O bilioso de Boliqueime

(Carlos Esperança, 06/03/2021)

O Bolsonaro lusitano saiu da hibernação onde remói ódios e cogita vinganças para a sua sazonal desforra contra a democracia, como orador principal da sessão de abertura da 5ª edição da Academia de Formação Política para mulheres sociais-democratas, a decorrer este fim de semana, por videoconferência.

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Se as mulheres são sociais-democratas, o convite só se justifica para ouvir um opositor. O homem que foi catedrático por decreto, benevolência do Prof. Alfredo de Sousa, PM por intriga dentro do PSD, e PR por arranjo, na vivenda de Ricardo Salgado, esqueceu o passado obscuro para dizer que há “deterioração da qualidade da nossa democracia”, “A democracia em Portugal está amordaçada”, e sugerir que há ministros mentem.

O salazarista que um dia inventou escutas para combater o PM, que nunca lhe perdoou perder o vencimento de PR, quando o Governo decidiu a não acumulação de ordenados e pensões, e estas eram mais avultadas, tropeça na gramática, na ética e na cultura, mas não se esquece de bolçar o ódio à democracia. Para ele os adversários são inimigos.

Quem permutou a modesta vivenda Mariani por um terreno para construção, onde já se erigia a luxuosa vivenda Gaivota Azul, na praia da Coelha, recebeu pingues mais valias de ações não cotadas da SLN/BPN, dava faltas injustificadas na universidade pública e aulas na privada, faltas que o ministro Deus Pinheiro relevou, esqueceu os negócios que fez, os meios de pagamento que usou e coisas essenciais que o deixaram sob suspeita de ser contemplado pela generosidade de Oliveira e Costa.

O émulo de Trump a falar de social-democracia parece um muçulmano a elogiar a carne de porco.

Quem vislumbrou em Pides a prestação de relevantes serviços à Pátria, concedendo-lhes pensões, mérito que não viu em Salgueiro Maia, não veio afrontar o PM, aproveitou a conferência para desfeitear o atual PR que condecorou militares de Abril e deixou implícito o esquecimento durante a década em que ele e a família ocuparam Belém.

O homem que foi cúmplice e mordomo de Passos Coelho anda amargo, preferia no PSD o antigo vereador de Loures, em Belém um seu ex-ministro dos estrangeiros e na cadeia toda a esquerda.

O único PR que nunca leu Os Lusíadas é assim, transparente no ódio que bolça e torpe nas acusações que tece.


A Guerra Colonial ainda não acabou?

(Vasco Lourenço, in Público, 19/07/2018)

A promoção de Marcelino da Mata, a existir, constituirá uma enorme vergonha para o Portugal de Abril.


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(Publico este artigo de Vasco Lourenço de Julho de 2018, na sequência das honras de Estado prestadas a Marcelino da Mata. Sim, Vasco Lourenço, a vergonha para o Portugal de Abril que já antecipavas em 2018 consumou-se agora com as honrarias prestadas por Marcelo e pelo Ministro da Defesa no funeral do defunto.

Comentário da Estátua de Sal, 17/02/2021)


A História das Nações e o posicionamento dos respectivos povos, perante os diversos acontecimentos do seu percurso colectivo, tem relações que nem sempre são consensuais, acontecendo muitas vezes que o entendimento dos factos é mais fruto das circunstâncias de quando é formulado do que propriamente resultado de um “sentir a Pátria”.

Não são poucas as situações em que o entendimento de acções praticadas varia consoante as épocas e as modas prevalecentes. Nem sempre o “politicamente correcto” é entendido da mesma maneira, havendo mesmo situações onde o que ontem foi incensado hoje é proscrito. E vice-versa, como é natural. Aliás, sabe-se bem que o herói de hoje pode ser o traidor de amanhã, como o inverso também acontece.

Nestes dias assistimos à enorme polémica sobre a questão dos Descobrimentos e da Escravatura (com o respectivo tráfico de escravos).

As conjunturas levam-nos a denegrir o que outrora foi incensado, só porque pode parecer mais “in”, pode dar-nos mais votos, especialmente dos que votam mais influenciados pelo populismo, pelas modas de ocasião, do que pelo discernimento e compreensão.

Não vou aqui tratar deste tema – não é que o mesmo me não interesse e sobre ele não tenha posição –, mas irei tratar especificamente a questão da Guerra Colonial, de que Portugal foi um dos principais protagonistas, durante 13 anos (entre 1961 e 1974).

Durante esses anos, longos anos, os portugueses lutaram, mataram e morreram em três “teatros de operações”, em Angola, na Guiné e em Moçambique.

Aí se envolveram um milhão de portugueses, oriundos de todo o então território nacional, aí morreram mais de dez mil “soldados e marinheiros”, daí regressaram várias dezenas de milhares de deficientes (mentais e físicos), aí se viveram enormes dramas, mas também algumas alegrias, fruto das derrotas e das vitórias parciais que se obtiveram. Aí se constituíram autênticos heróis, habilmente explorados pelo regime fascista-colonialista, mas aí se cometeram igualmente autênticos crimes de guerra.

É da natureza da guerra, não gosto de condenar os que cometeram exageros, pois costumo afirmar que o exagero está na própria existência da guerra, não dos que, fruto das circunstâncias, os cometem.

Estou à vontade, pois fiz a guerra na Guiné, vivi momentos bem difíceis e até dramáticos, mas tive a sorte de não me envolver em nenhuma acção de que mais tarde me viesse a envergonhar.

Há que clarificar, contudo, que distingo bem os exageros que a própria dinâmica da guerra provoca e os exageros que nenhuma guerra deveria provocar.

Partindo do princípio de que os objectivos não podem justificar todos os meios – nem mesmo nas guerras –, esses exageros só acontecem devido ao mau carácter dos seus autores. A sua má formação ética e moral não resiste ao ambiente da guerra e faz surgir os seus instintos assassinos…

Foi pelo facto de nessa altura os crimes de guerra não serem tão condenados como posteriormente o vieram a ser, que muitos dos actos praticados na Guerra Colonial aqui tratada viriam a ser escondidos através de condecorações por bravura e heroicidade.

Tivemos, é certo, os massacres de Wiriamu em Moçambique, que criaram fortes engulhos ao regime de Salazar/Caetano, mas a censura, por um lado, e os tempos de então, por outro, mantiveram os crimes cometidos num quase anonimato total.

Como teria sido, por exemplo, se o ataque a Conacri se verificasse hoje, com a prática de crimes que os portugueses invasores perpetraram na capital da Guiné-Conacri? A que condenações públicas internacionais assistiríamos, suportadas em enormes campanhas “publicitárias”!

O 25 de Abril de 1974 veio permitir a resolução do problema colonial, adaptando-se a posição portuguesa ao comum entendimento internacional, levando Portugal a reconhecer o direito de todos os povos à autodeterminação e independência.

Isso permitiu o acordo de cessar-fogo, o fim das hostilidades, o reconhecimento do nascimento de novos países e a transmissão do poder, de forma pacífica, para os responsáveis desses novos países de língua portuguesa. Portugal dignificou-se no seio da comunidade internacional, a guerra foi esconjurada, considerada ilegítima e maldita. E os heróis de ontem passaram a estar na sombra, procurando todos esquecer…

O sentimento de que os combatentes haviam cumprido o dever que o seu país, através do que os que detinham o poder (mesmo que ilegítimo e contestado) lhe impunham – naturalmente, “apoiado”, pelo facto dos autores da libertação (os Capitães de Abril) também terem feito a guerra, também serem combatentes –, permitiu uma transição pacífica da ditadura para a democracia e colocou entre parêntesis o próprio fenómeno da guerra.

E assim temos vivido, com a inserção dos combatentes, nomeadamente dos deficientes, na sociedade. Apesar de, de vez em quando, os saudosos da “outra senhora” deitarem as garras de fora, tentando instrumentalizar os combatentes para atitudes menos pacíficas.

O facto é que a sociedade portuguesa democratizou-se, adaptou-se às novas regras e a convivência entre todos tem sido um facto.

Por isso, não posso aceitar, e contesto veementemente, as sucessivas tentativas saudosistas do passado, dos ressabiados pela construção da democracia, dos que não aceitam a liberdade de todos e a igualdade de direitos dos antigos colonizadores e antigos colonizados, em trazerem à luz do dia fenómenos de todo em todo desactualizados, inoportunos e inaceitáveis.

Temos assistido a condecorações, passados mais de 40 anos, por actos que, em termos de guerra absoluta, até merecerão ser reconhecidos, mas que – hoje, passados todos estes anos – deveriam enterrar-se de vez. Continua, de facto, a haver quem não queira esquecer, nem permitir que os outros esqueçam, a Guerra Colonial.

Não vou desenterrar outros lamentáveis episódios de promoções e condecorações a que já assistimos. Venho é manifestar-me totalmente contrário, aqui acentuando o meu profundo protesto, contra a hipotética promoção, por distinção, do militar Marcelino da Mata – oriundo da Guiné-Bissau, com nacionalidade portuguesa, já promovido por distinção a capitão, graduado em tenente-coronel – a major.

Porquê?, pergunto. Para o graduarem em coronel ou, quem sabe, general? Para quê?

Porque acredito nos princípios de quem fez a proposta, creio que o senhor general Chefe de Estado-Maior do Exército não sabe dos crimes de guerra que o então sargento Marcelino da Mata praticou na Guiné, com especial relevo no referido ataque a Conacri (e não só, como afirmo na página 44 do meu livro Do Interior da Revolução).

Não quero acreditar, como não acredito, que os diversos responsáveis – ministro da Defesa Nacional, primeiro-ministro, Presidente da República – aprovem a decisão de o promover, se souberem bem o que aconteceu.

Como então, quando foram cometidos esses crimes de guerra (resultado da acção de autênticos assassinos) envergonharam muitos dos militares que deles tomaram conhecimento, esta promoção, a existir, constituirá uma enorme vergonha para o Portugal de Abril!

Por mim, para além de estar disponível para quaisquer esclarecimentos, faço sinceros votos para que se não façam mais quaisquer tentativas para justificar e legitimar uma guerra que, por mais anos que passem, se mostra cada vez mais inútil, ilegítima e injustificável.

Como, aliás, acontece com todas as guerras…!

Presidente da Associação 25 de Abril


Um texto de Vasco Lourenço que desmascara muitas mentiras da direita

(Vasco Lourenço, 05/12/2020)

Junto texto, sobre o 25 de Novembro e também sobre a passagem dos 40 anos da morte de Sá Carneiro. Saliento tratar-se de um texto pessoal, da minha inteira responsabilidade, que estamos a divulgar, como divulgamos outros textos, a pedido ou não dos respectivos autores, que consideramos de possível interesse para vocês.

Cordiais saudações de Abril

Vasco Lourenço


Indignação? Desprezo? Apenas um desabafo, de quem está farto de tanta hipocrisia…

Indignação? Desprezo? Confesso que julgava já ter idade e experiência que me deveriam permitir não me espantar e, muito menos, indignar.

Lamentavelmente, tenho de confessar que, de tudo isso, só é uma realidade a minha provecta idade. Porque, do resto, não reza a história…

Tudo isto vem a propósito da passagem dos 45 anos sobre o 25 de Novembro e dos 40 anos sobre a trágica morte de Sá Carneiro.

O que vi escrito e proferido em vários órgãos da comunicação social, surpreendendo-me (apesar de tudo) e indignando-me, faz-me pensar que não há limites, nem para a ignorância, nem para a leviandade, nem para a má fé!

Muito já se escreveu sobre esses dois acontecimentos, muito já se dissecou sobre a natureza dos mesmos e sobre as características pessoais dos actores em causa.

Não vou tratar especificamente o dito e escrito sobre os acontecimentos do 25 de Novembro – fui um interventor directo, bem no centro do vulcão, já escrevi alguma coisa sobre o que aconteceu, tomei há algum tempo conhecimento de “pormenores” fundamentais para um mais correcto conhecimento de toda a trama desse marco da história do processo do 25 de Abril (ainda que não duvide de que, mesmo eu, ainda não sei tudo) – apetecia-me fazer alguns comentários, tais foram as barbaridades deitadas “boca fora”, ou lançadas para o papel!

Decidi limitar-me a aconselhar jornalistas, comentadores e historiadores, como Filipe Luis da revista Visão: “antes de escreverem, sobre acontecimentos históricos, informem-se bem, para evitar dizer tantas asneiras, como fizeram, desta vez”! É que, para além do mais, vão baralhar e confundir, dando-lhes bastante mais trabalho, os futuros historiadores…

Quanto ao aniversário da morte de Sá Carneiro, não comento as homenagens, de roupagens várias, que os seus admiradores lhe fizeram. Estão no seu pleno direito, cada um tem os ídolos e os heróis que quer ter!…No entanto, tendo-me sido chamada a atenção para o programa Expresso da meia noite, na estação televisiva SIC-Noticias, tive o trabalho de o ver e, desde logo, não posso deixar de fazer um comentário , nomeadamente aos aí dois defensores desse mito (Maria João Avilez e Pedro Santana Lopes) que, mito “apenas” porque morreu como morreu, deve ser a personagem que tem o seu nome em mais ruas, avenidas, praças ou ruelas do País (para já não falar num aeroporto…).

Comentário simples: “para elogiar as virtudes do vosso herói, não precisam de deturpar o que se passou! Sejam honestos! Ainda não vale tudo”!

Não sei se os dois pensarão que “uma mentira repetida à exaustão, passa a ser verdade”?

Vejamos:

“Sá Carneiro era pela Democracia plena, quem fosse contra, tinha de se haver com ele”! Como???!!!

Então não foi ele que afirmou que a sua maioria de 56% (de deputados, não de votos que não chegaram aos 48%), obtida através da AD, valia mais do que a maioria de 92% que aprovara a Constituição da República?

Não foi isso que fundamentou as suas três tentativas de violar a referida Constituição da República, com a reprivatização dos sectores básicos da economia? Não hesitando mesmo em recorrer a subterfúgios sujos, ao jogar com as férias dos juízes da Comissão Constitucional! Que importava que a Constituição preconizasse que “só com uma maioria superior a 2/3 dos deputados se poderiam alterar determinadas leis”? A “sua maioria” é que interessava!…

Ou será que a Democracia só vale, se nós tivermos a maioria? Ah, grande democrata!

Tutela militar?

Aí, felizmente, João Soares pôs os pontos nos iis, deixando os outros intervenientes sem argumentos – nenhum ousou contradizê-lo!… (Oh João, então você foi lá estragar o arranjinho tão bem preparado!? Isso não se faz!…).

Falemos claro! Os Capitães de Abril demonstraram, no seu conjunto, ser mais civilistas do que a maioria dos políticos civis!

Demonstraram-no, no terreno, ao transmitirem, num prazo que até o historiador presente no programa “aceitou” ser único no mundo, apesar de ainda ter chamado à colação o caso da transição pacífica em Espanha. (Esquecendo, ou não querendo lembrar-se, que, como hoje é consensual no seio dos estudiosos desse processo, nomeadamente de reputados especialistas espanhóis, que “A transição pacífica para a Democracia, em Espanha, só foi possível, porque houve o 25 de Abril”)!

E fizeram-no, mesmo tendo passado por rupturas entre si, com prisões temporárias de uns pelos outros!

Se há uma afirmação que não “admito” ouvir e me faz “ir aos arames e sair de mim” é precisamente a de “Os militares foram obrigados a regressar a quartéis”!

Não, os militares regressaram a quartéis porque essa foi sempre a sua vontade, foi desde o início a promessa que fizeram aos portugueses! Que, como todas as outras, cumpriram exemplarmente! E se não o fizeram mais cedo – a previsão era em 1981 – foi da total responsabilidade dos políticos, que se não entenderam para fazer a revisão da Constituição no prazo previsto!

Ah!!!, há quem afirme que o Pacto MFA – Partidos foi assinado pelos partidos, porque tiveram medo, vendo-se coagidos a fazê-lo !… Mas que coragem!

Participei na discussão e aprovação dos dois Pactos, fui um dos defensores da revisão do Primeiro, não admito que alguém venha dizer que foi obrigado a assiná-lo!

O estudo da situação, que então fizeram, levou-os a considerar que deviam assinar? Mas, onde e quando, não é o estudo da situação, feita em cada momento, que determina as opções tomadas? Ou será que se considera que “vale tudo”, a palavra e a ética não têm valor, é preciso é atingir o poder, seja com que custo for? Pessoalmente, considero que nem na guerra os fins justificam todos e quaisquer meios!

Sá Carneiro queria acabar com a tutela militar!

Essa só contaram para vocês!

Ele queria era substituir a tutela militar em vigor, por uma outra tutela militar diferente!

Sintomaticamente, através de um militar da “velha guarda”, serventuário e defensor do regime de ditadura derrubado pelo 25 de Abril, responsável no mesmo pela abertura de um “segundo Tarrafal”, o Campo de S. Nicolau, em Angola!

Isto é, queria substituir a tutela militar dos outros, pela sua própria tutela militar!

Ou cabe na cabeça de alguém que, se Soares Carneiro vencesse, a transmissão do poder para os eleitos democraticamente se teria processado, como se processou?

De forma pacífica, porque fora sempre essa a vontade, a decisão dos Capitães de Abril!?

E porque, natural e felizmente, foi Ramalho Eanes – um militar de Abril – a vencer as eleições!

E a presidir a essa transferência de poder!

Mesmo sem pretender “fazer futurologia” é fácil imaginar como teria sido a transmissão do poder, coordenada pela extrema-direita na Presidência da República!

Permita-se-me um aparte: confio não assistir à repetição do que então se passou. Falo do apoio do PPD/PSD a um candidato de extrema-direita a Presidente da República!…

Passados estes anos todos, já não pedimos que se limpem da sujeira que então fizeram, ao tentar demonstrar que nos estavam a forçar a regressar aos quartéis!

Mas, exigimos que deixem de ser cínicos e desonestos, como sempre o foram, no que a isto diz respeito! É tempo de não continuar a mentir, para a História!

Falo em relação não só ao PPD, nessa altura já crismado de PPD/PSD, mas também ao PS! PS que, decidido a não apoiar Ramalho Eanes para o segundo mandato de Presidente da República, convidou outro militar a ser o seu candidato! …

Por isso, podem dizer que houve 4 pais civis da Democracia! Não o contesto! A construção da Democracia em Portugal é fruto da acção de muitos e muitos cidadãos, do povo em geral, logicamente também dos diversos partidos políticos e dos seus dirigentes, com diferentes responsabilidades, como em tudo.

Mas, se querem encontrar um Pai para a Democracia, olhem para o colectivo de militares que constituiu o Movimento dos Capitães, mais tarde estendido ao Movimento das Forças Armadas!

Vasco Lourenço


P. S. Permitam-me que, como rodapé, teça alguns comentários e deixe algumas perguntas:

1. João Soares, o seu pai nunca lhe contou que Sá Carneiro o tentou convencer a sair do País, quando ele saiu para “se tratar”, alegando que tudo estava perdido, que os comunistas iam tomar conta do País, se ficassem seriam presos, era necessário saírem, para organizar a luta, no estrangeiro? A mim, contou-mo, mais que uma vez…

2. Maria João Avilez, pode perguntar ao filho de Sá Carneiro se ele ainda tem o autógrafo que o pai me pediu (para o filho…), no Porto, durante uma grande manifestação de apoio ao VI Governo Provisório, no mês de Outubro/Novembro (?) de 1975?

E importa-se de repetir, sem se rir, que “a comunicação social , em Portugal, nunca foi, nem é amável e atenta à direita e extrema direita”? É que, repito o que já disse atrás, “essa só contaram para você”!

3. Realço a frescura, o banho de juventude, protagonizado pelo Adolfo Mesquita Nunes! Estou convicto de que se Adelino Amaro da Costa assistiu, onde quer que esteja, se terá sentido altamente satisfeito com a sua intervenção, nomeadamente quando meteu na ordem um jornalista que envergonha a classe dos membros de uma comunicação social que se deseja idónea e isenta. E, Adelino Amaro da Costa bem merece o tributo que, com a sua intervenção, lhe prestou!

4. Por fim, não gostei de ver o Presidente da República deitar achas para a fogueira, sobre as circunstâncias da morte de Sá Carneiro. Sou dos que, ao longo dos tempos, me fui convencendo de que se tratou efectivamente de um acidente! Apesar de todas as manipulações, apesar de todos os ingredientes (que hoje seriam chamados de fake news), com deputados do PPD/PSD a presidir às várias comissões de inquérito, como foi possível não demonstrar a teoria do atentado? Na minha opinião, continua-se com essa teoria fundamentalmente porque ela é essencial à continuação do mito! “O herói que morre assassinado, cobardemente, pelos vilões”!