O avençado Fancelli

(Major-General Carlos Branco, in Blog Cortar a Direito, 15/07/2025)


(A credibilidade jornalística da CNN já não era muita mas, depois deste caso, estatelou-se ao comprido e bateu no chão. Nomear para comentador residente um tipo que trabalha para Ucrânia e por ela é pago para difundir a sua propaganda sob a capa de comentário político, supostamente independente, é o grau zero da isenção informativa. Uma vergonha.

Estátua de Sal, 15/07/2025)


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Não me pronuncio publicamente sobre pessoas com quem trabalho e/ou partilho o espaço televisivo, mesmo quando não lhes reconheço conhecimento nem idoneidade intelectual para se pronunciarem sobre o que falam. O que penso sobre elas fica comigo. É uma prática que vigora no meio militar (pelo menos vigorava) e noutras organizações com um elevado sentimento corporativo. Não fica bem trazer divergências para a praça pública. São questões de decoro e normas de boa convivência. Há regras e linhas vermelhas que não estão escritas, mas que as boas práticas aconselham a adotar.

Mas, volta não volta, tenho de abrir exceções, fazendo-o sempre contrariado. O que tem de ser tem muita força. O jovem Uriã Fancelli teve no domingo passado (ver aqui), mais uma diatribe. Na primeira vez que interagimos, acusou-me de desonestidade intelectual, apenas por eu ter uma opinião diferente da sua. Nessa altura, esbocei um sorriso e fingi que não percebi. Mas desta vez, quando Fancelli disse “omite [eu] as baixas russas não sei se intencionalmente ou por uma simpatia russa. Todo o mundo sabe que o Major General tem… mas ele [eu] omite intencionalmente os ataques contra as estruturas civis na Ucrânia”, não podia fingir que não tinha percebido.

Depois de ter levado dois tareões no ringue de boxe, Fancelli foi refugiar-se nas redes sociais, queixando-se aos amigos do mau que fui para ele. Fancelli engrossa a lista daquela malta que não consegue debater sem ataques ad hominem e sem lhes fugir o pé para a chinela. Lá tive de consumir o meu rico tempo e ir ver quem é o Dr. Fancelli e o que faz na vida. Chamei-lhe propagandista e não é que acertei em cheio?! Tem de ficar claro que Fancelli não é uma pessoa independente. É um avençado dos ucranianos. Não é uma virgem imaculada. E porquê?

Não é grave nem condenável ser avençado e/ou propagandista. Tem é de se saber exatamente quem são as pessoas que proliferam no espaço público, o que fazem e o que se pode esperar delas. Fancelli não é isento, tem uma agenda e é pago. Anda a fazer pela vida. Tem de mostrar serviço ao patrão.

Veio sociabilizar-se à Europa, onde frequentou dois mestrados. Trabalha para o Kyiv Independent, um jornal que não é bem o jornal oficial do governo ucraniano, mas anda lá próximo, que de independente só tem o nome, para além de ter sido subsidiado pela USAID. Utiliza esse fórum para apelidar a visita do presidente do seu país Lula da Silva à Rússia de hipócrita. Não é, pois, difícil de perceber para quem trabalha. Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és.

No final de 2022, quando já tinham passado alguns meses sobre o início da guerra na Ucrânia, o Dr. Fancelli tentava a sua sorte na carreira política, candidatando-se a deputado estadual, no Brasil, pelo partido PODE, um partido conservador de direita/extrema-direita (criado pelo juíz Sérgio Mouro para se candidatar à presidência). Gorada a entrada na vida política mudou a agulha para outra coisa que estivesse a dar e lhe proporcionasse sustento. Afinal tem de pagar a conta da água e da luz. E que tal tornar-se, num ápice, especialista na guerra da Ucrânia?! Era capaz de ser um emprego interessante.

Como qualquer propagandista que se preze tem presença em várias redes sociais (Instagram, “X”, etc.). A sua grande razão de estar na vida é tentar contrariar quaisquer versões dos acontecimentos, que ele suspeite integrarem uma campanha de “desinformação russa”. Para isso, pagaram-lhe a participação na segunda conferência Internacional Crimeia Global, em Kiev, organizada pela anedótica “Missão do Presidente da Ucrânia na República Autónoma da Crimeia”, apadrinhada e com o apoio da Embaixada da Ucrânia no Brasil, com a qual mantém excelentes relações, e onde parece não faltar dinheiro para pagar a viagem de 28 “especialistas” brasileiros a Kyiv, numa operação de diplomacia pública, ou se quisermos para uma operação de lavagem ao cérebro.

Nessa ida ao “teatro de operações”, não perdeu a oportunidade de tirar uma selfie com um ar guerreiro e profundamente agastado com a situação em que vive o povo ucraniano.

Por falar em desinformação russa. O paladino da informação honesta e verdadeira, de nome Fancelli, regurgitou os números fantasiosos de soldados russos mortos no campo de batalha por metro quadrado (nunca tinha ouvido falar desta métrica), sem nunca referir quantos ucranianos morreram. Se calhar não morrem. Combate-se a desinformação russa dizendo quantos soldados russos morrem, mas omitindo os mortos ucranianos. Isso é que informação verdadeira, honesta e rigorosa.

Chateia-me ser confundido com a causa russa apenas por desmontar as falsidades e as mentiras da propaganda ucraniana, com que somos bombardeados permanentemente. Os russos fazem operações de desinformação? Claro que fazem. E os ucranianos também. Parece-me normal. Seria anormal se isso não acontecesse. Era sinal de incompetência. Afinal a verdade é, e sempre foi, a primeria vítima da guerra.

Mas poupe-nos Dr. Fancelli e não venha dar uma de “impoluto”, de virgem ofendida e defensor de uma superioridade bacoca. Deixe de nos mandar areia para os olhos e dizer que só os maus é que fazem desinformação. Dá-se a casualidade de eu estar mais sujeito à desinformação ucraniana, de que Fancelli é um promotor e um veículo, por viver em Portugal. Talvez por isso, o meu desconforto. É chato andar a ser enganado, não gosto. Fancelli devia ganhar juízo e deixar de se armar aos cágados. Fancelli é pago para fazer propaganda da causa ucraniana. Como atrás referi, não faço juízos de valor sobre as suas opções, mas tem de o assumir. Assuma-se, porra, não tenha medo! Poupava-me trabalho. Ainda Fancelli não sabia apontar no mapa onde ficava a Rússia (tem trinta e quatro aninhos), já eu tinha reuniões de trabalho com o general Gerasimov, o atual CEMGFA russo.

Fonte aqui

A narrativa ocidental desmorona-se

(Pascal Lottaz, in Resistir, 30/05/2025)


A “verdade” divulgada pelos meios de comunicação ocidentais está a desmoronar-se sob a pressão de meios de comunicação e investigadores independentes, documentos filtrados e a realidade vivida.


Durante décadas, o Ocidente controlou a narrativa. As guerras foram disfarçadas com a linguagem da liberdade, as invasões foram vendidas como missões humanitárias, o público recebeu nobres mentiras disfarçadas de patriotismo e um sofisticado embrulho mediático. Mas essa era está a chegar ao fim. À medida que rachaduras se abrem no panorama mediático ocidental, as elites entram em pânico, não porque perderam as suas bombas, mas porque estão a perder a narrativa. E sem a narrativa, o império desmorona-se.

Continuar a ler o artigo completo aqui.

O meu partido também ganhou as eleições: cresceu meio milhão de votos

(Zé Oliveira Vidal, in Estátua de Sal, 26/05/2025, revisão da Estátua)

Imagem gerada por Inteligência Artificial

(Este artigo resulta de um comentário a um texto do Carlos Esperança que publicámos sobre o futuro do PS no pós eleições de 18 de maio, (ver aqui). Pela sua acutilância na defesa de algumas verdades incómodas – e por isso mesmo sempre polémicas -, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 26/05/2025)


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O PS francês morreu pelas mesmas razões que levam à morte do PS português, que é algo que já previ há uma década: o PS transformou-se num P”S”, i.e. num partido sem qualquer representatividade de quem trabalha, num partido nem sequer social-democracia, quanto mais com algum pingo de socialismo. Tal como em França, primeiro mataram o socialismo, depois exterminaram a social-democracia, e a seguir, só quando o partido deixou de ter eleitores é que exclamaram: “Ah, que desilusão, e agora quem combate a Direita?”.

Mas de exclamações parvas feitas por parvos já estou eu farto. Em França o eleitorado não está dividido apenas entre a direita (Macron, neoliberal pinochetista que deu a estocada final dentro do P”S” francês) e a extrema-direita. Em França, o eleitorado divide-se entre em três grandes grupos, que competem pela vitória eleitoral nas presidenciais e legislativas:

  1. Uma coligação de forças antifascistas de diferentes sectores, a France Insoumise de Mélenchon reúne forças comunistas, socialistas, sociais-democratas, e Verdes, uns mais eurocéticos e outros mais europeístas, uns mais críticos da criminosa NATO e outros mais cúmplices.
  2. Os neoliberais que fazem de conta que são democráticos e moderados, liderados pelo Macron, um mero capataz dos banksters e oligarcas franceses.
  3. E uma direita de Le Pen que pelo seu discurso atrativo antissistema reúne conservadores e patriotas (nada de mal aqui, bem pelo contrário), mas também é o local onde votam nacionalistas, fascistas e racistas.

Em Portugal esta divisão existe de forma igual do ponto de vista ideológico, mas não do ponto de vista das proporções.

  1. A esquerda é só cerca de 10%, do PCP, BE e Livre, e pior: nem sequer uma coligação tem capacidade para fazer como em França.
  2. Os neoliberais pinochetistas e traidores do país (e em particular dos trabalhadores) são o PAN, PS, PSD, CDS, e IL, num total que continua há décadas acima dos 60%, e é a causa do estado a que isto chegou.
  3. E o Chega, que tem o mesmo perfil do RN da Le Pen, com uma nuance: em Portugal não há patriotismo, e a propaganda da NATO/EUA penetra mais de 95% das pobres e indefesas mentes do ignorantíssimo eleitorado português.

O povo em França já viu qual é o problema; o Macron e a fação neoliberal pinochetista e traidora já só tem 15% de aprovação e semelhante votação – e nas eleições europeias, e na primeira volta das presidenciais fica pouco acima disso.

As chantagens do tipo “ai a extrema-esquerda” e “ai a extrema-direita” cada vez enganam menos pessoas, e pouco tempo faltará para a França se ver livre do problema, pois já faltou mais para se ver umas eleições presidenciais onde os dois mais votados (que passam à segunda volta, disputam a presidência, e passam como favoritos à chamada “terceira volta” que são as legislativas francesas) serão a esquerda mais o centro antifascista e a direita patriota nacionalista. Nesse momento, será o momento da verdade para a França: trocar o problema (neoliberais) por uma solução (Mélenchon) ou por um problema de cor diferente (Le Pen)?

Ora, em Portugal, o povinho ignorante continua a dar uma maioria de dois terços ao problema: PAN + PS + PSD + CDS + IL. Enquanto assim for, o Chega continuará a subir, de eleição para eleição. Já a esquerda antifascista (que reúne os anti UE do PCP, os Eurocéticos que já há várias eleições deixaram de votar no BE, os Euro-resignados que foram votando na Mortágua, e os Euro-iludidos do Livre) vai continuar abaixo dos 15%, como tem sido hábito. A exceção foram as eleições europeias durante a austeridade, e as eleições que deram origem à Geringonça, onde a esquerda soube capitalizar o descontentamento. Mas devido a um conjunto de erros próprios, de limitações do eleitorado, e de muita – mas mesmo muita – propaganda e manipulação dos meios de comunicação social detidos pelo regime (oligarquia nacional, UE e EUA) e dos seus bots nas redes sociais, a esquerda portuguesa está neste momento a ser efetivamente cancelada.

Assim, faço já aqui um leitura alternativa do que se passou nestas últimas eleições:

  1. O PCP foi cancelado pela propaganda da NATO mais nazis e pela rigidez discursiva que os impede de captar novo eleitorado que substitua os velhotes wue vão morrendo.
  2. O BE foi destruído – em parte – pela própria liderança (ao encostar-se à NATO mais nazis) e em outra parte pelo paleio mentiroso do PS: o “Ah e tal vocês é que acabaram com a Geringonça);
  3. E o Livre não fidelizou voto nenhum (ou fidelizou poucos); simplesmente o seu crescimento é na realidade uma inflação conjuntural pois foi o caixote do lixo (ou voto de protesto) de uma parte do BE (os que comeram a mentira sobre a morte da Geringonça) e do PS (os mais esquerdistas que olham para Pedro Nuno Santos e vêm o que realmente ali está: um Macron, mas na versão super incompetente).

No final de contas, voltou a ganhar o meu partido, o da abstenção, que teve um crescimento de meio milhão de votos. Haverá muitas razões diferentes para a postura abstencionista, mas vou falar só das minhas:

  1. Não reconheço qualquer legitimidade a um sistema eleitoral onde os partidos da frente elegem deputados sem ter votos, enquanto partidos mais de trás têm votos atirados LITERALMENTE para o lixo, o que levou o BE a ter um deputado apesar de ter votos para quatro, e no passado levou o CDS a ficar sem deputados mesmo quando teve votos para pelo menos dois. Nos distritos mais pequenos chega-se ao absurdo de só se eleger deputados de dois partidos ou só de um, indo todos os outros votos para o LIXO. Esta lei antidemocrática VIOLA a Constituição, foi feita pelo PS+PSD, e leva a um total de votos desperdiçados que ronda a fasquia de UM MILHÃO de votos.
  2. Mesmo que houvesse democracia representativa, não haveria soberania. Portugal não decide nada. Tudo são ordens de Bruxelas (UE), Frankfurt (€uro), Washington/Londres (NATO), e Jerusalém ilegalmente ocupada (lobby sionista genocida).
  3. Sendo que desde 2022, há ainda uma influência de NAZIS vinda de Kiev, que é tolerada pelos portugueses devido a toda a lavagem cerebral feita pelas fake news deste regime imperial ocidental, que os portugueses comem, até à última migalha, sem qualquer capacidade de contraditório.

Ou seja, quando o cidadão chega à urna de voto, o seu voto é baseado numa mentira. Logo esse resultado eleitoral é ilegítimo. E mesmo que fosse legítimo, há forças externas opressoras que nos dão ordens e ameaçam os países que não lhes obedecerem.

Tenho muitas mais razões para não votar em Portugal, mas fico-me por estas, que são as mais importantes; são factuais, e provam que Portugal já não é a democracia livre, representativa e soberana que está definida na Constituição desde 1976.

Portugal é hoje uma parvónia repleta de ignorantes, uma mera província totalmente vassala de um império criminoso, fascista, nazi, terrorista, colonial, e genocida. Enquanto França ainda tem hipóteses de resolver o problema via eleições, Portugal já passou essa fase.

O estado a que isto chegou pede, como disse um certo major-general português, uma nova revolução, para RESTAURAR o 25 de Abril, a independência, a decência, e a democracia representativa e soberana!

E – o que é ainda mais importante – para nos tirar da vassalagem ao império (EUA/NATO) que nos está a levar para uma morte certa, economicamente, demograficamente, e quiçá até para um alargamento da guerra por procuração (planeada, provocada, iniciada, e prolongada pelos EUA/NATO, em Kiev agora, em Taiwan em breve, e não só!) contra a maior superpotência da história da Humanidade: a aliança entre Rússia e China.

Uma aliança sem um pingo de intenções ofensivas, uma aliança que tiveram de forjar por motivos existenciais, para se defenderem da permanente e crescente agressão anglo-americana, à qual os nossos traidores prestam total vassalagem, e onde nos condenam a ser cúmplices de crimes contra a Humanidade, mas sempre apresentados nas fake news (RTP, SIC, TVI, BBC, FOX, CNN, Euronews, etc) como sendo acções “defensivas”, e em nome da “liberdade” e “democracia”. Não!

No dicionário neoliberal, “defensivo” é cometer genocídio em Gaza, destruir por completo a Líbia e colocar armas de destruição em massa à volta da Rússia e da China; “democracia” é obedecer a Washington e Bruxelas e sermos aliados dos nazis de Kiev (ao ponto de proibirmos as celebrações do Dia da Vitória a 9 de Maio) e dos colaboradores dos terroristas da al-Qaeda na Síria (agora no poder em Damasco), e “liberdade” é vivermos numa bolha de desinformação (fake news) onde não sabemos a verdade, e onde os reais jornalistas (aqueles que denunciam os crimes dos regimes ocidentais e recusam ser corrompidos pela USAID, NED, e companhia) são cancelados, ameaçados, vigiados, presos, e assassinados.

Enquanto isto se passa, onde estão os portugueses? Estão nas ruas a deitar foguetes porque uma equipa de bola ganhou uma competição, na praia descansados a dormir a sesta ou a ler revistas cor-de-rosa, em casa a ver reality shows sobre “casados” e outras putarias.

Ou a serem treinados para salivar – que nem o cão de Pavlov – quando ouvem a campainha nas fake news: ele é os “terroristas” do Hamas, a “agressão” de Putin, o “perigo” da China, os “negacionistas” da pandemia, a “extrema-esquerda” que “vai destruir” a economia, os “irresponsáveis” que não se querem integrar no “paraíso” da UE, o excesso de “socialismo” que nos impede de crescer, etc. E o que eles se fartam de salivar, meu deus, parece uma cascata…