A corrupção da elite ucraniana evidenciada

(Daniel Vaz de Carvalho in Resistir, 28/05/2026)


Só a imbecilidade política dos belicistas europeus não admite que a Ucrânia é um poço sem fundo de dinheiro para uma guerra perdida, cujo desenvolvimento tem como horizonte uma catástrofe nuclear que tornaria a Europa inabitável. O canal de televisão France 24 calculou que não seria necessário mais do que 2% do arsenal nuclear russo (cerca de 110 engenhos) para destruir a França, a Alemanha e a Polónia.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Os media não dispensaram um segundo ou uma linha para noticiar ou comentar as declarações de Yulia Mendel, ex-assessora de imprensa de Zelensky. Compreende-se, a narrativa permanece sem alterações: a agressão russa irá estender-se à Europa; na Ucrânia “estamos” a defender o direito internacional e a democracia; a pressão sobre Putin e a Rússia deve aumentar porque a sua economia está no limite, e é a única forma real de trazê-lo para a mesa de negociações.

Não importa que a realidade desminta estas premissas. O conluio que lidera a Europa foi promovido pelos conclaves de Davos e Bidelberg, não têm plano B pela simples razão que são meros e obedientes executantes comprometidos com um plano A que lhes foi transmitido.

Continuar a ler o artigo completo aqui.

Contas públicas – entre o controlo e a corrupção quase sistémica

(João Gomes, in Facebook, 17/05/2026)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Há algo de muito “português” neste confronto entre o Governo e o Tribunal de Contas. Um país onde quase todas as semanas surgem notícias de investigações relacionadas com corrupção, favorecimento, tráfico de influências, ajustes suspeitos, derrapagens financeiras ou ligações pouco transparentes entre política e negócios decidiu, subitamente, descobrir que o verdadeiro problema nacional talvez seja… fiscalização a mais.

O Governo argumenta que Portugal está amarrado a uma máquina burocrática incapaz de decidir, contratar e executar obras em tempo útil. E tem razão. O Estado português tornou-se lento, defensivo e excessivamente formalista. Entre pareceres, validações, autorizações e vistos, muitas decisões públicas parecem atravessar um labirinto administrativo concebido para impedir tanto o erro como a coragem. Mas lembro que essa é uma situação com mais de 40 anos de governos do bloco central. E é precisamente aqui que começa a ironia portuguesa.

Porque o mesmo Estado que agora proclama urgência e modernização continua incapaz de reformar profundamente a Justiça. Os grandes processos de corrupção arrastam-se durante anos – por vezes décadas – entre recursos, incidentes processuais, prescrições e adiamentos sucessivos. O país habituou-se a assistir a investigações mediáticas que terminam, demasiadas vezes, numa espécie de nevoeiro judicial onde quase tudo se dissolve lentamente no tempo.

É nesse contexto que surge a proposta de flexibilização do controlo prévio dos contratos públicos de Luís Montenegro e do seu governo. A pergunta impõe-se: será prudente reduzir mecanismos preventivos num país onde a responsabilização posterior continua dramaticamente lenta?

O Tribunal de Contas respondeu com dureza invulgar. E compreende-se porquê. A instituição sabe que Portugal não é propriamente um modelo europeu de robustez institucional no combate à corrupção administrativa. Sabe que muitos dos grandes escândalos financeiros nasceram precisamente na contratação pública: obras derrapadas, aditamentos sucessivos, concessões ruinosas, parcerias desequilibradas, urbanismo opaco e relações excessivamente próximas entre decisores públicos e interesses privados.

Mas o problema cresce, porque o próprio Tribunal de Contas também não pode fingir que nada lhe diz respeito. Durante anos consolidou-se uma cultura de fiscalização excessivamente formalista, lenta e, por vezes, mais preocupada em evitar riscos jurídicos do que em compreender a urgência económica do país. Muitos gestores públicos vivem hoje sob uma espécie de paralisia preventiva: o medo de decidir tornou-se quase tão forte como o medo da corrupção.

E assim Portugal entra no seu círculo vicioso favorito:

– Porque há corrupção, cria-se mais controlo.

– Porque há mais controlo, o Estado bloqueia.

– Porque o Estado bloqueia, multiplicam-se exceções, urgências e ajustes extraordinários. E essas exceções acabam frequentemente por criar novas oportunidades para favorecimentos e abusos.

No fundo, o país vive aprisionado entre dois medos permanentes: o medo de decidir e o medo de roubar.

O Governo quer acreditar que simplificar procedimentos bastará para acelerar investimento e obras públicas. Mas simplificação sem reforço simultâneo da transparência e da capacidade fiscalizadora pode rapidamente transformar-se apenas em desproteção institucional.

Por outro lado, o Tribunal de Contas também não pode limitar-se a defender mais vigilância sem admitir a necessidade de modernização profunda da sua própria capacidade operacional. Fiscalizar não pode continuar a significar apenas acumular papel, carimbos e tempos de espera incompatíveis com uma economia moderna.

A verdadeira reforma exigiria algo mais difícil – e muito menos mediático. Exigiria:

– Equipas técnicas altamente especializadas;

– Auditoria digital contínua;

– Cruzamento automatizado de dados;

– Transparência pública em tempo real dos contratos;

– Rastreamento de aditamentos e subcontratações;

– Tribunais administrativos rápidos;

– Proteção efetiva de denunciantes;

– e responsabilização célere de gestores públicos e privados REAL e EFETIVA.

Porque o problema português raramente foi falto de leis. O país produz legislação em abundância quase barroca. O problema está na execução, na capacidade institucional e, sobretudo, no tempo. Tempo excessivo para fiscalizar. Tempo excessivo para julgar. Tempo excessivo para punir. E quando um sistema demora demasiado tempo a reagir, cria inevitavelmente uma perigosa sensação de impunidade.

Talvez por isso a polémica atual seja mais séria do que aparenta. Ela revela uma fragilidade estrutural do Estado português: a incapacidade de equilibrar eficiência administrativa com controlo democrático credível. No fundo, Portugal continua à procura de uma solução mágica que permita simultaneamente: gastar mais depressa, fiscalizar melhor, julgar rapidamente, e manter confiança pública.

Mas enquanto a Justiça permanecer lenta e a fiscalização continuar tecnologicamente atrasada, flexibilizar o controlo preventivo dos contratos públicos pode parecer menos uma modernização do Estado e mais um arriscado ato de fé administrativa.

Ou, dito de forma mais simples: Portugal arrisca acelerar contratos que a Justiça investigará lentamente durante os próximos quinze anos.

Os líderes europeus não ignoram a corrupção em Kiev… eles são parceiros num esquema de extorsão em larga escala

(Editorial in SCF, 08/05/2026, Trad. Estátua)


Líderes da UE, como Kaja Kallas, a principal diplomata dos negócios estrangeiros do bloco, têm-se feito de desentendidos em relação aos inúmeros escândalos que emanam de Kiev.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Esta semana, surgiram mais provas da corrupção endémica do regime de Kiev. Ainda assim, os líderes da União Europeia estão a mobilizar-se para enviar um empréstimo maciço de 90 mil milhões de euros (105 mil milhões de dólares) a este regime, que se tornou sinónimo de fraude à escala industrial.

A UE já injetou cerca de 200 mil milhões de euros para sustentar o regime ucraniano desde fevereiro de 2022, quando a guerra por procuração da NATO com a Rússia se intensificou.

A maior parte deste dinheiro será utilizado como ajuda militar para investir nos fabricantes ucranianos de drones e mísseis. Uma das empresas ucranianas mais proeminentes — a Fire Point — está ligada ao autoproclamado presidente do regime, Vladimir Zelensky.

Gravações de vigilância divulgadas para os meios de comunicação ucranianos mostram que o empresário Timur Mindich, alegado proprietário da Fire Point, discutiu a aquisição de milhares de milhões de euros em contratos com o ex-ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umarov.

Ambos estão a ser investigados por organizações anticorrupção ucranianas por peculato. No ano passado, Umarov demitiu-se do cargo de ministro da Defesa depois de ter sido acusado de fraude e extorsão. Entretanto, Timur Mindich fugiu para Israel em Novembro passado, precisamente quando os investigadores da corrupção estavam prestes a interrogá-lo. Mindich era sócio de Zelensky e continua a ser um associado próximo. É chamado, em tom de gozo, “a carteira de Zelensky”.

Zelensky, cujo mandato presidencial expirou há quase dois anos, mas que se autoproclama Presidente por prorrogação, tem viajado constantemente para países estrangeiros em busca de mais ajuda militar, ao mesmo tempo que promove a Fire Point como um investimento lucrativo. Os esforços de promoção de Zelensky deram grandes frutos.

Vários países europeus estabeleceram parcerias com a Fire Point em acordos bilaterais. A Dinamarca, a Alemanha, a Holanda e a Noruega estão entre os investidores europeus nesta empresa, bem como em muitas outras empresas ucranianas de fabrico de armamento. A Arábia Saudita e outros países árabes ricos em petróleo também investiram avultadas quantias.

Assim, o chamado empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, que está em curso, soma-se aos milhares de milhões já investidos através de acordos bilaterais.

Apesar dos escândalos, Rustem Umarov, o antigo ministro da Defesa sob investigação por corrupção, continua a ser uma figura-chave no círculo próximo de Zelensky. É ele o Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional e um dos principais negociadores nas conversações com a Rússia, convocadas pelos EUA, alegadamente com o objetivo de encontrar uma solução diplomática para o conflito que dura há mais de quatro anos. Um conflito em que as forças armadas ucranianas sofreram milhões de baixas. Estas negociações não avançaram, com a administração Trump, em Washington, a culpar o lado ucraniano de bloquear o progresso das mesmas.

A mais recente reviravolta no escândalo de corrupção em curso na Ucrânia – que implica o principal negociador, Umarov, e um aliado de Zelensky num esquema de corrupção com o sector financeiro europeu – explica porque é que o regime de Kiev pretende que o conflito se prolongue o mais possível. A guerra significa contratos, fraudes, corrupção, subornos e milhares de milhões de euros a fluir para contas bancárias offshore. A paz, por outro lado, significa o fim de negócios lucrativos.

Em síntese, existe um flagrante conflito de interesses no regime de Kiev, onde a diplomacia e a paz com a Rússia são completamente incompatíveis com interesses corruptos. A guerra precisa de continuar.

A grande questão é: porque é que os líderes e os governos europeus parecem tão cegos à corrupção descarada? Investigadores ucranianos e americanos expuseram separadamente a corrupção desenfreada e o roubo de dinheiro público, enriquecendo a clique sob o comando de Zelensky.

No entanto, líderes da UE, como Kaja Kallas, a principal diplomata dos negócios estrangeiros do bloco, têm-se feito de desentendidos sobre os inúmeros escândalos que emanam de Kiev. Ela referiu-se simplesmente aos relatórios prejudiciais como “lamentáveis”. Mas, entretanto, a UE continua a glorificar Zelensky e o seu regime. Esta semana, foi convidado a participar em mais uma cimeira de líderes da UE realizada em Yerevan, a capital arménia. A UE continua a exaltar Zelensky como o líder corajoso de uma nação atacada por uma agressão não provocada da Rússia, e afirma que os cidadãos europeus têm o dever moral de apoiar a Ucrânia com milhares de milhões em empréstimos para “defender o resto da Europa”.

Mais criticamente, o eurodeputado alemão Fabio de Mazi tem questionado repetidamente o motivo pelo qual a liderança da UE, sob a presidência de Ursula von der Leyen, demonstra tão pouco interesse em responsabilizar Zelensky e o seu regime. De Mazi acusou Von der Leyen e a burocracia de Bruxelas de “protegerem” o esquema ucraniano.

Parte da razão pela qual os líderes europeus se agarram tão obstinadamente ao regime de Zelensky deve-se à sua russofobia e revanchismo inveterados. Estes ideólogos querem derrotar estrategicamente a Rússia para obter enormes ganhos calculados para os interesses capitalistas ocidentais, numa política de neo-Lebensraum semelhante à implementada pelo III Reich nazi.

Mas também há interesses económicos imediatos em jogo. Alguns comentadores descreveram a Ucrânia como um “buraco negro” de corrupção.

Fonte aqui