Zelensky não é nazi? Mas homenageia-os

(José Goulão, in AbrilAbril, 11/06/2025)

Fonte: Presidência da Ucrânia

Ao trasladar para solo ucraniano os restos mortais dos antigos terroristas nazis como símbolos da nacionalidade e da pátria, Zelensky não está apenas a dizer aos seus compatriotas que assim é a «liberdade ucraniana»; está a dizer que o preço a pagar por um «tampão» contra a Rússia é um ajuste de contas com a História.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

O acontecimento foi relatado com alguma discrição na comunicação/propaganda do regime oficial de «democracia liberal» implantado na União Europeia. O presidente ucraniano, legalmente fora de prazo, homenageou com pompas estatais a chegada a Kiev dos restos mortais do genocida nazi Andriy Melnik.

Pudor? Desconhecimento? Ou o reconhecimento da doutrina de que tudo é permitido ao chefe em funções da máquina nazi que se apoderou do Estado da Ucrânia na sequência do golpe norte-americano e europeu de 2014? Vale tudo, até a veneração de carrascos nazis e genocidas, em nome dos «os nossos interesses» e dos «nossos valores civilizacionais»?

«É extremamente simbólico que os nossos heróis ucranianos de hoje, que arrancaram a Ucrânia das mãos russas, fiquem ao lado dos ucranianos das gerações anteriores que também trabalharam para que a Ucrânia fosse o que é, que a Ucrânia fosse ela mesma, que a Ucrânia fosse livre», disse Volodymyr Zelensky perante a urna com os restos mortais de Melnyk, transportados desde o Luxemburgo, onde estiveram enterrados desde os anos sessenta.

Passando por cima do que «é hoje» a Ucrânia e de como é «a liberdade ucraniana», o maior significado das palavras de Zelensky, ao associar os «heróis» das «gerações anteriores» aos «heróis» de hoje, é o reconhecimento de que existe uma continuidade ideológica, política e militar entre os anos do colaboracionismo dos terroristas ucranianos com Hitler e o «nacionalismo» que assumiu o poder na sequência do chamado «golpe Maidan», em 2014.

Fonte: Presidência da Ucrânia

O chefe da Ucrânia Ocidental proferiu as palavras em honra de Andriy Melnyk no Cemitério Militar Nacional de Kiev, lugar para onde pretende continuar a levar tudo o que resta dos principais dirigentes das várias organizações nazi-fascistas ucranianas dos anos trinta e quarenta do século passado. É o caso da UPA (Exército Insurgente Ucraniano), e da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, também na sua versão OUN-B. O B significa Bandera, a par de Melnyk, um dos chefes terroristas que estiveram integrados no aparelho de guerra do III Reich e procedeu como tal durante os tempos da ocupação nazi da Ucrânia Soviética. Dizendo de outra forma, dirigentes hitlerianos que participaram activamente nas chacinas de mais de 26 milhões de cidadãos soviéticos realizadas nesses anos, entre os quais muitos e muitos milhões de ucranianos na terra que garantiam estar a libertar.

Bandera, recorda-se, é o herói nacional ucraniano por excelência, na actualidade. O dia do seu nascimento é feriado nacional, tem grandiosos monumentos espalhados por todo o lado e o nome associado a alamedas, ruas, estádios, teatros, cinemas e tudo o que possa imaginar-se.

A essência de um regime

Zelensky não é nazi, o regime ucraniano é um exemplo de democracia, nada tem de ditatorial, nem de racista e xenófobo, dizem e repetem, até à exaustão, os dirigentes da União Europeia e respectivos Estados membros, ecoados pelo subserviente aparelho de comunicação social.

Parece que, através de tal insistência, tentam não só disfarçar a realidade como convencer-se a si próprios da verdade de tais negações. Subconscientemente, ou não, assumem um dos princípios sagrados da doutrina Goebbels, segundo o qual uma mentira repetida muitas vezes acaba por tornar-se verdade.

Realidades como a ilegalização de mais de uma dezena de partidos políticos, a censura oficial da literatura e da imprensa, a proibição do uso de línguas nacionais que não seja o ucraniano e a caça violenta aos cidadãos com o objectivo de os mandar para a frente de batalha não incomodam os dirigentes ocidentais. Mesmo que existam tais pecadilhos, vagamente reconhecidos e logo justificados de quando em quando, trata-se de medidas que visam preservar o principal: a tal «democracia liberal»; e manter entretido o papão russo, sempre invejoso do nosso paradisíaco modo de vida.

Ao trasladar para solo ucraniano os restos mortais dos antigos terroristas nazis como símbolos da nacionalidade e da pátria, Zelensky não está apenas a dizer aos seus compatriotas que a Ucrânia é isto e que assim é a «liberdade ucraniana»; está a dizer a toda a União Europeia e aos Estados Unidos – e ao «mundo ocidental», em suma – que o preço a pagar por um «tampão» contra a Rússia é um ajuste de contas com a História que prossiga no caminho da restauração dos objectivos essenciais do nazifascismo.

Na prática, os dirigentes europeus assumem essa realidade. Ou por estarem dispostos a continuar a pagar esse preço, sem medir as consequências; ou por convicção de que a «democracia liberal» pode conviver em paz com o nazifascismo, mesmo que o risco seja diluir-se nele. No fundo, nada mais do que proporcionar as condições políticas necessárias para que o regime económico neoliberal, tão globalista quanto possível, se expresse com toda a sua vitalidade.

O que Zelensky, na sua impunidade, diz aos protectores é que a restauração do passado e a sua transição para o presente traduz a verdadeira essência ucraniana. Uma situação que, com variantes associadas a questões de oportunidade e ao desenvolvimento das circunstâncias, pode estar a viver-se em vários outros países do Leste europeu, já membros da União Europeia, onde o nazifascismo ressurge também como uma espécie de afirmação da identidade nacional «perdida» com o «domínio soviético». Países onde pilares do nazifascismo como o racismo, a xenofobia, o nacionalismo assente em elucubrações esotéricas e guetos religiosos voltam a ser fortes e essenciais, para gáudio do expansionismo e do enraizamento neoliberal.

Melnyk e os desencontros da História

Andriy Melnik, agora honrado por Zelensky e o Estado ucraniano, foi o chefe da OUN desde 1938 até à sua morte, nos anos sessenta. A organização sofreu uma dissidência provocada por Stepan Bandera, relacionada mais com os egos do que por questões estratégicas no combate hitleriano contra a União Soviética e o papel dos chamados «nacionalistas ucranianos».

A OUN e a dissidente OUN-B, juntamente com a UPA, como uma espécie de braço armado, foram as entidades responsáveis por grandes massacres das populações das regiões da Volínia e da Galícia Oriental,  desagregadas da Polónia e integradas na Ucrânia Soviética depois do acordo de vida efémera entre Hitler e Stalin.
Neste quadro, e com apoio de Hitler, Melnyk e Bandera tentaram fazer valer o seu conceito de Ucrânia como «um Estado varrido de judeus, polacos e russos». O que equivale a dizer: que se faça uma limpeza étnica.

Se bem o disseram, mais eficazmente o fizeram, através dos massacres de dezenas de milhares de não-ucranianos, ou mesmo de ucranianos integrados em famílias polacas, nos primeiros anos da década de quarenta, à sombra ou com ajuda directa das tropas de Hitler.

Numa carta dirigida a Joachim Ribbentrop, ministro dos Negócios Estrangeiros de Hitler, Melnyk apresentou, em Julho de 1940, as credenciais da OUN: uma organização «ideologicamente semelhante a movimentos semelhantes na Europa, especialmente o nacional-socialismo na Alemanha e o fascismo em Itália». Nessa missiva, de facto dirigida a Hitler, Melnyk solicitou ainda «que nos seja permitido marchar lado a lado com as legiões da Europa e com a nossa libertadora, a Wehrmacht alemã». Nada por esconder.

A resposta do Reich foi afirmativa. A OUN formou o Batalhão da Bucovina da Abwehr, a espionagem militar nazi, e o processo de constituição foi dirigido pelo próprio Wilhelm Canaris, que chefiou esse departamento entre 1935 e 1944.

O novo batalhão e a UPA dedicaram-se a liquidar mais de cem mil pessoas na Volínia e na Galícia Oriental, sobretudo polacos, arménios, judeus, russos, checos, georgianos, ucranianos contaminados «com sangue polaco». O carniceiro e «herói nacional ucraniano» Dmytro Klyachciwsky, comandante da UPA na Volínia, decretou, em 1944, «a liquidação física geral de toda a população polaca». A chacina incidiu sobre as vítimas mais vulneráveis, mulheres e crianças, como acontece sempre nestes casos, vide nos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Chatila, em Beirute, 1982, e em Gaza, há quase 80 anos.

A OUN de Melnyk distinguiu-se igualmente pela sua violência brutal contra o movimento de revolta em Varsóvia, em 1944. A veneração de Volodymyr Zelensky pelos responsáveis destes actos, assumida em nome do actual Estado ucraniano como herdeiro ideológico, social e militar de tais práticas genocidas, tem passado em claro perante a esmagadora maioria dos dirigentes da União Europeia e dos governos dos Estados membros.

Fonte: Presidência da Ucrânia

A Polónia, porém, guarda recordações doridas desses tempo. Não chegando ainda ao limite de retirar o apoio ao regime ucraniano na guerra contra a Rússia, os dirigentes polacos, pelo menos os que não se integram na elite europeísta de Donald Tusk, têm feito saber a Kiev que estas homenagens aos terroristas violam linhas vermelhas definidas pelo Estado polaco. O processo ainda está em desenvolvimento e Zelensky parece atiçá-lo em crescendo, como quem tenta isolar Varsóvia no contexto europeu.

A Polónia considera oficialmente as acções da OUN, ao lado das forças hitlerianas, contra as populações da Volínia e da Galícia Oriental, como «comportamentos de genocídio». Qualificação que corresponde, ponto por ponto, à definição de genocídio estabelecida pelas Nações Unidas.

Não se nota, dentro das classes políticas ocidentais da «democracia liberal», qualquer incómodo perante as sucessivas homenagens de Zelensky a reconhecidos genocidas. Não temos de nos surpreender, porque a mesma complacência existe em relação ao criminoso de guerra Benjamin Netanyahu, sem que nada aconteça. 

O presidente da Polónia, Karol Nawrocki, escapa a esse unanimismo cúmplice, por razões óbvias. Depois da cerimónia de veneração a Andriy Melnik, encabeçada pelo presidente da Ucrânia, determinou que seja retirada a condecoração polaca «Ordem da Águia Branca» a Zelensky. Na realidade, embora a decisão seja natural, mas corajosa no âmbito europeu, o que surpreende é a anterior atribuição de tão elevada condecoração polaca a um defensor de exterminadores do povo polaco.

Zelensky não é nazi, defendem os dirigentes europeus, de Von der Leyen a Costa, de Montenegro a Macron, Merz, Starmer a Kallas. E a comunicação social oficial vai atrás, lançando anátemas contra as posições responsáveis de quem se limita a constatar a definição da Ucrânia actual como herdeira dos heróis terroristas aliados, colaboradores e cúmplices do regime hitleriano.

Zelensky não é nazi? Mas é público que os venera. Nestas circunstâncias, ser ou não ser deixa de ser uma questão. Entretanto, em todo o continente europeu, a besta cresce, cresce, cresce…

Fonte aqui.

França: a 14 de julho, uma declaração de guerra à Rússia?

(Por Valérie Bérenger, in Reseau International, 23/06/2026, Trad. Estátua)


Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, tropas nazis vão desfilar nos Campos Elísios na festa nacional do 14 de julho. Uma provocação à memória dos resistentes franceses e uma declaração de guerra…


O dia 14 de julho de 2026 ficará, sem dúvida, marcado na história francesa como o 14 de julho da Vergonha. Este feriado, que deveria homenagear o exército nacional, tornou-se, graças a Emmanuel Macron, uma pantomima que glorifica a Europa e o nazismo ucraniano.

Originalmente, o dia 14 de julho deveria celebrar a Queda da Bastilha e a chegada da República. Pouco importa que este feriado só tenha surgido em 1880, durante a Terceira República, com o objetivo de reavivar o espírito combativo francês e fazer com que as pessoas esquecessem o desastre da Guerra Franco-Prussiana de 1870. Na sua essência, o 14 de julho continua a ser a celebração da liberdade, destinada a homenagear o exército francês e apenas o exército francês. Mas isto sem ter em conta a ascensão ao poder de um homem instalado para “destruir o que é a França” e substituí-la por uma federação composta por um caldeirão cultural, com o objetivo de apagar o seu próprio povo.

O dia 14 de julho deste ano será uma verdadeira doutrinação para a guerra. Apoio total à Ucrânia e uma europeização generalizada do exército francês.

A Ucrânia… Um dos países mais corruptos do mundo, segundo a OCDE, cujo ditador, com o apoio dos eurocratas, é parte integrante desta oligarquia transnacional que degradou os valores ocidentais.

Além disso, Zelensky e as autoridades militares batizaram uma unidade do exército com o nome de um nazi reconhecido como herói nacional, que lutou à frente de uma divisão ucraniana com a Wehrmacht. Stepan Bandera, que combateu no exército alemão, é responsável pela morte de 100 mil polacos na Volínia, entre 1943 e 1944.

Ademais, a 12ª Brigada Azov, formada em 2014 para reprimir os separatistas russos no Donbass, é abertamente nazi. Além disso, o governo ucraniano começou a bombardear e a massacrar populações que, na altura, eram ucranianas já em 2014. Este batalhão tornou-se agora uma brigada da “Guarda Nacional Ofensiva”, uma brigada que, no entanto, manteve as suas credenciais nazis.

Além disso, a decisão da Ucrânia de realizar um funeral de Estado a Andriy Melnyk, uma figura histórica ligada a movimentos que colaboraram com a Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial, foi vista como uma provocação. Uma cerimónia onde, notavelmente, Volodymyr Zelensky se ajoelhou diante do túmulo de um nazi declarado. O líder de um país pseudodemocrático ajoelhou-se diante do túmulo de um nazi! E é isso que vamos receber com grande pompa? E não nos digam que o facto de Zelensky ser judeu o absolve de toda a abjeção!

Imaginem… Emmanuel Macron vai desfilar soldados de um exército cujas tendências neonazis foram abertamente demonstradas pelo regime ucraniano nos Campos Elísios. “Glória à SS!”, é o que veremos a marchar em solo francês! O desfile de soldados ucranianos ao lado de soldados franceses, alguns cujos pais e avós lutaram contra o nazismo em duas guerras, é uma mancha absoluta na memória daqueles que lutaram pela nossa liberdade e agora morreram em vão!

O que dizer da inclusão de um destacamento deste exército no tradicional desfile militar francês? Isto para não falar dos pilotos ucranianos que terão a “honra” de voar em conjunto com a Patrouille de France, com a presença de dois Mirage 2000 doados pela França, pelo menos um deles pintado com as cores da Ucrânia.

Dez mil soldados, a Ucrânia em destaque! Se acreditarmos no General Loïc Mizon, a quem aparentemente devemos esta humilhação:

“Enquanto a ameaça paira sobre as portas da Europa, o feriado nacional será uma oportunidade para uma demonstração de força e determinação. Planeamos este desfile tendo em conta o contexto estratégico. Deverá ser um resultado tangível para os franceses e os nossos aliados dos esforços de rearme empreendidos“, confidencia ele, referindo-se à militarização dos Campos Elísios, “onde mais tropas marcharão numa demonstração mais operacional do que em anos anteriores“. Embora a ambição não seja rivalizar com o número de tropas dos regimes autoritários (não se riam), o exército francês quer mostrar que está preparado e, acima de tudo, que não está sozinho.

Enquanto a ameaça ruge às portas da Europa!” Que ameaça? Sem dúvida, aquela que germina nas mentes distorcidas de alguns generais de gabinete ávidos de alguma suposta glória. Ninguém está a ameaçar a Europa! E certamente não a França!

O Dia da Bastilha, o desfile de 14 de julho de 2026, será realizado sob o tema “O Despertar Estratégico da Europa”. Este desfile, que até então era uma grande celebração da liberdade e da igualdade, não se tornou mais do que uma zona proibida para a população francesa. Embora as famílias dos militares participantes tenham provavelmente permissão para comparecer, não serão elas que se arriscarão a opor-se à “autoridade”. Muitas pessoas também estarão lá para aplaudir. Mas os franceses, os verdadeiros franceses, aqueles que em todas as aparições públicas não fazem mais do que expressar a sua justa indignação vaiando alegremente Emmanuel Macron, estão proibidos de participar no evento e mantidos bem afastados. A presença de Volodymyr Zelensky, Ursula von der Leyen e do general americano Alexus G. Grynkewich, chefe das tropas americanas na Europa e Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa, não deve ser manchada pela exposição da realidade.

Mas, talvez o aspecto mais preocupante seja a presença de membros da “Coligação dos Dispostos”. Estes 35 países estão prontos para oferecer garantias de segurança à Ucrânia em caso de um cessar-fogo duradouro entre a Rússia e a Ucrânia. Isto significa que potencialmente 35 chefes de Estado e/ou representantes governamentais estrangeiros poderão assistir ao desfile ao lado de Emmanuel Macron, e um número semelhante de exércitos estará representado, incluindo o Batalhão Multinacional da NATO na Roménia e o 501º Regimento de Tanques, um Batalhão Multinacional da NATO na Estónia.

Como todos os anos, a Patrouille de France abrirá o espetáculo aéreo. Mas desta vez, os nove Alpha Jet franceses serão acompanhados por dois Mirage 2000 ucranianos. Um total de 78 aeronaves da Força Aérea e Espacial Francesa, 22 da Marinha Francesa, 2 do Exército Britânico, 4 do Exército Alemão, 2 do Exército Ucraniano, 1 do Exército Grego e 1 do Exército Sueco partilharão os céus franceses.

Pela primeira vez, as aeronaves serão equipadas com armamento, supostamente bombas e mísseis simulados. Tudo isto visa projetar uma imagem de “solidariedade estratégica”. Esta “solidariedade estratégica” parece mais uma manipulação psicológica e uma preparação para uma guerra contra a Rússia. Tanto que se coloca a questão: será que este desfile assinalará o início de uma declaração de guerra da França e da UE contra a Rússia no início de 2027?

Tudo está a ser feito para simbolizar um exército francês pronto para o combate, pelo menos nos sonhos mais delirantes dos falcões da NATO!

As tropas apeadas marcharão ao lado dos helicópteros da Aviação Ligeira do Exército, destacando a geografia do campo de batalha, onde as operações ar-terra são a norma.

A 2ª Brigada Blindada marchará em três secções distintas: unidades de combate (infantaria, cavalaria), unidades de apoio (artilharia, inteligência, engenharia, cibersegurança) e unidades de logística (manutenção, médica). Até o distintivo de desfile, usado por todos os soldados, será mais “operacional”, com cores que lembram a camuflagem multi ambiente.

Além das tropas destacadas na Estónia e na Roménia, estarão também presentes reservistas, juntamente com os da Companhia Nacional de Ferrovias Francesa (SNCF) — que precisam de estar mentalmente preparados para a chegada de comboios carregados de tanques e armamento — e do Grupo Airbus. O desfile terminará com um quadro que representa o “envolvimento da juventude”, que deveria ser descrito com mais precisão como “envio de carne para canhão”. E, para agravar a situação, já não será o hino nacional francês que encerrará o desfile, mas sim o hino europeu, sinalizando definitivamente que a França dos valores tradicionais está morta, e de facto morta, dando lugar a um regime autoritário mais próximo do regime de Hitler do que de uma democracia.

A versão oficial da propaganda estatal do Ministério das Forças Armadas refere que, este ano, “o desfile pretende ser uma demonstração educativa que visa ilustrar esquematicamente a geografia do campo de batalha, com, pela primeira vez, uma interação entre as tropas terrestres e o apoio aéreo, apresentando assim todo o espectro de capacidades. De facto, no campo de batalha, a organização das forças armadas assenta numa estrutura hierárquica e funcional otimizada para uma coordenação eficaz entre as forças terrestres, navais e aéreas.”

Tradução: quando os seus filhos são enviados para a Ucrânia sob o pretexto de defender os valores europeus, apenas para serem sacrificados no caldeirão enfrentando o exército russo; só podem morrer no campo de batalha sob o comando de alguns comandantes cegamente subservientes do poder.

Quanto à chamada Coligação dos Dispostos, que reúne 35 países “que desejam fornecer à Ucrânia garantias de segurança robustas que lhe permitam regenerar as suas forças e dissuadir qualquer nova ofensiva russa… com o objetivo de garantir uma paz justa e duradoura para a Ucrânia e todo o continente europeu“, ela lembra mais os internos de um hospício que ignoram um pormenor crucial:

Embora a Rússia possa ter ostensivamente “invadido” a Ucrânia a 24 de Fevereiro de 2022, não se deve esquecer que, na realidade, este ato foi consequência da agressão contínua que se seguiu aos protestos do Maidan, ao incêndio da Casa dos Sindicatos de Odessa em Maio de 2014 e às atrocidades colossais cometidas por Kiev contra o povo do Donbass. Sem falar da preparação de tropas concentradas nas fronteiras das repúblicas independentes para facilitar a destruição da Rússia. Todos estes são factos muito reais, que em França estão proibidos de ser discutidos.

Mas, fundamentalmente, QUEM é que começou tudo isto?

Porque sem os planos dos EUA e da UE para desmembrar a Rússia, não estaríamos nesta situação. Sem o fornecimento incessante de armas de longo alcance a Kiev, esta guerra já teria terminado há muito tempo.

Lembremo-nos que, durante os acordos de Minsk I e Minsk II, quem foi realmente enganado? Vladimir Putin. Porque nestes acordos, a França e a Alemanha garantiram um modus vivendi que a Rússia desejava, que não tinha absolutamente nenhuma intenção de invadir o Donbass. A única coisa que Vladimir Putin pediu foi a proteção da população russófona, e nada mais! Vladimir Putin cometeu apenas um erro: confiar. Vladimir Putin não é Hitler. É simplesmente vítima da sua ingenuidade perante as potências ocidentais: François Hollande e Angela Merkel, que lhe mentiram descaradamente!

A Rússia não era uma ameaça para nós. Antes de 2022, a França era mesmo o seu principal parceiro económico, e Vladimir Putin tinha aderido ao G7, que se tornou o G8 para a ocasião.

Nem Donald Trump se deixou enganar, declarando recentemente ao site Axios: “Deveríamos ter mantido o G8. Provavelmente não teria havido uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia se o tivéssemos mantido. Mas [o ex-presidente dos EUA, Barack] Obama não queria que [o líder russo, Vladimir] Putin participasse. Acho que um ou dois outros líderes também não queriam. Queriam excluir Putin. Antes, era o G8, e teria sido muito melhor se tivesse permanecido assim.”

Através deste desfile vergonhoso, a França, através dos seus actuais dirigentes, está a ser colocada numa posição de aprovação quase oficial do passado vergonhoso influenciado pelo nazismo e do presente doentio do exército ucraniano. A função primordial de um símbolo é comunicar informação, uma vontade, através de imagens que sejam económicas em palavras.

O desfile do 14 de Julho deveria ser um símbolo da honra do nosso exército, da democracia e da liberdade, e não uma celebração extravagante do regresso do nazismo.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

O puxão de orelhas a Costa e os dois líderes sem tropas que querem controlar a guerra

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 21/06/2026, Revisão da Estátua)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Isso exigiu muita coragem. Quando a União Europeia começa a considerar se valeria a pena dialogar com Moscovo após mais de quatro anos de guerra, Emmanuel Macron e Friedrich Merz decidiram que a diplomacia ainda é demasiado perigosa para ser permitida.

Segundo o Politico, os dois líderes criticaram duramente o presidente do Conselho Europeu, António Costa, por ter restabelecido contactos informais com o Kremlin. Numa cimeira em Bruxelas, a discussão foi tão delicada que os telemóveis foram proibidos na sala. Claramente, na Europa, falar com Vladimir Putin tornou-se mais subversivo do que falar com um traficante de cocaína.

A parte mais irónica desta história é que os dois homens que afirmam personificar a determinação europeia estão também entre os líderes politicamente mais vulneráveis ​​dos seus próprios países. Macron governa uma França fragmentada, onde a sua maioria praticamente já não existe. Merz, por sua vez, está a descobrir que ser chanceler é mais complicado do que fazer declarações belicosas diante das câmaras. No entanto, aqui estão eles, a dizer a todo o continente como conduzir uma guerra que não estão a travar e como negociar uma paz que se recusam sequer a considerar.

O problema é simples: um número crescente de líderes europeus acredita que, a dada altura, alguém terá de falar com os russos. Até o Conselho Europeu começou a reabrir canais de comunicação com Moscovo, deixando claro que ainda não se trata de negociações formais.

Mas para a dupla Macron-Merz, a lógica parece ser a seguinte: negociar agora seria um sinal de fraqueza; negociar depois seria uma vitória; e nunca negociar seria provavelmente um sucesso histórico.

O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, colocou a questão com um pragmatismo desarmante: se Putin demonstrar vontade de negociar, teremos de decidir quem falará em nome da Europa. Esta é uma linha de pensamento quase revolucionária numa União onde alguns parecem acreditar que uma guerra termina com um comunicado de imprensa e algumas sanções adicionais.

Entretanto, os contribuintes europeus financiam o esforço de guerra, os arsenais estão a esgotar-se, os orçamentos militares disparam e a indústria luta para acompanhar o ritmo. Mas isso não interessa: o principal é manter a ilusão de que a diplomacia é o verdadeiro perigo.

A história poderá muito bem recordar esta estranha era em que os líderes menos populares da Europa se convenceram de que a sua missão era impedir que outros se manifestassem. Não porque tivessem um plano para ganhar a guerra, mas porque claramente não tinham um plano para a terminar.

Ao recusarem-se a qualquer diálogo, Macron e Merz assemelham-se àqueles generais de gabinete que estão sempre a mudar bandeiras de lugar num mapa enquanto os soldados já perceberam que uma guerra acaba sempre à mesa das negociações. O problema é que, enquanto estes estrategas improvisados ​​fingem ser os Churchills do século XXI, são os europeus que estão a pagar a conta.