Como o último ato de Khamenei está a derrotar o NATOstão

(Pepe Escobar in Resistir, 10/07/2026)


Interrompemos este programa para anunciar que o “gato” do Memorando de Entendimento saiu do coma – e está praticamente sem sinais vitais.


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Era totalmente previsível.

O Babuíno da Bárbaria e os seus lacaios quebraram a promessa de suspender as sanções petrolíferas contra o Irão. O compromisso foi revogado pelo Departamento do Tesouro.

Quebraram o frágil cessar-fogo – com ataques aos postos litoraneos do sul do Irão; o Irão respondeu; os EUA intensificaram a resposta; e a escalada voltou a ganhar força.

Quebraram o acordo sobre a navegação no Estreito de Ormuz com provocações sucessivas contra petroleiros:   a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) respondeu na mesma moeda.

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O funeral que enterrou a ilusão da ordem americana

(BPartisans, In Fórum da Escolha, in Facebook, 05/07/2026, Revisão da Estátua)


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Enquanto os meios de comunicação ocidentais examinavam febrilmente cada mensagem de Donald Trump, outro acontecimento contava uma história muito mais perturbadora: o funeral de Ali Khamenei em Teerão.

Nem Washington, nem Bruxelas, nem os habituais oradores do G7 estiveram reunidos em redor do caixão do Líder Supremo do Irão. Em vez disso, estiveram representados a Rússia, a China, a Índia, a Turquia, o Iraque, o Bangladesh e a Hungria, juntamente com representantes do Hezbollah e de inúmeros outros Estados da Ásia, do Cáucaso e do Médio Oriente. Um retrato diplomático que vale mais do que mil palavras: enquanto o Ocidente fala em isolar o Irão, grande parte da Eurásia continua a estender-lhe a mão.

A maior ironia é que esta cerimónia provavelmente nunca teria acontecido sem o acordo de desescalada alcançado entre Washington e Teerão. Trump queria virar a página, evitar outro conflito regional e retomar as negociações. Ele procurava uma saída. Benjamin Netanyahu, por outro lado, parece procurar exatamente o contrário.

Porque os dois homens já não estão a jogar o mesmo jogo.

Trump pensa como um promotor imobiliário: um negócio rápido, um aperto de mão, uma conferência de imprensa e depois passa para o assunto seguinte. Netanyahu, por outro lado, sabe que, no momento em que as bombas deixarem de cair, as intimações de juízes, as comissões de investigação e os prazos eleitorais voltarão a fazer muito barulho.

A paz é, por vezes, muito mais perigosa do que a guerra… especialmente para aqueles que construíram a sua sobrevivência política num estado de emergência permanente.

O resultado: Trump encontra-se no papel mais humilhante que um presidente norte-americano poderia imaginar. Anuncia um cessar-fogo, pede moderação e emite uma declaração de paz após outra… enquanto o seu principal aliado prossegue a sua própria agenda militar como se as diretivas de Washington fossem meramente consultivas.

A superpotência está a descobrir que já não é ela quem realmente dá cartas.

Enquanto Trump tenta apagar o fogo, Netanyahu continua a deitar-lhe gasolina. Pois ele sabe que uma guerra prolongada adia os prazos políticos que o esperam internamente. Vários analistas salientam, além disso, que os seus problemas jurídicos e a proximidade das eleições pesam sobre os seus cálculos políticos, para além dos seus declarados objectivos de segurança.

Por fim, resta o argumento mágico, aquele que justificou cada escalada nos últimos vinte anos: “a ameaça nuclear iraniana”. Contudo, os relatórios da Agência Internacional de Energia Atómica levantam preocupações e questões não resolvidas sobre o programa nuclear do Irão, mas não concluem que o Irão possua uma arma nuclear operacional. Existe uma enorme diferença entre capacidade potencial e uma bomba pronta a usar, um facto que a propaganda geralmente prefere omitir.

O funeral de Khamenei acabou por pintar um quadro que ninguém em Washington queria ver circular: o de um mundo onde uma coligação de potências regionais e euro-asiáticas se reúne em Teerão enquanto o presidente dos EUA implora ao seu próprio aliado que não inicie uma nova guerra.

O império continua a pagar a conta. Mas parece ter perdido o privilégio de escolher o menu.

Frente ao clamor europeu pela guerra, a Rússia anuncia que está pronta

(Alastair Crooke in Resistir, 30/06/2026)


A Rússia ouviu o clamor europeu a favor da guerra. Tomou agora a decisão estratégica, em resposta a isso, de se preparar para a guerra na Europa.


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O quadro de desescalada que se desenrolou nas conversações entre os EUA e o Irão em Lucerna manteve-se, em grande parte, fiel ao plano iraniano original de 10 pontos. Entretanto, o presidente Trump e o vice-presidente Vance confundem deliberadamente a situação, alegando que o Irão já concordou com as inspeções da AIEA às suas instalações nucleares (uma alegação repetidamente negada pelo Irão): Vance anunciou que a AIEA poderia ter iniciado as inspeções esta semana. Não — o “Quadro” refere-se apenas à possível supervisão da AIEA da diluição do stock enriquecido a 60% sujeita à celebração de um acordo final com os EUA.

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