2018: “Annus Horribilis” para o Capital Nacional e Mundial.

(Dieter Dellinger, 12/01/2019)

bolsas_mercados_trader_7

O ano de 2018 foi um ano bom para a economia nacional que cresceu mais de 2% com o turismo a puxar e a execução orçamental deve apresentar um saldo próximo do zero, o que é inédito neste século e não foi verificado muitas vezes no século XX e XIX.

Contudo, numa contradição pouco explicável foi um “annus horribilis” para os grandes capitalistas detentores de avultadas participações de empresas cotadas nas bolsas de todo o Mundo.

A Bolsa de Lisboa fechou o ano com uma desvalorização de 12,2% que foi o pior ano desde 2014 em que o colapso do Grupo Espírito Santo arrastou quase todas as ações cotadas para baixo.

Os 18 grupos cotados na Bolsa perderam mais de 3 mil milhões de euros, apesar de em 2017 ter havido um ganho global. Contudo, o poder de compra dos portugueses aumentou em 2018 e, bem assim, os créditos concedidos.

A explicação respeitante a esta queda global tem a ver com vários fatores dos quais o primeiro é a falta de confiança das classes médias relativamente a fundos de participação em ações e mesmo nos títulos das próprias empresas associado ao pagamento de dividendos muito baixos. Bancos, Financeiras, Fundos, etc. enganaram gente a mais para poderem ver as suas fortunas crescerem.

A maior parte das grandes empresas nacionais que restam possuem modelos opacos de financiamento e desvio de dinheiros para foram que não atraem quaisquer investidores em ações, salvo quando há grandes negócios de tomadas de posições, mas isso já só tem a ver com capitais estrangeiros e é fora que se fazem os grandes negócios.

O PSI 20 que agora é de apenas 18 empresas sobe e desce todas as semanas, mas é porque há quem jogue na bolsa ao comprar em baixa, o que faz aumentar a cotação bolsista, para de imediato vender com um pequeno lucro, fazendo de novo baixar a cotação.

Em termos gerais, interessa o resultado de um ano inteiro e aí sim houve perdas consideráveis.

A maior perda de fortuna na bolsa foi, pelos dados que tenho, a da família Soares dos Santos que desvalorizou em 1.851 milhões de euros. Que ninguém tenha pena deles porque os seus 56.136% do Grupo Jerónimo Martins ainda valem 3.652,7 milhões em termos acionistas, não se sabendo qual o montante das dívidas, pois a expansão do grupo na Polónia e agora na Colômbia deve ter implicado o recurso a avultados créditos.
A família Azevedo fechou o ano com perdas de 348,8 milhões, reduzindo-se a sua participação nas empresas do Grupo Sonae a um valor 1.032 milhões.

O clã Queiroz Pereira teve ainda menos sorte porque o seu portefólio acionista quebrou em 374,7 milhões de euros, mantendo-se a sua fortuna em 2.033 milhões de euros, apesar da importância do papel na Semapa e na Navigator.

A construtora Mota-Engil foi a empresa que mais caiu na medida em que os outros são grupos de empresas. O António Mota e família perdeu 315,7 milhões com um património acionista avaliado a 31.12.18 em apenas 246,5 milhões e muitas obrigações para cumprir ou pagar.

A Isabel dos Santos perdeu 51,7 milhões de euros na NOS e na participação na GALP, ficando com um património de 1.655,2 milhões de euros, apesar de ter tido um ganho de 15,3 milhões com a venda do BPI e outros negócios, mas foi a queda das ações a GALP que lhe tiraram 67 milhões de euros.

O Manuel Champalimaud, filho do falecido António, perdeu nos 12,88% que detém nos CTT a pequena quantia de 3,4 milhões de euros.

Olhando para as empresas cotadas independentemente de quem é o proprietário das suas ações só vemos miséria, isto é, sinais – à frente da variação anual. Assim, observa-se -18,48% nos CTT, -9,58% na Galp Energia, -20,99% na IBERSOL, -57,41% na Mota-Engil, -20,99% no Jerónimo Martina, -33,55 na Novabase, -5,03% na NOS, -36,15% na Pharol, -16,05 na Navigator, -0,81 na REN, -27,55% na Semapa, -29,84% na Sonae. -4,48% na SAD do F. C. do Porto, -26,98% na Media Capital, -1,49% na SAD do Sporting e uns gloriosos +53,76% na SAD do Benfica.

A COFINA do pasquim Correio da Manha subiu 21,29%, mas as suas ações estão a 0,564 Euros, abaixo daquilo que considero o valor zero, ou seja, o preço de uma bica.

Claro que não se trata de uma fenómeno português, porque se formos para a Daimler (Mercedes) vemos uma quebra anual de -35,97%, na VW -17,27%, na VINCI (Dona dos aeroportos portugueses) a queda foi de -15,87%, o Deutsche Bank caiu -55,20%, os Correios Alemães (Deutsche Post) -39,17%, o Banco Santander caiu -27,07%, a BMW -19,28%, o Bank of America -16,20%, o Citygroup -27,78%, a Colgate-Palmolive -21,37%, o banco Morgan-Stanley desceu 22,38%, a Caterpiller -19,31%, o Facebook Inc. -24,63%, a General Motors -36,41%, a Ford Motor Co. -36,41%, General-Dynamics (armamentos) -21,71%, etc.

Se continuasse nunca mais acabava de pôr números negativos.

O capitalismo sofre uma crise tremenda porque é votado negativamente a nível mundial através da ausência de compra de ações por outras pessoas que não sejam os jogadores do dia a dia que chegam a comprar de manhã para venderam à tarde. O cidadão comum apesar de enfrentar uma quebra muito grande nos juros das suas poupanças não arrisca no capital, comprando ações.

No fundo, todos temos telemóveis e computadores, automóveis e frigoríficos, roupa barata da China e salários baixos. O capitalismo inventou quase tudo e os chineses, indianos, paquistaneses, trabalhadores do Bangla-Desh, etc. trabalham por muito pouco.

O capital vê nos bens dos Estados, principalmente nos hospitais, escolas e universidades uma única saída para ganharem dinheiro com os impostos dos contribuintes.

Por si próprios não parecem capazes de inverter a situação.

Anúncios

A meritocracia não consegue redistribuir a riqueza?

(Daniel Deusdado, in Diário de Notícias, 04/01/2019)

desigualdade

Quem não viu a edição deste fim-de-semana do DN perdeu um conjunto de artigos para guardar. Dois deles – páginas 72 e 73 – do Prémio Nobel, Joseph Stiglitz, e de Gordon Brown, antigo primeiro ministro britânico, deixam-nos no ponto certo para perceber, por um lado, a conta a pagar nas economias pelas loucuras de Trump; por outro, o enorme risco da globalização acabar em protecionismo exacerbado. Mas o fio condutor dos artigos tem na base, de forma implícita, a questão central do nosso tempo: como redistribuir a riqueza. Porque, no essencial, é sempre disto que estamos a falar.

Trump é o melhor produto da alucinação coletiva da América: diminui impostos aos rendimentos mais elevados e às grandes corporações, na ilusão de que isso gere mais investimento e emprego. O emprego, no entanto, é cada vez de pior qualidade e não resolve a equação dos que ficam de fora.

Aliás, uma sociedade onde os que têm rendimentos lutam pela diminuição da assistência à saúde (Medicare) dos outros está profundamente doente. É o expoente absoluto de como a meritocracia se transformou numa ideologia febril, que glorifica apenas a vitória individual e desdenha as causas que levam muitas dessas pessoas à exclusão.

O défice da América está já ao nível do trilião de dólares (bilião de euros) e agora, segundo Joseph Stiglitz, até os milionários se assustam sobre quanto vão custar todos os truques para garantir a reeleição de Trump. Porque, apesar do colossal défice dos Estados Unidos – na casa dos 5% -, a injustiça social continua a agravar-se.

Stiglitz assinala que o ataque à sinagoga judaica em Pittsburgh, onde morreram 11 pessoas em Outubro, lhe fez lembrar a “noite de cristal” de 1938, quando forças paramilitares atacaram judeus por toda a Alemanha com a conivência de Hitler. Apesar das diferenças, note-se o paradoxo: este atirador não é do Daesh nem um muçulmano a gritar “Allahu Akbar”. Robert Bowers, branco, de 46 anos, é pura e simplesmente antissemita e anti-imigração. Um entre milhões.

O que pretendem estes atiradores repletos de ódio na América de hoje? Um emprego? Mais riqueza? Outra vida? Esta sociedade dividida entre os que “conseguem” e os que “não conseguem” desemboca onde?

“Nenhum país sozinho pode resolver problemas como a desigualdade, a estagnação salarial, a instabilidade financeira, a evasão fiscal, as mudanças climáticas, as crises de refugiados e a imigração”, dizia Gordon Brown, no passado domingo, neste jornal. Isso significa que toda a globalização de mercadorias, de fluxos financeiros, a livre circulação de pessoas e, sobretudo, a partilha e transferência de conhecimento a uma velocidade estonteante pelas redes digitais, precisa de uma coerência entre países e classes sociais. Caso contrário, tudo isto é apenas “business”, sem humanidade por detrás de cada rentabilidade.

A já caricatural estatística de que 80% da riqueza mundial está com 1% da população, acabará em desgraça se continuar a agudizar-se este rácio.

A Revolução Francesa, a Revolução Russa ou a Segunda Guerra Mundial tiveram na base sempre a mesma necessidade extrema de milhões de pessoas em acederem a condições mínimas de vida. Quando não o conseguem, daí até à guerra nunca é muito longe

A perplexidade maior é, afinal, verificarmos que a extraordinária conquista civilizacional do Ocidente, a meritocracia, ligada ao sucesso dos mercados e à própria democracia, não pode – ou não consegue – interferir com o curso de um desequilíbrio imparável, onde os que não dispõem de capital ou de saber (sejam pessoas ou países) ficam cada vez mais subjugados ao poder dos mais fortes. Isto num contexto onde os recursos naturais escasseiam, as condições ambientais agravam-se fruto da avidez do crescimento e, por fim – cereja em cima do bolo – o número de seres humanos mais abundante de sempre (nove mil milhões em 2050) vai ter a forte concorrência laboral de infinitos exércitos de robôs rentáveis e obedientes.

Portanto, e finalmente a questão prática: quem pode assumir uma eficaz redistribuição da riqueza gerada por este novo processo? O Estado – onde os seus funcionários tendem a cair na autopreservação e se multiplica a burocracia para evitar a corrupção? Ou os modelos liberais, como o da “caridade privada” anglo-saxónica? Na verdade, ambos estão a falhar. Há demasiados excluídos para não precisarmos urgentemente de uma nova resposta. E já sabemos que não é o populismo, porque ele se traduz essencialmente em ódio. Mas a democracia tem de ser muito mais do que conseguimos até hoje.

 

O sarilho em que eles se meteram

(Francisco Louçã, in Expresso, 29/12/2018)

LOUCA3

O “Observador” prossegue serenamente a sua carreira, militando pela reconstituição de uma direita de capa e espada. Fá-lo com a elegância que se esperaria, testando hipóteses, ora vamos lá a ver se os lusos ‘coletes verdes’ vingam, ora vamos lá ver se o Montenegro se amanda ao homem ou se o Passos regressa, ora vamos lá ver que é preciso deitar abaixo aquele de Belém, que atrapalha por demasia. Como um velho general, os seus fundadores perscrutam o horizonte e rabujam que falta liberalismo, falta ousadia, sobra acomodamento, ninguém levanta a voz para mostrar este declínio podre, parece que toda a canalha gosta do pardieiro em que a esquerda nos meteu. Mas por vezes surge um relâmpago de inspiração e foi o caso que vos venho relatar.

Pois meteu-se o “Observador” pelos misteriosos caminhos da religião, emboscando alguns eclesiásticos sobre as suas convicções: então como é que Maria teve Jesus? Dois deles responderam com a prudência de quem sabe da vida. Anselmo Borges explicou que com a metáfora bíblica sobre a virgindade de Maria apenas se pretende “dizer a importância de Jesus enquanto filho especial de Deus” e o bispo do Porto, Manuel Linda, advertiu que “nunca devemos referir a virgindade física” de Maria. Desencadeou-se a tempestade e o jornal, guloso, albergou a indignação.

Sugiro a quem lê estas páginas que se dedique a esse revelador encantamento natalício. Diz Isaías Hipólito que estes hereges recusam a “veracidade dos Evangelhos” ao abdicarem de “uma peça central do Credo cristão: o de que Jesus, Filho único de Deus, foi ‘concebido pelo poder do Espírito Santo’ e ‘nasceu da Virgem Maria’”. Mais ainda, “o Credo é para os cristãos o mínimo denominador comum que todos devem comungar. Retirar-lhe qualquer peça, por aparentemente descredibilizar a pretensão cristã, implica minar todo o edifício da fé”, a sabotagem a que se dedicam Anselmo Borges e o bispo do Porto.

João Bleck exige uma contrição: “Não ficava mal ao senhor D. Manuel Linda cumprir o dever de se retratar e pedir publicamente perdão pela ofensa”. E, para arrumar o assunto, cita o Catecismo, “que remete para o claríssimo cânone 3 aprovado na sessão do dia 31 de outubro do ano 649 do Concílio de Latrão, onde se estabelece o seguinte: ‘Se alguém não confessa, de acordo com os santos Padres, propriamente e segundo a verdade, por mãe de Deus à santa e sempre (semperque) virgem e imaculada (immaculatam) Maria, dado que concebeu nos últimos tempos sem sémen (absque semine) por obra do Espírito Santo, ao mesmo Deus Verbo própria e verdadeiramente, o qual, antes de todos os séculos nasceu de Deus Pai, e incorruptivelmente o gerou (et incorruptibiliter eam genuisse), permanecendo inviolada a sua virgindade mesmo depois do parto (indissolubili permanente et pos partum eiusdem virginitate), seja condenado’”. Condenem-se os atrevidos.

Gonçalo Portocarrero de Almada, um prelado da Opus Dei que aprecio sobremaneira porque já recomendou este ateu como “São Francisco Louçã”, arruma o assunto citando a dogmática de Ratzinger: “Por isso, estes dois pontos — o parto virginal e a ressurreição real do túmulo — são verdadeiro critério da fé. Se Deus não tem poder também sobre a matéria, então ele não é Deus”. Assim, a fé é reduzida à obediência. Na diferença entre a religião como entendimento da vida ou como crença reverente no impossível, aqui está a escolha cómoda.

Prosaicamente, Pessoa, ou Alberto Caeiro, contava outra história:

O seu pai era duas pessoas —
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
“Se é que ele as criou, do que duvido.” —
“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.”
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.”

(extrato de ‘O Guardador de Rebanhos’)

Perdoem-me se acho este menino mais verdadeiro do que o do dogma.


2019 em três riscos

No dia 31 de janeiro deste ano que finda, Alan Greenspan explicou candidamente que havia duas bolhas, de obrigações e de ações. Uma semana depois, numa só hora, a bolsa teve a sua maior queda desde o subprime. Voltou logo tudo ao normal. Ninguém sabe o que aconteceu. Nas vésperas deste Natal, a mesma coisa, queda abrupta. Depois, subida confortável. Os mercados andam “nervosos”, dir-se-á. Pois há boas razões para isso.

GANÂNCIA

Greenspan dirigiu durante 19 anos o banco central dos EUA e dizia em 2002 que “grande parte da nossa comunidade empresarial parece ter sido dominada por uma ganância contagiosa (…). O problema é que os meios para manifestar essa ganância cresceram desmedidamente”. Mas nem por isso esses meios foram controlados e, assim, se desde 1945 até ao final dos 1970 não houve grandes crises bancárias, agora é a rotina.

Tanto era assim que, em 2005 Raghuram Rajan, então o economista-principal do FMI, provocou um escândalo numa conferência de homenagem a Greenspan, perguntando se “o desenvolvimento financeiro [teria] tornado o mundo um lugar mais arriscado”. A sua resposta foi que “o desastre poderá estar iminente”, pois os gestores têm “incentivos para aceitar riscos que estão ocultos dos investidores”. A reação dos colegas foi indignada. Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos EUA, terá respondido que Rajan era o que se traduziria por um “velho do Restelo”. De facto, a carreira de Greenspan constitui um sucesso na desregulação, o que ele explicava abertamente: “À medida que entramos no novo século, as forças regulamentadoras privadas de estabilização do mercado deverão substituir gradualmente muitas das estruturas governamentais incómodas e cada vez mais ineficazes. Trata-se de um futuro provável, pois os governos, pela sua própria natureza, não se conseguem ajustar com celeridade suficiente a um ambiente em mudança que tantas vezes segue rumos imprevistos”. No ano seguinte à sua reforma, veio o crash do subprime.

O primeiro risco de 2019 é este: a desregulação não só prosseguiu como, com juros baixos, foram estimuladas mais aventuras especulativas. Além disso, o crescimento das bolsas está muito preso às empresas tecnológicas, desde 2013 quase 40% do aumento do índice S&P depende de seis grandes (Alphabet, Amazon, Apple, FB, Microsoft, Netflix). Pode estar nelas o perigo de sobrevalorização. O “nervosismo” da finança é por se conhecer ao espelho.

MONTANHAS DE DÍVIDAS

O segundo maior risco de 2019 é a montanha de dívidas. As dívidas transfronteiriças são hoje de 30 biliões de dólares, eram 9 há vinte anos. A dívida pública chinesa é o dobro da de 2009, a das empresas chinesas é de 450 mil milhões em dólares, era então zero. O balanço do BCE triplicou para cerca de cinco biliões de euros. É certo que esta absorção de dívidas no BCE é estabilizadora, não é tão vulnerável a pânicos de empresas, e que a China tem reservas e um superavit que a protegem. Mas aqui entra o fator político, pois o terceiro risco é a turma de governantes do mundo.

Os governantes são um problema por dois motivos imediatos. Por um lado, o balanço do BCE não vai manter eternamente essas dívidas (podia e devia, mas não vai ser assim). E a escolha do momento e da forma para a vender pode ser desastrosa para as condições de financiamento dos Estados e empresas. A viragem à direita na União Europeia e a escolha do sucessor de Draghi agravam este risco. E, por outro lado, se houver uma perturbação financeira, e ainda nos últimos dias tivemos disso um sinal, a consistência da resposta dos bancos centrais e governos pode ser decisiva. Ora, se for precisa cooperação para responder a uma crise, na Casa Branca há Trump.