Há qualquer coisa de estranho e de extraordinário na maneira como a Europa fala da guerra da Ucrânia. Uma guerra que dura há mais de quatro anos, que destruiu cidades, devastou uma economia e sacrificou incontáveis vidas humanas parece ter produzido no espaço público ocidental uma unanimidade quase perfeita.
Da esquerda à direita, dos governos às redações dos jornais, dos comentadores militares aos especialistas em geopolítica, repetem-se as mesmas certezas, os mesmos juízos morais, as mesmas fórmulas. Como se a complexidade da história tivesse sido abolida pela evidência do agressor. Como se condenar uma invasão dispensasse a obrigação de pensar.
Pequeno exemplo. Iulia Mendel, antiga porta-voz do presidente Zelensky, escreveu recentemente um artigo na revista britânica Spectator com o seguinte título: “A estratégia de Zelensky é um suicídio nacional”. O diagnóstico é devastador e os números assustam. A Ucrânia tem hoje cerca de 20 a 25 milhões de habitantes (tinha 43,8 antes da guerra). Em cada dia, em média, morrem quatro pessoas por cada uma que nasce (números do próprio Ministério da Justiça ucraniano). Segundo a autora, metade da população que permanece na Ucrânia está já na idade de reforma. Com estes números, a sobrevivência demográfica e económica do país está ameaçada. E, no entanto, o silêncio sobre o artigo foi total – como se não existisse. Nenhuma reflexão, nenhuma controvérsia, nenhum debate. O mais perturbador não são os números, mas a dificuldade em discuti-los.
A guerra parece ter criado na Europa uma nova ortodoxia. Uma convergência extraordinária de pressupostos, vocabulário e conclusões que é absolutamente estranha ao costume e à tradição política pluralista europeia. Quem pergunta pelo objetivo político da guerra arrisca-se a ser confundido com quem justifica a invasão. Quem fala de negociações é suspeito de defender a capitulação. Quem recorda que a Rússia continuará a existir aconteça o que acontecer na guerra parece estar a desculpar Putin. Sim, é certo que a Rússia invadiu a Ucrânia e essa responsabilidade não deve ser relativizada. Mas reconhecer a responsabilidade pela guerra não resolve, por si só, o problema de saber como terminá-la. A condenação moral identifica uma injustiça; não substitui uma estratégia diplomática.
Mas talvez o mais odioso no comportamento europeu seja a nacionalização da culpa. Talvez o fenómeno mais inquietante não seja a hostilidade política contra o Kremlin, mas a facilidade com que essa hostilidade se estendeu à própria ideia de Rússia. O país foi impedido de competir nos Mundiais de Futebol e nos Jogos Olímpicos. Os atletas russos passaram a ser suspeitos pela sua nacionalidade. As relações culturais tornaram-se politicamente embaraçosas. Em Amsterdam, uma instituição museológica rompeu a colaboração com o Hermitage de São Petersburgo e acabou por abandonar o próprio nome Hermitage. Ainda não se proibiu a arte russa, é certo, mas dizem-me que os maestros russos deixaram de ser contratados para dirigir orquestras na Europa. O canal Russia Today foi proibido de transmitir no espaço europeu – com a aquiescência dos tribunais europeus. Este é o risco por detrás de uma russofobia que ultrapassa a crítica legítima ao poder russo: a política cedeu o lugar à condenação moral da nação inimiga.
Na verdade, o problema dos dirigentes europeus talvez não seja a guerra. Será a paz. Nessa altura serão chamados a prestar contas do que aconteceu. Enquanto a guerra durar, haverá sempre uma explicação para tudo. Há a urgência, há a necessidade, há a solidariedade, há a defesa dos valores, há a obrigação de resistir.
Mas a paz chegará. Não sabemos quando, nem em que condições, nem sequer se será uma paz duradoura. Sabemos apenas que nenhuma guerra dura eternamente. Mas, quando chegar, começará uma outra história, a história do que ficou. Ficarão as cidades destruídas, os mortos que não regressam, os mutilados, os órfãos, os milhões de refugiados. E ficará a Europa. Uma Europa em transformação histórica e mergulhada numa cega corrida aos armamentos. A Alemanha prepara-se para dispor, ainda antes de 2030, de um orçamento de defesa muito superior – quase o dobro – ao da França ou ao Reino Unido. Quando a paz chegar, esta nova distribuição do poder militar não desaparecerá e cada um começará a olhar por cima do ombro. Esta será uma das heranças políticas mais duradouras da guerra.
(Carlos Esperança, in Facebook, 15/09/2026, revisão da Estátua)
Frase retirada de um artigo de Miguel Sousa Tavares publicado em 20/09/2025. Ver aqui
Há eleitores indignados com os gastos em Defesa, que se opõem ao empréstimo contraído de 5,8 mil milhões de euros, que nem conta para o défice, na perspetiva de Bruxelas, com o mero argumento de que mais tarde terá de ser pago, capital e juros.
Como é possível não sentirem orgulho em três fragatas topo de gama, já encomendadas a Itália, e nos modernos caças, 25 a 30, que irão substituir a frota dos F-16?
Que se acautelem os pescadores furtivos de meixão no estuário do Guadiana, os barcos de droga que demandam Portugal, e os russos. Estes, a muitos anos de ocuparem todo o Donbass, na Ucrânia, segundo disse o general Isidro Morais Pereira, demorariam mais de três séculos a chegar a Vilar Formoso, mas o melhor é estarmos prevenidos e armados.
Como acredito muito no general Isidro, na D. Helena Ferro Gouveia, no Sr. coronel José Carmo e no Dr. Irineu Teixeira, respeitados estrategas e pensadores que diariamente nos elucidam sobre a bondade da invasão do Irão pelos EUA e a iminência da derrota russa na Ucrânia, sinto-me sábio sobre as guerras em curso. Abençoados pedagogos!
Mas voltemos aos russos. As pessoas esqueceram-se do que a Senhora de Fátima disse à Lúcia quando aterrou no Mariódromo da Cova da Iria para lhe prescrever o terço como demonífugo e enviar recados sobre a necessidade de consagrar a Rússia ao seu, dela Senhora de Fátima, imaculado coração? Do cimo de uma azinheira, disse-lhe que «todo o mal vem da Rússia», opinião coincidente com a do Sr. cónego Formigão, que Deus há.
Não é por os russos demorarem séculos a chegar ao Algarve que devemos descurar a nossa defesa. Até pode suceder que nessa altura Putin tenha morrido e o Dr. Montenegro já não seja primeiro-ministro, e o mal virá da Rússia como outrora vinha de Castela.
Foi para defender o estuário do Tejo que o Dr. Portas comprou dois submarinos à Alemanha, enquanto ordenava a uma corveta da Marinha que demandasse a Figueira da Foz para defender a cidade da iminente invasão de pílulas abortivas por um navio holandês.
Graças ao defunto CDS – os caminhos do Senhor são insondáveis -, as pílulas regressaram à Holanda. Bendito seja o ministro, o Senhor seja louvado: poupou as mulheres à pílula abortiva e ajudou Durão Barroso a destruir armas químicas no Iraque!
E para que precisamos da Segurança Social, da Saúde e da Educação se estivermos mortos? Venham os caças e as fragatas, e livremo-nos dos imigrantes.
(Benedetta Sabene in SUBSTACK, 12/07/2025, Trad. Estátua de Sal)
Os dois conflitos do século — Ucrânia e Palestina — significam a morte política de Bruxelas. Resta apenas rearmar-se até aos dentes e criar inimigos imaginários para restaurar o seu sentido de existência.
As duas grandes crises internacionais que marcarão para sempre esta década, se não este século — a guerra na Ucrânia e o massacre em curso em Gaza — expuseram a total inconsistência política da União Europeia, privada de autonomia decisória e reduzida a um apêndice vazio da política externa dos EUA.
Apesar do desprezo coletivo pela guerra na Ucrânia, que deixou de ser um evento importante – que transformou quase todos os italianos em especialistas em geopolítica -, para se tornar um ruído de fundo entediante que já não desperta o interesse de ninguém, não se pode sequer considerar analisar o que está a acontecer em Gaza sem considerar o que está a acontecer em Kiev.
Falar da “incapacidade” da liderança europeia administrar as duas crises é extremamente tendencioso, visto que há uma dupla bitola moral que é aplicada à Ucrânia e à Palestina que não é um simples erro metodológico ou um problema moral, mas uma estratégia perfeitamente consistente com a estrutura das relações internacionais e a divisão do mundo em blocos militares e esferas de influência.
Com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, a União Europeia demonstrou um ativismo humanitário sem precedentes: pacotes de sanções contra Moscovo, biliões de euros em ajuda militar e humanitária a Kiev, acolhimento incondicional de refugiados, censura de toda a mídia russa sob o pretexto de “combater a propaganda” (enquanto isso, a propaganda de Kiev estava a ser relançada na Itália: nos primeiros meses do conflito, eu pessoalmente desmascarei dezenas e dezenas de notícias descaradamente falsas relatadas pela nossa imprensa, copiadas e coladas diretamente do “The Kyiv Independent” e de outros meios de comunicação ucranianos envolvidos em propaganda de guerra implacável) e uma mobilização diplomática e mediática sem precedentes a favor do governo ucraniano.
O mesmo governo ucraniano que, durante o mandato do presidente Petro Poroshenko, foi culpado de inúmeros crimes de guerra, como o bombardeamento de infraestrutura civil no Donbass e o envio de batalhões paramilitares extremistas que, segundo o relato de organizações internacionais, cometeram as piores atrocidades contra dissidentes e civis. Já para não mencionar a catástrofe humanitária que desencadeou o conflito civil com os separatistas no Leste, contra os quais Kiev escolheu uma “mão pesada”, contribuindo para a deslocação interna de um milhão de pessoas e milhares de vítimas civis.
Na época, a União Europeia não se mostrou pronta para defender os civis ucranianos bombardeados por Poroshenko no leste do país, assim como agora titubeia para demonstrar solidariedade aos palestinianos massacrados às dezenas de milhares, espremidos numa faixa de terra da qual não há escapatória. Isso porque não é tanto a cor dos seus olhos e cabelos que importa – no Donbass eles também eram loiros de olhos azuis, como em Kiev –, mas sim o clube pelo qual você joga. Resta saber, no entanto, que racismo, islamofobia e russofobia foram e ainda são elementos fundamentais na narrativa e na perceção coletiva dos dois conflitos.
Crianças de Donbass escondendo-se dos bombardeamentos ucranianos, 2014.
Em fevereiro de 2022, Ursula von der Leyen não se conteve em condenar os crimes do governo de Putin contra civis ucranianos, as suas violações do direito internacional e os seus ataques à infraestrutura energética: todas as medidas possíveis e imagináveis foram adotadas para defender Kiev do “carniceiro” Putin, contra quem os epítetos mais malévolos foram cunhados naqueles meses.
Lembra-se? Na época, falava-se de um “despertar europeu“, de uma nova era em que o mundo humano e democrático, finalmente unido e coeso, atuaria como uma barreira ao autoritarismo e à violência dos “ogres russos“. Os valores europeus dos direitos humanos e do direito internacional, dos quais os países da UE se orgulhavam de ser bastiões, foram amplamente utilizados, tornaram-se pilares do discurso oficial e assim se propagaram num coro único.
Bem, no início funcionou. Quando comecei o meu trabalho como agente de divulgação, primeiro no Instagram e depois como jornalista e ensaísta, tentando expor as raízes profundas do conflito russo-ucraniano (que, ao contrário da grande maioria dos comentadores de última hora, eu acompanhava desde bem antes de 2022), o clima estava tão polarizado que recebi centenas, senão milhares, de insultos, ameaças de morte, ameaças de violação e todo tipo de ataques públicos ou privados. Alguns acusaram-me de ser paga diretamente por Putin, outros de repetir manuais de propaganda russa, outros de ser cúmplice do invasor e de ter sangue ucraniano nas mãos: a loucura e a histeria coletiva eram tão assustadoras que muitas vezes tive medo de me manifestar. Mas o mais assustador é que, assim que essa onda de ódio e raiva chegou, ela desapareceu com a mesma rapidez do debate público. É por isso que é crucial, agora, conectar as coisas.
A rapidez com que a Europa respondeu à agressão russa demonstrou que vontade política existe de facto, mas apenas quando converge com os interesses estratégicos dos Estados Unidos. Há pouco humanitarismo guiando as ações dos líderes de Bruxelas e dos governos europeus: o que importa é o que serve à estratégia dos EUA. Isolar a Rússia, romper o vínculo Moscovo-Berlim para conter a influência russa na Europa, romper o vínculo energético russo-alemão (e, portanto, russo-europeu), enfraquecer a Alemanha como força motriz da economia europeia e, assim, enfraquecer a autonomia política alemã, impedir a Rússia de se tornar uma potência euroasiática e, em vez disso, confiná-la exclusivamente ao continente asiático: isso, e simplesmente isso, é o que tem guiado a ação dos EUA e da Europa.
Isto é demonstrado pelo facto de que, desde outubro de 2023, quando Gaza foi submetida a uma ofensiva militar devastadora que resultou em dezenas — senão centenas — de milhares de mortes (principalmente mulheres e crianças), milhões de deslocados, hospitais destruídos, fome e a destruição sistemática das infraestruturas civis, a União Europeia tem sido extremamente tímida em condenar Israel.
Apesar do massacre ter sido imediatamente denunciado por dezenas de juristas, relatores da ONU e pelo próprio Tribunal Internacional de Justiça como um “possível genocídio“, a União Europeia não assumiu uma posição clara. Muito pelo contrário, na verdade. Entre as ações europeias mais notáveis nos últimos dois anos estão: a recusa em pedir um cessar-fogo imediato nos estágios iniciais do conflito e a repetição da ladainha sobre o direito de Israel de se defender; a suspensão do financiamento à UNRWA, com base em alegações não verificadas, enquanto a população de Gaza já corria o risco de uma grave crise alimentar; o apoio explícito a Israel por muitos Estados-membros, particularmente a Alemanha; a repressão interna de protestos pró-palestinianos, muitas vezes rotulados como “antissemitas“, mesmo quando apenas invocavam os direitos humanos e o direito internacional.
O conflito na Ucrânia desaparece, portanto, dos media e do discurso público porque a duplicidade de critérios é tão evidente que mesmo os menos familiarizados com a política internacional percebem imediatamente que algo não está certo. E esse “algo” é que Israel é um aliado estratégico dos Estados Unidos (e, portanto, da União Europeia, visto que esta é uma organização desprovida de qualquer autonomia em política externa), os quais estão dispostos a fazer qualquer coisa em sua defesa, inclusive bombardear o Irão e a impor sanções a funcionários das Nações Unidas.
O caso mais recente é o de Francesca Albanese, advogada e académica italiana, Relatora Especial da ONU para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinianos Ocupados desde 2022. Nessa função, ela publicou relatórios detalhados sobre a ilegalidade da ocupação israelita, as suas políticas de apartheid e as violações do direito humanitário durante a ofensiva em Gaza. As suas reportagens e denúncias monumentais tornaram-na uma das vozes mais influentes no debate público sobre a situação dos palestinianos na Faixa de Gaza.
O seu trabalho é rigoroso e está em conformidade com os mandatos das Nações Unidas. No entanto, ela tornou-se alvo de uma campanha cruel de deslegitimação pessoal e política, que culminou na imposição de sanções por Israel e pelos Estados Unidos. As acusações são (adivinhe?) antissemitismo, partidarismo e propaganda. Mas, analisando mais de perto, o crime fundamental de Francesca Albanese é essencialmente um só: aplicar o direito internacional a Israel.
Francesca Albanese
Como lembra o jornalista Paolo Mossetti, o presidente Sergio Mattarella foi rápido a demonstrar solidariedade ao ex-editor do La Repubblica, Molinari, quando este foi desafiado por estudantes num evento. Ele também chamou Giorgia Meloni quando um utilizador qualquer insultou a sua filha Ginevra, no Twitter/X. Mas quando uma cidadã italiana, unicamente devido ao desempenho legítimo do seu mandato nas Nações Unidas, é submetida a sanções e a uma campanha de difamação no Google, financiada pelo governo israelita, simplesmente por fazer o seu trabalho, nenhuma instituição italiana, até agora, se mostrou à altura de lhe demonstrar solidariedade.
Mas, embora a Europa se mostre totalmente dissociada da opinião pública, cada vez mais desiludida e desconfiada das políticas de Bruxelas desde o massacre de civis em Gaza, ela também tenta recuperar a legitimidade política por meio da guerra e da criação de um inimigo comum contra o qual se unir: a Rússia.
Uma invasão da Europa por Moscovo está a ser descrita como altamente provável e quase iminente, a ponto de ser urgente aumentar os gastos militares para 5% do PIB, apesar dos média europeus estarem a noticiar, ao mesmo tempo, que o exército russo, atolado na Ucrânia há mais de três anos, luta com pás e tem dificuldades para conquistar até mesmo alguns quilômetros quadrados de terra.
A crise da União Europeia não é meramente política, é existencial. Na ausência de um projeto político comum e dada a incoerência que demonstrou aos olhos dos cidadãos europeus, a única cola para recuperar a legitimidade política parece ser a ameaça externa. Neste contexto, o apoio à Ucrânia, embora legítimo do ponto de vista da solidariedade internacional, tem sido explorado não para defender a lei em si, mas para redefinir o papel da UE como um ator internacional relevante, ainda que exclusivamente de uma perspetiva militar.
A guerra na Ucrânia acelerou uma transformação já em curso: o ressurgimento da política de blocos militares como principal forma de organização geopolítica. De um lado, a expansão e o fortalecimento da NATO; do outro, o surgimento de alianças alternativas entre Rússia, China, Irão e outros atores do chamado “Sul Global“. Essa lógica marca uma rutura definitiva com a ilusão pós-Guerra Fria de um mundo em que o direito internacional gradualmente substituiria a força. Em vez disso, estamos a assistir ao retorno brutal de um mundo bipolar, cujos efeitos vemos na Ucrânia e na Palestina.
A União Europeia, que poderia ter-se apresentado como um terceiro polo autónomo, um estabilizador e mediador entre as duas potências, os EUA e a Rússia (e no Mediterrâneo com a Palestina), optou por se aliar acriticamente ao bloco atlântico: o resultado é uma subordinação diplomática e militar da qual parece não haver saída.
Mas, justamente porque o mundo se está a unir em torno da lógica militar, torna-se ainda mais urgente defender, redefinir e promover o papel do direito internacional como um fundamento comum: uma Europa que renuncia a essa tarefa não apenas se trai, mas contribui enormemente para a desestabilização de regiões inteiras, a eclosão de novos conflitos e a manutenção de um estado de guerra perpétua.
Em suma, a Europa morreu em Gaza, mas a lógica militar e o rearmamento não a salvarão. Assim como não salvarão os ucranianos nem os palestinianos.