Da propaganda odiosa à sensação de ridículo

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 24/05/2026, Revisão da Estátua)


Julgando tratar-se do argumento infalível vazado do princípio a que comummente se chama navalha de Occam, os inimigos da Rússia – aqueles que ainda há anos afirmavam ser a Rússia uma bomba de gasolina armada de armas nucleares – repetem ad nauseam «não haver uma só marca russa», argumento a que infalivelmente acrescentam «não ter a Rússia vencido a guerra em quatro anos de combates».

Ora, se a Rússia não tem a Zara, a Hermès, a L’Oréal ou a Amazon, possui os Orechnik, os Kinzhal, os Zircon, os Sukhoi Su-57, os Sukhoi Su-35, a Estação Espacial Internacional, a Rosatom e a maior produção de isótopos para a medicina nuclear. Entre trapos, perfumes e chefs, a Rússia tem engenheiros, cientistas e tecnólogos que proporcionalmente excedem a soma de todos os seus pares internacionais.

Quanto ao aspecto militar, se Israel não conseguiu tomar Gaza, território com a dimensão da Costa da Caparica, se os EUA foram batidos por pastores de sandálias no Afeganistão e agora retiram humilhados da guerra com o Irão invicto, a Rússia bateu uma coligação de 27 Estados que se empenharam encarniçadamente para a bater económica, política e militarmente sem, contudo, o lograrem.

A simplificação serve para alimentar a propaganda, mas esta só é convincente se acertar com os factos. Ora, estes demonstram que a Rússia se mostrou superior na tecnologia e na guerra, pelo que as ilusões da propaganda, tantas vezes odiosa, em breve darão lugar a uma inocultável sensação de ridículo.

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A propaganda da comunicação social

(Rui Lima, in Facebook, 30/04/2026, Revisão da Estátua)


A cronologia

Fim de semana de 25-26 de abril de 2026: Surge o suposto “Alarme lançado por diretores de escolas, professores e associações de pais”.

Não existe qualquer declaração pública, comunicado de imprensa, conferência ou documento oficial identificável que tenha sido emitido coletivamente por estas entidades. Os media limitam-se a referir genericamente este “alarme” como facto consumado, sem citar nomes concretos de diretores, associações ou datas exatas de reuniões.

25-26 de abril de 2026 (dia anterior aos artigos principais): Uma apresentadora de televisão da RTP aborda o tema em direto ou segmento noticioso. Este segmento foi um “gatilho” inicial, repetindo uma narrativa antes de qualquer artigo escrito ser publicado. Ver aqui.

26 de abril de 2026 (08:28): o Jornal de Notícias publica “Professores alarmados com o discurso de ódio: ‘O ar que se respira está mais pesado’”. É o primeiro grande artigo do dia. Ver aqui.

26 de abril de 2026: a SIC Notícias publica o vídeo/artigo “Aumento do discurso de ódio nas escolas preocupa comunidade escolar”. Usa exatamente a mesma frase de abertura: “O ministro da Educação, Fernando Alexandre, não quer, para já, pronunciar-se sobre o alarme lançado este fim de semana por diretores de escolas, professores e associações de pais”. Ver aqui.

27 de abril de 2026 (10:02): Expresso publica “Diretores alertam: raparigas e imigrantes alvo de ódio crescente nas escolas”. Repete a mesma frase sobre o “alarme lançado este fim de semana” e inclui o mesmo exemplo de “namorados a exigirem a localização das raparigas”. O artigo reforça a narrativa com declarações “à la carte” da comunidade escolar, sem novas fontes nominais. Ver aqui.

27 de abril de 2026 (mesmo dia): Correio da Manhã / CMTV difundem vídeos idênticos com o título “Diretores e professores alertam para o aumento do discurso de ódio nas escolas”, reproduzindo os mesmos exemplos e culpas. Ver aqui.

A Falta Total de Dados e a Coordenação Evidente

  • Frases copiadas e coladas

Todos os artigos usam a expressão exata: “alarme lançado este fim de semana por diretores de escolas, professores e associações de pais”. Não se trata de coincidência jornalística – é linguagem idêntica, como se partissem de um briefing ou nota interna comum.

  • Exemplos repetidos

“Namorados exigem a localização das raparigas para controlarem todos os passos.” “Troca de insultos racistas que acaba em rixas.”

Estes dois casos aparecem em SIC, Expresso, JN e CMTV sem qualquer variação ou testemunho concreto (sem nomes de escolas, alunos ou datas).

  • Culpa atribuída sem prova!

Todos os órgãos apontam os mesmos responsáveis: redes sociais, influenciadores e o partido Chega. A comunidade escolar “concluiu” isto, segundo os artigos, sem citar qualquer estudo, inquérito ou relatório que sustente a ligação direta.

Única “evidência” mencionada e é irrelevante: Todos citam o mesmo estudo de literacia digital da UE (4 em 5 adolescentes portugueses expostos a conteúdo prejudicial). Este estudo é antigo, genérico e não mede incidentes de ódio nas escolas portuguesas em 2026. Não existe qualquer dado oficial (relatórios do Ministério da Educação, APAV, PSP ou IAVE) sobre aumento real de queixas ou incidentes no ano letivo em curso.

  • Ausência absoluta de números

Zero estatísticas: quantos casos? Comparação com 2025 ou 2024? Zero. Apenas impressões subjetivas de “diretores” anónimos. O ministro Fernando Alexandre recusa-se a comentar o que os media transformam em mais “prova” da gravidade, sem exigir dados ao próprio Governo.

  • O objetivo subjacente

A narrativa serve claramente para legitimar maior regulação das redes sociais (como já defendido por vários partidos e eurodeputados).

Isto não é jornalismo independente e é grave. É uma campanha, com timing preciso, linguagem uniforme e zero de substância empírica. A apresentadora, os comentadores e os jornais atuaram em uníssono, transformando “impressões” em “alarme nacional” sem um único estudo ou dado oficial.

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“Eles estarem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia”

(Por Albarda-mos, in Estátua de Sal, 24/03/2026, revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Raúl Cunha sobre os atropelos ao direito internacional (ver aqui). Pela análise que faz à (des)informação na RTP1, resolvi dar-lhe destaque, com o seguinte sublinhado: ANTES FOSSE SÓ A RTP1!…

Estátua de Sal, 25/03/2026)


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Os telejornais da RTP1 são, nos dias que correm, autênticos folhetins de propaganda, alinhados com as agências de informação que tentam a contenção de danos na opinião pública internacional, e o enaltecimento das manobras belicistas, opressoras e destrutivas do Grande Irmão.

Todos, sem exceção, abrem com o que Trump diz a cada dia que passa, e como todos os dias ele diz uma coisa qualquer, muitas vezes diferente, então é como uma série de sketches com uma charada diária. “Trump garante que…”; “Trump afirma que…”, “Trump ameaça que…”, “Trump anuncia que…”, e assim vão abrindo os noticiários, todos os dias, a cada hora.

Depois passam para a Cândida Pinto, em direto de Washington, que faz o reporte do mesmo alinhamento, mas agora com fontes do Pentágono, assim como em Israel há o repórter de serviço a cobrir os estragos que supostamente a impenetrável Cúpula de Ferro, do país mais poderoso do Médio Oriente, devia evitar. Falam sempre a seguir os representantes Israelitas, depois do hiPOpoTamUS cor-de-laranja. É a propaganda seguinte do alinhamento.

No estúdio, outra arara, Márcia Rodrigues, afirma perentoriamente que Israel é o grande vencedor, demonstrando o seu superior poderio militar na região, e que o Irão é o perdedor, mesmo continuando o estreito de Ormuz estrangulado e as respostas diárias com projéteis sobre Israel e os Estados do Golfo com bases americanas, de onde partem (ou partiam), muitas ofensivas sobre o Irão. Quanto aos EUA, ainda não se sabe bem se ganharam, tanto ou mais que Israel, segundo a especialista “militar” (deve ser mais militante do chorudo pagamento que recebe para nos apresentar a informação truncada que frequentemente divulga aos portugueses).

 Os Epstein Files desapareceram do mapa, só conta o Trump a abrir todos os telejornais, qual Campeão da Pategónia, garantindo, afirmando, depreciando, ameaçando, bajulando, sempre dizendo o que quer e o que lhe apetece, e depois o seu contrário.

É isto que está a dar, é encantar pategos. A informação na RTP é um folhetim de propaganda aos crimes de guerra e internacionais dos americanos. Lembram-se das cobras e lagartos que debitaram sobre a Rússia, só pela intervenção no Donbass? Agora imaginem se a Rússia atacasse as Malvinas, o Canadá e a Gronelândia… ups!

Mas, “Eles estarem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia”.