Sobre as ruínas de Israel

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 02/10/2026)


Um criminoso é um criminoso, seja judeu ou árabe. Um massacre é um massacre, seja cometido pelo Hamas ou pelas IDF. E um terrorista é um terrorista, seja palestiniano ou israelita.


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Benjamin Netanyahu (“Bibi”) nega todas as notícias que referem aquilo de que há muito se suspeitava: que ele foi avisado previamente, e nada fez, sobre o ataque, e subsequente massacre, de 1200 israelitas, levado a cabo pelo Hamas em 7 de Outubro de 2023. A notícia começou por aparecer no “Haaretz”, o mais lido e mais prestigiado jornal de Israel, fruto de uma longa e exaustiva investigação, recorrendo a inúmeras fontes, internas e externas. Na esteira do “Haaretz”, seguiram-se o “The Wall Street Journal” e a “The Atlantic”, nos Estados Unidos, e vários outros jornais e canais de televisão. Essencialmente, dois factos verificados sustentam a notícia: que Netanyahu foi pessoalmente informado do ataque do Hamas pelo Presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU) e, poucas semanas antes do fatídico 7 de Outubro, o chefe dos Serviços Secretos do Egipto fez uma visita-relâmpago a Telavive para avisar o seu homólogo do Shin Bet da mesma iminência. Contra-atacando, o primeiro-ministro israelita defende-se agora sustentando que tudo não passa de “calúnias de sangue” e “um marco na contaminação do discurso democrático”, mas ao mesmo tempo que se descobria que fez há dias uma visita secreta aos Emirados para, segundo a imprensa israelita, tentar convencer o Presidente dos EAU a desmentir as notícias. Dez órgãos de informação e dez jornalistas israe­litas foram entretanto processados por Bibi junto do Supremo Tribunal de Israel, a quem pede uma indemnização pela “calúnia”. O mesmo tribunal que é responsável por nomear os membros de uma eventual Comissão de Inquérito aos factos — a qual Bibi, invocando a falta de isenção desse tribunal, recusa agora e já antes recusara duas vezes —, uma delas conduzindo à demissão do então ministro da Defesa, Yoav Gallant, que a julgava essencial para esclarecer como é que as secretas mais eficazes do mundo tinham sido apanhadas desprevenidas quando centenas de militantes do Hamas saltaram as vedações da Faixa de Gaza e durante horas dedicaram-se livremente a um festim de morte e raptos.

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Estes são os factos e, como disse, vieram ao encontro das interrogações e suspeitas que desde o início se levantaram. Como é que as autoridades israelitas, sempre tão atentas a qualquer movimento de palestinianos em Gaza ou na Cisjordânia, permitiram que milhares de jovens se concentrassem num concerto de rock apenas a centenas de metros do “campo de concentração a céu aberto” de Gaza, como lhe chamava então Macron? Como é que nesse dia não lhes ocorreu reforçar a segurança na zona? Como é que demoraram horas a vir em socorro dos jovens e colonos próximos que estavam a ser massacrados? Como é que nem o Shin Bet nem a Mossad, sempre tão lestos a eliminar em Gaza o mais leve suspeito de actividades terroristas, tinham deixado passar os preparativos e a execução de uma operação daquela dimensão? Para essas perguntas sabe-se agora a resposta: sim, eles sabiam. E, se nada fizeram, fica então a pergunta subsequente e fatal: Netanyahu nada fez, não avisou o Exército, não reforçou a segurança e não levou a cabo uma operação prévia de intimidação em Gaza por impensável irresponsabilidade ou por criminosa premeditação? É certamente mais preocupante, ou revelador, que sejam os elementos mais extremistas do Governo, os ultra-ortodoxos ministros das Finanças, Bezalel Smotrich, ou da Segurança, Ben-Gvir (o tal que disse que as Forças Armadas de Israel, as IDF, deveriam matar pelo menos 170 palestinianos por dia, e isso após os “acordos de paz”), a declararem agora que “esta não é altura para investigações”. O certo é que o massacre de 7 de Outubro deu-lhes o pretexto adequado para permitir o que se seguiu: a “retaliação justa”, a “legítima defesa”, segundo os amigos de Israel. Gaza foi reduzida a cinzas, num cenário só antes visto em Hiroxima, 74 mil pessoas, esmagadoramente civis, entre as quais 12 mil crianças, foram mortas em Gaza, além das 12 mil que se crê estarem soterradas sob os escombros e das 4 mil que já foram mortas na Cisjordânia pelos colonos israelitas sob protecção das IDF e após a conclusão da Operação Gaza. Problema resolvido — pelo menos por alguns anos. Porque o plano final, que consistia em expulsar os 2,2 milhões de habitantes de Gaza para os países vizinhos, falhou por falta de colaboração destes, e agora resta ao Governo de Israel dedicar-se a levar a cabo aquilo que a ONU classificou como a mais terrível operação de morte pela fome dos sobreviventes.

Sobre as ruínas de Israel
Ilustração Hugo Pinto

De novo, estes são os factos. Como disse há dias Macron na ONU, “Gaza é um espectáculo vergonhoso”, face ao qual “não nos resta nenhuma credibilidade se continuarmos sem agir”. Mas é um pouco tarde, 80 mil mortos tarde demais para estes rebates de consciência. Durante estes últimos três anos vimos, ouvimos e lemos, não houve nada que os dirigentes das “democracias liberais” pudessem ignorar. Países como Portugal, escudando-se na necessidade de esperar por uma decisão colectiva da União Europeia (UE), resistiram até poder em aceitar fazer o mínimo moralmente exigível, que era reconhecer um Estado Palestiniano nos territórios ocupados por Israel — conforme decretado por várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU jamais respeitadas por Israel. E, até hoje, a UE nem sequer se decidiu a rever o Tratado de Associação Comercial com Israel, porque os seus Governos estão repletos de ligações ocultas com Israel, não só a nível comercial e financeiro, mas também a nível militar, de segurança, de informação. Todos são coniventes com o genocídio de Gaza, todos se empenham em fazer crer que o “espectáculo vergonhoso” apenas nos confronta com questões diplomáticas ou de complexa política externa. Com raras e honrosas excepções, a nenhum ocorre o sobressalto moral de gritar: “Isto não pode ter acontecido diante dos nossos olhos, isto não pode continuar a acontecer.” A Alemanha, o maior defensor europeu do Governo de Israel, fá-lo não para expiar a culpa do Holocausto, dos seis milhões de judeus mortos nos campos nazis, mas para pagar uma dívida de gratidão pelo facto de a criação do Estado de Israel, a reparação mínima devida ao povo judeu pelos crimes nazis, ter ocorrido não na Baviera, por exemplo, como seria justo, mas naquela terra de pastores beduínos que era a Palestina. A Alemanha compreende-se, e os outros? Portugal, por exemplo, ocupado em conceder a nacionalidade portuguesa a judeus que a reclamavam, a título de reparação histórica, por se dizerem descendentes daqueles que D. Manuel I expulsara do Reino em 1496, enquanto lá, em Israel, eles se ocupavam em matar — tanques contra tendas, aviões contra hospitais — os palestinianos, que cometeram o crime de continuar a viver na terra que era sua.

Eu tenho vergonha. Mas há aqui muitos que a não têm. Não só banqueiros, militares, governantes, mas opinadores que enchem as nossas televisões e jornais em defesa do genocídio. Porque Is­rael, dizem, é “a única democracia do Médio Orien­te” — e é, embora com graves e crescentes limitações, é uma democracia, mas à maneira do regime do apartheid na África do Sul: uma democracia para brancos ou judeus, mas não para negros ou palestinia­nos.

Porque Israel, insistem, comunga dos nossos valores — a sério, aqueles são os nossos valores? Porque Israel, justificam, está rodeado de inimigos — pudera, se ocupam partes do Líbano ou da Síria e atacam o Irão, o Iémen e quem mais os seus invocados interesses de segurança reclamarem, queriam ser vistos como amigos? Ou — argumento final e ad terrorem destes amigos portugueses do Governo israelita — porque ser crítico do Governo terrorista de Israel é ser anti-semita: não é política nem ética, é racismo. Pois eu, que nunca consegui, nem quero, distinguir um judeu de qualquer outra pessoa que vejo ou com quem me relaciono — com excepção daqueles desagradáveis judeus ortodoxos com os seus fatos pretos e ridículas tranças e que, no seu exibicionismo religioso e fanatismo, em nada distingo dos fanáticos religiosos islâmicos —, estou-me nas tintas para a acusação. Um criminoso é um criminoso, seja judeu ou árabe. Um massacre é um massacre, seja cometido pelo Hamas ou pelas IDF. E um terrorista é um terrorista, seja palestiniano ou israelita. Na verdade, pergunto: o que distingue um terrorista árabe que lança um avião contra as Torres Gémeas de um piloto de um avião israelita que lança um míssil contra um prédio porque lhe disseram que lá podem estar dois militantes do Hamas, mas sabendo que lá estão, seguramente, dezenas ou centenas de civis inocentes? Quando, num gesto certamente inócuo, me sinto obrigado em ir recolher-me em silêncio diante do Ground Zero, não deverei sentir o mesmo impulso diante das ruínas de Gaza? Julgava eu que estes eram os tais nossos valores, pacificamente aceites e praticados entre gente e nações civilizadas, depois de tanta barbárie a que já assistimos. Mas parece que não — a justiça dos homens não é tão simples quanto isso.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

O show de palhaçadas Trump-Netanyahu: o polícia bom e o polícia mau

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 14/06/2026, Revisão da Estátua)


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Porque raio é que o Bibi teve de lançar um ataque? Fiquei tão irritado… Ele não tem o mínimo bom senso.

Este é o desabafo de Donald Trump como marido traído perante o Axios, fingindo surpresa ao descobrir que Benjamin Netanyahu agiu sem aviso prévio. Nesta altura, só faltam os violinos e uma lágrima no canto do olho.

O problema é que esta indignação soa tão credível como um piromaníaco a explicar que está chocado com o cheiro a fumo. Poucas horas antes, o Axios tinha revelado que Trump tinha dado luz verde a um ataque israelita ao Líbano. Mas, de repente, quando se trata do Irão, devemos acreditar que Washington está a descobrir as iniciativas do seu aliado mais próximo através da leitura dos jornais. Que ingenuidade comovente. Durante meses, os Estados Unidos têm fingido querer uma solução diplomática, ao mesmo tempo que permitem que Israel mantenha uma pressão militar constante. É a velha tática do “polícia bom, polícia mau”: um aperta a mão enquanto o outro estrangula. Depois, o primeiro volta atrás para explicar que está na altura de negociar com calma. Diplomacia digna de extorsão de rua: “Seria uma pena se vos acontecesse alguma coisa no caso de rejeitarem a nossa oferta de paz.”

O verdadeiro objectivo não é, provavelmente, acabar com as hostilidades, mas sim garantir os interesses estratégicos americanos, especialmente a livre passagem pelo Estreito de Ormuz, a artéria vital para a economia global em termos energéticos. A paz torna-se apenas um slogan de marketing; a prioridade continua a ser manter o fluxo de petroleiros.

Por outro lado, o Irão nunca deixou de repetir que Gaza e o Líbano são partes integrantes da equação regional e que nenhum acordo duradouro pode ignorar estas questões. Pode-se concordar ou discordar desta posição, mas ela é pública e consistente. Imaginar que Teerão irá abandonar estas linhas vermelhas só porque Washington levanta a voz é mais ilusão do que estratégia.

Portanto, o ataque israelita durante uma fase de negociação não é apenas um “acidente diplomático”. Parece mais um teste: até onde aguentará o Irão antes de retaliar? Enquanto isso, Trump interpreta o presidente exasperado, como se Netanyahu fosse um adolescente rebelde que fugiu com as chaves do carro sem permissão.

A parte mais fascinante é esta encenação incessante, onde todos afirmam querer a paz enquanto, na verdade, deitam mais achas para a fogueira. Bombardeamos para negociar, ameaçamos para tranquilizar, provocamos para apaziguar.

A diplomacia ao estilo Washington-Tel Aviv transformou-se num espetáculo onde o guião é sempre o mesmo: o polícia bom repreende o polícia mau e, de seguida, ambos fogem no mesmo carro.

Depois de tratarem o mundo como uma plateia crédula durante tanto tempo, esquecem-se de uma regra básica: quando a cortina se abre todos os dias para a mesma peça, o público acaba por reparar nos fios do teatro de marionetas.

Quando é que iremos começar a chamar a Bibi “Presidente dos EUA” ?

(Martin Jay, in SCF, 06/06/2026, Trad. da Estátua)

Estaremos prestes a entrar numa nova fase?


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Como é que os anos de Trump no cargo serão registados nos livros de História? Recentemente, uma série de cenários impensáveis ​​concretizaram-se, marcando Trump e o ano de 2026 como um ponto de viragem sísmico na história dos Estados Unidos, que mudará para sempre a identidade e a posição do país no mundo. A decisão de Trump de atacar o Irão a 28 de Fevereiro foi notável, uma vez que foi tomada praticamente ignorando o seu chefe de gabinete e a maior parte do círculo de decisores à sua volta, em favor do que Israel insistia ser uma guerra rápida e vencível num fim de semana.

A acreditar nos palavrões explosivos proferidos por Trump a Netanyahu num telefonema, parece que o maior pesadelo do mundo sobre os Estados Unidos — o de que o país é governado inteiramente por Israel — se tornou realidade. A raiva e a frustração de Trump podem ser reais, mesmo que o que foi noticiado possa ter sido exagerado para fins políticos, mas a realidade é que Israel está a bloquear qualquer acordo que Trump acredite poder fechar com o Irão.

E, pior do que apenas bloquear o acordo, com base na declaração de Netanyahu sobre o Líbano, Bibi não impediu as tropas das Forças de Defesa de Israel de transformarem o sul do Líbano numa nova Gaza. Os assassinatos continuam, a destruição sistemática de propriedade e a guerra com o Hezbollah não cessaram, o que coloca Trump numa situação ainda mais delicada do que imaginava estar há apenas algumas semanas.

Ele próprio é incapaz de atacar o Irão, uma vez que os parceiros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) negaram veementemente o apoio militar necessário às suas forças armadas. Na realidade, porém, estes governos e as suas elites — em particular o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman (MbS) — têm desempenhado o papel de travão às ideias insanas de Trump, algo que Washington não conseguiu fazer por si próprio. A demissão de todos os chefes de gabinete da época de Biden e a sua busca por bajuladores impreparados permitiram a Trump cultivar as ideias mais absurdas, e só os líderes do Médio Oriente lhe podem dizer que não. Chega!

Atualmente, aquilo a que estamos a assistir na região é à divisão dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) – aqueles que são aliados de Israel através dos Acordos de Abraão – e aqueles que formaram uma nova aliança anti Israel com a sua própria dissuasão nuclear, um grupo composto pela Turquia, Arábia Saudita e Paquistão, que ainda não tem nome, mas que é agora um pacto informal.

E no meio de toda esta loucura, surge mais. Agora, ouvimos falar de planos para que Israel avance com projetos que garantiriam a transferência militar anual de 3,8 mil milhões de dólares dos EUA durante os próximos 20 anos, envoltos em ainda mais secretismo através de um projeto de lei no Congresso que, essencialmente, fundiria o governo israelita com o aparelho de Washington, tornando numa única força militar as Forças de Defesa de Israel e as forças armadas americanas.

Esta fusão das forças de Israel e dos EUA ocorre numa altura em que Israel percebe que os futuros governos e o Congresso exigirão maior transparência sobre a forma como a verba anual destinada à defesa é gasta e sobre as intenções de Israel em futuras guerras. Ocorre também numa altura em que a opinião pública parece ser contrária ao apoio americano a Israel e aos seus objectivos regionais.

Por exemplo, segundo a Al Jazeera, uma sondagem realizada este mês pelo The New York Times e pelo Siena College revelou que 57% dos eleitores norte-americanos se opõem a fornecer a Israel apoio económico e militar adicional.

Além disso, 62% afirmaram desaprovar o conflito israelo-palestiniano. A guerra genocida de Israel contra Gaza, iniciada em 2023, já matou mais de 75 mil pessoas, provocando uma ampla condenação, segundo a Al Jazeera.

Existe alguma resistência de ambas as câmaras legislativas em relação à chamada Secção 244, embora aqueles que se opuseram a ela tenham sido previsivelmente chamados de «antissemitas».

Mas o simples facto de Israel estar a usar a sua influência sobre os congressistas que estão na sua folha de pagamentos para aprovar um projeto de lei que “coordenaria” todas as acções militares em que tanto os EUA como Israel estão envolvidos demonstra o quão avançado Israel está no seu controlo absoluto sobre Washington.

Atingimos um novo patamar de servilismo, e o segundo mandato de Trump tem sido o catalisador desta nova ordem mundial, que tornará qualquer acordo com o Irão ainda mais difícil – em primeiro lugar, de ser assinado, mas, mais importante, de ser implementado, o que, obviamente, os iranianos sabem, o que explica o seu ritmo letárgico nas negociações em comparação com a palhaçada desesperada de Trump.

Para crédito de Trump, este pelo menos ofereceu alguma resistência ao envio de forças americanas para a morte quando Israel elevou a pressão e insistiu em envolver-se num conflito mais longo e complexo com o Irão.

Os céticos apressam-se a salientar que Israel utilizará uma união mais estreita apenas para vender no mercado aberto todos os segredos militares americanos, mas o ponto principal está a ser ignorado. Se este artigo 244 for aprovado, será apenas uma questão de tempo até que um primeiro-ministro israelita possa simplesmente ordenar às tropas americanas que lutem em qualquer batalha que desejar. Os dias de discussões acesas, ameaças e até chantagens serão recordados com alguma nostalgia como uma era dourada em que um presidente americano ainda tinha a palavra final sobre o envio de tropas americanas.

A identidade de Netanyahu durante três décadas foi construída com base na sua arrogância em afirmar que ele e Israel governavam os Estados Unidos, mas esta alegação permaneceu praticamente incontestada até agora. Estaremos prestes a entrar numa nova fase?

Fonte aqui