A UE morreu. A NATO morreu. A Europa morreu. O rato morreu.

(Por Hans-Jürgen Geese , 19/07/2026, Tradução da Estátua)


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Se quer compreender a história dos últimos 81 anos, precisa de começar a sua pesquisa pelo princípio. Logicamente. Mas muito poucas pessoas realmente o fazem. Começar por que evento? Pela morte do presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt.

O presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, morreu a 12 de abril de 1945, 26 dias antes do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Tinha 63 anos. A causa da morte foi uma hemorragia cerebral.

Com base na lógica dos acontecimentos subsequentes, deve presumir-se que o presidente Franklin D. Roosevelt foi assassinado. Porquê?

Roosevelt queria criar um mundo de cooperação e paz após a guerra. Isto também se aplicava à sua relação com a União Soviética, à qual tinha generosamente prometido ajuda para a reconstrução. Mas isso nunca aconteceu.

A 12 de abril de 1945, Harry S. Truman tornou-se presidente dos Estados Unidos da América. Truman, um antigo funcionário bancário que mais tarde geriu o seu próprio negócio de vestuário antes de chegar ao Senado, percebia muito pouco de política mundial.

Após o fim da guerra, Truman tomou três decisões devastadoras que influenciaram o curso da história mundial até aos dias de hoje:

Em primeiro lugar, optou por uma política de confronto contra o comunismo. O início da Guerra Fria data de 1947/48.

Em segundo lugar, a 26 de julho de 1947, Truman fundou a CIA. Anos mais tarde, admitiu que esse foi o maior erro da sua vida. Disse estar “profundamente perturbado” com o facto de a CIA se ter tornado um braço operacional e político, independente do governo. A CIA começou logo a instalar e a remover governos na Europa e noutras partes do mundo.

Terceiro: Os alemães queriam tornar-se neutros após o fim da Segunda Guerra Mundial. Truman negou aos alemães o direito à autodeterminação.

Truman rejeitou um entendimento com a União Soviética, em parte porque a União Soviética tinha proposto uma Alemanha neutra, unificada e desarmada. Os EUA, no entanto, queriam a rica Alemanha como um Estado vassalo.

O início da era das guerras intermináveis.

Truman enviou tropas norte-americanas para a Coreia em 1950 sem a aprovação formal do Congresso, como exige a Constituição. Chegou mesmo a autorizar a travessia do paralelo 38. Esta decisão provocou a entrada maciça da China no conflito. Quem provocou esta guerra? A CIA.

Em suma: desde 26 de julho de 1947, data da fundação da CIA, que a política externa dos Estados Unidos da América é controlada e decidida pela CIA. Não por Truman. E nem por Trump.

O Presidente Eisenhower revelou esta verdade no seu discurso de despedida televisionado, em 17 de janeiro de 1961.

Quando o presidente Kennedy chegou a conclusões semelhantes, disse que queria “destruir a agência de informação em mil pedaços e espalhá-los ao vento”. A CIA assassinou-o então. O diretor da CIA, Allen W. Dulles, demitido por Kennedy, foi membro da Comissão Warren, que investigou o assassinato de Kennedy. O mundo conhecia agora o poder da CIA.

Ao longo dos anos, a CIA conseguiu construir uma rede mundial, aliando-se a outras agências de inteligência e adquirindo milhares de milhões de dólares através de atividades ilegais como o tráfico de droga, o comércio de armas e a escravatura, de forma a executar os seus próprios planos independentemente do Congresso.

Em 1976, a CIA foi investigada pelo Congresso pela primeira e única vez (Comissão Church). A CIA foi apanhada a realizar atividades de espionagem doméstica. Isto foi em 1976. Ninguém no Congresso dos EUA ousaria conduzir hoje uma investigação â CIA.

Todos os presidentes dos EUA desde John F. Kennedy não passaram de idiotas úteis para a CIA. Donald J. Trump não é exceção. Sobretudo Donald J. Trump. Goza do privilégio de enriquecer à vontade, sob a supervisão da CIA.

Importante: Se trabalha para a CIA, é “imortal”. Caso contrário, o jogo com a CIA não funciona, porque todos os presidentes e outros participantes querem naturalmente colher os frutos desta relação. Isto também se aplica, por exemplo, a Volodymyr Zelenskyy.

Sim, todos os aliados da CIA são intocáveis. Pergunte a Macron, Merz ou Merkel. Os índices de aprovação pública são completamente irrelevantes. A democracia não passa de uma bela fachada. É preciso dizer que todos os cidadãos destas democracias não passam de idiotas úteis.

A União Europeia (UE)

A ironia da história da UE reside certamente no facto de a UE e as suas organizações antecessoras terem sido criadas para evitar outra guerra na Europa. E agora a UE está praticamente obcecada em travar uma guerra na Europa. Repare, a UE sempre teve uma ligação muito limitada com a economia.

Isto é também evidente pelo facto de que, quando um novo país é admitido na UE, necessita quase sempre de se tornar mais tarde membro da NATO.

O principal objetivo da UE não é, portanto, o bem-estar económico dos seus cidadãos, mas sim o controlo sobre os mesmos. É simplesmente mais fácil controlar a UE do que todos os países individualmente. Isso seria uma tarefa gigantesca. Agora, passados ​​muitos e muitos anos, conseguiram instalar idiotas intelectuais e morais como chefes de governo em todos os países da UE. Uma conquista verdadeiramente admirável. Não há um único país com um dissidente. São todos agentes impecáveis ​​da CIA.

Se a Alemanha se tivesse tornado neutra em 1945 e nunca tivesse aderido à União Europeia, seria hoje praticamente um paraíso na Terra. Claro que isso não podia acontecer. Muito provavelmente, teria levado a uma estreita cooperação com a União Soviética, para benefício de ambos os países. Uma perspetiva assustadora para Washington e Londres.

Em contrapartida, a República Federal da Alemanha é agora o tesoureiro da Europa. Hoje, a riqueza da República Federal está a ser sistematicamente explorada em benefício de outros. Restará pouco. O objetivo é uma espécie de asilo para pobres.

A abolição do marco alemão foi um erro colossal. O que raio levou Kohl a pensar isso? Que loucura! Regra número um para um Estado soberano: nunca abdique da sua soberania. Jamais. Contudo, a República Federal da Alemanha não pode abrir mão da sua soberania hoje. Porque, para começar, ela não a possui.

NATO

Ouça os discursos proferidos pelos políticos na Conferência de Segurança de Munique (13 a 15 de fevereiro de 2026) e na recente cimeira da NATO em Ancara (7 e 8 de julho de 2026). Estes políticos estão completamente desvairados. A única coisa que lhes importa é a guerra. E trata-se de desperdiçar centenas de milhares de milhões de euros na guerra planeada contra a Rússia. No final do dia, isto representará biliões de euros — dinheiro desesperadamente necessário para investimentos em infraestruturas, educação, saúde e outras áreas na Europa. Estes políticos estão obcecados com a ideia de derrotar a Rússia. O bom senso já não tem qualquer efeito  neles.

Se alguma vez quis saber como se deu a Primeira ou a Segunda Guerra Mundial, então está agora a viver uma projeção desses tempos no presente.

A NATO deveria ser abolida. Assim como a UE. Ambas as organizações são instrumentos do diabo. É preciso dizê-lo sem rodeios. Nada de bom pode vir destas organizações. Vejam Ursula von der Leyen. Corrupta até à medula. Ou o Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, que chama “papá” a Donald Trump. Figuras tão patéticas lideram a Europa. Repito: como pode algo de bom advir disto?

É necessário reconhecer que o dinheiro governa o mundo, logicamente, direta ou indiretamente, e que todas estas organizações representam, em última análise, modelos de negócio concebidos para canalizar ainda mais dinheiro, direta ou indiretamente, para canais específicos.

A depravação, a corrupção, a pura crueldade da classe política são difíceis de discernir e compreender para nós, cidadãos. É necessária uma predisposição psicopática para cometer tais crimes. Todos os dias, centenas de pessoas morrem na guerra na Ucrânia. Todos os dias, centenas de pessoas morrem nas guerras no Médio Oriente. Os políticos podiam pôr um fim a isto. Mas não o fazem. São escravos de uma agenda obscura. A UE e a NATO não são mais do que organizações criminosas.

Europa

Vivi e trabalhei em vários países. É uma ilusão presumir que um alemão e um francês pensam e agem da mesma forma. Basta perguntar a um maestro alemão se interpreta a música da mesma forma que os seus colegas italianos. Culturas diferentes criam pessoas diferentes. Isso é simplesmente da natureza humana. Mas é precisamente esta diversidade que enriquece a Europa. É algo muito positivo.

Serão muito poucas as pessoas que se descreverão primordialmente como europeias. Nunca conheci ninguém que tenha feito tal afirmação.

Tal como a diversidade na Europa é o que a torna rica, a diversidade do povo alemão é o que torna a Alemanha rica. Um saxão não é um bávaro.

Se a Europa for inundada por estrangeiros, esta vantagem cultural desaparecerá. E é esse o objetivo desta entrada de milhões de pessoas de culturas estrangeiras que nunca poderão ser integradas.

Basta observar as taxas de natalidade dos alemães e dos imigrantes para calcular quanto tempo levará até que os alemães se tornem uma minoria no seu próprio país. Isso já é previsível. É irreversível. Isto é uma guerra contra os alemães.

“A Alemanha está a autodestruir-se”, “A Europa está a autodestruir-se” são meras conclusões, nada mais do que o resultado da aplicação do senso comum. Quem discordaria disto hoje em dia?

A Europa, enquanto instituição, foi e continua a ser um nado-morto

Após os Estados Unidos assumirem a hegemonia mundial após a Segunda Guerra Mundial, tiveram naturalmente de se livrar dos seus adversários mais próximos. Para além da União Soviética, estes incluíam a Europa Ocidental, especialmente a Alemanha.

O Plano Marshall não foi mais do que um programa de estímulo económico para a economia americana. Depois de os americanos terem bombardeado a Alemanha até a destruir completamente, sem qualquer sentido, depois de terem morto centenas de milhares de civis, também sem qualquer sentido, e lucrado enormemente com isso, ofereceram-se generosamente para reconstruir tudo. Só para lucrar com a guerra mais uma vez.

O que estes alemães adoradores dos americanos não compreenderam, e não querem compreender, é o seguinte: na América venera-se o dólar. Dinheiro.

Os alemães, no entanto, sempre viveram numa cultura diferente, onde, para além do dinheiro, existem valores muito mais importantes, especialmente o bem comum, que na América é equiparado ao socialismo ou mesmo ao comunismo.

A americanização da Europa significa o fim da Europa. Significa também, antes de mais, um completo emburrecimento da Europa, o que é praticamente o pré-requisito para alcançar a desejada americanização e, consequentemente, o seu declínio.

Nota: A educação era o bem supremo para os alemães. A educação era o bem supremo para os europeus. Os americanos nunca conseguiriam competir com isso. Então, qual foi a solução para os americanos? O abaixamento do nível educacional dos europeus. Diplomas do ensino secundário para todos.

A Europa é uma colónia dos americanos

Pode achar essa afirmação exagerada. Mas os americanos consideram-nos seus súbditos. Basta ouvir Trump ou os seus comparsas. Não nos levam a sério. E até o dizem abertamente.

Só pode negociar ou conviver com alguém se negociar em termos iguais e for visto como um parceiro em pé de igualdade. Isto aplica-se ao seu casamento. Isto aplica-se à coexistência das nações.

A saída é uma rotura radical com os Estados Unidos. A Europa precisa de se reinventar. Mandem os americanos para casa. Todos eles. De preferência hoje. E que Trump seja feliz no seu Washington. Ignorem-no.

Por isso, falem com os russos e encontrem uma solução para o conflito na Ucrânia. Sem os americanos. Porque, para os americanos, o que é a guerra? Um modelo de negócio. Sempre foi e provavelmente sempre será. Em 250 anos de história, tiveram apenas 19 anos sem um conflito militar! 19 anos em 250!

A Alemanha para os alemães. E Europa para os europeus. Que uma nova Alemanha e uma nova Europa surjam então da paz e da prosperidade. Nós, europeus, nós, alemães, devemos esperar pela ressurreição de pelo menos parte da Europa no futuro. A Europa de outrora, a Europa de hoje, nunca mais voltará a existir. Só em bolsas isoladas a cultura europeia, e consequentemente a cultura alemã, poderá sobreviver.

Atingir esta modesta meta só será possível em cooperação com a Rússia. Sem a UE, sem a NATO, sem estes políticos idiotas. A profissão de político deve ser abolida de uma vez por todas. Tal processo não funcionou. São controlados por outros. O povo precisa de aprender a autogovernar-se. 

Fonte aqui

 Zelensky não é nazi? Mas homenageia-os

(José Goulão, in AbrilAbril, 11/06/2025)

Fonte: Presidência da Ucrânia

Ao trasladar para solo ucraniano os restos mortais dos antigos terroristas nazis como símbolos da nacionalidade e da pátria, Zelensky não está apenas a dizer aos seus compatriotas que assim é a «liberdade ucraniana»; está a dizer que o preço a pagar por um «tampão» contra a Rússia é um ajuste de contas com a História.


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

O acontecimento foi relatado com alguma discrição na comunicação/propaganda do regime oficial de «democracia liberal» implantado na União Europeia. O presidente ucraniano, legalmente fora de prazo, homenageou com pompas estatais a chegada a Kiev dos restos mortais do genocida nazi Andriy Melnik.

Pudor? Desconhecimento? Ou o reconhecimento da doutrina de que tudo é permitido ao chefe em funções da máquina nazi que se apoderou do Estado da Ucrânia na sequência do golpe norte-americano e europeu de 2014? Vale tudo, até a veneração de carrascos nazis e genocidas, em nome dos «os nossos interesses» e dos «nossos valores civilizacionais»?

«É extremamente simbólico que os nossos heróis ucranianos de hoje, que arrancaram a Ucrânia das mãos russas, fiquem ao lado dos ucranianos das gerações anteriores que também trabalharam para que a Ucrânia fosse o que é, que a Ucrânia fosse ela mesma, que a Ucrânia fosse livre», disse Volodymyr Zelensky perante a urna com os restos mortais de Melnyk, transportados desde o Luxemburgo, onde estiveram enterrados desde os anos sessenta.

Passando por cima do que «é hoje» a Ucrânia e de como é «a liberdade ucraniana», o maior significado das palavras de Zelensky, ao associar os «heróis» das «gerações anteriores» aos «heróis» de hoje, é o reconhecimento de que existe uma continuidade ideológica, política e militar entre os anos do colaboracionismo dos terroristas ucranianos com Hitler e o «nacionalismo» que assumiu o poder na sequência do chamado «golpe Maidan», em 2014.

Fonte: Presidência da Ucrânia

O chefe da Ucrânia Ocidental proferiu as palavras em honra de Andriy Melnyk no Cemitério Militar Nacional de Kiev, lugar para onde pretende continuar a levar tudo o que resta dos principais dirigentes das várias organizações nazi-fascistas ucranianas dos anos trinta e quarenta do século passado. É o caso da UPA (Exército Insurgente Ucraniano), e da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, também na sua versão OUN-B. O B significa Bandera, a par de Melnyk, um dos chefes terroristas que estiveram integrados no aparelho de guerra do III Reich e procedeu como tal durante os tempos da ocupação nazi da Ucrânia Soviética. Dizendo de outra forma, dirigentes hitlerianos que participaram activamente nas chacinas de mais de 26 milhões de cidadãos soviéticos realizadas nesses anos, entre os quais muitos e muitos milhões de ucranianos na terra que garantiam estar a libertar.

Bandera, recorda-se, é o herói nacional ucraniano por excelência, na actualidade. O dia do seu nascimento é feriado nacional, tem grandiosos monumentos espalhados por todo o lado e o nome associado a alamedas, ruas, estádios, teatros, cinemas e tudo o que possa imaginar-se.

A essência de um regime

Zelensky não é nazi, o regime ucraniano é um exemplo de democracia, nada tem de ditatorial, nem de racista e xenófobo, dizem e repetem, até à exaustão, os dirigentes da União Europeia e respectivos Estados membros, ecoados pelo subserviente aparelho de comunicação social.

Parece que, através de tal insistência, tentam não só disfarçar a realidade como convencer-se a si próprios da verdade de tais negações. Subconscientemente, ou não, assumem um dos princípios sagrados da doutrina Goebbels, segundo o qual uma mentira repetida muitas vezes acaba por tornar-se verdade.

Realidades como a ilegalização de mais de uma dezena de partidos políticos, a censura oficial da literatura e da imprensa, a proibição do uso de línguas nacionais que não seja o ucraniano e a caça violenta aos cidadãos com o objectivo de os mandar para a frente de batalha não incomodam os dirigentes ocidentais. Mesmo que existam tais pecadilhos, vagamente reconhecidos e logo justificados de quando em quando, trata-se de medidas que visam preservar o principal: a tal «democracia liberal»; e manter entretido o papão russo, sempre invejoso do nosso paradisíaco modo de vida.

Ao trasladar para solo ucraniano os restos mortais dos antigos terroristas nazis como símbolos da nacionalidade e da pátria, Zelensky não está apenas a dizer aos seus compatriotas que a Ucrânia é isto e que assim é a «liberdade ucraniana»; está a dizer a toda a União Europeia e aos Estados Unidos – e ao «mundo ocidental», em suma – que o preço a pagar por um «tampão» contra a Rússia é um ajuste de contas com a História que prossiga no caminho da restauração dos objectivos essenciais do nazifascismo.

Na prática, os dirigentes europeus assumem essa realidade. Ou por estarem dispostos a continuar a pagar esse preço, sem medir as consequências; ou por convicção de que a «democracia liberal» pode conviver em paz com o nazifascismo, mesmo que o risco seja diluir-se nele. No fundo, nada mais do que proporcionar as condições políticas necessárias para que o regime económico neoliberal, tão globalista quanto possível, se expresse com toda a sua vitalidade.

O que Zelensky, na sua impunidade, diz aos protectores é que a restauração do passado e a sua transição para o presente traduz a verdadeira essência ucraniana. Uma situação que, com variantes associadas a questões de oportunidade e ao desenvolvimento das circunstâncias, pode estar a viver-se em vários outros países do Leste europeu, já membros da União Europeia, onde o nazifascismo ressurge também como uma espécie de afirmação da identidade nacional «perdida» com o «domínio soviético». Países onde pilares do nazifascismo como o racismo, a xenofobia, o nacionalismo assente em elucubrações esotéricas e guetos religiosos voltam a ser fortes e essenciais, para gáudio do expansionismo e do enraizamento neoliberal.

Melnyk e os desencontros da História

Andriy Melnik, agora honrado por Zelensky e o Estado ucraniano, foi o chefe da OUN desde 1938 até à sua morte, nos anos sessenta. A organização sofreu uma dissidência provocada por Stepan Bandera, relacionada mais com os egos do que por questões estratégicas no combate hitleriano contra a União Soviética e o papel dos chamados «nacionalistas ucranianos».

A OUN e a dissidente OUN-B, juntamente com a UPA, como uma espécie de braço armado, foram as entidades responsáveis por grandes massacres das populações das regiões da Volínia e da Galícia Oriental,  desagregadas da Polónia e integradas na Ucrânia Soviética depois do acordo de vida efémera entre Hitler e Stalin.
Neste quadro, e com apoio de Hitler, Melnyk e Bandera tentaram fazer valer o seu conceito de Ucrânia como «um Estado varrido de judeus, polacos e russos». O que equivale a dizer: que se faça uma limpeza étnica.

Se bem o disseram, mais eficazmente o fizeram, através dos massacres de dezenas de milhares de não-ucranianos, ou mesmo de ucranianos integrados em famílias polacas, nos primeiros anos da década de quarenta, à sombra ou com ajuda directa das tropas de Hitler.

Numa carta dirigida a Joachim Ribbentrop, ministro dos Negócios Estrangeiros de Hitler, Melnyk apresentou, em Julho de 1940, as credenciais da OUN: uma organização «ideologicamente semelhante a movimentos semelhantes na Europa, especialmente o nacional-socialismo na Alemanha e o fascismo em Itália». Nessa missiva, de facto dirigida a Hitler, Melnyk solicitou ainda «que nos seja permitido marchar lado a lado com as legiões da Europa e com a nossa libertadora, a Wehrmacht alemã». Nada por esconder.

A resposta do Reich foi afirmativa. A OUN formou o Batalhão da Bucovina da Abwehr, a espionagem militar nazi, e o processo de constituição foi dirigido pelo próprio Wilhelm Canaris, que chefiou esse departamento entre 1935 e 1944.

O novo batalhão e a UPA dedicaram-se a liquidar mais de cem mil pessoas na Volínia e na Galícia Oriental, sobretudo polacos, arménios, judeus, russos, checos, georgianos, ucranianos contaminados «com sangue polaco». O carniceiro e «herói nacional ucraniano» Dmytro Klyachciwsky, comandante da UPA na Volínia, decretou, em 1944, «a liquidação física geral de toda a população polaca». A chacina incidiu sobre as vítimas mais vulneráveis, mulheres e crianças, como acontece sempre nestes casos, vide nos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Chatila, em Beirute, 1982, e em Gaza, há quase 80 anos.

A OUN de Melnyk distinguiu-se igualmente pela sua violência brutal contra o movimento de revolta em Varsóvia, em 1944. A veneração de Volodymyr Zelensky pelos responsáveis destes actos, assumida em nome do actual Estado ucraniano como herdeiro ideológico, social e militar de tais práticas genocidas, tem passado em claro perante a esmagadora maioria dos dirigentes da União Europeia e dos governos dos Estados membros.

Fonte: Presidência da Ucrânia

A Polónia, porém, guarda recordações doridas desses tempo. Não chegando ainda ao limite de retirar o apoio ao regime ucraniano na guerra contra a Rússia, os dirigentes polacos, pelo menos os que não se integram na elite europeísta de Donald Tusk, têm feito saber a Kiev que estas homenagens aos terroristas violam linhas vermelhas definidas pelo Estado polaco. O processo ainda está em desenvolvimento e Zelensky parece atiçá-lo em crescendo, como quem tenta isolar Varsóvia no contexto europeu.

A Polónia considera oficialmente as acções da OUN, ao lado das forças hitlerianas, contra as populações da Volínia e da Galícia Oriental, como «comportamentos de genocídio». Qualificação que corresponde, ponto por ponto, à definição de genocídio estabelecida pelas Nações Unidas.

Não se nota, dentro das classes políticas ocidentais da «democracia liberal», qualquer incómodo perante as sucessivas homenagens de Zelensky a reconhecidos genocidas. Não temos de nos surpreender, porque a mesma complacência existe em relação ao criminoso de guerra Benjamin Netanyahu, sem que nada aconteça. 

O presidente da Polónia, Karol Nawrocki, escapa a esse unanimismo cúmplice, por razões óbvias. Depois da cerimónia de veneração a Andriy Melnik, encabeçada pelo presidente da Ucrânia, determinou que seja retirada a condecoração polaca «Ordem da Águia Branca» a Zelensky. Na realidade, embora a decisão seja natural, mas corajosa no âmbito europeu, o que surpreende é a anterior atribuição de tão elevada condecoração polaca a um defensor de exterminadores do povo polaco.

Zelensky não é nazi, defendem os dirigentes europeus, de Von der Leyen a Costa, de Montenegro a Macron, Merz, Starmer a Kallas. E a comunicação social oficial vai atrás, lançando anátemas contra as posições responsáveis de quem se limita a constatar a definição da Ucrânia actual como herdeira dos heróis terroristas aliados, colaboradores e cúmplices do regime hitleriano.

Zelensky não é nazi? Mas é público que os venera. Nestas circunstâncias, ser ou não ser deixa de ser uma questão. Entretanto, em todo o continente europeu, a besta cresce, cresce, cresce…

Fonte aqui.

85 anos depois o nazismo volta a ser uma ameaça

(João Gomes, in Facebook, 22/06/2026)


Ajude a Estátua de Sal. Click aqui

Há exatamente 85 anos, a invasão da União Soviética pela Alemanha nazi, através da Operação Barbarossa, deu início a uma das páginas mais sangrentas da História humana. Milhões de vidas seriam destruídas por uma ideologia construída sobre o ódio racial, o nacionalismo extremo, a desumanização do outro e a crença na superioridade de uns sobre os demais.

Por isso, todos os anos, a Rússia assinala esta data como um dia de luto e memória. A cerimónia realizada em Moscovo, com a deposição de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, recorda os milhões de soldados e civis que perderam a vida naquilo que os russos designam como a Grande Guerra Patriótica.

Mas a memória só tem utilidade se servir de alerta.

O nazismo foi derrotado militarmente em 1945, mas as ideias que o alimentaram nunca desapareceram por completo. Permaneceram latentes, à espera de tempos de medo, de crises económicas, de insegurança social e de desilusão política para voltarem a emergir.

Hoje, a Europa assiste com inquietação ao crescimento de movimentos de extrema-direita, alguns dos quais recuperam discursos de intolerância, de supremacismo étnico, de demonização de minorias e de rejeição dos valores democráticos que nasceram precisamente das cinzas da Segunda Guerra Mundial.

Importa distinguir: nem toda a direita é extremista, nem todo o conservadorismo é antidemocrático. Porém, seria igualmente um erro ignorar que, em vários países europeus, grupos assumidamente neonazis e organizações de extrema-direita radical voltaram a ganhar visibilidade e capacidade de influência, sobretudo através das redes sociais e da exploração dos receios e frustrações de muitos cidadãos.

A História ensina-nos que as democracias raramente morrem de um dia para o outro. Morrem lentamente, quando a intolerância se normaliza, quando a mentira se torna aceitável, quando o ódio encontra justificação e quando se acredita que determinados direitos só pertencem a alguns.

O 22 de junho de 1941 não deve ser apenas uma data recordada pela Rússia. Deve ser uma advertência para toda a humanidade. O nazismo não é uma ameaça porque possa regressar exatamente com os mesmos símbolos e uniformes de há oito décadas. É uma ameaça porque as ideias que lhe deram origem continuam a poder reaparecer, adaptadas aos tempos modernos, alimentadas pelo medo e pela divisão.

Oito décadas depois, a melhor homenagem aos milhões de mortos da Segunda Guerra Mundial continua a ser a mesma: não esquecer, não relativizar e nunca permitir que o ódio volte a vestir-se de normalidade. E isso já acontece se olharmos para Israel.