O Ocidente delira: diz que há russos a fugir de metro, ao fim do dia

(Por oxisdaquestao, in Blog oxisdaquestao, 23/09/2022)

Hoje então o toque é este. Mas então a Rússia não estava em definitivo isolada, sem vistos, sem Shengen ? Mau ! Então para onde fogem os russos ? E que russos ? Imagens destas não serão do recente   colapso dos aeroportos por todo o mundo ? …


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Atrocidades? A guerra é a maior de todas!

(Hugo Dionísio, in Facebook, 21/09/2022)

Enquanto condenam a guerra de uns e incentivam as de outros, com a sua irracional anuência, os trabalhadores portugueses perdem novas batalhas, todos os dias. E de batalha em batalha, lá vão perdendo a maior guerra de todas, a guerra contra a fome e a miséria, engrossando a longa e interminável lista de pobres. E enquanto assumem, acriticamente, mais um ciclo de derrotas, eis que, manipulados e condicionados, não raras vezes, perseguem quem está contra todas as guerras e quem os quer acompanhar em todas as batalhas.

Na única guerra que lhes interessa e que ganha espaço nos ecrãs do negócio da TV, importa dizer que, depois do matinal discurso do presidente russo, lá vão os Rogeiros e Milhazes ter de explicar, se conseguirem, mesmo que nos seus enviesados termos, a diferença entre uma “Operação Militar Especial” e uma “Invasão”. Ou entre uma SMO e uma declaração de guerra. Hoje, Putin anunciou a mobilização parcial. Espera aí “mobilização parcial”? “Então mas a Rússia não tinha mobilizado já”?

Os EUA esperavam que a Rússia procedesse à mobilização geral desde o primeiro dia. Queriam ver o país a escoar a sua força existencial para uma guerra que os próprios EUA se esforçariam para arrastar.

Não foi o que sucedeu! Com uma força mínima para a dimensão da frente de batalha, o Kremlin iniciou o que designou como uma “Operação Militar Especial”, conceito existente nas leis internacionais e usado pelos EUA/NATO nos bombardeamentos à Sérvia para “proteção” dos kosovares. Ah! Mas eles podem… E não me lembro de alguém abrir o pio, com exceção dos do costume. Putin disse mesmo “ainda não começámos nada”! Todos acharam que era uma ameaça. Mas não era. Era uma constatação.

Para se ter uma ideia das devidas proporções, segundo alguns especialistas, a Rússia não tem mais, atualmente, do que 80.000 homens na frente. Gente como Andrey Martyanov ou Scott Ritter referem que o grosso das colunas são das repúblicas gémeas e situam-se em cerca de 100.000 homens, incluindo reservas. Da parte russa, com exceção da empresa de mercenários Wagner, a coluna é composta por militares profissionais. Ou seja, a Rússia não teve de mobilizar mundos e fundos para proceder a esta intervenção, ou “invasão” como a NATO obriga os seus arautos a designar e persegue quem não o faz.

Fruto da rutura de negociações imposta pelos EUA, no final de Março, os quais, segundo declarações suas, “aconselharam” Zelinsky a não assinar qualquer acordo, pois queriam “derrotar a Rússia no campo de batalha” e obriga-la a negociar quando “estivesse em desvantagem”, desde então, tem sido um escalar do conflito. A NATO, que se apresentou, no início, como parte desinteressada, introduziu o seu arsenal e, recentemente, na operação de Kharkov, até podemos dizer que tivemos presentes forças especiais da aliança, não a combater, mas a dirigir. Há que se proteger, pois a luta é até ao último ucraniano.

Com as decisões tomadas nos últimos dias (por exemplo a. alteração do código penal russo para introdução do crime de deserção, desmobilização ou resistência à mobilização), a Rússia inicia o seu caminho em direção, desta feita, à guerra “de facto”. Putin declarou uma mobilização parcial de 300.000 militares (mobilização geral seriam 1,2 a 1,4 milhões). Logo, deixarão de se verificar as conhecidas lacunas de mão-de-obra nas linhas russas e seus aliados.

Mas não pára por aqui. A realizarem-se os referendos nas regiões do Donbass, estas passarão a fazer parte da Rússia. Para se ter uma ideia das parvoíces que se dizem do lado de cá, ontem uma sábia comentadeira da CNN dizia que “Putin vê os Ucranianos a ganharem terreno todos os dias e quer usar os referendos para impedir esse avanço”. Esta reflexão tem todo o sentido, não fosse a realização dos referendos estar programada desde Maio/Junho e precisamente para Setembro/Outubro. Ou seja, de acordo com o cronograma russo. Quem tiver acesso aos canais de Donetsk e Lugansk vai ver os seus altos dirigentes a referi-lo há 3 ou 4 meses atrás. Sempre bem informados pelo Instituto da irmã de Victoria Nuland (o instituto para o estudo e história da guerra) e pelo Kiev Post dos Azov.

Mas, ela tem razão numa coisa, estes referendos visam integrar estes territórios, para travar a tentativa de reconquista e para não acontecer a matança arbitrária a que se está a assistir em Izyum. As forças Ucranianas estão, literalmente, a “limpar” o terreno de “colaboradores” russos. E quando os nossos “isentos” órgãos o referem, nem por um momento o jornalista se questiona: “mas o que é isto de limpar”?

Feitos os referendos, qualquer ataque a uma dessas regiões será um ataque à Rússia e resultará na previsível declaração de guerra. Não admira que o funcionário da Mackinsey Emmanuel Macron tenha tentado ligar três vezes a Putin e este nem o tenha atendido. EUA e NATO sabem que a subida da parada, para a qual a Rússia se sentirá mais preparada, nesta fase, devido aos ganhos extraordinários com energia, obrigará, caso a queiram acompanhar, a uma subida exponencial do nível e apoio ao regime Ucraniano.

Uma mobilização, mesmo que parcial, e uma declaração de guerra muda tudo. Por exemplo, se um prédio tiver Azovs barricados com civis no porão, numa SMO, as tropas expulsam os Azovs residência a residência. Numa guerra, o prédio vai abaixo pois é um alvo militar. Foi o que aconteceu no Iraque, por exemplo. Se os camiões TIR civis transportam tanques americanos, enquanto numa SMO não se bombardeia sem ter a certeza, numa guerra, vão todos ao ar. Apenas 7 meses depois de iniciar o conflito, a Rússia cortou eletricidade e água a certas regiões da Ucrânia. Numa guerra, vão deixar de ter sempre! E por aí fora. Nessa altura, as atrocidades subirão a níveis realmente brutais, pois a guerra é a maior das atrocidades que o ser humano inventou. E não existem guerras boas e más, santos exércitos e pecadores inimigos. A guerra existe, significa a continuação da política através da força e o recurso à força bruta para aniquilar e obrigar o inimigo a fazer o que se quer. Nem todas começam da mesma forma e a justificação também não é indiferente. Mas todas são igualmente brutais.

E é por isso que eu sou pela paz. Nunca deveria ter havido golpe de 2014, porque nenhum país deveria poder interferir nos afazeres de outro; não deveria ter havido armamento de um regime composto por neonazis e ultranacionalistas, porque a história já nos mostrou em que tal resulta; nunca deveriam ter incumprido os acordos de Minsk, porque a diplomacia é sempre preferível à guerra. E estas são as verdades que não encontram referidas em nenhum órgão de comunicação social da NATO. E hoje, não haveria guerra. E havendo, como há, não deveriam ser enviadas armas, mas diplomatas para negociar. Isto é que seria próprio de um ocidente que se diz civilizado e civilizador. Usar a Ucrânia para derrotar a Rússia (não sou eu que o digo, são os próprios), é a maior atrocidade de todas.

Afinal, a guerra em si é uma atrocidade. Querer que a guerra se faça, é uma atrocidade; querer que continue, é uma atrocidade; alimentar a guerra com mais armas, é uma atrocidade; rejeitar negociações de paz, é uma atrocidade; querer que a guerra se estenda durante anos, é uma atrocidade; querer usar a guerra para enfraquecer a Rússia ou outro inimigo qualquer, é uma atrocidade.

Destas atrocidades nenhum órgão de comunicação social da NATO fala. Tão depressa colocam Zelinsky a relatar, como um pivot jornalístico embebido de objetividade e isenção, as atrocidades russas que o seu exército vai encontrando, a que se seguem os necessários comentários de Rogeiros e companhia, acusando mais depressa do que lhes chegam as provas; como depois colocam Biden, Sullivan ou Nuland a dizer que a guerra vai durar muitos anos e que os EUA vão “mover terras e céus” para derrotarem a Rússia, sem que se vislumbre uma qualquer visão crítica e a óbvia questão que qualquer pessoa de paz coloca: “mas que interesse têm eles na continuidade de uma atrocidade como a guerra”?

Mas não… A guerra tem muito interesse imediato, nomeadamente no engordar das maiores corporações ocidentais, enquanto os trabalhadores europeus perdem poder de compra todos os dias, sob o pretexto da guerra. E muitos – demasiados – destes trabalhadores lá seguem como cordeiros para o matadouro, sem perceber que a guerra foi criada, precisamente, para os aniquilar. Enquanto culpam o “lobo mau” em tiradas xenofóbicas repugnantes, todos os dias, milhares se juntam à já engrossada fileira de pobres, a qual desde 2008 não parou de crescer. Da guerra da fome não rezam os heróis. Da guerra da fome não se apontam “lobos maus”.

Enquanto exigem a derrota russa, como papagaios e como se a guerra fosse sua também, são eles próprios quem são derrotados nas batalhas do dia-a-dia. Todos os dias os trabalhadores portugueses (e europeus) perdem uma qualquer batalha: perdem nos salários, ganham maiores lucros as maiores empresas; as empresas levam descidas de impostos, os trabalhadores recebem uma parca esmola; os pensionistas perdem poder de compra, as empresas recebem subsídios para a energia; cavalgam os preços de bens essenciais, mas a grande distribuição lucra como nunca; as energéticas lucram brutalmente, mas não se taxam esses lucros adicionais, porque segundo Medina “não resolve nada”. O que resolve sempre, é baixar o nível de vida dos trabalhadores. Corta 1.000 milhões na segurança social? Passos Coelho perdeu as eleições por isso também, Costa governou prometendo o contrário. Os que lhe deram a maioria absoluta abandonando os seus partidos de sempre, perderam mais uma batalha, pensando que PS sozinho era igual a PS mais geringonça.

E enquanto perdem todas estas batalhas, os trabalhadores vão levando com doses brutais de anestesia social. Tem sido a rainha, o filho da rainha, os netos da rainha, o corpo putrefacto da rainha. Nunca um herói tuga mereceu tão grandes exéquias. Bem dá para ver a que pauta respondem os “nossos” órgãos de comunicação. Na EU dos “valores”, da “democracia” e dos “direitos humanos”, chora-se a morte de uma figura que suportou e legitimou o mais feroz dos imperialismos, o imperialismo britânico e dos EUA.

A criação de um horrendo inimigo externo também faz parte. Hoje, esse inimigo é a Rússia de Putin, antes Saddam ou Bin Laden, todos produtos dos mesmos. Como eu referi, há uns meses, a propósito do nunca provado massacre de Bucha, a cada cidade que os Russos perdessem, lá viriam os necessários massacres, valas comuns e artefactos de tortura. Há que pintar a coisa bem negra. Se não se provar não faz mal. O que importa é o primeiro impacto de uma primeira informação. Esse impacto epidérmico, pré-reflexivo, que gera comportamentos primários repulsivos e pouco racionais, é a fonte de toda a manipulação.

Em Izyum lá veio a tal vala comum. A esta hora, nem vale a pena dizer que a vala comum de Mariupol era, afinal, um cemitério da segunda guerra mundial. Esta é uma vala “sui generis” com cruzes e tudo para ser desde logo identificada pelo inimigo. Entretanto os CSI tugas lá estão para ajudar a desvendar as coisas. Mas é um trabalho em vão, a culpa é atirada na primeira notícia e no primeiro comentário. Depois… já não conta. Não interessa.

Nenhum destes achados era imprevisível. Só se acha o que se procura. E assim, uma vez mais, ficarão estes “achados” por provar, perdidos no limbo do “diz que disse”, sem que, alguma vez, uma entidade independente venha confrontar-nos com que foi. Mas o efeito pretendido já se provocou e a anestesia do medo já funciona. E o medo é o pior dos anestésicos. Com medo, qualquer animal cristaliza. E os EUA têm a maior fábrica de medo da história humana. Do Covid, à Al-Qaeda, ao ISIS e ao lobo mau.

Um jornalista português, que franzia o sobrolho na CNN, foi recambiado para Espanha. Afinal, tanta pressão das gentes da CIA lá surtiu o seu efeito. A seguir vão os Majores e Coronéis que têm a mania de questionar. Nesse dia, poderemos dizer que todos, mas mesmos todos, falam a uma só voz sem qualquer desafinação.

Eu se fosse jornalista preocupar-me-ia muito com a minha profissão. Zelinsky entra nos noticiários a relatar notícias da guerra, como um qualquer jornalista e sem qualquer moderação ou questionamento. Para quê ter enviados? Outras vezes é o Kiev Post, o Nytimes, a BBC ou o DW. Citam e soletram sem alterar, sem questionar. A seleção é feita de acordo com palavras e expressões chave.

Por outro lado, se todos os jornalistas falam em uníssono, limitando-se a reproduzir as notas de imprensa dos centros de poder, as peças das agências noticiosas certificadas por tais centros de poder e os comunicados dos seus representantes, para quê ter jornalistas? Se tudo é reproduzido de forma totalmente acrítica e, na maioria dos casos, sem tratamento jornalístico, ético ou técnico, como impedirão os jornalistas a sua substituição por algoritmos? Afinal, não poderá um algoritmo fazer o trabalho de caixa-de-ressonância do que os centros do poder determinam? E até com menos enganos, desvios ou erros?

E o Pivot? Bem, como o que conta é a imagem, basta contratar um modelo à medida, que saiba ler o teleponto. Desde que não seja como Biden, tudo bem.

Afinal, se é para tocar um disco riscado… basta um gira discos, certo? Não precisamos de um instrumentista. É realmente um problema grave e que já se sente na Internet, na qual, desde sites informativos a peças divulgadas nas redes sociais, através de “bots” são totalmente construídos por algoritmos.

E, ou a malta acorda, ou chegará o tempo em que bastará um algoritmo para decidir por nós o que dizer e o que fazer, e nem vale a pena tentar dizer ou fazer o contrário, pois o algoritmo classificará a nossa própria informação como falsa. E tal classificação não será por uma qualquer autoridade pública, mas por um qualquer controleiro privado, de um qualquer Facebook da vida!

Admirável Mundo Novo!

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Zelensky : o anarca da contra-ofensiva

(Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 20/09/2022)

(Depois de ler este artigo fiquei mal disposto. Afinal a manipulação da opinião pública ocidental com a tal contraofensiva ucraniana é muito maior do que aquilo que muitos, como eu, pensavam. Mas ainda bem que assim foi. Virou-se o feitiço contra o feiticeiro e a Rússia prepara-se para uma guerra a sério, sem lhe colocar qualquer limite de escalada. Dever-se-ia apelar à paz e a negociações sérias, mas, só vejo cowboys sem pistola e fanfarrões de sofá. O que aí vem será sempre muito pior do que os nossos temores mais negros.

Estátua de Sal, 22/09/2022)


O Presidente Zelensky e os seus aliados da OTAN lançaram uma contraofensiva contra as tropas russas. Escolheram um lugar onde a presença destas era escassa e o qual Moscovo não pensava ocupar. Assim, eles podem celebrar com fanfarras esta vitória sem inimigos, nem batalha. Regresso a um bluff (blefe) que apenas convence aqueles que creem nele, quer dizer o público ocidental.


Kiev anunciou com grande alarido de trombetas e o rufar de tambores uma contraofensiva na região de Karkiv, quer dizer em frente do Donbass. As Forças apoiadas pela OTAN conseguiram « libertar » uma faixa de território de 70 km de comprimento por uns 30 de profundidade.

O Presidente Zelenski, que foi ao local, em Izium, anunciou a « próxima vitória » do seu país sobre o « invasor » russo.

A imprensa ocidental fala de derrota russa e interroga-se sobre um eventual complô visando derrubar o « Presidente vencido », Vladimir Putin.

Neste mapa do Institute for the Study of War, a zona “libertada” é a mancha azul ao alto à direita.

Fim do conto para boi dormir ; uma realização da OTAN.

Na realidade, as Forças ocidentais nunca entraram no Donbass, nem na República de Lugansk, nem na de Donetsk. Apenas recuperaram territórios que o Exército russo havia conquistado, mas sem verdadeiramente ocupar. Desde o principio, o Presidente Putin anunciou que queria defender as duas Repúblicas do Donbass, mas que não queria anexar a Ucrânia, que somente pretende « desnazificar » (ou seja, livrar dos seus « nacionalistas integralistas »).

Com o correr do tempo, ele anunciou que pretendia também fazer os Ucranianos pagar pela guerra que desencadearam anexando o Sul do país. Tinha então duas opções, ou anexar Novorossiya, ou a Makhnovchtchina, os dois territórios de tradição russa que em grande parte se sobrepõem.

A Novorossiya histórica, segundo o Washington Post, em 2014.

A Novorossiya, literalmente « Nova Rússia », é a colónia de povoamento russo conquistada por Grigory Potemkin, o amante da Czarina Catarina II, ao Império Otomano. Ela consta de todo o Sul da actual Ucrânia, incluindo a Crimeia, até uma pequena parte da Moldávia actual, a Transnístria. Este território jamais conheceu os horrores da servidão que Catarina II não conseguiu abolir no seu império. O Marechal Potemkin edificou ali um Estado iluminado, inspirado na Grécia antiga e em Roma. A Novorossiya foi durante um tempo governada por um oficial francês, amigo pessoal do Czar Alexandre I, Armand de Vignerot du Plessis, Duque de Richelieu e futuro Presidente do Conselho de Ministros francês.

Localização da Makhnovchtchina a negrito. Progressivamente ela estendeu-se para toda a zona acinzentada, incluindo Kherson e Izium.

A Makhnovchtchina é o lugar onde, em 1918, triunfou o Exército negro do camponês anarquista Nestor Makhno.

Esta conseguiu libertar-se do poder de Kiev, então detido por Symon Petliura e Dmytro Dontsov, o protector e fundador dos « nacionalistas integralistas » ; cujos sucessores estão hoje no Poder e que a Rússia qualifica de «nazis». Os partidários de Makhno, por sua vez, estabeleceram um regime libertário no Sudeste do país correspondendo às ideias dos socialistas franceses do século XIX (Charles Fourier, Pierre-Joseph Proudhon) e sobretudo à influência de Pierre Kropotkine : a criação de comunas (municípios) auto-geridas. A Makhnovshchina foi derrubada e seus partidários massacrados durante ataques simultâneos quer do Império Alemão, dos « nacionalistas integralistas » ucranianos, assim como dos bolcheviques trotskistas.

Finalizando, Vladimir Putin escolheu a Novorossiya e reivindica-a oficialmente.

A zona que acaba de ser « libertada » pelo Exército de Kiev estava num dada altura incluída num dos maiores países anarquistas do mundo, o de Nestor Mackhno, mas nunca na Novorossiya. O Governo de Kiev recuperou, como o fez durante o período entre-as-duas-guerras, este pequeno território.

Visto sob o ângulo russo, Kiev recuperou um território que Moscovo (Moscou-br) tinha pensado anexar, mas ao qual finalmente renunciou. Não havia lá, pois, forças russas, apenas guardas de fronteira e policias do Donbass. Foram estes que saíram apressados. Não houve portanto combates e muito menos derrota.

Nessas condições as longas dissertações dos média (mídia-br) ocidentais sobre um complô de generais que visaria derrubar o Presidente Putin « vencido » são pura ficção.

Já seria diferente se os Exércitos ocidentais retomassem Kherson, um porto situado no Dnieper, pouco antes de desaguar no Mar Negro. Uma segunda operação está planeada (planejada-br) em torno da central (usina-br) nuclear de Zaporijjia. Mas ainda não chegamos a isso.

A golpada do Presidente Volodymyr Zelenskyy consiste em apresentar como uma batalha, um avanço das suas tropas num território desocupado. Ela permite-lhe reivindicar aos Ocidentais milhares de milhão (bilhões-br) suplementares, e é por isso que foi ela foi lançada em 6 de Setembro. Dois dias mais tarde, no dia 8, cerca de cinquenta países reuniram-se na base norte-americana de Ramstein (Alemanha) a fim de doar armas à Ucrânia [1]. Ninguém tendo orçamento para tal, os gastos foram adiantados pelos Estados Unidos ao abrigo da Ukraine Democracy Defense Lend-Lease Act of 2022 (Lei de Empréstimo e Arrendamento para a Defesa da Ucrânia- ndT) [2]. Mais tarde eles pagarão, mas pagarão o que gastam hoje sem fazer contas.

Nos dias 9 e 10, o Institute for the Study of War (Instituto para os Estudo da Guerra- ndT), revela detalhes sobre o avanço das tropas e o caloroso acolhimento que elas recebem [3]. Esta encenação é engolida pela imprensa ocidental que a difunde. Ora este Instituto é um antro de Straussianos. É dirigido por Kimberly Kagan, cunhada da Secretária de Estado adjunta, Victoria Nuland. Entre os seus administradores conta-se Bill Kristol, antigo presidente do Projecto para um Novo Século Americano (PNAC), bem como o General David Petraeus, que destruiu o Iraque e o Afeganistão.

A 11, a Agência Reuters-Thompson garante que milhares de soldados russos estão em debandada [4]. Fala de um « golpe pesado para a Rússia », quando o Estado-Maior russo ordenara a retirada imediata deste território do qual não pretende tomar a defesa. Veja-se que na altura em que Donald Trump tinha corrido com os Straussianos da sua Administração, Victoria Nuland tinha-se tornado uma das directoras da agência Reuters [5]. O despacho da Reuters foi assinado por Max Hunder, um antigo aluno de Eton, a escola mais “fina” de Inglaterra. Um pouco mais tarde, o Ministério da Defesa britânico confirma o seu envio.

No dia 12, a farsa é validada pelo New York Times, que publica uma dupla página a glorificar o bravo Zelensky. A imprensa ocidental difunde a coisa sem reflexão.

Azar, precisamente quando o quotidiano nova-iorquino surgia nas bancas, as centrais eléctricas ucranianas foram todas atingidas durante a noite por mísseis [6]. A Ucrânia tombou na escuridão. A contra-ofensiva também.

O Presidente Putin exaspera-se com a má-fé ocidental. Ele declara que, de momento, a Rússia não mobilizou senão uma pequena parte das suas forças contra os « nazis » de Kiev e que, se for preciso, as suas próximas acções serão de uma magnitude completamente diferente.

Os Chefes de Estado presentes na Cimeira da OCS em Samarcanda.

Tendo o resto do mundo olhos para ver –-ao contrário dos Ocidentais que só têm ouvidos para ouvir patranhadas (bobagens-br) –-reservou uma festa para a delegação russa, durante a Cimeira (cúpula-br) da Organização de Cooperação de Shangai(Xangai), em Samarcanda.

Durante a era Ieltsin, uma estrutura de contacto havia sido criada entre a Rússia e a China. O Chefe do governo russo, Ievgueny Primakov, reconheceu fronteiras estáveis com Pequim.

Em 1996, este Grupo de Contacto tornou-se um Fórum Internacional com os Estados da Ásia Central (Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Usbequistão) e, depois, pouco antes dos atentados do 11 de Setembro de 2001, tornou-se a OSC actual. A China e a Rússia haviam já compreendido que os Anglo-Saxónicos fomentavam problemas na Ásia Central. Portanto, elas elaboraram em conjunto programas contra o terrorismo e o separatismo. A sequência dos acontecimentos veio dar-lhes amplamente razão.

A Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) não parou de aumentar nos últimos 20 anos.

O OCS desenvolveu-se rapidamente. A Índia, o Paquistão e o Irão aderiram. A Bielorrússia está a preparar-se. O Afeganistão e a Mongólia são observadores. Outros 14 Estados são parceiros. Ela caracteriza-se por um espírito muito diferente do das organizações ocidentais. De certo modo, pode-se ver nela o prolongamento do espírito de Bandung : soberania dos Estados, não-ingerência nos assuntos internos e cooperação.

A OCS tranquiliza e une. Hoje em dia ela reúne um quarto da população mundial, ou mesmo dois terços se levarmos em conta os Estados observadores. Nela não se fazem planos absurdos gritando vitória quando se ocupa um território não reivindicado e desprotegido.


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