A multinacional do genocídio

(Por José Goulão, in AbrilAbril, 12/02/2026, revisão da Estátua)


Apesar de se comprometer com o acordo de cessar-fogo, Israel faz o que sempre fez: viola-o diariamente, agora sem que os holofotes mediáticos incidam sobre a barbárie.


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Israel, como é próprio da sua inspiração, criação e existência, é um Estado abençoado. Como estava a sentir dificuldades operacionais, logísticas e financeiras para concretizar o principal objectivo do sionismo, o extermínio do povo palestiniano, veio em seu socorro uma espécie de coligação internacional, chefiada pelo inevitável Donald Trump, para receber um novo impulso nessa tarefa. Com a vantagem de as acções para continuação do genocídio não aparecerem como um crime, mas sim como uma brilhante solução, aos olhos da opinião pública internacional.

«Nova Gaza», chama-se o milagre, apresentado como uma espécie de início da aplicação do não menos extremoso «Plano Trump» em 20 pontos, por sua vez interpretado como o caminho para o cessar-fogo em Gaza, uma coisa que não aconteceu nem está em vias de acontecer.

No terreno há duas razões que impedem o cessar-fogo de que a comunicação social globalista fala como se existisse para evitar falar de Gaza e apagar das memórias efémeras do cidadão comum os horrores da matança que durante semanas revelaram a essência criminosa do sionismo. Em primeiro lugar, apesar de se comprometer com o acordo de cessar-fogo, Israel faz o que sempre fez: viola-o diariamente, agora sem que os holofotes mediáticos incidam sobre a barbárie. Em segundo lugar, a Resistência armada Palestiniana, erradamente designada como «o Hamas», não esteve de acordo com os termos do cessar-fogo, porque impunha a sua desmilitarização unilateral. O que implicava deixar o povo palestiniano, não só de Gaza mas também da Cisjordânia e de Jerusalém Leste, à mercê da sede de sangue dos militares e do governo de Israel.

Construir a casa pelo tecto

A existência de um cessar-fogo em Gaza é a condição indispensável para que possa avançar-se no caminho da pacificação e da reconstrução do território, mesmo segundo as fórmulas maravilhosas engendradas por Trump e a sua administração sionista, de mãos dadas com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

De modo que a divulgação recente do projecto «Nova Gaza», desdobrado em «Nova Gaza» e «Nova Rafah», as duas principais cidades do território, equivale a iniciar a construção de uma casa – «a paz», como lhe chamam os autores – pelo telhado. É uma idealização no abstracto, mas diz tudo o que tencionam fazer os Estados Unidos, Israel e todos os países e organizações que vão aderindo à megalomania genocida.

Não existem razões para hesitar em qualificar estas manobras como genocidas.

Os projectos apresentados por Trump têm como objectivo declarado «a reconstrução urbanística e económica da Faixa de Gaza, criação de emprego através do desenvolvimento turístico e a implantação de serviços tecnológicos.

No essencial, a «Nova Gaza» é uma versão retocada da anunciada transformação do território num imenso resort turístico, ideia que surge fundida, sem grande cuidado, no todo designado «reabilitação urbana».

Nem é preciso analisar em pormenor os planos de Trump para se perceber que a exploração turística da paradisíaca costa mediterrânica do território através de empreendimentos de grande luxo é o núcleo central transformações pretendidas para o território, funcionando todas as outras áreas de desenvolvimento como estruturas de apoio ao turismo.

O plano de Trump confirma essa interpretação porque prevê expressamente «um grande desenvolvimento costeiro com arranha-céus, no âmbito da criação de um resort do tipo Dubai».

Esqueceram-se dos palestinianos

Quem vai supervisionar este mirífico «processo de reconstrução» sobre um território com dois milhões de habitantes sob o qual jazem dezenas de milhares de seres humanos exterminados para concretizar o plano genocida do sionismo?

O plano prevê a criação de um «Conselho de Paz» com esse objectivo, uma entidade internacional «liderada pelos Estados Unidos». O papel executivo será desempenhado por uma equipa de «tecnocratas palestinianos», sob o controlo do «Conselho de Paz» e de «forças militares internacionais». Ninguém sabe quem são nem qual a origem dos «tecnocratas palestinianos», uma formulação que tem surgido de maneira recorrente ao longo de décadas e que traduz a busca incessante por Israel de traidores e colaboracionistas dizendo-se palestinianos e que nada têm a ver com as estruturas representativas do povo palestiniano. Essa procura tem sido um fracasso, mas ignora-se que cartas têm na manga Trump e os seus conselheiros indigitados para o «Conselho de Paz», designadamente o genro, o sionista Jared Kushner: o seu caixeiro viajante preferido nos «processos de negociações», de compras, invasões, detenção de dirigentes estrangeiros e anexações, Steve Witkoff .

Acordo para não atacar centrais de energia?

(João Gomes, in Facebook, 29/01/2026, Revisão da Estátua)


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Fala-se, nas últimas horas, de um possível entendimento entre a Ucrânia e a Federação Russa para evitar ataques a centrais de energia e infraestruturas críticas. Fala-se – e é importante sublinhá-lo – sem confirmação oficial, sem comunicado conjunto, sem garantias verificáveis. Por agora, trata-se de um dado incerto, mais próximo de um sinal do que de um acordo.

Ainda assim, o simples facto de esse sinal existir não é irrelevante. Num conflito em que a energia foi usada como arma – para escurecer cidades, paralisar economias e pressionar populações civis – qualquer indício de contenção merece atenção. Não por ingenuidade, mas por realismo: as guerras raramente terminam de repente; começam, quase sempre, por pequenas suspensões do absurdo.

O ceticismo é inevitável. A experiência recente mostra que entendimentos deste tipo foram anunciados, violados e enterrados em poucos dias, por ambas as partes. A palavra “acordo” tornou-se frágil, quase decorativa. Mas também é verdade que ninguém negoceia a paz a partir do silêncio absoluto das armas – começa-se, regra geral, por escolher o que já não se ataca.

Se este eventual compromisso se confirmar, será menos um gesto de boa vontade do que um reconhecimento tácito de limites: há infraestruturas cujo ataque deixa de trazer vantagem estratégica e passa apenas a acumular desgaste político e humano. É pouco, mas não é nada.

Convém, portanto, manter duas atitudes em simultâneo: prudência e atenção. Prudência para não vender ilusões; atenção para não desperdiçar sinais.

Porque, numa guerra prolongada, até uma pausa mal definida pode ser o primeiro ensaio de uma negociação mais séria. E, neste momento, qualquer ensaio – por frágil que seja – já é melhor do que a repetição mecânica da destruição.

A batalha contra a colónia petrolífera de Trump

(Claudio Katz, in Resistir, 10/01/2026)


O confronto na Venezuela está apenas a começar e decorreu apenas o primeiro ato de um cenário aberto.


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Com o sequestro de Maduro, Trump incorporou duas novidades à brutalidade imperial. Ele explicitou seu propósito de roubar o petróleo e sua pretensão de instaurar um domínio colonial.

O seu argumento absurdo para roubar o petróleo é que esse recurso pertence aos Estados Unidos devido a algum investimento feito no passado. Com esse critério, o Texas, a Califórnia e o Arizona deveriam ser imediatamente devolvidos ao México, mas o magnata é um valentão que não raciocina. Ele proclama uma apropriação que começou com sanções, bloqueios e a confiscação da filial externa Citgo.

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