Os quatro farsantes

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 15/06/2026, Revisão da Estátua)

Da esquerda para a direita: Chouriço, Urineu, Nojeira e Milhafre

Ultimamente, tem havido um grande e agitado debate comunicacional em torno da campanha da Ucrânia para, alegadamente, “isolar a Crimeia” através de ataques com drones de longo alcance.

No entanto, esta campanha é apenas a mais recente de um reciclado conjunto de iniciativas ucranianas de guerra de informação e operações psicológicas que aparecem anualmente, em simultâneo com as ofensivas russas de verão, com a finalidade de controlar a narrativa de forma favorável à Ucrânia e assim desviar a atenção do público das realidades no campo de batalha.

O propósito é sempre o de criar uma onda divergente que dê a ideia de uma “crise iminente” na operação das forças russas de forma a afastar a atenção das próprias imensas perdas da Ucrânia no campo de batalha, que estão agora concentradas sobretudo na frente de Konstantinovka, que está a colapsar e onde as forças russas pretendem confirmar a captura de mais uma grande “cidade-fortaleza” no Donbass.

Isto não significa que esta recente campanha da Ucrânia sobre a Crimeia não tenha tido qualquer efeito, mas sim que esses efeitos estão a ser grandemente exagerados pelas habituais agências de propaganda ocidentais e difundidos serviçalmente pelos media e comentadores avençados do sistema.

Esta campanha de informação já atingiu um nível tão desesperado que chegou a utilizar imagens de videojogos para tentar aumentar as impressões sobre os efeitos que os próprios ataques são incapazes de produzir.

Aqui na terrinha, os maiores farsantes podem ser vistos no NOW com o Chouriço e o Urineu e na SIC com o Nojeira e o Milhafre, o que aliás já não é novidade nesses canais.

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Da propaganda odiosa à sensação de ridículo

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 24/05/2026, Revisão da Estátua)


Julgando tratar-se do argumento infalível vazado do princípio a que comummente se chama navalha de Occam, os inimigos da Rússia – aqueles que ainda há anos afirmavam ser a Rússia uma bomba de gasolina armada de armas nucleares – repetem ad nauseam «não haver uma só marca russa», argumento a que infalivelmente acrescentam «não ter a Rússia vencido a guerra em quatro anos de combates».

Ora, se a Rússia não tem a Zara, a Hermès, a L’Oréal ou a Amazon, possui os Orechnik, os Kinzhal, os Zircon, os Sukhoi Su-57, os Sukhoi Su-35, a Estação Espacial Internacional, a Rosatom e a maior produção de isótopos para a medicina nuclear. Entre trapos, perfumes e chefs, a Rússia tem engenheiros, cientistas e tecnólogos que proporcionalmente excedem a soma de todos os seus pares internacionais.

Quanto ao aspecto militar, se Israel não conseguiu tomar Gaza, território com a dimensão da Costa da Caparica, se os EUA foram batidos por pastores de sandálias no Afeganistão e agora retiram humilhados da guerra com o Irão invicto, a Rússia bateu uma coligação de 27 Estados que se empenharam encarniçadamente para a bater económica, política e militarmente sem, contudo, o lograrem.

A simplificação serve para alimentar a propaganda, mas esta só é convincente se acertar com os factos. Ora, estes demonstram que a Rússia se mostrou superior na tecnologia e na guerra, pelo que as ilusões da propaganda, tantas vezes odiosa, em breve darão lugar a uma inocultável sensação de ridículo.

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A propaganda da comunicação social

(Rui Lima, in Facebook, 30/04/2026, Revisão da Estátua)


A cronologia

Fim de semana de 25-26 de abril de 2026: Surge o suposto “Alarme lançado por diretores de escolas, professores e associações de pais”.

Não existe qualquer declaração pública, comunicado de imprensa, conferência ou documento oficial identificável que tenha sido emitido coletivamente por estas entidades. Os media limitam-se a referir genericamente este “alarme” como facto consumado, sem citar nomes concretos de diretores, associações ou datas exatas de reuniões.

25-26 de abril de 2026 (dia anterior aos artigos principais): Uma apresentadora de televisão da RTP aborda o tema em direto ou segmento noticioso. Este segmento foi um “gatilho” inicial, repetindo uma narrativa antes de qualquer artigo escrito ser publicado. Ver aqui.

26 de abril de 2026 (08:28): o Jornal de Notícias publica “Professores alarmados com o discurso de ódio: ‘O ar que se respira está mais pesado’”. É o primeiro grande artigo do dia. Ver aqui.

26 de abril de 2026: a SIC Notícias publica o vídeo/artigo “Aumento do discurso de ódio nas escolas preocupa comunidade escolar”. Usa exatamente a mesma frase de abertura: “O ministro da Educação, Fernando Alexandre, não quer, para já, pronunciar-se sobre o alarme lançado este fim de semana por diretores de escolas, professores e associações de pais”. Ver aqui.

27 de abril de 2026 (10:02): Expresso publica “Diretores alertam: raparigas e imigrantes alvo de ódio crescente nas escolas”. Repete a mesma frase sobre o “alarme lançado este fim de semana” e inclui o mesmo exemplo de “namorados a exigirem a localização das raparigas”. O artigo reforça a narrativa com declarações “à la carte” da comunidade escolar, sem novas fontes nominais. Ver aqui.

27 de abril de 2026 (mesmo dia): Correio da Manhã / CMTV difundem vídeos idênticos com o título “Diretores e professores alertam para o aumento do discurso de ódio nas escolas”, reproduzindo os mesmos exemplos e culpas. Ver aqui.

A Falta Total de Dados e a Coordenação Evidente

  • Frases copiadas e coladas

Todos os artigos usam a expressão exata: “alarme lançado este fim de semana por diretores de escolas, professores e associações de pais”. Não se trata de coincidência jornalística – é linguagem idêntica, como se partissem de um briefing ou nota interna comum.

  • Exemplos repetidos

“Namorados exigem a localização das raparigas para controlarem todos os passos.” “Troca de insultos racistas que acaba em rixas.”

Estes dois casos aparecem em SIC, Expresso, JN e CMTV sem qualquer variação ou testemunho concreto (sem nomes de escolas, alunos ou datas).

  • Culpa atribuída sem prova!

Todos os órgãos apontam os mesmos responsáveis: redes sociais, influenciadores e o partido Chega. A comunidade escolar “concluiu” isto, segundo os artigos, sem citar qualquer estudo, inquérito ou relatório que sustente a ligação direta.

Única “evidência” mencionada e é irrelevante: Todos citam o mesmo estudo de literacia digital da UE (4 em 5 adolescentes portugueses expostos a conteúdo prejudicial). Este estudo é antigo, genérico e não mede incidentes de ódio nas escolas portuguesas em 2026. Não existe qualquer dado oficial (relatórios do Ministério da Educação, APAV, PSP ou IAVE) sobre aumento real de queixas ou incidentes no ano letivo em curso.

  • Ausência absoluta de números

Zero estatísticas: quantos casos? Comparação com 2025 ou 2024? Zero. Apenas impressões subjetivas de “diretores” anónimos. O ministro Fernando Alexandre recusa-se a comentar o que os media transformam em mais “prova” da gravidade, sem exigir dados ao próprio Governo.

  • O objetivo subjacente

A narrativa serve claramente para legitimar maior regulação das redes sociais (como já defendido por vários partidos e eurodeputados).

Isto não é jornalismo independente e é grave. É uma campanha, com timing preciso, linguagem uniforme e zero de substância empírica. A apresentadora, os comentadores e os jornais atuaram em uníssono, transformando “impressões” em “alarme nacional” sem um único estudo ou dado oficial.

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