Dicionário da propaganda ocidental

(Zé Oliveira Vidal, in Estátua de Sal, 23/04/2025, revisão da Estátua)

Imagem gerada por Inteligência Artificial

(Este artigo resulta de um comentário a um texto que publicámos sobre a guerra na Ucrânia do Major-General Carlos Branco (ver aqui). Pela sua acutilância e pedagogia sobre o reconhecimento das narrativas mediáticas da propaganda ocidental, resolvi dar-lhe destaque.

Estátua de Sal, 24/04/2025)


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Tudo, TUDO o que passa nos mainstream média ocidentais é DESINFORMAÇÃO USAmericana! TUDO!

Se vês/ouves a CNN, estás a ver/ouvir o que os porcos imperialistas em Washington querem. A mesmíssima coisa para a FOX News e companhia.

Da Rússia, a “propaganda” que vem são FACTOS. A parte central da propaganda USAmericana na Europa e Portugal passa por chamar “propaganda russa” aos factos e até mesmo às opiniões neutrais ou equidistantes.

Noutros países da Europa, debate-se a NATO, a União Europeia e o Euro. Debate-se a vassalagem aos EUA e o apoio aos nazis ucranianos e a tolerância para com os genocidas israelitas/sionistas. Em Portugal não. Porquê? Porque, ao contrário da MENTIRA da CNN, Portugal é, isso sim, um dos maiores vitimizados pela presença de propaganda USAmericana!

Poderia separar a propaganda da BBC/Mi6, daquela outra da Mossad/Israel, ou da Euronews/UE, mas, nos dias que correm, não vale a pena. É tudo do mesmo saco: avençados e agentes ao serviço de Washington.

Queres saber como isto funciona? Lê sobre os escândalos da USAID, NED, e companhia. A forma como eles corrompem “jornalistas” e políticos por toda a Europa.

Obviamente, terás de ler sobre isto em meios de comunicação fora do Ocidente, ou muito alternativas dentro do Ocidente, como é o caso do jornalismo de investigação do Greyzone, ou do blog de geopolítica MoonOfAlabama, ou o excelente Consortium News, ou o grande exemplo de real jornalismo da Wikileaks, ou de gente independente como a Caitlin Johnstone.

Se vês o que quer que seja na CNN/FOX, ou BBC, Euronews, ou RTP/SIC/TVI/Now/CMTV, e se não percebeste ainda que são antros de corrupção e fakenews, que debitam propaganda e manipulação 24 horas por dia, então não percebeste nada do que se está a passar no mundo e, em particular, em Portugal.

A mesma coisa em relação aos meios escritos, como o Expresso/Público, o Der Spegel, The Guardian, El País, etc, e obviamente o Washington Post, The Economist, New York Times, etc.

Aqui tenho de falar finalmente do texto do Carlos Branco: se se baseia no que o New York Times publicou, então baseia-se na mentira.

Obviamente os EUA são quem planeou durante décadas esta guerra proxy contra a Rússia, obviamente os EUA estão envolvidos em TUDO, desde o financiamento a nazis para fazerem o golpe Maidan, até à invasão de Kursk.

Se o New York Times agora publica isso, é porque a Casa Branco assim ordenou. A atual administração quer fazer de conta que está “de fora” de uma guerra proxy que o próprio Trump ajudou a preparar no seu primeiro mandato, em total prolongamento com a agressão imperial seguida por Obama e Biden. Não houve HIMARS a bombardear em Kursk? Houve! Logo aqui se deteta a mentira do New York Times.

Mas para saberes o que eu sei, precisas de ir aos OSINT (Open Source Intelligence) – fontes abertas de inteligência -, que diariamente falam de FACTOS sobre as linhas da frente. Recomendo o Defense Politics Asia, o Southfront (censurado na EUroditadura), o Geroman (a conta Telegram dele compila mapas de várias fontes credíveis, e tem imagens/vídeos com geolocalização), e ainda o WarMonitor (um site do Líbano que fala sobretudo da agressão/genocídio que o ocidente/sionismo comete na Palestina e arredores.

No caso da TV, como a RT está censurada pela EUroditadura, já só sobram os canais CGTN (China) e TeleSUR (Venezuela) para te poderes informar sobre a realidade. E mesmo aqui tens de ter atenção à propaganda de cada um. TODOS fazem propaganda. Mas isso não significa que os outros façam como o Ocidente onde a mentira é descarada e a toda a hora!

E eis uma lista de pistas simples para identificar quem é quem:

  • Se diz “NATO defensiva” ou “agressão Russa”, então é um canal de propaganda ocidental. Obviamente, factualmente, a NATO é ofensiva, criminosa, e a Rússia está a intervir justificadamente contra quem golpeou a Ucrânia e violou a paz de Minsk.
  • Se chama “guerra Israel – Hamas”, então é propaganda ocidental. São três mentiras em três palavras. Não é guerra, é GENOCÍDIO. Não é só de Israel (nem é de todos os israelitas), mas sim de sionistas sanguinários ocidentais, e em particular da extrema-direita racista israelita (Netanyahu e companhia são comparáveis a nazis). E não é contra o Hamas, mas sim contra todo o povo palestiniano, acima de tudo mulheres e crianças indefesas.
  • Se glorifica Zelensky, então é propaganda ocidental. Zelensky é um vassalo corrupto dos EUA, e é de facto um ditador no regime UcraNazi. Só merece condenação, não merece um pingo sequer de tolerância. É contra a paz, persegue a oposição, acha normal glorificar o nazismo, proibiu eleições, ataca crentes ortodoxos, etc.
  • Se critica a Venezuela, é propaganda ocidental. A Venezuela é uma democracia soberana anti-imperialista. Só merece a nossa admiração e apoio.
  • Se apoia a União Europeia e as suas instituições de opressão, então é propaganda ocidental. A UE é, de facto, uma ditadura que nos roubou a soberania. Hoje violamos a nossa Constituição e fazemos censura de canais de notícias, por ordem da UE. Recebemos ordens de NÃO-eleitos, como a Leyen e a Kallas, que são obviamente agentes dos EUA com a missão de nos colocar a pagar mais para garantir o lucro da Lockeed Martin, Raytheon, Boeing, etc. Quando estas corruptas ameaçam quem celebrar o Dia da Vitoria a 9 de maio, mas apoiam descaradamente quem glorifica nazis, e repetem toda a propaganda da CIA/Pentágono, então está tudo dito sobre a natureza da UE.
  • Se promovem Hollywood/Netflix, e seus palhaços/atores, então é propaganda ocidental. Não há arte nem cultura nenhuma nestes meios. Só há propaganda dos EUA e Israel. A “Mulher Maravilha” é uma agente da Mossad apoiante de genocídio. A Marvel coloca a NATO ao lado dos Avengers. Filmes atrás de filmes colocam os russos como os mauzões, e chamam “heróis” aos porcos imperialistas dos EUA/NATO que foram invadir tantos países e assassinar milhões de humanos (no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, etc.).
  • Se falam de cantores dos EUA como “os melhores”, mas não têm espaço para falar sequer de artistas portugueses ou de outras partes do mundo, então é propaganda ocidental. Quantas vezes tu ouviste nas “notícias” na TV falar da Madonna ou da Taylor Swift? Agora compara com as vezes que tais “noticiários” falaram dos portugueses Killimanjaro ou Eu.Clides ou Kleft ou Romeros ou Inês Marques Lucas, etc.. Do melhor que se faz em Portugal nos respectivos géneros, e com ZERO tempo de antena nos “noticiários”.

Abre os olhos!

A Rússia, a China, o Irão, a Venezuela, a Geórgia, a África do Sul, a Argélia, a Bolívia, Cuba, Sérvia e Srpska, até o Hezbollah do Líbano e os Houthis do Iémen, estão do lado certo da História e da Humanidade. Que mal é que algum destes povos te fez a ti ou à Europa? Nenhum! Que mal é que esta gente faz ao mundo? Nenhum!

Nós, em Portugal, é que somos uma mera província sem qualquer independência nem acesso à verdade, num império dos EUA que é terrorista, antidemocrático, fascista, colaborador de nazis, e GENOCIDA.

Os soldados russos estão na sua fronteira e no seu território histórico a salvar gente que é vítima do nazismo ucraniano e do imperialismo ocidental.

Mas os nossos soldados andam a invadir o Kosovo (Sérvia), o Iraque, o Afeganistão, etc., onde quer que o imperador em Washington nos mande invadir.

A Rússia na Crimeia (onde só vivem russos) é “ilegal” e “agressão”, mas nós a exterminar meio milhão de palestinianos ou um milhão de iraquianos ou a colocar a al-Qaeda no poder na Síria é só “democracia e liberdade”.

E todos os que, como eu, já abriram os olhos e contrariam as mentiras do império GENOCIDA ocidental, dizem eles que somos todos “propagandistas do Putin”…

Queres saber como é que a Alemanha foi convencida nos anos 30? Foi assim. Manipulação em massa. Um povo inteiro a acreditar numa narrativa completamente separada da realidade. E a demonização/cancelamento de quem se opõe à narrativa do regime.

Tu, em 2025, ainda andares a acreditar na estrumeira que passa na CNN, é o equivalente a um alemão, em 1945, a andar a acreditar naquilo que a máquina de propaganda de Hitler dizia.

És uma vítima! Não tem mal nenhum abrires os olhos e admitires que foste enganado. Mal será, para todos nós, se a maioria continuar de olhos fechados e a negar a realidade.

Pequena ladaínha de aldrabices ridículas

(Paulo Silva, in Facebook, 29/12/2024, revisão da Estátua)

Três vendedores de banha da cobra

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Segue um pequeno elenco de alguma da desinformação, propaganda e fake news difundidas pelos media ocidentais.

No início do conflito na Ucrânia, em fevereiro 2022, diziam que os russos não tinham equipamento pessoal e trocavam comida por sapatilhas.

Depois, a fome era generalizada nas fileiras, pelo que os combatentes russos, desmoralizados e com fome, trocavam combustível por comida…

Depois o Putin tinha 2 cancros em fase terminal, um em cada testículo…

Depois os russos só tinham munições para três dias e, no início de Março de 2022, os soldados russos matariam os seus oficiais e a Rússia desmoronar-se-ia.

Depois os russos só tinham mísseis para um mês e em Maio pediriam a paz.

Depois a economia russa conheceria uma hecatombe por causa dos 16 pacotes de sanções e, por volta de Setembro 2022, a fome, o desemprego e as falências provocariam o colapso de toda a economia russa…

Depois surgiram as aventuras fantásticas e mirabolantes do Fantasma de Kiev que abateu um sem-número de caças MIG…

Depois eram os agricultores ucranianos a rebocar tanques russos, porque os russos não tinham gasóleo…

Depois eram os russos a roubar eletrodomésticos, porque na Rússia simplesmente não existem esses artigos domésticos…

Depois os russos tiravam os chips de circuito integrado dos frigoríficos e das máquinas de lavar, para os colocar nos mísseis Kinzhal…

Depois os soldados russos estavam a combater sem meias nos pés, não tinham munições e estavam a combater com pás e com enxadas…

Depois o grupo Wagner estava a recrutar idosas com quase 90 anos…

Depois os russos estavam a usar cães vadios para atacar tanques Leopard…

Depois os russos bombardearam-se a si próprios na central nuclear que eles próprios controlam desde maio 2022…

Depois os russos sabotaram o seu próprio gasoduto cuja construção lhes custou 100000 milhões de dólares…

Depois surgiram no ar os balões espiões porque, segundo a CNN, a China está tão atrasada tecnologicamente que, para espiar os seus inimigos, ainda tem que recorrer aos balões de ar…

Na guerra, a primeira vítima é sempre a verdade… E, os mainstream media, são os maiores meios de difusão de fake news e de desinformação.

Interesse nacional e “soberania limitada”

(Viriato Soromenho Marques, in Diário de Notícias, 28/12/2024)

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Na sua primeira visita oficial como presidente do Conselho Europeu, António Costa rumou a Kiev. Foi oferecer a Zelensky o apoio incondicional da UE. A seu lado seguiu a nova responsável da CE para a Política Externa, Kaja Kallas. Costa esteve reunido com duas personalidades que comungam da tese de que a NATO se deve envolver num confronto direto com a Rússia, como se isso não tivesse como resultado inevitável transformar o conflito da Ucrânia numa guerra nuclear de aniquilação.

Costa, infelizmente, não está só. O anterior PM português, com o apoio da maioria esmagadora do Parlamento e do Presidente da República, é o rosto do maior fracasso histórico em matéria de Segurança Nacional. Como diria Talleyrand, não se trata só de um potencial crime contra a segurança física de quase 11 milhões de pessoas vivendo em Portugal, mas de um erro trágico que assinala o plano inclinado em que a III República mergulhou.

O momento, aparentemente, mais alto da carreira política de Costa, coincide com o momento mais baixo e perigoso de toda a História portuguesa.

A guerra, por ser um desafio existencial, revela a fibra dos indivíduos e a inteligência estratégica dos Estados e seus líderes. Durante mais de meio milénio, Portugal foi uma potência imperial, europeia e ultramarina. Até 1974, a soberania de Portugal confundia-se com a defesa desse império geograficamente disperso. Pombal, D. Carlos I, Afonso Costa ou Salazar, deram respostas diferentes aos desafios do seu tempo, mas o objetivo era comum: orientar-se pela bússola do interesse nacional.

Foi nessa ótica que Portugal precisou de aliados tendo em vista o serviço que eles prestassem a esse interesse, em troca de contrapartidas equilibradas. Em 1762, fomos empurrados para a Guerra dos Sete Anos pelo ultimato de Madrid e Paris, mas a Inglaterra acorreu em nosso auxílio, com sete mil homens e o nosso maior reformador militar de sempre, o conde de Lippe. O mesmo sucedeu em 1807, com as invasões napoleónicas, que tiveram a contrapartida da formação do Exército anglo-luso comandado por Wellington. Os EUA substituíram o papel de Londres nas últimas décadas do Estado Novo.

Há meio século que Portugal deixou de ser um império colonial. O seu interesse nacional mudou, embora a aliança militar com os EUA, no âmbito da NATO, tivesse prosseguido. Os fundadores da III República, e em especial Mário Soares, colocaram a integração europeia como o novo desígnio nacional. Uma união de Estados soberanos, visando um modelo de democracia tendencialmente federal. A nossa Constituição de 1976 aponta como alvo: “(…) a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança coletiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.” (CRP, art. 7.º).

O que a guerra na Ucrânia revelou, contudo, foi o culminar de uma perigosa metamorfose do papel dos EUA na política mundial. Desde o final da Guerra Fria, os EUA têm perseguido uma hegemonia em que o soft power é sacrificado – perante inimigos e aliados – ao primado do poderio militar.

Em 2003, na invasão americana do Iraque, ainda houve resistência por parte de Paris e Berlim. O mesmo, em 2008, quando o eixo franco-alemão, para não hostilizar a Rússia, recusou a intenção americana de integrar a Ucrânia na NATO.

Contudo, hoje, a UE foi totalmente capturada por uma NATO de postura expansiva e ofensiva. O seu projeto de militarização da economia europeia, que com Trump acarretará um verdadeiro imposto pago à indústria bélica dos EUA (talvez de 4% do PIB agregado), significa que o sonho europeu de Portugal foi sequestrado por uma sinistra versão Ocidental da “soberania limitada”. Os EUA, recuperaram essa prepotência de Brejnev face aos países do antigo Pacto de Varsóvia, aplicando-a brutalmente na UE. Veja-se a humilhação continuada da Alemanha e o cancelamento recente das Eleições Presidenciais na Roménia.

A maior ameaça ao nosso interesse nacional não é externa. Só por estultícia se poderá temer uma invasão russa de Portugal. O risco existencial para a vida e a fazenda dos portugueses reside no imperdoável amadorismo estratégico-militar da nossa elite política.

Como já escrevi (DN, 11/02/ 2023), não seria preciso sair da NATO para evitar transformar o país num alvo direto em caso de guerra nuclear. Bastava cumprir as regras da NATO. O acolhimento de refugiados ucranianos e o apoio humanitário deveria ter sido acompanhado com o firme reconhecimento de que não temos qualquer obrigação de apoio militar a Kiev, pois o artigo 5.º da “defesa mútua” só se aplica a países-membros.

Tenho consciência de que a pressão de Washington seria enorme sobre Lisboa. Mas é para isso que servem a lucidez e coragem políticas.

Não encerrámos o nosso destino imperial, através de uma revolução democrática, para o sacrificar no altar da desmesura alheia. A promessa do 25 de Abril é de paz, prosperidade sustentável e cidadania plena. A Revolução dos Cravos não foi feita para acabarmos como metecos, ao serviço dos que trocaram o mundo real pela adoração do seu umbigo.

Fonte aqui