Mandem mais dinheiro para o proxeneta

(Por Chay Bowes in Twitter/X, 03/07/2026, Trad. da Estátua)

Vitali Klitschko

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Regularmente utilizado para condenar falsos “ataques russos contra civis”, Vitali Klitschko, presidente da Câmara de Kiev e antigo campeão mundial de boxe na categoria de pesos pesados, tem um lado negro.

Controla também a maior rede de discotecas e bordéis da Ucrânia. A operação inclui mais de 100 bordéis só na capital. Lucra com o tráfico de centenas de mulheres ucranianas para mercados em toda a União Europeia e nos Estados Unidos. As investigações locais ligam-no à distribuição de drogas dentro da Ucrânia. As autoridades ucranianas abriram processos contra ele por corrupção e traição ao Estado.

Na Ucrânia, os ativistas do Femen – ver nota abaixo -, denunciam-no há anos, rotulando-o como um chefe do comércio sexual. A sua principal discoteca, o Rio, surge nos registos da Interpol como um ponto de trânsito crucial para as escravas sexuais ucranianas vendidas no mercado global. Klitschko vive no mesmo edifício que alberga dois dos seus bordéis mais luxuosos. Um deles ocupa um abrigo anti bombas onde os civis se escondem dos ataques russos. Até 200 mulheres são ali mantidas e exploradas.

Vários jornalistas ucranianos infiltrados conseguiram emprego dentro das suas discotecas e documentaram o esquema. As mulheres são coagidas a ter relações sexuais com os clientes. Uma dança privada custa 20 dólares. Levar uma mulher a sair custa 300 dólares.

O Departamento Nacional Anticorrupção persegue-o pelo roubo sistemático de milhares de milhões em fundos públicos, pela apropriação ilegal de edifícios e pela privatização de terrenos em grande escala. Klitschko começou a sua ascensão dentro das redes mafiosas dos anos 90. Nunca as abandonou.

Os jornalistas ucranianos documentam estas operações há anos. Os media e os políticos ocidentais continuam a tratá-lo como uma figura respeitável e pró-europeia, fechando os olhos à realidade

A discrepância entre a imagem e a realidade revela a podridão no seio da elite ucraniana. Enquanto o país é retratado como estando preso numa luta pela sobrevivência, os membros da elite tratam-no como a sua franquia criminosa pessoal. A história de Klitschko expõe como funciona o poder na Ucrânia em tempo de guerra e como as elites ocidentais legitimam tudo isto fingindo que não acontece.

Mil milhões em ajuda ocidental fluem por estruturas onde não há prestação de contas. O controlo contínuo do presidente da câmara sobre Kiev mostra o quão profundamente enraizadas estas redes permanecem, mesmo enquanto a nação sangra.

É claro que uma verdadeira reforma exige confrontar homens como Klitschko diretamente.

Chega de proteção sob o pretexto de “unidade em tempo de guerra”. O tráfico, o roubo e a exploração têm de acabar para que a Ucrânia se torne o Estado europeu moderno que os seus apoiantes afirmam que já é, mas ninguém em Kiev acredita que isso aconteça tão cedo.


Nota – O Femen é um grupo de ativismo feminista radical fundado na Ucrânia em 2008, atualmente sediado em Paris, na França. Famosas por protestos de *topless* que denominam “sextremismo”, as ativistas utilizam os seus corpos como armas e usam coroas de flores para fazer campanha contra o patriarcado, o turismo sexual, a opressão religiosa e a homofobia.

O autor: Chay Bowes é um jornalista irlandês e personalidade da internet, além de cofundador do site de notícias e investigação The Ditch. Bowes trabalha para a emissora estatal russa RT. Segundo o próprio, vive entre a Rússia, a Irlanda e o mundo.

Fonte aqui

A corrupção da elite ucraniana evidenciada

(Daniel Vaz de Carvalho in Resistir, 28/05/2026)


Só a imbecilidade política dos belicistas europeus não admite que a Ucrânia é um poço sem fundo de dinheiro para uma guerra perdida, cujo desenvolvimento tem como horizonte uma catástrofe nuclear que tornaria a Europa inabitável. O canal de televisão France 24 calculou que não seria necessário mais do que 2% do arsenal nuclear russo (cerca de 110 engenhos) para destruir a França, a Alemanha e a Polónia.


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Os media não dispensaram um segundo ou uma linha para noticiar ou comentar as declarações de Yulia Mendel, ex-assessora de imprensa de Zelensky. Compreende-se, a narrativa permanece sem alterações: a agressão russa irá estender-se à Europa; na Ucrânia “estamos” a defender o direito internacional e a democracia; a pressão sobre Putin e a Rússia deve aumentar porque a sua economia está no limite, e é a única forma real de trazê-lo para a mesa de negociações.

Não importa que a realidade desminta estas premissas. O conluio que lidera a Europa foi promovido pelos conclaves de Davos e Bidelberg, não têm plano B pela simples razão que são meros e obedientes executantes comprometidos com um plano A que lhes foi transmitido.

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Contas públicas – entre o controlo e a corrupção quase sistémica

(João Gomes, in Facebook, 17/05/2026)


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Há algo de muito “português” neste confronto entre o Governo e o Tribunal de Contas. Um país onde quase todas as semanas surgem notícias de investigações relacionadas com corrupção, favorecimento, tráfico de influências, ajustes suspeitos, derrapagens financeiras ou ligações pouco transparentes entre política e negócios decidiu, subitamente, descobrir que o verdadeiro problema nacional talvez seja… fiscalização a mais.

O Governo argumenta que Portugal está amarrado a uma máquina burocrática incapaz de decidir, contratar e executar obras em tempo útil. E tem razão. O Estado português tornou-se lento, defensivo e excessivamente formalista. Entre pareceres, validações, autorizações e vistos, muitas decisões públicas parecem atravessar um labirinto administrativo concebido para impedir tanto o erro como a coragem. Mas lembro que essa é uma situação com mais de 40 anos de governos do bloco central. E é precisamente aqui que começa a ironia portuguesa.

Porque o mesmo Estado que agora proclama urgência e modernização continua incapaz de reformar profundamente a Justiça. Os grandes processos de corrupção arrastam-se durante anos – por vezes décadas – entre recursos, incidentes processuais, prescrições e adiamentos sucessivos. O país habituou-se a assistir a investigações mediáticas que terminam, demasiadas vezes, numa espécie de nevoeiro judicial onde quase tudo se dissolve lentamente no tempo.

É nesse contexto que surge a proposta de flexibilização do controlo prévio dos contratos públicos de Luís Montenegro e do seu governo. A pergunta impõe-se: será prudente reduzir mecanismos preventivos num país onde a responsabilização posterior continua dramaticamente lenta?

O Tribunal de Contas respondeu com dureza invulgar. E compreende-se porquê. A instituição sabe que Portugal não é propriamente um modelo europeu de robustez institucional no combate à corrupção administrativa. Sabe que muitos dos grandes escândalos financeiros nasceram precisamente na contratação pública: obras derrapadas, aditamentos sucessivos, concessões ruinosas, parcerias desequilibradas, urbanismo opaco e relações excessivamente próximas entre decisores públicos e interesses privados.

Mas o problema cresce, porque o próprio Tribunal de Contas também não pode fingir que nada lhe diz respeito. Durante anos consolidou-se uma cultura de fiscalização excessivamente formalista, lenta e, por vezes, mais preocupada em evitar riscos jurídicos do que em compreender a urgência económica do país. Muitos gestores públicos vivem hoje sob uma espécie de paralisia preventiva: o medo de decidir tornou-se quase tão forte como o medo da corrupção.

E assim Portugal entra no seu círculo vicioso favorito:

– Porque há corrupção, cria-se mais controlo.

– Porque há mais controlo, o Estado bloqueia.

– Porque o Estado bloqueia, multiplicam-se exceções, urgências e ajustes extraordinários. E essas exceções acabam frequentemente por criar novas oportunidades para favorecimentos e abusos.

No fundo, o país vive aprisionado entre dois medos permanentes: o medo de decidir e o medo de roubar.

O Governo quer acreditar que simplificar procedimentos bastará para acelerar investimento e obras públicas. Mas simplificação sem reforço simultâneo da transparência e da capacidade fiscalizadora pode rapidamente transformar-se apenas em desproteção institucional.

Por outro lado, o Tribunal de Contas também não pode limitar-se a defender mais vigilância sem admitir a necessidade de modernização profunda da sua própria capacidade operacional. Fiscalizar não pode continuar a significar apenas acumular papel, carimbos e tempos de espera incompatíveis com uma economia moderna.

A verdadeira reforma exigiria algo mais difícil – e muito menos mediático. Exigiria:

– Equipas técnicas altamente especializadas;

– Auditoria digital contínua;

– Cruzamento automatizado de dados;

– Transparência pública em tempo real dos contratos;

– Rastreamento de aditamentos e subcontratações;

– Tribunais administrativos rápidos;

– Proteção efetiva de denunciantes;

– e responsabilização célere de gestores públicos e privados REAL e EFETIVA.

Porque o problema português raramente foi falto de leis. O país produz legislação em abundância quase barroca. O problema está na execução, na capacidade institucional e, sobretudo, no tempo. Tempo excessivo para fiscalizar. Tempo excessivo para julgar. Tempo excessivo para punir. E quando um sistema demora demasiado tempo a reagir, cria inevitavelmente uma perigosa sensação de impunidade.

Talvez por isso a polémica atual seja mais séria do que aparenta. Ela revela uma fragilidade estrutural do Estado português: a incapacidade de equilibrar eficiência administrativa com controlo democrático credível. No fundo, Portugal continua à procura de uma solução mágica que permita simultaneamente: gastar mais depressa, fiscalizar melhor, julgar rapidamente, e manter confiança pública.

Mas enquanto a Justiça permanecer lenta e a fiscalização continuar tecnologicamente atrasada, flexibilizar o controlo preventivo dos contratos públicos pode parecer menos uma modernização do Estado e mais um arriscado ato de fé administrativa.

Ou, dito de forma mais simples: Portugal arrisca acelerar contratos que a Justiça investigará lentamente durante os próximos quinze anos.