“Desinteresse noticioso”

(Por Hugo Dionísio, in Facebook, 19/12/2022)

Criança em Dnipropetrovsk a desenhar uma suástica e a família a apoiar

Fosse num qualquer país do “eixo do mal” e as manifestações deste fim de semana em Duisburgo, Leipzig ou Neubrandenburg, contra as sanções e a NATO, pela melhoria das condições de vida e contra a submissão da Alemanha aos EUA, seriam tema de abertura da generalidade dos noticiários da imprensa corporativa do Atlântico Norte. Tratando-se de um país paradigmático da relação de subserviência europeia, toda e qualquer cobertura perde “interesse noticioso”.

O que também não tem qualquer “interesse noticioso” são osTwitter Files. Por si só, a divulgação, em partes e de forma organizada, pelo jornalista Matt Taibbi (proscrito pela revista Rolling Stone por dizer a verdade), da informação que lhe foi sendo passada pelo seu ex-empregador Elon Musk, deveria fazer rebentar revoluções em todo o Ocidente.

Então, os maiores arautos da liberdade de expressão, opinião e imprensa, não são mais do que um bando de hipócritas, paranoicos e lunáticos, doidos por controlar a informação de todo e qualquer cidadão que destoe da narrativa que vendem nos órgãos de comunicação social do “fact-checking”? O que é que tem isto de “desinteressante”?

A lista de violações grosseiras, das mais básicas liberdades individuais e coletivas, em todo o mundo, é extensa, comprovando que o lançamento das redes sociais (e do Google), primeiro como experiências de foro militar e de inteligência, e mais tarde, apropriadas pelo “mercado”, como meios de controlo, predição, monitorização e tráfico de dados pessoais, foi tudo menos um acaso.

Elon Musk – de quem eu não sou admirador -, depois de ameaçado pela Apple e Google, com a remoção do Twitter das suas lojas, por se recusar a cumprir as diretrizes – nunca assumidas frontalmente – da Casa Branca e das suas agências de segurança, não esperou mais pela revelação do que seria um escândalo de proporções épicas à escala global, se o mundo que nos mostram nos ecrãs do Império não fosse, na essência, um faz de conta.

O que já sabíamos ser verdade (confirmado parcialmente por Zuckerberg em entrevista a Joe Rogan), apenas se provou definitivamente. Desde reuniões entre Twitter, Facebook, FBI, CIA e NSA, para coordenação dos “ataques” informativos contra personalidades controversas, perfis de países, empresas e órgãos de comunicação não corporativos; trocas de mensagens de email em que o agente em questão pedia diretamente para se bloquear, perseguir ou censurar o perfil “Y” ou “Z”; o envio de diretrizes para criação e mecanismos de censura de determinadas mensagens, palavras ou ideias; a monitorização e cancelamento, mesmo de pequenos perfis (às vezes com menos de 100 seguidores (!!!)), mas em que se identificava sentido de humor. O “sentido de humor” é identificado pelas agências de segurança como perigosíssimo para a transmissão de ideias “subversivas”.

A STASI, a KGB? Deixem-me rir! As Twitter files provam que o objeto do controlo é o próprio pensamento! Já não são os atos que importam, são os pensamentos mais íntimos! Este controlo é perpetrado em todo o mundo, em todas as línguas.

As redes sociais de Silicon Valley são um veículo de submissão, perseguição, controlo, erradicação e isolamento de toda uma população, perpetradas por um gangue imperial cada vez mais louco e paranoico, que não olha a meios para atingir os fins. O paradoxo? Convencerem as massas de que são livres!

Ao tratamento das redes sociais e Google como meras subsidiárias, tentáculos, das agências de três letras do maior aparato securitário do mundo e da história da humanidade, a imprensa corporativa do Atlântico Norte não achou qualquer piada e, ainda menos, interesse. Eis em quem depositam, milhões de seres, a tutela da sua liberdade de expressão!

Também subsidiária da Casa Branca, a EU não se atrasou e, em resposta às Twitter Files, veio a comissária europeia para a “transparência e valores europeus” (uma espécie de ministério da verdade e dos bons costumes), dizer a Elon Musk que “ou combates a desinformação e o discurso de ódio” ou em 2024 o Twitter será cancelado. “A EU é muito agressiva no combate à desinformação”! Ora se é! 2024 será para nós uma espécie de entrada direta em 1984, com a entrada em vigor do Digital Services Act (até se chama “act” como nos EUA, veja-se lá de onde vem). É a isto que estamos destinados.

Interesse algum também não tem o facto de o orçamento americano, uma vez mais destinar 500 milhões de euros para produzir campanhas mediáticas que visem denegrir a China. Sabendo-se que a imprensa corporativa segue os comunicados do “State Department” como a verdade em si, eu deixo a questão: quem é que pode confiar numa notícia que seja sobre a China? Ah! Mas o fact-checking… O Polígrafo… Tudo gente séria!

O que isto prova à saciedade é que a China tinha toda a razão em não querer o Google no seu território, ou, pelo menos, um Google como os outros. Afinal quem é o ditador agora? Quem bloqueia o Google porque sabe para que serve, ou quem o usa para controlar, subverter, perseguir, branquear e censurar?

E enquanto tudo isto sucede e nos apresentam, sobre o Perú, o golpe ao contrário, fazendo crer que os golpistas defendem a democracia e os democratas são os próprios golpistas – ao que chega a desfaçatez do faz de conta – a primeira-dama da farsa, de seu nome, Ursula, vem pedir mais armas para a Ucrânia e mais sanções para o país de Putin. Claro, umas e outras têm dado um resultadão… para os seus chefes.

Já dizer, como disse Tucker Carlson da FOX, que enviou um jornalista ao país de Putin, para saber como se vive nesse país “arrasado” pelas sanções, para descobrir que o povo patriota apoia o seu governo, mesmo que nele não vote, que a minoria neoliberal, não apoiando, não está contra e os que não querem saber da política, dizem estar bem, porque nada mudou, as prateleiras estão cheias e o custo de vida não se agravou por aí além… É razão para, uma vez mais, questionar os que defendem as sanções: têm a certeza de que elas são contra eles? Ou serão contra nós?

Não discutindo nada do que interessa, também não discutem por que raio a Europa teve de perder 1 trilião de euros só em transações de gás durante 2022, tudo por causa de uma guerra desnecessária, que não é a sua e foi encomendada para beneficiar quem está do outro lado do Atlântico. E no meio disto, quem está do outro lado, ainda ordena a este lado que reforce o envio de armas e mais armas para “ganhar a guerra”. Não importa fazer a paz, importa “ganhar a guerra”. Mas o que não se discute, também, é que “ganhar a guerra” pode significar uma guerra mundial, sendo razão para questionar se não será esse mesmo o sentido da coisa.

Acreditar que o país de Zelensky. poderia ganhar aquela guerra seria o mesmo que acreditar que a URSS não derrotou o nazismo e que foram os EUA! Bem disseram os generais da altura que “A Europa não nos vai perdoar a derrota do fascismo”!

Enquanto ouvimos Zaluzny, o general comandante do exército ucraniano, ir à revista TIME (revista porta-voz dos neocon) pedir um exército novo, porque o que formou ao longo de 8 anos já era, sob pena de ter de se render, deveríamos perguntar àquele comentador da SIC Notícias o que ele acha disso quando, ao tempo de um telefonema entre Putin. e Erdogan – durante a retirada de Kherson – este referiu que o segundo estava, com toda a certeza, a pedir ao primeiro que abandonasse a guerra pois o seu exército estava um caco. E ouve-se a IL falar de meritocracia do capitalismo e, constantemente, todos os dias, ouvem-se tiradas destas e continua-se a ver quem as diz, do alto do seu poleiro de “sapiência”, inventar quotidianamente novas tiradas com que nos entreter…

Mas o cúmulo do “desinteresse noticioso” é atingido quando a imprensa corporativa do Atlântico Norte, a tal que tutela as nossas liberdades como 4º democrático poder, decide que uma rejeição de uma resolução a condenar o nazismo, pelo nosso país e pelos países da EU, da NATO e outras colónias dos EUA, sem sequer referir o país de Zelensky, não tem qualquer importância. Nem tão pouco, tem importância, o facto de mais de 140 países, a nível mundial, representando mais de 80% da humanidade, a terem aprovado sem pestanejar. Afinal quem é que está a isolar quem?

Mas o nazismo agora já é uma coisa relativa? Depende de quem o combate?

Não, não é! O nazismo representa o estado avançado do fascismo enquanto forma capitalista extremamente agressiva, representa a negação de toda e qualquer liberdade. O que visa esconder quem rejeita uma resolução destas é que no país de Zelensky foi montado um estado nazi, agora em progresso também na Polónia – recentemente inaugurado pelo governo o programa “treinar com o exército” para jovens a partir dos 15 anos -, como instrumentos avançados da luta hegemónica do pai de todos os fascismos – o capitalismo.

E enquanto, em Dnepropetrovsk, é possível ver – em vídeo – uma criança a desenhar um mural com uma suástica nazi, como se de algo de vitorioso se tratasse, temos de apanhar com o Zelensky – depois de enviar para o genocídio mais de 200 mil jovens e adultos do seu país (com os transplantologistas americanos a salivarem com o negócio milionário dos seus órgãos) -, a desafiar Putin. para a porrada!

É razão para dizermos: agarrem-me senão eu mato-o à pancada!


Só a pluralidade de informação pode prevenir a guerra

(Por Thierry Meyssan, in Rede Voltaire, 29/11/2022)

A percepção dos factos varia segundo os indivíduos. Aqui o mesmo símbolo é lido como « 6 » por um e como « 9 » pelo outro.

No mundo inteiro, observamos uma miríade de médias, mas sem nenhum pluralismo entre elas. Todos bebem das mesmas fontes que veiculam a mesma visão dos factos. Ora, todos sabemos que se os factos se passam de uma única forma, a maneira como os apreendemos é variada. Já na década de 80, a UNESCO havia posto em evidência o « imperialismo de informação »; essa maneira de impor uma única percepção e de negar todas as outras. Hoje, esta dominação manifesta-se com os News Checkers. O único meio de nos libertarmos deste sistema é, não o de criar novos média, mas novas agências de notícias.


Após a Segunda Guerra mundial, o Direito Internacional moderno foi estabelecido com a ideia de combater a « propaganda de guerra » (Resolução 110 da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 3 de Novembro de 1947 [1] e Resolução 381 de 17 de Novembro de 1950 [2]). Rapidamente, os legisladores internacionais, quer dizer os Estados soberanos, acordaram que não se podia lutar contra a guerra senão velando pela « livre circulação das ideias » (Resolução 819 de 11 de Dezembro de 1954 [3]).

Ora, no decurso dos últimos anos, assistimos a um recuo extraordinário que nos priva do pensamento dos outros, nos expõe à propaganda de guerra e, por fim, nos precipita para um conflito mundial.

Este fenómeno começou com a censura privada nas redes sociais do Presidente em exercício dos Estados Unidos, depois continuou com a censura pública dos média (mídia-br) russos no Ocidente. Agora, o pensamento alheio já não é entendido como um instrumento de prevenção das guerras, mas como um veneno que nos ameaça.

Estados ocidentais dotam-se de instâncias encarregadas de « rectificar » as informações que eles dizem falsificadas (Fake News) [4]. A OTAN pensa na criação de uma unidade, baptizada Information Ramstein, encarregue de censurar já não mais as fontes de informação russas, mas as ideias russas no meio dos 30 Estados membros da Aliança Atlântica [5].

Trata-se de uma completa reviravolta de valores da Aliança Atlântica que foi baseada na continuação da Carta do Atlântico, a qual incorporava as « quatro liberdades » do Presidente Franklin Roosevelt. Sendo a liberdade de expressão a primeira delas.

Ora, antes da invenção da Internet, enquanto os Estados-Unidos e a União Soviética acabavam de garantir a « livre circulação de ideias » com os Acordos de Helsínquia, as Nações Unidas e sobretudo a sua agência na matéria, a UNESCO, inquietavam-se com um « imperialismo de informação ». A superioridade técnica dos Ocidentais permitia-lhes impor a sua visão dos factos nos países em vias de desenvolvimento.

Em 1976, durante a conferência de Nairóbi, a ONU levantou a questão do funcionamento dos média a respeito do « reforço da paz e da compreensão internacional, da promoção dos direitos do homem e da luta contra o racismo, o apartheid e a incitação à guerra ».

O antigo Ministro (Chanceler-br) dos Negócios Estrangeiros irlandês e vencedor do Prémio Nobel da Paz, Seán MacBride, criara uma comissão de 16 personalidades no seio da UNESCO. Ela incluía o Francês Hubert Beuve-Mery (fundador do Le Monde), o Colombiano Gabriel García Márquez (Prémio Nobel da Literatura) e o Canadiano Marshall McLuhan (teórico da comunicação). Os Estados Unidos estavam representados por Elie Abel, então reitor da escola de jornalismo da Universidade de Colúmbia, e a Rússia pelo director da agência Tass, Serguei Losev. Apenas a quinta e última parte do relatório (A comunicação do futuro) foi objecto de um debate geral. A comissão MacBride debateu o rascunho das outras partes, mas não pôde por em questão a sua redacção final. Fosse como fosse, o seu Relatório tornado público em 1978 parecia estabelecer um consenso.

Na realidade, ao sublinhar que os mesmos factos podem ser entendidos de forma diferente e ao elaborar sobre os meios dos média do Norte e os do Sul, ele abriu a caixa de Pandora. Concomitantemente, a UNESCO foi confrontada com a propaganda do regime sul-africano de apartheid e a de Israel, negacionista das culturas muçulmana e cristã. Por fim, os Estados Unidos e o Reino Unido encerraram o debate retirando-se da UNESCO. Sabemos hoje que o Império Britânico havia assegurado o seu domínio intelectual ao criar agências de notícias. O Information Research Department (IRD) foi encerrado por Whitehall (o Ministério dos Estrangeiros-ndT) precisamente antes da publicação do relatório MacBride [6]. Mas a guerra contra a Síria veio mostrar que tal dispositivo foi inteiramente reconstituído sob uma outra forma [7]. Os Ocidentais continuam a falsificar a informação logo na sua própria fonte.

Ao fim de quarenta anos, o panorama mediático transformou-se : apareceram televisões internacionais de informação contínua, sítios internet e redes sociais. Simultaneamente, assistimos a uma gigantesca concentração dos média nas mãos de um punhado de proprietários. No entanto, nenhum dos problemas listados em 1978 mudou. Pelo contrário, com o mundo unipolar eles pioraram.

A profissão jornalística consiste hoje em dia em redigir despachos de agências ou em contextualizar essas notícias para os média. As agências de notícias não têm fontes, são factuais, enquanto os média propõem comentários e análises referindo-se às agências de notícias. A contextualização requer muitos conhecimentos históricos, económicos, etc.. dos quais os actuais jornalistas são em grande parte desprovidos. O imediatismo nas rádios e nas televisões não lhes confere tempo para a leitura de livros e muito menos para a consulta de arquivos, salvo durante investigações de fundo. Assim, os comentários e as análises foram ficando consideravelmente empobrecidos.

A ideologia dominante no Ocidente, que tende a ser « global », tornou-se uma religião sem Deus. Só há dois campos: o do “Bem” e o dos “apóstatas”. A verdade é determinada por um consenso no seio das elites enquanto a população a rejeita. Toda a crítica é considerada blasfema. Já não há mais espaço para o debate e, portanto, para a democracia.

A imprensa alternativa tornou-se tanto mais pobre quanto ela se baseia nos mesmos dados que os média internacionais : os despachos das agências de notícias. Basta, com efeito, controlar a AFP, a AP e a Reuters para nos imporem uma visão dos factos. Pode-se condimentá-la segundo esta ou aquela tendência, republicana ou democrata, conservadora ou progressista, etc., mas acabará por dar sempre o mesmo prato.

Desde os atentados do 11-de-Setembro, os que contestam a versão oficial dos acontecimentos são qualificados de « conspiracionistas ». Desde a eleição de Donald Trump, os que contestam os dados das agências de notícias são acusados de deformar a realidade e de imaginar Fake News (notícias falsas-ndT). Os jornalistas, após se terem interdito de veicular o pensamento dos «conspiracionistas», quer dizer, dos dissidentes, tentam agora “corrigir” as Fake News com Check News.

Ora, no mesmo período, a crença nas versões dos grandes médias afundou. Nos Estados Unidos, o Instituto Gallup avalia a confiança na imprensa escrita desde 1973 e na imprensa audiovisual desde 1993. Assim, a dos jornais passou de 51% para 16% e a das rádios e das televisões passou de 46% para 11%. .

A única solução suporá que se multiplique as agências de notícias, quer dizer, as fontes de informação. Não que as tornemos inúmeras, mas antes diversas. Só então perceberemos que a forma como se relata um acontecimento determina a maneira como acabamos a pensar sobre ele.

Por exemplo, hoje em dia as três agências de notícias citadas acima apresentam o conflito na Ucrânia como uma « invasão russa ». Elas garantem que Moscovo não foi capaz de tomar Kiev e derrubar o Presidente Zelenky, mas que comete crimes de guerra todos os dias. É uma maneira de ver. Não temos os meios necessários para publicar despachos a todo o instante, no entanto editamos um boletim semanal idêntico [8]. O nosso critério é diferente. Baseamo-nos no «Direito Internacional» e não nas « regras » ocidentais. Descrevemos, pois, o mesmo conflito como a aplicação da Resolução 2202 do Conselho de Segurança e da « responsabilidade de proteger » as populações oprimidas desde 2014. Os acontecimentos são os mesmos, mas para alguns a forma como os relatam leva a pensar que os Russos estão errados, enquanto a nossa leva a pensar que a posição russa é legal. Verdadeiramente falando, há uma outra diferença : interpretamos os factos a longo prazo. Para nós e para o Conselho de Segurança, há uma guerra civil na Ucrânia desde há oito anos, a qual provocou 20. 000 mortos, e as três grandes agências fingem ignorá-la. Para nós os « nacionalistas integralistas » têm um longo historial criminoso, que custou a vida a 4 milhões dos seus concidadãos, e que as agências ocidentais também fingem ignorar [9].

Esta diferença pode ser aplicada a todos os assuntos. Por exemplo, as grandes agências de notícias explicam-nos que os Ocidentais lançaram sanções a fim de punir a Rússia por ter invadido a Ucrânia. Nós não lemos os acontecimentos dessa maneira. Mais uma vez, baseando-nos no « Direito Internacional » e não nas «regras» ocidentais, salientamos que as decisões dos Anglo-Saxónicos e da União Europeia violam a Carta das Nações Unidas. Não se trata de « sanções » uma vez que não houve julgamento, mas de armas de teor económico para fazer a guerra contra a Rússia, tal como no passado se sitiava castelos para matar à fome os que aí se tinham refugiado.

Cada diferença na interpretação dos acontecimentos provoca outra a propósito. Por exemplo, como tínhamos salientado que as pseudo-sanções ocidentais não tinham sido avalizadas pelo Conselho de Segurança, respondem-nos que isso é natural, uma vez que a Rússia dispõe de direito de veto no Conselho. O que é fingir esquecer por que é que a ONU foi organizada dessa maneira. O seu objectivo não é o de expressar o Bem, mas, sim evitar guerras. Foi precisamente o que permitiu ao Conselho adoptar a Resolução 2202 para resolver a guerra civil na Ucrânia. Ora, os Ocidentais, apesar do compromisso da Alemanha e da França (Acordos de Minsk-ndT), não a aplicaram, forçando a Rússia a intervir.

Poderíamos continuar esta dupla leitura até ao infinito. O importante é reter que a apresentação dos factos muda radicalmente a maneira como os entendemos. Para finalizar, convido-vos a fundar agências de notícias que descrevam os factos à sua maneira e não mais à dos nossos dirigentes. É desta forma e não glosando informações tendenciosas que recuperaremos a nossa lucidez.

Fonte aqui


[1] « Résolution 110 (II) de l’Assemblée générale des Nations Unies », Réseau Voltaire, 3 novembre 1947.

[2] « Résolution 381 (V) de l’Assemblée générale des Nations Unies », Réseau Voltaire, 17 novembre 1950.

[3] « Résolution 819 (IX) de l’Assemblée générale des Nations Unies », Réseau Voltaire, 14 décembre 1954.

[4] “O Ocidente renuncia à liberdade de expressão”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 10 de Novembro de 2022.

[5] «La OTAN prepara la creación de un “Ministerio de la Verdad”», Voltaire, Actualidad Internacional – N°16 – 25 de noviembre de 2022

[6] Britain’s secret propaganda war, Paul Lashmar e James Oliver, Sutton Publishing, 1998. documentos sobre as origem do IRD foram desclassificados : IRD. Origins and Establishment of the Foreign Office Information Research Department, 1946-48, Historians IRD, History Notes #9, August 1995.

[7] “A invenção do mito da «revolução síria» pelo Reino Unido”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 25 de Fevereiro de 2020.

[8Voltaire, actualité internationale é um boletim semanal publicado em seis línguas : alemão, inglês, espanhol, francês, italiano e neerlandês.

[9] “Quem são os nacionalistas integralistas ucranianos ?”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 17 de Novembro de 2022.


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A desmontar os “comentadeiros” – Episódio IV

(Nuno Ramos de Almeida, e Pedro Tadeu, in Youtube, 21/10/2022)

(Continuo a publicar estes vídeos. Os autores tentam ser minimamente equilibrados. As aldrabices e o coro de vozes dos “comentadeiros” sincronizados pela cartilha dos departamentos de comunicação da inteligência ocidental, já enojam qualquer mortal com dois dedos de testa. Divirtam-se. É uma lufada de ar fresco.

Estátua de Sal, 22/10/2022)