(Editorial in SCF, 08/05/2026, Trad. Estátua)

Líderes da UE, como Kaja Kallas, a principal diplomata dos negócios estrangeiros do bloco, têm-se feito de desentendidos em relação aos inúmeros escândalos que emanam de Kiev.
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Esta semana, surgiram mais provas da corrupção endémica do regime de Kiev. Ainda assim, os líderes da União Europeia estão a mobilizar-se para enviar um empréstimo maciço de 90 mil milhões de euros (105 mil milhões de dólares) a este regime, que se tornou sinónimo de fraude à escala industrial.
A UE já injetou cerca de 200 mil milhões de euros para sustentar o regime ucraniano desde fevereiro de 2022, quando a guerra por procuração da NATO com a Rússia se intensificou.
A maior parte deste dinheiro será utilizado como ajuda militar para investir nos fabricantes ucranianos de drones e mísseis. Uma das empresas ucranianas mais proeminentes — a Fire Point — está ligada ao autoproclamado presidente do regime, Vladimir Zelensky.
Gravações de vigilância divulgadas para os meios de comunicação ucranianos mostram que o empresário Timur Mindich, alegado proprietário da Fire Point, discutiu a aquisição de milhares de milhões de euros em contratos com o ex-ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umarov.
Ambos estão a ser investigados por organizações anticorrupção ucranianas por peculato. No ano passado, Umarov demitiu-se do cargo de ministro da Defesa depois de ter sido acusado de fraude e extorsão. Entretanto, Timur Mindich fugiu para Israel em Novembro passado, precisamente quando os investigadores da corrupção estavam prestes a interrogá-lo. Mindich era sócio de Zelensky e continua a ser um associado próximo. É chamado, em tom de gozo, “a carteira de Zelensky”.
Zelensky, cujo mandato presidencial expirou há quase dois anos, mas que se autoproclama Presidente por prorrogação, tem viajado constantemente para países estrangeiros em busca de mais ajuda militar, ao mesmo tempo que promove a Fire Point como um investimento lucrativo. Os esforços de promoção de Zelensky deram grandes frutos.
Vários países europeus estabeleceram parcerias com a Fire Point em acordos bilaterais. A Dinamarca, a Alemanha, a Holanda e a Noruega estão entre os investidores europeus nesta empresa, bem como em muitas outras empresas ucranianas de fabrico de armamento. A Arábia Saudita e outros países árabes ricos em petróleo também investiram avultadas quantias.
Assim, o chamado empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, que está em curso, soma-se aos milhares de milhões já investidos através de acordos bilaterais.
Apesar dos escândalos, Rustem Umarov, o antigo ministro da Defesa sob investigação por corrupção, continua a ser uma figura-chave no círculo próximo de Zelensky. É ele o Secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional e um dos principais negociadores nas conversações com a Rússia, convocadas pelos EUA, alegadamente com o objetivo de encontrar uma solução diplomática para o conflito que dura há mais de quatro anos. Um conflito em que as forças armadas ucranianas sofreram milhões de baixas. Estas negociações não avançaram, com a administração Trump, em Washington, a culpar o lado ucraniano de bloquear o progresso das mesmas.
A mais recente reviravolta no escândalo de corrupção em curso na Ucrânia – que implica o principal negociador, Umarov, e um aliado de Zelensky num esquema de corrupção com o sector financeiro europeu – explica porque é que o regime de Kiev pretende que o conflito se prolongue o mais possível. A guerra significa contratos, fraudes, corrupção, subornos e milhares de milhões de euros a fluir para contas bancárias offshore. A paz, por outro lado, significa o fim de negócios lucrativos.
Em síntese, existe um flagrante conflito de interesses no regime de Kiev, onde a diplomacia e a paz com a Rússia são completamente incompatíveis com interesses corruptos. A guerra precisa de continuar.
A grande questão é: porque é que os líderes e os governos europeus parecem tão cegos à corrupção descarada? Investigadores ucranianos e americanos expuseram separadamente a corrupção desenfreada e o roubo de dinheiro público, enriquecendo a clique sob o comando de Zelensky.
No entanto, líderes da UE, como Kaja Kallas, a principal diplomata dos negócios estrangeiros do bloco, têm-se feito de desentendidos sobre os inúmeros escândalos que emanam de Kiev. Ela referiu-se simplesmente aos relatórios prejudiciais como “lamentáveis”. Mas, entretanto, a UE continua a glorificar Zelensky e o seu regime. Esta semana, foi convidado a participar em mais uma cimeira de líderes da UE realizada em Yerevan, a capital arménia. A UE continua a exaltar Zelensky como o líder corajoso de uma nação atacada por uma agressão não provocada da Rússia, e afirma que os cidadãos europeus têm o dever moral de apoiar a Ucrânia com milhares de milhões em empréstimos para “defender o resto da Europa”.
Mais criticamente, o eurodeputado alemão Fabio de Mazi tem questionado repetidamente o motivo pelo qual a liderança da UE, sob a presidência de Ursula von der Leyen, demonstra tão pouco interesse em responsabilizar Zelensky e o seu regime. De Mazi acusou Von der Leyen e a burocracia de Bruxelas de “protegerem” o esquema ucraniano.
Parte da razão pela qual os líderes europeus se agarram tão obstinadamente ao regime de Zelensky deve-se à sua russofobia e revanchismo inveterados. Estes ideólogos querem derrotar estrategicamente a Rússia para obter enormes ganhos calculados para os interesses capitalistas ocidentais, numa política de neo-Lebensraum semelhante à implementada pelo III Reich nazi.
Mas também há interesses económicos imediatos em jogo. Alguns comentadores descreveram a Ucrânia como um “buraco negro” de corrupção.
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