A esquizofrenia dos líderes europeus. Porque não se tratam?

(Isidoro de morais pereira, Crónicas da controvérsia, Página do Facebook, 19/09/2026)


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O Major-General Agostinho Costa, junto com o General Carlos Branco, representa das poucas mentes lúcidas que ainda restam na análise portuguesa da guerra na Ucrânia, uma voz que não se deixa levar pela propaganda ocidental nem pela histeria militarista que domina os média.

A observação de Agostinho Costa é tão simples quanto devastadora: os europeus têm uma “linguagem esquizofrénica”. Por um lado, afirmam que os russos estão a perder em toda a linha, que morrem “não sei quantas centenas de milhares por dia”, que avançam “a passo de caracol”, que nunca chegarão ao fim, que estão descontentes, alcoólicos, etc. Por outro lado, dizem que a Rússia vai atacar a Europa, que representa uma ameaça existencial, que precisamos de mais armas, mais sanções, mais gastos militares. Como bem pergunta o General: “Digam-nos lá se os russos nos vão atacar ou se estão a perder a guerra”, porque ambas as coisas não podem ser verdade simultaneamente.

Esta contradição fundamental escapa aos Germano de Almeidas, às Helena Ferro Gouveias e aos Ireneus Teixeiras da vida, esses comentadores que vivem num mundo paralelo onde a Rússia é simultaneamente um estado falido à beira do colapso e uma potência expansionista prestes a invadir a Polónia. Agostinho Costa tem a coragem de apontar o óbvio: se a Rússia está realmente a perder em toda a linha, então porque razão a Europa precisa de temer uma invasão? E se a Rússia representa uma ameaça tão grave, então porque razão a propaganda ocidental insiste em que está a ser derrotada?

O General vai mais longe, e aqui reside a sua verdadeira coragem intelectual: aponta que os russos estão a “desmontar a Ucrânia por peças”, a destruí-la sistematicamente em todos os níveis, enquanto os europeus estão em “êxtase” com retórica vazia de líderes como Macron e Donald Tusk. Quando ouvimos o ministro polaco dizer que em três semanas destruíram duas refinarias e que têm mais brigadas que a Alemanha, Reino Unido e França juntos, estamos a assistir a uma fantasia militar que não corresponde à realidade. A Polónia não vai “despechar os russos em três semanas”, isto é delírio, é bravata, é a mesma histeria que levou a Europa ao desastre.

Agostinho Costa tem também a lucidez de recordar o que os media ocidentais preferem esquecer: que a Europa “foi invadida pela Rússia”, sim, mas no contexto de uma guerra que teve antecedentes e culpados que os analistas oficiais preferem omitir. E quando a jornalista tenta desqualificar as eleições russas, sugerindo que não há oposição verdadeira, o General responde com uma comparação devastadora: “Quem se manifestava contra a Segunda Guerra Mundial no Reino Unido, onde é que acabava?”, lembrando que em tempos de guerra existencial, a oposição é naturalmente limitada, e que isto não invalida a legitimidade do processo.

Mas talvez o momento mais brilhante da intervenção seja quando Agostinho Costa recorda a memória histórica do povo russo. Os russos lembram-se dos anos da Troika, lembram-se de Ieltsin a suspender a Constituição, lembram-se das filas para plantar batatas nas dachas para sobreviver.

E sabem que, se esta guerra correr de feição para o Ocidente, “não é o fim de Putin, é o fim da Rússia”, porque o que o Ocidente pretende é “esfrangalhar o país” e voltar a pilhar os seus 70 triliões de recursos naturais.

O General conclui com uma advertência que deveria ecoar em todas as chancelarias europeias: “É uma guerra existencial, um conflito existencial. Existencial para os dois países, entenda-se. Mas um tem armas nucleares, o outro não.” Esta é a realidade que os belicistas preferem ignorar: a Rússia não vai desistir, não vai aceitar nunca uma derrota, e tem os meios para tornar qualquer vitória pírrica do Ocidente num desastre civilizacional.

Agostinho Costa é uma voz rara, alguém que não se deixa levar pela histeria coletiva, que analisa os factos com frieza, que tem a coragem de contradizer a narrativa dominante e de lembrar aos europeus as contradições da sua própria retórica.

Num panorama mediático dominado por avençados de Bruxelas, por ex-condenados das secretas reciclados em analistas, por oportunistas que vendem medo para justificar mais gastos militares, a lucidez de Agostinho Costa é um bálsamo. É pena que seja uma voz tão isolada.

Ver o vídeo onde são proferidas as declarações de Agostinho Costa referidas no texto aqui

Apaziguamento? Não. Teatro para enganar incautos!

(Zé Oliveira Vidal, in Estátua de Sal, 19/09/2026, revisão da Estátua)

Imagens retirada do mural de João Gomes no Facebook

(Este artigo resulta da resposta a um comentário a um texto de Brian Berletic. que publicámos, sobre a submissão da Europa aos interesses dos EUA (ver aqui), e o dito comentário ver aqui. Pela sua acutilância na defesa de algumas posições incómodas – e por isso mesmo sempre polémicas -, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 20/09/2026)


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Não percebeste o artigo do Brian Berletic, e como tal continuas a ler mal a realidade: a Dinamarca não tentou apaziguar o Trump.

O regime vassalo/cliente da Dinamarca está de acordo com o que lhe foi exigido pelos EUA, independentemente do “Presidente” ser Trump ou Biden ou outro fantoche qualquer.

O teatro feito em público (ai, ai, ai, o Trump, ai, ai, ai, o abandono dos EUA, ai, ai, ai, a ameaça Russa) foi usado, de propósito, de forma coordenada entre Washington DC e Copenhaga e respetivas redes de PRESStituição desde o primeiro dia desta “ameaça de anexação da Gronelândia pelos EUA”.

Este teatro foi feito de forma a convencer a população da Dinamarca e da Europa de que o que estes regimes queriam fazer (mais bases militares dos EUA na Gronelândia, militarização do Ártico) seria no final uma coisa “aceitável”, porque “menos má” que a “ameaça” inicial.

Não houve tentativa de apaziguamento nenhuma. A vassala/cliente Mette Frederiksen, e companhia, prostra-se em total submissão em Washington DC desde que anda a subir na política Dinamarquesa.

O teatro não teria sucesso se fosse um monólogo do outro lado do Atlântico. Os EUA já há muito tempo que têm o seu exército de atores deste lado também.

Quando, de forma excecional, um vassalo/cliente (“cliente” porque usa o dinheiro do seu povo para comprar o que os EUA querem vender, acima de tudo armas e tecnologia com capacidades de vigilância orwellianas) sai da linha, como Sánchez fez em relação a “israel” versus Palestina, acontecem coisas como ameaças a sério, como se viu em Ceuta.

Mas o vassalo/cliente Sánchez percebeu, e como tal respondeu: – “Sim, mestre, peço desculpa pela desobediência”. E, nos dias seguintes, apesar de saber que o ataque a Ceuta instrumentalizando 70 mil imigrantes, –  com a respetiva cobertura 100% pró-sionista e 100% pró-VOX feita nas redes sociais do Tio Sam -, foi feito em coordenação pela ditadura de Marrocos, pela colónia ilegítima genocida de “israel”, e pelo império nazi terrorista dos EUA, o Pedrinho lá meteu o rabo entre as pernas e culpou… a Rússia de Putin.

Da mesma forma, a “negociação” dos 5% para a NATO em que a Espanha “conquistou” uma divisão mais equilibrada dessa militarização: “só” 3.5% diretamente para a Defesa/NATO, e 1.5% para questões de Segurança Nacional – é em tudo um teatro comparável ao que se passou agora entre os EUA e a Dinamarca em relação à Gronelândia.

Ou seja, onde num lado se queriam mais bases militares dos EUA, no outro lado queriam os 3.5% + 1.5% desde início. Onde num lado se “ameaçava” com a invasão e anexação da Gronelândia, no outro lado “ameaçou-se” com os 5% diretamente só para a NATO/Defesa. Onde num lado o vassalo/cliente disse que tudo iria fazer para se defender dessa invasão, do outro lado o vassalo/cliente disse que tudo faria para proteger os interesses dos contribuintes. Mas, no final, fez-se exatamente o que se queria, e em ambos os casos a militarização avança contra a Rússia, como parte da distribuição de tarefas contra a Rússia e Irão e China e companhia.

E, convenhamos, 3.5+1.5 continuam a ser 5. Ou seja, os europeus foram chamados de idiotas, e ainda por cima aplaudiram quem gozou com eles, e vão pagar até ao último cêntimo. Tal como a Ucrânia “paga” até ao último homem. E tal como a Venezuela agora paga até à última gota de petróleo. E tal como os vassalos/clientes no Golfo pagam até ao último dia de bloqueio. E tal como Taiwan e Filipinas pagarão também até ao último cêntimo e último homem na guerra que os EUA já planearam para o Mar do Sul da China e que, graças à vassalagem na Europa e Golfo, será mesmo possível e mais em breve do que se pensa.

Isto só será travado, pelo menos da nossa parte aqui na Europa, quando:

– a ditadura da UE for desmantelada,

– os países recuperarem soberania monetária em vez da ditadura do Euro,

– os criminosos de guerra da NATO forem julgados em Nuremberga 2.0 (idealmente realizada em Donetsk),

– o nazismo ucraniano e sua colaboração forem incondicionalmente ilegalizados e afastados da política europeia,

– as ideologias atlantista e sionista forem comparadas legalmente ao nazismo,

– o ICC for desmantelado para dar lugar a um tribunal internacional a sério que persiga Bush e Obama e companhia,

– se puser fim à nossa participação no FMI,

– os EUA forem bloqueados no SWIFT, e o Novo SWIFT (só europeu) for integrado nos meios de pagamentos dos países BRICS+,

– a NATO for desmantelada, e uma arquitetura de defesa europeia for assinada com a Rússia, deixando os EUA de fora,

– todos os políticos vassalos/clientes dos EUA/israel forem presos;

– toda a rede de PRESStituição for posta na rua, e substituída por jornalistas a sério como o Bruno Amaral de Carvalho,

– as redes sociais da CIA/NSA/Mossad foram bloqueadas na Europa, e substituídas por verdadeiras redes sociais livres e democráticas, descentralizadas, sem algoritmos manipuladores, e sem controlo por parte de nenhum Estado ou bilionário em particular,

– os EUA forem completamente bloqueados, sancionados, a nossa economia desdolarizada, e os meios de projeção dos EUA neutralizados (seja a proibição da presença das suas embaixadas, seja a proibição da passagem dos seus aviões e barcos de guerra no nosso espaço), ou seja. isolamento total,

– os cidadãos europeus forem reeducados para perceberem porque é que devem deixar de comprar/usar produtos dos EUA, pois até o simples ato de beber um refrigerante famoso significa que estamos a financiar as agressões do império dos EUA contra a Humanidade,

– e finalmente quando a “elite” económico-financeira do neoliberalismo for posta no olho da rua, com as necessárias nacionalizações compulsivas e restituição de bens ao povo (que os neoliberais chamarão de “roubo” ou “novo PREC”), de forma a termos um sistema económico mais justo, e líderes económicos mais capazes de seguir os bons exemplos da China.

Ou seja, está tudo por fazer, no que à salvação da Europa diz respeito e, enquanto nada mudar, continuaremos vertiginosamente a caminho da nossa própria desgraça.

E vou dizer isto preto no branco: gentinha que vai sorridente a reuniões da ditadura da UE ou da NATO (ou seja. o departamento do Pentágono na Europa) não pode continuar à solta na Europa! Têm de ser presos, e toda a sua estirpe afastada da nossa política e dos nossos ecrãs.

Isto não acontecerá pacificamente! E abominações, como a Meloni, a AfD, etc, não mudam absolutamente nada, pois nada mais são do que filiais do movimento MAGA, isto é. uma resposta antecipada do próprio regime imperial para enganar os que já estão fartos dos vassalos/clientes tradicionais nos respectivos países.

Nos países onde as eleições ainda mudam alguma coisa, este regime faz (ou tenta fazer) golpes ou guerras “civis”: Bolívia, Brasil, Venezuela, Nicarágua, Arménia, Moldávia, Ucrânia, Bielorrússia, Sérvia, Geórgia, Bangladesh, Nepal, Myanmar, Indonésia, Síria, Iémen, Iraque, Líbano, Níger, Mali, Sudão, África do Sul, etc.

Se não faz isso aqui, na Europa, é exatamente porque sabe que por cá nada muda, pois nem há qualquer tipo de democracia nem representatividade, nem existe sequer um acesso dos cidadãos a notícias reais e à verdade, de forma a que haja sequer uma maioria educada e informada que ameace o regime ou exija sequer uma mudança de política. É a distopia de George Orwell, mas ainda pior!

E, o facto de tu achares que a Dinamarca é “soberana” para sequer negociar um “apaziguar” com os EUA, e de pessoalizares a questão em Trump, é uma prova disso mesmo.

A esmagadora maioria das pessoas, mesmo as bem-intencionadas como tu, não fazem a ponta de um corno do que se passa na realidade. E, mesmo eu, por vezes sou enganado por este ou aquele teatro feito por este regime e seus vassalos/clientes.,Não tem mal nenhum admitir isto. O que importa é ir abrindo os olhos!

Assim sendo, muito obrigado à Estátua de Sal por finalmente publicar uma explicação adequada da realidade, dada pelo sempre exemplar, Brian Berletic.

Antes guerrilheiros da verdade do que mercenários da desinformação

(Bruno Amaral de Carvalho, in Facebook, 17/09/2026)


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A ONU diz que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra no Irão e é interessante rebobinar a fita para trás e recordar o que muitos jornalistas e comentadores disseram sobre o ataque contra a escola em Minab que vitimou 120 crianças. Desde o primeiro momento, trataram de cimentar a narrativa na opinião pública de que tinha sido o próprio Irão ou de que poderia ter sido um míssil norte-americano desviado pelas antiaéreas iranianas.

E isto não deixa de ser curioso porque quando se trata da Rússia a atacar a Ucrânia ou do Irão a atacar Israel, primeiro faz-se a acusação e só depois, eventualmente (quase nunca), as perguntas. Quando é o contrário, ou seja, a Ucrânia a atacar a Rússia ou Israel a atacar o Irão, primeiro fazem-se as perguntas e só depois, também quase nunca, a acusação. Provavelmente, são os mesmos que diziam que havia túneis do Hamas debaixo dos hospitais bombardeados. A opinião tomou conta da televisão e o poder dos comentadores também.

Nos últimos dias, falou-se muito de Pavlo Sadokha e de Irineu Teixeira. No primeiro caso, a propósito da sua morte, até se apresentou um voto de pesar em que se assinalava o facto de representar “uma perda particularmente sentida para a comunidade ucraniana em Portugal, mas também para todos aqueles que com ele partilharam a defesa dos valores da liberdade, da democracia, da soberania dos povos e da dignidade humana”.

É de facto extraordinário que um admirador assumido de Stepan Bandera, líder de uma milícia fascista que colaborou com os soldados de Hitler e que exterminou 120 mil judeus polacos, seja apresentado como alguém que defendeu os valores da liberdade, da democracia e até da dignidade humana. Apesar disto foi, curiosamente, elogiado pela grande referência da propaganda israelita que dá pelo nome de Helena Ferro Gouveia.

Pavlo Sadokha foi assessor de um deputado ucraniano de extrema-direita e, em Portugal, usou a sua qualidade de membro do PSD para instigar a autarquia de Lisboa a impedir a realização de debates. Propôs a proibição de partidos políticos em Portugal e tentou impedir a publicação do meu livro contactando a minha editora nesse sentido e, posteriormente, instigando o sector da comunidade ucraniana mais extremista a protestar nas apresentações do meu livro. Enquanto comentador televisivo nunca conseguiu esconder que estava contra a celebração do dia da Vitória da União Soviética sobre o nazi-fascismo, data que continua proibida pelo regime ucraniano.

Na mesma senda, Irineu Teixeira, que apareceu como um jornalista desportivo a falar da guerra na Ucrânia por ser casado com uma ucraniana, à semelhança do jornalista Luís Ribeiro, não escondeu, numa das primeiras entrevistas, que não conseguia nem queria ser imparcial sobre o que ali estava a acontecer.

A sua radicalização, tornando-o um ídolo da extrema-direita portuguesa, cresceu a par da desinformação. A sua má preparação, o tom permanente de propaganda despudorada, o recurso repetido a fontes duvidosas, muitas vezes desmentidas, e o seu discurso de ódio conviveram livremente durante demasiado tempo no NOW.

Há um tom performativo da extrema-direita que precisa de ser desmontado. Tenta-se dar a ideia de que os comentadores mais extremistas são alvo de censura e que as televisões estão dominadas pela esquerda. André Ventura tem mais tempo de antena que qualquer um dos outros políticos, passeando-se quase todas as semanas pelos estúdios televisivos e há comentadores residentes que comentam tudo e um par de botas, da Ucrânia aos incêndios e de Luís Neves ao Irão, sem qualquer preparação para além dos soundbites que algum partido ou embaixada lhes envia.

À medida que os tambores da guerra soam, aponta-se o dedo a inimigos externos e internos. Justificam-se narrativas por mais absurdas que sejam para calar vozes incómodas e empurram-se os dissidentes para o cadafalso. A nossa democracia já estava podre e os mesmos que a apodreceram fingem agora que vão pôr o país e o mundo na ordem.

Elon Musk, Zuckerberg e companhia põem os algoritmos ao serviço da extrema-direita, os liberais do PS e PSD aprofundam a crise e afundam-nos na miséria para nos entregar de bandeja aos salazares do século XXI.

 Em qualquer época, o fascismo foi o cavalo de Troia das elites aproveitando-se do legítimo descontentamento generalizado para impor regimes que acabaram naquilo que todos conhecemos: inferno para os pobres, paraíso para os ricos.

Neste mar de desinformação, a verdade é mais necessária do que nunca. E mesmo que seja uma batalha quixotesca, não há orgulho maior do que não estar do lado dos poderosos. Antes guerrilheiros da verdade do que mercenários da desinformação.