A UE está superinvestida no projeto de guerra ucraniano 

(Por Alastair Crooke, SakerLatam.org, 22 de maio de 2023)

A Ucrânia não é uma questão autónoma de política externa, mas sim o pivô em torno do qual as perspectivas económicas da Europa irão girar.


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A UE está superinvestida no projeto de guerra ucraniano – Comunidad Saker Latinoamérica


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Vladimir Pliassov: «Até os nazis tiveram direito a ser ouvidos»

(Entrevista a Vladimir Pliassov, in AbrilAbril, 23/05/2023)

Vladimir Pliassov vive e trabalha em Portugal desde 1988. O antigo Director do Centro de Estudos Russos da Universidade de Coimbra foi demitido, sumariamente, sem direito a contraditório, pelo reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, a 10 de Maio de 2023. As acusações, infundadas, feitas por activistas ucranianas e amplificadas por José Milhazes, já foram alvo de contestação por vários alunos, antigos e actuais, de Pliassov. A entrevista é de Bruno Amaral de Carvalho.


Trabalha em Portugal desde 1988. Coimbra foi amor à primeira vista e ensinou várias gerações a falar russo. Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, o seu carro foi atacado com ovos e a filha recebeu avisos por telefone. Foi o prólogo das várias acusações que saíram a público num artigo publicado por dois cidadãos ucranianos nos jornais. De um dia para o outro, Vladimir Pliassov viu o seu contrato a título gracioso cessado por decisão do reitor da Universidade de Coimbra sem qualquer inquérito. O professor defende-se dizendo que nunca fez propaganda nas suas aulas e que isto é mais um caso de russofobia.

Como é que se dá o primeiro contacto com a língua portuguesa?

Começou na faculdade. Fui um dos primeiros alunos a aprender português. Depois, mandaram-me para África porque havia acordos com países em vias de desenvolvimento. Outros foram para a Europa mas, como eu não era membro do Partido Comunista, não tive essa escolha, eu nunca estive na primeira trincheira ideológica. Fui para Moçambique. Queria ir para Angola mas a minha esposa escolheu Moçambique. Entretanto,  o contrato não foi renovado e voltei para Moscovo.

Creio que foi em Março ou Abril de 1988 que participei num encontro das associações de amizade com a União Soviética, com a participação de Valentina Tereshkova [primeira mulher no espaço], onde estava António Avelãs Nunes, que assinou um acordo entre as duas partes. Valentina Tereshkova pediu-me para traduzir e depois disse-me que devia ir para Portugal. Eu queria ir para Angola ou Moçambique. Mas acabei em Portugal. A cosmonauta lançou-me para Portugal.

Quando cá cheguei, não queria ficar em Lisboa. Queria uma cidade mais pequena e quando cheguei a Coimbra foi amor à primeira vista. Comecei, então, a dar aulas na Associação de Amizade Portugal-URSS e, depois, o professor Avelãs Nunes recomendou-me à universidade para dar aulas de russo. No período conturbado da perestroika, eu pensei que vinha para trabalhar dois ou três anos e que regressaria à Rússia quando tudo acalmasse. Isto foi em 1988.

Estou aqui muito bem, eu escolhi Portugal para viver e não para ganhar dinheiro. Para ganhar dinheiro seria noutro país, não Portugal. Os meus amigos que trabalham na Áustria e na Suíça ganham cinco vezes mais do que eu e trabalham muito menos.

Em 2012, funda o primeiro centro dos estudos russos da península ibérica na Universidade de Coimbra com o apoio da fundação Russky Mir. Alguma vez esta fundação tutelou o seu trabalho do ponto de vista político ou alguma vez se sentiu pressionado para defender politicamente os governos russos nas suas aulas?

Claro que não. Em 2007, havia problemas económicos na faculdade e propuseram-me reduzir o contrato a 60% ou ir embora. Decidi continuar a trabalhar lá, recebendo menos, porque havia muitos alunos a quererem aprender russo. Depois, em 2009, fui a Moscovo e quis falar com alguém que pudesse ajudar. Ouvi falar na fundação Russky Mir. Expliquei-lhes todo o meu trabalho em Coimbra e como eles estavam a abrir centros em todo o mundo pensei que poderiam abrir também em Coimbra, até porque já havia todas as condições. Só precisava de financiamento.

Em 2011, um representante da fundação apareceu em Coimbra, na universidade, e foi assinado um acordo de colaboração. No ano seguinte, foram feitas todas as obras necessárias e recebemos os livros. Tudo o que estava no centro foi comprado com dinheiro da Russky Mir e a fundação passou a enviar uma verba à universidade. A minha situação económica melhorou porque passei a trabalhar a 100%. Eu quase não tinha dinheiro para pagar a renda da casa, nem tinha dinheiro para alguma eventualidade. Mas os programas letivos foram todos feitos aqui, por mim, e os relatórios do meu trabalho eram apresentados ao conselho científico do departamento das línguas e culturas.

É verdade que quando surgiu esta polémica já não havia o apoio da fundação Russky Mir?

Este apoio de financiamento existiu entre 2012 e 2021. No ano letivo, 2022 já não tivemos nada. Dois meses antes do início do conflito, já não havia qualquer ligação. Aliás, a fundação enviou mais dinheiro do que era necessário e a universidade queria devolver essa verba. Não sei se devolveram ou não. Nunca perguntei e não me interessa.

E alguma vez abordou a questão da guerra nas suas aulas?

A questão da guerra nunca foi tema das aulas. Nunca. Mas, naturalmente, às vezes era obrigado a responder a perguntas dos alunos.

Mas não houve alunos a acusá-lo de fazer propaganda pró-Putin?

Não, mas num jornal de Maio li que um ucraniano afirmou que um português lhe tinha dito que eu fazia propaganda. Perguntei aos meus alunos se sabiam de alguma coisa. Responderam que não sabiam de nada. Também houve quem dissesse que eu era um agente do KGB. Mas um agente não vive como eu.

Você conhecia estes dois cidadãos ucranianos que o acusam agora?

Se és russo, desaparece

Nunca os vi na vida. No jornal Público fizeram a pergunta sobre como é que diziam que eu fazia propaganda se nunca tinham assistido às minhas aulas. Responderam que não era preciso, que bastava passar perto do centro. Uma das acusações era haver, na parede, fotografias do Kremlin, que é património da UNESCO. É curioso porque até 2015 havia imagens de Moscovo na parede feitas pelo então diretor da Faculdade de Letras, Carlos André, numa viagem à capital russa.

E o que tem a dizer sobre as acusações?

Quais? São tantas…

Acusaram-no de expor fotografias de Eduard Limonov, de Zakhar Prilepin, também de oferecer fitas com as cores de São Jorge…

Para nós, as fitas de São Jorge são símbolos da memória, de respeito, de reconhecimento daqueles anos da Segunda Guerra Mundial, da libertação do fascismo. Nós usamos essas fitas só no dia 9 de Maio e eu, na Faculdade de Letras, distribuí essas fitas entre 2010 e 2016 porque, depois, deixei de recebê-las. Só em 2016 é que essas fitas foram proibídas na Ucrânia.

Em relação a haver nomes com Transcarpatia e [República Popular de] Donetsk foram os meus alunos que escolheram como forma de identificação em alguns trabalhos. Um deles era da Transcarpatia e preferiu meter Transcarpatia e não Ucrânia. Outra era da Ucrânia mas identificou-se como sendo da República Popular de Donetsk. Um aluno meu da América Latina identificou-se enquanto italiano. Perguntei-lhe se era italiano e explicou que os pais são italianos assim como os avós. Nunca escolhi nem sugeri nada disto.

E o cartaz com 66 escritores?

Estes escritores foram escolhidos para serem conhecidos, para dar conhecimento, mas alguns deles não têm sequer obras traduzidas em português. No caso dos retratos dos primeiros 20 anos do século XXI, falei, entre outros, de Limonov e Prilepin cerca de um minuto ou dois. Estes dois autores fazem parte do panorama literário russo do século XXI.

Trabalha a título gracioso enquanto professor reformado. Porque é que o faz?

Havia estudantes interessados mas nem todos tinham a possibilidade de pagar. Tenho um contrato gracioso assinado como outros professores. Não sou caso único.

Como soube da cessação do contrato?

Recebi uma mensagem dos serviços centrais onde me informaram do efeito imediato. Eu não percebi. Imprimi e fui ao gabinete do diretor da faculdade. Perguntei-lhe o que era aquilo e ele respondeu-me que também não sabia. Depois, esteve com o reitor e veio ter comigo. «Vladimir, entregue-me as chaves. Não pode entrar mais no centro», disse-me. Podia entrar na faculdade mas não no centro dos estudos russos. Cortaram-me o acesso à plataforma digital interna, também ao correio eletrónico. E eu não compreendo porque há muitos professores aposentados que continuam a usar o endereço eletrónico da faculdade.

Portanto, não houve qualquer inquérito, ninguém o tentou ouvir, ninguém dos serviços o contactou para ouvir a sua versão dos factos?

Não, por isso é que estou surpreendido, como é possível? Tem de se ouvir as duas partes. Até os nazis tiveram direito a serem ouvidos [no tribunal de Nuremberga].

Chegou a falar com o reitor?

Eu queria falar mas o diretor da faculdade disse-me que não valia a pena, que ele não ia mudar de opinião.

Vai recorrer aos tribunais?

Por agora, não. Há uma petição pública, há também na faculdade [uma petição de professores], vamos ver o resultado. De qualquer forma, não quero nada com este reitor. Não quero voltar. Se me tratam assim…

Disse que há abaixo-assinados a decorrer. Também há artigos em diferentes jornais condenando a forma como foi cessado o seu contrato. Tem recebido muitas mensagens de solidariedade?

Mensagens e chamadas. Falo muitas horas ao telefone por dia. Eu nunca antes li a imprensa portuguesa como agora. Eu acho que esta ação contra mim foi muito bem planificada porque aconteceu no dia 9 de Maio [Dia da Vitória soviética sobre o nazismo]. Saiu aquele artigo, depois as declarações de Milhazes. Ele e aqueles cidadãos ucranianos fazem isto porque sabem que agora é o tempo em que podem dizer o que lhes apetecer que ninguém os vai condenar. Também foi atacado o antigo diretor do Conservatório de Coimbra, Manuel Pires da Rocha, por ter participado num evento da Associação Iuri Gagarine [no Dia da Vitória]. Acusam-no de ser pró-Putin. É uma situação triste.

Têm sido noticiados vários casos de ameaças. A comunidade russa sente medo?

Medo não temos, mas temos preocupação com as nossas vidas, os nossos filhos. Por exemplo, na primeira escola eslava, em Lisboa, onde estudam ucranianos, russos, uzbeques, etc, começaram a ter problemas depois do carro de um russo ter sido pintado com a bandeira ucraniana. O meu carro foi atacado com ovos. Ligaram à minha filha a pedir-lhe para falar comigo para eu tirar as imagens do centro de estudos russos. E a minha filha disse-me que tinha medo do que esta gente me pudesse fazer.


2. Sobre esta demissão e sobre o que ela representa e antecipa dos tempos negros para onde, tudo indica, estamos a caminhar perante a indignação apenas de uma minoria, publico abaixo um libelo cruel mas oportuno contra o silêncio cúmplice de quase toda a nossa classe política.

Estátua de Sal, 23/05/2023


Resta ao reitor da Universidade de Coimbra ter vergonha na cara

Resta ao reitor da Universidade de Coimbra ter vergonha na cara e demitir-se porque envergonhou toda a comunidade académica de Norte a Sul do país.

Resta aos dois ativistas serem investigados e interrogados pelas mentiras que difundiram e, se foram propositadas sofrerem as consequências pelo seu radicalismo e racismo. Não se estraga a vida de pessoas íntegras e não se fazem assassinatos ao carácter das pessoas. Aliás, deviam era meterem-se a andar já que deixaram de ser bem vindos ou darem-se como voluntários para a frente de batalha onde são mais necessários em vez de difundirem mentiras. Uma coisa são as redes sociais e as opiniões, outra é assassinarem publicamente o carácter das pessoas e a sua vida com mentiras.

Resta ao José Milhazes e seus cúmplices, onde incluo a Clara de Sousa que está a arruinar completamente a imagem, retratarem-se e publicamente pedirem desculpa aos portugueses que não se reveem nestas atitudes irresponsáveis e racistas, bem como ao Prof. Pliassov.

Resta à SIC responder também judicialmente pela rubrica “Guerra fria” e o camião de mentiras propagadas há mais de um ano, sem qualquer contraditório o que viola a nossa CRP, aliás, não é a primeira vez que se ataca o carácter de pessoas com aldrabices e coscuvilhices e sem quaisquer provas.

Resta à ERC atuar perante não só a SIC como todas as televisões que andam a violar a lei portuguesa há mais de um ano.

Resta ao Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros e ao Governo português terem vergonha na cara e fazerem cumprir as leis, ao invés de andarem a posar em fotos com radicais e a alimentar a confusão que já mina as nossas instituições e o país, colocando o regime ucraniano e mais especificamente a embaixada da Ucrânia em Portugal no seu devido lugar. Haja decência e que se respeitem os valores da democracia, do livre pensamento e da liberdade de expressão, sem que para tal se censurem ou persigam pessoas pelas suas ideologias, opiniões ou nacionalidade. A censura e a PIDE acabaram há 49 anos, o racismo é condenável e a russofobia atingiu níveis dementes, tal como o tratamento privilegiado em relação aos refugiados ucranianos em comparação com os restantes imigrantes ou refugiados de outras nacionalidades, até mesmo em relação aos portugueses, o que é outra violação à igualdade da CRP. As leis europeias não prevalecem em relação às nacionais: leiam os tratados europeus.

A Ucrânia não manda em Portugal, os portugueses não são ucranianos, nunca foram, e chegou ao limite a palhaçada que armaram durante um ano porque não nos vamos calar.

Eu, portuguesa, começo a ter a sensação que quem manda no nosso país é a Ucrânia e a Úrsula Von der Leyen e que o nosso governo é só um bando de vassalos. Portugal é dos portugueses e de todos os que quiserem vir por bem porque somos um povo acolhedor e tolerante mas calma… Quando a palhaçada atinge os nossos governantes que violam e deixam violar as leis nacionais, quando transformam a Assembleia da República num circo, a comunicação social, as Instituições públicas, as escolas e universidades e ainda por cima não têm o mínimo de cuidado com a segurança nacional e a segurança do povo português, permitindo que regimes estrangeiros e agentes do SBU em Portugal se movam livremente e divulguem a identidade de cidadãos nacionais ao seu regime, isto já não é uma Democracia mas sim uma palhaçada e é o fim de linha. Portugueses a serem excluídos e despedidos dos seus trabalhos por liberdade de pensamento e o Governo em silêncio, a viajar para a Ucrânia a financiar e a apoiar radicais, a enviar armas que não temos e que teremos de pagar. Não me refiro a ajuda humanitária. A ajuda humanitária tem todo o meu apoio, seja para ucranianos, sírios ou outros, de igual forma. Refiro-me a financiarem uma guerra.

Resta à maioria dos deputados portugueses eleitos pelo povo, meditarem na anormalidade que andam a apoiar há um ano. Acham mesmo que foi para isto que o povo os elegeu? Ou continuam a acreditar nas sondagens encomendadas e aldrabadas? É que o povo não acredita e sabemos bem o que está a acontecer. Eu conheço milhares de pessoas e nenhuma foi alguma vez questionada sobre a guerra. O vosso universo estatístico deve limitar-se aos partidos políticos ou aos deputados, não? Qual é o universo das vossas sondagens? Deputados e comentadores pagos para a propaganda? Não se esqueçam que Portugal tem muita gente decente e íntegra que se tem calado mas chegou ao limite, já ultrapassaram tudo o que se podia considerar aceitável, tudo…. Tenham vergonha e desempenhem dignamente as vossas funções ou demitam-se.

Ao Sr. Presidente da República que teve o desplante de dizer que os portugueses eram todos ucranianos que fale por ele, eu não sou ucraniana, sou portuguesa e com muito orgulho do meu país e da sua História, com orgulho do meu povo e não me identifico com banderistas, radicais, racistas e gente conflituosa que faz assassinatos de carácter a pessoas decentes, que mentem descaradamente para atingir objetivos e minarem a sociedade e a vida política portuguesa. Estando ou não em guerra não têm esse direito. Resta-lhe fazer o seu trabalho que é aquilo que não faz há um ano, garantir o cumprimento da CRP. Não queremos palhaçadas, se quiser ser modelo fotográfico está na profissão errada mas, nem tenho nada contra desde que faça o que deve e que é da sua responsabilidade ao invés de só debitar disparates e falar por todos os portugueses.

Resta ao Presidente da Câmara de Lisboa explicar bem as influências de uma entidade privada que trabalha com a Câmara a pedido da embaixada ucraniana, já que ainda nem disse uma palavra sobre esse assunto. Resta aos vereadores que votaram a favor de um protocolo com a associação de ucranianos para o recebimento e acolhimento de refugiados que esclareçam como foi tomada tal decisão e como é feito o acompanhamento pelas entidades oficiais e nacionais. Investigaram a associação? Os seus membros? Ligações a grupos da extrema-direita ucraniana, racista e neonazi, e até a movimentos neonazis nacionais que, estiveram a treinar em campos do Azov na Ucrânia e que publicamente agradeceram a Pavlo Sadokha? Investigaram as atividades do Sr. Pavlo Sadokha e atestaram a sua idoneidade? Ou a vossa irresponsabilidade atingiu níveis anormais? Quem acompanha o acolhimento dos refugiados das zonas do leste, do Donbass por exemplo? Da verdadeira zona onde há guerra porque, não são os cidadãos de Lviv que fogem da guerra. Esses, na sua maioria, vêm para a propaganda e em bons carros.

Quem garante que os dados destas pessoas que se refugiam não são enviados ao SBU e as suas famílias, na Ucrânia, não sofrem represálias? E as crianças? Saberão ou conhecerão os senhores vereadores a quantidade de ucranianos em Portugal que vivem amedrontados e nem abrem a boca? Que choram pela segurança da sua família na Ucrânia? É porque a tal associação e o regime de Kiev é democrático querem ver? Tenham vergonha e resolvam com urgência a confusão que armaram e andaram a apoiar, caso contrário terá de ser o povo a fazê-lo e a mandar-vos para o desemprego.

(Por Sófia Puschinka, in Facebook, 17/05/2023)


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Como a Rússia forçou a saída das tropas ucranianas de Bakhmut

(Fonte RT, in Diário da Causa Operária, 22/05/2023)

Arranha-céus danificados na parte ocidental de Artyomovsk.

A batalha por Artyomovsk (chamada de Bakhmut pelos ucranianos) começou em agosto de 2022 e gradualmente se transformou no epicentro da luta entre a Rússia e a Ucrânia.


A batalha por Artyomovsk (chamada de Bakhmut pelos ucranianos) começou em agosto de 2022 e gradualmente se transformou no epicentro da luta entre a Rússia e a Ucrânia. Enquanto outras partes da frente permaneceram relativamente estáveis, ambos os lados trouxeram forças ativamente para esta pequena cidade. Para Kiev, que em maio de 2022 sofreu uma derrota em Azovstal que ajudou a minar sua imagem, Artyomovsk se tornou o novo Mariupol. A propaganda ucraniana rotulou-a de “a Fortaleza Bakhmut” e tentou dar um ar de heroísmo aos que ali lutavam. 

Apesar de a cidade não ter importância estratégica para o avanço para o oeste, as tropas russas aceitaram o desafio da propaganda ucraniana. Então, o que Moscou ganhou com o ‘moedor de carne Bakhmut’ de nove meses?

De uma cidade provinciana a uma fortaleza militar

No século XIX, Artyomovsk era uma cidade provincial do Império Russo e o centro administrativo da região de Donbass em desenvolvimento. À medida que outras cidades cresciam, no entanto, seu papel tornou-se menos proeminente. No início da ofensiva russa em fevereiro de 2022, a cidade tinha uma população de cerca de 70.000 habitantes. Abrigava várias instalações industriais, incluindo uma fábrica de espumantes onde ocorreram batalhas no início de 2023. Segundo as autoridades ucranianas, nessa época 60% da cidade já havia sido destruída.

A importância da cidade cresceu tremendamente após o início da operação militar da Rússia em fevereiro de 2022. Inicialmente, quando as tropas russas quebraram a primeira linha de fortificações na área de Popasnaya, Zolotoye e a aglomeração de Lisichansk-Severodonetsk, Artyomovsk era um importante centro de transporte . Manteve a linha de frente ucraniana conectada com o resto do país.

Depois que os russos conseguiram quebrar essa linha de defesa e remover completamente as forças de Kiev do território da República Popular de Lugansk (LPR), Artyomovsk deixou de ser um centro de transporte para se tornar a segunda linha de defesa da Ucrânia ao redor do rio Bakhmutka. Esta faixa ia de posições ucranianas opostas a Gorlovka – desde 2014 controladas pela República Popular de Donetsk (DPR) – no sul até Seversk no norte, correndo direto para o Seversky Donets, o principal rio de Donbass.

Artyomovsk não poderia ter sido conquistado sem que essa linha de defesa fosse quebrada. Desde julho de 2022, os combatentes do PMC Wagner estão focados em fazer exatamente isso, preparando o terreno para um cerco bem-sucedido da cidade.

Circundando Artyomovsk

As condições favoráveis ​​para cercar Artyomovsk começaram a se formar em maio do ano passado, após a vitória russa em Popasnaya. No final do mês, Svetlodarsk – uma cidade satélite da usina termelétrica de Uglegorsk que as forças ucranianas transformaram em um centro defensivo – foi capturada. Demorou dois meses para tomar a cidade e a usina não sofreu grandes danos.

A luta também continuou ao norte de Gorlovka. Além do objetivo principal de avançar em direção a Artyomovsk, era importante afastar as tropas ucranianas da cidade para garantir a segurança de seus moradores. Desde o início da ofensiva, 101 pessoas morreram em Gorlovka e outras 360 ficaram feridas. Durante as batalhas pelos assentamentos de Semigorye, Kodema, duas aldeias chamadas Zaitsevo, Mayorsk, Kurdyumovka e Ozaryanovka, que duraram o verão e o outono de 2022, essa tarefa foi parcialmente realizada. A segurança de Gorlovka foi garantida pelo norte e nordeste, enquanto as ameaças permaneceram apenas pelo oeste e noroeste.

As fortificações ucranianas foram projetadas para impedir uma ofensiva russa da direção de Gorlovka e do sul. Mas devido a outra ofensiva do leste, o valor tático dessas fortificações foi reduzido e, em comparação com outras seções da frente, foram rapidamente invadidas.

Em dezembro, as tropas russas alcançaram os arredores ao sul de Artyomovsk e os bloquearam. Enquanto em outubro a presença do exército russo na periferia sul da cidade se limitava às unidades avançadas lutando por Opytnoye, em dezembro o ‘trabalho preliminar’ nos campos fora da cidade estava totalmente concluído.

Naquela época, o inimigo estava totalmente engajado na batalha por Artyomovsk, que a mídia transformou em um símbolo do exército ucraniano, assim como as batalhas por Mariupol e Azovstal. Os ucranianos inventaram uma lenda sobre a ‘Fortaleza Bakhmut’ e não estavam dispostos a entregá-la. Na verdade, eles constantemente enviavam reforços para a cidade. Assim, os próximos alvos da Rússia foram Kleshcheyevka, uma importante área fortificada a sudoeste de Artyomovsk, e Opytnoye, que cobria os distritos do sul da cidade.

Esses objetivos táticos só poderiam ser alcançados até o final de janeiro. Naquela época, a situação havia piorado muito para as forças ucranianas. O avanço dos russos no sul colocou em perigo a estrada entre Konstantinovka e Artyomovsk, e no norte a queda de Soledar fez com que a cidade logo fosse cercada. À medida que os eventos se desenrolavam em janeiro, o exército ucraniano ainda podia fugir da cidade com segurança, com seis meses de defesa trabalhando a seu favor. Os EUA supostamente  sugeriram uma estratégia semelhante, mas o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, aparentemente preferiu lutar até o fim.

As batalhas na cidade

Ao longo de fevereiro, os ucranianos tentaram conter a ofensiva russa na estrada Konstantinovka-Artyomovsk, impedindo que o Grupo Wagner chegasse a Chasov Yar e capturasse a principal área fortificada da vila de Krasnoye. A Ucrânia moveu reservas para a área, o que permitiu que essas posições fossem mantidas e forçou os russos a agir do norte.

Não conseguindo capturar Krasnoye, os russos se mudaram para a periferia oeste de Artyomovsk, para a área de uma antiga unidade de artilharia conhecida por seu monumento de aeronaves soviéticas – um local popular para fotos de jornalistas, voluntários e militares ucranianos. O monumento foi destruído durante os combates. Segundo alguns rumores, foi explodido pelos ucranianos para impedir que os militares russos tirassem fotos da vitória no  local .

Em março, com esta seção da frente precisando de mais reservas ucranianas, unidades da 92ª Brigada Mecanizada, anteriormente estacionadas perto de Kupyansk, foram trazidas. No entanto, naquela época o Grupo Wagner havia avançado mais fundo nos arredores do sudoeste de Artyomovsk. Ocupou o distrito de Kvadraty e continuou em direção à rua Tchaikovsky, bloqueando esta parte da cidade. Ao mesmo tempo, as tropas russas avançaram na parte sul da cidade e estabeleceram o controle sobre os distritos de Budenovka e Sobachevka em 29 de março.RTFOTO DE ARQUIVO: soldado do Grupo Wagner perto de Artyomovsk © Sputnik / Viktor Antonyuk

Ao longo de abril, os ucranianos continuaram impedindo os ataques russos ao longo da linha da vila de Krasnoye-Tchaikovsky Street. Os russos conseguiram assumir o controle do complexo industrial da faculdade e chegar ao cruzamento das ruas Tchaikovsky e Yubileynaya apenas em 28 de abril. A defesa de Artyomovsk praticamente se dividiu em duas partes. As forças ucranianas começaram a explodir arranha-céus perto da área do monumento da aeronave, temendo que fossem usados ​​como posições de observação para monitorar as estradas da vila usadas pelas tropas ucranianas para suprimentos e evacuação.

Em dezembro de 2022, além de capturar Kleshcheyevka e Opytnoye, as tropas russas se concentraram em avançar para o leste até a parte industrial da cidade. O Grupo Wagner controlava anteriormente apenas a periferia da cidade, mas em dezembro assumiu o controle quase total da área industrial, bem como da área florestal ao norte. Isso possibilitou avançar para os distritos de Myasokombinat e Zabakhmutka de Artyomovsk, e também ajudou na captura de Soledar em janeiro.

A vitória em Soledar permitiu à Rússia dobrar a pressão sobre Artyomovsk. Para evitar que os russos rompessem a frente, os ucranianos trouxeram mais reservas. No entanto, isso ajudou apenas parcialmente. Os russos cruzaram o Bakhmutka em vários lugares e protegeram seu flanco contra Seversk tomando Krasnopol, Sacco e Vanzetti e Nikolaevka. Eles então colocaram uma barreira contra Slaviansk perto da aldeia de Zheleznyanskoye.

Depois disso, os russos viraram para o sudoeste e capturaram as últimas grandes fortificações em Krasnaya Gora e Paraskovievka. Durante os tempos soviéticos, grandes armazéns militares estavam localizados no local da mina de sal em Paraskovievka. Os ucranianos poderiam usar essa infraestrutura para criar uma linha de defesa, mas isso não lhes permitiu estabilizar a frente.

A retirada do exército ucraniano

Nesse ponto, ficou claro que o flanco sul do cerco de Artyomovsk havia colidido com a defesa ucraniana de Krasnoye. Naquela época, o Grupo Wagner passava por uma escassez de projéteis, o que limitava a ação da artilharia. Assim que o problema foi resolvido, os combatentes seguiram para Berkhovka, uma das últimas rotas de saída de Artyomovsk.

A captura de Berkhovka em 24 de fevereiro e o acesso ao reservatório de Berkhovsky forçaram os ucranianos a se retirarem de Stupki, distrito ao norte de Artyomovsk, e abriram caminho para o sudoeste até a vila de Artyomovskoye (Khromove), a última rota relativamente segura para fora da cidade. .

No dia seguinte à libertação de Berkhovka, os ucranianos se retiraram de Yagodnoye. Eles então explodiram a represa Severny Stavka, o que limitou sua capacidade de contra-ataque da periferia noroeste de Artyomovsk. Fevereiro terminou mal para as forças ucranianas – os russos estabeleceram um controle de fogo relativamente estável em ambas as estradas restantes da cidade, enquanto o clima quente complicou as chances dos ucranianos de escapar pelos campos.

Enquanto isso, os russos continuaram avançando mais profundamente em Artyomovsk pelo leste e pelo sul. As batalhas urbanas amarraram forças significativas de ambos os lados, mas a artilharia superior e as táticas de assalto dos russos permitiram que prevalecessem. Durante essas batalhas, o chefe do Grupo Wagner, Evgeny Prigozhin, enfatizou repetidamente que a principal tarefa era prender e destruir a mão de obra inimiga.RTFOTO DE ARQUIVO: soldado do Grupo Wagner em Donbass © Sputnik / Viktor Antonyuk

Em 2 de março, um comandante da unidade UAV ucraniana com o indicativo militar ‘Madyar’ gravou um vídeo no qual fazia uma avaliação negativa da situação em Artyomovsk e dizia que os ucranianos deveriam sair de lá. Ele também acusou os jovens ucranianos de não querer lutar. Um de seus subordinados prometeu que, após a guerra, espancaria todos os que escapassem do recrutamento. Em 3 de março, ‘Madyar’ e seus combatentes fugiram de Artyomovsk sob o pretexto de uma ordem do comandante.

No mesmo dia, Prigozhin gravou uma mensagem de vídeo para Zelensky, dizendo que a guarnição ucraniana ainda tinha uma rota de saída. Ele também mostrou três prisioneiros ucranianos entre os quais não havia soldados profissionais – apenas um velho e dois jovens.

Em 8 de março, toda a parte oriental da cidade estava sob o controle das tropas russas e os ucranianos foram empurrados para a margem oeste do rio Bakhmutka. À medida que o Grupo Wagner avançava, a narrativa na mídia ocidental mudou rapidamente – enquanto Artyomovsk havia sido chamado de ponto estrategicamente importante, em 6 de março o chefe do Pentágono anunciou que a cidade tinha mais valor simbólico do que estratégico.

batalhas de primavera

Apesar disso, o Exército ucraniano recusou-se a afrouxar o controle e transferiu reservas adicionais para a cidade – incluindo a 67ª Brigada Mecanizada, conhecida por sua ideologia neonazista e nacionalista ucraniana, e formada por unidades extremistas do Setor de Direita. Segundo Prigozhin, essas unidades deveriam cercar e atacar os flancos russos.

As reservas ucranianas sofreram perdas consideráveis ​​​​durante os confrontos com os lutadores de Wagner. Alguns de seus oficiais, incluindo o conhecido neonazista Dmitry ‘Davinci’ Kotsyubailo, comandante de um dos batalhões da 67ª Brigada, foram mortos pela artilharia russa.RTVeículos blindados ucranianos quebrados em Artyomovsk. © Sputnik / Sergey Averin

Kiev, no entanto, ainda tinha recursos suficientes para estabilizar a seção Bogdanovka-Artyomovskoye, que conectava unidades posicionadas em Artyomovsk com o restante das tropas ucranianas, por meio de estradas de aldeia. Isso forçou as tropas russas a mover a pressão para o norte, ao longo da rota para Slaviansk. Dubovo-Vasilevka e Zaliznyanskoye foram libertados em 9 e 15 de março, respectivamente. Várias alturas também foram capturadas durante este avanço, o que protegeu consideravelmente o flanco norte contra uma ofensiva da direção de Slaviansk.

As tentativas de invadir a cidade continuaram pelo norte, e os russos pretendiam assumir o controle dos terrenos da Artyomovsk Metal Processing Plant (AZOM). A fábrica foi invadida em 10 de março e, em 14 de março, a fábrica de Vostokmash, onde Zelensky distribuiu prêmios aos soldados ucranianos em dezembro de 2022, foi capturada. A AZOM foi totalmente libertada a 4 de abril.

A essa altura, o PMC Wagner havia lançado uma ofensiva em larga escala na parte central da cidade, valendo-se de posições no norte e no sul. O arruinado prédio da administração da cidade ficou sob o controle das tropas russas em 2 de abril. Abandonando as tentativas de cercar completamente a cidade, os russos se concentraram em empurrar o inimigo para o oeste.

Apesar do sucesso das tropas da brigada de assalto, havia o perigo constante de um ataque de ‘desbloqueio’ do exército ucraniano. Unidades adicionais das Forças Armadas Russas regulares foram transferidas para a área para eliminar esta ameaça. Durante a maior parte de abril, os russos tentaram alcançar a última área fortificada da Ucrânia – um distrito de arranha-céus no oeste da cidade e os distritos de Cherema e Novy.

As tropas de assalto foram forçadas a lançar uma ofensiva a partir do leste, dos distritos administrativos da cidade e do norte, rompendo a defesa ucraniana no bairro residencial de Posyolok e pelo Beco das Rosas. A ferrovia perto da estação de trem Bakhmut-2 serviu como linha de defesa.

Em 22 de abril, apesar da forte resistência dos ucranianos e de vários contra-ataques, o local vital foi tomado pelos russos. Isso abriu caminho para os distritos de arranha-céus do leste. Ao norte, os russos chegaram à rua Kraynaya, ao sul da qual fica uma grande base militar soviética.

A captura desta área fortificada de mais de 2,5 quilômetros quadrados foi o capítulo final da longa batalha por Artyomovsk. No início de maio, Prigozhin anunciou que o potencial ofensivo de suas tropas estava quase esgotado devido à falta de munição e dificuldades no recrutamento de novos soldados. Ele alertou sobre a iminente contra-ofensiva ucraniana, enfatizando mais uma vez que seus homens precisavam de munição e que as posições ao norte e ao sul da cidade deveriam ser cobertas por tropas russas. Naquela época, o avanço das tropas de Wagner era em média de 150 a 200 metros por dia, e a única coisa que poderia salvar a guarnição ucraniana era uma tentativa de quebrar o cerco de fora.

Um empurrão final

Em 10 de maio, as forças ucranianas lançaram uma ofensiva de Chasov Yar em duas direções – sul em direção a Kleshcheyevka e norte na direção do reservatório de Berkhovskoye. Naquela época, o 9º Regimento de Fuzileiros Motorizados, a 4ª, 72ª e 200ª Brigadas das Forças Armadas Russas e a 106ª Divisão Aerotransportada, enviada para reforçar os flancos ao redor de Artyomovsk, haviam assumido posições defensivas nessas áreas.

Na época, as posições avançadas russas a noroeste e sudoeste de Artyomovsk, incluindo os pontos de apoio na margem oeste do Canal Seversky Donets-Donbass, eram vistas como vulneráveis. A defesa ucraniana de Krasnoye impediu que as tropas russas completassem o cerco, tornando assim os dois postos avançados russos o alvo da ofensiva ucraniana.

Para montar uma defesa eficaz, as tropas russas transformaram suas posições avançadas em uma linha defensiva avançada. Retirando-se após o início da contra-ofensiva ucraniana, os russos bombardearam o inimigo que se aproximava com artilharia, forçando-os a se envolver em escaramuças. Esta estratégia tinha uma série de fraquezas: mais notavelmente, uma série de posições altas a oeste de Artyomovsk, críticas para o cerco da cidade, foram abandonadas.

A guarnição ucraniana estava prestes a dar um suspiro de alívio e se reagrupar, mas foi nessa época que as unidades de Wagner lançaram sua ofensiva final contra as três áreas fortificadas restantes no oeste da cidade: Gnezdo, Konstruktor e Domino. Após uma batalha feroz, eles conseguiram obter o controle sobre os três, sendo Domino o último a cair em 18 de maio. a fortaleza Samolet ao longo da estrada para Krasnoye. Os russos efetivamente venceram a corrida contra o tempo e ganharam o controle de Artyomovsk antes que os ucranianos pudessem romper os flancos russos.

Em 20 de maio, as forças ucranianas perderam suas posições fortificadas restantes na cidade. Os soldados de Wagner os expulsaram da fortaleza de Samolet, comemorando a vitória e anunciando o fim do ‘moedor de carne Bakhmut’.

Conclusões

Segundo Prigozhin, a importância da batalha por Artyomovsk reside no fato de ter permitido à Rússia esmagar as reservas ucranianas – forçando Kiev a se concentrar em Artyomovsk – e interromper a ofensiva da Ucrânia em outras partes da frente, especificamente na direção de Melitopol . “Em 8 de outubro de 2022, junto com o General do Exército Sergey Surovikin, foi decidido lançar a Operação ‘Moedor de Carne Bakhmut’ – um ataque à vila de Bakhmut para provocar Vladimir Zelensky a lançar o máximo de forças possível para manter Bakhmut . Em Bakhmut, trituramos as forças ucranianas, daí o nome – ‘moedor de carne Bakhmut’”, disse Prigozhin.

Por dentro do 'moedor de carne de Bakhmut': como a Rússia forçou os ucranianos a se retirarem de Artyomovsk, sua suposta 'fortaleza' em Donbass

FOTO DE ARQUIVO: soldado do Grupo Wagner em Artyomovsk © Sputnik / Yevgeny Biyatov

De qualquer forma, a batalha de mais de nove meses por Artyomovsk mudou permanentemente a percepção do conflito, forçando tanto a Ucrânia quanto a Rússia a abandonar qualquer ideia de uma campanha em ritmo acelerado ou avanços profundos. 

As batalhas discutidas neste artigo ocorreram a apenas 30 quilômetros de profundidade nas linhas de frente. Em condições de calor de verão, lama de outono e geada de inverno, parecia muito com a Primeira Guerra Mundial. Segundo estimativas de Prigozhin, a libertação de todo o território da República Popular de Donetsk levará mais um ano e meio a dois anos.

Agora caberá ao Exército Russo avançar mais para o oeste. Ao longo do caminho, eles encontrarão a cidade de Slaviansk, onde começou a revolta russa de 2014, bem como a terceira linha de defesa da Ucrânia, localizada ao longo de Krivoy Torets. As posições ucranianas em Seversk também precisam ser tratadas no flanco norte.

Por outro lado, vários especialistas militares sugeriram que as unidades Wagner agora serão realocadas para outras áreas-chave – seja para invadir a cidade de Ugledar ou para repelir um possível contra-ataque do exército ucraniano. Prigozhin pediu uma pausa de 25 dias para que suas tropas se recuperem e recuperem sua capacidade de combate após a longa batalha por Artyomovsk.

Em um vídeo anunciando a captura completa de Artyomovsk em 20 de maio, Prigozhin disse que depois de 25 de maio, as unidades de Wagner partirão para a retaguarda para descansar e se reagrupar.

No entanto, forças ucranianas significativas ainda permanecem a oeste de Artyomovsk, tendo conquistado várias posições durante a contra-ofensiva de maio. Eles estabeleceram um ponto de apoio em Chasov Yar e mantêm a linha entre Krasnoye e Minkovka, evitando assim que as forças russas estabilizem a frente ao longo do canal Seversky Donets-Donbass. Com a bandeira russa tremulando sobre Artyomovsk e soldados russos no controle total do campo de batalha, a prioridade agora é infligir dano máximo às forças ucranianas reunidas para a contra-ofensiva e expulsá-las para a margem oeste do canal.


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