Belmiro, o holandês

(Dieter Dillinger, in Facebook, 29/11/2017)

belmiro

Morreu o grande empresário “holandês” Belmiro de Azevedo, acionista mais ou menos maioritário das seguintes empresas holandesas:
Sonaecom BV
Soflorin BV
Sonvecap BP
Sopnae Investments BV
Sonatel BV.

Este grande FDP não pagava impostos na Pátria enquanto era ele mesmo um gigantesco imposto entre a agricultura portuguesa que destruiu e os consumidores e trabalhadores das filiais portuguesas das empresas do grupo Sonae como o Continente sediadas na Holanda e, provavelmente, ainda noutros países.

O “holandês” Belmiro Azevedo que era muito menos português que eu, apesar do meu nome, foi um dos grandes responsáveis pela destruição da agricultura portuguesa porque importava quase todos os produtos alimentares que vendia à excepção de alguns vegetais como alfaces, couves, tomates e poucas frutas como uvas e peras por serem muito perecíveis e estragarem-se no camiões TIR ou contentores. O gajo mandava vir o feijão branco do Peru e da Argentina, etc.

Também ajudou a destruir a indústria nacional de bicicletas e de certos eletrodomésticos porque pagava tão mal e tinha uma posição tão MONOPOLISTA que as respetivas fábricas acabaram todas falidas. Algumas recuperam agora graças à exportação.

O PATIFE até mandava imprimir em Espanha os milhões de folhetos com que ajudava a sujar as ruas da PÁTRIA e em que cada produtor referido  num artigo publicitado pagava mais do dobro do custo de pequeno espaço. O GAJO ganhava milhões com a sujidade que lançava nos patamares e caixas de correio dos nossos prédios e que acabavam depois na rua.

Com o colega Santos contribuiu para a desertificação do interior da PÁTRIA e, como tal, para os grandes incêndios.

Belmiro e Santos são responsáveis pela baixa natalidade portuguesa por pagarem salários que tornam impossível a um casal trabalhador ter filhos e viver, mesmo que os dois cônjuges tenham que trabalhar,  ou então terão que ser os avós a ajudar a criá-lo.

Graças a um pequeno grupo de capitalistas, entre os quais está o bem morto à frente, a PÁTRIA perdeu nestes últimos quarenta e tal anos cerca de cinco milhões de PORTUIGUESES, que foram os não nascidos mais os que imigraram. Isto, apesar do aumento da esperança de vida que manteve mais de 2 milhões de portugueses em vida para além dos 70 anos de idade, mas que nada devem aos FDP como o Belmiro e o Santos.

VIVA PORTUGAl, MORTE AOS TRAIDORES QUE PAGAM OS SEUS IMPOSTOS NA HOLANDA, LUXEMBURGO, etc.

Belmiro viveste para roubar e impedir o desenvolvimento da PÁTRIA de todos os Portugueses menos de ti. Foste um TRAIDOR.

Um grande ABRAÇO aos deputados COMUNISTAS que votaram na AR contra o voto de pesar pela morte do CANALHA.

Chega de reformas estruturais?

(Paul de Grawe, in Expresso, 26/08/2017)

 

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Paul de Grawe

É tempo de as instituições internacionais virarem as suas receitas de reformas estruturais para os Estados Unidos e deixarem a Europa sossegada.


Não há semana em que a Comissão Europeia, a OCDE, o Fundo Monetário Internacional (FMI), um grande banco central ou um exército de economistas do sector financeiro não venha avisar-nos de que é extremamente urgente fazer reformas estruturais. Sem estas reformas é certo que vão acontecer coisas terríveis. Com reformas, pelo contrário, entramos no paraíso económico.

A palavra “reforma” tem conotações positivas. Sugere que a realidade em que vivemos não é boa e precisa urgentemente de mudanças. Quando formulada desta forma, nenhuma pessoa sensata pode estar contra as reformas.

O que me faz desconfiar quando oiço a palavra reforma é que só é usada para exortar os governos da Europa continental a mudarem de política. Nunca é usada para dar uma lição às autoridades americanas ou britânicas. Nunca ouvi um banco central ou outra instituição internacional dizer que a economia americana precisa de reformas porque tem problemas estruturais. Em vez disso, a economia americana é invariavelmente vista como “flexível” e é dada pelas mesmas instituições como um exemplo a seguir.

A palavra reforma tem um significado muito específico. É uma agenda com uma teoria subjacente. Começa com o chamado Consenso de Washington: uma série de intervenções políticas preconizadas nos anos 90 pelos think tanks de Washington. Estas intervenções deveriam garantir uma maior concorrência, não apenas nos sectores tradicionais (aço, automóveis, têxteis, etc.) mas também no total da economia: no sector financeiro, nos mercados de trabalho, no sector dos serviços, incluindo a assistência na doença e os seguros de saúde, e porque não no sector da cultura, incluindo o ensino. A livre concorrência deve ser a dinâmica que desencadeia novos poderes criativos nunca vistos em todos esses sectores.

E assim a Europa tem sido bombardeada com exigências políticas de instituições internacionais nos últimos 25 anos no sentido de transformar toda a sua economia de forma a que ela se aproxime cada vez mais do modelo da perfeita concorrência.

Não vou discutir que a concorrência não possa ser benéfica. Por exemplo, estou convencido de que a concorrência é a base das revoluções tecnológicas que conhecemos nos últimos 200 anos e que nos conduziram a aumentos de prosperidade sem paralelo.

No entanto, a questão é até onde vamos na imposição de concorrência em sectores em que a resistência é elevada. O mercado de trabalho deve funcionar como o mercado da batata? Se há um excesso de batatas, o preço cai. Isso quer dizer que devemos aplicar esta dinâmica ao mercado de trabalho? Se há desemprego, devemos então assegurar que os salários baixam, como o preço das batatas desce quando há produção em excesso?

Uma diferença crucial entre o mercado de trabalho e o mercado da batata é que os trabalhadores protestam e por vezes derrubam todo o sistema quando são atingidos por baixos salários. As batatas, por seu lado, não protestam nem derrubam o sistema.

A concorrência cria dinâmicas criativas fantásticas. Ao mesmo tempo, a concorrência também destrói vidas de seres humanos que têm azar ou não conseguem ajustar-se. A concorrência deve portanto ser aplicada com cautelas.

A concorrência também cria um paradoxo. Algumas empresas têm grande êxito e fazem lucros incrivelmente grandes. Tornam-se por isso extremamente poderosas do ponto de vista financeiro e vão usar muitas vezes esse poder financeiro; adivinhou, para diminuir a concorrência. Fazem isto engolindo os seus concorrentes e comprando políticos que deveriam impedir as empresas de ficarem tão grandes. Isso acontece nos Estados Unidos. Desde os anos 80 do século passado, a economia norte-americana tornou-se mais concentrada. Muitos sectores são hoje dominados por um punhado de extremamente bem-sucedidos jogadores. O reverso tem acontecido na Europa, onde em muitos sectores há hoje mais concorrência do que nos Estados Unidos.

Estas tendências monopolistas nos EUA também conduziram a uma situação em que uma crescente percentagem do PIB passou para o fator capital. Também explica porque nesse país o trabalhador médio está descontente e votou em Trump. É tempo, pode pensar-se, para levar a cabo reformas estruturais na economia norte-americana. É tempo também de as instituições internacionais virarem as suas armas da reforma estrutural para os Estados Unidos e deixarem a Europa sossegada.


Professor da Universidade Católica de Lovaina, Bélgica

A Altice põe em causa a livre concorrência

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 27/07/2017)

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As declarações de António Costa no Parlamento sobre a Altice foram estranhas. Não foram estranhas porque não se possa falar de empresas privadas para as criticar. O poder político não tem de ser neutro perante empresas que considere serem nocivas para o interesse nacional. A separação de poderes não inclui o mercado, porque o mercado não é um poder com reconhecimento constitucional. O problema das declarações de António Costa sobre a Altice e as empresas que agora detém é serem quase apartes. Quando um governante decide criticar uma empresa privada deve ser muito claro e preciso nas razões que o movem. Todos nos lembramos da intervenção de Sócrates nos negócios entre a PT e a Oi. E todos aprendemos alguma coisa com isso.

A entrada da Altice em Portugal é péssima para o país. Esta empresa tem hábitos comerciais e concorrenciais predatórios e pouco éticos. Tem uma gestão laboral selvagem, que pretende sempre contornar a lei – isso já está a ser experimentado pelos trabalhadores da PT – e que facilmente contamina, por necessidades de concorrência, as empresas do mesmo sector. E é um grupo muitíssimo endividado, que não deixa de ser muito generoso para os seus acionistas e muito pouco recomendável para os seus credores e fornecedores. É, resumindo, uma empresa manhosa, com hábitos manhosos e que nada contribui para a saúde da nossa economia em geral e do sector das telecomunicações e da comunicação social em particular.

Acresce a tudo isto um pormaior: a compra da TVI por quem detém a operadora MEO põe em causa, através da concentração e provável favorecimento de um canal de televisão por parte de um distribuidor, a livre concorrência.

A compra da TVI pela Altice deve, por isso, incomodar todo o espetro político, incluindo os autodenominados “liberais”. Mas, ao que parece, os liberais de lombada apenas o são para exigirem o silêncio do Estado em qualquer assunto que se relacione com o mercado e as empresas privadas.

A parte da regulação e do combate à concentração, fundamental para qualquer liberal com algumas leituras, escapou-lhes nos cursos intensivos dados em universidades de Verão.

Nesta matéria, a intervenção do poder político e das entidades reguladoras é especialmente importante. Os jornalistas gostam pouco de hostilizar empresas para as quais podem, eles próprios, vir a trabalhar. Por isso, não é de esperar grande escrutínio mediático. A intervenção do poder político e das entidades reguladoras é ainda mais importante. Mas isto não se faz através de bocas no Parlamento. Faz-se de forma séria, coerente e determinada. Predicados que ultimamente parecem faltar a António Costa.


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