(Hugo Dionísio in Resistir, 19/06/2026)

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Não se pode dissociar o que está a suceder em Portugal com os serviços públicos, a segurança social ou o pacote laboral das conhecidas pretensões da direita portuguesa, relativamente à Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de Abril de 1976.
A CRP, na versão de 1976, foi o resultado de uma relação de forças estabelecida com o 25 de Abril de 1974 e que encontrou respaldo na letra da lei fundamental. Com todas as tropelias já sucedidas na data da aprovação do texto constitucional, entre elas o 25 de Novembro e o fim do PREC, a Constituição da República Portuguesa é o resultado concreto daquele que constituiu um dos momentos popularmente mais criativos — no bom sentido — da história de Portugal.
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E isto tem tudo para piorar.
Depois desta derrota do pacote de miseria laboral com os votos contra da extrema direita Portugal pode muito bem sofrer um processo semelhante ao que está a ocorrer na Colômbia. A erosão da direita tradicional na extrema direita racista, xenófoba, misógina e caceteira.
E tal como amanhã os colombianos vao certamente eleger um sacana que viveu como advogado de vigaristas vários e traficantes de droga e agora promete encarcerar meio mundo em nome do combate ao crime também das próximas eleições por cá pode surgir um primeiro ministro que como advogado ensinou empresários vigaristas a fugir aos impostos e promete infernizar a vida a ciganos e imigrantes.
Talvez isto ainda pudesse ter outro fim bastando para isso que o Governo arrepiasse caminho e começasse a governar para a gente que o elegeu em vez de tentar fazer os fretes aos que se querem fazer donos disto tudo.
Mas pelas reações envinagradas e denotando mau perder de vários membros deste intragável Governo não e de certeza isso que vai acontecer.
Agora parecem querer caçar multas mudando o Código da Estrada fazendo os automobilistas andar a passo de caracol, a 70 quilómetros a hora, fora das localidades, em nome da segurança rodoviária.
Como queriam transformar os trabalhadores em peças descartáveis em nome da competitividade.
A que horas terá de se levantar alguém que trabalha a 80 quilómetros do local de trabalho, que os há, para chegar ao emprego às oito ou nove da manhã andando na estrada a passo de boi para não perder pontos na carta?
E quem vota a direita vai ter cada vez mais tentação em votar numa direita que pelo menos promete não lhe cortar a vida.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.