Como a América Eliminou o Gasoduto Nord Stream

(Seymour Hersh, in A Tertúlia Orwelliana, 05/04/2025, Trad. de Fernando Oliveira) 

Foto do Comando de Defesa Dinamarquês, mostrando a fuga de gás resultante das explosões que destruíram 3 dos 4 gasodutos Nordstream no Mar Báltico.

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O Centro de Mergulho e Salvamento da Marinha dos EUA pode ser encontrado num local tão obscuro como o seu nome — o que outrora foi um caminho rural na cidade rural de Panama City, uma cidade turística actualmente em expansão no sudoeste da Florida, cerca de 110 km a sul da fronteira do Alabama. O complexo do centro é tão desinteressante como a sua localização – uma estrutura pardacenta de betão pós Segunda Guerra Mundial que tem o aspecto de uma escola secundária profissional do Oeste de Chicago. Do outro lado do que é agora uma estrada de quatro faixas temos uma lavandaria que funciona com moedas e uma escola de dança.

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Adeus, LINKE!

(Yanis Varoufakis in Savage Minds., 29-03-2025, Trad. José Catarino Soares)


Na tentativa de se tornar um partido “normal”, o Die Linke juntou-se à loucura do rearmamento dos centristas.


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A semana passada foi uma semana para os livros de História. O parlamento alemão alterou o travão constitucional da dívida, de modo a permitir despesas militares ilimitadas, independentemente de quão profundamente isso irá empurrar o orçamento do governo federal para o vermelho. Entretanto, nenhuma dessas generosidades orçamentais se estende aos investimentos nos hospitais, na educação, nos bombeiros, nos jardins-de-infância, nas pensões, nas tecnologias verdes, etc.

Em resumo, no que diz respeito ao financiamento da vida, a austeridade continua a fazer parte da ordem constitucional alemã. Só os investimentos na morte foram libertados das garras constitucionais da austeridade.

A razão subjacente à introdução desta alteração constitucional é simples: Os fabricantes de automóveis alemães são agora demasiado pouco competitivos. Não conseguem vender os seus automóveis de forma lucrativa a civis na Alemanha ou no estrangeiro. Por isso, exigem que o Estado alemão compre os tanques de guerra que a Rheinmetall vai fabricar nas linhas de produção desactivadas da Volkswagen. Para que o Estado pague por isso, foi necessário contornar o travão constitucional dos défices públicos. Sempre ansiosos por servir os seus patrões do grande capital, os partidos dos governos centristas vigentes foram mobilizados para introduzir esta cínica alteração constitucional, que anula o compromisso alemão do pós-guerra com a paz e o desarmamento.

Para alterar a Constituição, os partidos centristas precisavam de uma maioria de dois terços em ambas as câmaras do parlamento federal alemão: a câmara baixa, o Bundestag, mas também a câmara alta, o Bundesrat, onde cada Estado é representado pela sua dimensão e através do governo de coligação do Estado que o dirige. Embora os partidos centristas tenham assegurado a sua maioria de dois terços no Bundestag cessante, enfrentaram um grave problema no Bundesrat. O Die Linke, o “partido de esquerda”, que felicitámos pelo seu bom resultado eleitoral recente, teve a oportunidade de fazer com que os governos estaduais de que fazia parte (como parte de uma coligação a nível estadual) se abstivessem na votação do Bundesrat. Isso teria bloqueado a alteração constitucional e teria desferido um golpe mortal no regresso insidioso do keynesianismo militar. Infelizmente, a direcção do Die Linke optou por não usar o seu poder, o seu voto no Bundesrat, para o fazer. Em suma, juntaram-se aos centristas radicais belicistas na sua loucura perigosa e extremamente dispendiosa do rearmamento.

Os eleitores do Die Linke estão, com razão, enfurecidos, e alguns deles apelam mesmo ao desmantelamento das coligações estatais em que o partido participa e à expulsão dos funcionários do partido nelas envolvidos. O facto de o Die Linke não se ter levantado contra o genocídio na Palestina e o subsequente tratamento totalitário dado pelo Estado alemão aos que protestavam contra o genocídio já manchou o Die Linke aos olhos dos progressistas, não só na Alemanha, mas também fora dela.

Nada destrói mais eficazmente a posição ética de um partido político de esquerda do que uma direcção demasiado desejosa de ser “aceite” por um centro radicalizado que se aproxima constantemente da ultradireita xenófoba e belicista.

Já foi suficientemente terrível o facto de os dirigentes do Die Linke sentirem a necessidade de fechar os olhos ao projecto genocida de apartheid de Israel. Agora, esta semana, deram o passo seguinte para o esquecimento político: utilizaram os seus votos no Bundesrat para consagrar, pela primeira vez desde 1945, o keynesianismo militar na Constituição alemã.

Boa noite, Die Linke. E boa sorte.

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As eleições federais na Alemanha (2025), o “plano de rearmamento da Europa” e o Quarto Reich alemão

(José Catarino Soares, in A Tertúlia Orwelliana, 16/03/2025) 

Friedrich Merz, da CDU, o novo chanceler da Alemanha.

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Com o turbilhão e o rebuliço político, comercial e mediático causados pelas intervenções de Donald Trump e do seu governo no aparelho de Estado dos EUA, na Ucrânia, na UE, na OTAN (/NATO) e em Israel, corre-se o risco de deixar passar em claro outros acontecimentos importantes, mas não tão mediatizados.

As eleições federais na Alemanha são um deles. A Alemanha é o país economicamente mais industrializado e mais poderoso da Europa (exceptuando a Rússia).  Politicamente é um “estratovulcão” com um futuro cheio de ameaças com origem nele próprio. É impossível ser indiferente ao que lá se passa, porque afecta toda a Europa.

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