(Por Pedro Almeida Vieira, in Página Um, 01/04/2024)
“Para serem mais honestos do que eu tinham que nascer duas vezes”, Cavaco Silva, 23-12-2010
O segredo é a alma do negócio, mas há negócios que, desvendando-se alguns pormenores, custa a acreditar que se concretizem. A Medialivre – que detém o Correio da Manhã e a CMTV, tendo Cristiano Ronaldo como principal accionista – vai adquirir, para ficar com estações de rádio em Lisboa e no Porto, duas empresas de Luís Montez, uma das quais tem como administradoras a filha e a neta de Cavaco Silva. Os montantes do negócio são desconhecidos, mas as contas públicas destas empresas do genro do ex-presidente da República mostram que têm sido ‘máquinas de fazer calotes’ sem ninguém as incomodar: capitais próprios negativos, prejuízos sucessivos, faltas de liquidez crónicas e existem mesmo indicadores de fluxos de caixa que indiciam atrasos em salários e fornecedores à míngua. E, claro, há dívidas ao Fisco, que parece ter-se tornado um ‘ponto de honra’ de certas empresas de media com o beneplácito do regulador (que nada vê) e do Estado (que fecha os olhos).
(Por oxisdaquestão in blog oxisdaquestao, 02/04/2024)
Lembremo-nos do lítio que as nossas montanhas escondem e que não tarda muito vai ser catado à força de buldozer e escombreiras. Quem ainda não fez as fotos das nossas paisagens já não tem muito mais tempo para fazê-las.
As riquezas do país vão muito para além deste calhau da moda que origina golpes de estado e guerras para o saque de riquezas naturais. Não estamos livres de tais movimentos e, se eles chegam de fora, temos de nos precaver: constituir um poderoso exército conforme a nossa tradição que remonta à reconquista e às lutas contra os espanhóis e franceses.
Dizem-nos de Bruxelas que os russos, tendo aviado Kiev e o seu drogado-nazi, entrarão de roldão por aí dentro e, se não estamos precavidos, chegam a Vila Real de Santo António num abrir e fechar de olhos. É que os russos depois de passarem pela porcaria que são os outros países da NATO e da CEE-UE vão querer assenhorear-se das nossas verdadeiras riquezas: os pastelinhos de Belém, as natinhas do Porto, o presunto de Lamego, os pézinhos de coentrada, o bacalhau à Braga, as castanhas transmontanas, as azeitonas do Alqueva, as pataniscas de bacalhau e as iscas de fígado de cebolada, o pão-de-ló de Margaride… Assim que a Nação está em risco, e como tem um exército de GNR’s voluntários para missões de paz, tem de o reforçar com a rapaziada treinada nos jogos de computador tipo call of duty, sniper elite 5, hell let loose, world of tanks, …
O serviço militar obrigatório era a forma de recrutamento do regime salazarista, enquanto durou, para prover a guerra colonial de homens. O SMO foi responsável por 30 mil soldados mortos e feridos (inválidos), sendo que o número de afetados psicologicamente nunca foi apurado por não se admitir tal situação, que acarretaria elevados custos de reparação ao Estado.
Este assunto vem à baila porque os EUA/NATO encetaram uma operação militar de cerco ao território da Rússia, tendo como base principal a Ucrânia, país sem bases sólidas de nacionalidade e soberania, e que foi levado a ser uma imensa base militar da NATO e um território governado por nazis assumidos e inimigos dos russos declarados. Nesta sua aventura o exército ucraniano tem perto de 700 mil mortos e cerca de 1 milhão de feridos (recuperados uns, estropiados-mutilados outros).
Até ao momento os países da NATO não decidiram enviar militares seus para esta guerra. Mas, como ela está a ser perdida pelo exército nazi e pela NATO/EUA, agora sem munições e efetivos suficientes –a pretexto da falsa ideia que os russos têm algum interesse na porcaria moral e económica em que a Europa se transformou -,correu a propaganda que os países devem gastar mais na sua defesa, 2 ou 3% do PIB, para comprar armas aos norte-americanos e pagar às tropas que irão ao terreno combater e… serem eliminadas.
E, por isso, lançam a campanha do SMO e esperam que os Governos o voltem a instituir. Em Portugal será a repetição do que ocorreu na guerra colonial, quando os jovens viam a sua vida adiada até 4 anos para cumprirem o tempo de tropa, iam aos territórios coloniais combater e correrem riscos absurdos de morte ou de caírem na invalidez.
A campanha em prol do SMO já arrancou nos jornais e nas TV’s e vai ser insidiosa e brutal. Vão falar em patriotismo e meter medo à população enquanto os corrutos fazem as contas às comissões que vão receber dos negócios que vão brotar à conta das despesas inúteis que se irão fazer.
Com o poder totalitário que está instituído restam poucas alternativas aos que não aceitam perder os melhores tempos das suas vidas ao serem arrebanhados para os quarteis: uma é adquirirem o estatuto de objetor de consciência:
Outra é caçar à unha os militaristas e dependurá-los em cordas de candeeiros ou ramos de árvores bem fortes.
Este é o sexteto de direita que venceu as eleições legislativas, depois de Marcelo PR ter derrubado o Governo de maioria absoluta do PS. É essa gente que tem a estrita obrigação de autosustentar-se, criando, se necessário, uma aliança do tipo «caranguejola» ou mesmo «dona elvira». Mas ao menos tenham vergonha e não se ponham a “pedir batatinhas” ao PS, lá porque acolheu como deputados o Francisco Assis e o Sérgio Sousa Pinto…
Políticos de direita e extrema-direita, e o jornalismo ‘de reverência’, atacaram brutalmente o PS, o Primeiro-ministro António Costa e os seus governos durante oito anos, mas desejam um PS ‘manso’ para ajudar a aguentar este Governo do PPD-PSD mas, o atual PS, deve ter a coragem de responder ‘com a mesma moeda’ a esta direita agora no poder, não para se ‘vingar’, mas para sobreviver a um dos piores ataques à democracia desde há 50 anos.
Políticos e jornalistas sem escrúpulos, que “in illo tempore” atacaram com a mesma brutalidade MÁRIO SOARES, aproveitam-no agora, que está morto, para invocar a sua tolerância e generosidade democráticas em proveito deste Governo dito ‘falsamente’ da AD (e que ameaça ser tão mau como o de Pedro Santana Lopes). Querem, assim, exautorar, depreciar, desprestigiar a(s) esquerda(s), caso o PS não se sinta atraído pelos ‘cantos de sereia’ desta Imprensa oportunista e sem escrúpulos que, junto com um Presidente da República irresponsável, instável e “dissolvente”, andaram com a direita e as duas extremas-direitas (a do CHEGA e a da IL) ao colo, mas agora querem ver-se livres duma delas (a do CHEGA), que lhes “saiu pela culatra”, apelando à boa-vontade e ao “sentido de Estado” que nunca tiveram enquanto o PS esteve no poder.
Este PS continua a ter no seu seio uma “ala liberal” que nada tem a ver com o socialismo democrático, e é a favor da reconstituição do ‘bloco central’. Sei bem, por experiência própria (fui o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do IX Governo constitucional, de 1983 a 1985), o que significou, para o PS, a coligação de Governo com o PPD-PSD, partido que – já com Cavaco Silva na chefia e em ‘aliança’ com o PR Ramalho Eanes – decidiu desfazer a coligação com o PS e derrubar o Governo a meio do seu mandato. Desde então, eu (que até fui defensor da coligação com o PPD-PSD, então liderado por Mota Pinto) jurei a mim próprio que jamais defenderia outra aliança com o partido que já foi de Cavaco, de Durão Barroso e de Passos Coelho, e que agora é de um dos acólitos de Passos Coelho no tempo da brutal política de ‘austeridade’ e ‘empobrecimento’ deliberado (sim, mesmo deliberado!) de Portugal e dos Portugueses.
O que o PS tem de fazer é aquilo que Pedro Nuno Santos prometeu e ainda não cumpriu: oposição. Uma oposição clara – e sem hesitações ditas ‘patrióticas’ mas de facto ‘hipócritas’, ‘cínicas’ e ‘oportunistas’. Em democracia, é o que se espera e reclama duma oposição democrática (pelo menos enquanto Portugal não estiver em estado de ‘pré-guerra’ com a Rússia, como querem o imbecil Presidente da França e o idiota chefe do Governo da Polónia). Espero que não sejam esquecidos os insultos que alguns ‘barões’ do PPD-PSD agora membros do Governo – sobretudo o incrível novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel – dirigiram ao PM António Costa, aos seus Governos e, aliás, ao próprio Pedro Nuno Santos.
Nenhum militante, adepto ou mero eleitor do PS compreenderá que seja este partido o sustento do Governo de Montenegro. E convirá recordar que foi, sobretudo, o CHEGA que nasceu duma ‘costela’ do PPD-PSD e que esvaziou o CDS-PP. Por isso, é com a ajuda do CHEGA de André Ventura que este PPD-PSD de Montenegro terá de se haver para se manter no poder.
Essa de que terá sido o PS a ‘dar corda’ ao CHEGA, já pertence ao ‘anedotário político nacional’. Foi a direita que gerou a extrema-direita, e não o PS. Que isso fique bem claro!