Espanha – Tentativa de assassinato do Presidente do Governo, Pedro Sánchez

(Carlos Esperança, 15/11/2018)

armas

Na foto estão as armas que eram detidas pelo presumível terrorista.

A Justiça espanhola considerou o militante nazi, Manuel Murillo, um atirador olímpico, detentor de um arsenal bélico e preparado para assassinar o Chefe do Governo, como não terrorista. Foi considerado mero portador de intenções de conspiração para atentar contra uma autoridade, apesar da organização, das ligações, dos meios, e da decisão de matar essa ‘autoridade’, que era ‘apenas’ o chefe do Governo de Espanha.
E de esquerda!

Em Portugal não há um só juiz Fernando Andreu nem chefia da Procuradoria Geral que, conhecendo, desde o início, a detenção de um nazi com um vasto arsenal, que planeasse matar o PM, decidisse não investigar o caso; e, muito menos, uma ‘Audiência Nacional’ capaz de urdir uma mentira inverosímil para ocultar a inércia contra o decidido atirador, cego de raiva pela exumação de Franco do Vale dos Caídos.

Manuel Murillo, vigilante de segurança e autor da tentativa de assassinato do presidente do Governo foi detido quando planeava matá-lo. O fascista tinha sido condecorado, em fevereiro deste ano, pela Associação de Amigos da Guarda Civil, em Barcelona, nas próprias instalações da Zona da Catalunha do Instituto Armado, na presença de altos comandos, facto que só surpreende quem desconhece que o franquismo permanece nas Forças Armadas e de Segurança e no aparelho de Estado.

O franco-atirador, ora detido, que é filho do último autarca franquista da localidade catalã de Rubí, frequentava ambientes de ultradireita e tinha jurado vingança contra Sanchez, se retirasse Franco do Vale dos Caídos.

O gabinete de relações públicas da Guarda Civil já veio dizer que a presença de Murillo nas suas instalações foi a título meramente privado e da exclusiva responsabilidade da Associação de Amigos da Guarda Civil. A Procuradoria da Audiência Nacional, depois de urdir uma mentira para fugir às responsabilidades, já se retratou e reconheceu que, afinal, admite agora, conhecia o caso do franco-atirador.

Além do risco que correu a chefe do Governo de Espanha e da displicência com que a tentativa de assassinato foi encarada pela magistratura (ir)responsável, é evidente que o aparelho de Estado espanhol não é o de uma democracia. Tal como a monarquia, é uma herança do ditador.


Fonte: Todos os factos têm sido relatados no Público e, alguns, em El País, nos últimos dias. Deve-se a esses jornais a divulgação do atentado à democracia, que ameaçava ser silenciado. Há, aliás, uma indiferença preocupante em Espanha e silêncio em Portugal.

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Guião para a direita seguir o exemplo de Bolsonaro

 

(Francisco Louçã, in Expresso Diário, 30/10/2018)

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Que entusiasmo, o homem ganhou, tudo é possível, o mundo é nosso, Portugal ainda há de ser um imenso Brasil, afinal só nos faltam as milícias na rua, o ódio aos homossexuais, o fervor evangélico, uma multidão de vendedores de rua a gritar pela ditadura militar, pois mulheres a ganharem menos do que os homens já temos, negros espancados nas esquadras também, jovens precarizados a saltar de biscate em biscate é o pão nosso de cada dia.

Só que não basta querer, é preciso saber. Deixem-me por isso, caro dirigentes da direita, que vos apresente alguns conselhos, obviamente desinteressados, para vos ajudar por esse caminho em que, imitando Bolsonaro, ascenderão aos píncaros da glória e arrematarão as eleições. Não é fácil, é preciso é tenacidade e total falta de escrúpulos, de que timidamente já deram provas.

O primeiro problema da direita que quer imitar Bolsonaro (ou Trump) é que a condição da sua vitória é virem de fora. Não é bem de fora, na verdade, Trump já por lá andava e Bolsonaro foi um deputado medíocre durante quase trinta anos, mas tem de parecer que não são “do sistema”, que irrompem, que desprezam os “políticos”, que têm notícias espantosas a dar. Má onda para Cristas ou Santana, ela e ele são tudo menos caras novas (Rui Rio, como é bom de ver, não entraria neste filme). Não basta mudar de fato e ensaiar um discurso mais agressivo para lá chegar, fica algo ridículo e parece cambalhota política. Se querem trumpizar, melhor dar a vez a Nuno Melo ou substituir a liderança unipessoal da novel Aliança, talvez recrutando algum colunista ou youtuber atrevido, é aí que está o mercado. Não é fácil, os dirigentes de sempre querem parecer novos e não querem sair do seu lugar.

O segundo problema é que é preciso criminalizar o adversário, é preciso que uma parte do eleitorado deteste o PS e os partidos de esquerda e repita “geringonça nunca”. Há várias formas de lá chegar. Um caminho são as centrais de ódio nas redes sociais, alugar uns trolls e contratar uns robôs frenéticos, mobilizar uns bolsominions repetitivos. A Catarina passeia-se com um relógio de 21 milhões de euros, deve ter sido o pagamento da corrupção no contrato dos submarinos. Seria bem apanhado, mas nada bate certo, é melhor tentar outra vez, ponham-lhe a fotografia com um helicóptero privado ou, melhor ainda, um jato, ela vai para casa de jato privado, aterra em Gaia, e leva o relógio.

Ou, o Costa é amigo dos venezuelanos, quer impor o socialismo em Portugal, confiscar os supermercados e impor senhas de racionamento do arroz. Que aborrecimento, o último Governo a negociar com Chávez e Maduro foi o do PSD-CDS e, para azar dos Távoras, ficaram as imagens desses abraços amigos. Mas não importa, é preciso é inventar, estou certo de que o Costa vai com o relógio dos milhões da Catarina e no seu jato privado passar férias com Maduro e conspirar sobre o socialismo.

Outra forma de mostrar como o adversário é detestável é usar a justiça. É sempre mais solene. Mas já houve duas oportunidades, a da Casa Pia, em que os entusiastas pensavam envolver o então secretário-geral do PS, e falhou, e a do processo de Sócrates, em que ninguém se lembrou de aproveitar para pedir que Mário Soares e António Costa fossem postos a “apodrecer na prisão”, assim à Bolsonaro, uma versão do “ponham-na atrás das grades” que se cantava nos comícios de Trump. Com franqueza, se os imitadores portugueses não têm topete para seguir o augusto exemplo dos Presidentes dos EUA ou do Brasil, como querem colher os mesmos resultados?

Resumindo, não é fácil. O pessoal disponível está gasto e não se atreve muito nos temas. A religião está acima da Constituição, mulher que aborte é presa, é proibido comer camarão, o ensino do criacionismo substituirá as aulas pagãs sobre Darwin e a evolução, nada disso entusiasma o povo. O programa económico é outro problema: vamos vender a floresta, vamos privatizar as empresas públicas, os CTT, a Galp e a EDP, são ideias brilhantes, mas está tudo feito. A segurança social, falta a segurança social, mas o Brasil a imitar o Chile de Pinochet é dificultoso, o esquema deu num mar de corrupção, em pagamentos régios a administradores e na falência dos fundos financeiros, que deixaram de pagar as pensões. Alguém vem para a rua em Portugal para exigir a privatização da segurança social de modo a combater este perigoso “socialismo” que paga as pensões?

Não desanime, caro dirigente da direita. Já esteve bem ao afirmar a sua equidistância face aos “candidatos extremistas” no Brasil, cá para o nosso burgo essa atitude parece sensata, mas mostrou que esteve sempre de olho no que iria criar “menos instabilidade”, como nos explicou o “Observador” naquela coça que deu a David Dinis, não é que ele se atreveu a sugerir que a liberdade devia ser levada a sério. Afinal, os mercados aplaudiram e o que seria de nós sem os mercados? Agora, se quer sucesso, vai ter que se esforçar. Isto com umas feiritas e uns comícios não vai lá. Não há notícia. Prometa que manda prender os ciganos, resulta sempre, ou impor aos professores a lei marcial para darem aulas. Lei marcial é boa ideia. Ou que vai distribuir armas para resolver as quezílias na assembleia geral do condomínio. Assim coisas saborosas. Se não sabe criar temas apaixonantes e puxar pela lágrima, dedique-se a outro negócio, há quem queira ocupar o seu lugar.

Tenho mesmo uma candidata, melhor do que o que o mercado agora oferece. Creio que se devia pôr os olhos na Maria Vieira para dirigir a direita. Qual Ventura, esse é um copinho de leite. Qual Melo, é um fidalgote. Quais cromos repetidos, são enfadonhos. É preciso uma figura emergente, devota, impiedosa com os infiéis, amiga de armas, de créditos firmados na luta contra o socialismo pagão. Seria a melhor figura que a direita teria para o cargo de primeira-ministra.

Deputada quer alunos a filmar e a denunciar professores anti-Bolsonaro

(In Diário de Notícias, 29/10/2018)

(Para os que duvidavam, aí está. O fascismo e a ditadura já estão em marcha. A perseguição política aos adversários e a “caça às bruxas” já começou. A censura e a perseguição física a quem se opuser ao novo “Messias”. Foi isto que o brasileiros quiseram, foi isto que muitos que se consideram democratas apoiaram. Nem será preciso chegar a Janeiro, quando Bolsonaro toma posse, para que a “serpente saia do ovo”. Não, ela aí está já, pronta a largar o seu veneno.

Comentário da Estátua, 29/10/2018)


“Filme ou grave todas as manifestações político-partidárias ou ideológicas” em sala de aula, pede Ana Caroline Campagnolo, do PSL. Já há vídeos a serem enviados e há quem diga que “a ditadura já foi instaurada”…


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