Israel: A Contagem Decrescente para o Armagedão

(A l e x a n d r e D u g i n, in Multipolar Press, 30/10/2026, Trad. Estátua)


Alexander Dugin defende que a luta política de Israel se tornou um confronto global com consequências apocalípticas.


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O que está a acontecer em Israel neste momento tem uma importância enorme, talvez decisiva, para toda a humanidade. Netanyahu está a apostar tudo na construção do Grande Israel. Esta é uma política puramente messiânica e escatológica, enraizada na teoria cabalística do Messias Vitorioso (ben David), que surge após a vinda do Messias Sofredor (ben Joseph).

O trágico capital de sofrimento acumulado durante o Holocausto está a ser gasto em poder, grandeza e terror. Esta estratégia recebeu o apoio de Trump e, por conseguinte, dos Estados Unidos, transformando-se em algo de relevância global. As suas manifestações mais extremas foram abertamente articuladas pelo Rabino Dov Lior e pelos políticos israelitas Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich: o genocídio declarado dos palestinianos e a sua completa expulsão de Israel, a demolição da Mesquita de Al-Aqsa, a construção do Terceiro Templo, a expansão de um oceano para outro, a imposição da Lei Noaica aos gentios obedientes, bem como a vinda do Mashiach [Messias] e a sua subsequente proclamação como Rei dos Judeus e Senhor do Mundo. Daí a destruição de Gaza, a ocupação do sul do Líbano, a invasão da Síria e a guerra contra o Irão. Não se trata de planos, mas de factos.

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Ora, em Israel, onde a ditadura, o racismo e o extremismo religioso coexistem pacificamente com a democracia e o liberalismo, as eleições criaram uma situação singular. Os opositores de Netanyahu (os sionistas algo mais moderados do bloco de Eisenkot) poderiam reduzir o ritmo da escalada escatológica, adiando a estratégia maximalista para mais tarde (mas para quando?). Para isso, porém, necessitariam de formar uma aliança com a Lista Árabe, que obteve um sucesso considerável nas eleições para o Knesset. Os árabes estão pragmaticamente preparados para tal acordo. Aceitariam quase tudo, desde que significasse o fim de Netanyahu e das suas políticas abertamente genocidas. Resta saber se a oposição sionista está disposta a dar esse passo (Lieberman afirma que não).

A posição de Trump também permanece incerta. Já perdeu muito (na verdade, quase tudo) pelo seu apoio incondicional a Netanyahu e ao sionismo agressivo, mas pode continuar no mesmo caminho ou decidir abrandar. Significativamente, há relatos de que ele estaria a pedir a Netanyahu para marginalizar os notórios Ben-Gvir e Smotrich (embora tudo isto venha de fugas de informação e rumores da Casa Branca). Talvez seja verdade, mas está longe de ser certo. No círculo íntimo de Trump, os sionistas e os sionistas cristãos (protestantes extremistas) continuam a desempenhar um papel decisivo, enquanto Trump já afastou todos os seus apoiantes entre os patriotas americanos comuns (o movimento MAGA original), transformando-os em adversários acérrimos.

Acontece que Israel controla o presidente dos Estados Unidos. Consequentemente, o que os seus governantes, políticos e figuras da oposição pensam e fazem, e que coligações e fações aí surgem, diz respeito a todos os seres humanos na Terra.

A formação de um governo num pequeno país do Médio Oriente tornou-se uma questão de importância global. O destino do projeto “Anticristo” está agora nas mãos de Eisenkot e da sua coligação.

Israel é a tela na qual se desenrola a história mundial, o território do Armagedão no sentido mais literal. Nesse relógio, está inscrita a crónica do fim dos tempos.

Fonte aqui

Sobre as ruínas de Israel

(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 02/10/2026)


Um criminoso é um criminoso, seja judeu ou árabe. Um massacre é um massacre, seja cometido pelo Hamas ou pelas IDF. E um terrorista é um terrorista, seja palestiniano ou israelita.


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Benjamin Netanyahu (“Bibi”) nega todas as notícias que referem aquilo de que há muito se suspeitava: que ele foi avisado previamente, e nada fez, sobre o ataque, e subsequente massacre, de 1200 israelitas, levado a cabo pelo Hamas em 7 de Outubro de 2023. A notícia começou por aparecer no “Haaretz”, o mais lido e mais prestigiado jornal de Israel, fruto de uma longa e exaustiva investigação, recorrendo a inúmeras fontes, internas e externas. Na esteira do “Haaretz”, seguiram-se o “The Wall Street Journal” e a “The Atlantic”, nos Estados Unidos, e vários outros jornais e canais de televisão. Essencialmente, dois factos verificados sustentam a notícia: que Netanyahu foi pessoalmente informado do ataque do Hamas pelo Presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU) e, poucas semanas antes do fatídico 7 de Outubro, o chefe dos Serviços Secretos do Egipto fez uma visita-relâmpago a Telavive para avisar o seu homólogo do Shin Bet da mesma iminência. Contra-atacando, o primeiro-ministro israelita defende-se agora sustentando que tudo não passa de “calúnias de sangue” e “um marco na contaminação do discurso democrático”, mas ao mesmo tempo que se descobria que fez há dias uma visita secreta aos Emirados para, segundo a imprensa israelita, tentar convencer o Presidente dos EAU a desmentir as notícias. Dez órgãos de informação e dez jornalistas israe­litas foram entretanto processados por Bibi junto do Supremo Tribunal de Israel, a quem pede uma indemnização pela “calúnia”. O mesmo tribunal que é responsável por nomear os membros de uma eventual Comissão de Inquérito aos factos — a qual Bibi, invocando a falta de isenção desse tribunal, recusa agora e já antes recusara duas vezes —, uma delas conduzindo à demissão do então ministro da Defesa, Yoav Gallant, que a julgava essencial para esclarecer como é que as secretas mais eficazes do mundo tinham sido apanhadas desprevenidas quando centenas de militantes do Hamas saltaram as vedações da Faixa de Gaza e durante horas dedicaram-se livremente a um festim de morte e raptos.

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Estes são os factos e, como disse, vieram ao encontro das interrogações e suspeitas que desde o início se levantaram. Como é que as autoridades israelitas, sempre tão atentas a qualquer movimento de palestinianos em Gaza ou na Cisjordânia, permitiram que milhares de jovens se concentrassem num concerto de rock apenas a centenas de metros do “campo de concentração a céu aberto” de Gaza, como lhe chamava então Macron? Como é que nesse dia não lhes ocorreu reforçar a segurança na zona? Como é que demoraram horas a vir em socorro dos jovens e colonos próximos que estavam a ser massacrados? Como é que nem o Shin Bet nem a Mossad, sempre tão lestos a eliminar em Gaza o mais leve suspeito de actividades terroristas, tinham deixado passar os preparativos e a execução de uma operação daquela dimensão? Para essas perguntas sabe-se agora a resposta: sim, eles sabiam. E, se nada fizeram, fica então a pergunta subsequente e fatal: Netanyahu nada fez, não avisou o Exército, não reforçou a segurança e não levou a cabo uma operação prévia de intimidação em Gaza por impensável irresponsabilidade ou por criminosa premeditação? É certamente mais preocupante, ou revelador, que sejam os elementos mais extremistas do Governo, os ultra-ortodoxos ministros das Finanças, Bezalel Smotrich, ou da Segurança, Ben-Gvir (o tal que disse que as Forças Armadas de Israel, as IDF, deveriam matar pelo menos 170 palestinianos por dia, e isso após os “acordos de paz”), a declararem agora que “esta não é altura para investigações”. O certo é que o massacre de 7 de Outubro deu-lhes o pretexto adequado para permitir o que se seguiu: a “retaliação justa”, a “legítima defesa”, segundo os amigos de Israel. Gaza foi reduzida a cinzas, num cenário só antes visto em Hiroxima, 74 mil pessoas, esmagadoramente civis, entre as quais 12 mil crianças, foram mortas em Gaza, além das 12 mil que se crê estarem soterradas sob os escombros e das 4 mil que já foram mortas na Cisjordânia pelos colonos israelitas sob protecção das IDF e após a conclusão da Operação Gaza. Problema resolvido — pelo menos por alguns anos. Porque o plano final, que consistia em expulsar os 2,2 milhões de habitantes de Gaza para os países vizinhos, falhou por falta de colaboração destes, e agora resta ao Governo de Israel dedicar-se a levar a cabo aquilo que a ONU classificou como a mais terrível operação de morte pela fome dos sobreviventes.

Sobre as ruínas de Israel
Ilustração Hugo Pinto

De novo, estes são os factos. Como disse há dias Macron na ONU, “Gaza é um espectáculo vergonhoso”, face ao qual “não nos resta nenhuma credibilidade se continuarmos sem agir”. Mas é um pouco tarde, 80 mil mortos tarde demais para estes rebates de consciência. Durante estes últimos três anos vimos, ouvimos e lemos, não houve nada que os dirigentes das “democracias liberais” pudessem ignorar. Países como Portugal, escudando-se na necessidade de esperar por uma decisão colectiva da União Europeia (UE), resistiram até poder em aceitar fazer o mínimo moralmente exigível, que era reconhecer um Estado Palestiniano nos territórios ocupados por Israel — conforme decretado por várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU jamais respeitadas por Israel. E, até hoje, a UE nem sequer se decidiu a rever o Tratado de Associação Comercial com Israel, porque os seus Governos estão repletos de ligações ocultas com Israel, não só a nível comercial e financeiro, mas também a nível militar, de segurança, de informação. Todos são coniventes com o genocídio de Gaza, todos se empenham em fazer crer que o “espectáculo vergonhoso” apenas nos confronta com questões diplomáticas ou de complexa política externa. Com raras e honrosas excepções, a nenhum ocorre o sobressalto moral de gritar: “Isto não pode ter acontecido diante dos nossos olhos, isto não pode continuar a acontecer.” A Alemanha, o maior defensor europeu do Governo de Israel, fá-lo não para expiar a culpa do Holocausto, dos seis milhões de judeus mortos nos campos nazis, mas para pagar uma dívida de gratidão pelo facto de a criação do Estado de Israel, a reparação mínima devida ao povo judeu pelos crimes nazis, ter ocorrido não na Baviera, por exemplo, como seria justo, mas naquela terra de pastores beduínos que era a Palestina. A Alemanha compreende-se, e os outros? Portugal, por exemplo, ocupado em conceder a nacionalidade portuguesa a judeus que a reclamavam, a título de reparação histórica, por se dizerem descendentes daqueles que D. Manuel I expulsara do Reino em 1496, enquanto lá, em Israel, eles se ocupavam em matar — tanques contra tendas, aviões contra hospitais — os palestinianos, que cometeram o crime de continuar a viver na terra que era sua.

Eu tenho vergonha. Mas há aqui muitos que a não têm. Não só banqueiros, militares, governantes, mas opinadores que enchem as nossas televisões e jornais em defesa do genocídio. Porque Is­rael, dizem, é “a única democracia do Médio Orien­te” — e é, embora com graves e crescentes limitações, é uma democracia, mas à maneira do regime do apartheid na África do Sul: uma democracia para brancos ou judeus, mas não para negros ou palestinia­nos.

Porque Israel, insistem, comunga dos nossos valores — a sério, aqueles são os nossos valores? Porque Israel, justificam, está rodeado de inimigos — pudera, se ocupam partes do Líbano ou da Síria e atacam o Irão, o Iémen e quem mais os seus invocados interesses de segurança reclamarem, queriam ser vistos como amigos? Ou — argumento final e ad terrorem destes amigos portugueses do Governo israelita — porque ser crítico do Governo terrorista de Israel é ser anti-semita: não é política nem ética, é racismo. Pois eu, que nunca consegui, nem quero, distinguir um judeu de qualquer outra pessoa que vejo ou com quem me relaciono — com excepção daqueles desagradáveis judeus ortodoxos com os seus fatos pretos e ridículas tranças e que, no seu exibicionismo religioso e fanatismo, em nada distingo dos fanáticos religiosos islâmicos —, estou-me nas tintas para a acusação. Um criminoso é um criminoso, seja judeu ou árabe. Um massacre é um massacre, seja cometido pelo Hamas ou pelas IDF. E um terrorista é um terrorista, seja palestiniano ou israelita. Na verdade, pergunto: o que distingue um terrorista árabe que lança um avião contra as Torres Gémeas de um piloto de um avião israelita que lança um míssil contra um prédio porque lhe disseram que lá podem estar dois militantes do Hamas, mas sabendo que lá estão, seguramente, dezenas ou centenas de civis inocentes? Quando, num gesto certamente inócuo, me sinto obrigado em ir recolher-me em silêncio diante do Ground Zero, não deverei sentir o mesmo impulso diante das ruínas de Gaza? Julgava eu que estes eram os tais nossos valores, pacificamente aceites e praticados entre gente e nações civilizadas, depois de tanta barbárie a que já assistimos. Mas parece que não — a justiça dos homens não é tão simples quanto isso.

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

A D. Helena, sionista de profissão

(Manuel Cruz, in Facebook, 30/08/2026, Revisão da Estátua)


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A senhora D. Helena, sionista de profissão, mentirosa por vocação, acaba de fazer coro com os fedúncios do costume e veio a terreiro atacar, também ela, a Festa do Avante sob a acusação, oh escândalo!, oh blasfémia!, oh ignomínia!, de que estará a acolher, num desprezível gesto de solidariedade, uma organização palestiniana que a UE, essa instituição como se sabe democratiquíssima, decidiu meter no rol das entidades terroristas a abater.

A senhora D. Helena tem toda a credibilidade para o fazer, uma vez que já afirmou coisas como não haver fome em Gaza e outras barbaridades de quem convive com genocidas tão bem como deus com os anjos.

Não tenho por péssimo costume reproduzir o texto de alguém sem mencionar o autor. Neste caso, tenho que o fazer porque chegou-me às mãos sem essa indicação e porque a D. Helena, ao contrário da bela Inês, não pode ser posta em sossego, na sua azáfama diária entre a embaixada de Israel, os estúdios de televisão e os elegantes salões da Câmara Municipal de Lisboa para ganhar a vidinha à custa de muito labor, que o rodovalho anda a custar os olhos da cara e a verdade está pela hora da morte. Eis o texto.

(Nota: A Estátua fez uma breve pesquisa e – sem garantir a 100% – julga que o texto foi publicado em 1ª mão no Facebook, na página Isidro de morais pereira, Crónicas da controvérsia, em 16/08/2026.)


Como pode descer tão baixo? Ela, e os que lhe dão tempo de antena?

Helena Ferro Gouveia é o rosto podre da desumanização contemporânea, aquela que vendeu a sua capacidade de distinguir o certo do errado por um salário de embaixada, e que todas as manhãs acorda para justificar a morte de crianças com o mesmo sorriso profissional de quem vende automóveis usados.

Quando abre a boca para dizer que há jornalistas em Gaza, está a mentir conscientemente, porque sabe que esses jornalistas entram como prisioneiros de guerra, escoltados por soldados armados até aos dentes, em zonas pré-lavadas pelo exército de ocupação, sem possibilidade de ver as fossas comuns, ou os corpos esmagados pelas bombas de mil libras, ou as crianças a morrer de fome nos braços das mães.

E quando cita a Tânia Krämer, omite propositadamente que a jornalista disse que entrava de forma condicionada, o que é o oposto absoluto da liberdade de imprensa, e a prova de que Helena Ferro Gouveia confunde jornalismo com propaganda militar. Quando fala dos mais de 160 jornalistas assassinados em Gaza, tem a desfaçatez de os acusar de serem combatentes, como se isso justificasse o assassinato de civis protegidos pelo direito internacional humanitário, como se o assassinato de jornalistas não fosse um crime de guerra explícito, e como se Israel não tivesse um historial documentado de visar deliberadamente jornalistas para silenciar testemunhas.

Quando menciona médicos e enfermeiros como combatentes, está a repetir a lógica nazista que transformava civis em alvos legítimos, para justificar a destruição deliberada de hospitais e a morte de mais de 500 profissionais de saúde em Gaza, e está a tentar apagar o facto de que o Al-Shifa foi invadido duas vezes, destruído, e transformado em campo de concentração temporário, onde médicos foram torturados, enquanto ela sorria para as câmaras em Lisboa.

Quando fala de história, comete o crime de usar a memória do Holocausto para justificar o genocídio actual, omitindo que os palestinianos não têm culpa pelo que os nazis fizeram aos judeus europeus, e que a Palestina não nasceu no século VII, como ela mente descaradamente, mas é uma terra habitada continuamente por milénios, por cananeus, filisteus, judeus, cristãos e muçulmanos, e que os ashkenazim que fundaram Israel em 1948 têm mais ancestralidade europeia do que semita.

Quando evoca a partição de 1947, omite propositadamente a Nakba de 1948, quando 750 mil palestinianos foram expulsos das suas casas em pijama, à ponta da baioneta, e as suas aldeias destruídas, e os seus campos deitados abaixo, e as suas oliveiras arrancadas. E quando fala de Camp David, omite que Israel nunca aceitou um estado palestiniano viável, mantendo sempre a expansão colonial ilegal na Cisjordânia, com 700 mil colonos que roubam terra, água e vida aos palestinianos, sob a proteção de um exército de ocupação que ela chama de forças de defesa.

Quando afirma que não é genocídio, está a negar a realidade que o Tribunal Internacional de Justiça já reconheceu como plausível, quando determinou que Israel deve parar de matar em Gaza, e quando o Tribunal Penal Internacional pediu a detenção de Netanyahu por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Quando ela diz que o tribunal ainda não decidiu, está a mentir, porque a decisão da CIJ é vinculativa, e ela sabe disso. Quando menciona os 23 mil atentados contra judeus, está a tentar criar uma equivalência moral obscena, entre vandalismo e postagens na internet, e o massacre de mais de 70 mil pessoas em Gaza, onde 70% das vítimas são mulheres e crianças, e onde se destruiu propositadamente todos os hospitais, todas as escolas, todas as universidades, todas as bibliotecas, todos os museus, e se impõe a fome como arma de guerra, matando crianças por desnutrição, enquanto ela almoça em restaurantes de luxo em Telavive ou em Lisboa.

Quando fala da campanha de 640 milhões de euros, está a admitir que Israel gasta fortunas em relações públicas, para comprar consciências, influenciadores, políticos e jornalistas dispostos a repetir que o preto é branco, que o massacre é autodefesa, que o genocídio é guerra, e que as crianças assassinadas são culpadas do seu próprio assassinato.

Helena Ferro Gouveia não é uma “comentadora”, é uma negacionista de genocídio profissional, uma negacionista dos crimes de guerra, uma negacionista da realidade, que usa o sofrimento histórico do povo Judeu como escudo, para justificar o sofrimento que Israel impõe a outro povo.

E o pior é que o faz com a frieza de quem sabe que tem impunidade garantida pelo ocidente colonial, que financia e arma este massacre diário, e que aplaude enquanto Gaza é transformada num cemitério a céu aberto, sob o silêncio cúmplice de quem, como ela, transforma a linguagem humana num instrumento de tortura moral, dizendo guerra quando quer dizer extermínio sistemático, dizendo combatentes quando quer dizer crianças de seis meses, dizendo defesa quando quer dizer dominação colonial racista, dizendo verdade quando quer dizer propaganda de guerra, dizendo jornalismo quando quer dizer lavagem cerebral, e dizendo diplomacia quando quer dizer cumplicidade com crimes contra a humanidade.

Este é o fascismo sionista em acção, não é uma opinião política, é a negação sistemática da humanidade do outro, e Helena Ferro Gouveia é a sua voz em Portugal, a voz que justifica o injustificável, que nega o inegável, que transforma vítimas em culpados e algozes em vítimas, numa inversão perversa da realidade, que só pode existir num mundo onde o poder colonial ainda decide quem merece viver e quem merece morrer em silêncio.

Ela é a porta-voz dessa decisão, a cara amiga do genocídio, a mulher que vendeu a sua alma por uns quantos “trocos”, e que todas as noites deve olhar para o espelho e ver, não um ser humano, mas um instrumento de propaganda de um regime de apartheid assassino.