A Rússia não está só a ganhar a guerra. Já ganhou.

(João Ferreira, in Facebook, 13/10/2026, Revisão da Estátua)


A Rússia não está só a ganhar a guerra. Já ganhou. O resto é missa da Igreja Universal do Reino dos Mirdia.


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Venho a escrever sobre isto desde 2015. E, ao longo destes anos, tenho assistido a um dos mais extraordinários espetáculos de domesticação intelectual colectiva de que tenho memória.

Não me surpreende a propaganda. A propaganda sempre existiu. Surpreende-me a quantidade de gente que, julgando possuir pensamento próprio, se limita a reproduzir aquilo que ouviu na televisão cinco minutos antes.

Os totós preferem a homilia da Igreja Universal do Reino dos Mirdia, essa extraordinária congregação de sacerdotes televisivos, analistas de conveniência e especialistas de ocasião, devidamente alinhados com a liturgia de Bruxelas e com as bênçãos da Frau Ursula von der Leyen.

Pensar tornou-se um incómodo. Questionar tornou-se uma heresia. Discordar tornou-se um pecado.

E assim nasceu um verdadeiro exército de zombies de sofá, criaturas intelectualmente domesticadas que repetem o teleprompter, aplaudem o vazio e confundem informação com conhecimento, propaganda com verdade e obediência com inteligência.

A Rússia não está a ganhar a guerra. A Rússia já ganhou.

E não estou a falar de vitórias anunciadas nos telejornais, de mapas coloridos por comentadores de ocasião ou de discursos inflamados de políticos que nunca ouviram um tiro fora de uma carreira de tiro.

Estou a falar de estratégia. De objectivos. De capacidade militar. De economia. De geopolítica. Daquilo que distingue quem compreende um conflito de quem se limita a consumir a sua representação televisiva.

A desmilitarização da Ucrânia era um dos objectivos declarados da operação militar especial russa. Mas, na minha leitura, a Rússia conseguiu muito mais do que aquilo a que inicialmente se propôs.

Porque esta guerra nunca foi, na sua verdadeira dimensão estratégica, uma simples guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Foi uma guerra entre a Rússia e a NATO, travada em território ucraniano, com soldados ucranianos e com armamento, financiamento, logística e serviços de informações ocidentais. A Ucrânia foi o campo de batalha. A NATO foi o adversário estratégico.

E o resultado, na minha perspetiva, é de uma ironia histórica extraordinária: a Rússia não se limitou a desmilitarizar a Ucrânia. Acabou por desmilitarizar também a NATO, no sentido do desgaste dos arsenais e das reservas mobilizadas para sustentar o conflito.

Aquilo que deveria ter provocado o colapso militar russo transformou-se num processo de desgaste da própria capacidade militar ocidental.

A NATO prometeu derrotar a Rússia através da Ucrânia. A minha conclusão é que a Rússia acabou por vencer a NATO através da mesma Ucrânia.

E enquanto isto acontecia, uma multidão de comentadores continuava a anunciar, com a solenidade de quem recebe revelações divinas, a derrota iminente de Moscovo.

Primeiro faltariam os mísseis. Depois as munições. Depois os soldados. Depois os tanques. Depois o dinheiro.

A Rússia estava sempre prestes a cair.

Uma falência permanente, anunciada diariamente, mas que teimava em não acontecer nos termos previstos pelos profetas de estúdio.

E a economia?

Ah, a economia!

Essa extraordinária arma de destruição maciça que Bruxelas prometeu utilizar contra Moscovo e que acabou por expor as fragilidades da própria Europa.

Anunciaram que as sanções colocariam a Rússia de joelhos. Que o rublo se transformaria em papel sem valor. Que a indústria russa entraria em colapso. Que o isolamento económico acabaria por provocar aquilo que a NATO não conseguia alcançar militarmente.

Mas a Rússia adaptou-se, reorganizou circuitos comerciais, reforçou relações com economias não ocidentais e demonstrou uma capacidade de resistência que os sacerdotes da propaganda nunca quiseram admitir.

Enquanto isso, a Europa confrontou-se com o encarecimento da energia, a pressão sobre a sua indústria, a perda de competitividade e o peso crescente das suas próprias contradições estratégicas.

Não significa que a economia russa não tenha custos, nem que todos os países europeus estejam em recessão. Significa que a promessa de um colapso rápido da Rússia falhou e que a Europa descobriu que sancionar um adversário não significa ficar imune às consequências das próprias sanções.

E que extraordinária ironia!

A Rússia, que deveria estar economicamente destruída, registou períodos de crescimento superiores aos de muitas economias europeias. A Europa, que deveria estar a celebrar a eficácia das suas sanções, viu-se obrigada a discutir preços de energia, competitividade industrial e a sustentabilidade das suas próprias opções.

Prometeram arruinar a economia russa. Conseguiram demonstrar até que ponto a economia europeia dependia daquilo que pretendiam sancionar.

E os Estados Unidos?

Aqui começa a parte verdadeiramente deliciosa desta ópera geopolítica.

Durante anos, Washington apresentou a Rússia como um adversário a isolar, um inimigo a enfraquecer, uma potência a submeter através de sanções, pressões económicas e confronto indirecto.

Mas a política internacional tem uma característica que os comentadores de sofá parecem desconhecer: os interesses não obedecem a sermões.

Quando os interesses americanos exigem pragmatismo, Washington procura pragmatismo. Quando exigem negociação, Washington procura negociação.

E quando surgem notícias ou declarações sobre a possibilidade de recorrer novamente a produtos energéticos russos, incluindo gasóleo, a contradição política merece ser escrutinada, sem transformar uma hipótese ou uma declaração numa compra comprovada.

Porque aquilo que para os europeus é apresentado como uma obrigação moral absoluta pode tornar-se, para Washington, uma questão de conveniência estratégica.

E é precisamente aqui que reside a diferença entre aliados e vassalos.

O aliado participa nas decisões. O vassalo recebe as consequências.

O aliado define interesses comuns. O vassalo adapta os seus interesses aos do senhor.

O aliado negoceia. O vassalo obedece.

E quando o senhor altera a sua estratégia, o vassalo descobre que afinal aquilo que lhe tinham apresentado como princípio inegociável era apenas uma orientação temporária.

A União Europeia, essa extraordinária construção política que tanto gosta de proclamar soberania, descobriu que a sua política externa continua profundamente condicionada pelas decisões de Washington.

Não tem uma estratégia verdadeiramente autónoma. Tem comunicados.

Não tem uma capacidade militar independente à altura das suas ambições. Tem dependências.

Não tem uma voz soberana suficientemente afirmada. Tem ecos.

E quando os interesses americanos se alteram, a Europa fica à espera de perceber qual será a próxima orientação, procurando apresentar como decisão própria aquilo que demasiadas vezes não passou de uma adaptação obediente.

Os Estados Unidos participaram decisivamente na arquitectura geopolítica que antecedeu este conflito, financiaram e armaram a resistência ucraniana e fizeram da contenção da Rússia uma prioridade estratégica.

Acusam a Rússia pela invasão de 2022, porém, negam a discussão sobre os interesses que antecederam, acompanharam e prolongaram esta guerra. Porque a geopolítica não é um concurso de virtudes. É um confronto de interesses. E os interesses dos Estados Unidos não são necessariamente os interesses da Europa.

O império não precisa de conquistar formalmente os seus vassalos. Basta convencer os vassalos de que a obediência constitui uma forma superior de liberdade. O senhor decide. O vassalo paga. E o comentador explica, com ar solene, porque razão pagar representa uma extraordinária vitória moral.

É uma arquitectura de submissão tão sofisticada que os próprios subordinados a defendem com entusiasmo.

Depois vêm as sanções, apresentadas como instrumentos infalíveis, apesar dos seus efeitos assimétricos e dos custos suportados também por quem as decreta.

Vêm as promessas de vitória, sucessivamente adiadas.

Vêm os discursos inflamados, as cimeiras extraordinárias, os anúncios históricos e os pacotes de ajuda celebrados como se cada transferência financeira representasse uma conquista militar.

E vêm, naturalmente, os especialistas.

Ah, os especialistas!

Esses extraordinários sacerdotes da evidência conveniente, capazes de anunciar o colapso da Rússia numa segunda feira e explicar, na sexta feira seguinte, porque razão a sua resistência afinal demonstra que as sanções estão a funcionar.

Nunca falham. Apenas reinterpretam os acontecimentos.

Nunca se enganam. Apenas actualizam a narrativa.

Nunca prestam contas. Limitam-se a mudar de assunto.

São profissionais da certeza retrospectiva. Sabem sempre o que aconteceu depois de acontecer, mas raramente conseguem explicar porque razão aquilo que garantiram que aconteceria nunca chegou a acontecer.

E quanto maior se torna a distância entre as previsões e a realidade, mais agressiva se torna a liturgia.

Porque o problema da propaganda não é apenas a mentira. É a construção de um ambiente intelectual onde a dúvida deixa de ser permitida.

Uma sociedade que deixa de questionar os seus próprios especialistas não está informada. Está domesticada.

Podem chamar-me louco. Podem chamar-me tudo aquilo que o vocabulário da intolerância reserva para quem se recusa a integrar o rebanho. Pouco me importa. Venho a publicar reflexões sobre este conflito desde 2015, muito antes de muitos destes comentadores terem descoberto a Ucrânia no mapa. Não reivindico infalibilidade. Reivindico o direito de pensar sem pedir autorização aos distribuidores oficiais da verdade. E mantenho a minha conclusão.

A Rússia já alcançou aquilo que considero ser a sua vitória estratégica fundamental. A Ucrânia perdeu a autonomia da sua capacidade militar e a NATO foi arrastada para um desgaste que, na minha interpretação, ultrapassou largamente os objectivos inicialmente anunciados por Moscovo.

A guerra pode continuar nos campos de batalha. Isso não me impede de considerar que o seu resultado estratégico essencial já foi determinado.

E é aqui que começa a parte mais interessante desta história.

Porque, em breve, muitos destes comentadores, analistas e especialistas começarão a desaparecer.

Não desaparecerão todos. Alguns limitar-se-ão a trocar de assunto, de estúdio, de convicções e, se necessário, de memória.

Outros retirar-se-ão discretamente quando a realidade tornar insustentáveis as homilias que durante anos venderam como análise militar, ciência política ou superioridade moral.

E talvez nem desapareçam por vergonha. Porque para sentir vergonha é necessário conservar alguma consciência crítica.

Desaparecerão porque a mercadoria que comercializavam deixará de encontrar compradores.

E ficará a pergunta que poucos terão coragem de fazer: quantos aceitaram os seus pratos de lentilhas em troca de homilias de propaganda barata, fútil e intelectualmente desonesta?

Uns receberam protagonismo. Outros receberam audiências. Outros conquistaram lugares à mesa do poder. E muitos limitaram-se a receber aquela recompensa que mais seduz a mediocridade intelectual: a possibilidade de parecerem importantes sem terem de demonstrar independência.

Tal como aconteceu com tantos comentadores do tempo da COVID.

Lembram-se? Aqueles que pareciam possuir uma linha direta com a verdade absoluta; aqueles que ocupavam horas intermináveis de televisão, distribuindo certezas, censuras morais e sentenças sobre quem ousasse formular uma pergunta inconveniente. Desapareceram todos, naturalmente. Nem tudo aquilo que disseram estava errado. Mas muitos perderam a centralidade mediática que os transformara em autoridades quase incontestáveis.

E quantos regressaram aos mesmos estúdios para confrontar, com igual solenidade, as suas previsões com os resultados? Quantos assumiram publicamente os seus erros? Quantos reconheceram que a ciência evolui, que o conhecimento tem limites e que a arrogância nunca foi uma metodologia científica?

Poucos se deram ao trabalho de prestar contas. Mudou o assunto. Mudaram os especialistas. Mudou a liturgia. A máquina continuou.

É esse o verdadeiro problema das sociedades contemporâneas ocidentais. Não é a existência de propaganda. A propaganda sempre existiu. É a facilidade com que uma sociedade que se proclama esclarecida abdica voluntariamente do pensamento crítico para consumir opiniões embaladas, certificadas e servidas à hora do jantar.

A História não costuma ser generosa com os profetas do poder quando o poder muda de narrativa.

E chegará o momento em que os mesmos que hoje proclamam certezas começarão a explicar que sempre tiveram dúvidas.

Dirão que foram mal interpretados. Que o contexto era diferente. Que as informações disponíveis eram incompletas. Que ninguém poderia prever aquilo que, durante anos, impediram os outros de discutir.

E os pratos de lentilhas terão sido consumidos.

As homilias terão sido esquecidas.

Os púlpitos estarão ocupados por novos sacerdotes.

Mas os arquivos permanecerão.

Porque a memória pode ser curta, mas a palavra escrita tem uma qualidade extraordinariamente inconveniente: sobrevive aos seus autores e às conveniências dos seus tempos.

A Rússia não está a ganhar a guerra. Na minha leitura, já ganhou. E considero que conseguiu ir além dos próprios objectivos militares inicialmente anunciados.

O resto continua a ser ruído, propaganda, encenação e liturgia.

E enquanto os fiéis da Igreja Universal do Reino dos Mirdia aguardam pela próxima homilia, eu continuarei a fazer aquilo que sempre procurei fazer: observar, questionar, pensar e retirar as minhas próprias conclusões.

Porque a inteligência não se mede pela capacidade de repetir aquilo que todos dizem.

Mede-se, sobretudo, pela coragem de questionar aquilo que ninguém quer ouvir.

E a História tem um hábito particularmente cruel: não aceita pratos de lentilhas como pagamento para absolver os seus falsos profetas.

A esquizofrenia dos líderes europeus. Porque não se tratam?

(Isidoro de morais pereira, Crónicas da controvérsia, Página do Facebook, 19/09/2026)


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O Major-General Agostinho Costa, junto com o General Carlos Branco, representa das poucas mentes lúcidas que ainda restam na análise portuguesa da guerra na Ucrânia, uma voz que não se deixa levar pela propaganda ocidental nem pela histeria militarista que domina os média.

A observação de Agostinho Costa é tão simples quanto devastadora: os europeus têm uma “linguagem esquizofrénica”. Por um lado, afirmam que os russos estão a perder em toda a linha, que morrem “não sei quantas centenas de milhares por dia”, que avançam “a passo de caracol”, que nunca chegarão ao fim, que estão descontentes, alcoólicos, etc. Por outro lado, dizem que a Rússia vai atacar a Europa, que representa uma ameaça existencial, que precisamos de mais armas, mais sanções, mais gastos militares. Como bem pergunta o General: “Digam-nos lá se os russos nos vão atacar ou se estão a perder a guerra”, porque ambas as coisas não podem ser verdade simultaneamente.

Esta contradição fundamental escapa aos Germano de Almeidas, às Helena Ferro Gouveias e aos Ireneus Teixeiras da vida, esses comentadores que vivem num mundo paralelo onde a Rússia é simultaneamente um estado falido à beira do colapso e uma potência expansionista prestes a invadir a Polónia. Agostinho Costa tem a coragem de apontar o óbvio: se a Rússia está realmente a perder em toda a linha, então porque razão a Europa precisa de temer uma invasão? E se a Rússia representa uma ameaça tão grave, então porque razão a propaganda ocidental insiste em que está a ser derrotada?

O General vai mais longe, e aqui reside a sua verdadeira coragem intelectual: aponta que os russos estão a “desmontar a Ucrânia por peças”, a destruí-la sistematicamente em todos os níveis, enquanto os europeus estão em “êxtase” com retórica vazia de líderes como Macron e Donald Tusk. Quando ouvimos o ministro polaco dizer que em três semanas destruíram duas refinarias e que têm mais brigadas que a Alemanha, Reino Unido e França juntos, estamos a assistir a uma fantasia militar que não corresponde à realidade. A Polónia não vai “despechar os russos em três semanas”, isto é delírio, é bravata, é a mesma histeria que levou a Europa ao desastre.

Agostinho Costa tem também a lucidez de recordar o que os media ocidentais preferem esquecer: que a Europa “foi invadida pela Rússia”, sim, mas no contexto de uma guerra que teve antecedentes e culpados que os analistas oficiais preferem omitir. E quando a jornalista tenta desqualificar as eleições russas, sugerindo que não há oposição verdadeira, o General responde com uma comparação devastadora: “Quem se manifestava contra a Segunda Guerra Mundial no Reino Unido, onde é que acabava?”, lembrando que em tempos de guerra existencial, a oposição é naturalmente limitada, e que isto não invalida a legitimidade do processo.

Mas talvez o momento mais brilhante da intervenção seja quando Agostinho Costa recorda a memória histórica do povo russo. Os russos lembram-se dos anos da Troika, lembram-se de Ieltsin a suspender a Constituição, lembram-se das filas para plantar batatas nas dachas para sobreviver.

E sabem que, se esta guerra correr de feição para o Ocidente, “não é o fim de Putin, é o fim da Rússia”, porque o que o Ocidente pretende é “esfrangalhar o país” e voltar a pilhar os seus 70 triliões de recursos naturais.

O General conclui com uma advertência que deveria ecoar em todas as chancelarias europeias: “É uma guerra existencial, um conflito existencial. Existencial para os dois países, entenda-se. Mas um tem armas nucleares, o outro não.” Esta é a realidade que os belicistas preferem ignorar: a Rússia não vai desistir, não vai aceitar nunca uma derrota, e tem os meios para tornar qualquer vitória pírrica do Ocidente num desastre civilizacional.

Agostinho Costa é uma voz rara, alguém que não se deixa levar pela histeria coletiva, que analisa os factos com frieza, que tem a coragem de contradizer a narrativa dominante e de lembrar aos europeus as contradições da sua própria retórica.

Num panorama mediático dominado por avençados de Bruxelas, por ex-condenados das secretas reciclados em analistas, por oportunistas que vendem medo para justificar mais gastos militares, a lucidez de Agostinho Costa é um bálsamo. É pena que seja uma voz tão isolada.

Ver o vídeo onde são proferidas as declarações de Agostinho Costa referidas no texto aqui

Apaziguamento? Não. Teatro para enganar incautos!

(Zé Oliveira Vidal, in Estátua de Sal, 19/09/2026, revisão da Estátua)

Imagens retirada do mural de João Gomes no Facebook

(Este artigo resulta da resposta a um comentário a um texto de Brian Berletic. que publicámos, sobre a submissão da Europa aos interesses dos EUA (ver aqui), e o dito comentário ver aqui. Pela sua acutilância na defesa de algumas posições incómodas – e por isso mesmo sempre polémicas -, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 20/09/2026)


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Não percebeste o artigo do Brian Berletic, e como tal continuas a ler mal a realidade: a Dinamarca não tentou apaziguar o Trump.

O regime vassalo/cliente da Dinamarca está de acordo com o que lhe foi exigido pelos EUA, independentemente do “Presidente” ser Trump ou Biden ou outro fantoche qualquer.

O teatro feito em público (ai, ai, ai, o Trump, ai, ai, ai, o abandono dos EUA, ai, ai, ai, a ameaça Russa) foi usado, de propósito, de forma coordenada entre Washington DC e Copenhaga e respetivas redes de PRESStituição desde o primeiro dia desta “ameaça de anexação da Gronelândia pelos EUA”.

Este teatro foi feito de forma a convencer a população da Dinamarca e da Europa de que o que estes regimes queriam fazer (mais bases militares dos EUA na Gronelândia, militarização do Ártico) seria no final uma coisa “aceitável”, porque “menos má” que a “ameaça” inicial.

Não houve tentativa de apaziguamento nenhuma. A vassala/cliente Mette Frederiksen, e companhia, prostra-se em total submissão em Washington DC desde que anda a subir na política Dinamarquesa.

O teatro não teria sucesso se fosse um monólogo do outro lado do Atlântico. Os EUA já há muito tempo que têm o seu exército de atores deste lado também.

Quando, de forma excecional, um vassalo/cliente (“cliente” porque usa o dinheiro do seu povo para comprar o que os EUA querem vender, acima de tudo armas e tecnologia com capacidades de vigilância orwellianas) sai da linha, como Sánchez fez em relação a “israel” versus Palestina, acontecem coisas como ameaças a sério, como se viu em Ceuta.

Mas o vassalo/cliente Sánchez percebeu, e como tal respondeu: – “Sim, mestre, peço desculpa pela desobediência”. E, nos dias seguintes, apesar de saber que o ataque a Ceuta instrumentalizando 70 mil imigrantes, –  com a respetiva cobertura 100% pró-sionista e 100% pró-VOX feita nas redes sociais do Tio Sam -, foi feito em coordenação pela ditadura de Marrocos, pela colónia ilegítima genocida de “israel”, e pelo império nazi terrorista dos EUA, o Pedrinho lá meteu o rabo entre as pernas e culpou… a Rússia de Putin.

Da mesma forma, a “negociação” dos 5% para a NATO em que a Espanha “conquistou” uma divisão mais equilibrada dessa militarização: “só” 3.5% diretamente para a Defesa/NATO, e 1.5% para questões de Segurança Nacional – é em tudo um teatro comparável ao que se passou agora entre os EUA e a Dinamarca em relação à Gronelândia.

Ou seja, onde num lado se queriam mais bases militares dos EUA, no outro lado queriam os 3.5% + 1.5% desde início. Onde num lado se “ameaçava” com a invasão e anexação da Gronelândia, no outro lado “ameaçou-se” com os 5% diretamente só para a NATO/Defesa. Onde num lado o vassalo/cliente disse que tudo iria fazer para se defender dessa invasão, do outro lado o vassalo/cliente disse que tudo faria para proteger os interesses dos contribuintes. Mas, no final, fez-se exatamente o que se queria, e em ambos os casos a militarização avança contra a Rússia, como parte da distribuição de tarefas contra a Rússia e Irão e China e companhia.

E, convenhamos, 3.5+1.5 continuam a ser 5. Ou seja, os europeus foram chamados de idiotas, e ainda por cima aplaudiram quem gozou com eles, e vão pagar até ao último cêntimo. Tal como a Ucrânia “paga” até ao último homem. E tal como a Venezuela agora paga até à última gota de petróleo. E tal como os vassalos/clientes no Golfo pagam até ao último dia de bloqueio. E tal como Taiwan e Filipinas pagarão também até ao último cêntimo e último homem na guerra que os EUA já planearam para o Mar do Sul da China e que, graças à vassalagem na Europa e Golfo, será mesmo possível e mais em breve do que se pensa.

Isto só será travado, pelo menos da nossa parte aqui na Europa, quando:

– a ditadura da UE for desmantelada,

– os países recuperarem soberania monetária em vez da ditadura do Euro,

– os criminosos de guerra da NATO forem julgados em Nuremberga 2.0 (idealmente realizada em Donetsk),

– o nazismo ucraniano e sua colaboração forem incondicionalmente ilegalizados e afastados da política europeia,

– as ideologias atlantista e sionista forem comparadas legalmente ao nazismo,

– o ICC for desmantelado para dar lugar a um tribunal internacional a sério que persiga Bush e Obama e companhia,

– se puser fim à nossa participação no FMI,

– os EUA forem bloqueados no SWIFT, e o Novo SWIFT (só europeu) for integrado nos meios de pagamentos dos países BRICS+,

– a NATO for desmantelada, e uma arquitetura de defesa europeia for assinada com a Rússia, deixando os EUA de fora,

– todos os políticos vassalos/clientes dos EUA/israel forem presos;

– toda a rede de PRESStituição for posta na rua, e substituída por jornalistas a sério como o Bruno Amaral de Carvalho,

– as redes sociais da CIA/NSA/Mossad foram bloqueadas na Europa, e substituídas por verdadeiras redes sociais livres e democráticas, descentralizadas, sem algoritmos manipuladores, e sem controlo por parte de nenhum Estado ou bilionário em particular,

– os EUA forem completamente bloqueados, sancionados, a nossa economia desdolarizada, e os meios de projeção dos EUA neutralizados (seja a proibição da presença das suas embaixadas, seja a proibição da passagem dos seus aviões e barcos de guerra no nosso espaço), ou seja. isolamento total,

– os cidadãos europeus forem reeducados para perceberem porque é que devem deixar de comprar/usar produtos dos EUA, pois até o simples ato de beber um refrigerante famoso significa que estamos a financiar as agressões do império dos EUA contra a Humanidade,

– e finalmente quando a “elite” económico-financeira do neoliberalismo for posta no olho da rua, com as necessárias nacionalizações compulsivas e restituição de bens ao povo (que os neoliberais chamarão de “roubo” ou “novo PREC”), de forma a termos um sistema económico mais justo, e líderes económicos mais capazes de seguir os bons exemplos da China.

Ou seja, está tudo por fazer, no que à salvação da Europa diz respeito e, enquanto nada mudar, continuaremos vertiginosamente a caminho da nossa própria desgraça.

E vou dizer isto preto no branco: gentinha que vai sorridente a reuniões da ditadura da UE ou da NATO (ou seja. o departamento do Pentágono na Europa) não pode continuar à solta na Europa! Têm de ser presos, e toda a sua estirpe afastada da nossa política e dos nossos ecrãs.

Isto não acontecerá pacificamente! E abominações, como a Meloni, a AfD, etc, não mudam absolutamente nada, pois nada mais são do que filiais do movimento MAGA, isto é. uma resposta antecipada do próprio regime imperial para enganar os que já estão fartos dos vassalos/clientes tradicionais nos respectivos países.

Nos países onde as eleições ainda mudam alguma coisa, este regime faz (ou tenta fazer) golpes ou guerras “civis”: Bolívia, Brasil, Venezuela, Nicarágua, Arménia, Moldávia, Ucrânia, Bielorrússia, Sérvia, Geórgia, Bangladesh, Nepal, Myanmar, Indonésia, Síria, Iémen, Iraque, Líbano, Níger, Mali, Sudão, África do Sul, etc.

Se não faz isso aqui, na Europa, é exatamente porque sabe que por cá nada muda, pois nem há qualquer tipo de democracia nem representatividade, nem existe sequer um acesso dos cidadãos a notícias reais e à verdade, de forma a que haja sequer uma maioria educada e informada que ameace o regime ou exija sequer uma mudança de política. É a distopia de George Orwell, mas ainda pior!

E, o facto de tu achares que a Dinamarca é “soberana” para sequer negociar um “apaziguar” com os EUA, e de pessoalizares a questão em Trump, é uma prova disso mesmo.

A esmagadora maioria das pessoas, mesmo as bem-intencionadas como tu, não fazem a ponta de um corno do que se passa na realidade. E, mesmo eu, por vezes sou enganado por este ou aquele teatro feito por este regime e seus vassalos/clientes.,Não tem mal nenhum admitir isto. O que importa é ir abrindo os olhos!

Assim sendo, muito obrigado à Estátua de Sal por finalmente publicar uma explicação adequada da realidade, dada pelo sempre exemplar, Brian Berletic.