Europa: projeto de paz transmuta-se numa ditadura belicista

(S C F, in Resistir, 19/04/2026)


 A ilusão da Europa como um projeto democrático de paz está a desvanecer-se rapidamente.


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As nações europeias estão a ser destruídas pela guerra e pelo militarismo e, para agravar ainda mais a loucura, a sua classe política e os meios de comunicação estão a impulsionar o processo a um ritmo cada vez mais acelerado.

O destino do continente dificilmente poderia ser mais trágico, dado que emergiu das cinzas da Segunda Guerra Mundial com a esperança de ser um modelo de paz internacional.

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Há um Churchill na Europa: chama-se Pedro Sánchez

(Ana Sá Lopes, in Público, 12/04/2026)


Os americanos e os russos, a nova grande aliança, foram derrotados este domingo na Hungria. Mas Sánchez percebeu que não é a política de apaziguamento que devolve a autoridade à Europa.


Numa daquelas conferências de imprensa circenses na Casa Branca, Trump, a criticar o primeiro-ministro britânico que se recusou a ser apoiante efusivo da guerra dos Estados Unidos contra o Irão, disse que Starmer “não era nenhum Churchill”.

Churchill é muitas vezes invocado ao pontapé e foi o caso. Em 1940, Churchill estava quase sozinho (com Anthony Eden, que se tinha demitido do governo quando percebeu que estava a vingar a opção apaziguadora com Hitler) no combate ao genocídio que o regime nazi levava a cabo contra os judeus e contra as ambições imperialistas de Hitler. Há um livrinho do historiador John Lukacs, Cinco Dias em Londres, que explica passo a passo todos os momentos dessa solidão e o milagre que foi travar a vitória do apaziguamento dentro do Governo britânico. O Reino Unido era bastante anti-semita, na época.

Na Europa, a única voz corajosa a opor-se ao genocídio que Israel está a travar em Gaza e à guerra de Trump e Netanyahu contra o Irão é Pedro Sánchez. Está sozinho: os líderes europeus podem não ter apoiado a guerra do Irão, mas cambalearam, hesitaram, não condenaram expressamente os Estados Unidos e esforçaram-se antes para pôr as culpas no Irão, por ter atacado, na sequência dos bombardeios americanos, outros países do Golfo.

Estamos a viver um grande momento de miséria moral na Europa (e Trump não agradeceu, antes pelo contrário). Ao contrário de Paulo Rangel, o ministro dos Exteriores de Sánchez não recebeu nenhum telefonema de Marco Rubio.

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Quase todas as “altas patentes” europeias parecem os dirigentes do PCP a falar sobre a invasão da Ucrânia — e na altura muita gente, incluindo eu, atacou o PCP. Hoje, peço desculpa pelas minhas críticas à posição do PCP. Estão muito bem uns para os outros, no que toca a invasões ou “operações especiais” ou ataques a populações civis e infra-estruturas e, ao contrário do PCP, as críticas à cumplicidade europeia raramente se ouvem.

Na terça-feira, quando Trump ameaçou “destruir toda uma civilização”, o silêncio nas “chancelarias europeias” foi de morte.

Depois da primeira ameaça louca de Trump no domingo passado, em que ameaçou fazer “os iranianos voltarem à idade da Pedra, que é o seu lugar”, António Costa ainda teve uma reacção decente e a mais forte desde que começou a guerra: “Qualquer ataque a infra-estruturas civis, nomeadamente energéticas, é ilegal e inaceitável” e o que se aplica “à guerra da Rússia na Ucrânia aplica-se a todo o lado”. Mas depois da ameaça da “destruição da civilização” iraniana, Costa e os outros ficaram calados.

Pedro Sánchez emerge agora como a única consciência moral da Europa, o único líder verdadeiramente corajoso, aquele que percebeu muito antes dos outros que os “princípios europeus” já foram suficientemente manchados e se a Europa quer enfrentar o inimigo interno (os americanos e os russos, a nova grande aliança, conseguiram ser derrotados este domingo na Hungria com a derrota de Órban) não é com a política do apaziguamento que vai lá.

Na sexta-feira, Sánchez fez um discurso no European Pulse Forum que é a “basezinha” dos dilemas europeus neste momento: “O desafio da Europa não é só rearmar-se para enfrentar os seus problemas de segurança e de defesa, mas também rearmar-se moralmente, para que possa contribuir para o desenvolvimento estável e pacífico do mundo”.

Sánchez defende que a União Europeia acabe com o acordo de associação com Israel — coisa que a Europa não fará. Obviamente, o Governo de Israel responde a Espanha com a palavra que usa contra todos os que se manifestam contra o genocídio em curso: “Anti-semita”. Na realidade, a Europa tem de escolher se mantém a cumplicidade com crimes de guerra e com o genocídio, mantendo a “chamberlanização” da sua política externa, ou se faz como Churchill e deixa de apaziguar. A única referência moral é hoje Pedro Sánchez… e o Papa Leão XIV.

Mandem mais dinheiro para a Ucrânia…

(Francisco Fortunato in Facebook, 09/04/2026, Revisão Estátua)


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Ora aqui está uma fatura que devia ser paga exclusivamente pelos gajos e gajas das bandeirinhas da Ucrânia que achavam que o Putin queria conquistar a Europa e só parava em Lisboa, no Estádio da Luz. Que a Europa devia reforçar a sua defesa (leia-se dar dinheiro para a NATO) para travar os instintos de malvadez do maquiavélico senhor de Moscovo.

Os que avisavam para tamanha estupidez eram logo acusados de agentes moscovitas e até ameaças de morte recebiam. Eu recebi duas pelo Messenger e até políticos do PS destrataram publicamente os poucos socialistas que ousaram levantar a voz contra a narrativa da UE e da NATO/EUA do Biden. Hoje vemos bem quem é o maior perigo para a Paz Mundial.

Esses idiotas úteis não vão pedir desculpa pela contribuição que tiveram para termos chegado ao ponto que refere o aviso do FMI, vão hipocritamente derramar lágrimas de crocodilo pelos cortes no Estado Social. A estupidez paga-se caro, muito caro, e por isso, os que mandam querem, cada vez mais, gente estúpida que se julgue muito inteligente.


(Diogo Sousa in Facebook, 10/04/2026, Revisão Estátua)

O título do relatório do FMI deveria ser outro: “O Grande Assalto”. 𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐨 𝐅𝐌𝐈 𝐚𝐝𝐦𝐢𝐭𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐫𝐢𝐝𝐚 𝐚𝐨 𝐚𝐫𝐦𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐨𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐫𝐚́ 𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝟐𝟓% 𝐧𝐚 𝐒𝐞𝐠𝐮𝐫𝐚𝐧𝐜̧𝐚 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐞 𝟐𝟔% 𝐧𝐚 𝐒𝐚𝐮́𝐝𝐞, está a confirmar que o bem-estar dos cidadãos europeus foi oferecido em sacrifício no altar do Complexo Militar-Industrial americano.

Para que as ações da Lockheed Martin, da RTX e da Boeing subam, e para que os dividendos fluam para a BlackRock e a Vanguard, é necessário que o mundo esteja a arder. 𝐀 𝐞𝐥𝐢𝐭𝐞 𝐟𝐢𝐧𝐚𝐧𝐜𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐚𝐦𝐞𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚 𝐚𝐩𝐞𝐫𝐟𝐞𝐢𝐜̧𝐨𝐨𝐮 𝐚 𝐚𝐫𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐜𝐫𝐢𝐚𝐫 “𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐏��́𝐫𝐢𝐚𝐬” 𝐞 “𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐓𝐞𝐫𝐫𝐨𝐫𝐢𝐬𝐭𝐚𝐬”.

Financiam-se fações, desestabilizam-se regiões e, subitamente, as fronteiras da NATO são declaradas em perigo. Esta insegurança fabricada não visa a “liberdade”; visa o contrato. É uma estratégia de marketing onde o produto é o míssil e o anúncio é a guerra.

A estratégia é brilhante na sua perversidade. Ao forçar os países europeus a cumprir as metas de gasto militar da NATO, 𝐖𝐚𝐥𝐥 𝐒𝐭𝐫𝐞𝐞𝐭 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐝𝐞𝐬𝐦𝐚𝐧𝐭𝐞𝐥𝐚𝐫 𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐨𝐫𝐫𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚.

Uma Europa que gasta o seu PIB em caças F-35 (comprados aos EUA) é uma Europa que não investe em tecnologia, infraestrutura ou na saúde do seu povo. Ao “terraplanar” economias através da dívida militar, os EUA garantem que a Europa deixe de ser um rival económico para passar a ser 𝐮𝐦 𝐦𝐞𝐫𝐜𝐚𝐝𝐨 𝐜𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨 𝐞 𝐝𝐞𝐩𝐞𝐧𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞.

A História, como diz o FMI, mostra que o dinheiro nunca chega para os dois. Mas não há “escolha” democrática aqui. Quando as grandes gestoras de ativos controlam tanto os bancos que emprestam dinheiro aos governos europeus como as fábricas que vendem as armas, o jogo está viciado.

A Europa está a ser obrigada a importar o modelo americano de “𝐂𝐚𝐩𝐢𝐭𝐚𝐥𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐢𝐥𝐡𝐚𝐠𝐞𝐦”: hospitais degradados, escolas subfinanciadas e uma classe média asfixiada pela dívida, tudo para que o balanço financeiro de meia dúzia de instituições em Manhattan continue a bater records.

Os “Estados Falhados” que os EUA deixam para trás no Médio Oriente e no Leste Europeu não são erros de cálculo — são externalidades lucrativas. Criam ondas de refugiados que pressionam ainda mais os orçamentos sociais europeus, forçando mais cortes, mais dívida e mais dependência do sistema financeiro controlado por Washington.

𝐂𝐨𝐧𝐜𝐥𝐮𝐬𝐚̃𝐨: 𝐎 𝐃𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐭𝐚𝐫 𝐨𝐮 𝐚 𝐅𝐚𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚

A elite financeira que é dona do complexo militar-industrial não tem bandeira nem lealdade a cidadãos. Para eles, a NATO é apenas um sindicato de vendas armado. 𝐄𝐧𝐪𝐮𝐚𝐧𝐭𝐨 𝐨𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐮𝐬 𝐧𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐫𝐞𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐞𝐮𝐫𝐨 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐨 𝐞𝐦 𝐦𝐮𝐧𝐢𝐜̧ões 𝐞́ 𝐮𝐦 𝐞𝐮𝐫𝐨 𝐫𝐨𝐮𝐛𝐚𝐝𝐨 𝐚𝐨 𝐬𝐞𝐮 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐨, continuarão a ser os figurantes pagantes num filme de terror realizado em Wall Street.

O aviso do FMI é o sino de recolher: 𝐚 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐜𝐚𝐧𝐢𝐛𝐚𝐥𝐢𝐳𝐚𝐝𝐚 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐩𝐫𝐨́𝐩𝐫𝐢𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐚𝐧𝐜̧𝐚.