Revealed: ‘anti-oligarch’ Ukrainian president’s offshore connections 

(The Guardian, 21/10/2021)

Volodymyr Zelenskiy has railed against politicians hiding wealth offshore but failed to disclose links to BVI firm….


(Esta publicação é especialmente oferecida aos frequentadores deste blog que para cá vêm, de bandeirinha azul e amarela na mão, capitaneados pelo nosso frequentador diário, José Lúcio Amaral.

Como é gente culta, nem sequer me dei ao trabalho de traduzir. Quando não concordam com as publicações a tática que usam é “matar o mensageiro”. O Thierry Meyssan é um frustrado ressabiado, o Pepe Escobar é um plagiador, o site reseauinternational.net pertence a um oligarca sírio ou russo, sei lá eu. Bem, como raramente discutem os factos ou as asserções dos textos, eu espero que neste caso, não me venham dizer que o Zelensky é um “menino de coro”, vestido de anjinho, com asas e tudo…

E quero ver como vão matar o mensageiro que, desta vez, é o insuspeito The Guardian! Talvez descubram que The Guardian é propriedade do Putin, via uma offshore desconhecida…. Fico a aguardar.

Estátua de Sal, 12/06/2022)


Ler artigo completo no link abaixo:

Revealed: ‘anti-oligarch’ Ukrainian president’s offshore connections | Volodymyr Zelenskiy | The Guardian


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Por que razão há tanta indiferença face aos grandes devedores?

(Pacheco Pereira, in Público, 22/05/2021)

Pacheco Pereira

Para onde foram as centenas e centenas de milhões de euros, eles que não têm bens e que, os que têm, a banca acha que é melhor “não serem executados”? A essa pergunta sei responder; para o seu bolso e dos seus cúmplices. E, retiradas as despesas de “contexto”, ainda lá estão.


“Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração também. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.”
Evangelho de S. Mateus

Em primeiro lugar, porque, não sendo políticos, o populismo toca-lhes muito pouco. Não são jogadores de futebol, nem cantores, nem personagens do jet-set, nem nobreza ou realeza. Dito em bruto, é isso mesmo. E quando lhes toca é por que o rastro das suas actividades empresariais vai ter ao poder político de forma mais ou menos explícita.

Em segundo lugar, porque alguns deles têm outras protecções, a começar pelo mundo dos grandes clubes de futebol, como é o caso do presidente do Benfica que continua lá. Podem referir que deles se dizem cobras e lagartos, mas se formos a ver é a disputa futebolística e clubista que explica essa má-língua, não os casos em si. São os partidários dos candidatos que perderam, são os adeptos do clube A contra o clube B que clamam vigorosamente contra o homem do clube alheio e são muito silenciosos sobre os seus. É o colectivo das claques prolongado pelas redes sociais, e é também porque o mundo do futebol, cheio de ilegalidades, de contratos esquisitos com jogadores, de offshores, de despesas sumptuárias, de corrupção e de violência, não suscita no populismo muita condenação.

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Em terceiro lugar, porque os partidos, a imprensa, os comentadores com proximidade com o mundo dos negócios “liberais” tendem a desvalorizar aquilo e aqueles sobre os quais fazem um cordão sanitário, dizendo que “eles” não são o retrato do capitalismo português, “eles” são a fruta podre de um cesto limpo e sadio. Tomá-los pelo todo é fazer a propaganda do BE e do PCP contra os empresários “criadores de riqueza”.

Sim, tomá-los pelo todo é injusto com alguns dos grandes e muitos dos pequenos, mas a sua ganância, a sua falta de escrúpulos com os dinheiros alheios, a sua promiscuidade com políticos corruptos, o seu insulto a gozar com os que não foram lá buscar centenas de milhões de euros, mas que os vão pagar, e, nalguns casos, os seus crimes, são a regra. Eu, aliás, ainda estou para ver a Iniciativa Liberal falar destes homens sem ser só sob o chapéu dos malefícios do Estado (que existem) e as confederações empresariais, ou a alta finança, que, pelos vistos, sabiam de tudo, mas não disseram nada.

Em quarto lugar, porque os grandes devedores não caíram do céu ou exclusivamente do regaço de rosas de Ricardo Salgado, conluiado com José Sócrates, mas comprometem gente altamente “reputada” e qualificada do mundo da banca, gestores “de topo” que circulam de administração para administração, que fazem parte do círculo de confiança que manda neste país e que fazem de conta que não tiveram nenhuma responsabilidade com o que se passou.

Em quinto lugar, por que muita da imprensa económica, e não só, reflecte este mesmo tipo de preocupações, chamemos-lhe “de classe” para irritar com um vocabulário marxista, e tem dependências muito pouco transparentes. Seria muito interessante, por exemplo, conhecer como actuam as agências de comunicação, pagas a peso de ouro pelas grandes empresas e empresários individuais, e como é que elas, sem indicação de publicidade paga, controlam quem aparece e quem não aparece nas páginas dos seus jornais e como aparecem.

Em sexto lugar, a economia das indignações é dúplice em vários escalões. Atinge muito mais os que vêm de baixo do que a gente fina, que é de facto “outra coisa”. E aqui entramos por um processo mais vasto do que os protagonistas actuais visto que remete para as enormes diferenciações sociais em Portugal e o modo como elas se incrustam inconscientemente no populismo. Os “que sobem na vida” quando caem fazem-no com muito mais fragor, porque a inveja social é muito horizontal e eles são da mesma extracção e mundo dos escrevinhadores das redes sociais. Os de cima estão sempre mais protegidos. É um remake de uma tese que foi propagandeada por esse pai do populismo nacional que foi o Independente, que execrava os novos-ricos das “meias brancas” e não dizia uma linha sobre os grandes lobistas que estavam sossegadamente nos seus tempos livres na Assembleia da República e que sabiam comer à mesa com os talheres todos. E o Chega é muito selectivo nas suas indignações porque tem lá gente desta, como se sabe.Até breve. Até que os especialistas da “resiliência” ou, se quiserem, de disparar bazucas, não comecem a vir engrossar a lista dos grandes devedores e tudo se repita outra vez

Podia continuar até ao infinito, “enésimo lugar” por cada milhão de euros e não acabava. Claro que estes homens são os que hoje são atirados às feras, que periodicamente precisam de ser alimentadas com os “maus” para não irem comer os “bons”. Desde aparecerem como atrasados mentais, ou esquecidos profissionais, até à arrogância ingénua de Berardo e a arrogância insuportável do homem da Ongoing, confortável no seu exílio brasileiro, depois de ter comprado deputados que “não sabiam o que era a Ongoing” e depois ficaram a saber muito bem, tivemos de tudo. Para onde foram as centenas e centenas de milhões de euros, eles que não têm bens e que, os que têm, a banca acha que é melhor “não serem executados”? A essa pergunta sei responder; para o seu bolso e dos seus cúmplices. E, retiradas as despesas de “contexto”, ainda lá estão.

Até breve. Até que os especialistas da “resiliência” ou, se quiserem, de disparar bazucas, não comecem a vir engrossar a lista dos grandes devedores e tudo se repita.

Historiador


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Não me insultem: não digam que eu sou exemplar!

(Amadeu Homem, 26/04/2021)

Amadeu Homem

Agora, que toda a gente tanto fala em corrupção, agora que tanta gente declara “eles são corruptos, ou simplesmente venais, ou moderadamente incorretos, MAS EU NÃO, EU SOU EXEMPLAR!”, este Vosso amigo vem dizer que nunca foi exemplar e que, muito provavelmente, nunca o irá ser.

Passo a explicar. Eu considero que não sou mau tipo e que não sou mau cidadão. Mas levaria a mal que me considerassem exemplar! Saibam todos os que frequentam esta página que eu – que não sou má criatura – não me considero e talvez nem me queira exemplar.

Foram inúmeras as situações em que roubei o Estado! Inúmeras! Desde a daquela vez em que arranjei um pintor que me pintasse a casa “mas sem recibo”, até àquela outra em que disse ao mecânico que lhe pagava uma retificação de motor do meu velho “jeep”, pelo preço que ele me adiantou, mas só se as coisas fossem feitas “por fora”!

E as vezes em que eu já vendi livros meus a amigos sem passar recibo? E uns selos em duplicado e umas especialidades filatélicas que eu vendi no OLX sem os declarar ao fisco? Ainda foram umas centenas de euros!

Isto, só que me lembre! É provável que haja um milheiro de situações em que eu estive muito longe de ser exemplar! A chatice toda está em que eu não tenho apetite em me portar bem, em certos domínios. E isto, porquê? Porque o equilíbrio saudável do mundo é aquele que se alcança no reconhecimento da imperfeição ética da espécie.

Aqui para nós: de quem eu tenho mais receio (juro, sob palavra de honra!) é daqueles que declaram que eles foram sempre transparentes, lisos, corretos, incapazes de uma safadeza! Desses, eu tenho um receio que se aproxima do pânico!

Cheiram-me a “Venturas”, que deve ser o mais acabado dos filhos da puta!


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