Agostinho Costa: “A Europa é o Titanic preste a afundar”.

(Agostinho Costa, in Bitalk – Negócios à Portuguesa, YouTube, 02/12/2025)

(Continuamos na alucinação e a brincar com o fogo. Queremos mesmo uma guerra que destrua o mundo. Estamos nas mãos de loucos. Na sequência dos últimos acontecimentos relativos ao conflito na Europa entre a Ucrânia e a Rússia, o especialista em segurança e defesa Major-General Agostinho Costa analisa os principais detalhes dos mais recentes acontecimentos. A Europa está a desfazer-se mas continua a querer impulsionar a guerra.

Uma verdadeira aula de geopolítica onde Agostinho Costa expõe as suas ideias sem ser pressionado por limitações de tempo como acontece nas suas intervenções na CNN.

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Não se sabia isto há já muito tempo? 

(Pedro Tadeu, in Diário de Notícias, 31/10/2025)

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A teoria do agenda-setting já é bem velhinha e foi explicada por Maxwell McCombs e Donald Shaw, em 1972, no livro The Agenda-Setting Function of Mass Media. Aí se explica que os meios de comunicação não dizem ao público o que deve pensar, mas sim sobre o que deve pensar. 

Sabemos isso há muito tempo, mas aceitamos que André Ventura torne temas centrais dos noticiários a imigração, a criminalidade ou a “subsidiodependência”. Saúde, habitação, salários, impostos, leis laborais ou guerra passam a assuntos secundários. 

São tantos, à minha volta, os que estudaram a teoria do framing (enquadramento), inicialmente definida em 1954 por Gregory Bateson e que, combinada nos anos 70 com a teoria do priming, defende que a representação de um fenómeno social como “ameaça” ou “injustiça” molda a forma como o público o entende, mesmo que não exista aí qualquer ameaça ou injustiça real. 

Porém, demos cobertura à associação sistemática entre “imigração” e “crime”, “subsídios” e “insegurança”, que André Ventura construiu para ativar um quadro moral de medo e ressentimento. 

Murray Edelman, também no longínquo ano de 1964, no livro The Symbolic Uses of Politics, explicou que os líderes políticos constroem imagens e rituais que satisfazem emoções coletivas mais do que argumentos racionais. 

Ventura compreendeu essa lógica. Os seus outdoors provocatórios, como o “Isto não é o Bangladesh”, comunicam aos seus eleitores que ele é “um dos nossos” contra “eles”: o sistema, os privilegiados, os estrangeiros. 

Noam Chomsky e Edward Herman escreveram, em 1988, Manufacturing Consent, onde afirmam que os media reproduzem os interesses do poder. 

Ventura inverte essa ideia e apresenta-se como vítima desse poder mediático, acusando os jornalistas de censura e manipulação. É uma contra-agenda: ao atacar a comunicação social, obriga-a a falar dele. 

Sabemos tudo isto há décadas – está estudado, debatido, documentado – e, no entanto, André Ventura continua a usar com sucesso todas estas velhas técnicas de propaganda e dá espetáculo cheio de conflito, drama, linguagem básica, declarações curtas. A imprensa, que vive da urgência e da controvérsia, da caça à audiência, “come” toda esta papinha. 

Que fazer?… Tenho uma sugestão: 

Quando André Ventura fala de “Salazar”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala de “ciganos”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala de “corrupção”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala de “sistema”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala de “subsídio-dependentes”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala de “insegurança”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala “Isto não é o Bangladesh”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala de “burcas”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala de “República podre”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Quando André Ventura fala de “bandalheira”, devíamos responder “pacote laboral”. 

Enfim, quando André Ventura abre a boca, devíamos responder “pacote laboral” e, em vez de barafustar com ele, deixá-lo a berrar sozinho – e confrontar, antes, Luís Montenegro: esse sim, está a meter-se na nossa vida com as novas leis laborais que pretende aprovar, provavelmente com o apoio de André Ventura, que, sobre isso, anda muito caladinho. 

Nobel Prémio Paz – a quanto me obrigas

(Celestino Borges, in Facebook, 11/10/2025, Revisão da Estátua)


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Adivinhem quem é que pediu uma invasão dos Estados Unidos contra a Venezuela? A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem quem é que apoiou as sanções e o bloqueio que asfixia e empobrece os venezuelanos? A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem que é que nunca reconheceu a existência do genocídio em Gaza e o direito a autodeterminação do povo da Palestina? A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem quem apoiou Israel na recente guerra com o Irão, dizendo, inclusive, que tinha sido Israel a ser atacado primeiro e que por isso ripostou? A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem quem é que já recebeu – e continua a receber – milhares de milhões de dólares em ajudas para a sua campanha por parte de Israel e isto, apesar dela e sua família serem multimilionárias?  A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem quem é que mantém contactos frequentes e assíduos com a CIA e com a Mossad (são a mesma coisa para os mais distraídos), facto reconhecido e nunca desmentido? A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem quem é que tem e mantém relações estreitas com os EUA e Israel e os seus mais altos representantes e dignitários, Trump, Netanyahu e Herzog? A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem de quem se fala e se diz nos bastidores ser uma agente infiltrada da CIA/Mossad na América Latina?

 A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem quem é que será a próxima presidente da Venezuela se tudo correr conforme o planeado? A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Adivinhem quem é que discursou através de um vídeo gravado na conferência internacional de extrema-direita em Madrid onde também participou o Chega e o seu líder, André Ventura? A Nobel da Paz, María Corina Machado.

Premiar uma apoiante de Israel e da guerra genocida levada a cabo por Netanyahu contra o povo palestino, que bela maneira que o Comité Nobel escolheu para assinalar o início do cessar-fogo em Gaza…

A única questão aqui é: qual é o teu espanto e a tua dúvida?! Ah, espera. Não ter sido o Trump o premiado?! Esquece lá isso. Dava muito nas vistas ser agora. Será, seguramente, o próximo contemplado, mesmo que a título póstumo.

Parabéns María Corina Machado! Parabéns CIA/Mossad! Parabéns EUA/Israel!

Juntos, fizeram um excelente trabalho de cosmética e marketing!

Quanto ao Comité Nobel não me pronuncio. Faz tempo que sei o que são e ao que vêm.


Aproveitando a reunião na capital espanhola, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, enviou uma mensagem na qual agradeceu aos dirigentes o apoio e a firme rejeição do presidente Nicolás Maduro, cuja reeleição em julho último é questionada pelos seus detratores.

“Vamos tirar este regime do poder”, mas “precisamos de vós (…) É imperativo que as nações democráticas do mundo nos acompanhem com todos os vossos esforços, com todas as vossas ideias, com todas as vossas ações para conseguir uma transição ordenada na Venezuela”, disse María Corina Machado.


NOTAS

1. Os únicos factos que eventualmente questionarás – e é mesmo muito provável que tal aconteça -, serão a presença do André Ventura e da María Corina Machado (com um vídeo gravado) nessa cimeira dos patriotas em Madrid e a designação de “extrema-direita”. Mas não sou eu que os estou a qualificar. Foram os próprios. Como se pode constatar pelos links que seguem aqui e aqui.

2. O que escrevi nada tem que ver com esquerda ou direita. É apenas o meu humilde contributo para saberes quem é quem e o porquê das coisas. Mormente, quem é a María Corina Machado e porque razão terá ganho o Nobel da Paz. Tão só isto.