fogo é necessário que os Estados Unidos abandonem a estratégia de bloqueio contra os portos iranianos, que o Irão considera um acto de guerra e desrespeita a cessação de hostilidades declarada há cerca de 20 dias. Mais uma canhestra jogada de propagada à medida da imbecilidade do seu autor, uma vez que a intenção de manter as tentativas de bloqueio persiste. Não deixemos, porém, de interpretar o gesto unilateral como uma manifestação norte-americana de pouca vontade para combater, como quem busca uma maneira de declarar vitória no meio do imbróglio a que aderiu por pressão sionista.

Por muitas estratégias vencedoras que o presidente dos Estados Unidos deseje exibir-nos, desmultiplicando-se em mentiras e contradições, no fim tudo se resume a uma única linha de conduta: Trump dança a música que Netanyahu toca.

No que diz respeito a esta nova fase da guerra contra o Irão isso acontece, pelo menos, desde a primeira quinzena de Fevereiro último. No dia 11 desse mês, o chefe do regime sionista fez uma extensa apresentação na Sala da Situação na Casa Branca – onde raramente têm assento estadistas estrangeiros – perante Trump e um núcleo restrito dos seus assessores.

Os pressupostos para uma bem-sucedida agressão contra o Irão apresentados por Benjamin Netanyahu, com toda a convicção, partiram dos princípios de que Teerão estaria maduro para uma mudança de regime; a vitória numa acção militar seria quase certa; o programa iraniano de mísseis balísticos poderia ser destruído em poucas semanas; o poder “dos ayatollahs” estaria tão enfraquecido que seria incapaz de bloquear o Estreito de Ormuz; o aparelho militar iraniano não tinha capacidade para atacar os aliados dos Estados Unidos e de Israel no Golfo. Além disso, apoiado em pareceres seguros do Mossad, o chefe sionista garantiu que, logo aos primeiros bombardeamentos, as populações agredidas iriam sublevar-se contra o regime, promovendo tumultos e rebeliões; e que os curdos do Iraque não hesitariam em invadir território iraniano, dispensando os militares norte-americanos de «pôr os pés em terra», e assim acelerariam a queda do regime. 

Netanyahu apresentou também uma lista dos dirigentes seculares que poderiam encabeçar um novo regime iraniano, nomeadamente Reza Palhevi, o herdeiro do antigo Xá, residente nos Estados Unidos, que assim iria repôr a monarquia fiel a Washington.

«Parece óptimo», declarou Trump aos presentes quando Netanyahu acabou a exposição. Pelo menos é o que revela o relato da reunião publicado pelo New York Times.

Nem todos os assessores emitiram pareceres tão optimistas. Por exemplo, o general Dan Caine, chefe das Forças Armadas, expressou reservas em relação ao plano mas declarou, desde logo, que se submeteria à vontade presencial. «Os israelitas precisam de nós, por isso sabem ser muito persuasivos», atreveu-se a dizer o general, mas o presidente estava surdo aos pareceres dos assessores. O vice-presidente Vance, que viajava pelo estrangeiro, expressou depois uma posição idêntica, como quem adverte «não digam que não vos avisei», mas também não foi escutado.

De acordo com dados publicados pela mais destacada comunicação social norte-americana, ainda não confirmados por via oficial, as reservas do general Caine acabaram por ser parcialmente úteis em fase posterior, ao dissuadirem o presidente de usar uma bomba nuclear contra o Irão. A par do principal chefe militar, todos os outros assessores presidenciais directos, com excepção do psicopata Peter Hegseth, ministro da Guerra, manifestaram idêntica opinião em relação à intenção presidencial, qualificando-a como uma tragédia suicida sem retorno e, potencialmente, de âmbito global. Trump não premiu o botão mas nada nos garante, na convulsão dos seus distúrbios mentais, que a ideia tenha sido posta de lado.

No dia seguinte ao da reunião na Sala da Situação, em 12 de Fevereiro, oficiais norte-americanos de inteligência “especialistas em Irão” apresentaram a Trump um relatório simples, na esperança de que este compreendesse o essencial. O documento dividia-se em quatro cenários de análise quanto aos possíveis resultados de uma eventual operação militar baseada nos pressupostos de Netanyahu: “Decapitação” do regime com o assassínio do chefe religioso Ali Khamenei; a fraqueza do Irão para conseguir atacar países árabes do Golfo; as eventuais revoltas populares contra o aparelho de poder que explodiriam logo aos primeiros bombardeamentos; e a mudança de regime para um outro de características seculares.

De acordo com a opinião dos analistas, os dois primeiros pontos eram exequíveis; os dois últimos, incluindo o papel dos curdos numa invasão terrestre, significavam que o chefe sionista “estava desligado da realidade”. 

Não se sabe se Trump passou os olhos pelo relatório dos peritos de inteligência, mas a sua decisão, alinhada com a vontade de Netanyahu, estava tomada desde a véspera.

Ao cabo de 40 dias de ataques cerrados e destrutivos dos Estados Unidos e Israel contra o território e o povo iranianos, privilegiando infraestruturas e comunidades de civis, e das respectivas respostas de Teerão, que provocaram sérias devastações de estruturas em nove países árabes do Golfo e em Israel, verifica-se que Trump e Netanyahu não atingiram nenhum dos objectivos delineados na reunião de 11 de Fevereiro.

De facto, os bombardeamentos não geraram tumultos e levantamentos, mas sim impressionantes manifestações de apoio à República Islâmica; o programa de mísseis balísticos continua activo e não tem poupado alvos estratégicos dos agressores; a vitória militar das forças imperial-sionistas continua distante; e as forças militares do regime de Teerão, afinal, tinham capacidade para bloquear o Estreito de Ormuz e atingir, provocando danos enormes, tanto os países árabes do Golfo como Israel.

Houve apenas a tal excepção que confirma a regra: o ayatollah Khamenei foi assassinado, mas a sua substituição pelo filho mais velho ocorreu logo de seguida, o que reforçou a solidez do regime, embora Trump queira fazer crer o contrário.

Dezenas de milhares de pessoas morreram nesta guerra, sobretudo iranianos, até à declaração de um cessar-fogo pelo qual os Estados Unidos afinal já ansiavam, porque a brutalidade criminosa dos ataques não conseguiu vergar o Irão. Pelo contrário, as bases militares norte-americanas e respectivos radares de milhares de milhões de dólares, instaladas nos países do Golfo, ficaram impraticáveis devido às saraivadas de mísseis balísticos e aos enxames de drones lançados pelo Irão. Por causa disso, a vida nos países do Golfo degradou-se a níveis que forçaram os mais poderosos a fugir nos seus jactos privados. Quanto a arsenais e munições disponíveis, consta que o Irão está em melhores condições de prosseguir uma guerra de desgaste, se a isso for obrigado; enquanto as carências e as limitações de armamento dos Estados Unidos, depois de anos de franca generosidade com a Ucrânia, Israel e países da NATO “ameaçados”, estão a refrear o voluntarismo militarista imperial-sionista. Uma realidade que se percebe pela declaração unilateral de prorrogação do cessar-fogo por tempo indeterminado

Uma declaração de vitória

Um dos mais significativos exemplos do fracasso dos pressupostos em que se baseou a agressão ilegal contra o Irão foi o que dava como certa a incapacidade de Teerão para bloquear o Estreito de Ormuz. O Irão não apenas concretizou o bloqueio, como o interrompeu num gesto de boa vontade para dar força ao processo negocial lançado no Paquistão; mas logo o restabeleceu, sem demora, na sequência de sucessivos delírios de Trump, principalmente quando garantiu que a República Islâmica cedera nas suas exigências para fazer a vontade aos Estados Unidos, a Israel e “à paz”.

Teerão definiu as condições para o movimento de navios, em especial petroleiros, através do Estreito de Ormuz: a passagem será exclusiva para navios comerciais – nunca de guerra – e desde que não tenham ligação «a países hostis»; a rota será estabelecida pelo Irão e a deslocação terá de processar-se sob a coordenação de forças iranianas.

Além disso, as autoridades de Teerão recusaram-se a participar numa segunda ronda de negociações no Paquistão porque os Estados Unidos mantêm a obsessão de bloquear portos iranianos, acto que o Irão considera uma violação do cessar-fogo.

Oásis artificiais sem viço

Trump envolveu-se no cessar-fogo, como um náufrago que se agarra a destroços de um navio, porque os objectivos da guerra estão a fracassar, um após o outro, devido ao facto de a capacidade de resistência e de resposta iraniana superar, em muito, as elucubrações do sionismo. A paragem temporária da agressão foi também do interesse de Israel, e não apenas por estar a sofrer as consequências – as mais graves de sempre – dos seus actos terroristas, o que evidencia, finalmente, que a impunidade tem limites.

A suspensão do envolvimento na frente iraniana permitiu a Israel investir com maiores capacidades na guerra permanente contra o Líbano. Segundo o Irão, e também os mediadores paquistaneses, o cessar-fogo era extensivo ao território libanês, mas o sionismo comportou-se como sempre e ignorou toda e qualquer decisão que tenha a ver com o pequeno país, reclamado pelos chefes do “povo eleito” como parte do ambicionado Grande Israel.

O Hezbollah, porém, continua a não estar de acordo com os anseios dos terroristas que governam Israel e responde-lhes à letra, contando com a solidariedade iraniana. O que acontece com bastante eficácia, e nem poupa, sequer, a cidade de Telavive, apesar de o governo colaboracionista de Beirute insistir na exigência de desarmar o grupo islâmico – por sinal o único que defende o país, porque ao exército regular libanês falta, desde sempre, coragem, patriotismo e vontade para se opôr aos agressores.

Outro factor determinante que forçou Trump a aceitar o cessar-fogo com ambas as mãos foi a pressão exercida pelos aliados do Golfo, que estão a contas com uma factura tão pesada que pode transformar-se em existencial.

Catar, Emirados Árabes Unidos – sobretudo o Dubai – Bahrein, Koweit, a própria Arábia Saudita tornaram-se alvos legítimos do Irão por albergarem bases militares norte-americanas usadas como áreas de agressão. E uma vez que os próprios países do Golfo se tornaram participantes directos na guerra, Teerão trata-os da mesma maneira que aos Estados Unidos e Israel. Por consequência, grandes áreas de produção e refinação de petróleo e gás natural desses territórios, sobretudo do Catar, sofreram danos que reduzem quase a zero as capacidades de exportação de tais produtos estratégicos, sendo que o remanescente não pode passar pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. 

Ora os paraísos artificiais do Golfo, ditaduras que alimentam as suas megalomanias com as exportações de combustíveis fósseis, necessitam de importar quase tudo o que lhes permita fazer funcionar o dia-a-dia e sustentar a insultuosa ostentação, que afinal tem alicerces de areias movediças. Agora, ao cabo de mês e meio de guerra, as ditaduras “nossas aliadas” da Península Arábica deixaram de exportar petróleo e gás e as imensas receitas da afluência de turismo endinheirado caíram para zero. Esses países não conseguem importar alimentos e outros bens essenciais de consumo; além disso, os bombardeamentos iranianos poderão deixá-los sem energia e água potável, produzida em sistemas de dessalinização que se tornaram alvos das operações iranianas.

Em pouco tempo, no caso de a guerra continuar, esses oásis artificiais que jorravam dinheiro e combustíveis para quase todo o mundo transformar-se-ão no inferno dos desertos que sempre foram – sem ar condicionado, água e alimentos quando o tórrido Verão se aproxima. O êxodo das classes possidentes e das próprias famílias reais em jactos privados testemunha o pânico que já começou a atingir esses territórios. Cheiks, emires, reis e os parasitas que deles se alimentam podem agradecer a situação aos amigos e aliados Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Aí está o efeito de boomerang

O Irão fez acompanhar o processo de cessar-fogo e o início das efémeras “negociações de paz” no Paquistão por um conjunto de dez exigências cuja aceitação é considerada essencial para que possa chegar-se a um acordo entre agredido e agressores.

Entre esses pontos estão a eliminação de todas as sanções económicas primárias e secundárias; o compromisso norte-americano e israelita de que não voltarão a atacar o Irão; o direito de Teerão a manter o programa de enriquecimento de urânio para fins civis; a aceitação do controlo da navegação no Estreito de Ormuz pelo Irão e Omã; a revogação de todas as resoluções e decisões do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atómica contra o Irão; a libertação de todos os activos iranianos congelados nos bancos ocidentais; e a proibição  de ataques dos Estados Unidos, de Israel e outros países do Médio Oriente contra os aliados do Irão.

Ansioso por declarar vitória numa guerra que se apressou a dar como concluída com a entrada em vigor do cessar-fogo, Trump recebeu estas condições iranianas de ânimo leve, se calhar nem as leu. Só assim se percebe a inicial disponibilidade do presidente dos Estados Unidos para aceitar os termos iranianos.

O conteúdo do documento iraniano, ponto por ponto, é a posição de um vencedor; ou, pelo menos, representa a confiança e a capacidade de quem continua pronto a responder a novas ofensivas que os Estados Unidos e Israel realizem. 

Num gesto de boa vontade a seguir à primeira reunião de negociações em Islamabad, o Irão decidiu desbloquear o Estreito de Ormuz, desde que os Estados Unidos levantassem o assédio aos movimentos de navios de e para os portos iranianos.

Como era de esperar, o caldo entornou-se de imediato e o Irão decidiu não comparecer à segunda reunião de negociações. Os Estados Unidos não só não levantaram as ameaças contra os portos iranianos como regressaram às atitudes de mentira e hostilidade em relação a todas as posições de Teerão.

Afinal, declarou Trump, era o Irão que aceitava as condições de “paz” norte-americanas. «O Irão concordou com tudo e trabalhará com os Estados Unidos para remover todo o seu urânio enriquecido», declarou Trump. Esse processo decorrerá sem utilização de tropas terrestres, segundo o presidente norte-americano. «Iremos descer e tomar conta do urânio enriquecido, com a ajuda da parte iraniana, e trazê-lo para os Estados Unidos», acrescentou Trump. «Óptimo, não é? Até lá teremos um acordo, e não haverá necessidade de combater quando existe um acordo. Assim é melhor; podíamos fazê-lo de outra maneira se fosse preciso», ameaçou.

O Irão, seguindo a ordem natural das coisas, voltou a fechar o Estreito de Ormuz; e o Ocidente que se prepare para as nefastas consequências: uma imensa e profunda crise económica e social gerada pela irresponsabilidade e o expansionismo imperial-sionista de Trump e Netanyahu.

O bloqueio do Estreito de Ormuz e os graves danos já provocados pela guerra nos maiores centros industriais de gás natural do Golfo, sobretudo no Catar e em numerosas instalações petrolíferas, tornarão cada vez mais difícil o abastecimento do Ocidente. As perturbações na indústria do gás natural liquefeito prejudicam também o aproveitamento de subprodutos como o hélio, a ureia e amónia. O primeiro é fundamental em áreas tecnológicas de ponta, como a produção de semicondutores utilizados em todos os artefactos electrónicos de maior consumo, incluindo os mais essenciais meios de diagnóstico na saúde. Ureia e amónia são indispensáveis para a produção de fertilizantes: a carência destes produtos terá efeitos trágicos nas necessidades e nos preços dos alimentos em vastas regiões do planeta.

Os Estados Unidos e Israel estão a perceber que o Irão não é o Iraque, a Líbia, o Afeganistão, ou mesmo a Síria de Assad. O Irão, por sinal o único país do mundo que está activamente solidário com o povo palestiniano – tem os seus trunfos e já demonstrou que poderá jogá-los e atingir os pontos fracos dos agressores. E também de outros países que, por cobardia ou cumplicidade, não tentam travá-los com os meios que o Direito Internacional – que ainda existe, sabiam? – coloca ao seu dispôr, assim eles o queiram.

Enquanto isso, as rotas de navegação estão bloqueadas entre os Estreitos de Bab el Mandeb – sob vigilância dos iemenitas aliados de Teerão – e de Ormuz, isolando o Golfo do Mar Vermelho e respectivo acesso ao Canal de Suez. Os navios comerciais seguem longas e dispendiosas rotas contornando África, até porque os prémios dos seguros por riscos de guerra subiram em flecha, para níveis incomportáveis.

Tudo isso se reflectirá nos nossos bolsos, agravando a miséria social, moral e económica do Ocidente, entregue a dirigentes medíocres, cobardes, sem humanismo, dignidade e coluna vertebral; uma casta apodrecida propícia a que dela emerjam aberrações intrinsecamente malévolas e sem limites como Donald Trump e Benjamin Netanyahu. 

Israel controla o Pentágono – Trump, “furioso”, nega

(Por Kevin Barrett, in Substack.com, 24/04/2026, Trad. Estátua)


Assim que o meu novo artigo para a American Free Press estava a ir para a gráfica, Donald Trump negou histericamente que Israel o “convenceu a entrar em guerra com o Irão”. Claro, Don. Eles não te convenceram. Eles ordenaram-te que o fizesses. – Kevin Barret


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Logo após assumir o cargo em 1961, o então presidente John F. Kennedy aprovou a invasão de Cuba. O subsequente desastre da Baía dos Porcos, durante o qual quase todas as forças americanas envolvidas foram mortas ou capturadas, ainda é considerado uma das piores derrotas militares dos Estados Unidos.

Após o desastre, Kennedy ordenou a construção da Sala de Situação da Casa Branca, um complexo de inteligência e comunicações seguro, com 465 metros quadrados, que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, no subsolo da Ala Oeste. Dedicada à gestão de crises e a reuniões de alto nível sobre segurança nacional, ela permite que o presidente monitorize eventos com segurança, comunique com líderes mundiais e comande as forças americanas em todo o mundo.

Em 11 de fevereiro de 2026, às 11h, o presidente Donald J. Trump convocou os seus principais assessores para a Sala de Situação. Essa reunião resultou na fatídica decisão de atacar o Irão.

Mas a decisão não foi tomada por Trump, nem por nenhum dos seus assessores americanos. Segundo o relato do New York Times, baseado em fontes internas presentes, o chefe na Sala de Situação da Casa Branca naquele dia não era outro, senão, o Primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

“O Sr. Trump sentou-se, mas não na sua posição habitual, na cabeceira da mesa de mogno de conferência da sala. Em vez disso, o presidente sentou-se de um lado, de frente para os grandes écrans instalados ao longo da parede. O Sr. Netanyahu sentou-se do outro lado, diretamente em frente ao presidente. No écran atrás do Primeiro-ministro, apareciam David Barnea, diretor do Mossad, a agência de inteligência estrangeira de Israel, bem como oficiais militares israelitas. Dispostos visualmente atrás do Sr. Netanyahu, eles criavam a imagem de um líder em tempo de guerra cercado pela sua equipa.”

Netanyahu fez um discurso agressivo exigindo que os EUA atacassem o Irão. Ele afirmou, de forma absurda, que os iranianos adorariam ser atacados pelos EUA. Ainda mais bizarro, Netanyahu insistiu que o filho do deposto Xá, fantoche dos EUA — que na realidade é desprezado por praticamente todos os iranianos — seria aclamado como o novo líder do Irão, apoiado pelos EUA e aliado de Israel.

O discurso de Netanyahu estava completamente dissociado da realidade. Mas Trump sabe pouco sobre o Irão, e o pouco que sabe está errado, porque vem de Netanyahu. Aliás, Trump decidiu candidatar-se à presidência em 2016 principalmente porque os amigos bilionários de Netanyahu o incitaram contra o acordo nuclear de Obama com o Irão, prometendo-lhe financiamento generoso em troca de apoio à Iranofobia de Israel.

Em 11 de fevereiro de 2026, na Sala de Situação, Trump engoliu as patranhas Netanyahu sem questionar. O resultado – uma guerra imoral, impossível de vencer, economicamente e estrategicamente desastrosa, travada pelos EUA contra o Irão — pode entrar para a história como a pior decisão já tomada por um presidente americano… exceto que, na verdade, não foi tomada por um presidente americano, mas sim por um Primeiro-ministro israelita.

A Sala de Situação da Casa Branca não é a única instituição de segurança nacional americana dominada por Israel. Os israelitas aparentemente também têm carta branca no Pentágono. Tucker Carlson , que tem fontes de alto nível na administração Trump, disse ao economista Jeffrey Sachs que, durante a guerra dos 12 dias contra o Irão, em junho de 2025, “Pergunte a qualquer pessoa que trabalhou no Pentágono. Eles provocaram a fúria  da equipa americana do Pentágono invadindo reuniões, dando ordens, fazendo exigências, e ninguém fez nada contra isso.”

É extraordinário que um regime estrangeiro hostil, que atacou repetidamente os Estados Unidos (nomeadamente no Caso Lavon de 1954 no ataque ao USS Liberty em 1967 ) e é suspeito de assassinar uma longa lista de líderes americanos, incluindo os Kennedys Charlie Kirk — e que, segundo uma fonte da revista New Yorker , é considerado pela maioria dos assessores republicanos do Congresso como responsável pelos ataques de 11 de setembro — possa simplesmente entrar e assumir o controle do aparelho de segurança nacional americano. Há quanto tempo os israelitas desfrutam de tais privilégios?

Segundo o Coronel Lawrence Wilkerson , antigo braço direito de Colin Powell, o Mossad israelita assumiu o controlo do Pentágono após os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington. Wilkerson descreveu a situação após o 11 de setembro da seguinte forma:

 “Eu vi a Mossad assumir o controlo do Pentágono em 2002. O Pentágono estava infiltrado por eles. E eles não precisavam de nenhuma identificação para entrar no prédio pelo rio. Subiram até Douglas Feith, o Subsecretário de Defesa para Políticas, o terceiro homem mais poderoso do Departamento de Defesa. Ocasionalmente, iam até ao segundo homem mais poderoso, Paul Wolfowitz, o Secretário Adjunto de Defesa, e tinham livre acesso ao Pentágono. Donald Rumsfeld, o Secretário de Defesa, disse certa vez ao meu chefe: ‘Ora, eu não comando o meu prédio, quem comanda é a Mossad!’ E é inquestionável que o caso Epstein foi… ‘fortemente influenciado’ — digamos assim — pela Mossad.”

Será que o caso Epstein explica o acesso privilegiado de Netanyahu à Sala de Situação — e a sua usurpação dos poderes de declaração de guerra que a Constituição delega ao Congresso? Terão os israelitas chantageados tantos líderes americanos que praticamente controlam o Pentágono?

Ao que tudo indica, Washington, D.C. e Arlington, Virgínia, são territórios ocupados por Israel.

Fonte aqui

Um Hitler de duas cabeças

(Boaventura Sousa Santos, in A Viagem dos Argonautas, 20/04/2026)


No que é talvez o melhor livro sobre Hitler, Allan Bullock escreveu em Hitler: a study in tiranny que a filosofia do Hitler é filosofia de albergue dos sem abrigo, uma filosofia que ele aprendeu vivendo nesses albergues de Viena durante algum tempo. Claro que Bullock se esqueceu de pedir desculpa aos sem abrigo porque entre eles há mais de uma filosofia e há sobretudo filosofias contrárias à que ele identifica. Mas a que ele identifica não é menos verdadeira por isso. Tal como resultam de Mein Kampf e dos discursos e práticas posteriores de Hitler, os elementos principais de tal filosofia são os seguintes:

  1. A ideia de luta é tão antiga quanto a própria vida, pois a vida só se preserva porque outros seres vivos perecem através da luta. Nesta luta, os mais fortes, os mais capazes, vencem, enquanto os menos capazes, os fracos, perdem.
  2. Nesta luta, qualquer truque ou artimanha, por mais inescrupulosa que seja, o uso de qualquer arma ou oportunidade, por mais traiçoeira que seja, são permitidos.
  3. Qualquer objectivo que os humanos tenham alcançado deve-se à sua originalidade aliada à sua brutalidade.
  4. A astúcia é crucial: a capacidade de mentir, distorcer, enganar e bajular.
  5. A eliminação do sentimentalismo ou da lealdade em favor da crueldade. Estas foram as qualidades que permitiram aos humanos ascender. E, acima de tudo, a força de vontade.
  6. Nunca confiar em ninguém, nunca se comprometer com ninguém, nunca admitir qualquer lealdade.
  7. A falta de escrúpulos deve surpreender até mesmo aqueles que se orgulham da sua falta de escrúpulos.
  8. Mentir com convicção e dissimular com franqueza.
  9. A desconfiança deve ser acompanhada de desprezo.
  10. As pessoas são movidas pelo medo, pela ganância, pela sede de poder, pela inveja, frequentemente por motivos mesquinhos e insignificantes. A política é a arte de saber como usar essas fraquezas para os fins próprios.
  11. Desprezar as massas: as massas existem para ser manipuladas pelo político capaz.
  12. Os democratas, particularmente os social-democratas, envenenam a mente popular e exploram cinicamente o sofrimento das massas para os seus próprios fins. Os agentes deste envenenamento são os judeus.

A história não se repete e o Hitler morreu. Mas a sua filosofia está presente em dois políticos que dominam a actualidade política internacional. Esses políticos são Benjamin Netanyahu e Donald Trump. Está presente de modos diferentes e por isso é que o Hitler de hoje tem duas cabeças. Netanyahu é a cabeça do horror da guerra, enquanto Trump é a cabeça do horror da paz. Dir-se-á que não faz sentido falar de equivalência a Hitler porque o núcleo central da filosofia dele era o anti-semitismo e os “Hitlers” de hoje, um é judeu sionista e o outro está incondicionalmente ao seu lado. A relação entre o sionismo e o judaísmo é muito complexa. Dada a intoxicação da opinião pública que impera sobre este tema e o cancelamento severo das vozes dissidentes, não é fácil abordar esta questão. Daí que abordá-la seja muito importante para a sobrevivência do pensamento crítico a que, aliás, o judaísmo europeu está intimamente ligado e a quem os intelectuais críticos tanto devem.

            Sionismo e judaísmo

O historiador Yakov Rabkin sumaria assim as contradições entre sionismo e judaísmo:

O sionismo foi, no seu início, um movimento marginal. A oposição à ideia sionista manifestava-se tanto a nível espiritual e religioso como a nível social e político. A maioria dos judeus praticantes, tanto ortodoxos como reformistas, rejeitava o sionismo, referindo-se a ele como um projecto e uma ideologia que entrava em conflito com os valores do judaísmo. Os judeus que aderiram a vários movimentos socialistas e revolucionários viam o sionismo como um ataque à igualdade e como uma tentativa de desviar as massas judaicas da busca pela mudança social. Por fim, aqueles que, graças à Emancipação, se tinham integrado na sociedade em geral e se tinham tornado liberais convictos estavam convencidos de que o sionismo era, tão gravemente quanto o anti-semitismo, uma ameaça ao seu futuro. O nacionalismo judeu foi, assim, rejeitado porque era visto como um perigo não só para o judaísmo, mas também para o estatuto social e os valores políticos dos judeus emancipados (What is Modern Israel? Londres: Pluto Press, 2016, p.122).

Eis mais em detalhe algumas das razões que têm oposto judeus e não judeus ao sionismo[i]. O sionismo é uma forma de nacionalismo que contraria a ideia da diáspora. O fundador do sionismo, Theodor Herzl, considerava que, ao pretenderem a expulsão ou emigração dos judeus, os anti-semitas eram os mais fiéis amigos e aliados do sionismo. O sionismo tem a sua raiz na experiência dos judeus da Europa Oriental, sobretudo depois dos pogroms da Rússia de 1881 que levaram à emigração dos judeus para o Ocidente, criando tensões entre os judeus orientais e os judeus ocidentais. O sionismo reforça a ideia de separação do povo judaico, quando este sempre lutou por integração nas sociedades onde vivia com autonomia para poder praticar livremente a sua religião, já que o judaísmo é uma religião e nada mais. O escritor e publicista judeu austríaco Karl Kraus considerava que a essência do sionismo era o anti-semitismo O sionismo serviu os interesses do imperialismo europeu (britânico) para controlar o acesso aos recursos naturais do Médio Oriente. O Estado de Israel foi pensado como uma colónia europeia de povoamento que garantisse acesso aos recursos naturais e à liberdade do comércio com o Oriente. No seu livro publicado em 1896 Der Judenstaat (O Estado judeu), Theodor Herzl afirma:

Supondo que Sua Majestade, o Sultão, nos concedesse a Palestina, poderíamos, em troca, encarregar-nos de administrar todas as finanças da Turquia. Formaríamos ali uma parte da muralha da Europa contra a Ásia, um posto avançado da civilização em oposição à barbárie. Como Estado neutro, manteríamos contacto com toda a Europa, que teria de garantir a nossa existência (The Jewish State, London, 1946: 30)

O sionismo foi promovido por anti-semitas, como Arthur Balfour, que queriam ver-se livres dos judeus da Europa. Em 1850, não haveria mais de 9700 judeus na Palestina. O sionismo judaico combina-se hoje com o sionismo cristão, que assenta nas ideias da supremacia racial e da extrema-direita, ideias contra as quais os judeus lutaram com grande tenacidade e sacrifício nos últimos cem anos. O sionismo cristão é uma forma disfarçada de anti-semitismo. O sionismo fundamentalista que domina hoje a política de Israel é o grande responsável pelo crescimento do anti-semitismo no mundo, inclusivamente pelo modo como critica os judeus anti-sionistas.  Todos estes argumentos fortalecem a posição de que que o sionismo, longe de servir a causa da religião judaica no mundo, pode significar, a prazo, um golpe duro contra ela.

         Benjamin Netanyahu, o horror da guerra

A lógica do extermínio preside à filosofia securitária e expansionista de Israel. A guerra contra o Islão é religiosa e, como tal, só pode terminar com a extinção ou rendição incondicional do mais fraco. O inimigo a abater tem de ser incessantemente inventado, da Palestina à Síria, do Irão ao Líbano. Acima de tudo, o inimigo não pode renascer das cinzas, daí que seja crucial assassinar mulheres e crianças. A paz é anátema. O expansionismo funda-se num elemento messiânico cujas origens se podem encontrar na obra de Moses Hess, Rome and Jerusalem (1862). É iminente a vitória da ideia judaica, o “Sabbath da história”, como ele a designa. Tem hoje ao seu serviço um novo instrumento messiânico, a inteligência artificial, a nova divindade tão irresponsável quanto os deuses, mesmo quando comete o escandaloso erro de confundir uma escola com um quartel militar, como aconteceu recentemente no Irão.

Tal como Hitler, Netanyahu tem pressa e é incapaz de parar. Tal como Hitler, inventa ou dramatiza agressões para justificar a continuidade da guerra e a tornar cada vez mais violenta. Um pouco de história ajuda a esclarecer.

Foi a pressa de Hitler que ditou o início da Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polónia. Militares e diplomatas manifestavam-se contra essa pressa. Göring avisava que a economia já estava a ser afectada pelo esforço exigido pela preparação da guerra. Para não falar dos ingleses de Chamberlain, que não tiveram outra estratégia senão as negociações de paz, Mussolini, parceiro do Eixo, enviou a Hitler em 30 de Maio de 1939 um memorandum secreto em que pedia o adiamento do início da guerra (se essa fosse a decisão) até ao fim de 1942. Hitler não respondeu e o seu silêncio foi interpretado por Mussolini como concordância. Mas, enquanto simulava ser a favor das negociações, Hitler exortava os seus comandantes em 22 de Agosto: “Fechem os vossos corações à piedade. Ajam brutalmente”.

Propunha um tratado de paz com a Polónia que não era mais que a total capitulação da Polónia. Celebrava um pacto de não agressão com o seu declarado “irreconciliável inimigo”, a União Soviética, apenas para ganhar tempo, já que o seu objectivo era conquistar Lebensraum (espaço vital) a Leste e, portanto, um pacto para violar logo que conveniente, ou seja, um ano depois. Definiu a invasão da Polónia como uma blitzkrieg, uma guerra para durar pouco tempo, e justificou-a com a invenção de uma suposta agressão polaca. Num acto de bandeira falsa, os S.S. atacaram a estação de rádio da pequena cidade alemã Gleiwitz, junto à fronteira polaca, vestiram criminosos alemães com as fardas militares polacas e mataram-nos de seguida. Estava encenada mais uma fatal agressão polaca. A 1 de Setembro, Hitler invadia a Polónia. Depois seguiram-se seis anos de carnificina que começou contra combatentes inimigos para terminar contra os milhões de civis inocentes vítimas do holocausto.

            Donald Trump: o horror da paz

Donald Trump é simultaneamente o aliado incondicional de Netanyahu e auto-proclamado anjo da paz. Só no segundo mandato Trump vangloria-se de ter promovido 10 tratados de paz ou cessar-fogos: entre Israel e o Líbano, entre Israel e o Hamas, entre a Arménia e Azerbaijão, entre a República Democrática do Congo e o Ruanda, entre a Índia e o Paquistão, entre Israel e o Irão, entre o Camboja e a Tailândia, entre a Sérvia e o Kosovo, entre o Egipto e a Etiópia. A realidade diz-nos que toda esta actividade em prol da paz tem sido um show de política-espectáculo. Não conseguiu quaisquer resultados permanentes e, no melhor dos casos, permitiu apenas tréguas temporárias. A Ásia Ocidental está a arder ou em escombros.

Mas o mais grave é que quando está em causa um de dois objectivos – o acesso a recursos naturais ou os interesses do seu aliado incondicional, Israel – as propostas de paz de Trump significam, tal como as de Hitler, a capitulação da “outra parte”, o eufemismo para designar o “inimigo irreconciliável”. Em vez de proposta de paz, há o ultimato.

Irão é posto perante a opção entre ser expropriado ou ser destruído. A expropriação inclui não só petróleo, mas os 440 kg de urânio enriquecido a 60%, enquanto a destruição inclui o desaparecimento de uma civilização de 6000 anos. Isto não é uma proposta de paz, é uma provocação ou uma imposição de rendição. Sabemos que os EUA têm uma experiência histórica de destruir civilizações pois foi assim que nasceram. Mas como a história não se repete e por vezes tem uma astúcia cruel, é possível imaginar que quem nasce, destruindo civilizações também pode morrer, destruindo civilizações. De todo o modo, a paz que é proposta é,  a “paz forte” de que fala Netanyahu nos seus escritos,[ii] que não é mais do que a paz do mais forte, a paz do fait accompli. Trata-se, pois, de uma paz violenta. Uma paz horrorosa ao serviço de uma guerra horrorosa.

               Porquê as duas cabeças de Hitler?

Se analisarmos com atenção os discursos e as práticas políticas de Netanyahu e de Trump verificamos que os doze pontos da ideologia de Hitler estão bem presentes. Mas estão presentes de modo diferente e sobretudo com estilos diferentes, e essa diferença não é casual. Visa fortalecer a eficácia de ambos. Enquanto Hitler se encarregava sozinho (com Ribbentrop e Göring e outros) de propor negociações de paz e de boicotá-las quando conveniente e sempre com o objectivo de intensificar a guerra, hoje há uma divisão de trabalho entre dois Hitlers: o que propõe negociações e planos de paz (Trump) e o que as boicota e intensifica a guerra (Netanyahu).  Só por ingenuidade se pode pensar que não estão combinados ou que, pelo menos, não há entre eles um pacto de aceitar tudo o que o outro faz desde que sirva o objectivo comum de destruir os povos islâmicos do Médio Oriente para controlar os recursos naturais e neutralizar a China. A tragédia (e comédia) do nosso tempo é que são precisos dois Hitlers para fazer um Hitler. Um Hitler de duas cabeças, o monstro do nosso tempo.

NOTAS

[i] A bibliografia sobre este tema é imensa e pode ser consultada a partir de textos como: Mazin B. Qumsiyeh, Sharing the Land of Canaan. Londres: Pluto Press, 2004: 67-84 (com bibliografia recomendada); Robert Wistrich “Anti-zionism and anti-semitism” Jewish Political Studies Review , 2004, vol.16, 27-31; Walid Sharif “Soviet Marxism and Zionism”, Journal of Palestine Studies, 1977, Vol. 6, No. 3, 77-97; Mim Kemal Oke “The Ottoman Empire, Zionism, and the Question of Palestine (1880-1908)” International Journal of Middle East Studies,1982, Vol. 14, No. 3: 329-341; Sara Roy, Mark Braverman Ilan Pappe et al Prophetic Voices on Middle East Peace (Claremont Studies in Contemporary Issues Book 1) Claremont Press, 2016; Abdul-Wahab Kayyali “Zionism and Imperialism: The Historical Origins” Journal of Palestine Studies, 1977, Vol. 6, No. 3: 98-112.

[ii] Laura Drake “A Netanyahu Primer” Journal of Palestine Studies, Vol. 26, No. 1 (Autumn, 1996), pp. 58-69; Shalom Lipner “The Chosen People vs. Their Chosen People Israelis Are the Victims of the Political Shenanigans of Their Elected Leaders” Atlantic Council (2020); Anthony H. Cordesman, “ Israel and the Palestinians: From the Two-State Solution to Five Failed ‘States’” Center for Strategic and International Studies (CSIS) (2021).

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